O túmulo e os restos mortais de S. Pedro no Vaticano, Roma – conclusão

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Πέτροσ ένι

Após o término das escavações, em 1950, o arqueólogo Antonio Ferrua examinava o interior da parte oca da parede azul, quando notou, no chão, perto da junção desta com a parede vermelha, um pequeno pedaço de argamassa que havia caído. Conseguiu pegá-lo dentro do buraco, e viu que havia algo gravado ali, a lâmina. Levado a especialistas, descobriu-se uma inscrição em grego com os dizeres: Πέτροσ ένι.

 O primeiro nome (Πέτροσ) obviamente é Pedro. Já o ἔνι é a contração do verbo grego antigo ἔνεοτι, que significa “estar dentro”. A inscrição significava, literalmente “Pedro está aqui dentro”...

Símbolo do Apóstolo Pedro
A essa altura, um dos maiores especialistas em inscrições antigas, Drª Margherita Guarducci, passou a estudar os grafites da parede azul. Como se sabe, os primeiros cristãos usavam uma linguagem codificada de símbolos e letras: o peixe, as letras gregas Chi-Rho (XP), o "M" para Maria, o "N" para vitória, etc. Após estudo, Drª Guarducci descobriu o código usado para São Pedro: um “P” com um discreto “E” em sua perna, ou o mesmo símbolo inserido no Chi-Rho de Jesus: tão expressivo e único, o símbolo é também mais uma evidência do Apóstolo Pedro como o primeiro Sumo Pontífice da Igreja, o Vigário de Cristo sobre a Terra.

A descoberta provava que a doutrina do papado já era clara nos primeiríssimos tempos da Igreja. Muitas outras inscrições com esse símbolo podiam ser observadas na parede dos grafites. Estudos posteriores revelaram que São Pedro era invocado com grande frequência mediante tal símbolo, pelos primeiros cristãos: era muito usado nas catacumbas, em cartas, em mosaicos, pinturas, etc. Estava assim explicada a aparente ausência do nome de São Pedro.


Grafitti com o Chi-rho (XP), símbolo de Cristo

Essa descoberta intrigou a Drª Guarducci quanto a inexplicável parede oca com os grafites e o Πέτροσ ένι. Mons. Kaas, administrador da Basílica, costumava ir à noite verificar os andamentos dos trabalhos. Acompanhava-o G. Segoni, o chefe dos “sampietrini” (operários do Vaticano, cujos ofícios passam de pai para filho). Mons. Kaas, nessas inspeções, preocupava-se em guardar de modo digno as numerosas ossadas que iam sendo encontradas. Colocava-as numa caixa, ajudado por Segoni, identificando com uma etiqueta o local de onde foram tiradas.

Uma noite, pouco depois de descoberta a parede oca dos grafites, Mons. Kaas pediu que Segoni verificasse bem se não se encontrariam ossos dentro da cavidade. Por baixo da poeira, Segoni encontrou numerosos ossos, restos de tecido e fios metálicos.Tudo foi guardado numa urna e identificado. Outro “sampietrini presenciou a remoção, mas os demais arqueólogos não souberam disso na época.


Muro dos grafitti

No ano de 1950 foi divulgada a grande notícia: o túmulo de São Pedro fora sem dúvida descoberto. O próprio Papa Pio XII fez o anúncio, associando-o ao Ano Santo. Explicava-se, porém, que, segundo o modo como os ossos foram encontrados, não se podia concluir se eles seriam ou não do Apóstolo. Houve então muitos protestos dos meios científicos, que solicitavam um exame rigoroso de todos os ossos descobertos na pequena abertura em forma de Λ na parede do túmulo de São Pedro.

Afinal, em 1956, Pio XII concordou, e foi nomeado o Dr. Venerando Correnti, um dos maiores antropólogos da Europa na época. O trabalho foi lento e difícil, pois faltavam vários ossos importantes. A conclusão, em 1960, constituiu uma sensacional decepção: tratavam-se de ossos de três pessoas – dois homens de meia idade e uma mulher idosa. - Junto, encontravam-se também ossos de animais, todos antiquíssimos, possivelmente do século I.

Para os arqueólogos, a situação se explicava: como as leis romanas proibiam a remoção de ossos de uma sepultura, esses haviam sido encontrados e amontoados no pequeno buraco ao pé do nicho. Para completar os estudos, Dr. Correnti verificou rapidamente os demais ossos das tumbas próximas. Ao analisar os ossos encontrados na cavidade revestida de mármore, da parede dos grafites, chamou-lhe a atenção o estado de conservação, estando a maioria bem branca. Dada sua grande antiguidade, decidiu estudá-los melhor. Eram 135 ossos, sendo que poucos estavam inteiros. Constatou que provinham de um só indivíduo, do sexo masculino, de físico robusto e falecido entre os 60 e 70 anos.

Antes de estar na cavidade do mármore, eles haviam estado enterrados na terra nua, mas depois, durante muito tempo, permaneceram bem protegidos e envoltos por tecidos purpúreos, que mancharam um pouco alguns.

Dra. Guarducci revelou então que a expressão grega Πέτροσ ένι vinha ecoando continuamente em sua cabeça. Seriam essas as relíquias de São Pedro? Não é a única explicação possível para o “Pedro está aqui dentro”? E para a misteriosa cavidade? Todos os dados confluíam para essa teoria. A razão do esconderijo seria evitar profanações. O Dr. Correnti apoiou a tese da dra. Guarducci, e ambos obtiveram de Paulo VI, que havia sido eleito recentemente, a permissão para reabrir as pesquisas.

O teste crucial foi o dos fragmentos de terra existentes nos ossos. Sua composição química revelaria se era a mesma terra que se encontra no piso do túmulo vazio de São Pedro. Uma circunstância tornava esse teste particularmente importante: a terra do túmulo é de tipo calcária argilosa, bem diferente da que se observa em toda a região vizinha, inclusive dos túmulos próximos. Só os membros da alta nobreza romana podiam usar a púrpura verdadeira, cuja fabricação era um rigoroso segredo de Estado. Os demais ricos usavam uma imitação. Hoje, a composição química de ambos os tipos é conhecida. Outra particularidade: a púrpura com fios de ouro era de uso exclusivo da família imperial, mesmo assim em raras ocasiões.

Resultado do exame: tratava-se de púrpura romana verdadeira, decorada com finíssimas placas de ouro. E os fios que estavam junto aos ossos eram fios de ouro. Essas comprovações foram essenciais a favor da teoria da Dra. Guarducci: como a cavidade marmórea foi considerada já existente na época constantiniana, ficava claro que o Imperador autorizara envolver as preciosas relíquias na púrpura imperial.

Antes de publicar novos estudos, cinco renomados especialistas independentes verificaram tudo o que havia sido feito e o ratificaram. Mas ao ser dada a público a nova teoria, levantou-se um murmúrio em certos meios científicos, pois, para preservar o bom nome dos arqueólogos e de Mons. Kaas, a Dra. Guarducci procurou cobrir o incrível episódio do eclesiástico ter recolhido os ossos sem avisar aos membros da equipe. Também impugnou-se o exame do tecido, exigindo-se outro mais rigoroso. E, sobretudo, argumentava-se que não havia nenhuma prova que demonstrasse não ter sido violado o repositório marmóreo.

Assim, nova série de pesquisas e procedimentos foi iniciada. O exame mais rigoroso dos tecidos, feito na Universidade de Roma, confirmou os resultados anteriores. Paulo VI autorizou a abertura do repositório, para confirmar se datava da época de Constantino e se não fora violado. A dúvida surgiu porque fora encontrada uma moeda do início da Idade Média no local.

Uma equipe desmontou a parte de baixo da parede azul dos grafites, a fim de penetrar no repositório sem tocar nas paredes e no teto. Tudo foi examinado minuciosamente. Conclusão: o compartimento fora fechado no século IV, e jamais fora aberto. Várias moedas foram ali encontradas, tendo penetrado através de fissuras da parede causadas por acomodação do terreno.

Para silenciar definitivamente as críticas, um novo trabalho foi publicado, relatando as circunstâncias exatas do episódio de Mons. Kaas, acompanhado de documento juramentado do “sampietrini” Segoni.



Vista de conjunto do Altar da Confissão

A Dra. Guarducci rebateu convincentemente a última crítica que ainda pairava: como explicar a remoção dos ossos da sepultura, mesmo por motivos de segurança, uma vez que os costumes romanos não o permitiam? Na realidade, os ossos não tinham sido removidos da sepultura, pois a parede azul é parte integrante dela.

Após algum tempo, certificando-se de que a crítica nada mais de ponderável podia apresentar, e confirmando-se que os novos exames reforçaram singularmente a teoria da Dra. Guarducci, Paulo VI, a 26 de junho de 1968, anunciou solenemente ao mundo que, após os longos e extensos estudos, “as relíquias de São Pedro foram identificadas de um modo que julgamos convincente”, e que, por isso, ele fazia “este feliz anúncio” aos fiéis de todo o mundo.

No dia seguinte, em cerimônia presidida por Paulo VI, as relíquias de São Pedro, guardadas em caixas com tampos transparentes, foram recolocadas no repositório onde haviam sido encontradas. Confirmando a tradição católica sobre as relíquias de São Pedro, fora edificada a grande Basílica de Constantino, considerada o centro da Cristandade. E sobre tal Basílica, mil anos depois, ergueu-se a atual Basílica de São Pedro. Cumpriu-se assim, até de modo físico, a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.

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1. WALSH, John E. The Bones of St. Peter. New York: Doubleday, 1982.


Bibliografia:
WALSH, John E. The Bones of St. Peter
. New York: Doubleday, 1982.WILLIAM, O'Connor, Daniel. Peter in Rome: The literary, liturgical, and archeological evidence. New York: Columbia University Press, 1969.

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Ciência Confirma a Igreja

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Adaptado do artigo de Juan Miguel Montes
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O túmulo e os restos mortais de S. Pedro no Vaticano, Roma


“Tu és Pedra, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja.” (Mt 16,18).

ESTAS DIVINAS palavras, com as quais Nosso Senhor Jesus Cristo concede o Primado sobre a Igreja a S. Pedro, convidam os católicos de todos os tempos a se interessar, cheios de veneração, pela história do primeiro Papa. E do lado contrário, – como não poderia deixar de ser, – os anticatólicos tentam a todo custo contestar a realidade histórica deste Primado do "Príncipe dos Apóstolos". Alguns chegam ao extremo do absurdo de contestar que S. Pedro tenha sequer estado em Roma.

Este, prezado leitor, é um daqueles assuntos os quais irritam este vosso humilde servidor, e que lhe dá muito custo escrever, porque acho difícil explicar o óbvio. É como se alguém me pedisse para "provar" que o primeiro presidente da República do Brasil foi o Mal. Deodoro da Fonseca, mandato iniciado aos 15 de novembro de 1889. Como se prova tal coisa? Como e por que seria preciso provar o óbvio, o auto-evidente, algo que se encontra em qualquer enciclopédia e/ou livro de História, e está registrado em todos os documentos? É exatamente assim no caso de se provar o episcopado de Pedro em Roma. Começaremos, em todo caso, apresentando a mais cabal de todas as provas de que o Apóstolo não só esteve em Roma, como também permaneceu lá até o fim da vida, isto é, até o seu martírio.

O povo cristão sempre se teve a plena certeza do episcopado de Pedro em Roma, desde as mais antigas tradições cristãs, desde a origem da Igreja. E após os primeiros séculos, no correr dos tempos, foram surgindo documentos provenientes dos mais diversos pontos da cristandade primitiva, confirmando aquilo em que os católicos sempre creram. As provas mais recentes, entretanto, foram tão acachapantes, tão inquestionáveis, que os próprios anticatólicos foram reduzidos ao silêncio quanto a este assunto. Já não era mais possível tentar argumentar. Historiadores protestantes o reconheceram, como é o  caso de A. Harvach, que, envergonhado pela postura de alguns colegas em outros tempos, chegou a declarar: "No longer deserves the name of historian who put in doubt that St. Peter has exercised his Ministry in Rome". – "Já não merece o título de historiador quem põe em dúvida que o Apóstolo Pedro tenha exercido seu ministério em Roma"1.

Mesmo assim, ainda persistia uma questão: estaria o túmulo do Vigário de Cristo realmente sob o tradicional e magnífico Altar-Mor da Basílica de São Pedro? Sobre este assunto específico, é verdade, havia um vazio, um "silêncio" quase total na documentação histórica dos primeiros séculos da história da Igreja.

A tradição católica, por outro lado, foi sempre bem específica quanto ao assunto. Diz que S. Pedro, já idoso, foi crucificado de cabeça para baixo na colina Vaticana, no ano de 68 ou 64, após ter exercido o primeiro papado em Roma por 25 anos. Seu corpo foi sepultado perto do local do martírio, num cemitério pagão então existente na mesma colina, em frente ao Circo de Nero. A tradição aponta, ainda, o local exato da sepultura (chamado 'Confissão de S. Pedro'), venerado desde tempos imemoriais.

Nos 250 anos que vão da morte do primeiro Papa até a autorização de culto, dado mediante o Édito de Milão (ano 313), apenas dois documentos referem-se ao túmulo do Santo Apóstolo. Um deles diz que Sto. Anacleto (o terceiro Papa, que reinou de 79 a 90) ergueu no local um monumento fúnebre, aproximadamente vinte anos após a morte de S. Pedro. Outro, mais importante, é uma carta do sacerdote Gaius de Roma, do ano 200, afirmando também que no local havia um monumento fúnebre (τρόπαιον no grego, que se traduz ao português, grosseiramente, por 'troféu', o que não corresponde ao sentido exato da palavra).

Assim que foi concedida a liberdade de culto aos cristãos, por Constantino, multidões de fiéis começaram a afluir de todas as partes para venerar as relíquias de S. Pedro, Príncipe dos Apóstolos.


** Cabe aqui uma observação importante: acostumados que estamos com as acusações dos nossos leitores ditos "evangélicos", antes que falem em "idolatria" por conta da veneração das relíquias dos santos, dizendo que este costume foi uma introdução posterior ao cristianismo, deixamos já bem esclarecido que se trata de uma prática e costume que vem desde os tempos do Antigo Testamento. Áqueles que só aceitam qualquer afirmação se constar literalmente na Bíblia, sugerimos a leitura de Hebreus 9,5-8: nessa passagem, o Apóstolo Paulo menciona o cajado de Arão, guardado no interior da Arca da Aliança como relíquia sagrada e venerada pelo povo de Deus. Este trecho derruba de uma vez a alegação usada contra os católicos, mostrando que o antigo costume de se preservar relíquias sacras (objetos dos santos, preservados em sua memória), nunca foram sinônimos de “idolatria”. Essa tradição vêm desde os tempos de Moisés.


Retomando a narrativa, por volta do ano 330, o Imperador Constantino e o Papa S. Silvestre ergueram naquele local magnífica e enorme Basílica; consta que o próprio imperador trabalhou na obra, carregando simbolicamente doze cestos de terra em homenagem aos Apóstolos. Ocorre que o local era extremamente inconveniente para a construção, pois o subsolo era mole e saturado de água, e o terreno em declive necessitava de enormes aterros. Além disso, pelas leis romanas o cemitério era inviolável, não se podendo retirar os ossos de nenhuma sepultura.

Somente o fato de o túmulo do Apóstolo Pedro estar aquele lugar, num ponto fixo intransferível, poderia representar um motivo forte o bastante para que Constantino enfrentasse tantas dificuldades técnicas e jurídicas, além dos gastos altíssimos que se opunham à construção da grande Basílica num local tão impróprio. – Mais tarde, na Renascença, a atual e ainda maior Basílica de São Pedro foi construída exatamente no mesmo local, mas sem interferência nas construções anteriores, erguendo-se num plano mais elevado. Assim, sobre o túmulo primitivo ergueram-se as construções constantinianas, e acima delas as da Renascença. Em diversas épocas houve reformas em torno do túmulo, mas, – fato notável e que virá a fazer toda a diferença nas pesquisas posteriores, – não consta que tenha sido aberto em 1600 anos de história(!).

Uma obra séria e bastante interessante, intitulada "The Bones of St. Peter" ('Os Ossos de São Pedro'), escrita por John E. Walsh (ed. Doubleday, NY, 1982 – sem tradução para o português, que pode ser adquirida neste link), narra em detalhes as pesquisas científicas realizadas no túmulo nos últimos anos. Os dados que utilizamos a seguir foram extraídos principalmente desta obra.



As escavações

No ano de 1939 ficou decidido rebaixar o subsolo dos corredores em torno do túmulo, para aumentar o seu pé direito. Aí está sepultada a maioria dos Papas. Uma equipe de competentes arqueólogos orientava os trabalhos, entre os quais o Profº Enrico Josi, considerado um dos maiores especialistas em antiguidades cristãs do planeta.

Dirigia a equipe o administrador da Basílica de São Pedro, Mons. L. Kaas. O Papa Pio XII não os autorizou a tocar nas construções do túmulo petrino. Logo no início dos trabalhos, foram encontrados vários mausoléus adjacentes. Alguns destes estão entre os melhores exemplares arquelógicos já descobertos do período áureo romano.


Confirmações

• Um ponto da antiga tradição foi, portanto, logo de início confirmado: o cemitério pagão, no qual S. Pedro fora sepultado, não só realmente existe como também está localizado exatamente onde se acreditava há muitos séculos.

• Numa determinada lápide, veio outra importantíssima confirmação: uma inscrição referia que, ao lado, estava o Circo de Nero(!).

• Verificou-se que o cemitério era sem dúvida anterior à morte de S. Pedro. Os ricos mausoléus, entretanto, eram pouco posteriores a ela. Tudo havia sido soterrado, porém se mantivera intacto pelos operários constantinianos, que tiveram cuidado em não violar os túmulos.

Tudo confirmava a tradição. – Com todos esses indícios favoráveis, Pio XII afinal autorizou que se abrisse o túmulo atribuído ao Apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja, para que se procedesse o estudo científico completo de tudo.

Decidiu-se tentar penetrar pela parede de uma pequena capela do século XVI, que está embaixo do Altar-Mor atual: foi desmontado cuidadosamente o precioso mosaico que há nessa parede, e descobriu-se que era da época do Papa S. Gregório Magno (590-604). Nela foi feita uma abertura, retirando-se tijolo por tijolo. Havia, atrás desta, uma grossa placa de magnífico mármore decorado com precioso pórfiro escuro. Alargada a abertura, verificou-se que era um Altar montado pelo Papa Calixto, no século XII.

Retiradas algumas peças de mármore, chegou-se à outra parede, certamente da Basílica de Constantino, do ano 330(!). Atrás havia ainda outra parede bem mais antiga, grossa, de tijolos e pintada de vermelho vivo. Seria parte do túmulo original?

Para não danificá-la, decidiram tentar em outro local, mais à direita. Após passar pelas mesmas paredes, chegaram os pesquisadores então a outro Altar precioso. Este havia sido o Altar-Mor erigido por S. Gregório Magno na Basílica velha de São Pedro, no século VI. – A parede vermelha, nesse local, estava recoberta de excelentes mármores, sinal de sua importância. Tentou-se, assim, do seu lado oposto. Mas, ao invés de chegar à parede vermelha, encontraram uma outra, azul; e tiveram a surpresa de verificar que era uma grossa parede de pequena extensão, colada à vermelha, em ângulo reto com ela, ambas da época romana. A vermelha, mais antiga, era maior e descia fundo. Atrás dela, depararam-se com paredes mais recentes. Era então evidente que o túmulo estava bem mais fundo, e que acima do solo da época romana só havia essa grande parede, ornada de nichos em estilo clássico, mas sem nenhuma decoração cristã.

• Estava agora confirmado o "monumento fúnebre" (τρόπαιον) referido por Gaius no ano 200(!). As duras perseguições religiosas durante o Império certamente forçaram esse disfarce, bem como a ausência de símbolos cristãos.

Mas as surpresas apenas começavam: o exame da parede azul veio a revelar que ela estava, esta sim, coberta de inscrições cristãs de tipo grafite, feitas com lâminas, de modo desordenado: eram pedidos de orações dos primeiros cristãos, que escreviam seus nomes: Ursianus, Bonifatius, Paulina, e outros. O símbolo codificado de Cristo, as letras gregas Chi-Rho superpostas (como se vê na imagem abaixo) aparecia várias vezes.


Grafite com o Chi-Rho (XP), símbolo de Cristo

O nome que se procurava, entretanto, não era encontrado: Petrus. Nenhuma invocação a ele em meio àqueles muitos nomes. Permanecia o indecifrável silêncio sobre o Apóstolo S. Pedro, o primeiro Papa.

Essa angústia durou até que, num certo ponto dessa mesma parede, foi encontrado uma pequena fenda, formada pela queda da argamassa. Inserindo luz pela abertura, verificou-se que a parte de baixo da parede azul era oca e revestida internamente de preciosos mármores. No chão dessa cavidade havia muito pó. Parecia ter sido algum túmulo engenhosamente escondido ali. Seria impossível investigar melhor aquilo sem abrir mais o pequeno buraco, o que destruiria as inscrições. Que fazer?

Com essa nova descoberta, as atenções se voltaram para o túmulo de S. Pedro propriamente dito. Decidiu-se escavar mais, bem junto à parede vermelha, para se chegar à câmara mortuária. Logo foram encontradas algumas sepulturas cristãs simples, quase amontoadas junto à parede. Eram dos primeiros séculos. Tratava-se de um tocante indício: todos os corpos estavam voltados para a parede. Tudo indicava que eram cristãos da Igreja primitiva, enterrados bem junto a S. Pedro!

Ao retirar uma pedra, depararam-se com uma cavidade vazia: afinal, o túmulo! Emocionados, os arqueólogos avisaram o Venerável Papa Pio XII, que em dez minutos chegou ao local. Era uma câmara pequena mas alta; simples, com paredes de tijolos nus e piso de terra. E estava vazia! Havia sinais evidentes de violência: um nicho e uma trave golpeados violentamente, uma coluneta partida.

No chão encontraram-se muitas moedas romanas e medievais, confirmando uma antiga crônica que se refere a uma pequena abertura no túmulo, por onde se podia introduzir a mão. As moedas provinham de todo o Império, atestando a devoção generalizada ao Apóstolo S. Pedro. O exame minucioso do local revelou, na base do nicho, uma pequena abertura em forma de "Λ", entupida de terra. Revolvendo o interior dessa abertura, encontrou-se grande quantidade de fragmentos de ossos antiquíssimos (ao todo, mais de 250). Seriam os ossos do Apóstolo?

Em caso afirmativo, por que estavam eles em posição tão secundária, e escondidos? O médico de Pio XII, Dr. Galeazi-Lizi, examinou-os e concluiu que eram de um homem idoso e de físico robusto, o que correspondia à descrição de S. Pedro. Daí ter-se propagado, na ocasião, a versão de que os ossos eram dele.

Mas essa localização estranha exigia maiores pesquisas. As escavações continuaram, revelando que a parede vermelha era a peça chave de um complexo de construções. Tratava-se de uma edícula comemorativa, no centro da qual havia duas colunetas sustentando uma laje de travertino, parecendo um Altar cristão. Em frente, situava-se um pátio fechado por altos muros. Era obviamente uma construção ideal para celebrações clandestinas dos primeiros cristãos, pois como o cemitério era pagão e aberto, ao contrário das catacumbas, as precauções tinham que ser maiores: daí a ausência do nome de Pedro e de símbolos cristãos nessa área (é aí que está a parede azul com os grafites). É esta também a razão do silêncio sobre a localização do túmulo na literatura cristã da época. Mas ainda não se podia afirmar definitivamente que ali jaziam os restos mortais de Pedro Apóstolo, o primeiro Papa da Igreja.

** Ler a conclusão deste estudo

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1. WALSH, John E. The Bones of St. Peter. New York: Doubleday, 1982.


Bibliografia:
WALSH, John E. The Bones of St. Peter
. New York: Doubleday, 1982.

WILLIAM, O'Connor, Daniel. Peter in Rome: The literary, liturgical, and archeological evidence. 
New York: Columbia University Press, 1969.

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Adaptado do 
artigo de Juan Miguel Montes, "'Pedro está aqui' – A emocionante descoberta dos ossos de São Pedro no Vaticano".
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O Bom Combate – Treinamento do soldado de Cristo

"Santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a qualquer que pedir a razão da esperança que há em vós; fazei-o, porém, com mansidão e respeito, conservando a vossa boa consciência; para que, se em alguma coisa sois difamados, sejam confundidos aqueles que ultrajam o vosso bom comportamento em Cristo; pois será melhor que sofrais, – se esta é a Vontade de Deus, – por praticardes o bem do que praticando o mal."
(1Pd 3,15)


RECEBEMOS, COM muita satisfação no SENHOR, diversas mensagens de fiéis católicos, – e/ou de pessoas que pretendem sê-lo, – inseguros quanto ao conhecimento dos fundamentos do catolicismo e das coisas da Igreja, a nos perguntar o que recomendamos para o crescimento e a solidificação na fé. Tais leitores desejam, com toda a justiça, armarem-se com o escudo da fé e a espada da sabedoria, para se tornarem aptos a responder prontamente às perguntas maliciosas, a repelir os ataques dos seguidores de tantas e tão variadas seitas (a maioria das quais se proclama 'cristã'), que em comum têm apenas o ódio à Igreja de Jesus Cristo, que é Católica, Apostólica e, circunstancialmente, Romana.

A existência de tantos católicos confusos, – muitos angustiados, – só confirma a crise por que passa a Santa Igreja em nossos tempos. A má ou péssima formação de sacerdotes, a catequese quase completamente descuidada, o desleixo para com a Liturgia e a pregação apostólica, a falta de empenho na transmissão dos fundamentos da fé... Todos estes elementos constituem um conjunto de coisas que vitima inúmeras almas, tanto da parte dos progressistas alienados quanto da dos chamados “rad trads” (tradicionalistas radicais).

Diz o grande e santo Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, na Sagrada Escritura:

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a Coroa da Justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." (2 Timóteo 4, 7-8)

Combater é preciso, talvez mais do que nunca. E sendo a missão de nosso apostolado antes de tudo a catequese, apresentamos esta série de postagens que pretende servir como introdução elementar à Doutrina. Esperamos que estes humildes estudos convertam-se em útil, apesar de singelo, instrumento para o treinamento dos bons combatentes; aqueles que desejam se tornar, de fato, soldados de Cristo.


Treinamento do Soldado de Cristo

I – A situação atual da Igreja


O soldado de Cristo precisa de conhecimento. É fundamental conhecer o terreno onde pisa, conhecer bem o campo de batalha, o tempo e o lugar onde acontece a guerra. Vejamos...

Cremos que é a Graça Divina que impulsiona o ser humano a procurar a Verdade, – que é sempre a mesma e nunca muda, mesmo submersa neste imenso mar de relativismo em que agora vivemos, pois atravessamos tempos de tremenda apostasia. – Os valores cristãos de sempre são contestados, desde a raiz. Horror dos horrores, a "Sã Doutrina", da qual falou o mesmo São Paulo, é hoje renegada até dentro da própria Igreja(!).


Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, hostilizado com berros e palavrões em plena PUC – a Pontifícia Universidade... Católica?

No Brasil e em toda a América Latina, a ideologia marxista tomou conta também, e talvez principalmente, das universidades e colégios católicos, assim como das mentes de boa parte do clero, formados sob o ideário da famigerada "'teologia' da libertação" (ou 'TL', que de 'teologia' não tem absolutamente nada e foi considerada por Bento XVI a pior heresia da História).

Sim, João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco condenaram a TL. Mas inúmeros padres e bispos de nosso país continuam enxergando, neste verdadeiro câncer, a proposta ideal para a Igreja "do Brasil" e "de hoje"; esquecendo-se de que a Igreja é, por sua própria natureza, universal e atemporal, e que por isso mesmo não pode haver "igreja do Brasil" ou "igreja da América Latina" e nem "igreja de hoje".

Todo esse estado de coisas se reflete nas pregações, nas celebrações litúrgicas, nas posturas e atitudes... E colabora de modo pesadíssimo para a confusão, a corrupção e a perdição de incontáveis almas. No clero, mesmo entre aqueles que são muito queridos e admirados por sua caridade, por seu trabalho social, pelos serviços comunitários e amor aos pobres... falta a fidelidade à Tradição, o amor à Liturgia, a adesão à autêntica fé da Igreja. De santos sacerdotes tornaram-se meros assistentes sociais.

Evidentemente, estamos lançando um brevíssimo olhar sobre um longo, complexo e delicado tema, a respeito do qual, àqueles que desejarem um aprofundamento maior, indicamos as já bem conhecidas aulas do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., por serem extremamente elucidativas (podem ser acessadas neste link).

Em meio a todo este cenário ameaçador, há pelo menos uma boa notícia: nos tempos difíceis é que aparecem mais claramente os que são verdadeiramente fiéis. Já existe, – ganhando corpo e se organizando melhor a cada dia que passa, – um movimento de resistência a esta suja revolução daqueles que, de dentro, procuram corroer os alicerces da Santa Igreja.

Ao final desta muito simples apresentação do panorama atual da Igreja, e para conclui-la bem, repetimos o fundamento mais óbvio: a coisa importante a se compreender e manter sempre em mente, para não se perder no campo de batalha, é que a verdadeira doutrina cristã e católica se fundamenta sobre três pilares: Magistério, Tradição e Escritura.


II – Os três pilares da Fé cristã católica

Inseridos no cenário descrito até aqui, os fiéis católicos sofrem ataques de todos os lados, sendo uma das maiores tragédias a sistemática, constante e progressiva protestantização da fé católica, que  redobra suas forças no incansável trabalho de pregação dos nossos mais ferrenhos inimigos (embora não tão perigosos quanto os falsos católicos, por serem adversários declarados), os novos e novíssimos grupos derivados do movimento protestante, especialmente os pentecostais e neopentecostais, chamados agora de "evangélicos".

Todas as vezes que um protestante ou um chamado "evangélico" desafia um católico para um debate, a primeira coisa que faz, antes mesmo de começar a apresentar suas argumentações, é pressionar o católico a aceitar que tudo o que será debatido precisará estar escrito, literalmente, na Bíblia. Está armada a cilada: quando o soldado católico aceita que tudo o que ele disser precisará ter "base bíblica", – subentendida como interpretação literal e superficial da Escritura, – entrou num beco sem  saída. Quando menos perceber, estará sendo surrado.

Isso acontece porque, quando aceita a premissa da Sola Scriptura (somente a Escritura), o católico comum se confunde e acaba se perdendo, até por não ter o hábito tão enraizado de ler a Bíblia regularmente, e menos ainda de memorizar trechos das Escrituras para usá-las quando tiver oportunidade, como fazem comumente os protestantes e "evangélicos". Portanto, ao invés de entrar no terreno do inimigo, aceitando usar as suas armas e combater conforme as suas regras, o católico deve já iniciar a peleja deixando muito claro que, para a nossa fé, o maior de todos os erros está justamente na Sola Scriptura!

Para entender exatamente o que estou tentando dizer, ouça abaixo os primeiros cinco minutos do debate entre o pastor "evangélico" Silas Malafaia (orador e polemista talentosíssimo) e o Pe. Antônio José (Par. N. Sª de Fátima do Meyer – RJ):




Diz o matreiro pastor: "Nenhum de nós é dono da verdade; não é o que eu penso, não é o que você pensa. Assim como na ciência o parâmetro para saber o que é verdadeiro e o que é falso é o experimento, na Teologia e no cristianismo o instrumento da verdade é a Palavra de Deus (Bíblia). A Palavra de Deus é que diz quem está com a verdade... Vamos fazer o teste da Palavra (Bíblia), e assim vamos ver quem está com a verdade..."

A partir daí, ele prossegue até o fim do debate, a todo instante, ao começo e ao final de cada assunto discutido, repetindo incansavelmente: "Está na Bíblia", "Não está na Bíblia", "Tem base bíblica", "Não tem base bíblica"..., e citando uma série de passagens memorizadas das Escrituras.

Não vou sequer mencionar que o próprio mediador do debate é também "evangélico", e chega ao ponto de cortar o microfone do padre para dar ao pastor o tempo de chamar os católicos a deixarem a Igreja e aderirem à Sola Scriptura, – o que já configura uma tremenda covardia contra o padre. – Este, porém, foi o primeiro erro, não o maior. O problema todo é que o pobrezinho do padre, ingenuamente, aceita o convite de Malafaia, de discutir única e exclusivamente a partir do texto, da letra, do que está escrito, como está escrito. E assim avança, desarmado e inocente, para o campo de batalha do inimigo, aceitando usar somente suas armas. Deste modo, será ferozmente trucidado.

Da mesma maneira, qualquer católico que cometa o mesmo erro sairá fragorosamente derrotado, – a não ser que seja um biblista bem formado e experiente, que dificilmente será o caso de um leigo. – Todo católico que aceita debater tendo a Bíblia como única regra da verdade e da mentira, imediatamente se coloca indefeso e exposto a todo tipo de ataque mortal.

E aqui vou ter que falar de algo que já falei algumas outras vezes neste site. – A batalha deve começar a ser vencida pelo soldado católico já antes do seu início: quando ele exige que a luta seja travada de maneira justa, em solo neutro, com regras igualmente neutras, cada qual usando as armas que prefere e que domina melhor, ao invés de aceitar debater no campo de batalha do inimigo, segundo suas regras e usando suas armas. E isto é algo realmente muito simples de se fazer: basta lembrar aos nossos  adversários que o cristianismo nunca, jamais se fundamentou exclusivamente na Bíblia, e para confirmá-lo basta lembrar que nos primeiros séculos do cristianismo a Bíblia cristã simplesmente não existia. Todas as vezes que a Bíblia menciona "Escrituras", está falando dos textos sagrados dos antigos judeus, a chamada Bíblia Hebraica, que é formada por 39 livros do Antigo Testamento divididos entre a Lei (Torá), os Profetas (Neviim) e os Escritos (Ketuvim).

Portanto, a Igreja primitiva não se orientava exclusivamente pela leitura da Bíblia, de modo algum, até porque haviam muitos livros circulando entre as primeiras comunidades cristãs que se acreditavam de autoria dos Apóstolos, que só foram considerados apócrifos (não autênticos) e inadequados para a instrução dos cristãos a partir do século IV, quando a Bíblia Cristã foi definitivamente canonizada pela Igreja Católica.

E mesmo depois da canonização, os cristãos não tinham acesso a Bíblia, como temos hoje, por várias razões: primeiro, antes da invenção da Imprensa, a Bíblia era copiada à mão, e o custo dos materiais, do serviço e da mão de obra dos copistas era caríssimo. Era impossível que cada fiel tivesse um exemplar da Bíblia em sua casa, para consultar quando quisesse, como acontece hoje. Além disso, na antiguidade, a grande maioria do povo era composta por iletrados, que simplesmente não sabiam ler, e muito menos compreender o conteúdo do Antigo Testamento e dos Evangelhos, dos Atos e das cartas dos Apóstolos. – O que aliás deu origem à arte sacra que hoje se confunde com idolatria: cenas bíblicas eram retratadas em forma de esculturas para facilitar a compreensão do povo analfabeto.

Essa situação só começou a mudar efetivamente a partir do século XVI, após a invenção da Imprensa, e a pura e simples verdade é que somente de três ou quatro séculos para cá (dentro de um panorama de dois milênios de história do cristianismo) é que a Bíblia veio aos poucos se tornando acessível a toda a população. Sendo assim, nós podemos comprovar, acima de qualquer dúvida, que a sola scriptura (doutrina protestante segundo a qual somente a Bíblia serve como regra de fé e prática para o cristão) é totalmente absurda.

Dos dois mil anos de cristianismo, em mais de mil e quinhentos anos os cristãos simplesmente não tiveram acesso material e/ou intelectual à Bíblia! Não por acaso, foi a partir do século XVI que surgiu e se estabeleceu o movimento protestante, erradamente chamado de "Reforma".

Por quê o termo "Reforma" é inadequado para se referir ao protestantismo? Vejamos: como é que se reforma uma casa? Simples: reconstruindo o que precisa ser reconstruído, corrigindo falhas, lixando, pintando, substituindo telhas, trocando o piso... Mas não é reforma demolir toda a casa e construir outra no seu lugar! Pois foi exatamente isso o que Lutero, Calvino e os pais do protestantismo fizeram: demoliram a casa, reduzindo as bases da fé cristã original a pó, e quiseram levantar uma outa construção em seu lugar. Uma construção totalmente irregular e desequilibrada, pois lançou fora o equilíbrio necessário dos três pilares para se tentar equilibrar sobre um só, que é a Sagrada Escritura.

Os verdadeiros cristãos, desde o início, sempre se conduziram no seguimento do Caminho, que é Cristo, observando a condução do Magistério da Igreja e a Tradição dos Apóstolos, mais até do que pela leitura das Escrituras, pois estas precisavam ser interpretadas e esclarecidas por aquelas. Este é um fato histórico insofismável, historicamente incontestável, atestado em todos os documentos e registros de que dispomos.
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O Arcanjo Miguel disputa com o diabo pelo corpo de Moisés


O LEITOR QUE se identifica como "Petrivalianici" deixou-nos o comentário abaixo reproduzido, com uma questão acerca de um tema bastante curioso, o qual procuramos responder a seguir, na medida de nossas capacidades e contando com a ajuda de Deus.

Henrique, tenho uma dúvida sobre a passagem bíblica da Epístola de São Judas: No versículo 9 do capítulo 1, São Judas fala que São Miguel Arcanjo disputou com o diabo pelo corpo de Moisés. Eu gostaria de saber o motivo desse fato que sempre me intrigou quando li esse texto da Bíblia Sagrada. Obrigado e a paz de NSJC!"


A passagem do livro de Judas, mencionada pelo leitor, e que realmente desperta o interesse de muitos pesquisadores, é a seguinte:

Quando Miguel, o Arcanjo, teve uma controvérsia com o diabo e disputava acerca do corpo de Moisés, não se atreveu a lançar um julgamento contra ele em termos ultrajantes, mas disse: ‘O SENHOR te censure.’
(Judas 9)

Embora a Carta de Judas seja breve (com apenas um capítulo, com 25 versículos), contém certas informações que não são encontradas em nenhuma outra parte das Sagradas Escrituras. Somente este livro menciona a disputa do Arcanjo Miguel com o diabo pelo corpo de Moisés, assim como a profecia feita séculos antes por Enoque (Jd 9,14-15).

É bem possível que S. Judas tenha tido acesso a tais informações pela transmissão fidedigna (quer seja oral ou escrita) de uma tradição anterior. Isso poderia explicar a existência de uma referência similar à profecia de Enoque – no Livro Apócrifo de Enoque (escrito provavelmente entre os séculos II e I aC). Uma fonte comum ('A Assunção de Moisés') pode ter fornecido a base para a declaração feita tanto no livro sagrado quanto no apócrifo. 

O relato de "A Assunção de Moisés"  narra com mais detalhes a estranha história da morte de Moisés, relatada em Deuteronômio (34,1-6), acrescentando a narrativa dos acontecimentos posteriores, de como o corpo do grande Profeta foi entregue ao Arcanjo Miguel para lhe dar sepultura. Nesta ocasião, surge o diabo, que disputa com S. Miguel pelo corpo de Moisés. O inimigo da humanidade baseava sua pretensão, fundamentalmente, em duas razões: primeira, o corpo de Moisés era matéria; a matéria seria má e, portanto, o corpo de Moisés lhe pertenceria, visto que a matéria é seu domínio. Segundo, Moisés era um assassino, já que havia tirado a vida do egípcio a quem vira castigar os hebreus (Ex 2,11-12). De Moisés, sendo assassino, teria o diabo o direito de reclamar o corpo.

Várias teorias, interpretações e elucubrações metafísicas têm sido formuladas quanto ao que teria sido esta luta sobre o corpo de Moisés. Uma delas é que Satanás, desde sempre o acusador do povo de Deus (Ap 12,10), pode ter resistido à elevação de Moisés para a vida eterna em razão do pecado de Moisés em Meribá (Dt 32,51) e de seu pecado de assassinato.

O ponto assinalado por S. Judas Apóstolo é este: S. Miguel é um Arcanjo; Satanás o chefe dos demônios; Miguel estava empenhado numa tarefa da qual Deus lhe havia encarregado; o demônio procurou impedi-lo, dizendo que não tinha direito algum. E, mesmo em tais circunstâncias, que lhe eram totalmente favoráveis, S. Miguel não se atreveu a falar nada mau do diabo, nem proferiu nenhuma acusação contra ele, mas sim lhe disse, simplesmente: “O SENHOR  te repreenda!”.  O que Judas parece querer destacar é: se até o príncipe dos anjos bons não quis injuriar o maior dos anjos maus, mesmo  em circunstâncias como aquelas, então certamente nenhum homem pode proferir injúria contra um anjo (que é o contexto da passagem em questão).

Notemos como S. Miguel agiu nessa disputa com Satanás. O relato de Judas não diz o que Satanás queria fazer com o corpo de Moisés, mas podemos ter certeza de que suas intenções não eram boas. Podemos especular muitas coisas; talvez ele quisesse usar seus restos mortais para promover a idolatria... Mas S. Miguel frustra a trama de Satanás, demonstrando ao mesmo tempo notável autocontrole, que é uma característica típica sua. O anjo mau certamente merecia ser censurado, mas S. Miguel reconhece, fidelíssimo como sempre, que apenas Deus podia julgar Satanás. (Jo 5,22) Como Arcanjo, Miguel possui imensa autoridade e poder. Mesmo assim, humildemente se submete a Deus, em vez de se valer de sua posição privilegiada. – Exatamente nisso e por isso Miguel é tão grande quanto é, no Reino dos Céus.

Este relato intrigante, exclusivo de S. Judas nas Escrituras canônicas, ensina basicamente duas lições: por um lado, a deixar todo julgamento entregue a Deus. Satanás evidentemente queria fazer mau uso do cadáver do reverenciado Moisés. No entanto, S. Miguel refreou-se humildemente de "pronunciar sentença injuriosa contra ele", porque somente a Deus cabe o Juízo. Vemos, assim, que o modo com que devemos nos tratar, uns aos outros, deve ser sempre fundamentado na caridade, antes de tudo. Se nem mesmo o glorioso Arcanjo Miguel quis injuriar com palavras o anjo mau, vemos o quanto devemos nós, pequeninos e fracos pecadores, refrear-nos de injuriar uns aos outros.

Judas foi inspirado a escrever sobre esse incidente porque alguns cristãos de sua época não eram humildes. Arrogantemente "falavam de modo ultrajante de coisas que realmente não conheciam" (10). Para nós, seres humanos imperfeitos, é muito fácil que sejamos vencidos pelo orgulho. Como reagimos quando não entendemos alguma ação da parte de nosso próximo, seja leigo, padre, bispo? Se começarmos a falar imprudentemente, com palavras duras e injuriosas, mesmo não conhecendo todos os fatos envolvidos numa situação específica, não estaremos demonstrando falta de humildade? Em vez de agir assim, imitemos o grande S. Miguel, não julgando assuntos que Deus não nos deu autoridade para julgar.

S. Miguel tem de travar a luta vitoriosa contra Satanás por incumbência do Senhor (Ap 12,7-9). Por isso é tanto mais significativo que ele, na ocasião da disputa pelo corpo de Moisés, não tenha se dirigido ao diabo com injúrias, mas deixou a repreensão totalmente por conta do SENHOR. A moral que S. Judas aponta é que S. Miguel mostrou reservas até mesmo em seu relacionamento com o diabo, enquanto os falsos mestres não exibiam reverência por qualquer autoridade.

Não sabemos o que teriam dito sobre os anjos aqueles homens dos quais falava Judas. Talvez fossem gnósticos, dizendo que os anjos eram maus e estavam a serviço de um deus mau. De todo modo, esta é uma passagem que talvez tenha perdido muito do seu significado para nós, nos tempos atuais, mas que configurou um poderoso argumento contra aqueles aos quais S. Judas se dirigia.

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Ref.: artigo "Leitora pergunta sobre Miguel e o corpo de Moisés", do site "Logos Apologética", disponível em
http://logosapologetica.com/leitora-pergunta-sobre-miguel-e-o-corpo-de-moises/
Acesso 17/7/014
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Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo – conclusão


ESTE POST é a continuação de "Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo", depoimento de André Silva, autodeclarado "ex-evangélico", sobre sua experiência em comunidades autodenominadas "evangélicas".


21. Reforma

Uma curiosidade: os "evangélicos" negam a Igreja Católica como sendo a Igreja original de Jesus Cristo. Então, se é assim, como é possível que esses mesmos "crentes" abracem a chamada "reforma" protestante? Dizem que a Igreja Católica é falsa. Bem, a reforma daquilo que é falso só pode resultar em algo igualmente falso. Se a Igreja Católica ensina mentiras, qualquer outra denominação que tenha derivado dela só pode ensinar igualmente mentiras. Se algo que nasceu de uma reforma é bom, isso implica que a fonte original era boa. Como pode a reforma de uma instituição falsa ser considerada honesta?

E se a Igreja é falsa, falsos são também os seus fiéis, sacerdotes, ritos e tudo mais. Em última análise, seu Deus também deveria ser falso. E se os seus membros são falsos, como pode Lutero, um destes membros, ser considerado um "grande reformador"? Como pode a sua reforma ou adaptação de uma instituição falsa ser aceita como padrão e modelo?

A verdade é que nada precisa fazer sentido no mundo dos "evangélicos". Para cada "crente", conta apenas o que ele quer entender e aceitar. Só vale o que o pastor fala no púlpito. Só vale o que os pastores interpretam da Bíblia. Extremo absurdo: eles nos acusam de acreditar que o Papa é um homem infalível (o que é mentira), mas na realidade, na prática, eles é que consideram os seus pastores infalíveis! Aquilo que o pastor entende da Bíblia é infalível, inquestionável, aceito imediatamente por todos, sem contestação, como verdade absoluta e divina!

Existem até aqueles extremamente ignorantes que chegam a dizer que Constantino fundou a Igreja Católica. E nessa hora precisamos fazer justiça e reconhecer que uma estupidez desse tamanho nunca foi dita pelos antigos protestantes. Até hoje as igrejas protestantes históricas (luterana, calvinista, presbiteriana, etc.) reconhecem que a Igreja Católica é a Igreja instituída por Cristo sobre a Terra. e que se não fosse por ela nós nem teríamos a Bíblia, hoje. O que eles dizem é que a primeira Igreja se perdeu no meio do caminho, o que é um absurdo tão grande quanto qualquer outro. Mas pelo menos eles tem a hombridade e a decência de não tentar negar o óbvio, não brigar com a História, não tentar argumentar contra um fato concreto.

Agora, retomando o meu ponto, se essa tolice sobre Constantino fosse verdade, então os "evangélicos" estariam abraçando uma reforma da “Igreja de Constantino”?! Puxa, eles rejeitam a "igreja de Constantino”, mas aceitam a igreja de Constantino reformada?! É para rir ou para chorar?


22. A Tradição

A Bíblia Sagrada nos orienta que guardemos as tradições.

"Então, irmãos, estai firmes e guardai a Tradição que vos foi ensinada, seja por palavras, seja por epístola nossa". (2Ts 2, 15)

"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a Tradição que de nós recebeu." (2Ts 3, 6)

Algumas passagens, como estas, são explícitas, mas existem muitas, muitas outras que afirmam a mesma coisa, direta ou indiretamente. A Tradição é tão importante quanto a Escritura, até porque a Escritura é a Tradição por escrito, e a Igreja não tinha como se basear na Bíblia até pouco tempo antes de Lutero. Foram milênios em que os cristãos foram conduzidos, principalmente, na Tradição e pelo Magistério da Igreja. Mas os "evangélicos" lançam ao lixo a Tradição.

A pergunta que não quer calar: por que os "evangélicos", que dizem que observam a Bíblia como regra exclusiva, não guardam a Tradição, se a Bíblia mesmo ensina o contrário? Eu sei a resposta: é porque, no fundo no fundo, para eles pouco importa o que diz a Bíblia! O que eles conhecem bem e observam como regra exclusiva não é a Bíblia, mas sim a interpretação pessoal que cada pastor faz da Bíblia. Aqueles que juram defender a Bíblia são os primeiros a contrariá-la, simplesmente porque não a conhecem de fato.


23. Batismo de crianças

De onde os "evangélicos" tiraram que a pessoa deve ser batizada somente depois da idade adulta? Alguns chegam a querer se comparar ao próprio Senhor Jesus Cristo, dizendo que se Ele foi batizado depois de adulto, nós devemos fazer a mesma coisa! Como alguém consegue escutar um absurdo desses sem chorar nem morrer de rir? Jesus Cristo é Deus, e foi Ele mesmo quem instituiu o Batismo! Além disso, o batismo que ele recebeu de João, como os próprios Evangelhos ensinam, não era o mesmo Batismo que Jesus ordenou à sua Igreja! É tão óbvio!

Mais uma vez, eles ignoram a Bíblia, pois ela não proíbe o Batismo das crianças, ao contrário: os Atos dos Apóstolos contam que muitas famílias inteiras foram batizadas pelos Apóstolos, e nós sabemos que as famílias daquele tempo tinham sempre muitas crianças, por questões até religiosas. Mesmo assim, o "evangélico" prefere a interpretação dos "pastores" do que considerar o que realmente diz a Bíblia.


24. Unidade

Mesmo que não fosse pela fé ou pelo raciocínio intelectual, mesmo que não fosse pelos fatos históricos que eu agora conheço bem, ou simplesmente por uma questão de constatar inúmeros erros doutrinários nas milhares de denominações "evangélicas", a divisão e discórdia que existe nesse meio já seria motivo suficiente para me afastar deles. – A Bíblia diz que devemos ser um só Corpo. Tudo que os "evangélicos" não querem é a união. Onde se vê "um só Batismo e uma só Fé" entre eles? Ao invés da determinação bíblica, existem mais de 50 000 denominações diferentes e divergentes entre si. A Bíblia diz que não deve haver divisão entre os cristãos. Qual dos protestantes nesse planeta leva em consideração o texto bíblico? Mais uma vez, jogam fora a Bíblia que juram defender.


25. A Bíblia é mais importante do que a Igreja?

Este é, disparado, o maior erro dos evangélicos. A Bíblia é filha da Igreja, e não a sua mãe. Foi a Igreja que escreveu a Bíblia, pouco a pouco, e não a Bíblia que criou a Igreja. Os cristãos dos primeiros séculos não tinham Bíblia. É a igreja que dá credibilidade à Bíblia, e não o contrário. Acreditamos na Bíblia porque acreditamos na sua fonte, e a fonte da Bíblia Cristã é a Igreja Católica, – por meio da qual Deus a entregou à humanidade.

A Igreja Católica foi a responsável pela compilação, canonização e preservação dos textos da Bíblia. Quem não acredita na Igreja não deveria acreditar na Bíblia. Nem mesmo Lutero chegou ao absurdo de separar tão radicalmente a Bíblia e a Igreja. Não é a Bíblia que define a Igreja. A igreja é que definiu e define a Bíblia, por Inspiração divina!

Dizer que Deus está preso à Bíblia e dela não pode “fugir” é algo escandalosamente mentiroso e blasfemo; mas eu ouvi, pessoalmente, homens que se dizem "pastores" afirmando exatamente isso, que Deus não pode agir contra a Bíblia! Ora, Deus não conhece limitação de espécie alguma! A Bíblia é um instrumento sagrado e muito especial, uma arma do cristão para ser usada no combate, e não uma regra imutável da qual nem Deus escapa! Dizer isto é blasfêmia! Acaso é o Criador menor do que a criatura? Aquele que chama todas as coisas à existência está preso às interpretações das milhares de denominações ditas "evangélicas" da Bíblia? O que vejo por aí é "religião do livro". Bibliolatria pura.

Bibliolatria porque a Bíblia torna-se como um ídolo para todos e o seus intérpretes que se julgam sábios aos seus próprios olhos, tornando-se eles também ídolos de si mesmos. A Igreja Católica não propõe a religião do livro, mas a Religião da Palavra Viva e Encarnada, do Verbo do Deus Vivo, que deve ser adorado em Espírito e em Verdade. A Religião da Palavra de Deus que não se limita à letra, mas é o próprio Jesus Cristo, que se doa em Corpo, Alma e Divindade no Santíssimo Sacramento do Altar. Este eles não conhecem, por isso blasfemam contra Ele.


26. Intercessão

Inúmeras são as passagens bíblicas que falam sobre a intercessão de santos e anjos. Tudo ignorado pelos protestantes. No entanto, eles oram uns pelos outros e também pedem orações aos pregadores “ungidos”. A Bíblia diz que muito vale a oração de um justo, mas diz também que não há justo algum sobre a Terra. Sabendo que a Bíblia não é contraditória, de que justos estamos falando? Acaso aqueles que já foram julgados, – e contados entre os salvos, – são menores do que aqueles que ainda vivem por aqui? Se nós, que somos injustos, podemos interceder uns pelos outros, não poderão muito mais aqueles que já estão na Glória Eterna?


27. Sacrifício, Mediação e Intercessão

É intolerável afirmar que os católicos creem em outros mediadores além de Jesus. O Mediador para a nossa Salvação, entre Deus e nós, é Cristo, que com seu Sacrifício Eterno e eficaz nos resgatou na Cruz. Só Jesus, sendo Deus, suportou as piores dores, martírio e morte terríveis pela nossa salvação, e somente Ele poderia fazê-lo, porque só Jesus é Deus feito homem. É por isso que na Santa Missa oferecemos o Sacrifício do próprio Jesus Cristo a Deus Pai, em expiação dos nossos pecados. Por isso nos alimentamos de Cristo na Sagrada Eucaristia.

Intercessão é outra coisa, bem diferente: são como mediadores, mas entre Jesus e os homens, e podem ser nossos irmãos de fé, aqui na Terra, ou os santos e anjos no Céu. A Santa Igreja, que segundo a Bíblia é a coluna e o sustentáculo da Verdade (1Tm 3,15), recomenda que intercedamos um pelos outros.


28. Fé e Doutrina

O que significa a expressão “coluna e sustentáculo da Verdade”? Significa que, sem a Igreja que Jesus deixou no mundo, a Verdade desmorona. Não somos capazes, pelas nossas próprias forças, de alcançar a Verdade Divina. E Deus Todo-Poderoso designou sua Igreja para nos auxiliar nesse processo. Mas temos falsos mestres por aí dizendo que a Igreja não serve para nada. "Igreja não importa, importante é Jesus...". – Mas há um "detalhe", aí, que faz toda a diferença: foi o próprio Jesus quem nos deixou sua Igreja Una, e disse que dependeríamos dela para encontrar e seguir o Caminho e até para obter o perdão dos nossos pecados. Mais uma vez, tudo isso está escrito lá, bem claro, na Bíblia.

O problema é que, quando eles falam em "igreja", estão pensando numa empresa, que qualquer um pode fundar quando quiser, basta inventar um nome, registrar em cartório e abrir firma. Não entendem o profundo significado da Igreja Celeste, da Igreja que é continuação histórica do Corpo de Cristo no mundo, a qual Jesus fundamentou sobre o Apóstolo Pedro, o primeiro Papa.

Ora, o Senhor Jesus foi claro ao dizer que as portas do inferno não prevaleceriam sobre a sua Igreja. Não prevalecerão significa não prevalecerão. Que parte desta declaração tão direta eles não entendem? O problema é que os "evangélicos" e protestantes não creem na Promessa do filho de Deus. Para eles, o inferno prevaleceu sobre a Igreja Católica, que vem diretamente de Jesus e dos Apóstolos, e teria incorrido em “erros graves”. Eles creem que foi preciso Lutero para corrigi-la. O que disse um homem é mais valorizado do que o que disse Jesus Cristo e seus Apóstolos!

Então, devido a esses supostos erros graves da Igreja, agora são indispensáveis os atuais pregadores "evangélicos" que, mesmo divergindo entre si, estão todos certos e fazendo reparos na doutrina cristã. E cada nova denominação introduz novidades, ritos e hábitos novos. De Lutero ninguém nem se lembra mais. Ora, ou Lutero acertou ou Lutero errou. Ou Deus levantou Lutero para corrigir os erros do catolicismo ou não levantou ninguém. E se Deus tivesse levantado Lutero, quem é o "evangélico" para continuar reformando aquilo que Deus já teria reformado?

Mas para o "evangélico", Jesus mentiu. As portas do inferno prevaleceram sobre a Igreja e sobre o cristianismo, por 1500 anos, até nascer Lutero para restaurar a Verdade. E se não fosse o “santo” Lutero, até hoje o cristianismo que se creu e praticou desde o início seria falso. Mas o "evangélico" não permaneceu com Lutero. Menos ainda com Jesus. Conclusão: o "evangélico" amarrou uma pedra ao pescoço e se lançou ao mar. Para ele, Jesus, depois do sofrimento atroz e do Sacrifício, deixou o homem por conta própria. Cada um que interprete a Bíblia como puder. O "Jesus deles" diz algo mais ou menos assim: “Virem-se! Leiam a Bíblia, interpretem-na, escolham uma denominação qualquer, porque igreja não importa. Eu deixei minha própria Igreja só de brincadeira, isso não faz a mínima diferença. Fundem igrejas novas se não gostarem de alguma denominação, contestem seus próximos, ofendam aquela que escolhi para ser minha mãe e odeiem os católicos... Assim vocês se salvarão”...

O Jesus em que nós cremos não é assim. Seu desejo é que nenhum de nós se perca. Por isso nos deu nossa Santa Mãe Igreja para nos apontar o Caminho, sem erro. Ele sabe que o coração humano é incerto e contestador. O Apóstolo Paulo confirma que nosso julgamento é sempre tendencioso. Por isso mesmo, Cristo prometeu que estaria com a sua Igreja até o fim dos tempos.

É sem dúvida infinitamente mais seguro ser católico.

E se alguém quiser criar um texto para me responder, com o título "porque não sou católico", vou dar uma ajuda: por que alguém deixa de ser católico? Primeiro, ninguém que seja realmente católico deixará de sê-lo. Os falsos católicos, aqueles que estão apenas "fazendo número" no meio do Povo de Deus, esses deixam de frequentar a Igreja, quando se decepcionam com alguma coisa. E o fazem por arrogância, soberba e presunção. Parece-me que a maioria o faz por ignorância, pura e simples: tratam-se de pessoas que não estudam, que não se interessam, não procuram conhecer a sua própria Igreja e religião.

Presumir que tudo sabe e não aceitar qualquer tipo de correção ou instrução é típico do "evangélico" comum, e foi exatamente assim que a antiga serpente tentou o homem e a mulher, prometendo: "vocês serão como Deus, conhecerão o Bem e o Mal por conta própria"... Ser um divisor por natureza já é motivo para fundar uma “igreja” e contestar aquela que Jesus deixou sobre a Terra.
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Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo – parte 2


ESTE POST é a continuação de "Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo", depoimento de André Silva, autodeclarado "ex-evangélico", sobre sua experiência em comunidades autodenominadas "evangélicas".


11. Maria

Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo com a visita de Maria, chamou-a "mãe do meu Senhor". Mas o "crente" a chama "mulher como outra qualquer". Isabel recebeu o Espírito Santo com a chegada de Maria, grávida de Jesus Cristo, Deus Todo-Poderoso. O "evangélico" fica cheio de ira quando se menciona o nome de Maria. João Batista, o maior dos santos, estremeceu no ventre de Isabel ao ouvir a voz de Maria. O crente se enfurece quando ouve o nome Maria. A Bíblia diz que Maria será chamada bem-aventurada por toda as gerações. O "crente" a chama de mulher pecadora como qualquer outra.

O protestante rasga os Textos Sagrados. E jura defender a Bíblia. Seguem o que querem e desprezam o que não lhes interessa.


12. O Sacramento da Confissão

A Bíblia é clara: aos Apóstolos foi dado o poder de reter e de perdoar pecados (Lc 20,21-23). Os apóstolos se foram, mas deixaram seus continuadores, para continuar a Igreja, que seria acompanhada por Jesus Cristo até o fim do mundo. Mas como eles poderão fazer uso desse poder e dessa autoridade de reter ou perdoar os nossos pecados se nós não lhes confessarmos? Desnecessário falar mais a respeito de coisa tão clara.


13. Fundação de "novas igrejas cristãs"

A Bíblia não faz qualquer referência à milhares de “igrejas”, diferentes e separadas, cada uma seguindo uma doutrina particular, pelo mundo afora. Mas para fundarem suas denominações, os "evangélicos" não fazem questão da tal da base bíblica de que tanto falam. A Escritura diz que devemos ser um só Corpo, com uma só fé e um só Batismo (Ef 4,5). Eles fazem o contrário. Dividem-se, subdividem-se, outra vez e outra e outra. Sempre que um "pastor" não concorda com outro, separa-se dele, deixa aquela congregação e funda uma nova "igreja".

Os "crentes" fazem a mesma coisa, seguindo o exemplo dos seus "pastores". Se uma igreja não etá agradando, procuram outra mais ao seu gosto; os mais espertos logo se declaram "ungidos", assumem o título de pastores e fundam as suas próprias igrejas, do jeito que acham mais certo (ou, em alguns casos, do jeito que dá mais lucro, pelo que percebemos), segundo a sua própria interpretação particular da Bíblia. E todos dizem que estão sendo guiados por Deus. Existe um Deus ou muitos deuses? Se é um só Deus, como tantas igrejas podem ensinar coisas diferentes, – e todas elas estão certas, menos a católica?

Eles fragmentam o Corpo e pulverizam a mensagem do Evangelho. Fazem o contrário do que o Senhor nos ordenou. Basta um "crente" discordar do outro, – e isso é a coisa mais fácil de acontecer, – que já surge uma nova denominação. Seus líderes podem ter "visões" ou “revelações” para fundarem novas denominações. E, de novo, somente as revelações católicas, aprovadas pela Santa Igreja, é que são completamente refutadas.

O "crente" acredita naquilo que deseja, e nada mais. Simples assim. E rejeita tudo o que é católico. Usam sempre dois pesos e duas medidas: o "pastor" falou que teve uma "revelação"; todo mundo engole. Nessa hora o “prove-me biblicamente” ou “mostre-me onde está na Palavra de Deus”, que tanto usam para confrontar os católicos, não tem qualquer importância.


Em cena antológica, famoso autodeclarado "bispo evangélico" literalmente adora o deus Mamom. A coisa deu tão certo que ele acaba de fundar o maior e mais luxuoso"templo evangélico" do Brasil, que chama de "templo do rei Salomão"(?)...

14. Julgamento dos homens

Embora nos Evangelhos Jesus Cristo nos ensine, – e insista muito nisso, – que não devemos julgar as pessoas, o que o "evangélico" mais faz é julgar os erros dos católicos, especialmente os que dizem respeito aos sacerdotes. Mais uma vez a Bíblia é desprezada. Fazem pior: ao mesmo tempo em que são implacáveis com os católicos, são tolerantes com as outras "igrejas evangélicas".

São muito, muito tolerantes para com os falsos profetas que se apoderam dos títulos de "bispo", "pastor" ou "apóstolo". Para falar destes, mesmo aqueles (muitos) que são comprovadamente desonestos, verdadeiros facínoras, as expressões mais usadas são: “Não critica o homem de Deus"; "Não toca no ungido do Senhor”; “Não podemos julgar quem faz a obra de Deus"... Lembram sempre que não devemos julgar as pessoas, e sim seguir a doutrina da "igreja evangélica" a, b ou c. Mas quando o problema é com um padre, essa lógica não vale. Pelo contrário, qualquer deslize de um sacerdote é usado para caluniar a Igreja inteira e atacar a própria doutrina católica (como se a conhecessem...). Como sempre, dois pesos e duas medidas.


15. A Doutrina da Trindade

Como eu citei no primeiro item, a maior falácia de todas é acreditar que só o que está escrito na Bíblia vale. Mas tem algumas quase tão ruins quanto esta. Por exemplo, dizer que "evangélico" entende o que ensina a Bíblia. Ou dizer que "evangélico" só pratica o que ensina a Bíblia. A Doutrina da Trindade, por exemplo, não está explícita na Bíblia. Mesmo assim, a grande maioria dos "evangélicos" a confessa. Só não sabem explicar o motivo. Se não está dito literal e explicitamente na Bíblia, deveria ser rejeitada por eles, por uma questão de coerência. Mas por que a maioria professa tal doutrina? Porque os Concílios Católicos assim definiram, e Lutero, ex-monge católico, os acatou.

É sempre assim. Alguns "evangélicos", em alguns momentos, seguem Lutero. Outros, em alguns outros momentos, o rejeitam. Depende da conveniência de cada "crente", em cada situação. O Purgatório também está implícito na Bíblia, e a maioria deles rejeita. A Doutrina da Trindade está implícita na Bíblia e a maioria acata.

No fim, é sempre o que o "evangélico" quiser, e nada mais. Eles criticam que a doutrina da Igreja Católica seja infalível, acham um absurdo crer que o Papa seja, assistido pelo Espírito Santo, infalível para definir a doutrina cristã. Mas cada "evangélico" se vê a si mesmo como infalível, como se fosse seu próprio "papa". Ele cria a sua doutrina particular a partir das escolhas que faz. Simples assim.

Ele decide que textos da Bíblia irá seguir e quais rejeitar. Ele escolhe o que quer seguir de Lutero, Calvino e Wesley. Junta tudo isso com a sua própria interpretação individual e também filtra aquilo que vem de outros "crentes" e outros pregadores, somando o que acha interessante, descartando o que não lhe agrada. Assim é que o protestante monta a sua própria religião, e, fazendo-se sábio aos seus próprios olhos torna-se o grande apologista de sua própria doutrina... A Verdade não importa. Entender o que a Bíblia realmente diz não importa. Só importa o que ele acha, o que ele escolhe acreditar.


16. Desunião

Tudo que o "evangélico" brasileiro comum mais despreza é a instrução. Então, eles inventam "cursos" e elaboram aulinhas em suas congregações, baseados, como sempre, no que eles "acham", e chamam isso de "curso de Teologia"...

Mas eles não fazem a menor ideia do que a palavra Teologia quer dizer. Hoje em dia, tem curso para "formar pastor" em três meses! Você faz o cursinho e já está apto para assumir uma comunidade religiosa, que vai segui-lo cegamente. Um bom sacerdote católico precisa estudar em média oito anos para assumir uma paróquia. Ele precisa se graduar em Teologia, Filosofia, vivenciar a experiência pastoral, ser testado psicologicamente, intelectualmente... E precisa saber ler a Bíblia nas línguas em que foi escrita, hebraico e grego. Para ser pastor? Basta se declarar "ungido" por Deus... Sempre tem quem acredita. E como tem!

Mas quando um "evangélico" não concorda com a doutrina da sua denominação ou do seu "pastor", ele logo vai seguir o sabor de um outro vento. Quando contrariado, troca a sua denominação por outra, com a maior facilidade, e não raras vezes funda a sua própria “igreja”. Divisão da divisão da divisão... assim por diante.


17. Pedro

Todo protestante, para contestar o catolicismo, abraça a interpretação literal das Sagradas Escrituras. No entanto, quando se refere a Primazia de Pedro, aí o "evangélico" vai buscar a deturpação e a abstração em infinitas traduções, elucubrações, reinterpretações e malabarismos de lógica para fazer a sua contestação. E, – claro, – a interpretação que o "crente" vier a escolher é a certa. Se precisar, ele vai buscar no grego arcaico traduzido do aramaico, no latim, no hebraico, nos textos de Lutero, de Calvino, nas opiniões de outros pregadores, nos livros de autores protestantes e assim por diante. Tudo, menos abrir os olhos e simplesmente ler o que está escrito muito, muito claramente lá no Evangelho segundo Mateus, capítulo 16, versículo 18...

Isso porque o mais importante para todo "evangélico" é nunca concordar com o catolicismo, e negar até a morte que Jesus tenha firmado sua Igreja sobre Pedro. Negam a autoridade que Jesus deu a Pedro e o poder das Chaves, que ele recebeu diretamente do próprio Senhor para ligar e desligar na Terra como no Céu. Negam estas verdades e tudo o que elas implicam. Nessa hora, pouco importa o texto bíblico. Os defensores da leitura literal da Bíblia de repente a desprezam. E fica tudo bem, afinal, todos eles são homens e mulheres de Deus. Só os católicos é que estão errados, sempre. Os "pastores" e "pastoras" estão todos certos, certíssimos, até mesmo quando ensinam o contrário do que a Bíblia ensina.


A cantora "evangélica" Ana Paula Valadão rasteja pelo chão e "profetiza" o fim da Igreja Católica num famoso "culto-show". Há 2000 anos, o "fim" da Igreja de Jesus Cristo vem sendo "profetizado"...


18. Povo de Deus

Todo "evangélico" denomina a sua própria comunidade como o “Povo de Deus”. E por extensão, considera como pertencente a este mesmo "povo" todo e qualquer crente de outra denominação. Todos são irmãos em Cristo. Não importa que doutrina o outro "evangélico" pregue ou pratique, desde que não seja católico.

Não importa nem mesmo se ele não conhece o outro "evangélico" ou a sua denominação, ele sempre o considerará um irmão. Mas um bom católico, ainda que viva uma vida santificada, nunca será considerado “irmão em Cristo” ou “Povo de DEUS” por essas pessoas. – O "crente" não só despreza a Bíblia, como também toma o lugar de Jesus como único Juiz e ainda antecipa o julgamento de todos os homens.


19. Obras de Lutero

Alguém conhece um protestante que tenha lido alguma obra de Lutero? A maioria nem sabe quem ele foi. Sumiram todas as “obras” de Lutero. Também, pudera! Foi Lutero quem chamou Jesus Cristo de bêbado e de adúltero (vide Tischeredden. Conversas à Mesa, 1472, edição de Weimar, volume II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, editora Vecchi, Rio de Janeiro, 1956, p. 151).

Foi de Lutero que os "evangélicos" aprenderam o “só a Bíblia” e o “só a fé”, mas a maioria deles nem sabe disso.


20. A Eucaristia e o Espírito Santo

O Senhor foi claro: seu Corpo é verdadeiramente Comida. Seu Sangue é verdadeiramente Bebida (João 6,55). Quem se alimenta de sua Carne e bebe do seu Sangue tem a Vida Eterna. Ele próprio diz de Si que é o Pão Vivo que desceu do Céu. Está na Bíblia. Mas como de costume, na hora de renegar a fé católica, a Bíblia não importa. Despreza-se o texto bíblico e tudo bem.

Afinal, todos os "pastores" são "ungidos" e "profetas". Qualquer dorzinha que alivia na hora do culto é logo proclamada, aos berros, como "milagre". Com impressionante facilidade atribuem tudo o que se fala ou se faz durante o culto, como pular ou cair no chão, como "obra do Espírito Santo"... Não sabem que a Bíblia diz que o único pecado que não tem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo?


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Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo

REBEMOS UM depoimento tão extenso quanto interessante, de um leitor que se declara "ex-evangélico" e se identifica como André Silva (este post foi publicado originalmente em nosso extinto blog 'Voz da Igreja', em novembro de 2011). Pelos argumentos sólidos e objetivos, julgamos conveniente republicá-lo, acordadas algumas pequenas revisões, adaptações e complementos nossos. O texto completo possui 28 tópicos bem elaborados. Por uma questão de espaço e para facilitar a leitura, dividimos o texto em três partes. Leia a primeira abaixo.



Eu, que por muitos anos frequentei igrejas evangélicas de diversas denominações, e por muito tempo fui enganado e explorado pelos seus pastores, dedico este testemunho a todos aqueles que se declaram "ex-católicos", sem nunca terem sido católicos realmente, mas sobem aos púlpitos protestantes-evangélicos, que eles, por pura ignorância, chamam de "altar", para induzirem ao erro seus irmãos mais ingênuos (se não há sacrifício não é altar: só existe Altar na Igreja Católica).

Não creio que um dia tenham sido católicos os que depõem seus falsos testemunhos dizendo que encontraram a salvação em alguma igreja evangélica, porque os verdadeiros católicos já encontraram Jesus e a Salvação na Igreja que Ele mesmo nos deu, e não podem abandonar a Comunhão com Deus, seu Criador e Salvador, a não ser que nunca tenham comungado verdadeiramente com o Senhor Jesus Cristo.

Enumero abaixo as 28 principais razões porque deixei o protestantismo e retornei à primeira e única Igreja de Jesus Cristo. Espero sinceramente, com isto, poder salvar alguma alma do erro e da perdição eterna.


1. Princípio "Só a Bíblia" (Sola Scriptura)

Nada mais falso do que esse princípio. Os cristãos do primeiro século não dispunham da Bíblia. E nem os cristãos dos séculos seguintes (a canonização dos livros da Bíblia ocorreu somente no século IV). Na verdade, os cristãos só puderam contar com a Bíblia para consulta, como hoje, muitos anos depois da invenção da Imprensa, que só aconteceu no ano de 1455. Então, será que o Senhor Jesus esperaria quinze séculos para revelar a sua verdadeira doutrina ao mundo? Se assim fosse, Ele teria mentido, pois disse antes de partir para o martírio que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo (conf. Mt 28,19-20).

Além disso, para que a Bíblia fosse a única fonte da Revelação, seria no mínimo necessário que ela mesma se proclamasse assim; e este não é o caso, pelo contrário. A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15), e não as Escrituras sozinhas. Nelas, Jesus Cristo diz ainda: "Vocês examinam as Escrituras buscando nelas a vida eterna. Pois elas testemunham de Mim, e vocês não querem vir a Mim, para que tenham a Vida!" (Jo 5,39-40). Eles examinavam as Escrituras, mas isso não bastava! Aí está o Senhor, dizendo claramente que não bastam as Escrituras para se chegar a Ele!

Sim, a Bíblia diz que as Escrituras são úteis para instruir, mas nunca diz, em versículo algum, diz que exclusivamente as Escrituras instruem, e menos ainda que somente as Escrituras valem como regra de fé. O Sola scriptura é uma invenção humana sem nenhum fundamento. E a Bíblia também diz que devemos guardar a Tradição (conf. 2Ts 2,15 e 2Ts 3,6 e outros). Porque rejeitar essas passagens? Só para contrariar os católicos? Ao rejeitar a Tradição, os chamados evangélicos contrariam a Bíblia.


2. Princípio "Só a fé salva" (Sola Fide)

A Bíblia ensina que a fé sem obras é morta, na Epístola de Tiago (2,14-26). A mesma Bíblia também ensina que o cristão deve perseverar até o fim para ser salvo (Mt 24,13), e acrescenta que seremos julgados, todos, por nossas ações boas ou más. São muitas as passagens que falam do grande Julgamento futuro e, sendo assim, é um ensinamento falso que alguém já esteja salvo só porque "aceitou Jesus". Não basta ir à frente de uma assembleia e dizer: "aceito Jesus como meu Senhor e Salvador" para ganhar o Céu. Não, não. É preciso muito mais do que isso. Conversão não é da boca para fora. É preciso que cada um tome a sua cruz e siga o Senhor, que, aliás, nunca prometeu prosperidade para quem o seguisse.

Portanto, é totalmente mentirosa a afirmação de que basta ter fé para ser salvo. Ora, os demônios também creem,  tremem (Tg 2,19).



3. Lutero

Foi Martinho Lutero quem começou com as igrejas protestantes, que deram origem às ditas igrejas evangélicas de hoje. Logo, direta ou indiretamente, Lutero é o fundador de todas as igrejas evangélicas que existem hoje. Sendo assim, por que não são todos luteranos? Se todos eles seguem os mesmos princípios “Só a Bíblia” e “Só a Fé”? Por que será que a cada dia surge uma nova interpretação, um novo jeito de entender, uma nova "igreja"? Na verdade, se fossem todos luteranos, a situação estaria bem menos pior.

Por outro lado, se os evangélicos reconhecem que Lutero é um homem falível, como é possível que eles tenham tanta certeza de que os princípios que esse homem inventou sejam dignos de confiança absoluta? Mais dignos de confiança do que aquilo que ensina a única Igreja que tem 2000 anos de História e foi fundada diretamente por Jesus Cristo?

O próprio Lutero contestou o Papa e decretou que não se deve confiar num sacerdote. Mas acontece que ele mesmo era um ex-sacerdote católico! Então, se ele mesmo se descarta, como pessoa não confiável, quem pode ser tolo o suficiente para dar crédito ao que ele disse ou escreveu?


4. Subjetivismo religioso – I

Uma denominação evangélica não é igual a outra em matéria de fé. Isso é um fato inquestionável:

• Umas batizam crianças, outras não;

• Umas admitem o divórcio, outras o repudiam;

• Umas aceitam mulheres como "pastoras", outras não;

• Umas praticam a "santa ceia", outras não;

• Umas ensinam que devemos guardar o sábado, outras não;

• Algumas ensinam a teologia da prosperidade, para outras isso é heresia, etc, etc...

Por aí vai. Tem "bispo evangélico" que defende até o aborto, só porque a Igreja Católica é contra! É comum ouvimos frases como estas: “Nesta 'igreja' está a verdade”, ou “Deus levantou este ministério" ou ainda "A tua vitória está aqui”... Mais comum ainda é os pastores dizerem que as igrejas deles são "ungidas". Ora, se todas essas igrejas ditas evangélicas são tão diferentes entre si, e a Verdade é uma só, como é possível um evangélico ter certeza que está no caminho certo, ou que o seu pastor está pregando a verdade, se existem tantos outros pastores (que também dizem seguir a Bíblia e afirmam que são 'ungidos') que discordam dele?


5. Subjetivismo religioso – II

Cada "crente" pode interpretar a Bíblia do jeito que quiser, segundo a tese protestante de Lutero. Mas todos nós sabemos que um "crente" não concorda com o outro em todas as coisas. Muitas vezes divergem entre si mais do que convergem, porque cada qual interpreta a Bíblia do seu jeito, e nem poderia ser diferente. Então, como é possível um evangélico ter a certeza de que está certo na sua interpretação? E por quê, meu Deus, por quê apenas a interpretação da Igreja Católica é que está completamente errada, em tudo?

Essa é a mais cruel de todas as incoerências das igrejas ditas evangélicas: praticamente todas elas se reservam de criticar outras denominações evangélicas, mas são unânimes em criticar a Igreja Católica! O mais incrível é não perceberem que, agindo assim, estão cumprindo as profecias bíblicas do próprio Senhor Jesus Cristo: "Sereis odiados de todos por causa do meu Nome" (Lc 21,17); "Bem aventurados sereis quando, mentindo, disserem toda espécie de mal contra vós, por amor ao meu Nome." (Mt 5,11-12).

Os pastores se ajoelham e se prostram diante de réplicas da Arca da Antiga Aliança, mas eles não chamam esses pastores de "idólatras". Só os católicos são chamados assim. Eles idolatram lencinhos molhados no suor do falso profeta Valdemiro, mas eles não acham que isso é idolatria. Em algumas denominações, acontece a distribuição de sabonetinhos para espantar "olho gordo", vidrinhos de "óleo ungido", "rosas consagradas", etc... Mas nada disso, para eles, é idolatria. Somente os católicos é que são idólatras. Todos pensam assim porque todos sofreram a mesma lavagem cerebral, que é muito difícil de reverter.




6. Subjetivismo religioso – III

A interpretação pessoal da Bíblia por cada "crente" e por cada pastor afronta claramente a Bíblia. De acordo com a santa Palavra de Deus, interpretação alguma é de caráter individual. Nem a Bíblia foi escrita de modo particular e nem, consequentemente, deve ser interpretada de modo particular ou individual (2Pd 1,20).

Examinar a Bíblia não é o mesmo que interpretá-la. Do mesmo modo, eu posso examinar uma pessoa e lhe informar que encontrei uma mancha na sua pele. Mas o diagnóstico daquela mancha deve ser feito pelo médico, e não por mim, que sou leigo. Para isso, os sucessores dos Apóstolos receberam autoridade. Cada bispo católico, cada padre, foi ordenado por um outro, que veio antes dele, que foi ordenado por um outro, que veio antes, e assim sucessivamente, até chegarmos aos Apóstolos, a São Pedro e, por fim, a Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é a autoridade que somente a Igreja Católica Apostólica Romana possui, porque recebeu diretamente do Filho de Deus. E mesmo que os homens pequem e cometam erros, às vezes graves, a Igreja se mantém sempre santa e confiável em seus ensinamentos.


7. "A igreja não importa" ou "igreja não salva"...

Todo "crente" diz em alto e bom som: “placa de igreja não salva ninguém”. Ora, se igreja não salva ninguém e cada um pode interpretar a Bíblia pessoalmente, então para que frequentar alguma denominação?

Quando ocorre algum escândalo envolvendo algum pastor, o "crente" também diz: “Olha para Jesus e não para o pregador”. Mas se o pregador não dá exemplo em sua vida pessoal, e a doutrina evangélica depende da interpretação pessoal da Bíblia, o risco de ele interpretar e ensinar errado é altíssimo, para dizer o mínimo. E se esse pastor ensina tolices e princípios contrários ao verdadeiro cristianismo, por que eu deveria ouvir o que ele diz? Não é possível "olhar para Jesus" assim. Pelo contrário, isso só vai me levar a olhar na direção contrária! Isso só vai colocar em risco a minha alma!

Se cada "crente" pode interpretar pessoalmente a Bíblia, se "igreja" não salva ninguém e o pastor não é confiável, porque ele é só um homem falível, – como os próprios evangélicos dizem, – então por que eles continuam dando tanto crédito aos pregadores?

Já o mesmo princípio não se aplica à Igreja Católica, porque um padre, mesmo pecador, precisa pregar de acordo com a doutrina da Igreja Católica, que é imutável, e não na sua interpretação pessoal que ele faz do Livro Sagrado. Esta é a diferença que faz toda a diferença.


8. Evangelização

Se cada um pode interpretar a Bíblia a partir da sua leitura pessoal, – leitura que contaria com algo como uma assistência automática e pessoal do Espírito Santo, como se bastasse ler que o Santo Espírito automaticamente nos iluminasse – por que ao invés de pregar não se imprimem Bíblias e se distribuem à população? Ora, se basta ter fé para ser salvo e se cada um pode ser o seu próprio intérprete da Bíblia, para que servem as denominações, os cultos, os pastores, as pregações, os livros, CDs e DVDs? Ao invés dos milhões em dízimos e ofertas, que sustentam toda uma grande estrutura, que é desnecessária, por que não reunir esses recursos e construir gráficas e mais gráficas e a compra de muito papel para a impressão de Bíblias, Bíblias e mais Bíblias, e distribuí-las para todos aqueles que não conhecem Jesus?

Eu digo porquê: porque os pastores fazem questão de se encarregar da tarefa de interpretar a Bíblia para os ignorantes e ingênuos que os seguem. E essa interpretação deturpada, que não tem nada a ver com a Mensagem original dos Evangelhos, lhes serve de sustento. Os evangélicos pensam que entendem a Bíblia, mas na verdade tudo o que eles conhecem é a interpretação pessoal deste ou daquele "pastor". Os pastores, com suas milhares de "igrejas", querem ser como pedágios no Caminho que é Jesus.


9. Interpretação bíblica

Agora, se cada um pode interpretar a Bíblia e se todas as interpretações estão corretas, mesmo que sejam todas diferentes entre si, então por que só a interpretação católica está errada? A Bíblia só pode ser interpretada se a pessoa está sob o rótulo de "evangélico"? Ora, mas nesse caso, o que salva não é a fé, é o rótulo! E se for assim, ao contrário do que eles afirmam, a placa da igreja ou o rótulo de "evangélico" é que salva.

Pela visão protestante, milhares e milhares de denominações estão corretas nas suas interpretações bíblicas, mesmo que sejam contraditórias entre si. Todas elas estão certas e apenas uma está errada, a da Igreja Católica. Justamente a Igreja que todos sabemos que foi a primeira a existir é que (para eles) não conta com a assistência do Espírito Santo. Nesse caso, Jesus teria mentido quando disse que os portais do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mt 16,18) pois o inferno teria triunfado contra a primeira Igreja, e também quando disse que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo: Ele só se faria presente nas comunidades que carregam o rótulo "evangélica".


10. O Pai-Nosso

A oração é bíblica. Foi ensinada diretamente pelo Senhor Jesus. Mesmo assim, o evangélico a repudia. Por quê? Para não parecer católico. O "crente" jura defender a Bíblia, mas é o primeiro a não obedecê-la. Ele decidiu que não irá recitar o Pai-Nosso e fim de papo. E pior, quem o faz está errado, ainda que esteja obedecendo à Bíblia. O crente se acha melhor do que Jesus, mais cristão do que o próprio Cristo. Jesus fez a oração do Pai-Nosso, e disse que deveríamos rezar assim, mas o "evangélico" não tem que fazê-la.

** Leia a continuação deste depoimento...
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