O pecado do orgulho ou soberba


“A soberba precede à ruína, e o orgulho, à queda.” (Pv 16, 18)
“Quando vem o orgulho, chega a desgraça; mas a sabedoria está com os humildes.” (Pv 11, 2)
“Deus resiste aos soberbos, mas concede Graça aos humildes.” (Tg 4, 6)

JÁ REFLETIMOS SOBRE o significado do pecado capital; vimos que são sete, e relembramos quais são e o que significam, superficialmente (veja aqui). A partir desta, estudaremos cada um dos sete pecados capitais separadamente, com um pouco mais de detalhes, e buscaremos conhecer também qual a melhor maneira de evitá-los ou vencê-los a cada dia.

O orgulho é um pecado capital universal dos seres humanos, também por ser natural para todos nós, que somos herdeiros do pecado, e que cresce em nossos corações como a erva daninha que insiste em crescer num jardim, por mais bem cuidado que seja.

Na imaginação popular, os gatos têm 7 ou 9 vidas. Mas o pecado do orgulho tem milhões de vidas! Parece impossível matá-lo, exterminá-lo, acabar de uma vez com ele. Mesmo quando tentamos muito vencê-lo, sermos humildes e cultivar a modéstia em nossas vidas, ele volta a brotar, às vezes até mesmo daquilo que deveria destruí-lo... A grande contradição é esta: muitos sentem orgulho ou se ensoberbecem pela própria simplicidade! Gloriam-se por não ter vaidade ou por viver de um jeito simples, mas acusam àqueles que possuem valores diferentes dos seus de serem orgulhosos. Gostar de se vestir bem, ao menos adequadamente, ter um bom automóvel ou ter certa atenção na decoração da casa, por exemplo, não são necessariamente sinais de orgulho, como alguns pensam.

O orgulho é um pecado inconsciente. Assim é que, muitas vezes, os mais orgulhosos são aqueles que pensam que não têm orgulho nenhum. gloriar-se da própria humildade é tomar um banho de orgulho... Este pecado é muito perigoso, pois chega sem ser notado.

Insistentemente, Nosso Senhor nos adverte nos Evangelhos: não devemos julgar ninguém; esta sim, é uma demonstração da verdadeira humildade. A simplicidade leva as pessoas a se respeitarem umas às outras, pois quem é realmente simples e humilde não julga seu próximo, não procura controlá-lo nem presta atenção demasiada aos detalhes que não dizem respeito à sua própria vida.

Segundo teólogos, o orgulho (soberba) foi o primeiro pecado cometido pelos seres humanos. Teve sua origem na antiga Serpente, representação do mal e da mentira, que o transmitiu à Eva, mãe da raça humana pecadora.

“Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.(...) Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. (...) Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.” (Mt 5, 5.11.18)

São tantas as passagens nas Escrituras e nos Evangelhos que enfatizam a importância e santidade da humildade e da simplicidade, que fica evidente a gravidade do pecado do orgulho. Mas também há abundantes indicações de como evitá-lo, como veremos a seguir.



Vencer o orgulho

A maneira de vencer o orgulho, evidentemente, é cultivar a humildade. Humildade é a qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre o outro. É saber que, para que um seja feliz, o outro não precisa sucumbir, ao contrário; – e viver segundo esta convicção. – A plenitude nunca será possível enquanto houver um irmão sofrendo, seja logo ao lado ou num país distante.

O vocábulo "humildade" vem do Latim “humus” que significa “solo; chão”. A humildade é a virtude que nos dá a consciência exata de nossa pequenez, fraqueza e modéstia diante de Deus Todo-Bom e Todo-Poderoso. Concede-nos um sentimento de reverência e imenso respeito, e isso necessariamente se estende ao mundo que nos cerca, à natureza e principalmente ao nosso próximo, pois também é obra do mesmo Deus.

Ser humilde é ser mais humano, pois é ser consciente da própria condição humana, por um lado privilegiada e especialíssima, por outro frágil e pequenina, se comparada à enormidade da Criação e o Infinito da Glória Divina.

Ser humilde é ser parecido com Jesus, que além de Deus e Salvador nosso, foi o maior Mestre que pisou a face da Terra. Mesmo assim, sua vida no mundo refletiu humildade infinita em cada atitude sua. O Rei dos reis viveu uma vida simplérrima, lavou os pés aos discípulos e se entregou à morte de cruz, o mais humilhante castigo daquele tempo (na sociedade romana, mesmo falar na cruz era proibido).

Você consegue imaginar o Rei da Glória, o Filho de Deus, submetendo-se aos soldados romanos, levando cusparadas, apanhando, recebendo chutes, socos e chicotadas, sem reclamar? Sendo escarnecido, blasfemado, coroado com espinhos... E suportando a tudo mudo como um cordeiro? Esta é a maior das maiores provas de humildade que já existiu, e só poderia ter partido de Jesus, o maior de todos os exemplos que temos para entender que o orgulho, além de pecado grave, é enorme estupidez. Lembre-se, porém: a prática da humildade, que vence o pecado capital do orgulho, se dá de si para si mesmo, na observância da própria insignificância e reconhecimento das próprias incapacidades e imperfeições. Não é você que deve julgar o orgulho ou a humildade do seu próximo, e sim somente Deus. Conscientizar-se disso já é um começo.
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Por que a virgindade perpétua de Maria é importante? – conclusão


** Ler a primeira parte deste estudo

O Dogma da Virgindade Perpétua de Maria

1. Introdução

Todos nós estamos habituados a falar da mãe de Jesus como “a Virgem Maria”. Ela é invocada com esse nome em ambientes cristão-católicos e, aqui no Brasil (e não só aqui), por boa parte da população, ainda que inconscientemente. Alguns estudos da língua portuguesa mostram a influência da invocação à “Virgem Maria” em expressões populares da linguagem, por exemplo, no popular “Vixi Maria!” ou, simplesmente "Vix!"1. Contudo, falar da virgindade perpétua de Maria aos ouvidos modernos não é tarefa simples.

O teólogo Carlos Ignacio González nos lembra que “o fato de Maria ter concebido virginalmente em seu seio o Filho de Deus e ter permanecido virgem até o fim de sua vida, em total entrega ao serviço da obra messiânica de seu Filho, é uma verdade que pertence à integridade da confissão de nossa fé cristã”2. E por “integridade” considera: 1) que essa verdade não é fundamental, mas está a serviço de outra mais alta: a Encarnação do Filho de Deus; 2) que essa verdade não pode ser prescindida da confissão de fé sem o risco de não sermos fiéis à totalidade do Mistério salvífico de Deus para com a humanidade.

Contudo, se já é difícil para a nossa cultura confessar integralmente o conteúdo da fé cristã, quanto mais difícil será a aceitação desse dogma mariano em particular. Vejamos algumas razões para as dificuldades em explicar a virgindade de Maria:

a) A supervalorização das ciências impede pensar qualquer intervenção gratuita e livre de Deus na História factual. Essa dificuldade, evidentemente, não é estritamente mariológica, mas afeta todo o campo da disciplina História da Salvação. Com o avanço das pesquisas científicas, o ser humano, inconscientemente, acabou por assumir a pretensão de ter alcançado as chaves de explicação de todos os mistérios do universo de modo puramente "racional", não sobrando espaço, nesta equação, para o encantamento e a reverência para com o Sagrado.

b) Com a afirmação deste dogma, a Igreja é acusada de menosprezo a dignidade do matrimônio.

c) Além do matrimônio, outros, que consideram a sexualidade como uma dimensão superimportante da existência humana, imaginam que “a Igreja tivesse criado o dogma para manter a repressão sexual3.

d) Há ainda a desvalorização da castidade (e consequentemente do valor intrínseco da virgindade) numa cultura que considera o sexo como um valor indiscutível, quase absoluto, e dos principais produtos de mercado.

e) O movimento influenciado pela teologia liberal do século passado também contribuiu para essa desconfiança, uma vez que procurou reduzir a mensagem bíblica aos mitos e expressões literárias de povos antigos, como as dos gregos, dos egípcios e das religiões médio-orientais. Para esse movimento, “a verdade” estaria sobretudo (ou exclusivamente) na mensagem que os escritores bíblicos tentaram transmitir, e não nos fatos narrados em si.

f) Existem ainda aqueles que viram na concepção virginal de Jesus a “expressão simbólica de uma verdade transcendente”4. A historicidade da afirmação de fé não é negada, mas considerada secundária. Aqui inclui-se o questionamento que procuramos responder em nosso artigo anterior (leia aqui): "Por que a virgindade de Maria é considerada tão importante, se este 'detalhe' não afeta em nada a Missão de Cristo e o pleno cumprimento do Plano de Salvação de Deus, pelo mesmo Cristo?".

Diante desse quadro de desconfiança, que vai desde a cultura moderna, que valoriza o sexo como um valioso produto de mercado, passando pela crítica científica e chegando inclusive a alguns ambientes da teologia e da pastoral, não é sem importância perguntar: o dogma da virgindade de Maria tem alguma coisa a dizer aos homens e mulheres de hoje? Se conseguirmos apontar alguns caminhos para responder afirmativamente a essa questão, então teremos alcançado o objetivo deste trabalho.


2. A virgindade de Maria na Escritura

A conceição virginal de Jesus não é um fato tranquilamente aceito por todos os biblistas. “Os textos do NT que falam diretamente de Maria são escassos e controvertidos do ponto de vista exegético”5. O texto de Paulo que se refere ao nascimento de Jesus ('nascido de mulher', cf. Gl 4,4) não contêm uma referência explicita ao tema da virgindade. Marcos refere-se a Jesus como “o filho de Maria” (Mc 6,3). O Evangelho segundo João traz (1,13) uma expressão complicada: “Eles, que não foram gerados nem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. A leitura no singular nos leva a pensar em Jesus, nascido segundo Deus. Contudo, a Bíblia de Jerusalém, entre outras fontes, confirma em nota que “A leitura no plural é atestada pela maioria dos manuscritos gregos”6.

As afirmações diretas sobre a virgindade de Maria cabem a Mateus e Lucas. Mateus (1,18) diz que Maria, antes de coabitar com José, “achou-se grávida pelo Espírito Santo”. No versículo 25 afirma ainda que José “não a conheceu até que ela deu à Luz um filho”7. Também em Lucas a concepção virginal é envolta no Mistério do Espírito Santo. À Maria, que não conhece homem algum (cf 1,34) é anunciado: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (1,35).

O que podemos afirmar dessas narrações evangélicas? Segundo A. Murad, “embora contenham muitos elementos simbólicos, os Evangelhos da infância de Jesus (cf. Mt 1-2 e Lc 1-2) não são lendas ou mitos, mas uma reflexão que parte de acontecimentos verdadeiros. A concepção virginal não seria uma invenção piedosa, mas algo real em que a comunidade cristã acreditava”, e em que ainda crê8.

Tanto Mateus como Lucas partem da fé da Igreja primitiva. Sua intenção com relação às narrativas evangélicas é preponderantemente teológica, e também cristológica: querem enfatizar uma relação única de Jesus com Deus Pai, e ao mesmo tempo enfatizar o novo começo da humanidade, que só se pode realizar a partir dEle. Mas seria esse o único objetivo dos autores sagrados? A resposta pode ser não. – Nem Lucas nem Mateus fazem especulações sobre a virgindade de Maria; claramente tomam-na como pressuposto, um fato que é aceito sem discussão. Os textos de Mt (1,18) e Lc (1,35) que se referem diretamente à conceição virginal de Jesus, indiretamente apontam para  para Maria. – As teólogas I. Gebara e M. C. Bingemer assim analisaram os dados do NT:

“Com toda a certeza os Evangelhos não querem nos dar uma detalhada descrição, para saciar a nossa curiosidade malsã, sobre as particularidades genéticas e biológicas que cercaram a Concepção e o Nascimento de Jesus. Querem, sim, em consonância com todo o conjunto de seus relatos, pôr-nos diante dos olhos um sinal que interpela nossa fé, escapando à nossa compreensão. Sinal esse que, assim como os milagres que Jesus realizava quando andava pelo mundo, não têm sua medida em si mesmos, mas apontam para algo maior, para as maravilhas que Deus opera em favor daqueles e daquelas que ama.”9

Assim, os testemunhos da fé em favor da virgindade de Maria no NT ganham clareza, se os analisarmos a partir de uma visão mais honesta que a daqueles que os querem rebaixar ao plano do mito, como o fazem os “desmitologizadores” modernizantes10. É com tal clareza que a Tradição eclesial do período pós-apostólico toma o dado bíblico para proclamar sua doutrina sobre a virgindade de Maria.


3. A virgindade de Maria na Tradição da Igreja e a formulação do dogma

É confissão de fé de toda a Igreja, testemunhada pelos Padres sem exceção, a doutrina revelada pela Palavra de Deus segundo a qual Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no seio da virgem Maria, e por isso mesmo pertence ao depósito da fé11. Contudo, é preciso uma observação. O Vaticano II fala de uma “hierarquia das verdades” (Unitatis Reintegratio – UR 11). Assim, é preciso perguntar primeiro, no que concerne à doutrina da virgindade de Maria:

“...Pelos diferentes graus de comprometimento de uma reflexão teológica que, em termos formais, deveria ser medida em sua fundamentação nos escritos bíblicos e na expressividade de seu testemunho nos documentos da tradição doutrinária da Igreja, e, sob a perspectiva de seu conteúdo, em sua importância para a confissão das centrais convicções de fé.”12

Tendo em vista esse contexto, é importante perceber que nem a pergunta pela virgindade de Maria antes do parto nem a pergunta pela virgindade no parto ou depois do parto foi objeto de uma definição magisterial direta por parte de um concílio ecumênico de toda a Igreja. “Manifestações nesse sentido aparecem, muito antes, de modo acidental, em textos conciliares ou sinodais, ou são – como se deveria constatar sobretudo com vistas à pergunta por um nascimento extraordinário de Jesus, no qual a virgindade de Maria foi preservada intacta – doutrina de um concílio particular”13, a saber, o Sínodo de Latrão, de 64914. Esse fato atesta que os teólogos da Igreja antiga, em seu empenho pela formação da confissão de fé da Igreja nascente, se referiram à linguagem e a enunciados bíblicos, nos quais a maternidade virginal de Maria está claramente testemunhada, como vimos acima.

A elaboração teológica dos primeiros séculos avança gradualmente no sentido de consolidar a aquisição teológica da virgindade de Maria. Enquanto o Símbolo de Niceia (325) ainda confessa sem especificação a “encarnação e 'humanação' do Filho de Deus”, o Credo de Constantinopla (381) amplia o enunciado e formula que o Logos “encarnou-se, pelo Espírito Santo, na Virgem Maria”15. O Concílio de Éfeso decreta que Maria deve ser chamada “Progenitora (Theotokos) de Deus”, visto que “a Santa Virgem” teria “gerado segundo a carne a Palavra que vem de Deus e se fez carne”16. Em Calcedônia (451) temos a seguinte afirmação:

“Ensinamos todos unanimemente que nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na divindade, perfeito na humanidade, Deus verdadeiro e homem verdadeiro; (…) gerado pelo Pai segundo a divindade antes de todos os séculos, nos últimos dias por nós, os homens, e por nossa salvação (foi gerado) da Virgem Maria, Mãe de Deus, no que diz respeito a sua humanidade.”17

Já o Concílio Constantinopolitano II (553) introduz a referência explícita à virgindade perpétua: “Encarnou-se da gloriosa Theotókos e sempre virgem Maria”18. Com maior clareza ainda formula depois um cânone do Sínodo de Latrão, de 649, citado acima:

“Quem não confessa, de acordo com os santos Padres, no sentido genuíno e verdadeiro, a santa, permanentemente virgem e imaculada Maria como progenitora de Deus, visto que concebeu e deu à luz, de modo incólume, nos últimos tempos, sem sêmen, do Espírito Santo, no sentido genuíno e verdadeiro, ao próprio Deus, a Palavra, nascida, antes de todos os tempos, de Deus, o Pai, sendo que sua virgindade também permaneceu incólume depois de seu nascimento, seja anátema.”19

Por fim, diz a Constituição Cum Quorumdam Hominum, de Paulo IV, em que condena a heresia dos unitários (antitrinitários) e socinianos (7 de agosto de 1555):

“Nós, com a autoridade apostólica e de parte de Deus onipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, requeremos e admoestamos aqueles que afirmaram (…) que nosso Senhor não é o verdadeiro Deus e da mesma substância em tudo igual ao Pai e ao Espírito Santo; ou que não fosse concebido segundo a carne no útero da beatíssima e sempre virgem Maria, pelo Espírito Santo, mas que nasceu do sêmem de José como todo ser humano; (…) ou que a mesma beatíssima Virgem Maria não permaneceu sempre na integridade virginal, antes, durante e depois do parto.”20

Pelo que vimos, o desenvolvimento teológico da mariologia patrística percorre uma trajetória inicialmente determinada mais por motivos cristológico-histórico-salvíficos, até um interesse direto na pessoa Maria. Por uma voz mais autorizada, concluímos esta seção:

“Influenciado pela veneração de mártires e santos, que assumia paulatinamente formas litúrgicas definidas, e sob a influência de tendências ascéticas, o artigo de fé 'nascido da Virgem Maria', que, originariamente, tematizou sobretudo a conceição do Filho de Deus do Espírito Santo, transformou-se, em termos de conteúdo, em discurso da virgindade de Maria antes, durante e depois do nascimento de Jesus (virginitas ante partum, in partu, post partum). Enquanto o título Theotokos (progenitora de Deus) se encontra no contexto da discussão cristológica, a designação de Maria como a Aeiparthenos (sempre virgem) reflete a situação modificada.”21



4. Sentido teológico e antropológico da virgindade

Ao tentarmos encontrar um sentido teológico e antropológico da virgindade, é preciso sempre tentar recuperar o seu “sentido originário”, ou seja, o sentido dado pela “Maria dos Evangelhos”, uma vez que, como vimos, existem grandes dificuldades para se compreender e aceitar a virgindade como valor nos dias hodiernos.

A primeira distinção a ser feita aqui é entre a “virgindade fecunda” de Maria, ou seja, o fato de ela, permanecendo virgem, conceber e dar à luz, e o carisma-opção da virgindade, entendida como estado de vida22. O dogma mariano naturalmente se encontra na primeira afirmação, – ainda que a experiência única de Maria tenha inspirado grande número de discípulos a seguir seu exemplo, assumindo a virgindade como estado de vida.

Ligada a isso está a diferenciação de uma virgindade vivida como “virtude moral”. Para o estoicismo, a virgindade era o meio para o homem alcançar um controle perfeito das próprias emoções e desejos da alma sobre o corpo. Assim, livre das paixões carnais, elevar-se até a divindade. Esse modo de viver a virgindade pode alimentar um grande ideal ou ocultar a soberba.

Há ainda a virgindade entendida a partir do culto. As vestais da tradição greco-romana “deviam servir à sua deusa Vesta pelo menos 30 anos após a sua consagração, em perfeita virgindade”23. Essa virgens tinham, ademais, um status dos mais prestigiosos: “Elas prestavam ao Estado o serviço considerado como o mais elevado: manter sempre aceso o fogo sagrado, símbolo vivo da grande família pátria, renovando-o em todo dia primeiro de março, início do novo ano”24.


4.1 Virgindade como dom de si a Deus

A virgindade de Maria a diferencia radicalmente das três concepções acima enumeradas: a virgindade entendida como estado de vida, virtude moral e serviço de culto.

Para entendê-la, há que se situar sua virgindade no ambiente do judaísmo do AT, do qual Maria é filha dileta. Nesse mundo cultural, a virgindade é vista como maldição para toda mulher. A esterilidade provocava o desprezo da comunidade e era sinal de que Deus não estava com aquela mulher (cf. Jz 11,37-40). Seria completamente impensável a alguma judia verdadeira, vivendo neste mundo e ambiente cultural, assumir um voto celibatário. Os que assim o fizeram (como Jeremias), foi apenas como um sinal profético de denúncia e de desolação para o povo (cf. Jr 16,1-4).

Por isso a virgindade de Maria se faz empobrecimento, desprezado pelos seus contemporâneos. Maria não canta sua virgindade, mas as grandes coisas que o Senhor fez nela (cf. Lc 1,59). “A virgindade biológica de Maria pertence à estrutura da kenose (humilhação como esvaziamento de si, da própria vontade, pela aceitação da Vontade divina) da qual participou também seu Filho Jesus. Não supõe nenhum valor proclamado pela sociedade e pela religião. Maria fez desta sua situação de “baixeza” caminho de humildade, de serena entrega e de confiança ilimitada em Deus. Ela nada pretende; apenas coloca-se em total disponibilidade. Foi esta atitude que permitiu que, – simplesmente, – Deus nascesse em Maria, primeiro em seu coração e alma, depois em seu seio puríssimo”25.

Do que foi dito percebemos que a virgindade de Maria não possuía nenhum valor em si e por si mesma. Era um meio para que a Vontade de Deus se pudesse realizar em sua vida, na vida de seu povo e na vida da humanidade como um todo: nas vidas de cada um de nós. 


4.2 Virgindade como Nova Criação

À pergunta sobre a necessidade de Deus escolher nascer de uma virgem para realizar o seu plano salvífico, algumas respostas são evocadas e precisam de uma consideração clara.

A primeira consideração é que não há nenhuma necessidade a priori para Jesus não ter nascido de pai biológico. Essa posição é defendida, por exemplo, por Joseph Ratzinger, segundo o qual “a condição de Jesus como Filho de Deus (…) não (se baseia), de acordo com a fé da Igreja, no fato de Jesus não ter conhecido pai biológico; a doutrina da divindade de Jesus não seria atingida se Jesus tivesse nascido de um matrimônio humano normal. Pois a condição de Filho de Deus, da qual fala a fé, não é um fato biológico, e, sim, ontológico”26.

Assim sendo, o nascimento virginal em termos fisiológico-biológicos (no sentido da ausência do esperma masculino) não seria nenhuma necessidade indispensável para a confissão de fé em Jesus como verdadeiro Filho de Deus.

Também não há nenhuma visão negativa para com o sexo. Antes, a procriação era sinal de benção para o judaísmo, ao contrário da virgindade, vista como esterilidade maldita.

Muitos santos Padres achavam que o nascimento virginal de Jesus era uma condição necessária para que Ele não fosse contaminado pelo pecado original. Com o avanço da crítica teológica, o fator biológico do Pecado Original dificilmente se sustenta em nossos dias. Deus mesmo, por sua exclusiva Presença, não purificaria total e completamente a qualquer corpo humano? Assim, as razões para a Concepção virginal devem ser buscadas na Cristologia além da Mariologia: com essa criança, com Jesus de Nazaré, o próprio Deus estabelece um novo início salvífico na história da humanidade. Um novo começo da graça salvífica, que independe da ação humana, mas se deve somente à iniciativa de Deus, a seu Espírito criador. A virgindade biológica de Maria de Nazaré está a serviço da realização deste Desígnio divino. O biológico é sinal, suporte, expressão de outra realidade: o surgimento de uma nova humanidade. A virgindade, como é evidente, não está a serviço de sua própria exaltação, mas totalmente a serviço de Cristo e de seu significado universal.


4.3 Virgindade de Maria como modelo de sociedade integrada: virgindade e autonomia

A virgindade de Maria também pode ser apreciada como paradigma de vida e liberdade. Analisando os textos bíblicos, vemos que Maria viveu a corajosa experiência de assumir, com todos os seus (grandes) riscos, o desafio que a conceição sob o Espírito Santo lhe colocava. Sob essa luz, podemos dizer que a virgindade é, de algum modo, afirmação de autonomia, de liberdade e de disposição de si mesmo. Virgem é quem age a partir de dentro, não a partir de fora. Define-se a partir de si, e não pelas reações do outro ou com o outro. O virgem é aquele que se possui e se contém, porque é dono de si. Daí é que vem o sentido originário da palavra "continência".

O primeiro momento do ser-virgem é a autonomia. A etapa posterior é a abertura de si e a livre auto-entrega: “Eis aqui a serva do Senhor”, diz a Virgem. A virgindade, assim, não é renúncia ao amor, mas sim aos apegos egoístas, ao narcisismo dependente e possessivo. A virgindade sob este prisma é expressão do amor que é senhor de si e que se dá, não por carência, mas por generosidade e plenitude.


4.4 A virgindade e fecundidade

Virgindade, no caso incomparável de Maria, não é só autonomia e abertura. É essencialmente geração de vida, fecundidade. Por isso é sempre materna: Isso aparece claro na forma particular de virgindade que é o celibato presbiteral, potencialmente rico de fecundidade apostólica. Também do ponto de vista estritamente social, a virgindade possui sua potencialidade. É capacidade de produzir frutos nos mais diversos campos: filosófico, científico, social, político e religioso.

Há ainda um outro exemplo de fecundidade que podemos contemplar na Mãe de Jesus e que é modelo para a sociedade de hoje, tão marcada pela autossuficiência. A virgindade no AT e mesmo no tempo de Maria é expressão da pobreza do povo. E Maria é, biblicamente, o tipo do povo pobre, impotente e aparentemente sem futuro. É justamente nesta pobreza que Deus age e gera seu Filho, Aquele que veio para que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Assim, a virgindade mariana aparece como fecundidade capaz de gerar vida nova, para si e para o seu povo. É Deus agindo para tirar, da impotência, a Vida, pois para Ele “nada é impossível” (Lc 1,37).

De modo semelhante à Virgem, podemos dizer que também o povo pobre e fraco pode ser fecundado pelo Espírito de Deus e gerar vida e liberdade. O santo Pneuma faz o deserto florescer (cf. Is 32,15), tira água da rocha (cf. Sl 105,41; 114,8), faz os mortos ressurgirem (cf. Rm 4,17; Hb 11,19), faz a Virgem conceber e dar á luz. Pode então fecundar o fraco, o pobre, o iletrado... Eu e você.


5. Conclusão – a fé é o fundamento

Cabe reconhecer que as propostas de explicação sobre o dogma da virgindade perpétua de Maria, apresentadas pelo Magistério e pela Teologia, aqui sintetizadas, não são simples, e também não são óbvias; assim como tantas outras doutrinas fundamentais da fé cristã. – Devem ser aceitas ou não, pela fé, que sempre e ao final é Dom de Deus. – Pois "o justo viverá pela sua fé" (Hab 2,4; Rm 1,17; Hb 10,38).

A fé é a nossa vitória sobre o mundo (1Jo 5,4). A fé é o fundamento da esperança, é certeza a respeito do que não se vê (Hb 11,1). Ora, a fé conquistou reinos, fez justiça, obteve Promessas divinas, fechou a boca de leões, aplacou a violência do fogo, escapou ao fio da espada, recuperou forças na fraqueza, tornou valentes os covardes, conquistou batalhas e guerras, pôs exércitos para correr, fez andar sobre as águas, ressuscitou os mortos.

Conta-se que o Papa Paulo VI caminhou pelos corredores do Vaticano repetindo e repetindo: "Quando vier o Filho do Homem, ainda achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8)... – O Dom da Fé vem diretamente de Deus, e Ele o dá livremente a todos os homens. É um Dom Infuso, como o da Esperança e o da Caridade. A fé é como uma semente. Quando nascemos Deus planta em nós a semente da fé, e nós nascemos com esta semente. É uma semente em potencial,  que ainda não é ato, mas compete-nos dar condições materiais para que a fé cresça.  Isto é, a fé é Dom de Deus que não nasce separadamente  da vontade humana, porque ninguém crê se não quiser, – assim como também ninguém crê sem que Deus o permita.

A fé também precisa ser estimulada, exercitada, e isto requer certas atitudes. Assim como o dom para tocar algum instrumento musical,  com o qual algumas pessoas inegavelmente já nascem, mas que precisa ser exercitado: cabe ao indivíduo, que já tem o dom, estudar e praticar sempre, se quiser atingir a perfeição.


Para cultivar e exercitar a fé


• Para cultivar e exercitar a fé precisamos viver o Amor-caridade, pois a fé cresce na prática da caridade.

• Precisamos da vivência sacramental, buscar os Sacramentos da Confissão e da Comunhão, mesmo que não tenhamos vontade. – Isto não deve ser feito por uma questão de sentimento, não depende de "sentir-se bem" ou de se emocionar. Santa Teresa D’Ávila ensinava que quando se tem vontade de ir à Missa, então se deve ir; mas se no domingo seguinte  não se tem a mesma vontade, ainda maior é a razão para ir sem falta, porque é justamente quando se vai sem ter vontade que se vai pela fé. – Assim como ocorre com a oração; quando se reza sem vontade, sem prazer, então se age pela fé, e o valor desta oração é dobrado. – Não se pode reduzir a fé a uma simples questão de sentir prazer ou não: é uma questão de atitude. Fé não se relaciona com sensacionalismo, empolgação, histeria.

• Leitura das Sagradas Escrituras e das obras piedosas, já que a fé depende de ouvir, e de ouvir a Palavra do Cristo (Rm 10,17). A fé unida à inteligência e à razão pode alçar altos vôos com maior facilidade.

Deus age com gratuidade para aquele que tem fé. É Ele a medida da Graça, a todos que a pedem. É um Dom que pode e deve, portanto, ser pedido por cada um de nós a Deus, e constantemente estimulado e exercitado.

Oxalá todos nós, ao contemplarmos o mistério da virgindade perpétua de Maria, coloquemos nossos dons a serviço da geração da vida e do bem geral no mundo, em humildade, na doação de si e na solicitude pelo outro. Sempre sabendo, porém, que onde nossas possibilidades humanas parecem perder a força e a vitalidade, ali a Graça transformadora de Deus pode gerar uma vida nova.


Adaptado do artigo "O Dogma da Virgindade de Maria", do Pe. Rodrigo Assis Rosa, OMV


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Notas:

1. Desde a pregação dos jesuítas, somos um povo que adquiriu muito do linguajar católico. Quando ocorre um infortúnio qualquer, é quase instintivo apelarmos para santos, anjos ou o próprio Deus. Uma das santas mais requisitadas é a Virgem Maria (...). Daí o apelo à 'Virgem Maria!'; invocação feita há séculos, mas que foi se desconstruindo com as corruptelas naturais da língua, até chegar ao ponto em que chegou. Se um sujeito perde um ônibus e diz 'vixi!', 'vix!' ou 'xí!', na verdade está clamando por Virgem Maria. Acompanhe as sucessivas desconstruções que levaram à versão mínima da expressão da Santa: 'Virgem Maria!'; 'Virgem!'; 'Virgi!'; 'Vígi!'; 'Víxi!'; 'Íxi!'; 'Xi!'; 'Iíí'; 'Chhhh'. Construções mistas também são usuais, como 'Vixi Maria' ou 'Íxi Maria'.

2. GONZÁLEZ, Ignacio. Maria Evangelizada e Evangelizadora, Loyola, 1990, p. 239.

3. MURAD, Afonso. Maria, Toda de Deus e tão humana. São Paulo: Paulinas, 2004.

4. González, op. cit., p. 242.

5. GEBARA, M. C. Bingemer, Maria Mãe de Deus e Mãe dos Pobres, Vozes, 1987, p. 121.

6. Nova edição, revista e ampliada, Nota 'c'.

7. “O texto não considera o período ulterior e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a Tradição da Igreja, a supõem”. Ibid., nota 'h'.

8. op. cit., p, 113.

9. Ibid., p. 148.

10. Cf. C. Boff, Mariologia social, Paulus, 2006, p. 476.

11. Cf. C. I. González, op. cit., p. 243.

12. A. Müller e D. Sattler, “Mariologia”. In: T. Schneider (Org), Manual de Dogmática, Vol. II, Vozes, 2002, p. 164.

13. Ibid., p. 164.

14. Conforme formulação logo abaixo.

15. Ibid., p. 155.

16. Ibid., p. 155.

17. C. I. González, op. cit., pp. 244.

18. Gebara, M. C. Bingemer, op. cit., p. 122.

19. A. Müller e D. Sattler, op. cit., p. 156.

20. I. González, op. cit., pp. 246.

21. Müller e D. Sattler, op. cit., p. 156.

22. Cf. C. Boff, op. cit., p. 475.

23. Ibid., p. 149.

24. Citado em A. Müller e D. Sattler, op. cit., p. 165.

25. Cf. C. I. González, op. cit., p. 242.

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Bibliografia:

• Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. Paulus, 2003.

• Gebara, Ivone, Bingemer, Maria C.. Maria Mãe de Deus e Mãe dos Pobres, Vozes, 1987.

• Gonzáles, Carlos Ignacio. Maria Evangelizada e Evangelizadora, Loyola, 1990

• Meo, Salvatore, De Fiores, Stefano. Dicionário de mariologia. Trad.: Álvaro A. Cunha et al. São Paulo, Paulus, 1995.

• Murad, Afonso. Maria, Toda de Deus e tão humana. São Paulo, Paulinas, 2004.

• Boff, Clodovis. Mariologia social, Paulus, 2006.

• Schneider, Theodor (Org). Manual de Dogmática, Vol. II, 2ª. Ed. Petrópolis, Vozes, 2002.
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Por que a virgindade perpétua de Maria é importante?

UM LEITOR QUE SE IDENTIFICA apenas como "Luiz" enviou-nos, ao artigo "Jesus Cristo, Unigênito e Primogênito", o comentário que reproduzimos abaixo:

Prezado Fiel católico,
Sou protestante e ficou pensando o porque desta discursão sobre a Virgindade perpétua de Maria,Isto não muda em nada a missão e propósito porque Jesus Cristo veio ao mundo. 
O Senhor lhe abençoe.

Caríssimo Luiz,

Agradecemos pelo interesse e pela confiança depositada em nosso modesto apostolado. A questão que você coloca é recorrente, muitas pessoas utilizam este mesmo argumento, inclusive agnósticos e adeptos de diversas outras religiões não cristãs. A ideia central desta questão se revela sempre em perguntas mais ou menos parecidas com esta: "Por que tanto apego à questão da virgindade? Se Maria tivesse mantido relações com José, isto a tornaria uma pecadora? Por acaso o sexo entre cônjuges é pecado? Que diferença isto faria? Afinal, o mais importante não é a missão de Jesus?".

Já me perguntaram até, num modo mais direto de dizer a mesma coisa, como é que um mínimo pedaço de pele, na anatomia interna de uma mulher, poderia fazer tanta diferença para a fé cristã a ponto de originar um dogma? Não seria um caso de fixação exagerada, num tema absolutamente secundário?

São boas perguntas, sem dúvida, que merecem boas (e claras) respostas. Especialmente nesta nossa era em que tudo, absolutamente tudo que conhecemos e em que cremos é questionado a cada instante.

Este artigo será uma primeira abordagem. De início, serei breve; não vou me lançar, por enquanto, aos aprofundamentos teológicos; isto fica para a nossa próxima postagem. Por ora, deixarei uma abordagem de teor mais racional, lógico e humano. Vejamos...



Se Maria foi perpetuamente virgem ou não, Luiz, isto realmente não muda a Missão e o Propósito do Cristo, que teria sido, igualmente, plenamente cumprido. Se Jesus tivesse descido do Céu ao nosso mundo, em forma humana e já feito homem adulto, sem nascer como um bebê, sem depender de mulher alguma, –  e poderia ter sido assim, se Ele quisesse, – de igual modo isto não mudaria o Plano divino de salvação.

Jesus também poderia ter brotado da Terra, nascido de uma flor, surgido do mar... Poderia até ter sido trazido, milagrosamente, por uma cegonha! – E não o falo com desrespeito, mas somente para demonstrar que para Deus nada é impossível.

A questão é que Ele, o Todo-Poderoso, quis depender de Maria. Foi da Vontade do SENHOR vir ao mundo em forma de criança, como frágil criatura mortal gerada no ventre de uma mulher, uma igualmente frágil criatura mortal.

E assim, porque Deus quis, esta mulher é muito importante para a nossa fé. – Não mais importante do que o Cristo, que é Deus, Alfa e Ômega, Princípio e Fim de todas as coisas, e nosso único Salvador, – mas extremamente importante, por ter sido o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, por ser a Mãe do próprio Deus(!).

Nós, católicos, cremos piamente na intercessão dos santos, mesmo (e ainda mais) depois de terem deixado este mundo e ido para a Presença do Altíssimo. Cremos nisto porque cremos que "nosso" Deus não é Deus de mortos, mas dos vivos, e cremos no que disse nosso Senhor Jesus Cristo, que quem crer nEle nunca morrerá (Jo 11,26).

Por isso, para nós, Maria está acima, em dignidade, de qualquer outra santa de Deus: ela é santíssima! Como poderíamos chamar àquela da qual Deus tomou sua própria Carne e seu próprio Sangue, que foram oferecidos por nós em santo Sacrifício e nos salvam do pecado e da morte?

Cremos, então, que a Santíssima Virgem Maria intercede de modo especialíssimo por nossas vidas e pelo bem da Igreja. Não admitimos que seja blasfemada, que sua importância seja diminuída, que sua memória seja profanada. Temos plena certeza de sua virgindade perpétua, não só porque a Sagrada Escritura o indica, como pudemos ler neste estudo, mas também e principalmente porque a santa Igreja, que é a coluna e o fundamento da Verdade para o cristão (1Tm 3,15), o atesta.

Vocês, protestantes, veneram e falam muito em Paulo e nos Apóstolos, mas sequer mencionam Maria, aquela que deu carne humana ao Deus Salvador de todos, aquela que foi chamada pelo próprio Espírito Santo, pela boca de Isabel, de "Mãe do Senhor" (isto é, literalmente, Mãe de Deus!).

Aquela que permaneceu ao lado do Cristo, aos pés da Cruz, quando os discípulos fugiram para salvar a própria pele, é um assunto tabu em suas assembleias. – Aquela a quem o Senhor nos deu por Mãe, aos que creem no seu Nome e o seguem. – Como católico, não entendemos esta postura. Mais do que isso, não a admitimos.

** Ler a segunda e conclusiva parte deste estudo

*** Leia também: "Virgindade perpétua de Maria, mãe de Jesus Cristo"
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Jesus Cristo, Unigênito e Primogênito


RECENTEMENTE, ALGUNS leitores nos propuseram uma análise sobre os termos "unigênito" e "primogênito", atribuídos ao Cristo nas Sagradas Escrituras. Uma breve pesquisa na rede demonstra que tais termos vêm gerando alguma confusão, e parece-nos que certas "explicações" de alguns "professores" e "pastores" tendem a confundir mais do que esclarecer. Buscando atender a esta necessidade, disponibilizamos o presente estudo, rogando a Nosso Senhor que seja útil.


Unigênito

Cristo é o Unigênito, Aquele a quem o Pai enviou ao mundo por causa do seu grande Amor, "porque Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).

Este título de Filho Unigênito (Único) revela aspectos importantes da identidade do Cristo:

  • Primeiro, Ele é O Filho desde toda a eternidade, consubstancial ao Pai, procedendo d'Ele em Geração eterna, o que, por isso mesmo, torna-o distinto do Pai (divina e misteriosamente igual e distinto a um só tempo).

  • É o Filho Encarnado, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que assume natureza humana com vistas à salvação do mundo, por um ato de perfeito e obediente Amor .

  • Em nosso amor a Cristo nós temos o único acesso ao Amor do Pai, de modo que Cristo se torna, assim, o Primeiro de muitos irmãos.

Este título de Filho Unigênito (Único), portanto, está reservado apenas e exclusivamente ao Filho de Deus, e significa a sua relação de obediência e missão como o único Redentor, Messias e Sacerdote eterno, revelado ao homem pelo próprio Deus (Mc 1,11).

O Cristo é a Palavra de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus: o Filho Único que está no seio do Pai é que o deu a conhecer." (Jo 1,18)

A Glória de Jesus não é nada menos que a Glória celestial de Deus Pai do Universo: "Glorifiquei-te na Terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. Agora glorifica-me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela Glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." (Jo 17,4-5)

Cristo é realmente o único (unigênito) gerado por Deus: "Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; o que é gerado de Deus se guarda, e o Maligno não o toca." (1Jo 5,18)

No Antigo Testamento, "Filho de Deus" é um título dado aos anjos, ao povo eleito, aos filhos de Israel e aos seus reis. No Novo Testamento, é o título do verdadeiro Messias, O Filho de Deus: "Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, Filho do Deus Vivo!" (Mt l6,16).


Primogênito

O Antigo Testamento fala muitas vezes da condição especial do filho que literalmente "abre o útero" de sua mãe, o primeiro a nascer, portanto geralmente o mais velho, quando vêm outros irmãos. A palavra primogênito, entretanto, tem sentido e valor mais especiais no contexto bíblico.

O primeiro filho, no antigo Israel, gozava de privilégios exclusivos: era ele o principal herdeiro da família. Assim, Jacó pretendeu que seu irmão Esaú lhe vendesse seu direito de primogenitura porque, embora fossem gêmeos, Esaú nasceu primeiro e por isso tinha direitos sobre o irmão (Gn 25,31-32). Ao direito de primogenitura correspondia uma bênção especial que Jacó usurpou a seu irmão, que diz: "Apoderou-se do meu direito de primogenitura, e agora apodera-se da minha bênção" (Gn 27,36).

O Livro dos Salmos fala do rei David como primogênito de Deus, como possuidor de proteção divina especial: "Eu o constituirei meu primogênito, o mais excelso entre os reis da Terra" (Sl 89,28).

Quando Moisés foi encarregado de conduzir o povo de Israel, Deus mandou-lhe dizer ao faraó:

Assim fala o SENHOR: Israel é o meu filho primogênito. Digo-te: deixa ir o meu povo para que me sirva; se recusares deixá-lo ir, Eu matarei o teu filho primogênito. (Ex 4,22-23)

À meia-noite, Deus cumpriu a sua promessa (Ex 12,29), poupando os primogênitos de Israel pela imolação do cordeiro pascal com cujo sangue pintaram a verga e as ombreiras de suas casas (Ex l2,23-24). Deste fato nasceu, pois, a chamada "Lei sobre os primogênitos", a respeito da qual o Senhor disse a Moisés: "Consagrar-me-ás todo o primogênito, dentre os filhos de Israel; seja homem ou animal, ele me pertence" (Ex 13,1-2).

No Novo Testamento, Jesus é o Primogênito por excelência. Em sua infância, é chamado por S. Lucas como o Primogênito de Maria: "Teve o seu Filho primogênito, que envolveu em panos e o recostou numa manjedoura, por não haver para eles lugar na hospedaria (Lc 2,7)." – Mas ao ser apresentado no Templo, Jesus toma o seu lugar de acordo com a consagração do Primogênito:

"Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao SENHOR, conforme está escrito na lei de Deus: todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor'." (Lc 2,22-23)

S. Paulo diz: "Porque os que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Este fosse o Primogênito de muitos irmãos" (Rm 8,29 – o mesmo em Cl 1,15); e ainda mais: "Ele é também a cabeça do Corpo, a Igreja; Ele é o princípio, o Primogênito dos mortos, pois devia ter em tudo a primazia" (Cl 1,18).

Como Primogênito, Jesus é o Filho por excelência, neste sentido o único participante do Amor do Pai. Mas, por meio do Espírito Santo, todos somos filhos de Deus, irmãos de Cristo, "herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8,16-17).



Esclarecendo as controvérsias

"Primogênito" é também um termo jurídico que na Bíblia tem significado específico e bem determinado: refere-se ao primeiro filho, quer venha outro, quer não.

Aos que pretendem ver neste título atribuído a Jesus uma "prova" de que a Virgem Maria teve outros filhos, lembramos o simples fato de que, entre os judeus do primeiro século, não se esperava o nascimento de outro filho para que o primeiro fosse tratado como "primogênito", – e assim era tido e chamado pela vida toda. Tal fato foi, inclusive, definitivamente comprovado com a descoberta do túmulo de uma judia chamada Arsinoé, do 1º século, que contém a inscrição: "Aqui jaz Arsinoé, morta ao dar à luz o seu primogênito"1.

Ora, se morreu ao dar à luz o primeiro filho, evidentemente não teve outros. Mesmo assim, este menino é chamado primogênito de sua mãe, – ainda que tenha sido seu único filho.

A questão é bem simples e já se dá por encerrada, por aqui mesmo. Ainda assim, para que os seus estudos sejam mais completos e a sua formação mais sólida, prezado leitor, prosseguiremos um pouco mais na análise da questão.

Vamos à etimologia: a palavra “primogênito” deriva do latim “primogenitis” ou “primogenitum” (primo = primeiro; genitus/genitum = gerado ou nascido). Dessa forma, um filho único não deixa de ser primogênito por não possuir irmãos. Alguns debatedores fundamentalistas frequentemente pretendem aplicar uma dependência ao significado da palavra que simplesmente não existe, nem em sua etimologia nem em seu sentido bíblico.

Tu lhe dirás: 'assim fala o SENHOR: Israel é meu filho primogênito!'. (Ex 4,22)

As sentença acima é parte do conjunto de orientações de Deus a Moisés para serem transmitidas ao Faraó do Egito, a fim de libertar o povo de Israel do cativeiro. Segundo as Sagradas Escrituras havia, naquele tempo, alguma outra nação ou povo na Terra chamado e escolhido por Deus como um filho? A resposta é não. Entretanto, mesmo Israel sendo, neste sentido, "filho único" de Deus, é chamado também "primogênito".

Poderia-se argumentar dizendo que Deus estava considerando a futura conversão dos povos pagãos, que seriam então filhos subsequentes. Entretanto, com o advento do cristianismo não há nenhum fundamento para a ideia de Israel e da Igreja como filhos diferentes de Deus. No contexto da Nova e Eterna Aliança, todos os que creem no Evangelho, sejam judeus ou gentios, são chamados a constituir um único povo santo (cf. Rm 10,12; Gl 3,28; Cl 3,11). Não há nenhum cabimento na ideia de Israel e a Igreja serem filhos distintos de Deus, o primeiro como "filho unigênito" e a segunda como uma segunda filha: esta seria uma concepção completamente absurda.

Como já vimos, o próprio Cristo, o Filho Único de Deus, também é chamado Primogênito:

E novamente, ao introduzir Deus o seu Primogênito na Terra, diz: 'Todos os anjos de Deus o adorem'. (Hb 1,6; – ver Sl 96,7)

O que a passagem acima está afirmando, e com muita clareza, é que Cristo é O Primogênito de Deus. Diferente de outras passagens do NT (cf. Rm 8,9; Cl 1,18; Ap 1,5), aqui não se trata do primogênito de Maria virgem, isto é, não se refere à condição carnal de Jesus, mas sim à condição divina, do Deus Filho do Deus Altíssimo, Pai de tudo e todos. Pois bem, Deus Pai não tem outros filhos a não ser Jesus, e disto absolutamente ninguém que se pretenda "cristão" discorda.  Mesmo assim, mesmo Jesus sendo o único Filho, a Sagrada Escritura o chama, também neste sentido, de Primogênito.

Alguma reflexão mais será necessária? Não. Temos provas mais do que suficientes de que a palavra “primogênito” não se aplica somente ao primeiro filho entre  outros, mas também ao filho único (o qu se confirma também em Nm 3,40; Ex 11,5; 12,29-30). Desta forma, de modo algum o uso do termo poderia servir como evidência da existência de irmãos de sangue de Jesus. – Para aprofundar mais este tema, leia este nosso outro estudo: "Virgindade perpétua de Maria, Mãe de Jesus".

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho Único, Salvador Unigênito e Primogênito!

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1. MOURA. Jaime Francisco. Católicos X Protestantes 9ª ed., Joinville: Clube dos Autores, 1999, p. 63.
___

Ref.:
Artigo "Maria Sempre Virgem, de Alessandro Lima, disp. em:
http://www.veritatis.com.br/apologetica/maria-santissima/531-santa-maria-sempre-virgem
Acesso 22/1/015
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N. do A.:
Alguns protestantes históricos, entre eles luteranos, sustentam, ao lado dos católicos e cristãos ortodoxos, que Maria não teve outros filhos depois do nascimento do Cristo, e que não teve quaisquer relações conjugais com José, reconhecendo que os 'irmãos' mencionados nos Evangelhos eram parentes próximos, certamente primos. Isto é consistente com a aceitação de Lutero, ao longo de toda a sua vida, da ideia da virgindade perpétua da mãe do Senhor. O célebre Prof. Jaroslav Pelikan [(1923-2006), autor de mais de trinta livros, erudito em História do Cristianismo e Teologia Cristã, professor de história em Yale University] observou tal fato, e juntamente com Harmann Grisar [biógrafo de Lutero], concordam que "Lutero sempre creu na virgindade perpétua de Maria mesmo após o parto, como afirmou no 'Credo dos Apóstolos', embora negasse seu poder de intercessão. Por esta razão, até mesmo um rigorosamente conservador estudioso protestante como Franz Pieper (1852-1931) recusou-se a seguir a tendência entre muitos de seus pares de insistir que Maria e José tiveram relações conjugais após o nascimento do Cristo. Está implícita em sua dogmática a aceitação de que a fé na virgindade perpétua da mãe do Senhor é a visão mais antiga e tradicional dos protestantes, bem como a mais evidentemente alinhada com a estrutura da narrativa bíblica como um todo. Maria, tendo sido escolhida para novo tabernáculo do próprio Deus Todo-Poderoso, não poderia de modo algum, uma vez cumprida sua missão, ter conhecido qualquer tipo de impureza. – OLIVEIRA, Prof. Dr. Adilson L. P. Teologia Dogmática, Joinville: Clube dos Autores, 2012, p.13
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Imigrantes islâmicos atacam fiel católico, profanam capela e vandalizam imagem de Nossa Senhora na Itália – Islâmicos radicais ou simplesmente islâmicos?

A imagem foi profanada em sua própria capela, na Itália

ENCONTRAVA-SE UM HOMEM pacificamente prostrado em oração, diante de uma imagem da Virgem Maria e com a fotografia de um ente querido nas mãos, na pequena capela de São Barnabé, em Perúgia (Itália), quando foi impiedosamente atacado por um grupo de cinco islâmicos. A primeira coisa que fizeram foi rasgar a foto que ele tinha em mãos. Logo em seguida, atacaram a estátua da Virgem a chutes, destruindo-a.

O incidente causou rebuliço entre a população local, sendo que alguns criticavam o Papa Francisco, acusando-o de incentivar uma falsa noção de "ecumenismo" que acaba por confundir os cristãos diante de atos extremistas como aquele. As famílias de fiéis da comunidade de São Barnabé fizeram uma coleta para a restauração da imagem sacra, que fica num local de oração tradicional, de onde devotos elevam suas preces há muito tempo.

Don Scarda, bispo de São Barnabé, confirma que o ataque foi conduzido por cinco estrangeiros e que a polícia foi acionada mas, ao chegar à capela, já não encontrou mais os agressores, já foragidos. Não há pistas sobre suas identidades.

“Para o Islã, a figura de Maria é muito importante: ela é vista como mãe do profeta Jesus, concebido milagrosamente da Virgem, a mais santa das mulheres”, disse o bispo auxiliar da cidade de Perúgia, Monsenhor Paolo Giulietti. Numa tentativa de apaziguar a situação, o prelado disse ainda que alguns "muçulmanos até rezam nos santuários marianos do Oriente Médio. Não podemos atribuir esse ato de vandalismo, que está errado em todos os sentidos, a um episódio de ódio religioso. É importante não alimentar suspeita mútua, especialmente neste momento"...

O fato é que grupos extremistas islâmicos estão espalhados e crescem a ritmo assustadoramente acelerado por toda a Europa, profundamente engajados numa guerra ideológica na qual o ocidental já é julgado culpado antes mesmo de poder argumentar.

Ainda mais grave é o fato de que enquanto estes grupos islâmicos estão bem unidos e organizados em prol de um objetivo comum, as nações ocidentais, embora maiores, mais fortes e bem preparadas para reagir e cortar o mal pela raiz, encontram-se divididas contra si mesmas, e a ideologia "politicamente correta" confunde a noção do certo e do errado nas consciências. Na Alemanha, por exemplo, o necessário grupo PEGIDA (Europeus Patrióticos contra a Islamização do Ocidente), apesar de contar com um número crescente de simpatizantes, encontra nos seus próprios concidadãos o seu maior obstáculo (Veja aqui), sendo tachados como "nazistas" e preconceituosos.





Enquanto os governos ocidentais preocupam-se em agir sempre dentro dos padrões do "politicamente correto", os extremistas(?) islâmicos já invadiram a Europa. O cartazes dizem, entre outras coisas: "O Islã dominará o mundo" e "Shária (lei islâmica cuja desobediência deve ser punida com a morte) para o Reino Unido".

Por muitíssimo menos, pessoas são assassinadas nos Estados islâmicos, apenas por não se alinharem à crença oficial: centenas de milhares de cristãos e adeptos de outras religiões são assassinados em diversos países (veja aqui); homossexuais são enforcados no Irã; “infiéis” (isto é, todo aquele que não confessa o islamismo ou se converte a outra religião) são condenados à morte na Arábia Saudita. Enquanto isso, os ocidentais conscientes são acusados por seus próprios governos de "islamofóbicos" (veja aqui), na mesma linha politicamente correta da chamada "homofobia", apenas por não terem cedido completamente aos interesses dos invasores.

Agrava ainda mais a situação a covardia e/ou inépcia dos líderes cristãos frente a clara ameaça de uma hegemonia islâmica no Ocidente num futuro muito próximo, que nada faz além de relativizar essa grave expansão do islamismo, confundindo-o com "multiculturalismo" e tratando o problema a partir de princípios e valores totalmente desprezados e alheios a esses grupos extremistas, que apenas desejam destruir a cultura tradicional ocidental. – Cristianismo incluso.

Por fim, resta dizer que toda a mídia, juntamente com os nossos governantes, fazem sempre muita questão de diferenciar o terrorismo daquilo que seria o suposto "verdadeiro islamismo", pacífico e tolerante. A verdade é que o islamismo é uma religião que sempre produziu a violência, porque a violência é intrínseca à própria base de sua fé; a violência é pregada no seu livro sagrado e confundida com fidelidade à religião. O único islâmico pacifista e tolerante é o islâmico relativista. Verdade seja dita, o verdadeiro fiel islâmico é aquele que caça os "infiéis". O verdadeiro fiel islâmico é, em última análise, o terrorista. É uma afirmação forte? Sem dúvida, mas é a verdade. Senão, vejamos estas passagens do Alcorão:

Sabei que aqueles que contrariam Alá e seu mensageiro serão exterminados, como o foram os seus antepassados; por isso nós lhes enviamos lúcidos versículos e, aqueles que os negarem, sofrerão um afrontoso castigo." (Surata 58,5)

"Ó fiéis, combatei os vossos vizinhos incrédulos para que sintam severidade em vós; e sabei que Alá está com os tementes." (Surata 9,123)

"Mas quando os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Alá é indulgente, misericordiosíssimo." (Surata 9,5)

"Ó fiéis, não tomeis por amigos os judeus nem os cristãos; que sejam amigos entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por amigos, certamente será um deles; e Alá não encaminha os iníquos." (Surata 5,51)

"Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo dos incrédulos." (Surata 2,191)

"E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Alá. Porém, se desistirem, não haverá mais hostilidades, senão contra os iníquos." (Surata 2,193)

"Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Alá. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor." (Surata 9,89)

"Combatei aqueles que não creem em Alá e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Alá e seu mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya." (Surata 9,29)

"O castigo, para aqueles que lutam contra Alá e contra o seu mensageiro e semeiam a corrupção na Terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento neste mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo." (Surata 5,33)

Observemos muito bem que as palavras acima não são da autoria de algum terrorista ou "radical" islâmico. Não! Tudo isto é o que diz o próprio livro sagrado de todos os islâmicos; aquilo em que todos eles devem crer e a que precisam obedecer. A verdade é que nunca, jamais serão nossos amigos, enquanto forem, simplesmente... islâmicos. Nunca aderirão ao novo (e deturpado) ecumenismo tão querido pelos filhos da Igreja em nossos tempos. Nunca serão confiáveis. Triste e lamentável, sem dúvida, porém é fato.

Finalizamos com dois vídeos interessantíssimos a respeito do mesmo tema, especialmente o segundo, porque neste a realidade os fatos é magistralmente esclarecida diretamente por um mulá islâmico.


"Islã radical" e "Islã moderado" não existem: há somente um Islã


O Mito da "Minoria Radical" Muçulmana


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Via PerugiaToday, Tuttoggi, TheGatewayPunditt e AlertaDigital
Fonte: Rádiovox, artigo disponível em:
http://radiovox.org/2015/01/18/cinco-terroristas-imigrantes-islamicos-destroem-e-vandalizam-imagem-de-nossa-senhora-na-italia/#sthash.Zzrcg9hP.dpuf
Acesso 21/1/015
Com Fides Press
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Enquanto intelectuais combatem uma "islamofobia" imaginária, a cristofobia real, que mata 100 mil cristãos por ano, ataca igrejas e escolas brasileiras no Níger

Por Reinaldo Azevedo


NO DIA 16 DE AGOSTO de 2013, escrevi no meu blog um post cujo primeiro parágrafo dizia o seguinte: 

"No ano passado (portanto, em 2012), pelo menos 105 mil pessoas foram assassinadas no mundo por um único motivo: eram cristãs. O número foi anunciado pelo sociólogo Maximo Introvigne, coordenador do Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. E, como é sabido, isso não gerou indignação nem protestos, nada. Segundo a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 75% dos ataques motivados por intolerância religiosa têm como alvos os cristãos. Mundo afora, no entanto, o tema "quente", o tema da hora, – e não é diferente na imprensa brasileira, – é a chamada ‘islamofobia’(!)."


Pois é… Logo depois dos ataques facinorosos ocorridos em Paris, teve início o debate sobre a, – quem diria?, – “islamofobia”. E é evidente, não foi diferente nas terras brasileiras. Que coisa! Leandro Colon informa na Folha que duas igrejas protestantes brasileiras (presbiterianas) foram atacadas no Níger, Norte da África, em manifestações de protesto contra a publicação da charge de Maomé pelo “Charlie Hebdo”. Outras duas igrejas protestantes e uma escola, também comandadas por brasileiros, foram atacadas. As agressões aconteceram em Niamey, capital do país.

Dez cristãos já foram assassinados no Níger desde sexta-feira, e 20 templos foram depredados. “Estou em estado de choque. Moro aqui desde 2009; na África, há 14 anos, e nunca vi algo parecido. A relação com os muçulmanos sempre foi tranquila. Só pode ser coisa de satanás”, afirmou o pastor Roberto Gomes, da "igreja presbiteriana 'Viva'", com sede em Volta Redonda, Rio de Janeiro.

Satanás não tem nada a ver com isso. A ação é fruto de milícias islâmicas, que se espalham mundo afora e que respondem, reitero, pelo assassinato, a cada ano, de 100 mil cristãos. Critiquei aqui na semana passada a fala ambígua do papa Francisco sobre os ataques terroristas em Paris. Tanto eu estava certo que o próprio Vaticano veio a público para, mais uma vez, botar os devidos pingos nos is e esclarecer o que, afinal de contas, o Sumo Pontífice "quis dizer(...)".

A imprensa ocidental e (os homens à frente d)a própria Igreja Católica, como instituição, são omissas a respeito da perseguição a que são submetidos os cristãos mundo afora. Ora, o que presbiterianos, católicos e outras denominações cristãs têm a ver com as charges do “Charlie Hebdo”? Resposta: nada! Pelo contrário, também eles são alvos das críticas da publicação. A verdade é que as democracias ocidentais combatem uma “islamofobia” que não existe e são omissas a respeito de uma “cristofobia” que é real (e explicitamente observável).

Imaginem se 100 mil muçulmanos morressem todo ano, vítimas de milícias cristãs. O mundo talvez já estivesse em chamas! Como são apenas cristãos morrendo, ninguém dá bola.

A impostura já foi denunciada mundo afora pela ativista somali Ayaan Hirsi Ali, que hoje mora na Holanda. Em Darfur, Sudão. naquele país, estimam-se em 400 mil os mortos por milícias islâmicas desde 2003. Depois de aterrorizar a Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram agora ataca o norte de Camarões. Dezenas de pessoas foram assassinadas, e há pelo menos 80 sequestradas — 50 destas são crianças.

Mas, como já apontou Ayaan Hirsi Ali, os intelectuais europeus não se interessam pela morte de cristãos nem buscam combater a cristofobia (real). Estão ocupados demais com a tal “islamofobia” (imaginária).

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Reinaldo Azevedo – Revista Veja digital, disp. em:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cristofobia-que-mata-100-mil-cristaos-por-ano-ataca-quatro-igrejas-e-uma-escola-brasileiras-no-niger-e-o-que-dizem-os-tais-intelectuais-ora-nada/
Acesso 19/1/015
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A conversão de Urbano Medeiros


URBANO MEDEIROS partilha, em belas e inspiradoras palavras, algo do seu marcante processo de conversão à Igreja Católica:

"Cheguei até o Senhor Jesus com a ajuda de um livro que contava a vida de vários santos da Igreja Católica: Dom Bosco, São Domingo Sávio, São Francisco de Assis, que me marcou tanto, e quando terminei de o ler eu falei assim: 'Eu quero seguir esse caminho [santidade], porque esses homens eram de carne e sangue como eu sou e é possível trilhar esse caminho'. Então eu cheguei até o Senhor Jesus guiado pelo testemunho e pelo exemplo desses homens, que são setas indicando esse caminho maior, que é Jesus.

E a partir do momento em que eu fui tendo esse encontro com Jesus aos pés do sacrário, minha conversão foi diante da Eucaristia, eu tive muita dificuldade na questão da fé. Eu chegava aos pés do sacrário e dizia assim: 'Senhor, se Você existe, faça-me acreditar no Senhor'.

Eu derramei muitas lágrimas porque ali no Sacrário é a Presença viva de Jesus e ali Ele está vivíssimo. Minha adesão ao Cristianismo aconteceu aos pés do Sacrário, conversando com Jesus ali presente e sempre acompanhado pela doçura de Maria. Eu sinto uma presença muito grande de Maria em toda minha caminhada e, ao mesmo tempo em que eu fui crescendo na fé, foi brotando dentro de mim uma vontade muito grande de colocar esse dom, pelo qual eu não paguei nada a Deus para tê-lo, que é o dom musical a serviço das pessoas.

Que eu nunca use a música para explorar ninguém, que eu use a música em minha vida para ser o canal do bem, do belo, da alegria. E que, com minha música, eu possa direcionar vidas neste caminho de luz, que é o caminho de Deus."

Os escritos acima representam apenas um trecho transcrito do áudio que disponibilizamos abaixo; confira na íntegra como foi este processo de conversão e o despertar de Medeiros para a música:


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O Poder de Deus não está em liquidação


PARA NÓS, crentes em Cristo Jesus, Nosso Senhor, o milagre é uma realidade objetiva. Deus intervém, sim, de modos extraordinários neste mundo temporal, inclusive fisicamente. – Mas não o faz quando nós queremos ou determinamos. Absolutamente nenhum de nós, seres humanos, tem o poder ou a capacidade de garantir dia, hora e lugar em que Deus vai se manifestar miraculosamente. Pretender fazê-lo é brincar com Deus.

Como vemos nas imagens abaixo, porém, hoje há "pastor" marcando hora até para "milagre" contra queda de cabelo!







Jesus fez muitos milagres, mas se negou a realizá-los quando gente maldosa quis usá-los para seus próprios interesses. E o mesmo fizeram os seus apóstolos, que foram severos contra os aproveitadores da fé. Todo autêntico milagre pertence a Deus, e não pode ser concedido por meio de quem pensa que pode se aproveitar da fé de pessoas ingênuas. Os milagres são para quem realmente precisa deles e busca a Verdade, com pureza de coração e alma. Não é para falsos pregadores se exibirem em verdadeiros shows anunciados.

Infelizmente, em nossos dias, são muitos os pregadores que se exibem por meio do que chamam de "milagres", que geralmente se revelam falsos. O Cristo nos preveniu contra esse tipo de gente que brinca com profecias, visões, milagres e poderes, exibindo seus supostos dotes de taumaturgos, videntes e/ou exorcistas. – Hoje, com a liberalidade na concessão de canais e horários de TV, feita indiscriminadamente, a enganação cresceu muitíssimo. Nessas sessões de "milagres" com hora marcada, já se viram falsos profetas expulsando o demônio até de unha encravada(!)...

O fato é que temos agora muitos "pastores", "profetas", missionários e até "apóstolos" dizendo que viram o que não viram, que realizaram prodígios para os quais não existe nenhuma testemunha confiável, milagres que não foram milagres. Muitos anunciaram depressa demais seus "milagres" e apareceram muito facilmente na mídia como homens e mulheres "de poder". Ainda pior, há gente demais crendo neles, dizendo que sentiu o que não sentiu, que viu o que não viu, anunciando curas imaginárias (de sintomas de doenças que, uma vez passada a euforia inicial, logo retornam). Algum tempo depois, revela-se o engano e o embuste. Mas nos casos de fraude comprovados, os envolvidos nunca vêm a público para pedir desculpas; ao contrário, via de regra prosseguem enganando. Infelizmente, gente simples e desprevenida, que até parece que pede para ser enganada (seja por desespero, cobiça, mera curiosidade ou outro motivo), é material que nunca faltou neste mundo e que também não falta em nossos dias.

Milagres, profecias e revelações são coisas sérias. Cuidado com quem diz que "Deus lhe falou", que lhe curou, que lhe revelou alguma coisa. Fique atento. Mantenha-se em oração e fiel à Igreja de Cristo; procure orientação confiável, suplique o Auxílio sempre infalível de Nosso Senhor Jesus Cristo; não seja ingênuo, fuja à tentação de receber favores divinos especiais para a sua vida, mantenha a humildade. São numerosas matilhas de lobos vorazes a rondarem o rebanho do Senhor, e não cessam de se multiplicar.
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O Êxodo segundo Hollywood


O HOMEM MODERNO já não aceita mais sequer a possibilidade da existência de um verdadeiro milagre. Esta clara impressão é confirmada na vida contemporânea a todo momento, como é, por exemplo, por quem assiste ao filme "Êxodo": deuses e reis" (Ridley Scott).

Cristãos e judeus conhecem bem a história de Moisés e da libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, contada no segundo livro do Antigo Testamento, o Êxodo. Alegadamente, é ou deveria ser esta a história do filme, mas ali é contada a partir de uma visão completamente diferente, – algo que fica ainda mais evidente se comparamos a obra cinematográfica recente ao clássico “Os Dez Mandamentos” (1956), de Cecil B. DeMille.

Nas Sagradas Escrituras, Deus atrai a atenção de Moisés usando uma sarça ardente: “O Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo do meio de uma sarça, e Moisés via que a sarça ardia, sem se consumir” (Ex 3,2). Assim é que Moisés decide ir ver de perto esse fenômeno insólito; e Deus o chama, então, do meio da sarça em chamas e fala com ele, identificando-se como “o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó” (Ex 3,6).

Para começar, este Moisés apresentado pelo filme é muito mais um guerreiro (e extremamente arrogante, que desafia até o próprio Deus) do que um profeta: note-se que, até o fim da história, ele usa uma espada egípcia em lugar do tradicional cajado (símbolo de proteção e pastoreio), ao contrário do que dizem as narrativas bíblicas.

O Moisés do filme também não é atraído por uma sarça ardente, que na película aparece apenas como figuração de cena, um elemento secundário na cena em questão. Ele está buscando algumas cabras perdidas na montanha e é surpreendido por uma tempestade e um deslizamento de terra, que fazem com que bata a cabeça com força numa rocha e desmaie. Só então Moisés ouve a suposta "voz de Deus" (que lhe aparece na forma de um menino birrento), – ou o que seria Deus, embora a sequência claramente dê a entender que tudo não passou de alucinação. – Tanto assim que o ator Christian Bale (ex-Batman), que interpreta Moisés, declarou que, para ele, “Moisés era provavelmente um esquizofrênico”...

Na Bíblia, a primeira praga que cai sobre o Egito é a transformação da água do Nilo em sangue, anunciada antes por Moisés ao faraó: “Ferirei com a vara (...) a água do rio e ela se transformará em sangue (Ex 7,17). No filme, é uma multidão de crocodilos que de repente começa a se devorar(?), derramando sangue na água até que ficasse avermelhada (todo aquele imenso rio). – Uma (patética) tentativa de se tentar atribuir a um fenômeno supranatural uma explicação natural.

De igual modo, todas as outras pragas divinas aparecem como nada mais que consequências também naturais daquele fenômeno natural inicial, – contrariando diretamente o texto das Sagradas Escrituras, que dizem que cada praga foi previamente anunciada e apareceu como intervenção divina na História.

Mas Deus, em sua providência, não poderia ter feito uso de um fenômeno puramente natural para libertar o seu povo? Poderia, sim, mas não é isto que diz a Sagrada Escritura, nem a Tradição da Igreja. E, se assim fosse, qual a importância do milagre, da ação sobrenatural na história do Êxodo? Nenhuma?

A ação sobrenatural de Deus é sempre essencial, e o foi especialmente nos eventos descritos no livro do Êxodo. Segundo a Bíblia, foi Deus mesmo Quem endureceu o coração do faraó, para que não deixasse partir os hebreus, – para que assim o SENHOR multiplicasse seus “sinais e prodígios na terra do Egito” (Ex 7,3) e todos soubessem que Ele, e somente Ele, é Deus. Ninguém além de Deus poderia ter libertado o povo do jeito que a Bíblia conta. E era exatamente essa a intenção divina.

Deus quis dar-se a conhecer por meio de seus feitos prodigiosos e gloriosos. O Êxodo não é apenas a libertação do cativeiro do Egito, mas a libertação do cativeiro do Egito por meio do conhecimento de Deus. É isso, entre (muitas) outras coisas, que o filme falha fragorosamente em transmitir.

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