"Católico praticante" ?!


QUANDO, NUM encontro social, a conversa gira em torno de assuntos religiosos, é bem comum ver alguém declarar, com a maior naturalidade: “Sou católico não praticante”...

Interessante é que a maioria parece achar muito normal e lógica essa afirmação, que raramente é contestada. Dias depois, numa outra oportunidade, numa outra conversa, é possível que alguém volte a fazer a mesma afirmação, e todos continuam achando tudo muito normal e lógico. Entretanto, perguntamos nós, como poderia alguém “ser” e, ao mesmo tempo, não “praticar”? 

Essa ideia de que se pode acreditar na Igreja, – e mais além e mais importante, considerar-se membro desta Igreja, – sem colocar em prática a sua fé, infelizmente, é tão comum que já se tornou a mentalidade predominante em muitos ambientes.

A justificativa de tal comportamento varia de pessoa para pessoa: existem aqueles que deixaram de lado a prática religiosa devido à decepção com algum líder ou administrador de sua comunidade: talvez o padre tenha feito ou dito alguma coisa que aquela pessoa não gostou, e pronto: já é motivo para abandonar a Igreja de Jesus Cristo, a vida de oração comum, as práticas, o aprendizado, a convivência com os irmãos de fé, os Sacramentos, a Comunhão no Corpo do Senhor... Simplesmente viram as costas e vão-se embora, sem mais. 

Alguns outros, meio sem perceber, vão abandonando pouco a pouco a vida de fé: deixam de ir à Missa um dia, depois outro... Quando percebem, não estão  indo mais à igreja, nem aos domingos e dias de preceito. Depois, vão deixando de rezar com regularidade, deixando de ler a Bíblia Sagrada e, quando notam, já organizaram suas vidas de tal maneira que nelas não há mais espaço para Deus. Quando alguém pergunta sua religião, geralmente ainda se declaram católicos, mas realmente não se importam muito com isso.

Outros ainda possuem um conhecimento tão superficial de sua religião que, para eles, qualquer notícia ou acontecimento que não possam compreender já é motivo de escândalo: sem reflexão, sem pudor e sem amor, simplesmente renegam a fé. Quando alguém critica a Igreja, muitas vezes, essas pessoas ajudam a criticar, ao invés de tentarem defendê-la ou buscar a informação segura sobre a quele assunto específico. Lembram-se que existe a Igreja apenas em ocasiões específicas e esporádicas, como a celebração de um batizado, o casamento de algum parente ou a Missa de falecimento ou de sétimo dia de algum amigo querido. Para estes, é como se a Igreja fosse apenas um lugar para reuniões sociais, festivas ou tristes. É uma fé de aparência e nada mais.

Algumas pessoas também deixam a prática religiosa com o argumento de que não gostam de normas, ritos e cerimônias, que eles veem como elementos de uma religião ultrapassada, antiga e antiquada: preferem inventar a sua própria religião, para si mesmos, do “seu jeito”. Não querem saber de "dogmas", e gostam de dizê-lo, – embora, na realidade, não saibam exatamente o significado e o sentido dessa palavra... – Esquecem-se de que somos humanos, e não anjos elevados: os anjos não precisam de gestos, sinais e nem mesmo de palavras para se relacionar com Deus, pois são seres espirituais. Nós, ao contrário, precisamos destes recursos, ao menos como meios de comunicação.

†   †   †

A Fé nos torna participantes da Família de Deus e membros da Igreja, e é através dela que seguimos o Caminho da Salvação, que é Jesus Cristo. Nossa Família cristã, a Igreja do Senhor, tem uma história de dois milênios, riquíssimas tradições e belíssima Liturgia, que se refletem nas belas celebrações. Pode ser que algumas pessoas não as entendam, mas, antes de simplesmente ignorá-las, ou pior, criticá-las, seria mais inteligente procurar conhecê-las, entender as suas origens e significados e tentar conhecer os seus valores.

O principal, muitas vezes, é invisível aos olhos, mas se manifesta através do visível, do palpável, do sensível aos sentidos físicos. O próprio Cristo, mesmo sendo Deus, ao assumir natureza humana observou os ritos e respeitou as normas religiosas: foi batizado, passou noites em oração, foi ao Templo de Jerusalém, ia as sinagogas, lia as Escrituras...

É hipocrisia dizer que se tem fé e não demonstrá-la nos gestos, nas atitudes, nas posturas diante da vida, e também nas práticas religiosas. A fé e o modo de vida não vivem separados. A Bíblia é radical e diz, com toda a clareza, que a fé sem obras é morta (Tg 2,14-26).

Conta-se que certo empresário muito rico, mesmo sendo ateu, em viagem à Índia fez questão de ir conhecer Madre Teresa de Calcutá: ele tinha admiração pelo seu despojamento, coragem e obra. Chegando à casa das missionárias, onde Madre Teresa vivia, encontrou-a em meio a um mar de crianças miseráveis, muitas doentes, num quadro desolador. Viu uma velha senhora, que poderia estar descansando e aproveitando tranquilamente seus últimos anos de vida, sacrificando-se, literalmente, pelo bem do próximo.

Comovido, este homem aproximou-se e se apresentou, declarando sua admiração pela religiosa. Madre Teresa foi gentil, mas não deixou de fazer o seu trabalho. Os dois conversaram por alguns minutos, até que e o rico empresário, prestando atenção ao grande crucifixo pendurado ao pescoço de Madre Teresa, comentou: “Admiro muito o seu trabalho e o seu exemplo de vida, mesmo não acreditando neste símbolo que a senhora usa”.

Ouvindo isso, Madre Teresa respondeu: “Meu filho, tudo que eu sou e faço, todas as coisas pelas quais você me admira... É tudo por causa do que este símbolo representa. Se não fosse pela minha fé e amor a Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado, você nem saberia que eu existo!”...

Se você que lê este artigo tem uma "fé morna", que não se reflete concretamente na sua vida prática, lembre-se deste exemplo de Madre Teresa. É assim que os santos nos ajudam: talvez mais do que pedindo por nós a Deus, no Céu, pelo seu exemplo de vida.
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II Congresso Nacional de Ajuda à Mulher debaterá defesa da vida

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COM O TEMA “Defendendo a Vida”, o Centro de Ajuda a Mulher (CAM) promoverá, de 27 a 29 de março deste ano o seu Congresso Nacional, em Florianópolis (SC). O encontro contará com a presença do fundador do centro, Dr. Jorge Serrano, e da Diretora do CAM para a América Latina, Srª Maria Delgado. Membros do CAM no Brasil irão partilhar experiências sobre os trabalhos desenvolvidos no país. 

A proposta do congresso é também apresentar a missão do CAM às Dioceses que ainda não conhecem o seu trabalho, com o objetivo de colaborar na implantação da atividade.

As inscrições para o evento já estão disponíveis. Confira aqui.

O projeto busca identificar e auxiliar gestantes com intenção de abortar. Por meio de agentes, orienta as mulheres sobre os riscos dos procedimentos clandestinos para o aborto; oferece orientação pessoal, familiar e espiritual às gestantes que desejam manter a gravidez. São acompanhamentos individuais, com auxílio nas despesas, testes de gravidez, ultrassom, enxoval, etc. Em alguns casos, após o nascimentos do bebê, realizam ainda o encaminhamento às casas de acolhimento ou à adoção, além de acompanhamento médico e psicológico. 

Em 2014, foram salvas mais de 1300 vidas por meio dos serviços prestados pelo Projeto CAM. – Em 1989, tiveram início as atividades do CAM no México. No Brasil, o primeiro centro foi instalado na cidade de Jacareí (SP), sendo esta a sede nacional, responsável pelo encaminhamento das gestantes às unidades Pró Vida e de Amparo.

** Para saber como implantar o CAM, entre em contato com a diretora nacional, Olga Oliveira:
ambrasildirecaonacional@gmail.com
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Florista idosa pode perder tudo por não querer colaborar em "casamento gay"

Esta avó preferiu não participar, com seus arranjos, de uma cerimônia de
"casamento" gay, e está sendo duramente punida por isso

BARRONELLE STUTZMAN, uma florista de 70 anos de idade, do Estado de Washington, DC (EUA), é alvo de dois processos judiciais apenas por que não quis elaborar os arranjos para o “casamento” homossexual de um de seus clientes. Um juiz estadual determinou, no dia 8, que Stutzman deveria dar todo o apoio necessário a “casamentos” homossexuais, mesmo que isso seja contrário à sua fé cristã. 

Tanto o Estado de Washington quanto o par de homens, que se pretende um “casal”, exigem agora uma indenização que arruinará tanto o negócio quanto a vida pessoal da florista idosa. Tudo o que ela trabalhou para construir, incluindo sua casa, o negócio da família e suas economias, estão agora em risco. 

Stutzman está sendo assessorada juridicamente pela Aliança Defendendo a Liberdade (ADF). Seu advogado, Kristen Waggoner, comentou: “Leis que deveriam proibir a discriminação podem parecer boas, mas o governo as tem utilizado para ferir pessoas, – para força-las a se conformar, para silenciá-las e puni-las se elas se recusam a violar suas crenças religiosas”.

* * *

"O Fiel Católico" pergunta: a discriminação está proibida, e as vítimas protegidas por lei, nos EUA (como em diversos países  do mundo contemporâneo). Enquanto cristãos católicos, achamos que deve ser assim. Mas, o que é "discriminação"? Como é que a sociedade dos nossos tempos entende esta palavra? Em que casos se enquadra e como se caracteriza a discriminação? Discriminar homossexuais é crime, mas será que a discriminação contra os cristãos, ao mesmo tempo, está não só legalizada, como até patrocinada pelo Estado? Será um ato de justiça punir tão duramente uma amável vovó, por agir de acordo com a sua fé e sua consciência cristã?

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Fonte:
CNA, em
http://catholicnewsagency.com/news/grandmother-florist-may-lose-her-business-and-home-for-declining-gay-wedding-66410/
Acesso 24.2.015

** Saiba mais sobre o caso Barronelle Stutzman aqui (Alliance Defending Freedom)

*** Veja também: Pais são presos por não aceitarem 'ideologia de gênero'"

Sacerdotes católicos heróis no holocausto nazista

A notícia que reproduzimos abaixo (ACI Digital) traz algumas informações muito interessantes e especialmente úteis para a instrução daqueles que gostam de, irresponsavelmente, repetir certas teorias da conspiração absurdas sobre um suposto envolvimento entre a Igreja e o regime nazista.



POR OCASIÃO DOS 70 ANOS da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, foi publicado na França um livro que resgata o valor e o heroísmo dos sacerdotes católicos durante a Segunda Guerra Mundial, dos quais mais de 2500 foram enviados pelos nazistas ao campo de concentração de Dachau, local onde muitos deles morreram.

O livro, cujo título é “A Barraca dos Padres, Dachau, 1938-1945” ('La Baraque des Prêtres', editora Tallander, 2015), foi escrito pelo jornalista Guillaume Zeller, editor chefe da agência Direct Matin que ficou impressionado pela “dignidade assombrosa (dos sacerdotes), mantida apesar dos esforços das SS por desumanizar e degradar os prisioneiros” provenientes de todas as regiões da Europa: Alemanha, Áustria, Checoslováquia, Polônia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Itália.

Em declarações ao Le Figaro, o autor explicou que entre 1938 e 1945 foram deportados ao campo de extermínio 2579 padres, seminaristas e monges católicos, junto com outras 141 pessoas, entre os quais haviam também padres ortodoxos e alguns ministros protestantes. Destes, 1034 morreram, assassinados ou devido aos maus tratos extremos. – Neste sentido, Zeller afirmou que “o campo de Dachau continua sendo o maior cemitério de padres católicos no mundo”. Eles puderam preservar a sua humanidade graças à "armadura da fé".

O autor indicou que alguns dos sacerdotes, seminaristas e religiosos foram presos por causa de sua oposição ao programa hitleriano de eutanásia, outros por serem considerados parte das elites eslavas (poloneses), e outros por participarem na resistência francesa. Estes homens da Igreja, explica Zeller, “esforçaram-se em manter a virtude da fé, esperança e caridade. A oração, os Sacramentos e o apoio dado aos doentes e moribundos, a formação teológica e pastoral clandestina, a reconstrução da hierarquia eclesiástica foram para eles uma armadura que lhes permitiu preservar a própria humanidade”.

O autor destaca ainda que não faltaram histórias de heroísmo e santidade. Apesar da SS “tentar jogar os presos uns contra os outros”, os sacerdotes “não cederam a este mecanismo”. Entre 1944 e 1945 ocorreu uma epidemia de tifo que foi exterminando os internos. “Enquanto as SS e os chefes não entravam mais nas barracas contaminadas, dezenas de sacerdotes entravam voluntariamente, sabendo dos altíssimos riscos que corriam, para tratar e consolar os agonizantes. Muitos destes sacerdotes morreram”, relatou o jornalista.

Do mesmo modo, indicou que em Dachau também ocorreu a primeira, – e única na história da Igreja, - ordenação sacerdotal clandestina, de um seminarista alemão que estava prestes a morrer. O seminarista Karl Leisner recebeu o Sacramento dentro de uma barraca improvisada como capela pelo Bispo de Clermont-Ferrand (França), Dom Gabriel Piguet.

Por último, o autor destaca que por iniciativa de São João Paulo II e Bento XVI, o Papa Francisco beatificou 56 religiosos mortos em Dachau após aprovação do reconhecimento de virtudes heroicas dos mesmos.

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Fonte:
ACI Digital, em
http://acidigital.com/noticias/campo-de-concentracao-de-dachau-o-maior-cemiterio-de-sacerdotes-catolicos-30452/
Acesso 23/2/015
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A Santa Missa nos livra de uma multidão de males (Excelências da Santa Missa – X)

 
Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
ACREDITAI QUE, ALÉM dos favores que solicitamos na Santa Missa, nosso Boníssimo DEUS nos concede muitos outros sem que o peçamos. É o que ensina claramente São Jerônimo: Absque dúbio dat nobis Dominus quod in Missa petimus; et, quod magis est, saepe dat quaod non petimus. “Sem dúvida alguma, o SENHOR nos dá todas as graças que pedimos na Santa Missa, contanto que nos sejam de vantagem; mas, o que é mais admirável, muitas vezes nos dá o que não pedimos”.

Podemos dizer, por isso, que a Santa Missa é o Sol do gênero humano espalhando seus raios sobre os bons e sobre os maus, e alma não há tão pérfida sobre a Terra que, assistindo à Santa Missa, dela não aufira qualquer grande bem, e muitas vezes mesmo sem nele pensar ou pedi-lo.

Santo Antonino conta que um dia dois jovens libertinos passeavam numa floresta. Um deles havia assistido à Santa Missa e o outro não. Levantou-se subitamente furiosa tempestade, e no meio dos trovões e relâmpagos ouviram eles uma voz que clamava: “Mata! Mata!” No mesmo instante o raio esbraseou o ar e feriu aquele que não assistira à Santa Missa. O companheiro, apavorado, prosseguiu o caminho buscando um refúgio, quando ouviu novamente a mesma voz, que repetia. “Mata! Mata!” O pobre rapaz nada mais esperava senão a morte. Uma outra voz, porém, respondeu: “Não posso, pois ele assistiu à Santa Missa. A Santa Missa a que ele assistiu impede-me de feri-lo”.

Oh! Quantas vezes DEUS não vos livrou da morte, ou, pelo menos, de numerosos e graves perigos, graças às Santas Missas a que tiverdes assistido! Disso nos assegura São Gregório no quarto de seus Diálogos: "Per auditionem Missae homo liberatur a miltis malis at periculis", diz o santo Doutor. “Sim, é verdade que aquele que assiste devotamente à Santa Missa será preservado de muitos males e perigos, se bem que disto não se aperceba”.

Santo Agostinho chega a afirmar a preservação da morte súbita, o golpe mais terrível com que a Justiça Divina fere os pecadores. Qui! Missam devote audierit subitânea morte nom peribit. Eis, diz-nos este santo Bispo, uma garantia admirável para evitar a morte imprevista: assistir todos os dias à Santa Missa e com toda a devoção possível. Quem se munir de tão eficaz salvaguarda viverá sem temor dessa terrível desgraça.

Existe certa crença, por alguns atribuída a Santo Agostinho, de que durante o tempo em que se assiste à Santa Missa não se envelhece, mas a força e o vigor do fiel se ocupa saber se isto é ou não verdade, mas digo sem receio que, mesmo envelhecendo em idade, não se envelhece em malícia, pois, na expressão de São Gregório, uma pessoa que assiste com devoção à Santa Missa conserva sua alma no caminho reto: "Justus audiens Missam in via rectitudinis conservaturt". Cresce sempre em mérito e em graça, e faz na virtude novos progressos, que o tornam agradável a seu DEUS.

E muito mais, ajunta São Bernardo, se ganha assistindo a uma única Santa Missa (se considerar seu valor intrínseco), do que distribuindo a fortuna aos pobres e peregrinando a todos os santuários mais famosos da Terra. "Audiesn devote Missam aut celebrans multo magis meretur, quam si substantiam suam pauperibus, erogaret, et totam terram peregrinando transiret". Ó tesouro incalculável da Santa Missa! Compreendei bem esta verdade: podemos merecer mais assistindo ou celebrando uma só Santa Missa, se a considerarmos em si mesma e em todo o seu valor intrínseco, do que se distribuíssemos nossa fortuna aos pobres, e em seguida partíssemos a percorrer o Mundo como peregrinos, visitando com a maior das devoções os santuários de Jerusalém, Roma, Compostela, Loreto, etc.

São Tomás de Aquino, nos garante que na Santa Missa estão encerrados todos os frutos, todas as graças e todos os imensos tesouros tão abundantemente espalhados pelo Filho de DEUS sobre a Igreja, sua Esposa, no Sacrifício cruento da Cruz. "In qualibet Missa inventur omnis fructus et utilitas quam CHRISTUS in die parasceve operatus est in Cruce". Detende-vos aqui, um instante: fechai o livro, interrompei a leitura, e reuni todas estas vantagens, tão abundantes, que proporciona a Santa Missa. Ponderai-as bem em silêncio e, depois, dizei-me se tendes ainda dificuldade de crer que uma única Missa, considerada em si, e em relação a seu Preço e Valor intrínseco, tenha uma eficácia tão grande que baste, como ensinam os diversos doutores, para alcançar a salvação de todo o gênero humano.

Suponde que Nosso Senhor JESUS CRISTO não tivesse sido crucificado no Calvário e que, em lugar do Sacrifício cruento da Cruz, houvesse instituído somente a Santa Missa, com a ordem formal de não se celebrar senão uma sobre a Terra. Pois bem, admitindo esta suposição, sabei que essa única Missa, celebrada pelo sacerdote mais humilde do Mundo, teria sido mais que suficiente, considerado o seu valor intrínseco, para obter de DEUS a salvação de todos os homens. Sim, uma única Missa bastaria, no sentido que acabamos de explicar, para obter a conversão de todos os hereges e cismáticos, de todos os infiéis e de todos os maus cristãos; para fechar a porta do Inferno a todos os pecadores, e para esvaziar o Purgatório de todas as almas que lá se purificam. E nós, miseráveis, com nossa tibieza, nossa falta de devoção, e as escandalosas distrações com que assistimos à Santa Missa, quantas barreiras lhe opomos à ação e restringimos a eficácia de seu poder!

 Quisera subir ao cume das mais altas montanhas e de lá bradar com voz retumbante: Povo insensato, povo transviado, que fazeis? Por que não acorreis às Igrejas para aí assistir a todas as Santas Missas que puderdes? Por que não imitais os santos Anjos, que, no dizer de São Crisóstomo, descem do Céu em legiões, quando se celebra a Santa Missa, e se mantêm diante de nossos Altares, velando-se com as asas em sinal de profundo respeito? Esperam o momento bendito da Santa Missa a fim de, com mais sucesso, intercederem por nós, pois sabem muito bem que é essa a ocasião mais propícia para nos alcançarem as graças celestes. E vós! que confusão para vós terdes até agora pouco apreciado a Santa Missa; e mais, de ter tantas vezes profanado uma ação tão santa, sobretudo se for do número daqueles que se atrevem a dizer temerariamente: “Uma missa a mais, uma missa a menos, isto é ninharia!”.

** Ler o capítulo seguinte

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII, pp. 30-34.
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O pecado da avareza

EM CONTINUAÇÃO à nossa série de estudos sobre os pecados capitais (leia a introdução aqui), passamos agora ao estudo do pecado da avareza.



Todos nós, em algum momento de nossas vidas, nos rendemos a um dos pecados capitais, porque somos ainda fracos e imperfeitos, e assim seremos até o dia glorioso em que, se Nosso Senhor assim o quiser, entraremos definitivamente no Reino dos Céus. Isto não significa que devamos nos conformar e nos entregar ao pecado, mas sim que precisamos ter humildade e reconhecer as nossas fraquezas diante de Deus, para que possamos, aos poucos e todos os dias, superá-las.

Fazemos parte de uma sociedade para a qual quem mais possui parece valer mais do que aqueles que não têm acesso a muitos bens: os itens de consumo que se tornam símbolos de status social, as novidades tecnológicas cada vez mais impressionantes e que não param de surgir a todo instante, as belas roupas da moda, os prazeres e luxos que a modernidade oferece... Somos bombardeados a todo instante com propaganda, na TV, em publicações escritas, na internet... 

Nas ruas vemos enormes outdoors nos muros, nas fachadas, nas laterais do transporte coletivo. A mensagem implícita é sempre a mesma: comprar, possuir, ter... Ter é igual a ser. Então, trabalhe mais e mais, até que já não tenha mais tempo para nada, nem para a sua família; depois continue, até que não possa mais nem dormir o suficiente; pense apenas em como ganhar mais, e continue trabalhando sempre mais, para poder ganhar mais e ter mais, até adoecer e adquirir novos gastos com médicos, exames e medicamentos que o plano de saúde não cobre.

Em suma, o que a sociedade de consumo apregoa é que ser feliz é sinônimo de possuir. E se o nosso valor depende do nosso poder aquisitivo, todos querem a sua parte. É natural de todo ser humano o desejo de inclusão, de fazer parte do grupo, de ser aceito e respeitado. Assim, cada vez mais pessoas querem possuir tudo, e tudo de imediato. É tudo “para ontem”: a involução do ter assumiu o lugar da antes sonhada evolução do ser.

A partir desse triste panorama, as pessoas caem cada vez mais na tentação da avareza. Se vale mais o ter do que o ser, e para isso é preciso dinheiro, cada um faz tudo o que pode para consegui-lo, sem se preocupar com a ética. Sem pensar em Deus ou no bem do próximo.

A palavra avareza vem do latim avere. Segundo o Dicionário Aurélio, significa “excessivo e sórdido apego ao dinheiro; falta de generosidade e mesquinhez”. A avareza é o oposto da generosidade, do amor fraterno e do senso de fraternidade, solidariedade e companheirismo. O avarento é, antes de tudo, um egoísta. E a falta de generosidade gera muitas atitudes negativas: o apego aos bens materiais nos torna desumanos e inquietos, preocupados somente com nossas próprias necessidades, ocupados demais em acumular.

Atualmente a classe média e alta no Brasil, – um país ainda em desenvolvimento, – gasta bilhões em cuidados absolutamente supérfluos com cachorrinhos de estimação: existem terapias florais, banhos de ofurô, clínicas especializadas em massagens relaxantes e até psicólogos para cães... Enquanto isso, crianças pedem esmola e são violentadas, espancadas e mortas, ali mesmo, na esquina da sua rua. Ser avarento é, antes de tudo, ser egoísta, pensar somente em si e nos seus caprichos.

A avareza também está relacionada com a falsidade e a mentira, com a tentativa desonesta de enganar para lucrar. O lema de quem comete avareza é: “Quanto mais tenho, mais quero”. Jesus, porém, ensinou que o homem se engana ao se preocupar em acumular bens que não conseguirá levar para a vida eterna (Mt 12,26).

Nos ambientes de trabalho encontramos esse pecado em líderes e funcionários avarentos, que não se comunicam, não confiam em ninguém; são centralizadores e monopolizam informações: pensam que, se compartilharem o conhecimento, diminuirão suas chances de alcançar o sucesso profissional. Grande engano: o melhor líder é o líder que se faz respeitar, e para tanto é preciso compartilhar e saber jogar o "jogo do ganha-ganha". Pessoas que não compreendem isto não conseguem se comunicar nem trabalhar em equipe, não entendem as ideias alheias e não se expressam claramente, querendo deter as informações para si mesmas. A equipe perde a confiança no colega ou líder avarento.

O avarento se apega às coisas, e tem um grande medo de perder aquilo que possui. Sente necessidade de disfarçar seus conflitos internos através da busca dos bens materiais externos, mas nunca consegue suprir a sensação de carência, sentindo-se insatisfeito constantemente, buscando adquirir cada vez mais, acreditando que com a próxima conquista sentirá satisfação; – o que nunca acontece.

Em muitos casos, a escolha da profissão se baseia somente nesse critério, deixando-se de lado a vocação de cada um, e muitos se lançam a uma condição de eterna insatisfação, uma vida sem prazer, sem motivação, com o único objetivo de ganhar mais.

Muitos se casam não por amor, mas para se unir a alguém que possa prover seus desejos e satisfazer suas vaidades. Essa falta de consideração para consigo mesmo leva a uma busca incessante por coisas e objetos externos, pois essa pessoa acredita que dentro dela não há nada, só um imenso vazio, que só poderá ser preenchido por algo que venha de fora. Daí a necessidade de ostentação, a ilusão do sucesso diante do mundo, mas não dentro de si mesmo: fuga da amarga realidade.

Atualmente vemos pais, professores e parentes dando maus exemplos às crianças, dando a entender que o dinheiro compra tudo e todos. Com o passar do tempo, essa noção se aprofunda e é seguida inconscientemente. O indivíduo passa a acreditar que o amor, a atenção e a presença da família e dos amigos podem ser substituídos por roupas caras, carros, viagens... Essa substituição gera adultos que cometem não só o pecado capital da avareza, mas também os da soberba, do orgulho, da vaidade e da luxúria.


Vencer a avareza

Vencer a avareza é um exercício diário: o exercício de considerar e aprender a ver que tudo é palha diante do Reino de Deus e da Vida na Graça, – que é a verdadeira riqueza da alma. – É cultivar a capacidade de contemplar, a cada dia, em cada momento, a simplicidade de coração a exemplo de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso modelo maior, seu amor pelos pobres e mais humildes, e buscar imitá-lo. Toda a vida de Jesus foi voltada a fazer a Vontade do Pai, e a Vontade de Deus é Amor, que se traduz em humildade e desapego.

Aquele que possui, viva como se não possuísse, pois neste mundo nada nos pertence de fato: tudo nos foi dado por empréstimo. No devido tempo, teremos que prestar contas por tudo o que recebemos de nosso Pai Celestial. Manter isto em mente, todos os dias, em todos os momentos, no trabalho, na escola, no lar, em nossos momentos de lazer... É vencer o pecado da avareza. E se isso parecer difícil, prezado leitor, lembre-se de que a nossa frente está aquele que tudo pode em nossa fraqueza, e que nos anima: "Coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).


** Leia os outros artigos desta série


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Fontes e referência:
• Ref.: LADARIA, Luis F. História dos Dogmas II, O Homem e sua Salvação. Loyola: São Paulo, 1995, p. 152;
• ZAGO, Rosemeire. "Sete Pecados Capitais – Avareza", artigo disponível em
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/avareza.htm
Acesso 19/2/015.

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O heroísmo dos mártires cristãos e as misérias dos nossos tempos


Fonte: Antonio Socci – Tradução: "Dominus Est"

É PRECISO OLHAR para o rosto daqueles 21 jovens cristãos que, na Líbia, por não renegarem a Cristo sofreram o martírio, e que antes de serem degolados pelo ISIS, – segundo a leitura labial que foi feita, – pronunciaram continuamente o nome de Jesus. Como os antigos mártires.

O vídeo pode ser visto aqui. Honestamente, não aconselho a ninguém a assisti-lo, mas espero que, a todos que o façam, que as imagens pavorosas lhes sirvam para fazer entender que não podemos mais ficar parados, que precisamos tirar, nem que seja na marra, a Igreja desta crise que parece interminável, deste 'catolicismo light' que tem medo de dizer a verdade e que eleva o respeito humano mais alto que a proclamação do Evangelho.


O Nome de Jesus

O bispo destes mártires disse: “Aquele Nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana da maior parte dos bispos. São cristãos ousados, não uns imbecis como nós, católicos tíbios do Ocidente.

Eis aqui a verdadeira força: não é aquela dos que odeiam e matam os indefesos, até crianças, e crucifica quem tem uma fé diferente, violenta as mulheres, desfraldando a bandeira negra e escondendo o próprio rosto.

A verdadeira força é a dos indefesos que aceitam até mesmo o martírio para não renegarem a própria glória, isto é, a sua fé, para testemunharem a maravilha do “Belo Amor”, como diz uma antiga definição do Filho de Deus.

Um grande testemunho. Estes são os verdadeiros mártires: os cristãos. Não aqueles que massacram inocentes indefesos.

É esta a glória dos cristãos: seguir um Deus que salvou o mundo fazendo-se matar e não matando os outros, como fazem todos os déspotas, agitadores e ideólogos ou revolucionários deste mundo, que são aclamados nos livros de história.


A Lição

Uma grande lição para um Ocidente embriagado pelo “politicamente correto”, que, como um desastroso presidente da nação mais poderosa da Terra, Obama, se auto-impôs de nem sequer pronunciar a palavra “islã” e “muçulmanos” quando fala dos massacres destes meses, desde o Norte do Iraque até Paris e Líbia. Um Ocidente nihilista, que se envergonha de suas raízes cristãs e não perde nenhuma ocasião para as cobrir de desprezo.

É uma dolorosa lição, enfim, sobretudo para a Igreja. Para uma Igreja que não testemunha mais o fogo ardente da fé. Para a Igreja de Bergoglio que, enquanto existem homens e mulheres que dão a vida por Cristo, define como “uma solene besteira” o "proselitismo" da Igreja; para aquela Igreja de Bergoglio que, enquanto os cristãos são perseguidos e massacrados em todo o mundo muçulmano, faz um ato de adoração numa Mesquita, que parece se identificar com a ideologia obamaniana dominante, evitando cuidadosamente pronunciar a palavra “Islã”, a não ser para louvá-lo (por sua vez, o seu porta-voz em Buenos Aires atacou Bento XVI por causa de seu corretíssimo discurso em Ratisbona sobre o mesmo islã).

E sobretudo para um Papa que diz que a grande emergência atual da Igreja não é a fé, mas o meio-ambiente, e, depois, a acolhida aos novos tipos de "casal" e a Comunhão para os divorciados recasados. Parece com o filme de Benigni, onde se dizia que o verdadeiro, o grande problema de Palermo é… “o trânsito!”. É tanto assim que logo mais teremos a encíclica bergogliana sobre a ecologia e sobre as vantagens da coleta seletiva de lixo, ao invés de termos um grito de amor a Deus neste mundo sem fé e sem esperança. Teremos um apelo contra a erosão, ao invés da denúncia do ódio anticristão em todo o planeta (pelo resto, já sabemos que em sua Missa de entronização falou sobre o meio-ambiente, assim como no discurso à Expo, ao invés de falar de Cristo).

Esta nova Igreja comove os centros sociais, tipo Leoncavallo, mas não os cristãos que heroica e pacificamente lutam para testemunharem a salvação, sofrendo o desprezo e as acusações do mundo. Por que não se concede a púrpura, – sinal do martírio, – àqueles Bispos que, concreta e heroicamente, vivem com suas comunidades ameaçadas e verdadeiramente arriscam suas vidas junto com elas?


Salvar aqueles cristãos

Este é o caso do Bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo Bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra, explicando que se abriria a “Caixa de Pandora”, exatamente o que aconteceu depois. É uma tragédia pela qual devemos agradecer aos prêmios Nobel da Paz, Obama e Sarkozy.

E hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Mas, enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do ISIS, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte: “Vi tantas cabeças cortadas, – conta, – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será (…). Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo!”.

Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O Bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.

Eu queria propor uma coisa ao Papa. O Vaticano, também com a ajuda do governo italiano, poderia pedir um auxílio humanitário, uma operação relâmpago de socorro aos cristãos que ficaram lá com o seu Bispo. São apenas trezentos, e arriscam suas vidas pela fé. O Vaticano poderia hospedá-los e, depois, eles decidiriam se é o caso de voltar às Filipinas. A coisa é possível. Por que não fazê-la? Esta é a minha oração ao Papa Bergoglio: que salve do massacre toda uma comunidade cristã e o seu pastor.

Esta seria, realmente, uma coisa digna da Santa Sé. Não esse clima de caça às bruxas e de apuração, que desde alguns dias circula no stablishment Vaticano, contra aqueles “grandes cardeais” (Ratzinger) que, fiéis à Igreja, ousaram se opor a Kasper no Sínodo de outubro.

“Quando abriu o quinto Selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da Terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos”. (Ap 6, 9-11)


O Mito da "Minoria Radical" Muçulmana
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Significado e importância da Quaresma

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como simples serviço em algumas igrejas protestantes, como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a Quaresma a partir da segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas. Saiba mais sobre a Cerimônia das Cinzas na Igreja Católica, a única instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, lendo este artigo.



A CERIMÔNIA DE IMPOSIÇÃO das cinzas dá início a um período espiritual singularmente importante para todo cristão que busca se preparar para viver melhor e mais profundamente o Mistério Pascal, – que se reflete na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Este especial tempo litúrgico busca o cumprimento da exortação evangélica essencial: "Convertei-vos", imperativo proposto a todos os fiéis mediante as palavras do rito da Quarta-feira de Cinzas: "Convertei-vos e crede no Evangelho" e na expressão "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás", as quais recordam a inexorável finitude e a efêmera fragilidade da vida humana neste mundo, sujeita à morte.

A cerimônia das cinzas eleva o pensamento à Realidade eterna, Deus; Princípio e Fim, Alfa e Ômega de toda existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Valorização esta que implica uma consciência cada vez mais clara do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a Terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.

Sinônimo de "conversão", é também a palavra "penitência", como mudança de mentalidade; penitência como expressão de livre e positivo esforço no seguimento de Cristo.



Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa. Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma, estabelecendo-se os quarenta dias de jejum (afora os domingos), para imitar o jejum do Cristo no deserto.

Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitência pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou na Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (séc. VIII ao X), o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada com a imposição do cinzas nas cabeças de todos os membros da congregação.



Preparação

O Tempo Quaresmal é, então, principalmente o tempo de preparação para a Páscoa. – Um período privilegiado que leva o cristão a penetrar fundo no sentido de sua condição de filho de Deus, destinado a uma eternidade repleta de felicidade na Casa do Pai, pois foi resgatado pelo Sangue de Cristo.

A Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e termina no Sábado Santo ou de Aleluia, anterior ao Domingo de Páscoa: ao total são 46 dias, da quarta feira de cinzas ao sábado. Durante esses dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos dedicam-se à reflexão e à conversão espiritual, e se recolhem em oração e penitência, para lembrar não só os 40 dias no deserto como também os sofrimentos que Deus feito homem suportou por cada um de nós na cruz.

Quaresma é o tempo propício e oportuno para o cristão buscar a imersão na Misericórdia divina e se tornar, de fato, discípulo de Jesus. Para lembrar que temos obrigação, enquanto cristãos, de sermos misericordiosos com o nosso próximo. Oração, penitência, jejum e esmola são meios para se alcançar os objetivos da Quaresma. Não precisamos necessariamente multiplicar as nossas orações, mas sim rezar apaixonadamente a cada dia, participar nas Missas dominicais com especial atenção e dedicação, e coroar essas práticas com a Comunhão no Corpo e Sangue do Senhor.

Temos agora a maravilhosa oportunidade de participar das orações da Via Sacra, que nos ajudam a aguçar a consciência da Presença do Deus Conosco, todos os dias, a todo momento, este Deus Uno “no qual existimos, nos movemos e somos” (At 17,28).

Viver a quaresma também é buscar a oração em família e a leitura diária da Bíblia, ainda que de pequenos trechos. É fazer uma tranquila caminhada num parque, contemplando as maravilhas que Deus espalhou por toda parte, percebendo a beleza das árvores, o perfume das flores, o cântico dos pássaros, o que nos possibilita experimentar um notável bem-estar psicossomático: viver a Quaresma é estar atento às inspirações do Espírito Santo, que vem a cada um “com gemidos inexplicáveis” (Rm 8,26).

O jejum é prescrito para a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão, no espírito de penitência próprio da Quaresma: fome e sede do Deus Vivo. Ainda mais interessante é jejuar dos programas de TV que promovem a prostituição, o adultério e o homossexualismo. Muitos, depois, nem regressam mais às famigeradas novelas e reality shows que promovem a vulgarização da mulher, o sentimento de rivalidade entre os semelhantes, a falsidade, a mesquinharia, a egolatria. Jejum do medo, da ansiedade e do pânico característicos da falta de confiança no Ser Supremo, nosso Pai do Céu, que é maior do que tudo. Jejum da violência, seja nas palavras, nos gestos e atitudes, no cultivo da paciência e da mansidão, frutos do Amor divino.

A ascese, bem direcionada e com o propósito correto, é válida e útil: muitos aproveitam esta temporada de graças especiais para acertar o peso e entrar no ritmo de uma dieta saudável para o corpo e para a alma; – o que não é o fim nem a razão dessas práticas espirituais, mas sim uma consequência, um resultado secundário de se viver bem a vida cristã. – Alguns escolhem, como penitência, se privar das guloseimas, que só servem para satisfazer a gula, prejudicando a saúde e a boa forma. Os que abusam do álcool também podem se libertar do vício ou do consumo exagerado. O mesmo se diga do cigarro.

Uma resolução firme, nesta caminhada quaresmal, já significou para inúmeras pessoas o renascer para a perfeita liberdade.

Quaresma é época de uma maior fraternidade, na ajuda concreta aos pobres. É uma abertura para a vida dos semelhantes que passam privações; é tempo para lutar com mais força contra o aborto; época de conceder o perdão aos que nos ofenderam ou magoaram; de fazer o bem a todos sem “trombetear”. É tempo também de fazer uma boa confissão, de fazer um “pacto” com a própria língua, para não ferir a honra alheia, evitando críticas destrutivas; e para se resolver consigo mesmo, aumentar a autoestima e valorizar as próprias qualidades.

* * *

Quaresma é tempo de partilhar a fé com os que se acham perdidos em dúvidas que martirizam e confundem. Quaresma é tempo de rezar com amor e fé pela paz neste mundo conturbado, pelos que sofrem, pelos que ainda não encontraram o Caminho da Vida. Para cumprir o propósito da Quaresma, uma boa dica: examine a sua consciência ao final de cada dia. Coloque-se diante de Deus e diga: “Nisto eu errei; aquilo poderia ter feito diferente, melhor. Amanhã vou melhorar, com a vossa Graça”.

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Ref.s:
• KELLY, Francis D. Reflexões para as festas litúrgicas, São Paulo: Ave-Maria, 2015.
• 'Reflexões sobre a Quaresma', Catequese Católica, disp. em:
catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/quaresma/ind.htm
Acesso 17/2/015.
• CARVALHO. 
Côn. José Geraldo Vidigal, Apostolado 'Veritatis Splendor': 'Santificar-se na Quaresma',
disp. em: 
http://veritatis.com.br/article/4770,
Acesso 17/2/015.

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Época de mudanças ou mudança de época? – Igreja e Sociedade na Campanha da Fraternidade 2015


Por Evaristo de Miranda

NESTE INÍCIO do século XXI, a sociedade brasileira não vive uma época de mudanças, como a que marcou as décadas de 60 e 70 e o final do século passado. Vivemos sim, uma mudança de época. Quais as características marcantes dessa mudança na sociedade? Como estão hoje as relações entre a Igreja e a sociedade? Esse será o foco da Campanha da Fraternidade 2015.

Sobre essa questão, um primeiro indicador está na religião praticada pelos brasileiros. A cada ano, uma parte significativa da sociedade abandona a Igreja Católica, mesmo se permanece (confessionalmente) cristã. O último censo do IBGE apontou que a Igreja teve uma redução da ordem de 1,7 milhão de fiéis (12,2%) em dez anos. Pela primeira vez, em 500 anos, o número de católicos caiu em termos absolutos. Com essa tendência, em 25 anos, católicos e “evangélicos” terão números iguais na população. – Igualdade e até inferioridade numérica que já é vivida pela Igreja Católica em várias cidades e periferias urbanas.

Esse fenômeno ocorre em toda a América Latina, mas em nenhum país com a intensidade observada no Brasil. Em 1970, 91,8% dos brasileiros eram católicos. Em 2010, eram 64,6%. Os “evangélicos” passaram de 5,2% da população para 22,2% (e, convenhamos, pelo barulho que fazem, parece que são em número bem maior). Além disso, a proporção de católicos é maior em pessoas com idade superior a 40 anos. Os “evangélicos” têm sua maior proporção entre crianças e adolescentes, o que indica também o envelhecimento da população católica (e o fatal crescimento da população dita ‘evangélica’).

Como a proporção dos que se confessam cristãos se mantém a mesma na sociedade (86,8%), há uma clara migração social de católicos para correntes “evangélicas”. O povo não se tornou ateu, em deixou a fé em Cristo. O divórcio é com a Igreja romana.

A Igreja fez uma "opção preferencial pelos pobres"; estes, pelas igrejas “evangélicas”.

Qual a responsabilidade da Igreja frente a esse processo? Este aspecto se reveste de uma forte dimensão quaresmal. Os católicos encontram essa mudança religiosa no seu cotidiano e acostumaram-se à pluralidade religiosa resultante de um trabalho feito na comunidade e nas famílias. Mesmo quando ela se traduz por atitudes agressivas em relação à Igreja. Onde está o teu irmão (, pergunta o SENHOR em Gn 4,9)? Como está o irmão que deixou a Igreja? O que essa mudança trouxe para a sua vida? O que ele encontrou de crescimento e realização pessoal ou familiar nessa mudança? Ninguém responde. Poucos sabem.

A hemorragia de fiéis é cotidiana. Mesmo assim, não há nem mobilização institucional visível face à retração social da Igreja, nem engajamento claro na busca de resultados efetivos para reverter tal situação e seus processos. E o rebanho segue diminuindo.

Os católicos podem ficar indiferentes a esse processo? A quê estará reduzida a Igreja Católica daqui mais 50 anos? Todas essas transformações no relacionamento Igreja-Sociedade suscitam muitas interrogações. (...) O processo de abandono da Igreja e de envelhecimento dos fiéis prossegue e tende a acelerar-se.

O fermento de justiça e fraternidade que tantos documentos episcopais reivindicaram como essenciais na ação da Igreja na sociedade não tem sido capaz de fazer crescer a massa católica. – Haverá para a Igreja na Campanha da Fraternidade 2015 um tema mais relevante a ser debatido do que o declínio do número dos que aderem à fé católica?

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Fonte:

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, Semanário “O São Paulo” nº 3038, ano 60, p. 2.
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Estado laico não é Estado ateu

Reproduzimos abaixo o brilhante artigo do Dr. Ives Gandra da Silva Martins para a sessão "Tendência/Debates" da Folha de São Paulo.


NO "CONSULTOR JURÍDICO", leio artigo de Lenio Streck, eminente constitucionalista gaúcho. Ele, até com certa ironia e um misto de humor britânico e local, destrói todos os argumentos da pretensão de membro do Ministério Público que impôs ao Banco Central o prazo de 20 dias para retirar das cédulas do real a expressão "Deus seja louvado" (nov/2012).

Concordo com todos seus argumentos. Lembro que o referido procurador deveria também sugerir aos constituintes derivados, que são todos os parlamentares brasileiros (513 deputados e 81 senadores), que retirassem do preâmbulo da Constituição a expressão "nós, os representantes do povo brasileiro, sob a proteção de Deus, promulgamos esta Constituição".

Creio, todavia, que por ser preâmbulo da lei suprema, é imodificável. Terá o probo representante do parquet (Ministério Público) de suportar a referência ao SENHOR.

Aliás, é bom lembrar que, sob a proteção de Deus, a Constituição promulgada permitiu que, pelos artigos 127 a 132, tivesse o Ministério Público as relevantes funções que recebeu e que ensejaram ao digno procurador ingressar com a ação anticlerical.

Tem-se confundido Estado laico com Estado ateu. Estado laico é aquele em que as instituições religiosas e políticas estão separadas, mas não é um Estado em que só quem não tem religião tem o direito de se manifestar. Não é um Estado em que qualquer manifestação religiosa deva ser combatida, para não ferir suscetibilidades de quem não acredita em Deus.

Há algum tempo, a Folha publicou pesquisa mostrando que a esmagadora maioria da população brasileira, mesmo daquela que não tem religião, diz acreditar em Deus, sendo muito pequeno o número dos que negam sua existência.

Na concepção dos que entendem que num Estado laico, sinônimo para eles de Estado ateu, só os que não acreditam no Criador é que podem definir as regras de convivência, proibindo qualquer manifestação contrária ao seu ateísmo ou agnosticismo. Isso seria uma autêntica ditadura da minoria contra a vontade da esmagadora maioria da população.

Deveria, inclusive, por coerência, o procurador mencionado pedir a supressão de todos os feriados religiosos, a partir do maior deles, o Natal. Deveria pedir a mudança de todos os nomes de cidades que têm santos como patronos e destruir todos os símbolos que lembrassem qualquer invocação religiosa, como uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Cristo Redentor, para não criar constrangimentos à minoria que não acredita em Deus.

A moeda padrão do mundo, que é o dólar, tem como inscrição "In God We Trust". O que me preocupa nesta onda do "politicamente correto" é a revisão que se pretende fazer de todo o passado de nossa civilização, desde livros de Monteiro Lobato às Epístolas de São Paulo, – não ficando imunes filósofos como Aristóteles, Platão ou Sócrates, que elogiavam uma democracia elitista servida por escravos.

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IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 79, advogado, é professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra

Os dois tipos de memória dos pecados passados


A OBRA "TEOLOGIA Espiritual", (Spirtitual Theology, T&T Clark publishers) do Pe. Jordan Aumann, OP, em muitos dos seus trechos pode surpreender a muitos. Ao tratar sobre a purificação da memória, as palavras dele são as seguintes:

"Esqueça os pecados do passado. Este é o primeiro passo, e é absolutamente indispensável para todos os que aspiram a salvação eterna. A lembrança dos seus próprios pecados ou dos pecados do outro tem um forte poder de sugerir à alma novamente as mesmas coisas, levando a uma nova tentação e novamente ao pecado, especialmente se uma imaginação vívida está associada com a lembrança. A alma deve rejeitar imediatamente e energicamente qualquer recordação deste tipo."

Para esclarecer, essa purificação da memória não é uma negação ingênua de que você pecou, – como se os seus pecados nunca tivessem acontecido, – mas é, isto sim, uma recusa do filho de Deus em voltar a chafurdar na vergonha ou no falso prazer dos pecados cometidos. Tais lembranças podem levar, por um lado, à tentação de pecar novamente, ou, por outro, ao escrúpulo exagerado e ao desespero.

A vida de S. Paulo Apóstolo exemplifica essa purificação da memória. Ele admite plenamente que perseguiu os cristãos antes de sua conversão, mas não carrega a bagagem inútil de sua culpa. É a Misericórdia de Deus que permeia a sua memória, pois ele se sente plenamente perdoado. Assim, ele escreve a Timóteo:

"Eu era um blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância. E a Graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo. Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro. Se encontrei misericórdia, foi para que em mim primeiro Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade e eu servisse de exemplo para todos os que, a seguir, nEle crerem, para a vida eterna. Ao Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, honra e glória pelos séculos dos séculos! Amém!" (1Tm 1,13-17)

Santa Catarina de Sena ecoa esta purificação da memória em seu Diálogo, na maneira como registra a Mensagem de Deus Pai:

"Eu não quero [a alma] para que pense sobre os seus pecados, em geral ou especificamente, sem concentrar a atenção no Sangue [de Cristo] e na grandeza da minha Misericórdia. Assim ela só será confundida. Porque, se o auto-conhecimento e o pensamento do pecado não são temperados com a lembrança do Sangue e a esperança na Misericórdia, o resultado tende a ser confusão."

Assim, podemos distinguir dois tipos de memória do pecado. Um, encharcado na Misericórdia de Deus, produz humildade e vigilância contra novos pecados, ou seja, a virtude da penitência. Outro provoca prazer ou vergonha, e deve ser evitado como ocasião de cair novamente em pecado.

Essa distinção depende do indivíduo: a lembrança de um pecado de impureza, por exemplo, vai renovar o crescimento do homem casto em virtude da penitência, mas vai tentar o homem impuro para novos pecados. Assim, a purificação da memória está correlacionada com o crescimento em virtude.

Santa Teresa de Lisieux (Sta. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face) canta a consumação desta purificação da memória em seu poema, "Vivre d'Amour!". Sua sexta estrofe diz:

 "Viver em amor é banir todo o medo, | toda lembrança das faltas do passado. | Vejo nenhuma marca de meus pecados. | No momento em que o Amor a tudo queimou... | Chama Divina, é o Dulcíssimo, me chama! | Faço a minha casa em seu Lar. | Em seu Fogo eu canto alegremente: | 'Eu vivo do Amor ...!'"

Teresa sofreu e lutou com as memórias dos seus pecados, mas agora ela é totalmente arrebatada pela Misericórdia de Deus! A estrofe acima retrata o tremendo poder da Misericórdia divina, evocando o Livro de Daniel, quando o rei Nabucodonosor ordena que Sadraque, Mesaque e Abed-Nego sejam amarrados e lançados em uma fornalha acesa à temperatura sete vezes maior que a habitual .

Para Teresa, essa fornalha ardente é uma imagem da Misericórdia de Deus. Assim como o calor, nessa passagem bíblica, incinera os carrascos, Deus aniquila a força mortal do pecado, e, assim como os três jovens, ela anda no meio das chamas, leve e solta dos pesos que carregava, cantando louvores ao seu Libertador, livre dos grilhões do escrúpulo. Ainda mais, Nabucodonosor viu um quarto companheiro entre os jovens, semelhante a um "Filho de Deus". Esta é também a nossa razão para a purificação da memória: para que possamos viver e saborear a Intimidade de Deus.

O Papa João Paulo II desenvolveu ainda mais esta razão, em uma homilia no Dia Mundial da Juventude em Toronto (Canadá, 2002); perto do fim, ele corajosamente declara:

"Nós não somos a soma de nossas fraquezas e falhas; somos a soma do Amor do Pai por nós e nossa capacidade real de nos tornarmos a imagem do seu Filho."

Embora, infelizmente, nossos pecados tenham por algum tempo nos moldado, eles não nos definem. O Amor do Pai não deixa muito espaço para que voltemos a chafurdar em qualquer complexo de culpa. Este Amor, somado ao nosso sincero desejo de fidelidade, muda a forma como entramos no confessionário. Nós não estamos nos aproximando um juiz frio, mas do Pai, o Abba (Papai) do Céu, que vigia o retorno de suas amadas crianças, esperando para correr para fora e as abraçar, como na Parábola do Filho Pródigo. Ele acena não com a condenação, mas sim com a restauração da nossa dignidade de filhos, alegrando-se com todo o Céu sobre a ovelha perdida que voltou ao redil!

E isso também muda a forma como saímos do confessionário. Lembre-se de São Paulo: a Misericórdia de Deus não se limitou a endireitar seus erros e mandá-lo de volta para casa, mas fez dele um dos maiores Apóstolos, o Apóstolo para as nações. Assim, também nós, deixemos o confessionário como santos de Deus, vivendo a partir de agora na Fornalha do seu Amor, cantando suas misericórdias e colocando o mundo ao nosso redor em chamas com este mesmo santo Amor!


"Vivre d'Amour!" ('Viver no Amor')
Sta. Teresa de Lisieux
Poesia de Santa Teresa de Lisieux
Música: Pe. Naji Khalil OMM
do álbum "le Bientot" (2006)

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Referência:

Adaptado do artigo do Pe. Joseph Martin Hagan, O.P., "Furnace of Mercy" ('Fornalha de Misericórdia'), blog "Dominicana", disponível em
http://dominicanablog.com/2013/11/06/furnace-of-mercy/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+dominicanablog%2Fuxdv+(Dominicana)
Acesso 6/11/014.
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A ditadura militar no Brasil: a verdade sufocada

A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", movimento de protesto anticomunista e de apoio à intervenção militar, realizado em 19 de março de 1964, teve amplo apoio da população

TODO BRASILEIRO tem ou deveria ter o direito de saber a verdade dos fatos que não vem sendo ensinada nas escolas – Fato é que o regime militar que tivemos no Brasil foi bem menos ruim do que aquilo que poderia ter acontecido se o país tivesse caído nas mãos dos grupos comunistas organizados, que à época preparavam, – estes sim, – um golpe.

** Baixar o livro "A Verdade Sufocada", de Carlos Alberto Brilhante Ustra, em PDF

Resumidamente o que ocorreu, da parte dos militares, foi na verdade um contragolpe, apoiado pela maioria da população brasileira. Trata-se de uma realidade muito simples e inegável, que nossos pais ou avós conhecem bem, mas que tem sido cuidadosamente oculta e sistematicamente mascarada por jornalistas e, especialmente, pelos nossos professores, que são em sua esmagadora maioria simpáticos aos ideais socialistas.

Sim, o que houve em 1964 foi uma reação (urgente) à tentativa de implantação de uma ditadura comunista/socialista (dita 'do proletariado') no Brasil. Não é coincidência que o nosso governo esquerdista de hoje, juntamente com todo o nosso sistema educacional (que está entre os piores do mundo), completamente dominado pelo famigerado marxismo cultural, que sorrateiramente acabou por tomar conta do nosso modo de pensar e entender a realidade (aprenda a respeito aqui), estejam fazendo esforços desesperados para reescrever a história e punir os militares que tinham por objetivo combater a guerrilha armada esquerdista nos anos 1960.

Por que ninguém diz que os generais da tão criticada e combatida ditadura morreram pobres? Por que ninguém comenta que à época da ditadura o nosso país era bem mais seguro do que é nos dias atuais, com os atuais mais de 50 mil homicídios por ano? Por que não se diz que só foram perseguidos aqueles que praticavam crimes e, em muitos casos, como é o da presidente Dilma, assaltos à mão armada e até atos terroristas que chegaram a ceifar vidas inocentes? – Se você não ouviu falar a respeito (o que é bem provável), saiba mais lendo os artigos listados abaixo:

• "O assalto que Dilma ajudou a planejar";

• "Dilma, o documento que ela diz ser falso e o 'crime de organização'”;

• "Dilma Roussef e as organizações terroristas nas quais militou";

• "Ex-marido de Dilma conta como roubaram 2 milhões e seiscentos mil dólares";

• "Todas as pessoas mortas por terroristas de esquerda";

• "Todas as pessoas mortas por terroristas de esquerda -2";

• "Todas as pessoas mortas por terroristas de esquerda -3";

• "Todas as pessoas mortas por terroristas de esquerda -4".


Sim... Não é coincidência que a infame "Comissão da Verdade" tenha este nome altamente romântico e justiceiro. Não é coincidência que esta mesma comissão não admita historiadores ou opositores das ideias comunistas. Não é coincidência que nosso atual governo esteja sistematicamente, aos poucos, enfraquecendo e sufocando as forças armadas. Não é coincidência que terroristas do passado estejam no poder e na política hoje em dia. Não foi coincidência a população ter pedido por uma intervenção militar nos anos 1960.

Tudo é parte de um planejamento: para quem estuda o assunto, toda a questão é clara como água, mas para aqueles que não se preocupam em conhecer a realidade mais a fundo (infelizmente a maioria esmagadora dos brasileiros) esses fatos podem parecer surpreendentes ou até inacreditáveis. Enfim, nossa busca deve ser sempre pela verdade, seja ela boa ou ruim, favorável ou não à nossa opinião. A busca pela verdade não se ocupa de agradar ninguém, apenas em conhecer o que muitos não querem que seja conhecido.

Sim, é verdade que, depois de certo tempo, a situação se complicou, a população se indignou e lutou contra o regime militar, que se tornara ditatorial e intolerável. Porém, ao contrário dos diversos grupos comunistas armados e treinados que atuavam à época, o povo brasileiro pedia era por democracia. Já os marxistas lutavam com armas e bombas para implantar uma outra ditadura no Brasil, a saber, o mesmo regime pelo qual milita hoje o Foro de São Paulo: o deplorável e falido socialismo marxista.

Não é sem razão que já se comparou comunismo à micose de unha: quando se pensa que o mal está debelado, ele reaparece e volta a crescer. Enquanto houver ódio, inveja, preguiça e indolência no mundo, o retorno do comunismo será um perigo em potencial.

A "Comissão da Verdade" é uma das maiores farsas judiciais já praticadas no Brasil: condena apenas um único lado; é comandada por agentes esquerdistas declarados; entre seus membros estão juízes e uma psicóloga que nada entendem de História. – Alardeiam-se, à exaustão, os crimes da ditadura brasileira, mas por que não se investigam também os muitíssimos crimes cometidos pelos terroristas socialistas antes e depois da ditadura? Como visto, as guerrilhas comunistas não surgiram para combater a ditadura militar em prol da democracia. Longe disso.

A guerrilha comunista no Brasil começou no ano de 1961 e foi acobertada por João Goulart, que, em crime de alta traição, procurava deixar nosso país à mercê do comunismo. O próprio Fernando Gabeira, que lutou ao lado dos grupos terroristas de esquerda na época, reconheceu a simples verdade que não nos ensinam na escola: admitiu que o objetivo da luta armada esquerdista não era lutar contra os militares pela democracia, mas sim lutar contra eles para instaurar um regime semelhante ao de Cuba no Brasil.


Nos protestos de 2013, os "Black Blocs" (ou 'idiotas úteis') ostentavam abertamente o emblema comunista, enquanto jornalistas militantes chegaram a afirmar que se tratavam de radicais de direita(!). Assim agem os "cumpanhêros" fomentadores do marxismo cultural: confundindo as mentes, negando as realidades mais evidentes. Tudo em prol do objetivo final: a implantação do regime ditatorial do Partido Único.

Após a anistia política, ao final da década de 1970, os integrantes da esquerda se infiltraram em massa nos meios culturais e acadêmicos, passando a atuar dando aulas nas escolas, produzindo novelas, programas e minisséries de TV, pintando para a geração de hoje uma mitologia calculadamente inventada (e invertida) para favorecer uma ideologia bem definida, ao invés de ensinar a história factual.

Cidadão e estudante do Brasil, estude seriamente antes de tirar conclusões a respeito de assuntos políticos. Procure conhecer o que realmente aconteceu na história de nosso país. Procure compreender o que é o marxismo cultural e de que forma você está sendo envolvido nesse sistema. Aproveite a lista abaixo para expandir os seus conhecimentos.


** Abaixo, alguns links para documentários, depoimentos, artigos e estudos, em vídeo e por escrito, com boas dicas para aprender a respeito dos assuntos citados neste artigo, de modo crítico e diverso do que reza a cartilha marxista do governo atual. Bons estudos!



1. "O Contragolpe 1964 - A Verdade Sufocada" (Documentário, Gobar Filmes), assista em:

2. "Reparação" (Documentário, Terra Nova Filmes), assista em:
http://youtube.com/watch?v=1OLG9NtXSAY

3. Gal. Leônidas Pires Gonçalves fala sobre o regime militar (Entrevista concedida ao canal Globo News), assista em:
https://youtube.com/watch?v=ZhPTwO6CXps

4. "Guerrilha Comunista no Brasil" (artigo de Félix Meier), leia em:

5. "O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro" (artigo de Denise Rollemberg), leia em:
http://historia.uff.br/artigos/rollemberg_apoio.pdf

6. Olavo de Carvalho e a declaração de Dilma Roussef sobre a ditadura (vídeo), assista em:
https://youtube.com/watch?v=_FvLc9Zzkh0

7. "A Guerrilha Já Existia Antes de 64" (audio de Olavo de Carvalho), ouça em:

8. "Nós Queríamos Implantar o Comunismo no Brasil - A Ditadura do Proletariado" (entrevista com Fernando Gabeira), assista em:
https://youtube.com/watch?v=8VtXhnxWHC0

9. "Brasileiros Sofrem Lavagem Cerebral Há Mais de 40 Anos" (apresentação do canal "Conspirações Comprovadas"), assista em:
https://youtube.com/watch?v=PyDmPFyytBE

10. "A Farsa da 'Imprensa Alternativa' Durante o Regime Militar" (trecho do programa semanal 'True Outspeak', com Olavo de Carvalho), assista em:
http://youtube.com/watch?v=m7rcyo_Ks3E

11. Cadernos da edição de "O Globo" de 18 de janeiro de 1964:
http://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData=196019640118C&edicao=Matutina

12. "Derrubando a História Oficial de 1964" (artigo de Olavo de Carvalho), leia em:
http://midiasemmascara.org/arquivos/10973-derrubando-a-historia-oficial-de-1964.html

13. "Resumo do que penso sobre 1964" (artigo de Olavo de Carvalho), leia em:
http://olavodecarvalho.org/textos/resumo_1964.htm

14. "Direito à Verdade - O passado Oculto de Dilma" (minidocumentário do canal 'Direito à Verdade'), assista em:
https://youtube.com/watch?v=xWnTEM5grH0


16. Arquivos Abertos da Ditadura (artigo-trecho do livro 'Projeto Orvil'), leia em:
http://averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=737&Itemid=78

17. Artigos diversos no website - "A Verdade Sufocada", leia em:
http://averdadesufocada.com/

18. O ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves presta um longo depoimento ao programa "Memória Política", assista em:
https://youtube.com/watch?v=tA55FbOY0hU

19. "Monopólio e Choradeira" (artigo de Olavo de Carvalho), leia em:
http://midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/14484-monopolio-e-choradeira.html

20. "A Falsidade da Comissão da 'Verdade' e os erros do regime militar" (trecho do programa semanal 'True Outspeak', com Olavo de Carvalho), assista em:
http://youtube.com/watch?v=7jlT7F-vWto

21. Entrevista sobre o Livro: "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que você saiba" (depoimento do Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra em vídeo), assista em:
http://youtube.com/watch?v=FvQnh_wH0qI (parte 1)

22. "Relembrando 1964" (artigo de Luis Afonso Assumpção), leia em:
http://midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/10971-relembrando-1964.html

23. "O grande Erro dos Militares" (trecho do programa semanal 'True Outspeak', com Olavo de Carvalho), assista em:
http://youtube.com/watch?v=pfRb3GGKlbE

24. "A Exumação de Jango: em vez de pensar em 2064, país se volta para 1964. Vamos aplaudir um século de atraso!" (artigo de Reinaldo Azevedo), leia em:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/1964/

25. "Revolução e Marxismo Cultural" (série antológica de palestras do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr.), assista em:
http://padrepauloricardo.org/cursos/revolucao-e-marxismo-cultural
www.ofielcatolico.com.br

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