São Damião de Molokai: vida, obra e exemplo de fé inabalável

NASCIDO EM FLANDRES, Bélgica, Damião cedo desejou a vida religiosa, tendo se radicado no Havaí onde, cumprindo a missão que lhe fora designada, exerceu frutífero ministério em uma colônia de leprosos, mesmo sabendo que viver lá significaria inevitavelmente tornar-se também um deles.

"Adeus, mamãe! Até o Céu!": foram estas as palavras de despedida do jovem religioso Damião (Damian) de Veuster, ao aproveitar um transporte que inesperadamente surgiu no caminho que trilhava a pé após uma peregrinação ao santuário mariano de Montaigu, acompanhado justamente de sua mãe e de uma cunhada. Era o início de sua viagem sem retorno para o longínquo então Reino do Havaí.

Quem deveria ir para o Havaí em missão religiosa era seu irmão mais velho, Panfílio, que o precedeu ingressando na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e Adoração ao Santíssimo Sacramento do Altar. A viagem de Panfílio fora cancelada por motivo de doença, e assim Damião, que almejava ser missionário, aproveitou-se do imprevisto e pediu ao superior que o permitisse partir como substituto.


Infância e adolescência

O jovem Damião envergando o hábito religioso

Seu nome de nascença era Jozef (carinhosamente reduzido, na intimidade, para 'Jef'), nascido aos 3 de janeiro de 1840 em Tremelo, região flamenga da Bélgica. Batizado no mesmo dia em que nasceu, era o penúltimo de uma série de oito filhos do casal Jan Frans e Catherine, que trabalhavam na área rural. A feliz família, – da qual alguns membros demonstraram vocação religiosa, – guardava respeitosamente os domingos e dias santos, nos quais nem mesmo a costura era permitida: Missa pela manhã, vésperas à tarde, e também descanso e recolhimento. Às refeições, a oração era conduzida pela mãe zelosa, em latim.

A vocação religiosa pouco a pouco desabrochava no pequeno "Jef". Certa vez, ele e seus irmãos, Paulina e Augusto, resolveram passar um dia inteiro em oração e penitência na solidão de um bosque. Foi na adolescência, porém, que o chamado tornou-se cada vez mais forte, apesar da vontade contrária dos pais, a quem chegou a dizer: "Deixem-me entrar no convento, ou Deus os castigará!".


Recebe o hábito da Congregação dos Sagrados Corações

Aos dezoito anos, a vocação religiosa já estava profundamente enraizada na sua alma. Em janeiro de 1859, acompanhando o pai em uma visita a seu irmão Augusto (já ingresso na Congregação dos Sagrados Corações), em Louvain, foi deixado por algumas horas no convento enquanto o Sr. Franz tratava de outros assuntos na cidade; quando este retornou à casa religiosa para buscá-lo, Jozef pediu para ficar, pois isso evitaria a dor das despedidas no lar. A permissão foi então dada pelo pai, que já entendia que o ingresso do filho à vida religiosa seria inevitável. Em menos de dois meses, recebeu o hábito religioso, passando a chamar-se Damião, iniciando assim o noviciado.

No ambiente religioso, surgiu em Damião a vocação para missionário, e passou ele a rezar diariamente nessa intenção junto à figura de São Francisco Xavier, apóstolo da Índia, pintada em uma janela. Posteriormente, quando ordenado presbítero, passou a usar as palavras "sacerdote missionário" após sua assinatura, hábito que manteve por toda a vida, pois era assim que se definia.


Protagonista de um simbólico funeral

Findo o noviciado, chega o momento dos votos solenes e perpétuos de pobreza, castidade e obediência. A cerimônia deu-se em 7 de outubro de 1860, na casa principal da Congregação, em Paris. Após as palavras do superior, Damião renunciou a qualquer propriedade pessoal, à constituição de família carnal e aos seus destinos. Teve então estendido sobre si um tecido mortuário sustentado por quatro religiosos professos, enquanto outros quatro portavam velas acesas caracterizando aquele momento como um enterro: era cantado o hino fúnebre Miserere, feita a aspersão do "defunto" com água benta, enquanto em voz baixa era recitado o Pai Nosso e outras preces, ao fim das quais sua "morte" simbólica foi selada, e em seguida o alegre e solene hino de ação de graças Te Deum.


Sacerdote missionário no longínquo Oriente

Ao contrário do irmão mais velho, Damião não tinha inicialmente esperança de se tornar sacerdote: seus estudos secundários se reduziam a poucos meses, e só lhe sobravam duas opções: irmão converso e irmão de coro. Os irmãos conversos podiam partir em missões, sendo geralmente destinados a construções de capelas ou residências para os missionários, e os irmãos de coro atuavam como encarregados da capela e da sacristia do convento, e por vezes ajudavam em algumas atividades nas escolas da congregação. Mas os superiores perceberam que Damião se destacava intelectualmente, e assim lhe permitiram preparar-se para o sacerdócio, tendo cursado um ano de Filosofia, latim, grego e francês em Paris; depois foi enviado de volta a Louvain, na Bélgica, para estudar Teologia, o que fez por dois anos.

A dor pela doença que acometeu seu irmão Panfílio, destinado inicialmente a ser missionário no Havaí, logo se transformou para Damião em alegria, pois teve resposta afirmativa ao pedido de permissão para substituí-lo na viagem que não conheceria retorno: após cinco meses singrando os mares, desembarcou o jovem religioso em Honolulu, capital do que então era um reino.

A viagem marítima encerrou-se no dia da festividade de São José (19 de março de 1864). No Havaí, após breve passagem pelo subdiaconato e diaconato, Damião foi ordenado presbítero aos 21 de maio do mesmo ano, na Catedral de Nossa Senhora da Paz. "Como eu tremia ao subir pela primeira vez ao Altar", escreveu o próprio ao superior geral da Congregação:

Como estava emocionado meu coração ao dizer pela primeira vez ao Verbo que descesse às minhas mãos; que afetos então sobrenaturais e diferentes para mim ali se formavam ao distribuir, em minha primeira Missa, o Pão da Vida a 150 ou 200 pessoas, das quais muitas provavelmente se haviam inclinado frequentemente ante seus antigos ídolos e que agora, totalmente vestidas de branco, se aproximavam com tanta modéstia e respeito à Santa Mesa."1


Ministério sacerdotal

Iniciou-se então a vida de sacerdote missionário para Damião, sob as ordens de seu superior religioso e do vigário apostólico (Pe. Modesto Favens e Mons. Louis-Desiré Maigret, respectivamente). Poucos dias após ser ordenado, o Pe. Damião foi enviado à Ilha Grande do arquipélago, onde passou a exercer seu ministério. As distâncias que tinha de percorrer eram muito grandes, o que o levou a enfrentar dificuldades para a Confissão frequente. Incansavelmente, ano após ano, construía capelas, além de distribuir os Sacramentos, ensinar nas escolas, cuidar de doentes, pregar ao povo, e assim anunciar o Evangelho.

Aos 4 de maio de 1873, em meio a outros irmãos, o vigário apostólico Mons. Maigret, bispo, pediu voluntários para se revezarem dando assistência aos leprosos na ilha de Molokai: alguns se apresentaram, sendo o Pe. Damião o escolhido para ser o primeiro, de uma alternância que não ocorreu, pois o encargo tornou-se definitivo. 


Leprosário insular

A lepra (hanseníase) surgira no Reino do Havaí em 1840, como consequência da imigração, sendo naquela época incurável e muito contagiosa. O isolamento era a única solução encontrada pelas autoridades para a terrível enfermidade que continuava a desafiar a medicina. Os leprosos, – várias centenas deles, – eram confinados na ilha de Molokai, a quinta em extensão territorial do arquipélago, mais precisamente em uma península envolvida pelo oceano e isolada do restante do território por uma barreira montanhosa. Os enfermos que ali moravam podiam ser acompanhados por parentes, mas isso era uma exceção, pois em sua maior parte eram abandonados e rejeitados. Havia medidas governamentais para apoio aos que ali estavam confinados, como a construção de um pequeno hospital, alimentos, algumas roupas e a visita eventual de um médico, mas tudo era rudimentar e muito aquém das necessidades básicas. Os óbitos eram frequentes (um a dois por dia) e o próprio Pe. Damião deu o exemplo, sepultando os cadáveres que por vezes não tinham o privilégio de gozar dessa atitude de respeito aos mortos.

Os habitantes dividam-se em dois povoados: Kalawao e Kalaupapa. As moradias eram em geral muito precárias, por vezes feitas com pedras ou vegetais, com cobertura de folhas. A promiscuidade entre os pobres leprosos imperava, sem distinção de idade ou sexo. Não se podia falar propriamente em higiene, pois a água era obtida de fontes longínquas, conduzida em toscos recipientes transportados nas mãos. Os maus odores exalados das feridas e dos dejetos eram especialmente nauseantes, sendo mesmo insuportáveis para um recém-chegado: Pe. Damião chegou a deslocar-se rapidamente para fora de certos ambientes e assim evitar ocorrências mais desagradáveis que não poderia controlar, como se pode perceber nesse registro: "Mais de uma vez, cumprindo junto a eles meus deveres sacerdotais, me vi forçado não somente a tampar as narinas mas inclusive correr para fora a fim de respirar ar puro". Escreveria ele, posteriormente, que o cachimbo que passou a usar atenuava em seu organismo os efeitos de tais emanações, pois o odor do tabaco, ao impregnar suas roupas, atuava como uma fragância que dissimulava as impregnações infectas.

Ao superior geral da congregação, o Pe. Damião escreveu em agosto de 1873:

Eis-me aqui, reverendíssimo padre, em meio a meus queridos leprosos. São muito hediondos de se ver, porém têm uma alma resgatada pelo preço do Sangue adorável de nosso divino Salvador. Ele também, em Seu divino amor, consolou os leprosos. Se eu não os posso curar como Ele, ao menos os posso consolar, e pelo santo ministério que Sua bondade me confiou espero que muitos entre eles, purificados da lepra da alma, apresentem-se ao Seu Tribunal em estado de entrar na sociedade dos bem-aventurados."

Diz também:

Acabo de fazer um pedido à Sua Grandeza [o bispo] para ampliar a capela. O odor infecto que emana de seus corpos e de suas feridas exigiria uma igreja grande para tornar o culto menos penoso. Algumas vezes me era difícil resistir durante a santa Missa e no sermão. É como o ‘já cheira mal' de São Lázaro. Enfim: Nosso Senhor suportou isso, e eu também o posso. Oxalá pudesse conseguir, por esse sacrifício, a ressurreição espiritual dos que, entre eles, ainda não saíram da tumba do pecado para viver a vida de graça que o bom Deus a eles oferece todos os dias."


Padre Damião entre os leprosos da colônia de Molokai

Mãos à obra

Diversas capelas foram construídas por iniciativa do Pe. Damião, tendo ele constituído um coro e uma banda de música, que passaram a atuar convenientemente nas Missas, nas procissões e nos funerais, e até mesmo nas recepções aos visitantes mais ilustres. Procurava demonstrar benquerença para com todos, participando de suas refeições, compartilhando seu cachimbo com outros homens, brincando com as crianças. Além disso, todos eram bem-vindos em sua casa. Mesmo antes de contrair a doença, algo que esperava serenamente, Pe. Damião se inseriu entre eles, pois ao dirigir a palavra aos que ouviam suas homilias dizia: "Nós, leprosos", mesmo sem ter a certeza de que um dia tal expressão se tornaria real.

Em poucos anos, o Pe. Damião fez florescer uma autêntica comunidade, bem oposta ao que encontrou quando chegou àquele verdadeiro "cemitério vivo": os moradores constituíam, quando ele ali aportou, uma verdadeira selva humana. Nas palavras do santo, extraídas de um relatório escrito em 1886:

À chegada dos novos leprosos, os antigos se apressavam a incutir neles a falsa máxima de que ‘neste lugar já não há lei'. Durante muito tempo me vi obrigado a combatê-la, vendo que se aplicava o mesmo às leis humanas e às divinas. Em consequência dessa teoria ímpia, a maioria dos solteiros, e dos casados que estavam separados de seus cônjuges pela lepra, viviam amontoados sem distinção de sexo. Muitas mulheres eram obrigadas a prostituir-se para conseguir amigos que as ajudassem durante sua doença. As crianças, quando fortes, eram empregadas como serventes. E quando a lepra havia progredido, tais mulheres e crianças eram expulsas de casa para buscar abrigo em qualquer lugar. Não era raro encontrá-las atrás de uma cerca esperando que a chegada da morte viesse pôr fim aos seus sofrimentos, ou que uma mão compassiva ou contratada os transportasse ao hospital. (...) Como muitos leprosos morriam, meu dever sacerdotal me oferecia amiúde a ocasião de visitá-los em suas cabanas e, ainda que minhas exortações se dirigissem principalmente aos moribundos, balançavam frequentemente as orelhas dos pecadores públicos, os quais pouco a pouco tomaram conhecimento das consequências de suas más condutas e começavam a se arrepender. A esperança do perdão de um Salvador misericordioso começava a reforma de sua má vida (...). Um meio dos mais eficazes para destruir a imoralidade tem sido a permissão para casar-se, dada aos leprosos não impedidos por um Matrimônio anterior (...). Uma grande bondade para com todos, um terno amor para com os necessitados, uma doce compaixão para com os doentes e moribundos, juntamente com uma sólida pregação a meus ouvintes, esse tem sido o procedimento constante do qual me tenho servido para introduzir os bons costumes entre os leprosos."

Sofrimentos

Um sofrimento que particularmente atormentou o Pe. Damião foi a dificuldade para se fazer a confissão frequente. Nos cinco primeiros anos, o isolamento da colônia de leprosos era total, por ordem do governo. Por ocasião de uma visita do superior provincial, o Pe. Modesto Favens, este foi impedido de desembarcar, limitando-se a se inclinar sobre a amurada do navio para ouvir as acusações de um rigoroso penitente que se aproximara em uma canoa, feitas em voz alta por estar proibido de subir a bordo a fim de evitar contágio.

Anos se passaram em meio a frutífero apostolado, mas o sacrifício foi aceito: a hanseníase tomou pouco a pouco o robusto organismo de Pe. Damião. Manchas foram surgindo na pele, tumorações foram se desenvolvendo em várias partes do corpo, a sensibilidade começou a desaparecer, mas naquela época o diagnóstico médico não era tão fácil e rápido como nos dias atuais. A certeza surgiu em janeiro de 1885 quando, após uma fatigante caminhada para o exercício do ministério, pôs o pé em uma vasilha contendo água escaldante pensando ser morna, e não sentiu incômodo algum: perdera a sensibilidade térmica, o que indicava estar leproso. Aos familiares, diz: "Trato de levar minha cruz com alegria, como Nosso Senhor Jesus Cristo".

Ao Pe. Léonor Fuesnel, então seu superior provincial, o Pe. Damião faz um pedido: "Pois bem, meu reverendo padre, já não tenho dúvidas, sou leproso; que o Bom Deus seja bendito! Não tenha muita pena de mim, pois estou perfeitamente resignado com minha sorte. Não peço mais que uma graça: suplicai a nosso Muito Reverendo Padre que envie algum [sacerdote] que possa uma vez ao mês descer até nossa tumba para confessar-me e, no restante do tempo, ocupar-se das capelas do outro lado da ilha, onde não há doentes".

Em uma carta dirigida a um escritor que visitara aquela colônia de leprosos, o Pe. Damião escreveu em outubro de 1885:

Desde o mês de março passado meu correligionário, o Pe. Alberto, deixou Molokai e o arquipélago para regressar a Tahiti. Desde então sou o único sacerdote em Molokai e tenho a fama de estar atacado eu próprio pela terrível doença. Os micróbios da lepra se instalaram finalmente na minha perna esquerda e na orelha. Minhas pálpebras começam a cair. Me é impossível viajar a Honolulu, pois a lepra se faz visível. Logo minha figura ficará deteriorada, suponho. Estando certo de que a doença é real, permaneço tranqüilo e resignado, e até sou mais feliz entre as pessoas aqui. O bom Deus sabe o que é melhor para minha santificação, e nesta convicção digo todos os dias um bom 'Fiat voluntuas tua' [seja feita a tua vontade]. Tenha a bondade de rezar por este seu amigo provado e recomendar-me, assim como aos meus desventurados leprosos, a todos os servidores de Deus."

A Eucaristia, seu Alimento

Pe. Damião era um entusiasta da sagrada Eucaristia. Afinal, a Adoração Eucarística fazia parte do espírito da congregação em que ingressara, e nas viagens pelas regiões entregues a seus cuidados ele lamentava não ter, por vezes, o Santíssimo Sacramento para junto a Ele apresentar suas preces, suas confidências, seus anseios. Em carta de maio de 1886 ao Pe. Alberto Montiton, seu grande amigo que se transferira de Molokai para Thaiti, se lê:

A terrível doença, cujo começo conheceis, faz progressos espantosos e ameaça impedir-me, talvez logo, de celebrar a Santa Missa e, não tendo outro sacerdote, eu me veria privado da santa Comunhão e do santo Sacramento. Tal privação é a que mais me custará e que tornará insuportável minha situação. Não é a doença e os sofrimentos o que me desencoraja; longe disso. Até aqui me sinto feliz e contente e, se me fosse dada a oportunidade de sair daqui em boa saúde, diria sem titubear: fico com meus leprosos."


Distinguido pelas autoridades

Apesar dos vários meses em que permanecera em uma verdadeira prisão, – pois esteve preso pela sagrada obediência, – pôde o Pe. Damião experimentar algum consolo: foi-lhe permitida a viagem a Honolulu sem cometer desobediência ou incorrer em censuras. Pelo contrário, recebeu a visita do próprio Rei do Havaí, Kalakaua I, de seu primeiro ministro Walter M. Gibson, e do bispo Mons. Bernard Hermann Koeckemann.

Em setembro de 1881 a princesa havaiana Lydia Liliuokalani havia visitado os leprosos em Molokai, e ficou tão comovida com a miserável situação em que se encontravam imersos associada à extrema dedicação do sacerdote missionário que não conseguiu pronunciar o discurso que havia preparado, cujo texto tinha às mãos. Retornando a Honolulu solicitou que o esforçado padre fosse investido como Comandante Cavaleiro da Real Ordem de de Kalakaua, honraria que a ele foi então concedida pelo soberano reinante em reconhecimento aos seus "esforços no alívio dos sofrimentos e na mitigação das dores dos infelizes", sendo humildemente aceita e considerada como uma atenção dada aos seus leprosos. A insígnia era uma medalha com a Cruz da Real Ordem de Kalakaua. Anos depois, em meio aos sofrimentos finais de sua enfermidade, o Pe. Damião exclamou: "O Senhor me condecorou com sua cruz particular: a lepra".


Pe. Damião já deformado pela lepra (hanseníase), à época uma moléstia terrível e incurável: verdadeira sentença de morte lenta e degradante


Trabalhando até ser abatido pela doença

Apesar da progressão implacável da doença, padre Damião não esmoreceu: ao contrário, continuou a ministrar os Sacramentos, a visitar os enfermos, a consolar os sofredores e, principalmente, a pregar o Evangelho. Aos 19 de março de 1889, completou 25 anos de ordenação presbiteral, porém no dia 28 do mesmo mês tombou, afinal, qual valoroso guerreiro de Cristo que sempre fora, prostrado em seu leito para não mais deixá-lo. Seu estado de saúde já era grave por demais.

Confessou-se ao Pe. Wendelin Moellers, que o assistiu, o qual, ele próprio, em seguida confessou-se ao santo homem que ali jazia, e juntos ambos renovaram seus votos religiosos. Este mesmo sacerdote foi encarregado pelo Pe. Damião de dizer ao superior geral que seu "mais doce consolo nesses momentos era morrer membro da Congregação dos Sagrados Corações". Em 15 de abril de 1889, após quase 16 anos entre os leprosos de Molokai e tendo-se tornado um deles, Pe. Damião partiu para a eternidade.

Contava apenas 49 anos, mas a aparência lhe atribuía idade muito superior. Foi sepultado no cemitério da comunidade em que vivia, mas em 1936 os seus restos mortais retornaram à Bélgica, sendo postos em um jazigo na igreja dos Sagrados Corações, em Louvain. Por ocasião da beatificação (feita por João Paulo II em 1995) os ossos de sua mão direita, – que tão bravamente e tanto batizou, ungiu, consagrou, abençoou, – retornaram ao Havaí.


Honrado, distinguido e venerado por católicos e não católicos

A veneração e o respeito pelo Pe. Damião de Molokai não se restringem à Igreja Católica: diversas confissões não católicas viram nele altíssimas qualidades, e ainda em vida ele foi distinguido com a admiração e o apoio (inclusive financeiro) advindos de agremiações não alinhadas com as convicções pelas quais o sacerdote missionário viveu e morreu. Uma detalhada carta aberta foi dirigida pelo escritor Robert Louis Stevenson a um ministro da religião por ele seguida, em firme e fundamentada defesa da memória do recém falecido Pe. Damião, vítima de críticas destrutivas que visavam a Santa Igreja através de seu dedicado servo.


São Damião de Molokai prestes a morrer para este mundo, aos 49 anos, totalmente debilitado pela doença contraída voluntariamente, por amor

Declarou à ocasião o grande líder espiritual e político indiano "Mahatma" Ghandi: "Se a assistência aos leprosos é tão cara ao coração dos missionários católicos, deve-se ao fato de que nenhuma obra exige, como ela, um espírito de sacrifício. Ela exige o mais elevado ideal, a mais perfeita abnegação. O mundo político e jornalístico não tem heróis os quais possa glorificar e que sejam comparáveis ao Pe. Damião de Molokai. A Igreja tem, entre os seus, milhares de pessoas que, como ele, sacrificaram sua vida em serviço dos leprosos. Valeria a pena pesquisar em qual fonte um tal heroísmo se alimenta".

Na presença do rei Alberto II da Bélgica e de sua esposa, a rainha Paola Ruffo de Calábria, o Santo Padre Bento XVI canonizou o Pe. Damião de Molokai, "Apóstolo dos Leprosos", aos 11 de outubro de 2009, quando passou a ser chamado São Damião de Molokai. Foi grande a alegria dos irmãos e irmãs da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento do Altar espalhados pelo mundo.

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1. As citações literais deste artigo foram retiradas das fontes listadas abaixo:
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Notas bibliográficas:
BRION, Édouard. Le Père Damien de Molokai, apôtre des lépreux (versão chilena em espanhol intitulada 'El Camino de Damián', traduzida pelo Pe. Fabián Pérez del Valle SS.CC.), Santiago do Chile, maio de 2000
COURONNE, Bernard; LERENARD, André; MALRIEU, Montgeron. La canonisation du Père Damien de Veuster, website da Congregação dos Sagrados Corações (www.ssccpicpus.com)
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Ref.:
SAINT AMANT, Alejandro Javier. 'São Damião de Molokai, um pastor que deu a vida por suas ovelhas', disp. em:

rautos.org/artigo/9546/Sao-Damiao-de-Molokai--um-pastor-que-deu-a-vida-por-suas-ovelhas.html
Acesso 29/3/016

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Padre libanês fala sobre o Estado Islâmico, a perseguição aos cristãos e as relações entre cristãos no Oriente Médio


Por Igor Andrade – Assoc. São Próspero e Movimento Somar para Vencer

PADRE SOUHAIL DIB ISSA, 44, sacerdote libanês e de família síria, ordenado na Síria aos 25 anos de idade, falou a Igor Andrade, – membro da Associação São Próspero, – sobre o panorama do cristianismo no Oriente Médio e os conflitos com os muçulmanos. É sempre útil e aconselhável que nos informemos a respeito de fatos tão complexos tendo como ponto de partida o testemunho de quem que viveu (e indiretamente ainda vive) estas realidades a partir de dentro, como experiência de vida, mais do que por meio de pesquisas e/ou estudos.


Em Poucas palavras, qual a história do cristianismo no Oriente Médio? Como era, como mudou e como está agora?

O cristianismo no Oriente Médio foi fundado pelo próprio Senhor Jesus Cristo e seus Santos Apóstolos, que começarem a pregar em Jerusalém e em todo o território da Síria (cf. At 11). O cristianismo crescia, com prodígios e sinais, até o século VII. Foi quando o dito "estado islâmico" (EI) invadiu o Oriente médio matando milhares de cristãos. Apenas os que declararam fé no Islã foram salvos da morte e transformados contra os cristãos que sobraram, graças a lei do imposto pago ao EI. Agora, os cristãos são muito poucos, lutando para sobreviver.


Como é a relação entre os cristãos e os muçulmanos?

Na verdade há dois tipos de muçulmanos. Há os fanáticos que nos consideram infiéis e perseguem os cristãos, e uma segunda parte, de "moderados", que consideram os cristãos cidadãos de segundo grau.


O Sr. acha, a partir do que viu e viveu lá, que as perseguições sofridas pelos cristãos são por motivo religioso?

Sim. O motivo é cem por cento religioso.


O 'estado islâmico', localizado em Síria e Iraque, não cessa de inovar nos requintes de crueldade dos seus métodos. Recentemente, divulgou um vídeo que mostra quatro prisioneiros acusados de espionagem (um idoso) acorrentados e sendo lentamente queimados vivos


Há muitos cristãos que vivem, por causa da guerra, no exílio?

Se calcularmos as pessoas de todos os países árabes, como Palestina, Líbano, Síria, Jordânia, Iraque, Egito... São quase 20 milhões de cristãos exilados(!).


Há unidade entre católicos e ortodoxos na região?

Sim, com certeza. O que os une, primeiro, é o Cristo e Nossa Senhora, depois o fato de ser país árabe, a mesma cultura, mesmas tradições...

Pe. Souhail diz que no Oriente Médio a divisão entre cristãos católicos e ortodoxos não é tão "forte" como no Brasil, especialmente para o povo, que tem laços muito fortes de famílias mistas, que não veem problemas em participar da Liturgia ou de celebrações de casamentos em uma e outra Igreja; são frequentes também os casamentos mistos (entre católicos e ortodoxos) onde um padre católico vai à celebração ortodoxa e abençoa, ou um padre ortodoxo vai à celebração católica e participa desta. A exceção fica por conta da Comunhão: quando um católico vai a uma celebração ortodoxa, participa de tudo, mas não comunga; da mesma maneira fazem os ortodoxos.


Como está a fé deles? Na atual situação, o senhor acha que “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”?

Sim, porque a igreja foi construída sobre a fé dos primeiros mártires a partir dos santos Apóstolos, que morreram mártires. Essa foi sempre a fé da igreja.


Uma reação armada por parte dos cristãos seria uma alternativa para poupar vidas?

Com certeza, se nós cremos no Corpo místico de Jesus e que nós somos os membros deste Corpo santo. Se a sua mão está ferida, afeta todo o seu corpo, e o sangue derramado desta mão é o sangue do corpo todo.


A comunidade internacional faz pouco caso do genocídio dos cristãos?

Sim, faz pouco caso. (...) Ajudam aos muçulmanos mais do que aos cristãos perseguidos1. Aqui no Brasil o governo abriu a porta dos refugiados da Síria e vieram muitas famílias cristãs, mas o governo brasileiro não tem capacidade de mantê-los materialmente; nisso, até agora, nós não notamos nenhuma ajuda para essas famílias da parte de igreja.

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1. Dentro desta mesma realidade, vemos por aqui diversas declarações da parte de nossos políticos, – especialmente os de ideologia esquerdista, supostamente muito preocupados em proteger as minorias, – contra a 'islamofobia', isto é, o preconceito contra muçulmanos, mas não se toca no assunto dos milhões de cristãos (homens, mulheres, idosos e crianças) que estão sendo cruelmente torturados, assassinados e perseguidos, sendo obrigados a abandonar suas casas e municípios para escapar da barbárie.
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Vivência da Semana Santa, o Tríduo Pascal e o ápice do Ano Litúrgico, a Páscoa da Ressurreição


Por Felipe Marques – Assoc. São Próspero e Movimento Somar para Vencer

A LITURGIA É TODO culto público da Igreja, dado a Deus. A Liturgia é a forma que Deus escolheu para agir na História (perpetuar na História o Mistério da salvação) desde Pentecostes até a Parusia (fim do tempo da Igreja e fim da História). Estas definições estão carregadas de significado, principalmente neste tempo oportuno de conversão que é a Semana Santa, tempo propício para a volta para Deus. 

Muitas pessoas encaram a Liturgia católica como se esta se resumisse à santa Missa. O centro da vida litúrgica é, sim, o Sacrifício de Cristo, e é da Eucaristia que todos os dons nos são dados. Isso acontece justamente para que possamos viver a Santa Missa no dia a dia, como ensina a Sacrosanctum Concilium, no seu parágrafo 2:
A Liturgia, pela qual, especialmente no Sacrifício Eucarístico, 'se opera o fruto da nossa Redenção', contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o Mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos. A Liturgia, ao mesmo tempo que edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em morada de Deus no Espírito, até à medida da idade da plenitude de Cristo, robustece de modo admirável as suas energias para pregar Cristo e mostra a Igreja aos que estão fora, como sinal erguido entre as nações, para reunir à sua sombra os filhos de Deus dispersos, até que haja um só rebanho e um só Pastor.¹

Pode-se notar que a Liturgia é parte integrante da vida do católico, com a participação em todos os Sacramentos da Igreja e também na vivência da oração conjunta com a Santa Igreja em todo mundo. Logo, vivenciar bem a Semana Santa, para um católico, é participar com fruto da Liturgia e ter consciência de que ele não está sozinho e que faz parte do Corpo de Cristo(!). Sendo assim, deve purificar-se através da penitência, da oração e das esmolas – tudo aquilo que a Quaresma nos ajuda a praticar, – visto que, como ensina São Paulo Apóstolo na sua carta aos Gálatas (6, 14): “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

Para um católico, os 7 dias da semana são importantes, porém, o ápice de toda a semana é o Dia do Senhor, o domingo! É do Domingo (do latim Dominus Dei, o dia Santo do Senhor) e do Augusto Sacrifício do Altar que o fiel católico consegue forças para enfrentar mais uma semana que se segue. Compreendamos que o calendário litúrgico também segue uma linha temporal, que tem seu ponto "gravitacional" justamente na Páscoa, assim como a semana comum do católico tem seu acontecimento mais importante no Domingo!

Ensina com palavras fortes São Luiz Maria Gringnon de Montfort:

Que grande honra serdes membros de Jesus Cristo! Uma honra, porém, que exige também a nossa participação no carregamento da cruz. Se a cabeça é coroada de espinhos, será que os membros quereriam coroar-se de rosas? Se a cabeça está escarrada e coberta de lama a caminho do Calvário, será que os membros deveriam cobrir-se de perfumes num trono real?² 

É inevitável seguir ao Cristo sem carregar a Cruz, e todo aquele que não a carrega com Cristo não alcançará a Glória! Eis o convite que a Santa Igreja enfatiza para nós na Semana Santa: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Que possamos mergulhar nos Mistérios do sofrimento salvífico de Cristo e não somente contemplá-lo, mas também participarmos deste sofrimento que gera vida e salvação, que gera Ressurreição.

Para aprender mais sobre a importância deste Tempo Litúrgico, podemos conferir os ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica:

A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar com uma comemoração sagrada, em determinados dias do ano, a obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou Domingo, celebra a memória da ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano, na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua bem-aventurada paixão. E distribui todo o mistério de Cristo pelo decorrer do ano [...]. Comemorando assim os mistérios da Redenção, ela abre aos fiéis as riquezas das virtudes e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar de algum modo presentes a todos os tempos, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham da graça da salvação.
O povo de Deus, desde o tempo da lei mosaica, conheceu festas em datas fixadas a partir da Páscoa, para comemorar as acções portentosas do Deus Salvador, dar-Lhe graças por elas, perpetuar-lhes a lembrança e ensinar as novas gerações a conformarem com elas a sua conduta. No tempo da Igreja, situado entre a Páscoa de Cristo, já realizada uma vez por todas, e a sua consumação no Reino de Deus, a liturgia celebrada em dias fixos está toda impregnada da novidade do Mistério de Cristo.3

Para viver bem essa Semana Santa, existem alguns exercícios que podem nos ajudar na contemplação desse Santo Mistério de amor que é a doação total de Deus aos homens. Estes exercícios são:

1) Contemplar, com a Santa Missa de Ramos, o início da caminhada de Cristo rumo à consumação da Salvação. Primeiro, O Senhor é adorado e dentro de poucos dias, é crucificado.

2) Meditar as dores de Nossa Senhora.

3) Participar do Ofício das Trevas 4, ou então realizar o Ofício das Trevas por si em caso de impossibilidade de participação na celebração na igreja mais próxima.

4) Meditar a Via Sacra.

5) Ler os Evangelhos de São Mateus, do capítulo 26 até o fim e São João do capítulo 13 em diante, onde é possível encontrar a narrativa da Paixão do Senhor.

6) Participar com fruto do Tríduo Pascal5.




O Tríduo Pascal

A Liturgia Pascal, ápice do Tempo Litúrgico, é composta do Tríduo Pascal, que tem seu início com a Missa da Ceia do Senhor e do Lava-pés (Quinta-Feira), segue na Sexta-feira da Paixão e continua no Sábado Santo.


a) Missa da Ceia do Senhor e do Lava-pés

Na Quinta-feira Santa, temos na Liturgia a preciosa Instituição da Eucaristia! Deus nos presenteia com a Eucaristia que é Seu próprio Corpo e Sangue, fazendo-Se pequeno nas espécies do pão e do vinho para estar conosco "até o fim do mundo" (Mt 28, 20). Eis a doação total de Deus para o homem; não bastou apenas conquistar nossa Redenção através do seu próprio Sacrifício. Deus quis nos dar mais ainda, e então dá-Se a si mesmo como santíssimo Alimento. Para nós, que agora sofremos em nessa peregrinação terrestre, neste vale de lágrimas, fortalecendo-nos na caminhada e nos tocando com Sua Santa Humanidade.

A Liturgia mostra que nesse dia, quando Cristo se oferece em Sacrifício, os fiéis também devem se oferecer com Cristo. No Ofertório, Cristo se oferece, mas não somente isso, pois, nós também nos oferecemos com Ele. Somos convidados a iniciar o Tríduo Pascal contemplando o Amor de Deus para conosco, amor esse manifestado no próprio Cristo que se entrega sem reservas. Não fomos nós que amamos primeiro, mas sim Deus que veio ao nosso encontro, como ensina São João em sua primeira carta (4, 9-10):

Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.”

Esse Amor que morre na Cruz por nós, nos une e merece uma resposta de nossa parte. Jesus Cristo merece ser amado por nós! O sacrificar-se de Cristo gera unidade interior em nós e entre nós católicos. Ao contemplarmos O Crucificado, temos a certeza de que somos muito amados e então as batalhas e divisões internas, a luta entre o homem velho e o homem novo ganha uma nova perspectiva, na qual o homem novo pode vencer desde que se espelhe em Jesus e conte com Sua graça divina.

Ao tomarmos conhecimento desse amor que Deus tem por nós, devemos responder amando-O de volta, temendo perder esse amor divino, tremendo ao pensar que podemos perder esse santo tesouro se pecarmos. E por amarmos a Deus, então amaremos nossos irmãos, amaremos o próximo por amor a Deus e colocaremos em prática aquilo que Cristo ensina ao lavar os pés dos discípulos: “13.Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes. ” (João 13, 13 – 17) e um dia, com a graça de Deus e as boas obras, iremos para o Céu, para a felicidade eterna que só é alcançada com Deus.



b) Sexta-feira da Paixão

Eis nesse dia a resposta que a humanidade deu para Deus, pagando o amor recebido com uma Cruz! Um dia de reflexão, um dia sem Eucaristia (sem Santa Missa), porque nos quer fazer relembrar o quanto somos ingratos (não eucarísticos). O fracasso do homem diante de Deus que Se doa inteiramente por nós.

Durante a Liturgia, temos a adoração à Santa Cruz, o madeiro onde O Cordeiro Santo, Jesus Cristo, foi imolado por causa dos nossos pecados. Onde O Senhor derramou Seu Santo Sangue e deu Seu último suspiro. Os olhos do fiel católico voltam-se para a dor causada em Cristo, que mesmo sem merecer carregou o fardo que pertence a nós pecadores.

Tradicionalmente durante a adoração, cantam-se os Impropérios, ou repreensões. Essas reprimendas são feitas pelo próprio Cristo que nos exorta devido à nossa falta de amor, eis algumas dessas repreensões para que possamos refletir as nossas misérias:

Povo meu, que te fiz eu?
Dize em que te contristei!
Que mais podia ter feito,
em que foi que eu te faltei?

Eu te fiz sair do Egito,
Com maná te alimentei.
Preparei-te bela terra:
Tu, a cruz para o teu Rei!

Só na cruz tu me exaltaste,
quando em tudo te exaltei;
por que à morte me entregaste?
Em que foi que eu te faltei?
Eis a nossa resposta aos impropérios:
Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
Tende piedade de nós!

Que Deus tenha misericórdia de nós, pecadores! Na Sexta-feira da paixão somos convidados à fazer um exame de consciência e lembrarmos em nossa vida do quanto Deus foi bom conosco em tantos momentos e o quanto Deus nos livrou de satanás e diante de tudo isso, como estamos respondendo a este amor de Deus para conosco.


c) Sábado de Aleluia ou Sábado Santo

Eis o dia do anúncio da Ressurreição, eis o dia da esperança. No Sábado Santo, durante a Liturgia, temos um canto em especial que é entoado diante do Círio pascal, esta vela representa o sacrifício de Cristo, portanto, o hino é o agradecimento pelo sacrífico que não é somente uma 'morte', mas um sacrifício vivificante, pois produz a vida.

Esse canto é o Exsultet ou Precônio Pascal e é um dos mais belos cantos litúrgicos já compostos! O agradecimento pelo sacrífico de Cristo é maravilhoso e extenso, e começa com um convite a oração, para que todo o Cosmos louve e glorifique a Deus pelos dons recebidos e pelo Sacrifício de amor:

Exulte de alegria a multidão dos Anjos,
exultem as assembleias celestes,
ressoem hinos de glória,
para anunciar o triunfo de tão grande Rei.

Rejubile também a terra,
inundada por tão grande claridade,
porque a luz de Cristo, o Rei eterno,
dissipa as trevas de todo o mundo.

Alegre-se a Igreja, nossa mãe,
adornada com os fulgores de tão grande luz,
e ressoem neste templo as aclamações do povo de Deus.

E vós, irmãos caríssimos,
aqui reunidos para celebrar o esplendor admirável desta luz,
invocai comigo a misericórdia de Deus omnipotente,
para que, tendo-Se Ele dignado, sem mérito algum da minha parte,
admitir-me no número dos seus ministros,
infunda em mim a claridade da sua luz,
para que possa celebrar dignamente os louvores deste círio.

O hino de louvor continua recordando as glórias de Deus e nossa ação de graças está baseada em recordar o passado e todas as graças que Deus tem feito por nós! Esse hino não é somente um anúncio de algo vindouro, mas também é atual porque as celebrações litúrgicas atualizam não só o sacrifício de Cristo, mas também sua Ressurreição. A liturgia é viva e atual!

Vale também lembrarmos o nosso papel diante de Deus, lembrando que éramos escravos do Pecado e o Rei enviou seu próprio Filho para nos salvar! Os belíssimos significados do hino podem ser melhor compreendidos nas explicações do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr., no seguinte link:
padrepauloricardo.org/aulas/sabado-santo-exsultet

Eis o que é a Páscoa: a leitura, a narração e a proclamação das maravilhas de Deus na história de cada um, para que assim possa enxergar o Dom invisível de Deus no nosso hoje, no hoje da Sua Santa Igreja e no hoje das nossas próprias vidas. Assim, a Páscoa é o memorial da caminhada de Cristo rumo ao Céu, e também um memorial da caminhada de cada cristão que peregrina sobre a Terra lutando para chegar ao Paraíso.

Nunca nos esqueçamos da meta, que é alcançar a salvação e ressuscitar com Cristo para a nova vida, para a vida eterna! Que um dia possamos dizer com São Paulo: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (2Tm 4, 6 – 8).

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Notas e referências:
1. Sacrosanctum Concilium, disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html
2. Carta aos amigos da Cruz. São Luis de Montfort. Cleófas, 2007, p. 45
3. Catecismo da Igreja Católica, capítulos 1163-1164, disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s1cap2_1135-1209_po.html
4. O Ofício das Trevas, disponível em: http://www.arautos.org/noticias/35484/O-oficio-de-trevas.html
5. Para aprofundamento: 'Tríduo Pascal', disponível em: https://padrepauloricardo.org/cursos/triduo-pascal
www.ofielcatolico.com.br

Papa Francisco: ortodoxo e pró-Tradição

Caricatura por 'Donkey Hotey' (divulgação)

Por Dave Armstrong* – Traduzido e transcrito por João Marcos (Assoc. S. Próspero)

O PAPA FRANCISCO definitivamente conseguiu atrair a atenção do mundo à Igreja. De um lado, os liberais e a mídia secular interpretam várias declarações do Papa como um sinal de que a Igreja vai “se modernizar”. Na outra ponta do espectro, conservadores se assustam com a imagem do Papa transmitida pela mídia. No meio deste mar de informações (nunca um Sumo Pontífice foi tão monitorado pela imprensa), vejamos (abaixo) algumas declarações do Papa que não costumam sair na imprensa e, – coincidentemente, – são ignoradas pelos meios católicos mais extremistas1.


1. Tradição

“É preciso inserir-se na corrente da grandiosa Tradição que, com a assistência do Espírito Santo e a orientação do Magistério, reconheceu os escritos canônicos como Palavra dirigida por Deus ao seu povo.”

“A Tradição de séculos de todo o povo de Deus não pode errar em matéria de fé.”

“O Papa, nesse contexto, não é um senhor supremo mas o maior dos servos, – o ‘servo dos servos de Deus’ o guardião da obediência e conformidade da Igreja (...) à Tradição da Igreja, colocando de lado qualquer preferência pessoal.”


2. Não existe Salvação fora da Igreja

“Caros amigos, peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria Mãe da Igreja, a graça de nunca cair na tentação de pensar (...) que podemos prescindir da Igreja, que nos podemos salvar sozinhos, que somos 'cristãos de laboratório'. Pelo contrário (...) não se pode amar a Deus fora da Igreja; não se pode viver em comunhão com Deus sem viver na Igreja.”

Não é possível amar a Cristo sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja. Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstrata nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma Pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja, na nossa Santa Mãe Igreja hierárquica. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.”

“Consequentemente, não é possível imaginar um cristão separado do Povo de Deus. Pois o cristão não é um átomo, que existe sozinho. Não, ele pertence a um povo, à Igreja... um cristão sem a Igreja é apenas um ideal, não uma realidade”

“é uma dicotomia absurda pensar em viver com Jesus e sem a Igreja, em seguir Jesus fora da Igreja, em amar Jesus sem amar a Igreja”


3. Infalibilidade da Igreja

“Quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se expressa em comunhão, ela não pode errar”

“Acima de tudo, o exegeta católica precisa ter fé - [fé] conhecida e compartilhada com todos os fiéis, que em sua totalidade não podem errar”

“A fé do Povo de Deus...é uma fé simples, uma fé talvez sem tanta teologia, mas com uma teologia intrínseca que não erra, pois é o Espírito Santo que está por trás dela. ”

“A Tradição de séculos de todo o Povo de Deus...não pode errar ”


4. Infalibilidade Papal

“A presença do Papa é a garantia de todos e a salvaguarda da fé”

“O Papa, nesse contexto, é ... aquele que garante a obediência e a conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo”

“Tudo aconteceu cum Petro et sub Petro, isto é, na presença do Papa, que é a garantia da liberdade e da confiabilidade a todos, e a garantia da ortodoxia.”

“E como eu ousei dizer a vocês, como eu disse desde o início do Sínodo, é preciso atravessar tudo isso com tranquilidade e paz interior, para que o Sínodo aconteça cum Petro et sub Petro (com Pedro e sob Pedro), e a presença do Papa é a garantia disso tudo.”


5. Jurisdição Universal da Igreja

“[o Papa é] por vontade do próprio Cristo — o supremo Pastor e Doutor de todos os fiéis (cân. 749), e goza na Igreja de poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal”

“O Papa Francisco, Supremo Pontífice...em decisão final na qual não cabe recurso, decretou a excomunhão do referido sacerdote para o bem da Igreja”


6. A Existência do Demônio

“Nesta geração, como em tantas outras, as pessoas foram levadas a acreditar que o demônio é um mito, uma figura, uma ideia, a idealização do mal. Mas o demônio existe e devemos lutar contra ele. É Paulo quem diz isso, não eu! É a Palavra de Deus que nos diz isso, mas nem todos nós estamos convencidos disso.”

“O Príncipe deste mundo, Satã, não quer que sejamos santos, não quer que sigamos Cristo. Talvez alguns de vocês digam: ‘Mas Padre, o senhor está antiquado ao falar do demônio em pleno século XXI’ Mas tomem cuidado, porque o diabo existe! Ele existe até mesmo no século XXI! E nós não devemos ser ingênuos, certo? Nós devemos aprender do Evangelho como lutar contra Satã”


7. O Casamento Tradicional

“A complementaridade entre homem e mulher...está na raiz do Matrimônio e da família”

“O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimônio.”

“A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. (...) O matrimônio tende a ser visto como mera forma de gratificação afetiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um. Mas a contribuição indispensável do matrimônio à sociedade supera o nível da afetividade e o das necessidades ocasionais do casal. Como ensinam os Bispos franceses, não provém «do sentimento amoroso, efêmero por definição, mas da profundidade do compromisso assumido pelos esposos que aceitam entrar numa união de vida total»”

“Que este colóquio seja uma inspiração a todos que procuram promover e fortalecer a união do homem e da mulher no matrimônio como única, natural, fundamental e maravilhosa para as pessoas, famílias, comunidades e toda a sociedade.”


8. Oposição ao Aborto

“É preciso reiterar a mais forte oposição a qualquer ataque à vida, especialmente à vida inocente e indefesa, e a criança não nascida é o maior exemplo concreto de inocência.”

“Desde a concepção, a vida precisa ser protegida com máximo cuidado, dado que aborto e infanticídio são crimes impronunciáveis”

“Eu já ouvi esta objeção muitas vezes em minha vida quando era padre: ‘Mas por que a Igreja é contra o aborto? É um problema religioso?’ Não, não. Não é um problema religioso. ‘É um problema filosófico?’ Não, não é um problema filosófico. É um problema científico, porque existe uma vida humana lá, e não é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema. ‘Não, mas agora sob o pensamento moderno...’ Ouça: no pensamento antigo e no moderno a palavra ‘matar’ significa a mesma coisa. O mesmo princípio se aplica à eutanásia.”


9. Contra a Ordenação de Mulheres

“ E, quanto à ordenação das mulheres, a Igreja falou e disse: «Não». Disse isso João Paulo II, mas com uma formulação definitiva: Aquela porta está fechada.”

“O sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão”

“A mulher na Igreja precisa ser valorizada, não ‘clericalizada’. Todo aquele que pensa em mulheres como cardeais sofre um pouco de clericalismo”


10. Contra a Comunhão àqueles em segunda união

“Sobre o problema da Comunhão às pessoas em segunda união, que os divorciados podem participar da Comunhão, isto não é problema. Quando eles estão em segunda união, não podem [participar da Comunhão]. Eu acredito que é necessário preservar isso com todo o conjunto do cuidado pastoral do matrimônio.”

“A exclusão da comunhão de pessoas divorciadas que contraem um segundo casamento não é um castigo. É importante lembrar disto.”

“Pessoas divorciadas podem receber a Comunhão, pessoas que casaram de novo não podem.”


11. A exclusividade do Espírito Santo

“Você pode fazer mil cursos de catecismo, mil cursos de espiritualidade, mil cursos de yoga ou zen e todas essas coisas, mas nada disso vai te dar a liberdade de filho de Deus. Apenas o Espírito Santo pode preparar seu coração para dizer ‘Pai’ ”


12. Condenação das distorções feitas pela mídia sobre seu Papado

“Veja só, eu escrevi uma encíclica, foi muito trabalhosa, e uma Exortação Apostólica. Eu estou permanentemente ensinando, dando homilias; isto é ensinar. Isto é o que eu penso, não o que a mídia diz que eu penso.”

“Algumas pessoas estão sempre apreensivas porque não leram direito, ou leram alguma notícia no jornal, um artigo, e não lêem o que o Sínodo decidiu, o que foi publicado. O que é importante sobre o Sínodo? O relatório final e o discurso do Papa. Isto é definitivo.”


13. A Existência do Inferno

“O crime organizado produz dinheiro de sangue, seu poder está manchado de sangue, e você não pode levar isso com você para a outra vida. Converta-se, ainda há tempo, para que você não termine no inferno. Isto é o que te espera se você continuar neste caminho”

“Deus de infinita misericórdia...Que nenhum dos seus filhos se perca no fogo eterno do inferno, onde não existe arrependimento”


14. Contra os métodos contraceptivos

“Abertura à vida é uma condição para o sacramento do matrimônio. Um homem não pode dar o sacramento à mulher...se eles não estão de acordo nessa questão da abertura à vida. Se for provado que ele ou ela se casaram com a intenção de não ser católico [nesse quesito] então o matrimônio é nulo. É motivo para anulação do casamento, não? Abertura à vida.”

“Sobre a Humanae Vitae... a genialidade do Papa Paulo VI foi profética, quando ele teve coragem de ir contra a maioria para defender a disciplina moral, para opôr um freio cultural contra o presente e o futuro neo-Malthusianismo”

“Paulo VI não era antiquado, mente fechada. Não, ele foi um profeta quando sua Humanae Vitae nos alertou para o Neo-Malthusianismo que se aproximava. É isto que eu queria dizer.”


15. Os Limites da Infalibilidade Papal

“Se o Papa diz que a Terra é o centro do Universo, e não o Sol, ele está errado, dado que ele está afirmando algo que deve ser confirmado pela ciência, e esta afirmação não é. ”

“Não sou especialista em argumentos bioéticos, e eu temo estar errado em minhas palavras. A doutrina tradicional da Igreja afirma que ninguém é obrigado a utilizar métodos extraordinários quando alguém está em fase terminal. Pastoralmente, nestes casos eu sempre recomendei o tratamento paliativo. Em casos mais específicos, caso necessário, é preciso do conselho de especialistas.”


16. Os Limites da Liberdade de Expressão

“A liberdade de expressão precisa levar em conta a realidade humana, e por esta razão cada um deve ser prudente... Prudência é a virtude que regula nossas relações. Eu posso ir até ali, além disso, não....Por esta razão a liberdade precisa ser acompanhada pela prudência.”

“Nós temos a obrigação de falar claramente, de desfrutar dessa liberdade, mas sem ofender os outros... Ou seja, existe um limite. Cada religião tem sua dignidade; cada religião que respeita a vida, a vida humana, a pessoa humana... eu não posso fazer piada com isso. Existe um limite, e eu considero este senso de limite para afirmar que na liberdade de expressão existem limites.”


17. A Doutrina da Guerra Justa

“Devemos lutar contra o terrorismo, mas repito o que disse na viagem anterior: quando se deve impedir o agressor injusto, é preciso fazê-lo com o consenso internacional.”

“Uma nação sozinha não pode julgar como se para um agressor injusto.(...)parar o agressor injusto é um direito da humanidade, mas é também um direito do agressor: ser interrompido, para não fazer mal.”

“Enquanto reitero que é lícito deter o injusto agressor – sempre porém no respeito pelo direito internacional – quero lembrar também que não se pode confiar a resolução do problema somente à resposta militar.”


18. Condenação do Uso de Drogas

“Tentativas, ainda que limitadas, para legalizar as chamadas ‘drogas recreativas’, não apenas são altamente questionáveis do ponto de vista legal, mas também falham em produzir os efeitos desejados. Drogas substitutas não são uma terapia adequada mas um meio velado de render-se ao fenômeno. Aqui eu reafirmo o que disse em outra ocasião: Não para qualquer tipo de uso de drogas. Simples assim.”

“Sinto-me feliz por receber (...) os familiares dos jovens de «San Patrignano», aos quais me uoe para dizer não a qualquer tipo de droga. Talvez, faça bem que digamos todos, simplesmente: não a todos os tipos de droga!”

“Vou usar os termos mais claros possíveis: o problema do uso de drogas não é resolvido com drogas! O vício em drogas é um mal, e com o mal não pode existir compromisso. Pensar que o dano pode ser reduzido permitindo que viciados usem drogas de forma alguma resolve o problema.”


19. Condenação da Eutanásia

“O pensamento dominante às vezes sugere uma ‘falsa compaixão’, que acredita ser útil às mulheres promover o aborto; um ato de dignidade lutar pela eutanásia; uma revolução científica ‘produzir’ uma criança e considerar isso [a geração de filhos] um direito ao invés de uma bênção; ou usar vidas humanas como cobaias para - supostamente - salvar os outros. Entretanto, a compaixão do Evangelho é aquela que acompanha nos tempos de necessidade, ou seja, a compaixão do Bom Samaritano, que ‘vê’, ‘se compadece’, se aproxima e proporciona ajuda concreta.”

“O mesmo se aplica à eutanásia... Isto é dizer a Deus: ‘Não, eu vou encerrar a vida (do paciente) conforme a minha vontade.’ Um pecado contra Deus, o Criador! Pensem seriamente sobre isso. ”

“Mas também existe a realidade do abandono dos idosos: quantas vezes nós descartamos os mais velhos com atitudes que parecem uma forma sutil de eutanásia! A cultura de descartar seres humanos fere nosso mundo. Descartamos crianças, jovens e velhos sob a pretensão de manter um sistema econômico ‘equilibrado’, no centro do qual não está mais a pessoa humana, mas o dinheiro. Todos somos chamados a combater essa cultura venenosa!”


20. Condenação do Sincretismo Religioso (a mistura de elementos religiosos)

“Neste diálogo, sempre amável e cordial(...) Um sincretismo conciliador seria, no fundo, um totalitarismo de quantos pretendem conciliar prescindindo de valores que os transcendem e dos quais não são donos. A verdadeira abertura implica conservar-se firme nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e feliz (...) Não nos serve uma abertura diplomática que diga sim a tudo para evitar problemas, porque seria um modo de enganar o outro e negar-lhe o bem que se recebeu como um dom para partilhar com generosidade. Longe de se contraporem, a evangelização e o diálogo inter-religioso apoiam-se e alimentam-se reciprocamente.”

“Devemos tomar cuidado para não ceder ao sincretismo conciliatório, que, no final, é vazio, precursor de um totalitarismo sem valores... Isso implica que devemos, primeiramente, retornar aos fundamentos.”


21. Subsidiaridade Econômica

“A Doutrina Social da Igreja ensina que o princípio da solidariedade deve ser implementado em harmonia com o princípio da subsidiaridade. Graças a estes dois princípios, as ações devem ser a serviço dos seres humanos e para o incremento da justiça, sem os quais não pode existir paz duradoura.”

“Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.”

“Os ideais que formaram a Europa incluíam a paz, a subsidiaridade e solidariedade recíprocas, e um humanismo centrado no respeito pela pessoa humana.”


22. Apoio à Apologética Católica

“O anúncio às culturas implica também um anúncio às culturas profissionais, científicas e acadêmicas. É o encontro entre a fé, a razão e as ciências, que visa desenvolver um novo discurso sobre a credibilidade, uma apologética original que ajude a criar as predisposições para que o Evangelho seja escutado por todos. Quando algumas categorias da razão e das ciências são acolhidas no anúncio da mensagem, tais categorias tornam-se instrumentos de evangelização; é a água transformada em vinho. É aquilo que, uma vez assumido, não só é redimido, mas torna-se instrumento do Espírito para iluminar e renovar o mundo.”

“Além disso, o termo «Confirmação» recorda-nos que este Sacramento contribui com um aumento da graça batismal: une-nos mais solidamente a Cristo; leva a cumprimento o nosso vínculo com a Igreja; infunde em nós uma especial força do Espírito Santo para difundir e defender a fé, para confessar o nome de Cristo e para nunca nos envergonharmos da sua Cruz”

“um diálogo não é fazer apologética, ainda que algumas vezes seja necessário fazer isto, quando nos fazem perguntas que demandam explicação”


23. Apoio à Missa em Latim e Ad Orientem

“Pela celebração dos mistérios sagrados de acordo com a forma extraordinária do rito romano... que (a Fraternidade Sacerdotal S. Pedro) contribua, fiel à Tradição viva da Igreja, para uma melhor compreensão e implementação do Concílio Vaticano II.”

Em 31/10/2013 e 12/01/2014, o Papa Francisco celebrou a Missa Ad Orientem.

Na viagem às Filipinas em Janeiro/2015 , bem como em 24/12/2013 , Papa Francisco celebrou a Missa em latim.


24. Condenação do Progressismo

“O espírito do progressismo adolescente diz: ‘nós não podemos ficar isolados ou apegados à velhas tradições’...e isto é o que chamamos de apostasia; os profetas chamavam isso de adultério...Ainda hoje, o espírito mundano nos leva ao progressismo, a esse pensamento padronizado.’”

“Existe uma tendência destrutiva à bondade que, em nome de uma misericórdia enganosa, trata os sintomas e não as causas das enfermidades. É a tentação daqueles que querem ‘fazer o bem’, dos medrosos e também dos chamados ‘progressistas e liberais’. ”


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* Dave Armstrong é um dos apologistas católicos estadunidenses mais prolíficos em atividade, autor de uma grande quantidade de obras sobre temas como Apologética, Sagradas Escrituras, Teologia, biografias de santos e o Papa Francisco.

1. As fontes de todas as citações desta coletânea podem ser consultadas na publicação original. Acesse: 
Pope Francis: Orthodox & Pro-Tradition

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Fonte:
Patheos.Com / Dave Armstrong, disp. em:
http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2015/01/12-ways-that-pope-francis-is-pro.html
Acesso 17/3/016
www.ofielcatolico.com.br

Sobre a Moral e o senso comum

"Chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde" (G. K. Chesterton)

RECEBEMOS AO ARTIGO "Por que o liberalismo não é a solução – parte II", de um leitor que se identifica como "Prof. Paiva", um comentário do qual consta o trecho que reproduzimos abaixo, seguida de nossa resposta:

Mas eu estou vendo um 'calcanhar de Aquiles' nessa sua linha de pensamento. Pelo jeito o Sr. é um filósofo? Então, vamos desenvolver o problema. Filosofia não é a minha especialidade mas eu vejo um buraco muito grande na sua defesa que é o seguinte: confiar no bom senso humano. Isso funciona? Acho que nunca funcionou, por isso temos tenta injustiça no mundo.
Um exemplo, eu não conheço povo mais sensato do que o alemão, e a maioria deles elegeu e apoiou Hitler até o fim."

Responde Igor Andrade – Assoc. São Próspero e Movimento Somar para Vencer, autor do referido artigo:

Salve Maria!

Agradeço imensamente o comentário e à oportunidade de aprofundar mais nesse assunto que tanto me atrai. Bom, o senhor focou aqui na questão do bom senso. Sinceramente, creio que nossa cultura trata com descaso o ser humano enquanto ente racional. Novamente destaco que o senso comum dos homens (ou 'bom senso') provém da razão, que é, como nos ensina a Filosofia clássica, a parte mais nobre do homem.

Sobre o seu questionamento relativo a “confiar no bom senso humano”, é muito interessante ressaltar um ponto que, à primeira vista, fica um tanto quanto obscuro: o bom senso tem a ver com a realidade prática do dia a dia, não com a teoria moral.

Tomemos, por exemplo, um ponto da Lei Natural (que todo ser humano deve seguir ) impressa no Decálogo mosaico, “Não Matarás”: ora, todos os homens da Terra (que vivem em sociedade) sabem que matar outro homem é errado, – inclusive os assassinos. – Não necessariamente o sabem teoricamente, mas o sabem na prática, isto é, vivem como se matar fosse errado, ainda que não representem este princípio no intelecto.

Mais interessante ainda é que isso é observável até nos mais tirânicos assassinos, que são aqueles que justificam o seu erro. Estes podem dizer que matar não é errado, quando apoiam o aborto e outras atrocidades, mas não vivem em consonância com o que pregam. “Mas os assassinos que dizem isto”, – poderão me questionar, – “eles mesmos não matam?”. Sim, podem até fazê-lo, mas estão conscientes da sua maldade (num certo nível de suas consciências, sabem que matar é sempre errado). E mais: defendem-se se alguém tentar matá-los. 

Usei tal exemplo por ser, na minha opinião, o mais didático. Mas isso pode ser estendido para: “Não roubarás” e todos os demais Mandamentos do Decálogo mosaico. Por quê? Porque tal realidade nos é imposta pela Razão. A Razão do homem, devido sua liberdade, pode ser afetada para o bem (virtude) ou para o mal (vício), por isso devemos agir com a Recta Ratio (Reta Razão – aprofundar este ponto demandaria muito espaço, aqui, talvez o faça em outro artigo).

Sabemos então que o homem vive vislumbrando a Lei moral, isto é, o bom senso. Contudo, “todo homem deseja, por natureza o conhecimento”1; assim sendo, o esforço intelectual se faz necessário, para que essa lei seja devidamente representada em nosso espírito. Percorremos, pois, um caminho saindo de um estado de inocência para um estado de ciência.

Transcrevo aqui um trecho da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, onde Kant explicita essa mesma realidade, destacada na pergunta (grifos meus):

A inocência é uma coisa admirável; mas é por outro lado muito triste que ela se possa preservar tão mal e se deixe tão facilmente seduzir. E é por isso que a própria sagacidade — que de resto consiste mais em fazer ou não fazer do que em saber — precisa também da ciência, não para aprender dela, mas para assegurar às suas prescrições para lhes dar estabilidade. O homem sente em si mesmo um forte contrapeso contra todos os mandamentos do dever que a razão lhe representa como tão dignos de respeito: são as suas necessidades e inclinações, cuja total satisfação ele resume sob o nome de felicidade. Ora a razão impõe as suas prescrições, sem nada aliás prometer às inclinações, e também como que com desprezo daquelas pretensões tão tumultuosas e aparentemente tio justificadas Daqui nasce uma dialética natural, quer dizer uma tendência para opor arrazoados e subtilezas às leis severas do dever, para pôr em dúvida a sua validade ou pelo menos a sua pureza e o seu rigor e para as fazer mais conformes, se possível, aos nossos desejos e inclinações, isto é, no fundo, para corrompê-las e despojá-las de toda a sua dignidade, o que a própria razão prática comum acabará por condenar.
É assim, pois, que a razão humana comum, impelida por motivos propriamente práticos e não por qualquer necessidade de especulação (que nunca a tenta, enquanto ela se satisfaz com ser simples sã razão), se vê levada a sair do seu círculo e a dar um passo para dentro do campo da filosofia prática. Aí encontra ela informações e instruções claras sobre a fonte do seu princípio, sobre a sua verdadeira determinação em oposição às máximas que se apoiam sobre a necessidade e a inclinação. Assim espera ela sair das dificuldades que lhe causam pretensões opostas, e fugir ao perigo de perder todos os puros princípios morais em virtude dos equívocos em que facilmente cai. Assim se desenvolve insensivelmente na razão prática comum, quando se cultiva, uma dialética que a obriga a buscar ajuda na filosofia, como lhe acontece no uso teórico; e tanto a primeira como a segunda não poderão achar repouso em parte alguma a não ser numa crítica completa da nossa razão.

Creio ter respondido suficientemente este ponto, mas novamente reitero: o ser humano carrega a mancha do Pecado original; não somos anjos. Ainda trocamos o Sumo Bem por bens menores e passageiros nesta vida. Mas não nos esqueçamos: nossos Pais comeram do fruto da Ciência do Bem e do Mal: nossa razão pode ser fonte de bem viver. Evidentemente, admito que a ação da Graça é extremamente necessária para bem agir, mas a parte que cabe ao homem realizar já foi dada por Deus pela Razão.

No artigo indicado abaixo, é tratada a dignidade do ente racional; sugiro a leitura para a melhor compreensão dos princípios que apresentei ao longo desta argumentação:

• A dignidade do ente racional no pensamento kantiano (clique para ler)

Regnare Christum Volumus!

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1. Aristóteles, início de 'Metafísica' I (IV aC).
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Orações à São José – 19 de Março, Dia de São José

Giuseppe Bartolomeo Chiari (1654-1724), 'São José abraçando o Menino Cristo' (além, a Virgem, o São João menino e Santa Isabel)

Ave, São José
(Belíssima oração lamentavelmente esquecida)

Homem justo, esposo Virginal de Maria, e pai davídico do Messias; bendito és tu entre os homens, e bendito é o filho de Deus que a ti foi confiado, Jesus.

São José, Padroeiro da Igreja universal, guarda as nossas famílias na paz e na Graça divina, e socorre-nos na hora da nossa morte.

Amém.


Bendito sejas, São José

Bendito sejas São José, que fostes testemunha da Glória de Deus na Terra.

Bendito seja o Pai eterno que vos escolheu.

Bendito seja o Filho que vos amou e o Espírito Santo que vos santificou.

Bendita seja Maria que muito vos amou!

Lembrai-Vos de São José

Lembrai-vos, oh!, puríssimo esposo da Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado vossa proteção, implorado vosso socorro e não fosse por vós atendido.

Com esta confiança, venho à vossa presença; a vós com fervor me recomendo.

Não desprezeis as minhas súplicas, pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos de acolhê-las piedosamente.


Oração de São Clemente

São José, oh! meu terno pai, ponho-me para sempre sob a vossa proteção;

Considerai-me como vosso filho e preservai-me de todo o pecado.

Lanço-me nos vossos braços para que me acompanheis no caminho da virtude, e me assistais na hora da minha morte.

Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma.

Jesus, Maria, José, assisti-me na última agonia.

Jesus, Maria, José, expire em paz entre vós minha alma.

Oração à São José I

Oh! glorioso São José, a quem foi dado o poder de tomar possíveis as coisas humanamente impossíveis, vinde em nosso auxílio nas dificuldades em que nos achamos.

Tomai sob a vossa proteção a causa que vos confiamos, para que tenha uma solução favorável.

Oh! Pai muito amado, em vós depositamos toda nossa confiança.

Que ninguém possa jamais dizer que vos invocamos em vão.

Já que tudo podeis junto a Jesus e Maria, mostrai-nos que vossa bondade é igual ao vosso poder.

São José, a quem Deus confiou o cuidado da mais santa família que jamais houve, sede o pai e protetor da nossa e impetrai-nos a graça de vivermos e morrermos no amor de Jesus e Maria.

São José do Perpétuo Socorro rogai por nós que recorremos a vós.


Devoção a São José

A vós São José, recorremos na nossa tribulação, e depois de ter implorado o auxílio da vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos o vosso patrocínio.

Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes para com o Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno à herança que Jesus Cristo conquistou com o seu Sangue, e nos assistais, nas nossas necessidades, com o vosso auxílio e poder.

Protegei, oh!, guarda providente da Divina Família, a raça escolhida de Jesus Cristo;

Afastai para longe de nós, oh! Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício; assisti-nos do alto do céu, oh! nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas;

E, assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada, do Menino Jesus assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.

Amparai a cada um de nós, com vosso constante patrocínio, a fim de que a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer, e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.


Clemente de Torres (1662-1730), 'São José e Jesus Menino'

Outra oração à São José

São José, meu amável protetor, que morrestes nos braços de Jesus e Maria, socorrei-me em todas as necessidades e perigos da vida, mas principalmente na hora suprema vindo suavizar minhas dores, enxugar minhas lágrimas, fechar suavemente meus olhos, enquanto pronunciar os dulcíssimos nomes:

Jesus, Maria, José, salvai a minha alma. Amém.


Oração à São José Operário para obter trabalho

Oh! meu querido Santo Trabalhador, que em vida fizestes a vontade de Deus através do trabalho, abra as portas do comércio para que eu possa conseguir um emprego.

Dai-me forças e coragem para não desistir no primeiro não.

Que eu tenha a disposição de Santa Teresa D'Ávila, a simplicidade de Maria de Nazaré, a força de Santo Antonio.

Orienta os nossos governantes para a distribuição dos bens do país.

Protege as nossas famílias para que não se deixem vencer pela seca, pelo medo, pela violência, pela falta de trabalho e dê esperança no Domingo da ressurreição.

Meu São José, padroeiro dos trabalhadores, não me deixe sem o pão de cada dia e sem prespectiva de um novo dia para minha família.

Prometo, com o dinheiro do meu futuro emprego, ajudar uma instituição de caridade a divulgar essa devoção.

Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

Leia os versículos 13 a 23 do capítulo 2 do Evangelho de Mateus e reze uma Ave-Maria e um Pai-Nosso


Oração de São Pio X a São José

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados;

De trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;

De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus;

De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;

De trabalhar, sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!

Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, oh! Patriarca São José!

Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.


Jaculatórias (invocações curtas) a São José

São José, pai virginal de Jesus, rogai por nós.

São José esposo virginal de Maria, rogai por nós.

São José, homem justo segundo o coração de Deus, rogai por nós.

São José, custodio fiel da Mãe e do filho de Deus, rogai por nós.

São José, confidente intimo dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, Rogai por nós.

São José, fiel imitador das virtudes destes Sagrados Corações,rogai por nós.

São José, modelo de vida oculta e de intima união com os Sagrados Corações de Jesus e de Maria, rogai por nós.

São José, modelo de generosidade para com os Sagrados Corações de Jesus e de Maria,rogai por nós.

São José, consolado em vossas provas por estes Sagrados Corações, rogai por nós.

São José, que vivestes em Nazaré na paz dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, Rogai por nós.

São José, revestido de autoridade paternal sobre o Sagrado Coração de Jesus Cristo, rogai por nós.

São José, ardente em amor pelos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, rogai por nós.

São José que aprendestes a doçura, a humildade e a misericórdia na escola destes Sagrados Corações, rogai por nós.

São José, instruído na vida interior na escola destes Sagrados Corações, rogai por nós.

São José, que participais no céu das delícias destes Sagrados Corações, rogai por nós.

São José, que ocupais no céu um lugar perto de Jesus e de Maria, rogai por nós.

São José, poderoso protetor da Igreja, rogai por nós.

São José, compassivo advogado da Igreja, rogai por nós.

Adiantai com vossas suplicas o triunfo da Igreja, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Consolai e protegei a nosso Soberano Pontífice, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Cuidai e defendei a nossa amada pátria, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Pedi para nós o amor dos Sagrados Corações, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Rogai por todas as Famílias, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Rogai por todas a Congregações Religiosas, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Rogai pelos Sacerdotes e os Missionários, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Rogai por todos os Apóstolos dos Dois Corações, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!

Rogai por todos os pecadores e os que estão no erro, Oh! São José, poderoso com o Coração de Jesus!


A Nosso Senhor por São José

Oh! Deus, que ofereceis a São José como modelo da verdadeira devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, e a ele nos dais como patrono em meio das provas que afligem ao mundo e a Igreja!

Concedei-nos por sua intercessão a graça de chegar a sermos verdadeiros filhos destes Sagrados Corações.

Vos pedimos pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.

Amém!

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Fonte e ref. bibliográfica:
GILVAN, Frère. Orai sem cessar, São Paulo: Biblioteca 24 horas, 2015
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