Papa Francisco toca em um assunto quase proibido – a mídia fingiu que nem ouviu


O PAPA FRANCISCO recordou, no último domingo (26/11/2017), as cerca de 3,5 milhões de vítimas da fome provocada deliberadamente nos campos da Ucrânia pelas políticas comunistas perpetradas pelo ditador Joseph Stalin, da antiga União Soviética, entre 1932 e 1933, para "coletivizar" fazendas de gado e terras agrícolas. 

Por algum motivo, sempre que se quer mencionar um ditador terrível, um regime político execrável ou mesmo uma pessoa que seja símbolo da maldade humana, cita-se Adolf Hitler. São dúzias de documentários lançados em redes de TV, livros e artigos escritos, todos os anos, esmiuçando em detalhes o que foi regime nazista e a vida do seu fundador. Entretanto, a maioria dos piores crimes da história da humanidade –, muitos até piores do que os perpetrados pelo nazismo –, foram cometidos por regimes comunistas ao redor do globo terrestre. O abominável episódio lembrado pelo Papa, denominado hoje Holodomor, foi, dentre muitos outros, apenas um dos mais vultosos: neste, foram 1 milhão e meio de pessoas no Cazaquistão e aproximadamente outro milhão de habitantes do norte do Cáucaso e regiões ao longo dos rios Don e Volgam, que sofreram o bárbaro suplício da morte pela fome –, entre homens, mulheres e crianças –, causada propositalmente pelo governo comunista.






Quando você se deparar com um militante esquerdista relativizando os bárbaros crimes cometidos pelo regime que ele defende, lembre-se destas cenas tão pouco divulgadas

Em mensagem ao povo ucraniano, o Papa Francisco mencionou “a tragédia do Holodomor, a morte por fome provocada que deixou milhões de vítimas. "Rezo pela Ucrânia, para que a força da paz possa curar as feridas do passado", disse, em seu tom caracteristicamente pacificador.

O genocídio ucraniano começou devido à resistência de camponeses do país à coletivização forçada, uma das bases do regime comunista, que vê a riqueza não como como valor gerado pelo indivíduo que trabalha e produz, por direito seu, mas como um grande "bolo" que deve ser igualmente dividido entre todos, suprimindo, junto com a liberdade de empreender, os talentos e capacidades individuais, assim como a propriedade privada, que passa a ser vista  como "roubo"[1].

Os soviéticos, sem mais, confiscaram à força, impiedosa e maciçamente, o gado, as terras e as fazendas dos ucranianos, e lhes impuseram punições que iam dos trabalhos forçados ao simples assassinato sumário, passando por brutais deslocamentos impostos a comunidades inteiras. Apesar de ter sido o extermínio sistemático de um povo, por pressões ideológicas ainda não há, até os nossos dias, um reconhecimento amplo e claro do genocídio ucraniano pela assim chamada “comunidade internacional”.

Certas correntes ideológicas organizadas e altamente atuantes evitam o termo "genocídio" para tratar o caso, alegando que o Holodomor teria sido a mera consequência de "problemas logísticos" associados às radicais alterações econômicas da União Soviética. De fato, para os vermelhos, uma coisa deixaria de ser o que é por ter sido efeito colateral de alegadas "boas intenções". É interessante observar que, recorrente e teimosamente, são elaboradas teorias suavizantes e condescendências "técnicas" para tentar disfarçar a verdade nua e crua sobre o comunismo: aqui está a explicação para o fato de sermos o tempo todo lembrados dos crimes do odioso nazismo, mas não existir a mesma firmeza quanto aos crimes igualmente odiosos, e em muitos casos até mais graves (especialmente em quantidade), do comunismo.

Não se trata, aqui, de comparar horrores, mas de questionar o relativo silêncio em torno a um em comparação com a ampla divulgação que se dá a outro. Só há relativização moral do extermínio humano, afinal, na mente de quem o instrumentaliza. É fato que praticamente todo o mundo que tem acesso à mídia já ouviu dizer que Hitler matou 6 milhões de judeus nos campos nazistas de concentração entre 1933 e 1945 (embora se dê menos atenção ao fato de que esse extermínio também se estendeu a outras minorias, como ciganos, poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, além de minorias clamorosamente 'esquecidas', como as vítimas católicas – São Maximiliano Kolbe e Santa Teresa Benedita da Cruz são exemplos ilustres dentre muitíssimos outros, ignorados, que bastam para questionar a campanha de desinformação orquestrada por quem acusa a Igreja de ter sido 'cúmplice' daquela carnificina).

Sem que se diminua em nada, portanto, a necessidade imperiosa de reconhecer o horror a que foram submetidos covardemente o povo judeu e as outras minorias perseguidas pelo nazismo, é preciso observar igualmente que, em comparação, muitíssimo menos gente já ouviu dizer que Stalin matou, pouco antes, 6 milhões de ucranianos, cazaques e outras minorias soviéticas mediante a imposição da fome massiva. Do mesmo modo são pouquíssimos os que sabem dos outros 14 milhões de pessoas assassinadas pelo comunismo apenas na União Soviética, sem falar do restante de vítimas em uma lista estarrecedora de seres humanos exterminados no mundo todo ao longo do século passado: foram 65 milhões na República Popular da China; 1 milhão no Vietnã; 2 milhões na Coreia do Norte; 2 milhões no Camboja; 1 milhão nos países comunistas do Leste Europeu; 1,7 milhão na África; 1,5 milhão no Afeganistão; 150 mil na América Latina; 10 mil como resultado das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder.

Esta soma petrificante de quase 100 milhões de seres humanos exterminados pelos regimes comunistas é estimada, com fundamento e propriedade, pelos respeitados autores de "O Livro Negro do Comunismo: crimes, terror, repressão", obra coletiva encabeçada por Stéphane Courtois, em 1997. De lá para cá, nas regiões que continuaram sujeitas ao regime comunista e seus métodos intrinsecamente opressivos (comunismo e ditadura são irmãos gêmeos, já que a almejada 'igualdade' precisa sempre, necessariamente, ser imposta à força), como a China, a Coreia do Norte e outras nações que retrocederam em sua trajetória democrática para reeditar essa aberração histórica, como é o caso da Venezuela de Chávez, Maduro e seus parceiros do Foro de São Paulo, uma multidão de novos cadáveres veio aumentar a cifra já assustadora.

Numa época em que as farsas de viés socialista desgraçadamente voltam a ganhar força, apresentando-se ao mundo como "libertadoras do povo" ou as eternas "salvadoras dos pobres" (novamente, vide Venezuela, e regimes de 'fatiamento da riqueza' praticado por governos de ideologia socialista em países como Cuba, Argentina e Brasil), a verdade sobre o comunismo costuma ser "evitada" nos noticiosos de TVs e nos grandes jornais e revistas a serviço desse mesmo projeto de poder (que perfazem a quase totalidade). Este poder, desnecessário seria dizer, não é nunca, exatamente, o poder "do proletariado", como prega a propaganda, mas sim dos partícipes do governo, que invariavelmente vivem no luxo enquanto a população é nivelada por baixo. A este propósito, nunca é demais recordar o magistral resumo feito por George Orwell sobre a 'igualdade' realizada pelo comunismo, em sua obra genial "A Revolução dos Bichos": "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros".

Dentro desse contexto ideológico e da tergiversação dos fatos que é uma sua característica indissociável, é digno de aplausos que o Papa Francisco tenha dado nome aos bois – assim como já deu a outro genocídio amplamente “esquecido” pelo mundo até recentemente: aquele que a Turquia otomana perpetrou contra a Armênia cristã em 1915.

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1. No dizer de Pierre Joseph Proudhon (1809 – 1865), pensador revolucionário francês autoproclamado anarquista e tido como um dos mais influentes teóricos e autores do chamado socialismo utópico.
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Adaptado de:
VÊNETO. Francisco. Papa Francisco toca em um assunto quase proibido – a mídia fingiu que nem ouviu, Aleteia, disp. em:
pt.aleteia.org/2017/11/28/papa-francisco-tocou-em-assunto-quase-proibido-e-a-midia-fingiu-que-nem-ouviu/
Acesso 29/11/2017
www.ofielcatolico.com.br

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