A Igreja de Cristo dividida em grupos?


QUANTOS GRUPOS EXISTEM, hoje, na Igreja Católica? Logo de imediato, ao ouvir essa pergunta, qualquer católico minimamente atento poderia mencionar dois: o dos modernistas e o dos tradicionais. Porém a questão é muito mais complexa. Vejamos...

Ocorre que, inseridos dentro desses mencionados dois grandes grupos, temos uma variação de subgrupos que os compõem, como por exemplo os adeptos e simpatizantes da herética “'teologia' da libertação” (TL), que se incluem no grupo dos modernistas. Claro, nem todo modernista é, necessariamente, adepto da TL, embora todo simpatizante da TL seja necessariamente um modernista. Por outro lado, existem católicos favoráveis a toda sorte de inovação na Igreja e “invenções” na Liturgia, mas que não adotam nem apoiam a deturpação marxista da Doutrina sagrada.

Por outro lado, não é conveniente e nem é correto citar o grupo que adere à TL como um grupo "católico", porque de fato não é. Para dizer de modo claro e sem embromações, estamos tratando, aqui, de um grupo de hereges excomungados latae sententiae; simples assim. Descontados aqueles que apoiam o movimento por ingenuidade e/ou mera ignorância, trata-se de gente que não têm fé católica, que não crê na autoridade da Igreja, na materialidade dos Sacramentos, nos milagres de Deus, etc. Por fim, não creem nem sequer na Ressurreição de Nosso Senhor.

Ainda entre os modernistas, não há como não se mencionar o povo da Renovação Carismática Católica (RCC). Um grupo modernista, sim, porém com peculiaridades distintivas. Conheço gente da RCC que é fidelíssima no estudo da Doutrina, lê Sto. Tomás de Aquino e as vidas dos santos, manda carta para o bispo criticando atitudes de padres marxistas, etc. Ainda assim, claro, não podem se incluir entre os tradicionais por dois motivos bastante evidentes: os abusos na Liturgia e a protestantização da fé.

Muito, e em muitos lugares, já se falou sobre a grande polêmica envolvendo a RCC. Nós, da Fraternidade Laical São Próspero, apesar de não nos identificarmos com esse tipo de espiritualidade e nem com esse tipo característico de pregação (que apela sempre ao sentimentalismo, com musiquinha emotiva tocada ao fundo) respeitamos o movimento carismático na Igreja por alguns motivos: 1) porque é um movimento majoritariamente composto por pessoas de boa vontade, que têm uma fé viva e autêntica; 2) porque, catolicamente, ali não se faz acepção de pessoas, como ocorre em outros grupos; 3) principalmente porque esse movimento não deixa de ser uma grande porta de entrada e de retorno à Igreja Católica: já o foi, de fato, para uma verdadeira multidão (em nossa fraternidade temos gente que retornou à Igreja por essa via, ainda que hoje viva uma outra experiência de fé).

Nada disso, porém, anula a realidade dos abusos litúrgicos da RCC, que em muitos casos são realmente graves. Também é impossível negar que a responsabilidade maior por esse problema é dos padres muito “criativos” (muitos destes igualmente bem intencionados) que se portam como verdadeiras “estrelas”, fazendo-se o centro das celebrações.

Sobre esse problema, particularmente incomoda-nos o fato bastante óbvio de que seria muito fácil resolver tudo e de uma vez por todas, se todas as expressões que provocam a polêmica (os louvores gritados, a música agitada tocada com instrumentos no volume máximo, a liberdade de expressão total durante o culto, etc.), fossem realizadas em encontros de oração próprios, organizados pela mesma RCC. Aí, sim, seria o momento e o ambiente ideais para se dar vazão a toda essa energia especialmente característica dos brasileiros (já que em outros países os encontros da RCC são bem mais moderados do que os nossos). Bastaria não confundir esses eventos de louvor com a celebração da santa Missa e a renovação do Santo Sacrifício, compreendendo-se que são realidades distintas, e assim, de modo realmente simples, tudo se resolveria.

Outro problema sério da RCC é a nítida protestantização da fé da Igreja, se não na Doutrina teórica, certamente na prática, com certas deturpações (ainda que pontuais) e na ideia de que novas “revelações” divinas surjam a todo momento entre eles (‘Deus me falou agora que tal irmão deve fazer isso e aquilo...’), em cada reunião desses grupos.

Mas esta reflexão não é sobre a RCC. É sobre divisões na Igreja. E entre os católicos tradicionais temos também algumas subdivisões. Temos aqueles mais radicais, que só assistem Missa em latim, rezam em latim e recusam qualquer valor no Concílio Vaticano II; estes são geralmente chamados tradicionalistas ou radtrads (tradicionais radicais). Há outros ainda mais radicais, os que adotam o sedevacantismo e creem que o Trono de Pedro está vago; são os sedevacantes (a maioria destes crê que o último papado válido foi o de Pio XII, mas há outros que creem que Bento XVI foi o último papa eleito canonicamente, rejeitando apenas Francisco).

Quanto aos sedevacantes, porém, como no caso do povo da TL, torna-se difícil chamá-los ainda “católicos”, mesmo que pela minha experiência (como diretor de apostolado há mais de dez anos) eu perceba, conheça e reconheça que muitos dentre eles são sérios e procuram honestamente santificar suas vidas. Acreditam piamente e com pureza de alma que estão fazendo o certo, e (alguns dentre estes) o fazem por amor a Cristo. Fato é que Deus julgará a todos.

Para não deixar este artigo sobre grupos longo e enfadonho demais, não falaremos em detalhes sobre os populares católicos “isentões”, aqueles que apreciam se manter sempre "em cima do muro", em todas as situações difíceis, nem dos chamados “católicos jujuba”, aqueles que, muito bonitinhos e sempre "politicamente corretos", têm para si o respeito humano como se fosse o principal de todos os mandamentos. Confundem a ordem de Cristo sobre não julgar com aceitar tudo, achar tudo normal e viver um catolicismo que se assemelha muito, na prática, ao espiritismo: questões relativas à moral e à Doutrina objetivamente não importam; para eles, basta "fazer o bem" e praticar a caridade para ser um bom cristão.

Não falaremos em detalhes, ainda, dos católicos “vaquinhas de presépio”, que elevam o respeito à hierarquia eclesiástica acima da própria obediência aos Mandamentos de Deus e os da Igreja, achando que absolutamente tudo que o padre ou o bispo dizem é verdade inquestionável e dogma imutável (muitos destes são verdadeiros 'papólatras'), nem dos tradicionalistas fariseus” ou legalistas, que se preocupam e se empenham muitíssimo em todas as aparências de santidade e com a Liturgia em suas minúcias, mas que não têm noção do significado da palavra caridade, odeiam os pobres e não são capazes de mover sequer um dedo para ajudar algum irmão que sofre e que legitimamente lhes pede auxílio.


* * *

Apresentados, desse modo breve e geral, os grupos e subgrupos em que vem se dividindo a Igreja, cabe concluir expondo aquilo que identificamos como uma grande tragédia, um dos maiores problemas que vivemos em nossos tempos: ocorre que, dos dois grandes grupos principais, com suas particularidades e desafios, a imensa maioria dos nossos pastores vêm valorizando, assistindo e incentivando apenas um, o dos modernistas. Por que isso acontece? Por um lado, porque há uma dificuldade de se identificar a realidade objetiva; não se enxerga ou não se quer enxergar essa diversidade. Por outro lado, há, da parte de membros poderosos e infiéis do clero, o desejo (já antigo) de superar definitivamente todo o passado santo e glorioso da Igreja pré-Vaticano II, enterrá-lo bem fundo e esquecê-lo, como se nunca tivesse existido. Note-se que essa corrente existe e atua já desde bem antes do próprio Concílio e foi o que motivou, em grande medida, a realização deste.

Além disso, há a grande novidade imposta após o mesmo Vaticano II (ainda que o próprio Concílio não o tenha determinado em nenhum momento): a novidade de elevar a comunidade – “o povo, o povo” – como centro e ápice da vida litúrgica. De fato, na Igreja tal como era antes, não seria possível ocorrer essas divisões e subdivisões em grupos, porque havia um conjunto de regras realmente muito claras, uma doutrina moral muito bem definida, uma celebração Eucarística (que é o centro da vida da Igreja) igual em todas as igrejas e a absoluta submissão e discrição dos sacerdotes. E os que não o aceitassem ou se insubordinassem contra bispos fiéis, eram rapidamente afastados.

Sim, é inescapável: se refletirmos por alguns instantes em cada um desses grupos, torna-se inegável que o seu surgimento não seria possível na Igreja que existia antes do Concílio.

Porém o mais importante é manter em mente que essa Igreja dita “pós-conciliar” simplesmente não existe. Ora, Cristo e os Apóstolos são “pré-conciliares”! E a Igreja, enquanto continuidade histórica da Encarnação do Cristo, assim como Ele é sempre a mesma, ontem, hoje e eternamente (conf. Hb 13,18).

Logo, que não se pense que existam “duas Igrejas”, uma modernista, com os subgrupos que a compõem, e outra “tradicional”, com seus próprios subgrupos. Só há uma Igreja, como só há um Corpo santo, e essa Igreja persiste naqueles que lhe são fiéis. É a esta Igreja-Cristo que queremos servir, é a esta que amamos tão profundamente, é desta que queremos ser membros e instrumentos no mundo. E ela perdurará e triunfará sobre o Inferno –, em Cristo com Cristo e por Cristo –, até o fim dos tempos, porque assim nos prometeu Nosso Senhor (Mt 16, 18; 28,19-20).

...E, ainda que para a nossa fé não fosse necessário, assim também confirmou Nossa Senhora a permanência e o triunfo da Igreja, em Fátima, na aparição de 13 de julho de 1917, depois de mostrar o inferno aos Pastorinhos e de prometer que viria pedir a consagração da Rússia, a Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados e lhes mostrar o futuro apocalíptico: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.


* * *

Em qual grupo nós, da Fraternidade Laical São Próspero, nos incluímos? Frequentemente nos perguntam. E a resposta não varia: a nenhum. Somos católicos. Ponto.

Sabemos todavia o que não somos: não somos modernistas e nem queremos inovações daquilo que é atemporal, pois a Igreja não admite modismos e nem precisa "evoluir" enquanto tal, e sim permanecer firme na Tradição recebida dos Apóstolos. Somos, então, tradicionais, sim, porquanto a verdadeira Igreja é a que observa a Tradição dos Apóstolos (2Ts 2,15). Mas não nos consideramos tradicionalistas radicais; tudo o que queremos é que a verdadeira Igreja de Cristo, que é Una e que reúne os santos do Céu (muitíssimo mais numerosos) e os que agora caminham sobre a Terra, assuma e viva aquilo que é: o Corpo Místico de Cristo, a Casa do Deus Vivo, que tem um só Senhor e professa uma só Fé e um só Batismo (conf. Ef 4,5).

Não nos arrogamos o direito ou a autoridade – assim como não poderíamos mesmo fazê-lo – de ditar regras ou dizer quem está ou não em Comunhão com a Igreja. Isso é diferente de denunciar os erros, onde existam e sejam claros, o que se configura, aí sim, em uma prerrogativa dos leigos garantida inclusive pelo Código de Direito Canônico (Cân 212, §§ 2-3).

Sendo assim, a nossa postura é a da prudência e da busca diária, incessante – nas súplicas e na perseverança – da Fé, da Esperança e da verdadeira Caridade. Entristecemo-nos com a situação cada vez mais difícil e sofremos junto com a Santíssima Virgem que, em tantas aparições, como em La Salete, chora por seus filhos. Indignamo-nos com a falta de zelo de tantos dos nossos pastores, e com as verdadeiras traições de outros tantos. Queremos apenas e tão somente servir como um útil instrumento para todo aquele que busca a Verdade e erra confuso nestes nossos dias de tempestades.


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12 comentários:

  1. Fui protestante e agora estou indo para a Santa Igreja. Em certo momento esses grupos me confundiram. Pensei que talvez fosse melhor nem ir para a Igreja nestes momentos tão turbulentos mas pensando bem as promessas de nosso Senhor não deixarão de serem cumpridas: "As portas do inferno não prevalecerão". Sem a igreja ficamos sem a confissão e sem a eucaristia. É um risco a nossa alma. Na paróquia onde estou indo me parece ter uma leve influência da TL, mas vejo que os Padres acreditam nos dogmas da fé, na presença real, na vida eterna,há certos abusos na missa também, mas nada de extravagante como em uma missa RCC. Por isso decidi continuar firme. Ano que vem me preparo para o Santo Crisma e a primeira comunhão. Agradeço ao Henrique, pois seu site foi um dos vários meios, como o Padre Paulo, no qual pude conhecer mais a fé católica.

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  2. Perfeita explanação. Hoje em dia é muito difícil ser simplesmente católico. A tradição deve prevalecer, mas realmente muitos se deixam levar e esquecem da caridade, por que sabem muito da teoria e quase nada da prática. Ser catolico é viver todos os momentos da vida em comunhão com Cristo.

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  3. Mais uma vez, parabéns pelo incrível trabalho de vocês.
    Imagino que manter um site como esse deve ter muitas provações, mas não desistam. Muitos frutos ainda serão colhidos dessa incrível obra.

    A igreja modernista hoje, infelizmente, não cria verdadeiros cristãos, mas vamos seguindo nessa luta, sem desistir.

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  4. Acho que essas divisões sempre existiram, lógico que com outros atores, formas e contornos e acho que sempre vão existir, porque é da natureza do homem as diferentes formas de pensar e agir, refletindo portanto na expressão da fé, carismas etc, a própria reforma protestante nasceu dentro do clero. E é importante que as pessoas estejam incomodadas, querendo mudar, não acho o caminho modernista adequado e não vou entrar no mérito entre modernistas e tradicionalistas, porque acho que a mudança mais importante está em outra realidade. Pior que a mudança é o comodismo. E um dos grandes problemas da Igreja é a acomodação, a ausência de vigor missionário, de vigor de evangelização, a Igreja de manutenção, que se preocupa com as 99 ovelhas presentes e abandona aquela que fugiu (porém a conta está se invertendo!). Assistimos nos últimos anos um processo de fechamento da Igreja, cada vez mais se preocupando apenas com o que ocorre no seu interior, suas próprias questões internas. A Igreja deveria se abrir ao mundo e não se fechar. O mundo não deve entrar na Igreja mas a Igreja deve entrar no mundo, a ordem é ide e evangelizai, mas infelizmente o evangelizai da Igreja termina no escritório paroquial. Eu trabalhei com pastoral muitos anos e a Igreja infelizmente, não tem quase nada a oferecer a essas pessoas afastadas da fé, ou mesmo quem nunca teve contato, será que manter um escritório paroquial aberto oito horas por dia para que as pessoas procurem a Igreja é suficiente? Outra questão é a imensa falta de protagonismo dos leigos. Salvo raras exceções, o leigo é visto como organizador de quermesse, que é importante, é o que mantém as atividades extra missa nas paróquias. Mas o leigo deveria ter um papel mais ativo na evangelização, isso não quer dizer muitos ministros de Eucaristia e leitores, mas o leigo ser uma extensão da Igreja fora do templo. Há pouquíssimo espaço para isso. Quem, no mundo Cristão, tem mais de um bilhão de pessoas, potenciais propagadores da fé? Infelizmente potencial desperdiçado. Os protestantes vão de casa em casa com a Bíblia debaixo do braço, e levam muita gente para suas denominações e nós não conseguimos fazer isso. A Bíblia foi feita pela Igreja e para a Igreja e não se usa, e indiscutivelmente é a maior ferramenta de conversão disponível. Quando vamos as casas das pessoas, vamos com livretos ou manuais enfadonhos, muitas vezes defasados e alheios a realidade encontrada, já a Bíblia não defasa. A Igreja tem de se adaptar as novas realidades, há muito já não é religião oficial de Estado, embora ainda se comporte como tal. A questão, na minha opinião, não é mudança doutrinária, ou litúrgica, mas de atitude perante os desafios a evangelização, de nada adianta fazer da missa um festival de inovações ou um modelo da fé tradicional, se não conseguimos alcançar as pessoas.

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  5. Bom dia Alexandre Pereira
    Isso mesmo nosso olhar tem que estar fixos em Deus para que possamos viver bem as graças que Cristo deixou em sua Igreja, e o site fiel católico, Padre Paulo Ricardo e Professor Felipe Aquino nos ajudam muito a de fato não nos confundirmos com vocês que não são do pastor, desde o tempo de Cristo já haviam essas divisões me lembro nos Atos dos Apostolos quando os apostolos sairam para pregar o Evangelho de Jesus Cristo, quantas controversas e eles voltavam a Pedro para buscarem uma forma correta e conciliadora para viverem o verdadeiro Cristianismo e graças a Deus nos nossos tempos temos também essa graça por esses meios que mencionei acima, que bom que você voltou seja muito bem vindo e sinta-se acolhido. Com amor fraterno.
    Paz e bem

    Obrigada Henrique e toda equipe por nos conduzir com tanta dedicação e amor a Jesus e sua Igreja Deus os abençoe

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  6. Obrigado pela exposicao, muito oportuna,clara e objectiva. Irmao Tiago Ali, assino por baixo tudo quanto escreveste. E' uma realidade preocupante a estagnacao da evangelizacao. Ate parece que a Igreja deixa aos outros a conquista das almas deliberadamente.

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  7. Tiago Agi
    Concordo com quase tudo que você disse, mas não vejo a bíblia com esse imenso poder de conversão, além dela (que é importantíssima) eu acrescentaria o testemunho de vida de quem está a evangelizar (não adianta eu ter a sagrada escritura decorada e minha vida mostrar o contrário do que prego), um segundo ponto seria o conhecimento da verdadeira história da Igreja, já que temos um árduo trabalho de combater as mentiras que a Igreja sofreu durante séculos e sofre até hoje e o último ponto a acrescentar seria mostrar a essas pessoas a vida dos santos, como diria padre Paulo Ricardo, "a Igreja que deu certo", a Igreja que prosperou, os santos são a prova cabal de que simples mortais como eu e você podemos alcançar a santidade e consequentemente a nossa salvação.
    Paz e bem.

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  8. Sim Eduardo, a evangelização depende de um conjunto, eu disse que a Bíblia é o maior, não o único. O que normalmente ocorre, é o seguinte: Nós leigos em geral, vamos ter um contato mais profundo com a doutrina ou com a Bíblia no momento que somos questionados e normalmente por um protestante, que diz: A Igreja erra nisso e naquilo etc, porque a Bíblia diz isso, e aquilo etc. Daí, ou se acredita no que é defendido pelo protestante que usa como base a Bíblia e você abandona a Igreja, ou pode se ir pelo caminho mais difícil, onde será confrontada a doutrina católica com a Bíblia, o que exige muita pesquisa. Ocorre que quando se confronta essas duas realidades e se verifica que são compatíveis, doutrina e tradição da Igreja com a Bíblia, se ganha a convicção e a convicção que não existia, caso contrário não teria nem iniciado uma pesquisa, é muito difícil de ser removida. Essa é na minha opinião o grande diferencial da Bíblia, é a Palavra de Deus e ninguém vai questionar, pode até ser questionada a interpretação, mas é outra história. E a grande questão de desentendimento com os protestantes desde o início foi: Quem está acima? Bíblia ou Magistério. Quiseram jogar o Magistério contra a Bíblia, e a Igreja defendia o contrário, o Magistério é o guardião da Bíblia, assim como, numa comparação grosso modo, o nosso STF deveria ser o guardião da Constituição, não para abusar dela, mas para efetivá-la e defende-la. Portanto, ainda que tenha o testemunho particular e dos santos e muito conhecimento, na minha opinião não deveríamos abrir mão da Bíblia, é um critério muito importante e deveria ser usado com maior frequência, porque a 30, 50 anos atrás o magistério era suficiente, hoje pelo nível e grau de questionamento, talvez já não o seja. A título de reflexão, tem horas que fico pensando: A tradição da Igreja tem tanta coisa fantástica, bonita, que emociona, que eleva o espírito, mas que fica escondida num canto, num baú trancado, porque vivemos no mundo do essencial, do "basicão", da novidade. Hoje, trazer toda essa riqueza da "cultura sacra" católica e transmitir é complicado. É como servir um banquete a um faminto, ele só quer encher a barriga. E outro vem e diz: isso tudo não importa, é só Jesus! E isso casa com o mundo atual, é o essencial, mas infelizmente se perde toda a riqueza construída em volta. Pode ser até um defeito, mas eu sou muito pragmático, e a Igreja tem a missão de evangelizar, e essa missão está sendo meio que deixada de lado por essas lutas internas das lideranças eclesiásticas em torno dessa guerra entre tradicional e moderno, se a Igreja estivesse prosperando, no sentido da evangelização, essas questões seriam secundárias. Por isso que eu acho que antes de mais nada a Igreja tem de chegar as pessoas, é o essencial, não adianta ter um monte de coisas para deixar escondida ou um monte de novidades, se não tem com quem partilhar.

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  9. Tiago Agi
    Agora entendi bem e concordo com tudo que você disse, quem tem ter essa atitude que você pede são os padres, que na maioria são relapsos, estão alheios a toda a dificuldade que a Igreja vem passando, agem como todos que estão na assembléia participando de uma santa missa soubessem de tudo, essa é uma triste realidade da Igreja, a maioria das pessoas não sabem o que significa e o que se celebra numa missa, muito menos sabem o são as sagradas escrituras (de acordo com a visão da Igreja).
    Paz e bem.

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    1. Sim Eduardo, não vou generalizar toda a Igreja, é muito grande e muita gente, a realidade que eu presenciei foi essa. Todos encontros, eventos que participei e ajudei a organizar, têm o momento de decidir quem será convidado a participar e ocorre de alguém ser indicado e ouvimos o seguinte: Fulano não pode, porque não frequenta mais a missa, Beltrano separou da esposa, Ciclano virou evangélico. Qual é o público alvo? Católicos praticantes, ou seja, a Igreja de manutenção. Mas nós leigos também temos nossa parcela de responsabilidade que muitas vezes negligenciamos. Tenho exemplo disso na própria família, onde um parente que participava de um grupo de oração de terço, duas vezes por semana, passou por uma cirurgia e teve de ficar acamado, a única queixa dele foi: Ninguém do terço me visitou, não ligaram nem pra saber se estou vivo ou morto e ele repetiu isso vários dias. Que tipo de fraternidade é essa? De que adianta rezar o terço semanalmente e não ser capaz de realizar uma ação concreta em favor do irmão? Não digo nem materialmente, mas muitas vezes levar uma palavra de conforto, ouvir um desabafo é mais que suficiente. Nossos avós tinham muito desse saudável costume, visitar um vizinho, parente ou amigo, nós estamos perdendo esse costume. Véspera da sexta feira da paixão, bares lotados com nossos jovens, a última coisa de que se fala no natal é sobre o nascimento de Jesus Cristo e tantas outras coisas que estão perdendo significado. Tanto o clero quanto nós leigos precisamos de mudança de atitude.

      Paz e bem.

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  10. Fiel Católico,sou um profundo admirador do site de vocês,do trabalho de vocês,que tenho certeza é guiado e abençoado por Deus e a minha visita nele é praticamente diária pois aprendo com as suas postagens aqui constantemente,e continuarei acessando sempre,mas queria pedir um esclarecimento,e com ele confessar um desejo ... Sinto falta daquelas frases biblícas que ficavam no lado direito do site que confirmavam a Fé da Igreja através das Sagradas Escrituras,me serviam como fonte de pesquisa e gostaria de saber se seria possível que elas pudessem ser colocadas de novo na página inicial do site.
    Desde já agradeço !
    A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês!

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  11. Faltou maiores comentários sobre os modernistas. Pessoas que se dizem católicas e apoiam aborto, casamento gay, eutanásia, ordenação de mulheres, para eles não existem inferno Deus é bonzinho salva todo mundo, voltam no PT e outras aberrações. Paz e Bem.

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