Pandemia: as igrejas devem reabrir ou permanecer fechadas?

Igrejas na Polônia: o álcool a 70% tomou o lugar da água benta, mas as portas estão abertas

NOSSA PUBLICAÇÃO sobre a reação de Dom Giovanni D'ercole, Bispo italiano que se levanta contra o Governo do seu país pedindo a imediata abertura das igrejas (leia), gerou uma reação inusitada.

Estes nossos tempos de pandemia e de provações fizeram nascer uma compreensão completamente equivocada sobre a importância dos templos em que cultuamos o Deus Vivo e Verdadeiro, que são para nós como que "Casas de Deus" e que é aonde acorremos para desfrutar da Santa Missa e comungar do Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Claro e evidente que Deus não se confina a edifícios construídos por mãos humanas, como testemunham as Sagradas Escrituras (em Atos dos Apóstolos 7,48 e outras). Deus é o Criador e SENHOR de todas as coisas e sua existência transcende radicalmente as limitações do espaço-tempo; mas também é verdade que desde sempre as igrejas constituem o local que é consagrado – e sagrado – para todos os cristãos, feito especialmente para lhe prestar culto de adoração, e é de se lamentar profundamente que tenham sido fechadas por medo de uma enfermidade, quando são o refúgio para todos os que têm fé e constituem, justamente, o lugar onde especialmente se vai para suplicar pelo auxílio divino, pela intervenção de Deus na calamidade, pelo bem dos povos, pela cura dos doentes.

Nada mais natural e louvável que um Bispo, um pastor de almas, venha pedir que se reabram os templos, que são – para todo aquele que tem Fé – tão ou mais importantes do que as farmácias, as quais, evidentemente, permanecem abertas. Desgraçadamente, também é natural que, num mundo materialista como o nosso, considere-se mais importante comprar remédios para o corpo do que buscar o remédio para a alma.

Claro e evidente que, quando consideramos que as igrejas deveriam permanecer abertas, dizemos que isso deveria ser feito com todas as devidas precauções sanitárias e de distanciamento, do mesmo modo que se faz com as farmácias e supermercados que estão abertos (por motivos justos e óbvios). Na Polônia, por exemplo, as igrejas permaneceram abertas, mas foram impostas regras severas para a prevenção do contágio semelhantes às que ocorrem nesses estabelecimentos cujo funcionamento é liberado. Além disso, foram dispensados da assistência à Missa dominical os idosos, os fiéis com sintomas de gripe, as crianças e todos os que cuidam deles, e também todos aqueles que simplesmente temem o contágio do coronavírus (saiba mais). Em outras palavras, não se obriga ninguém a ir à Igreja, nem para cumprir o preceito dominical (o que nos parece correto), mas as igrejas estão abertas para quem quiser ir implorar a Deus pela cura ou simplesmente por forças para enfrentar o momento difícil, desde que observadas as regras de prevenção da doença.


"Assim como os hospitais tratam das doenças do corpo, as igrejas tratam as do espírito, sendo, portanto, impensável não rezar na igreja. (...) A Igreja serve os doentes e necessitados há dois mil anos, mesmo em épocas de epidemia, sem nunca renunciar aos Sacramentos e à pregação."
(Arcebispo Stanisław Gądecki, Presidente da Conferência Episcopal e Metropolita de Poznań, Polônia, em declaração pública para o Vatican News)[1]


Vemos canais de TV fazendo campanhas para que as pessoas enviem mensagens para os idosos e familiares isolados, para que estes não se sintam sozinhos. Dizem para ficar em casa, mas mandar notícias aos entes queridos, para evitar a depressão que, em alguns casos extremos pode levar ao suicídio (o que já vem ocorrendo, especialmente entre policiais). Pois nada, absolutamente nada é mais eficaz para evitar a depressão do que visitar uma capela e rezar nesse lugar de paz e silêncio, na Presença de Deus diante do Santíssimo Sacramento.

E que católico pode renegar as curas que acontecem nesses momentos de íntima Comunhão com Deus, pela intervenção divina direta, pela intercessão da Santíssima Virgem ou de um Santo de devoção?


*  *  *

Entendem alguns, porém, que a passagem do Evangelho segundo Mateus 18,20 ('Onde estiverem dois ou três reunidos em meu Nome, ali estou Eu no meio deles') nos licencia a dizer que a igreja não tem grande importância; alegam que, lá no início, nos primeiros anos da Igreja, ainda não existiam os templos e a própria Missa era celebrada nos lares, e que portanto basta rezar em casa ou em qualquer lugar, e fazer isso basta. Que dizer a esse respeito?

De minha parte, não compreendo verdadeiro católico que tema mais qualquer doença do que ficar longe da Santa Missa e da Sacratíssima Eucaristia. É verdade que no início da Igreja não haviam os templos, mas isso só acontecia devido às perseguições violentas, primeiro dos judeus, depois dos romanos. Assim que essas perseguições cessaram e os cristãos se viram livres para cultuar o Deus Vivo e Verdadeiro, de imediato construíram seus templos. 

O fato é que nós não vivemos mais naqueles primeiros tempos, e infelizmente a maior parte dos nossos pastores de hoje também não são mais como eram os Apóstolos do Senhor e seus primeiros sucessores, totalmente dispostos a dar a vida pela proclamação do Evangelho – que não temiam nem perseguições e nem enfermidades de espécie alguma: pelo contrário, pela oração e fé inquebrantável, venciam e superavam os piores obstáculos e males.

O que vejo, hoje, são muitos padres e bispos aderindo à histeria coletiva que boa parte da grande mídia faz questão de fomentar, com a clara única finalidade de derrubar o atual Governo, que não favorece e nem teme certas emissoras de TV, como faziam os Governos anteriores. 

Quando falo em "histeria", fique claro que não estou negando a realidade ou a gravidade da doença, e nem o grande perigo que representa. O perigo é real, mas também é verdade que se criou uma grande histeria em torno dela. Todos os cuidados devem ser tomados, sim, mas não há nenhuma justificativa razoável para se proibir o culto religioso público no momento em que ele é mais necessário, privando as pessoas de exercer a sua fé da maneira mais conveniente. 

A passagem em que Nosso Senhor fala em "dois ou três reunidos" em seu Nome tem um sentido muito específico e localizado na narrativa bíblica; não serve para o fim que tantas vezes já quiseram lhe atribuir ('a Igreja somos nós, deixemos então a Igreja de lado'...). 

Como católico, sou convicto de que ninguém – absolutamente ninguém – morre antes de chegar a sua hora e sem a permissão de Deus. Se eu não cresse nisso, não seria católico. Se eu temesse mais qualquer doença do que a Deus, então eu já não seria cristão. Se já estamos vivendo tempos em que católicos criticam mais os poucos pastores fiéis que lhes restam e que pelo bem das almas se levantam contra o fechamento das igrejas, do que contra o próprio fato de elas estarem fechadas, então o fim dos tempos verdadeiramente deve estar muito próximo.

** Para uma compreensão correta – e católica – da passagem de Mateus 18,20, sugiro a leitura do artigo que pode ser lindo acessando-se o link abaixo:




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Vatican News, disp. em
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-03/polonia-igreja-catolica-medidas-coronavirus.html Acesso 7/5/2020

2 comentários:

  1. Prezados membros deste apostolado, gostaria de propor uma simples relexão:

    Nunca na história da humanidade houve tanto acesso a informações, do passado, do presente e até do futuro. Porém, realmente vivemos a era do conhecimento? Por que, relativamente, parece ser a época mais ignorante da história, pois, apesar do gigantesco conteúdo de informações, nem todos os fatos, são favoráveis a determinada pessoa ou grupo, logo são ignorados. A realidade virou sinônimo de maioria, de likes, curtidas etc.

    Vivemos a era da narrativa, ou meia verdade, ou minha verdade, ou ainda, simples mentira. E para piorar, na era da "lacração". Onde as pessoas constroem e se abrigam num sistema de fatos selecionados, de modo, a não lhes contrariar. Isto ocorre na política, na sociedade, na Igreja, nas famílias, onde cada grupo quer impor seu molde ideal de realidade aos demais. E isto está levando o mundo a loucura, a realidade é destruída e varrida para debaixo do tapete, com um sarcasmo aterrador.

    O grande sinal da narrativa é a intolerância, pois é destinada a um grupo cativo de apoiadores, assim, não tolera o diálogo com contraditório, visto, que a narrativa não resiste aos fatos. Busca-se cercear seus emissores, por ataques pessoais, a honra etc, na tentativa de desqualificar as pessoas, sem que seja necessário, enfrentar seus argumentos. As redes sociais são um prato cheio desses comportamentos.
    Digo isto como uma reflexão de modo geral.

    De modo particular, observei neste apostolado, quanto ao COVID-19, a construção de uma narrativa, a do heroísmo dos antepassados, que supostamente, nunca fechariam os templos (no meu entender, a Igreja nunca esteve fechada, os templos sim), em razão de doença. Como católico, cristão, não consigo entender onde esta o heroísmo, em arriscar expôr idosos e doentes a dores e sofrimentos excruciantes, por falta de ar, isolados numa UTI, juntamente com sofrimento de inúmeros familiares. Isto não entra na minha concepção de Igreja fraterna, cristianismo, dos mártires e dos santos, aprendi com São João Paulo II, que a fé e a razão caminham juntas e que Deus doou a própria vida por nós, porque nos ama, e o sofrimento injusto de ninguém O agrada. Pode ser que na Igreja de concreto, que não pensa, não sente, não tem compaixão, isso seja heroico. Mas na Igreja de carne, osso, alma e divindade, não. Sendo assim, parti para a pesquisa e me deparo com dois exemplos históricos, um papa e um santo, que no meio de epidemias, fecharam os templos. Para minha surpresa, foi interrompida uma conversa cordial, onde procurava expôr estes argumentos, e depois em cima deste debate, o apostolado publica outro texto, sem sequer mencionar estes argumentos, pelo contrário, aprofundando a narrativa, com doses cavalares de lacração. Pode ser que o arcebispo polonês não conheça a história, de séculos atrás, de São Carlos Borromeu e do Papa Alexandre VII. Mas o apostolado conhecia e para não prejudicar a narrativa, os fatos foram para debaixo do tapete. Podem discordar de mim a vontade, dentro dos fatos, por N motivos, não sou o dono da verdade, porém, com lealdade e sinceridade.

    Não precisa publicar, antes queria apenas tentar contribuir para o debate, isso é só para reflexão das vossas consciências.

    Só uma sugestão: Se não se pode discordar dos textos publicados pelo apostolado, eliminem a possibilidade de comentários. Caso contrário, não suprimam respostas no meio de uma conversa. E se forem utilizar argumentos de alguém para uma postagem, concedam a oportunidade de resposta, pois as pessoas podem ter dedicado um tempo para pesquisar, refletir, escrever. Além de falta de educação é um ato covarde!

    Caso ninguém tenha visto, ou fossem publicar meu comentário anterior, por benefício da dúvida, perdoem-me se fui injusto e desconsiderem.

    Que a paz de Cristo, o amor de Deus, estejam convosco em qualquer lugar que estejam!

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  2. A paz de Jesus Cristo.

    Boa noite, caro Henrique Sebastião e demais irmãos em Jesus Cristo.

    Muito oportuno esse seu texto aqui.

    Continuo com esse Bispo italiano, com a Igreja Católica na Polônia e com tantos outros padres, bispos, que querem a volta da normalidade para nós, católicos.

    Tem uma frase que me lembro agora, uma espécie de ditado: " todo mundo quer ir para o Céu, mas ninguém quer morrer...", pois é, nós devemos preservar a nossa saúde física, mental, mas é muito mais vital, necessária para nós, preservar a saúde da alma, algo impossível de se manter sem participar do Sacrifício da Santa Missa e sem receber a Sagrada Eucaristia.

    Lembrando que até a saúde física e mental está associada a saúde da alma, pois a alma sem alimento pode provocar a doença da mente e do corpo físico.

    Como bem escreveu você, só lembrando; com TODOS seguindo as medidas necessárias para evitar contaminação pelo atual vírus e pelos muitos outros vírus e bactérias que assolam a humanidade desde que traímos o Pai e fomos expulsos do Paraíso.

    Oremos para que as Paróquias do mundo todo volte à normalidade o quanto antes!

    Salve Maria!

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Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

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