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O uso do incenso na Igreja Católica


RECEBEMOS DA LEITORA Raíssa de Alcântara a seguinte mensagem:

(...)Estou noiva de uma pessoa que cresceu em meio as tradições evangélicas e tem sido difícil fazê-lo entender as tradições católicas. Apesar de sempre irmos à missa e participarmos de grupos na igreja, ainda assim ele se encontra com muitas dúvidas. E pelo blog consigo mostrá-lo, com base na Bíblia que é o que mais pesa pra ele, e tenho conseguido fazer com que ele entenda muitas coisas. E graças a Deus já consegui até que ele se interessasse em fazer catequese para entender melhor e posteriormente receber os sacramentos. (...) Minha dúvida é com relação a Santa Missa. Qual é o significado do incenso na celebração? Aqui na minha paróquia eles utilizam, mas ainda não sei o porque e o que representa. Desde já agradeço muito por tudo. E peço a Deus que continue iluminando seus dons e que muitos possam partilhar desse conhecimento e despertar o discernimento.

Caríssima Raíssa, em primeiro lugar, muito obrigado pelas palavras de incentivo. Sentimo-nos um pouco realizados em Cristo quando sabemos que o nosso trabalho é útil para pessoas como você e para o seu noivo, que está agora interessado em aprender sobre o verdadeiro catolicismo. Deus os abençoe abundantemente!

Como você bem deve saber, essa questão do incenso é uma entre muitas outras semelhantes. Muitos dos líderes das novas e novíssimas seitas neopentecostais, ditas "evangélicas", para a nossa tristeza são pródigos em elaborar todo tipo de barreira contra a primeira e única Igreja instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Qualquer detalhe é pretexto para atacar os católicos, e nada escapa às suas construções caluniosas.

Além das famigeradas questões das imagens, do culto aos santos e uma série de outras que já esclarecemos por aqui (veja nesta lista as repostas para essas e outras acusações protestantes/'evangélicas'), novos questionamentos não param de surgir a todo instante. Um desses está relacionado ao uso do incenso, que na boca de alguns teria algo a ver com "paganismo", "idolatria" ou coisa que o valha. Deixando de lado as malucas teorias da conspiração, ou, ainda melhor, lançando-as no lixo, que é o seu devido lugar, procuraremos esclarecer o verdadeiro significado do incenso na liturgia católica, sua origem e finalidades.

Creio que boa parte de nós saiba que o incenso usado na Celebração Eucarística é composto de grãos, de cor amarelo-acastanhada, e que é feito de resinas aromáticas. Nem todos saberão que, normalmente, esta resina provém de árvores da família das bosuélias (boswellias), originárias do Oriente.

O celebrante coloca-se em pé, dois coroinhas ou acólitos se aproximam; um traz o turíbulo, onde estão as brasas e o outro traz a naveta, onde está o incenso. Normalmente, o celebrante deposita três colheres de incenso sobre as brasas. Em seguida, toma o turíbulo com a mão esquerda e com a mão direita faz o movimento de incensação. Mas, qual é o simbolismo do incenso?

A incensação, desde a mais longínqua antiguidade, exprime reverência e oblação, adoração e honra, como ficou registrado nas Sagradas Escrituras:

Suba minha prece como incenso em vossa Presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina.
(Sl 140,2)
Outro anjo veio postar-se junto ao Altar, com um turíbulo de ouro. Deram-lhe uma grande quantidade de incenso para que o oferecesse com as orações de todos os Santos, sobre o Altar de ouro que está diante do Trono.
(Ap 8,3)
Escolhi-os entre todas as tribos de Israel para serem meus sacerdotes, subirem ao meu Altar, queimarem o incenso e se vestirem diante de Mim.
(lSm 2,28)

Para quem aceitou e assumiu como princípio a ideia equivocada de que o cristão só pode aceitar aquilo que esteja escrito literalmente na sagrada Bíblia, aí acima está a tão solicitada "prova bíblica" de que o incenso sempre foi usado no culto a Deus. Mas há ainda muito mais. O Livro do Êxodo descreve o uso do Incenso no Antigo Testamento e como entrava na composição dos perfumes usados no culto, segundo a orientação divina:

O SENHOR disse a Moisés: 'Escolhe ingredientes, bálsamo, unha aromática, gálbano, diversos ingredientes e incenso puro em partes iguais. Farás com esta mistura um perfume composto segundo a arte de perfumista; misturado, será coisa pura e santa. Reduzi-lo-ás a um pó fino e colocá-lo-ás diante do testemunho na tenda da reunião, onde Me encontrarei contigo. Este perfume será para vós uma coisa santíssima. Não fareis para vosso uso outro perfume com a mesma composição. Considerá-lo-ás coisa sagrada, reservada ao SENHOR. Quem dela fizer uma imitação para aspirar o aroma, será excluído do seu povo.
(Ex 3,34-38)


Nas descrições bíblicas, vemos como desde sempre a Liturgia sagrada
fez uso do incenso: nesta ilustração do 'Santo dos santos', vemos o
candelabro de ouro, a altar com pães e o incenso, – elementos
ainda hoje presentes na liturgia católica

O uso do incenso é apresentado também nos Livros dos Provérbios e do Cântico dos Cânticos:

O perfume e o incenso alegram o coração.
(Pr 27,9)

Que é isto que sobe do deserto como uma coluna de fumo, como aroma de mirra e de incenso?
(Ct3,6)

Antes que refresque o dia e desapareçam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso.
(Ct 4,6)

É necessário lembrar e deixar claro que o uso do incenso na liturgia da Igreja Católica nada tem a ver com os "defumadores" usados nos cultos ditos afro-brasileiros, e nem com as varetas usadas nas religiões asiáticas e orientais no geral. Para nós, católicos, o uso do incenso é o mesmíssimo que os antigos sacerdotes em Jerusalém faziam diante da tenda da antiga Aliança, no lugar chamado Santo dos santos, onde se encontrava o altar do incenso. Também a primeira página da história da Nova Aliança foi escrita enquanto Zacarias – pai de São João Batista – oferece sacrifício de incenso no Santuário do Templo (Lc 1,9).

Interessa notar que o uso litúrgico do incenso é compartilhado com as igrejas ortodoxas e também com algumas comunidades protestantes históricas. É uma riqueza litúrgica, no início das Missas solenes, quando se rodeia o Altar onde se oferecerá o Sacrifício incruento, – renovação do Sacrifício no Calvário, do Corpo e Sangue do Cordeiro de Deus, – incensando-o. É glorificação e honra ao Rei e Senhor, pois o Altar da igreja representa Cristo.

Já no Ato Penitencial o incenso se destina a purificar, limpar, expiar os pecados.

No Evangelho que vai ser lido o incenso é respeito e veneração ao Livro Sagrado, outra homenagem ao Cristo que nos fala.

Note-se que a incensação, em nossas celebrações, é feita também aos ministros e à assembleia, como um gesto de reverência, porque formam um só Corpo com Cristo. 

Quando se incensa as oferendas do pão e do vinho, o Altar, o celebrante e outros sacerdotes presentes e/ou o povo de Deus, meditamos dentro de nós: "Eleve-se Senhor, minha oração como este incenso à vossa presença,e desça sobre nós a Vossa Misericórdia".

Quando no momento da consagração se incensa o Corpo e Sangue do Senhor, elevados para adoração dos fiéis, recordamos a Epifania:

Ao entrar na casa viram o Menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
(Mt 2,11)

Não haveria, aliás, melhor maneira de encerrar este artigo do que lembrando que o incenso estava justamente entre os primeiros presentes que Nosso Senhor recebeu ao nascer. Vemos no Evangelho como esse mesmo material, que segundo alguns "pastores" seria "símbolo de paganismo" foi dado ao pequenino Jesus – e exatamente aquele por meio do qual a Sagrada Escritura identifica esse Menino como Deus.

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Fonte:
• Cap. 'Incensação' do Secretariado Nacional de Liturgia, disp. em:
http://www.liturgia.pt/documentos/incenso.php
Acesso 10/9/015
• ALDAZÁBAL, Jose. Gestos e símbolos, vol. I, São Paulo: Loyola, 2005, pp. 77-84

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'Pela primeira vez os Estados Unidos estão mandando uma cristã para a cadeia por ter defendido a sua fé'


KIM DAVIS, foto acima, de Kentucky, que trabalha em cartório, recusou-se a fornecer licença de casamento para um casal gay, por ser contra seus princípios cristãos. Na audiência, ela falou de sua fé cristã e que "não se pode separar o coração da alma". Onde muitos bispos se rebaixaram, ela se levantou.

O juiz, David Bunning, mandou prendê-la até que ela aceite emitir essas licenças. E ainda disse que a fé dela não serve como justificativa.

Não se pode deixar de lembrar do que disse o cardeal George, antes de morrer:

I expect to die in bed, my successor will die in prison and his successor will die a martyr in the public square. His successor will pick up the shards of a ruined society and slowly help rebuild civilization, as the church has done so often in human history."

[Tradução: Eu espero morrer numa cama; meu sucessor morrerá na prisão e o sucessor dele morrerá como mártir em praça pública. O sucessor desse pegará os cacos da sociedade arruinada e lentamente reconstruirá a civilização, como a Igreja tem feito tantas vezes na história]

O candidato a presidente dos Estados Unidos, Ted Cruz, defendeu Kim Davies; disse que o houve é terrível e fundamentalmente errado. Pela primeira vez os Estados Unidos estão mandando uma cristã para a cadeia, porque ela defendeu sua fé. Ele disse que estava do lado de Kim Davies. Estava do lado de qualquer um que seja perseguido pelo Estado por conta de sua fé. O que houve, segundo Cruz, é inconsistente com a Constituição dos Estados Unidos. E que é muito impactante. Para ele, o juiz está dizendo que o Estado pode determinar o que a fé significa. Onde estão aquelas vozes que defendem os oprimidos?


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Fonte:
TPM Livewire, disp. em:
talkingpointsmemo.com/livewire/kim-davis-federal-custody-contempt
Acesso 5/9/015

Com o blog 'Thyself, o Lord'

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3 de Setembro: São Pio X, Papa e Confessor (de 9/8/1903 a 20/8/1914)


PIO X, QUE A IGREJA Católica, pela voz de Sua Santidade o Papa Pio XII, proclamou Santo, é o 78º Papa que a Igreja incluiu no catálogo dos Santos.

Leão XIII
Transcorridos os 11 dias de orações, prescritos para sufrágio da alma do Papa Leão XIII, recém-falecido, os cardeais da Santa Igreja (em número de 62, na época) iniciaram o Conclave com o objetivo de eleger o novo Papa. Os primeiros escrutínios indicavam a escolha do Cardeal Rampolla, – que fora colaborador direto de Leão XIII. – Mas no dia 1º de agosto foi comunicado aos cardeais, no Conclave, o veto do Imperador da Áustria, Francisco José. Veto que, segundo uma tradição, poderia ser exercido pelo Imperador austríaco.

Devido a isso, o Cardeal Giuseppe Sarto, de Veneza, passou a ser o preferido. Entretanto, num exercício de autêntica humildade, pedia aos cardeais que nele não votassem. Mas ele era o escolhido também pela Divina Providência. No sétimo turno da votação, o Cardeal Sarto, por insistência de vários de seus pares no Sacro Colégio, acabou aceitando e foi eleito o 259º sucessor de São Pedro, por 50 votos a seu favor, no dia 4 de agosto de 1903.

O Cardeal Sarto, de cabeça baixa, ouviu o resultado do sufrágio. Segundo o costume, aproximou-se dele o Cardeal Decano e perguntou-lhe se aceitaria ou não a eleição à Sede Pontifícia. Com os olhos banhados em lágrimas, e a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, respondeu: “Se não for possível afastar de mim esse cálice, que se faça a vontade de Deus. Aceito o Pontificado como uma cruz”. Após cinco dias, teve lugar a grandiosa cerimônia de coroação do sucessor de São Pedro, para a glória da Santa Igreja.

Giuseppe Melchiorre Sarto nasceu em Riese (Treviso), – hoje chamada Riese Pio X, – norte da Itália, em dois de junho de 1835, filho de João Batista Sarto (funcionário da prefeitura) e de Margarida Sanson (costureira), segundo de dez filhos. Tinha 23 anos quando foi ordenado sacerdote, aos 18 de setembro de 1858. 

Por 9 anos, foi capelão em Tombolo. Foi também vigário de Salzano, passando ali 9 anos. Por outros 9 anos, foi cônego e diretor espiritual em Treviso. Outros 9 anos, ele os viveu como Bispo de Mântua (16 de novembro de 1884) e outros 9 (15 junho de 1893) como Patriarca de Veneza.

Pio X foi eleito Papa em 1903, sucedendo Leão XIII. Mesmo como o Sumo Pontífice, quis permanecer pobre e manter a simplicidade de vida, e a bondade que herdara de seus pais. Tinha como lema de pontificado “INSTAURARE OMNIA IN CHRISTO”: Restaurar todas as coisas em Cristo.

O conclave que terminou com a sua eleição foi o último no qual um Cardeal usou do direito de veto em nome de uma potência estrangeira, pois, uma vez eleito, Pio X decretou a “excomunhão maior” contra todos que, no futuro “ousassem formular um veto no Conclave ou contribuíssem para fazê-lo.

Reconhecendo que a renovação dos homens dependia da vida santa do Clero, dedicou especial empenho aos Sacerdotes e Seminários, exortando os Ministros do Altar a se distinguirem pela piedade, ciência e obediência. Preocupado ao máximo com a salvação eterna das almas, providenciou que fosse devidamente ensinado às crianças e adultos o Catecismo, elaborando ele mesmo um novo texto; estabeleceu sábias normas para a pregação; introduziu o uso da Comunhão frequente e até quotidiana; estabeleceu que as crianças se aproximassem da Primeira Comunhão desde os mais tenros anos.



Mestre da Verdade, na memorável Encíclica “Pascendi Dominici Gregis” denunciou e reprimiu com o necessário rigor as doutrinas que formavam uma triste síntese de todos os erros: o modernismo.

Trabalhou na codificação do Direito Canônico, reunindo em um só texto as disposições jurídicas da Igreja proclamadas através dos séculos. Procedeu à revisão da Vulgata, isto é do texto oficial da Bíblia, confiando o trabalho aos Beneditinos. Reformou a Cúria Romana, modernizando a organização que Sisto V tinha dado aos Dicastérios e aos Tribunais Eclesiásticos. Criou o Instituto Bíblico, reformou o Breviário e orientou a música sacra para formas de expressão mais puras.

Para a defesa da Religião, restaurou a Ação Católica e deu novo desenvolvimento à ação social dos católicos e às associações operárias, e reforçou as Ordens Religiosas com oportunas normas jurídicas.

Em 1º de setembro de 1910, Sua Santidade, através do motu proprio Sacrorum Antistitum, promulgou o famoso Juramento Anti-modernista, a ser proferido obrigatoriamente por todos os padres, bispos, catequistas e seminaristas (juramento este abolido por Paulo VI, em 1967), conforme reproduzimos abaixo:


O Juramento Anti-modernista de São Pio X
Eu, N., firmemente aceito e creio em todas e em cada uma das verdades definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério infalível da Igreja, sobretudo aqueles princípios doutrinais que contradizem diretamente os erros do tempo presente.

Primeiro: creio que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza e pode também ser demonstrado, com as luzes da razão natural, nas obras por Ele realizadas (Cf. Rm I 20), isto é, nas criaturas visíveis, como [se conhece] a causa pelos seus efeitos.

Segundo: admito e reconheço as provas exteriores da revelação, isto é, as intervenções divinas, e sobretudo os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem sobrenatural da razão cristã, e as considero perfeitamente adequadas a todos os homens de todos os tempos, inclusive aquele no qual vivemos.

Terceiro: com a mesma firme fé creio que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi instituída imediatamente e diretamente pelo próprio Cristo verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, chefe da hierarquia eclesiástica, e sobre os seus sucessores através dos séculos.

Quarto: acolho sinceramente a doutrina da fé transmitida a nós pelos apóstolos através dos padres ortodoxos, sempre com o mesmo sentido e igual conteúdo, e rejeito totalmente a fantasiosa heresia da evolução dos dogmas de um significado a outro, diferente daquele que a Igreja professava primeiro; condeno semelhantemente todo erro que pretenda substituir o depósito divino confiado por Cristo à Igreja, para que o guardasse fielmente, por uma hipótese filosófica ou uma criação da consciência que se tivesse ido formando lentamente mediante esforços humanos e contínuo aperfeiçoamento, com um progresso indefinido.

Quinto: estou absolutamente convencido e sinceramente declaro que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas um verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora pela pregação, pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente veraz, nós cremos tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

Submeto-me também com o devido respeito, e de todo o coração adiro a todas as condenações, declarações e prescrições da encíclica Pascendi e do decreto Lamentabili, particularmente acerca da dita história dos dogmas.

Reprovo outrossim o erro de quem sustenta que a fé proposta pela Igreja pode ser contrária à história, e que os dogmas católicos, no sentido que hoje lhes é atribuído, são inconciliáveis com as reais origens da razão cristã.

Desaprovo também e rejeito a opinião de quem pensa que o homem cristão mais instruído se reveste da dupla personalidade do crente e do histórico, como se ao histórico fosse lícito defender teses que contradizem a fé o crente ou fixar premissas das quais se conclui que os dogmas são falsos ou dúbios, desde que não sejam positivamente negados.

Condeno igualmente aquele sistema de julgar e de interpretar a sagrada Escritura que, desdenhando a tradição da Igreja, a analogia da fé e as normas da Sé apostólica, recorre ao método dos racionalistas e com desenvoltura não menos que audácia, aplica a crítica textual como regra única e suprema.

Refuto ainda a sentença de quem sustenta que o ensinamento de disciplinas histórico-teológicas ou quem delas trata por escrito deve inicialmente prescindir de qualquer ideia pré-concebida, seja quanto à origem sobrenatural da tradição católica, seja quanto à ajuda prometida por Deus para a perene salvaguarda de cada uma das verdades reveladas, e então interpretar os textos patrísticos somente sobre as bases científicas, expulsando toda autoridade religiosa, e com a mesma autonomia crítica admitida para o exame de qualquer outro documento profano.

Declaro-me enfim totalmente alheio a todos os erros dos modernistas, segundo os quais na sagrada tradição não há nada de divino ou, pior ainda, admitem-no, mas em sentido panteísta, reduzindo-o a um evento pura e simplesmente análogo àqueles ocorridos na história, pelos quais os homens com o próprio empenho, habilidade e engenho prolongam nas eras posteriores a escola inaugurada por Cristo e pelos apóstolos.

Mantenho, portanto, e até o último suspiro manterei a fé dos pais no carisma certo da verdade, que esteve, está e sempre estará na sucessão do episcopado aos apóstolos¹, não para que se assuma aquilo que pareça melhor e mais consoante à cultura própria e particular de cada época, mas para que a verdade absoluta e imutável, pregada no princípio pelos apóstolos, não seja jamais crida de modo diferente nem entendida de outro modo².

Empenho-me em observar tudo isso fielmente, integralmente e sinceramente, e em guardá-lo inviolavelmente, sem jamais disso me separar nem no ensinamento nem em gênero algum de discursos ou de escritos. Assim prometo, assim juro, assim me ajudem Deus e esses santos Evangelhos de Deus."

Muito embora penetrado da consciência da autoridade pontifícia, Pio X levou uma vida de simplicidade extrema. Quis que os membros de sua família e especialmente suas irmãs fizessem o mesmo, e nunca lhes permitiu viverem junto dele, no Vaticano. Brando e afável, soube conquistar o afeto das multidões de fiéis.

Sua morte foi atribuída à dor pela notícia da Primeira Guerra Mundial, cujo impacto o deixou profundamente perturbado. Começou a sentir-se mal aos 15 de agosto desse mesmo ano, vindo a falecer santamente logo depois, no dia 21 de agosto de 1914.

O renome de santidade de Giuseppe Sarto começou a correr logo após o seu falecimento. Não se tardou em falar de milagres devidos à sua intervenção. Em 1923, os Cardeais residentes em Roma se reuniram em comissão a fim de promoverem a sua Beatificação.

O processo registrou rápidos progressos, e a Beatificação se deu aos 3 de julho de 1951. Três anos depois, terminava a causa da Canonização e, finalmente, Sua Santidade Pio XII proclamou Santo da Santa Madre Igreja Católica, Apostólica e Romana. “O Papa do Santíssimo Sacramento”, o Papa da bondade e da doçura: São Pio X.


Oração a São Pio X


Ó Santo Pio X, glória do sacerdócio, esplendor e decoro do povo cristão!
Tu, em quem a humildade pareceu irmanar-se com a grandeza, a austeridade com a mansidão, a simples piedade com a profunda doutrina;
Tu, Pontífice da Eucaristia e do Catecismo, da Fé íntegra e da firmeza impávida, 

Volve teu olhar sobre a Santa Igreja que tanto amaste e à qual dedicaste o melhor dos tesouros que com mão pródiga havia depositado a divina Bondade em teu ânimo;
Consegui-lhe a firmeza e a constância no meio das dificuldades e perseguições de nossos tempos; Alivia a esta pobre humanidade cujas dores te afligiram tão profundamente que apagaram as palpitações de teu grande coração;
Faze com que neste agitado mundo triunfe aquela paz que supõe a harmonia entre as nações, o acordo fraterno e a sincera colaboração entre as classes sociais, a Caridade entre os homens.
A fim de que, desse modo, aqueles desejos que consumiram tua vida apostólica cristalizem, graças à tua intercessão, em uma realidade feliz, para a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém!


Com os apostolados 'Católicos Resistentes' e 'Rainha dos Mártires'
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Papa estende a todos os sacerdotes a possibilidade de remover a excomunhão pelo pecado do aborto


A TV GLOBO, como é bem do seu feitio, mal o Papa estendeu a todos os padres a faculdade de absolver a excomunhão automática pelo gravíssimo pecado do aborto (que é reservada somente aos bispos), começou a difundir a notícia de que Francisco estaria autorizando os padres a "perdoarem mulheres que fizeram aborto". Sem demora, toda a mídia secular seguiu a mesma trilha, fazendo questão de omitir o trecho da fala do Pontífice que deixa bem claro que todas as mulheres que cometeram o aborto, antes de confessarem este pecado mortal devem estar profundamente arrependidas e conscientes do mal que fizeram à vida, – no caso, de seus próprios filhos. –Este "detalhe" que faz toda diferença foi propositadamente ignorado pelos meios de comunicação a que tivemos acesso até agora. Novamente, vemos a nossa mídia secular prestar um desserviço ao desinformar sobre o real conteúdo do pronunciamento do Santo Padre.

Além de tudo, pela maneira com que a notícia está sendo veiculada, dá a entender, – mais uma vez, – de que Francisco estaria mudando a doutrina da Igreja, este Papa que sabe ser "tão humano" (nas palavras do repórter Sidney Rezende), numa insinuação de claro contraste com seu predecessor malvado e desumano. Mentira! No ano santo, sua santidade apenas expande a todos os sacerdotes a possibilidade de remover a pena canônica máxima, mas reafirmando que o aborto é pecado abominável e um crime canônico gravíssimo, que não deixou de necessitar de uma remissão especial.

** Com a colaboração do Revmo. Padre Dr. José Eduardo de O. e Silva, via Facebook
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Pergunta e resposta: origem da devoção à Santíssima Virgem Maria

UM LEITOR ANÔNIMO enviou-nos a seguinte pergunta:
As ações da Igreja Catolica falam mais do que mil palavras, por favor, coloque aí no blog relatos dos pais da igreja antes de Constantino que fale a favor de Maria como advocatriz e intercessora, que fale que eles pediam a ajuda dos apostolos e dicipulos quando esses já estavam mortos, chega de muitas palavras, você fala, enrola demais e mostra de menos, quem não lê a biblia pode até cair no teu conto, mas quem le a biblia meu amigo não cai mesmo, afinal é facil criar dogmas estranhos a palavra de Deus e fazer leigos que não liam a biblia engolir como lideres católicos já fizeram.Então para um melhor esclarecimento, estou esperando sua postagem com provas reais de que o que a igreja católica prega de diferente do protestantismo seja a correta."

Apesar do tom acusatório e provocativo, ficamos felizes com essa pergunta, porque nos deu a oportunidade de abordar um assunto importante e ainda inédito por aqui. Quando e como começou a devoção à Virgem Maria?

A Igreja sempre viu a mãe de Jesus Cristo como Mãe da própria Igreja, ou foi isso uma invenção posterior? Desde quando Maria é vista como nossa intercessora junto a Deus? Desde quando a Igreja pede proteção à Maria? Para aqueles que leem exclusivamente a Bíblia, estas são perguntas válidas e justas; afinal, as sagradas Escrituras não tratam destas questões explicitamente.


O erro fundamental

Infelizmente, é preciso começar a responder os questionamentos trazidos pelo leitor anônimo com o esclarecimento daquele ponto fundamental que já tivemos que repetir uma dúzia de vezes (ou mais?) por aqui: quando o leitor afirma que "quem lê a Bíblia não cai", isto é, não aceita as explicações contidas neste site, – que não são nossas, mas representam a doutrina da Igreja Católica, – fica claro que as perguntas estão partindo de alguém que segue "a religião do Livro". As dificuldades começam logo de cara pelo fato de nós, católicos, seguirmos a Religião do Espírito Santo, que foi derramado sobre a Igreja por nosso Salvador Jesus Cristo.

Há dois mil anos, o Senhor Jesus, glorificado pelo Espírito Santo, entrou no Cenáculo de Jerusalém e derramou o Espírito da Ressurreição sobre a sua Igreja, na pessoa dos Apóstolos: “A paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo!” (Jo 20,19ss).

No Domingo da Páscoa, os Apóstolos tornaram-se realmente cristãos; receberam a vida nova do Cristo Ressuscitado, foram transfigurados em Cristo! Aí nasceu a Igreja: na Ressurreição! Aí ela foi batizada no Espírito e recebeu o poder de batizar: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio!” (Jo 20,21). – Contemplando esta realidade sagrada é que se torna nítida a enorme diferença entre as pessoas que têm uma fé toda engessada, presa às palavras literais do Livro Sagrado, e os membros do Corpo do Cristo.

Segundo aquela mentalidade limitada, só o que está escrito no livro, literalmente, "pode". O que não estiver escrito no livro, literalmente, "não pode". Isto é querer reduzir o Caminho de salvação e Comunhão (que é o próprio Cristo) a uma triste piada.

O cristianismo nunca foi religião do Livro. Nós, católicos, temos a Bíblia como sagrada e cremos que ela é Palavra de Deus, sim, a Palavra por escrito. Mas cremos sobretudo que a Palavra, o Verbo de Deus, por excelência, é Jesus Cristo, Deus Vivo, Senhor Ressuscitado, que não se limita à letra, assim como as Sagradas Escrituras nos ensinam que "nem o mundo todo poderia conter os livros que teriam que ser escritos para falar sobre Jesus" (Jo 21,25). Amém!

A mesma Verdade o Apóstolo São Paulo esclarece e aprofunda à perfeição, ao dizer: "Deus nos fez ministros de um Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o Espírito vivifica" (2Cor 3,6).

É claro que o Apóstolo não afirma que a Escritura é morta ou que não tem valor. Ao contrário, a Escritura "é útil para ensinar, repreender, corrigir, para instruir em justiça" (2Tm 3,16). O problema começa quando achamos que exclusivamente o que está escrito é que vale. Perdemo-nos no Caminho quando achamos o que está escrito mais importante do que a Igreja, que é dirigida pelo Espírito de Deus e autora da própria Bíblia.

As tradições meramente humanas, como as dos antigos fariseus e doutores da Lei de Moisés, foram substituídas pela Tradição da Igreja: Tradição esta que gerou a própria Bíblia dos cristãos. Portanto, a autoridade de fé sobre a doutrina de Jesus Cristo está fundamentada na Igreja que Ele edificou sobre a Terra, e não somente na Bíblia Sagrada, que foi produzida, preservada e deve ser interpretada segundo a mesma Igreja.

Estando claros esses pontos fundamentais, entremos, afinal, na questão da devoção à Nossa Senhora. Pelo teor da mensagem, pareceu-nos que o leitor anônimo crê que a devoção à Virgem Maria começou depois de Constantino, ou que foi Constantino quem a "inventou"... Por isso, é pedida alguma prova de que a Igreja que existia antes de Constantino já cultivava tal devoção. Muito bem, vejamos...



A origem está nos Evangelhos

A devoção à Santíssima Virgem Maria começou com o próprio cristianismo. Naquela singelíssima casa de Nazaré, há dois milênios, encontramos o Anjo Gabriel, enviado por Deus, saudando Maria! “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Com estas palavras, vindas diretamente do Céu, começou a devoção mariana. Quem pode negar a evidência deste fato?

"Desde agora, todas as gerações me proclamarão Bem-aventurada!" (Lc 1,48). No Evangelho, Maria faz uma profecia que a Igreja Católica sempre cumpriu, mas as novas "igrejas evangélicas" fazem muita questão de renegar. Maria, cheia do Espírito Santo e grávida do próprio Jesus Cristo, profetiza que será aclamada bem-aventurada por todas as gerações. Já os "pastores evangélicos" a chamam "uma mulher como outra qualquer".

Quando Maria, única guardiã do anúncio do Anjo, visita Isabel, depois da longa viagem da Galileia até a Judeia, ao ouvir a saudação de Maria, a mãe de João Batista percebe que o menino salta de alegria dentro dela, enquanto o Espírito Santo atravessa sua alma e lhe sugere estas palavras: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem a honra de que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1,42-45). Quem ousa dizer que isso não é a mais pura devoção mariana, registrada no Evangelho? Pois é exatamente o que nós, católicos, pensamos e dizemos de Maria, até hoje.

Vamos à narração do Natal do Senhor. Diz o Evangelho segundo S. Lucas: “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: 'Vamos a Belém ver o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer'. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura” (Lc 2,15-16). É claro que os pastores, após terem se ajoelhado diante do Menino, devem ter lançado um olhar àquela mãe especialíssima, e podem muito bem ter exclamado: “Bem-aventurada és tu, mãe deste Menino!". Bem, isso seria uma pura expressão de devoção mariana, e que não teria nada absolutamente a ver com idolatria.

Passemos a S. Mateus evangelista, que para narrar a chegada dos Magos a Belém usou estas palavras: “E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no (Mt 2,9-11)”. Podemos imaginar a emoção dos magos, os quais, após uma longa e aventurosa viagem, tiveram a alegria de ver o Salvador tão esperado. Porém, não nos afastamos da verdade dos fatos e nem nos aproximamos da idolatria se imaginarmos que eles, depois da adoração do Menino, tenham olhado Maria cheios de respeito e admiração: a que mulher poderia ser concedida tamanha graça, de gerar e ser mãe do próprio Deus? Simples: assim é a devoção mariana, percebida claramente nas entrelinhas dos Evangelhos de Nosso Senhor.

Nas passagem das bodas de Caná, vemos que o Senhor "adiantou a sua hora", – em suas próprias palavras, – especialmente por um pedido de sua mãe, que intercedeu por aqueles noivos. Depois do primeiro milagre de Jesus, os servos, que acompanharam os fatos, podem muito bem ter pedido à Maria, dizendo-lhe: “Jesus te escuta, e até adiantou a sua hora por um pedido teu! Pede a Ele uma bênção para nossas famílias!”... Seria isto algum absurdo? Não. Mais um exemplo do que é a devoção mariana.

Também aqueles noivos certamente devem ter agradecido à intervenção de Maria, afinal, foi a intervenção (intercessão) dela que salvou a festa deles. Claro que o agradecimento principal seria ao próprio Jesus, afinal foi Ele quem tornou a água em vinho. Mas, se Maria não tivesse pedido pelos noivos, Ele não o teria feito, e o Evangelho é muito claro nesse sentido.

Assim é que começa a devoção mariana. E continua, pelos séculos, sem interrupção. A verdade histórica é: Maria, a partir das palavras pronunciadas pelo Anjo Gabriel (que eram as palavras do próprio Deus para ela, afinal o arcanjo é Mensageiro do Criador), foi imediatamente vista com especial admiração, com grande carinho e reverência. E logo sua intercessão foi invocada, pelo motivo óbvio: seu particularíssimo e incomparável vínculo com o Cristo, – o vínculo da maternidade! – Logo, é evidente que quando recorrermos à Maria para pedir algum favor, não nos encontramos fora do contexto do Evangelho, mas totalmente dentro dele.

Sei que aqui alguns questionarão dizendo que Maria não se encontra mais entre nós, e que isso faz toda a diferença. Segundo estes, não é a mesma coisa pedir a oração de um irmão que está ao nosso lado, aqui e agora, e a um santo que morreu há muito tempo, ainda que esta santa, no caso, seja a própria mãe do Senhor. Bem, nós já tratamos deste assunto específico, e você pode ler e comprovar (também biblicamente) que os santos no Céu estão mais vivos do que nós, aqui na Terra, e permanecem em íntima união com Deus. Leia aqui.


Primeira representação conhecida da Virgem Maria
(Catacumbas de Priscilla - século II)

Outras provas: História e Arqueologia

A partir daqui, passamos da demonstração teológica e da fundamentação bíblica para a apresentação das provas históricas, arqueológicas e documentais. Provas históricas da devoção à Virgem Maria, além da própria Bíblia Sagrada, como acabamos de ver, remontam ao início da Igreja, e são muitas. A Mãe do Senhor foi honrada e venerada como Mãe da Igreja desde o início do cristianismo.

Já nos primeiros séculos, a devoção está presente e pode ser reconhecida, por exemplo, nas evidências arqueológicas das catacumbas, que demonstram a veneração que os primeiros cristãos tinham para com a Santíssima Virgem. Tal é o caso de pinturas marianas das catacumbas de Priscila, do século II, local onde os primeiros cristãos se reuniam, ocultos aos romanos: um deles mostra a Virgem com o Menino Jesus ao peito e um profeta, identificado como Isaías, ao seu lado1. Nas catacumbas de S. Pedro e S. Marcelino também se encontra pintura do século III/IV, que mostra Maria entre Pedro e Paulo, com as mãos estendidas em oração.

Outro magnífico exemplo da devoção à Santíssima Virgem nos primórdios do Cristianismo é a oração "Sub Tuum Praesidium" (Sob Vossa Proteção), do século III/IV, que pede a intercessão de Maria junto a Jesus Cristo:


Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen."

Tradução:
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém"

Segundo linguistas, esta versão latina, embora comumente usada já no século III, afasta-se um pouco do original. Com efeito, confrontando o papiro encontrado em 1927 no deserto egípcio com o texto da oração em uso na antiquíssima liturgia copta, encontramos a versão cuja tradução literal segue abaixo:

Sob a proteção da tua misericórdia nos refugiamos, Mãe de Deus; não rejeites as súplicas nas dificuldades, mas salva-nos do perigo, única bendita. Amém."2

Os Padres do século IV elogiam de muitos modos a Mãe de Deus. Epifânio refutou o erro de uma seita árabe que tributava idolatria à Maria: depois de rejeitar tal culto, ele escreveu: "Sejam honestos para com Maria! Seja adorado somente o Senhor!". A mesma distinção vemos em Santo Ambrósio, que, depois de exaltar a "Mãe de todas as virgens", esclarece com grande propriedade que "Maria é templo de Deus, e não o Deus do templo"; em outras palavras, para prestar sua legítima devoção mariana, livre de enganos, ele distinguiu o lugar devido ao Deus Altíssimo e o lugar da Virgem Maria.

Na Liturgia Eucarística também constam dados confiáveis que demonstram que a menção à Maria nas Orações remonta ao ano 225, e também nas antiquíssimas festas do Senhor, da Encarnação, da Natividade e da Epifania: todas homenageavam a Mãe do Senhor e da Igreja.


O testemunho dos primeiros presbíteros

Orígenes
O primeiro registro escrito da Patrística de que dispomos sobre Maria é o de Santo Inácio de Antioquia (bispo entre os anos 68 e 107 dC). Combatendo os docetistas, defende a realidade humana de Cristo para dizer que pertence à linhagem de Davi, verdadeiramente nascido da Virgem Maria. Afirmando que Cristo foi "concebido em Maria e nascido de Maria", e que a sua virgindade pertence a "um Mistério escondido no Silêncio de Deus".

São Justino (martirizado no ano 167) refletiu sobre o paralelismo entre Eva e Maria: "Se por uma mulher, Eva, entrou no mundo o pecado, por uma mulher, Maria, veio ao mundo o Salvador". No Diálogo com Trifão, insiste sobre a verdade da maternidade de Maria sobre Jesus e, como Santo Inácio de Antioquia, enfatiza a verdade da concepção virginal e incorpora o paralelo Eva-Maria para a sua argumentação teológica.

A teologia mariana é um tema constante dos primeiros presbíteros da Igreja. Santo Irineu de Lyon (nascido no ano 130), em uma polêmica contra os gnósticos e docetistas, salienta a geração de Cristo no ventre de Maria. Também da maternidade divina lança as bases da sua cristologia: é da natureza humana, assumida pelo Filho de Deus no ventre de Maria, que torna possível a morte redentora de Jesus chegar a toda a humanidade. Também digno de nota é sua abordagem sobre o papel maternal de Maria em relação ao novo Adão, em cooperação com o Redentor.

No Norte de África, Tertuliano (nasc. aprox.: ano 155), em sua controvérsia com o gnóstico Marcião, afirma que Maria é a Mãe de Cristo, – portanto Mãe de Deus, – pois o Senhor foi concebido em seu ventre virginal.

No século III começou a ser usado o título Theotokos (Mãe de Deus). Orígenes (185-254 dC) é a primeira testemunha conhecida deste título. Em seus escritos aparece, pela primeira vez, a sentença Sub tuum praesidium, que, como dito acima, é um apelo à intercessão da Virgem Maria. Órígenes também define Maria como "modelo" e "auxílio dos cristãos". Já no século IV o mesmo título é usado na profissão de fé de Alexandre de Alexandria contra Ário.

A partir daí, muitos e muitos presbíteros explicaram a dimensão teológica desta verdade. - Efrém, Atanásio, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Ambrósio, Agostinho, Proclo de Constantinopla, etc... A tal ponto que o título "Mãe de Deus" torna-se o mais utilizado quando se fala da Santíssima Virgem.

Obviamente, "Mãe de Deus" não implica que Maria é "deusa", e sim que Jesus Cristo, seu filho, é a um só tempo plenamente homem e plenamente Deus. Se Jesus é Deus, e Maria sua mãe, ela é e será sempre a mais agraciada entre todas as mulheres, pois foi – e é, na perspectiva da eternidade onde se encontra, – a Mãe de Deus e, portanto, de toda a Igreja de Cristo.

_______
1. LAZAREFF, Victor Nikitich. Studies in the Iconography of the Virgin, The Art Bulletin, London: Pindar Press, pp. 26-65.
2. OSSANNA, Tullio Faustino. A Ave-Maria: História, conteúdo, controvérsias. São Paulo: Loyola, 2006, pp.36.

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A Igreja Católica e a discriminação aos homossexuais

Sou católico muito feliz gosto da minha igreja, dos santos. mas eu fico triste que a igreja a inda discrimina gay. Tenho amigo gay e n~ao tenho nenhum problema com eles acho que o papa Francisco vai manda para com isso. preconceito e dicriminação não!"

A QUESTÃO ACIMA nos foi enviada por um leitor anônimo. Trata-se de uma questionamento bastante atual, que insistentemente se faz aos católicos e, precisamos reconhecer, também aos cristãos de outras confissões. Não são poucos aqueles que, claramente doutrinados na ideologia marxista que infesta o mundo contemporâneo, chegam mesmo a lançar outras perguntas mais ou menos assim: “Se a igreja defende as minorias da discriminação racial, por que então continua dizendo que o homossexualismo é pecado? Isso não é discriminar às pessoas homossexuais?”

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a Igreja não discrimina pessoas homossexuais, de modo algum. Ocorre que, no contexto cristão, o sexo é uma dádiva de Deus, e uma dádiva sagrada. É um dom divino, que tem funções e finalidades bem específicas, também sagradas, – assim como são sagradas as raças e/ou etnias humanas.

Ora, as raças humanas, – branca, negra, amarela ou mestiça de qualquer tipo, – é algo de sagrado, algo desejado por Deus, que deve ser respeitado. Da mesma maneira é o sexo: homem e mulher foram criados por Deus e isso não pode ser simplesmente mudado ao bel prazer dos seres humanos. É por isso que a Igreja diz que os homossexuais ativos e ativistas devem mudar a sua conduta, isto é, o seu comportamento.

Exatamente por isso é que não tem cabimento querermos sacralizar raça e não sacralizar o sexo como algo desejado por Deus. Tomemos o exemplo do famosíssimo artista “pop” Michael Jackson. Muitos o acusaram de tentar mudar de raça. Ele teria feito uma série de cirurgias plásticas e intervenções químicas para despigmentar a pele e se tornar branco, além de alisar os cabelos, afinar o nariz e alterar tudo o que propriamente caracteriza a raça negra.

O próprio artista sempre se defendeu das acusações, e foi de fato comprovado que sofria de vitiligo. Além disso, é difícil entender porque não se criticam às pessoas brancas que gastam fortunas com bronzeamento artificial ou se submetem a tratamentos para encaracolar os cabelos, por exemplo. Porque os brancos podem escurecer a pele, por questões de sensibilidade estética, e um negro não pode querer clareá-la pelo mesmo motivo? Em todo o caso, o que pretendemos discutir aqui é: por que esse artista precisou se defender de tantos ataques, e por tantas vezes? Por que ele foi tão duramente criticado e até perseguido por causa de sua aparência? Por que tanta gente se sentia indignada diante de suas atitudes?

Isto aconteceu e acontece porque os seres humanos, – e a sociedade como um todo, – instintivamente condenam qualquer tentativa de se alterar essa realidade sagrada que é a raça da pessoa. Uma pessoa não tem o direito de querer "mudar de raça", porque, para nós, cristãos, ela foi desejada por Deus. E mesmo quem não crê em Deus entende que não se deve "lutar" contra a natureza. De fato, não há como se negar que, se um negro quisesse se tornar branco, ou vice-versa, isso seria o ato racista supremo.

 Pois bem, o mesmo podemos dizer em relação ao sexo. E já que hoje os ativistas homossexuais buscam comparar o homossexualismo com a questão racial, pondo ambos os problemas num “mesmo saco”, como se fossem questões diretamente relacionadas, devemos dizer que é igualmente por isso que, naturalmente, os seres humanos sempre rejeitaram, – em todas as culturas e civilizações, – a homossexualidade. Dois homens ou duas mulheres querendo relacionar-se e viver publicamente como se formassem um “casal”, isto jamais, em tempo ou lugar algum, foi aceito como coisa digna, meritória, admirável... normal. Assim como é ofensivo e até desonesto alguém querer mudar a sua própria raça, querendo renegar aquilo que Deus ou a natureza fez dele, igualmente é degradante que alguém queira, simplesmente, mudar o próprio sexo.


A proposta e compreensão da Igreja sobre a questão é, como não
poderia deixar de ser, bastante diversa daquela do mundo. Enquanto
políticos oportunistas tentam se aproveitar do sofrimento destas
pessoas, a Igreja procura encorajá-las a assumir o que são com
coragem, dignidade e fé na divina Providência.

A complementariedade entre homem e mulher foi desejada por Deus, enquanto cristãos o podemos afirmar, e basta abrir as páginas do Gênesis para o comprovar com total clareza. Ocorre que a sexualidade humana, ferida pelo pecado original, sofre com inúmeras tendências indesejáveis. O marido, com mulher e filhos, que (deveria, mas) não está satisfeito porque tem dentro de si a tendência de olhar cobiçosamente para outras mulheres nas ruas, ou de consumir pornografia, masturbar-se seria um bom exemplo. Este homem muitas vezes vai além e acaba por se expor (e expor também a esposa e, consequentemente, toda a sua família), a uma série de situações de risco, quando procura prostitutas para tornar realidade suas fantasias secretas. Um homem casado desejar outras mulheres é uma desordem, um desvio, um fruto do pecado original.

Assim, todo homem, como toda mulher, é chamado pela Igreja a conter seus impulsos sexuais desordenados e canalizá-los de forma produtiva, no amor santo, saudável e fecundo, que somente se expressa em dois caminhos possíveis: a castidade, vivida no celibato, ou a fidelidade matrimonial.

Ora, exatamente o mesmo que a Igreja diz aos heterossexuais também diz aos homossexuais; é o mesmo que diz a todos os seus filhos indiscriminadamente: que o sexo não é só para o prazer; que exige amor e responsabilidade; que só deve ser vivido e desfrutado dentro do Matrimônio, aberto à fecundidade que gera famílias. Esta é a doutrina eterna da Igreja para todos, sem discriminação, e é por isso que não se pode jamais dizer que a Igreja discrimina este ou aquele grupo. Muito simples, quando se tem boa vontade.

Por fim, àqueles que dizem ou esperam que o Papa Francisco vá tornar a Igreja uma espécie de ONG assistencialista e "politicamente correta", repetindo aquele já surrado argumento das palavras ditas no avião, quando da visita do Sumo Pontífice ao Brasil: “Quem sou eu para julgar?”, resta perguntar se ouviram ou leram a frase inteira, pois aquilo que ele disse logo depois foi o seguinte:

Quem sou eu para julgar? O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem.
(Papa Francisco)

Desonestamente, muita gente cita só as primeiras cinco palavras desta fala, mudando todo o sentido da afirmação. E logo a seguir, o Papa esclareceu o que todos os católicos deveriam já saber, – que a fé católica não autoriza que se marginalizem pessoas, nem o uso da violência gratuita como pretexto para se defender a fé: “A verdadeira força do cristão é o poder da verdade e do amor, que leva à renúncia de toda a violência”.

Quem produz camisetas e adesivos e posta a todo instante este fragmento da frase do Papa na internet deveria ser honesto e acrescentar este simples, porém fundamental, complemento: “...O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem”. E seria melhor ainda acrescentar em que números o Catecismo esclarece a questão, a saber, nos seus parágrafos 2358/2359, que reproduzimos abaixo (negritos nossos):

2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, intrinsecamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a Vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao Sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.
2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela Graça Sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Agora sim, podemos entender muito claramente, não “o que o Papa quis dizer”, mas o que ele objetivamente disse: primeiro, que se devem evitar as discriminações injustas. O Catecismo faz questão de especificar que são as discriminações injustas que se deve evitar, e não que qualquer crítica ou observação a determinados comportamentos escandalosos esteja proibida.

Segundo, que a Igreja não está autorizando as relações ou uniões homossexuais ativas, e menos ainda as equipara ao sagrado Matrimônio entre homem e mulher, que geram a vida e produzem famílias, celula mater da sociedade.

A Igreja entende, então, que as pessoas com tendência à homossexualidade devem ser acolhidas no tecido da sociedade sem nenhum tipo de discriminação injusta. A questão não está na condição, mas na prática da coisa, por um lado, e por outro em compreender que o problema não está no discriminar, e sim no divergir, discordar. Discriminar e divergir são coisas absolutamente diferentes.

Voltando ao exemplo do artista norte-americano acusado de querer mudar de raça, imaginemos o que faríamos se tivéssemos um filho negro que quisesse se tornar branco, e passasse a se maquiar e a se submeter a tratamentos cirúrgicos para mudar a cor da pele, alisar os cabelos, afinar o nariz, os lábios... Procedimentos estes que, além de tudo são caros e arriscados, que podem dar errado e expô-lo a o ridículo. – O que faríamos? Não diríamos a ele que se tranquilizasse, aceitasse sua própria natureza e tentasse viver serenamente? Enquanto cristãos, não lhe pediríamos que aceitasse sua natureza, isto é, aquilo que Deus fez dele?

Por fim, aos meus irmãos e irmãs que têm tendências homossexuais, devo exortá-los: acolham o que disse o Papa! Façam o que diz o Catecismo e aquilo que Nosso Senhor pede a todos os que desejam segui-lo: Tomem a sua cruz dia a dia! Vão, aprendam a verdadeiramente se entregar por amor a Cristo, como todo cristão deve fazer! Todos nós temos que procurar controlar e ordenar a nossa sexualidade e canalizar essa energia tão bela para o amor que se doa pelo bem do próximo.

___
Ref.:
Vídeo do padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. "A Igreja Católica discrimina os homossexuais?", disp. em:
padrepauloricardo.org/episodios/a-igreja-catolica-discrimina-os-homossexuais
Acesso 17/8/015
www.ofielcatolico.com.br

Festa da Assunção da Santíssima Virgem

"Assunção da Virgem", Egid Quirin Asam (1692-1750)

O Senhor abençoou-te com a sua fortaleza, pois que, por teu intermédio, reduziu a nada os nossos inimigos. Abençoada és tu, minha filha, pelo Senhor, o Deus altíssimo, entre todas as mulheres da terra. Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te levou a cortares a cabeça do chefe dos nossos inimigos. De tal maneira ele hoje glorificou o teu nome, que o teu nome não desaparecerá da boca dos homens, para sempre lembrados do poder do Senhor. Ao veres os sofrimentos e a amargura do teu povo, não quiseste poupar a tua vida; antes nos salvaste da ruína, sob o olhar protetor do nosso Deus: Tu és a glória de Jerusalém, a alegria de Israel, a honra do nosso povo.
(Livro de Judite 13, 22-25 e 15, 10, lida a 15 de agosto, no rito tradicional latino-gregoriano, por ocasião da Festa da Assunção da Santíssima Virgem)



Homilia de São João Damasceno (676-749)

Ó Mãe de Deus sempre Virgem, a tua sagrada partida deste mundo é verdadeiramente uma passagem, uma entrada na Morada de Deus. Saindo deste mundo material, entras numa “Pátria melhor” (Hb 11, 16). O Céu acolheu com alegria a tua alma:

“Quem é esta, que surge como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?” (Ct 6, 10) – “O Rei introduziu-te nos seus aposentos” (Ct 1, 4) e os anjos glorificam aquela que é a Mãe do seu próprio Senhor, por natureza e em verdade, segundo o plano de Deus. […]

Os Apóstolos levaram o teu corpo sem mancha, o teu corpo, verdadeira Arca da Aliança, e depositaram-no no seu santo túmulo. E aí, como que passando outro Jordão, tu chegaste à verdadeira Terra prometida, à “Jerusalém do alto” (Gl 4, 26), da qual Deus é Arquiteto e Construtor. Porque a tua alma não desceu “à habitação dos mortos”, nem “a tua carne conheceu a decomposição” (At 2,31; Sl 15,10). O teu corpo puríssimo, sem mácula, não foi abandonado à terra, antes foste elevada até à morada do Reino dos Céus, tu, a Rainha, a Soberana, a Senhora, a Mãe de Deus, a verdadeira Theotokos.

Hoje aproximamo-nos de ti, a nossa Rainha, Mãe de Deus e Virgem; voltamos a nossa alma para a esperança que és para nós. […] Queremos honrar-te com “salmos, hinos e cânticos espirituais” (Ef 5,19). Ao honrar a Serva, exprimimos a nossa ligação ao nosso Senhor comum. […] Lança os teus olhos sobre nós, ó Rainha, Mãe do nosso bom Soberano; guia o nosso caminho até ao porto sem tempestades do Desejo bom de Deus.

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Jesus de Nazaré: fato histórico ou mito?

No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene… (Lucas 3,1)

COM O CRESCIMENTO dos movimentos agnósticos e o significativo aumento do número de ateus no mundo, crescem também as tentativas de negação da existência de Jesus de Nazaré, chamado "o Cristo", como personagem histórico. É óbvio que um dos maiores sonhos de todo ateu ativista sempre foi o de poder, um dia, ver a ciência "provar" que Jesus de Nazaré nunca existiu, que foi apenas um mito criado com algum propósito delirante. 

Nessa hora, fazem questão de esquecer aquele princípio essencial que eles mesmos pregam com tanta devoção, o de que a explicação mais simples tende a ser a correta ('Navalha de Occan'). Ora, sem dúvida é bem mais simples e sensato supor que de fato existiu um fundador para o movimento que mais tarde se denominou cristianismo do que imaginar que tudo foi apenas o fruto da imaginação de algum super gênio criativo que viveu há dois mil anos na região da Palestina: alguém que tramou, sabe-se lá com que propósito, a mudança mais radical no rumo da História em todos os tempos.

Aceitar que existiu um Jesus é bem mais simples do que supor que, do meio daqueles vilarejos paupérrimos, daquele povo humilde, composto em grande parte por iletrados e fanáticos religiosos que se horrorizavam só de imaginar algo contrário à letra da Lei mosaica, foi elaborada uma tramoia absurdamente bem concatenada e a criação do mais brilhante personagem fictício que jamais existiu.

Ainda mais, seria preciso aceitar que, pouco tempo depois, tantos seres humanos, entre os quais muitos homens e mulheres cultos e bem formados, simplesmente acreditaram tão pia e gratuitamente nessa falsa história a ponto de literalmente sacrificarem suas vidas em nome dela. Bem, isso é o que poderíamos chamar de super, ultra, mega, giga teoria da conspiração! Essa, definitivamente, não seria a explicação mais simples para o fenômeno cristianismo.

Eu já participei de debates em grupos ateus, e sempre achei uma experiência muito curiosa. Hoje, acharia mais irritante do que interessante, devo confessar. De todo modo, aprendi (e aprendo) muito com os ateus. Minha opinião é que essas pessoas cumprem um papel importante em nossa sociedade, até porquê a onda de fundamentalismo religioso que se instala no mundo de hoje é preocupante. Talvez estejamos precisando, sim, de um contraponto. Mas o que mais me fascina nos ateus ativistas é o fato tão contraditório de muitos deles encararem o ateísmo como uma espécie de religião, uma bandeira sagrada a ser levantada e defendida, com unhas e dentes, pelo bem da humanidade, num novo tipo de guerra santa.

É fácil encontrar, entre ateus militantes, os mesmos erros que tanto condenam nos religiosos radicais: extremismo, negação ou desconsideração dos fatos, aquele típico ar de superioridade de quem não se admite capaz de errar... Impressiona o sentimento genuinamente "religioso" que move muitos dos céticos mais ferrenhos. – Eles acreditam piamente que livrar o mundo da “superstição” e da “ignorância” é sua missão de vida.

Muitos ateus acreditam que desmoralizar as religiões é a melhor coisa que um ser humano realmente consciente poderia fazer para tornar o mundo um lugar melhor. Na opinião de muitos deles, a religião e a fé em Deus são os piores venenos que já existiram no mundo. É senso comum, entre eles, que todas as guerras, todas as mazelas e todo sofrimento da humanidade, no decorrer da História, foram provocados por culpa exclusiva das religiões e do sentimento religioso, sendo que a maior vilã entre todos os vilões é, sem dúvida nenhuma, a Igreja Católica.

Todavia, assim como em todo movimento, toda comunidade e em qualquer grupo, aí existem pessoas e pessoas. São apenas pessoas reunidas em torno de um ideal comum. Pessoas que acreditam que somos apenas acidentes de percurso: amontoados de “genes egoístas” buscando, cada qual, a própria sobrevivência. 

Além da óbvia e imediata constatação de que essa teoria não explica o altruísmo humano e nem a nossa consciência do bem e do mal, importa ressaltar que muitos dos mais importantes cientistas, –entre físicos, biólogos e geneticistas do nosso planeta, – acreditam em Deus, como é o caso do biólogo (Doutor em Medicina e Ph.D.) Francis S. Collins, o diretor do Projeto Genoma, que escreveu um livro onde apresenta evidências genéticas da necessidade da existência de um Organizador Inteligente para explicar o Universo dos seres vivos. Além disso, segundo a publicação científica referência Nature, em 2006, 59% dos maiores gênios científicos da atualidade acreditavam em Deus. Maioria. Se a ciência pudesse comprovar, em um ou outro sentido, que Deus não existe, como explicar que a maior parte das mentes científicas mais brilhantes da humanidade acreditem n'Ele?

Um pouco de ciência nos afasta de Deus; muito, nos aproxima."
(Louis Pasteur, cientista francês cujas descobertas tiveram importância fundamental na história da química e da medicina)

Este artigo, porém, não é sobre ateísmo. É sobre um fato que os ateus ativistas gostariam muito que não fosse exatamente isso: um fato. Estou falando da existência histórica de Jesus, chamado Cristo, o personagem de maior influência entre todos os que já pisaram o nosso planeta azul. É claro que alguns grupos céticos menos radicais aceitam a sua existência histórica, – como é o caso do conhecido autor ateu Bart D. Ehrman, que se declara admirado com o questionamento a respeito da existência de Jesus e termina seu livro "Jesus existiu ou não?" (Nova Fronteira, 2014) dizendo isto: “(...) Jesus existiu, e as pessoas que negam abertamente esse fato o fazem não porque analisaram as evidências com o olhar desapaixonado de um historiador, mas porque essa negação está a serviço de alguma causa própria. Do ponto de vista imparcial, houve um Jesus de Nazaré”.

Entretanto, persistem outros pseudo-"historiadores" que insistem (mesmo sob pena de se exporem ao ridículo) em dizer que Jesus de Nazaré não existiu de fato, ou que não haveriam provas de sua existência, tratando-se provavelmente de apenas um mito. Estranhíssimo ver tais pessoas (que se orgulham de alegadamente seguir princípios estritamente científicos), assumindo uma postura assim tão irracional, fechada em torno de uma ideia pré-concebida e indo contra a opinião dos mais importantes historiadores.

É necessário, ao pesquisador seriamente comprometido com a verdade, manter em mente que todos os mais reconhecidos pesquisadores do mundo admitem a existência histórica de Yeshoua (transliteração do hebraico para o nome ‘Jesus’) como fato real e historicamente atestado. Nos maiores centros universitários do mundo, os mais renomados eruditos consideram a existência de Jesus, – personagem histórico, – como ponto pacífico.

Essas lamentáveis contestações de um fato comprovado se baseiam, principalmente, na crença (errônea e irracional) de que não existem registros históricos de Jesus além dos Evangelhos.

Para começo de conversa, se há alguma carência de registros seculares (isto é, não ligados à esfera religiosa), isto não pode ser considerado, em nada, surpreendente, e por diversas razões.

Primeiro, porque apenas uma pequena fração dos registros escritos desse período histórico sobreviveram ao tempo;

Segundo, porque existiam poucos, – se é que realmente existiam, – escribas documentaristas da História naquela região da Palestina no tempo de Jesus. Existe documentação bem maior retratando costumes e acontecimentos nas regiões mais ricas ocupadas pelo império romano na época. Já o que ocorria naquela região miserável realmente não era de maior interesse para os magistrados romanos;

Terceiro, porque os romanos viam o povo judeu como apenas mais um dos grupos étnicos que precisavam tolerar; eles tinham pouquíssima consideração para com aquela gente ingovernável;

Quarto, porque os próprios líderes judeus mais influentes também ansiavam por fazer esquecer Jesus. Assim, os escritores seculares somente começaram a se referir ao cristianismo quando este movimento tornou-se popular e começou a incomodar o estilo de vida que tinham.


"Jesus o Bom Pastor", afresco do século II

Mas, ainda que os testemunhos seculares extra-bíblicos sobre Jesus não sejam abundantes, eles existem, e não podem ser considerados raros. Muitos sobreviveram ao tempo e lhe fazem referências. Entre estes, os mais fidedignos são os de Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e também Plínio, o Jovem, sem contar Flávio Josefo, outra fonte isenta e importante, que pode ser contestada na forma, mas não na autenticidade.

É importante esclarecer que, academicamente, essa quantidade de referências isentas é mais que suficiente para ser considerada registro comprobatório de um personagem factual. No caso de Jesus, porém, sempre vai haver quem procure a polêmica. Isso também deveria ser já esperado: ninguém em toda a História da humanidade jamais incomodou tanto, como continua incomodando, como Jesus de Nazaré, chamado Cristo.

Também não é de se surpreender que os registros não cristãos mais antigos tenham sido feitos por judeus. Flávio Josefo, que viveu até 98 dC, era um historiador judeu romanizado. Escreveu livros sobre a história dos judeus para o povo romano que figuram entre as principais referências daquele período histórico. Em sua grande obra “Antiguidades Judaicas” faz referências a Jesus. Em uma delas, escreve:

Por esse tempo apareceu Jesus, homem sábio que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos misteriosos prognósticos dos profetas.
(Josefo, Antiguidades Judaicas XVIII, 3,2)

Em outras partes de sua obra, Josefo também registra a execução de João Batista (XVIII, 5,2) e o martírio de Tiago o Justo (XX, 9,1), referindo-se a este como “irmão de Jesus, que era chamado Cristo”. Deve-se notar que o emprego do verbo "ser" no passado, na expressão “era chamado Cristo” é um testemunho contra possíveis adulterações, já que um cristão certamente escreveria “Jesus Cristo”, ou "Jesus que é o Cristo", e nunca "era chamado o Cristo".

O Talmude, outra fonte judaica importantíssima, também faz referências históricas a Jesus. Nele, os rabinos identificam Jesus e lhe fazem referências hostis, como também à sua Igreja. Estes escritos foram preservados através dos séculos pelos judeus, de maneira que os cristãos não podem ser acusados de terem adulterado o texto. É importante notar que o Talmude registra os milagres de Jesus e não tenta negá-los, mas sim relacioná-los com as “artes mágicas” do Egito. Também a sua crucificação é datada como tendo ”ocorrido na véspera da Festa da Páscoa”, em plena concordância com os Evangelhos (Lc 22; Jo 19). Ainda mais impressionante, e também de forma semelhante aos Evangelhos (Mt 27,51), o Talmude registra a ocorrência do terremoto e o véu do templo que se dividiu em dois durante a morte de Jesus(!). Mais uma vez, também Josefo (Guerra Judaica) confirma estes eventos.

Os romanos também escreveram sobre os cristãos e sobre Jesus. Plínio o Moço, procônsul na Ásia Menor, escreveu em uma carta dirigida ao imperador Trajano:

…Os cristãos têm como hábito reunir-se em uma dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição…
(Plínio, Ep. 97)

Mais uma vez, atenção especial deve ser dada à frase “a Cristo como se este fosse um deus”; trata-se de um testemunho secular, de quem que não acreditava em Jesus como o Filho de Deus e Deus, mas que apenas testemunha sua existência. Também é interessante comparar esta passagem com o livro dos Atos dos Apóstolos (20,7-11), uma narração bíblica sobre a primitiva celebração cristã do domingo.

Um outro historiador romano, Tácito, reconhecido pelos modernos pesquisadores por sua precisão histórica, escreveu sobre Cristo e sua Igreja:

O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos. Essa superstição perniciosa, controlada por certo tempo, brotou novamente, não apenas em toda a Judéia… mas também em toda a cidade de Roma…
(Tácito, Anais XV,44)

Mesmo desprezando a fé cristã, Tácito tratou a execução de Cristo como fato histórico, fazendo relação com eventos e líderes romanos (novamente em conformidade com os Evangelhos, como em Lucas 3).

Outros testemunhos seculares ao Jesus histórico incluem Suetônio, – em sua "Biografia de Cláudio", – Phlegon ou Flégon (que registrou o eclipse do sol durante a morte de Jesus!) e até mesmo Celso, filósofo pagão desconhecido. Precisamos manter em mente que a maioria dessas fontes eram não só seculares (laicas) mas também anticristãs. Todos estes autores, inclusive os escritores judeus, não desejavam promover o cristianismo, ao contrário. Eles não tinham motivação alguma para distorcer seus registros em favor do cristianismo, mas sim para negá-lo.

O citado Plínio era um perseguidor de cristãos, que punia ou executava qualquer um que confessasse o Nome de Cristo. Se Jesus fosse um simples mito e sua execução uma mentira, sem nenhuma dúvida Tácito o teria relatado e divulgado a plenos pulmões, pois seria de seu máximo interesse. Jamais teria ele ligado a execução de Jesus aos líderes romanos. Esses escritos, portanto, apresentam Jesus como personagem real e histórico, indubitavelmente.

Negar a confiabilidade de todas as fontes que citam Jesus seria negar todo o resto da História antiga, e, seguindo essa mesma linha de raciocínio, teríamos que duvidar também da existência histórica de uma infinidade de homens e mulheres célebres, como Platão e Alexandre Magno, por exemplo.

Obviamente, não é nossa intenção, com este breve estudo, tentar "provar" que esses antigos escritos seculares testemunham Jesus como o Filho de Deus ou o Cristo, Salvador do mundo, e muito menos ratificar esta ou aquela religião. Provamos apenas o que esses registros demonstram, acima de qualquer dúvida: que um homem incomum chamado Jesus viveu em nosso planeta no início do século I de nossa era, e que iniciou um movimento que cresceu a proporções impressionantes e perdura até os nossos dias. Esse homem foi chamado de Rabi, Mestre, Cristo, Messias, Deus. Por fim, como vimos, esses escritos suportam outros fatos encontrados na Bíblia a respeito da vida do mesmo Jesus. Logo, afirmar que Jesus nunca existiu é renegar a confiabilidade de todos os nossos métodos para estabelecer conhecimento a respeito da História antiga.

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Fontes e bibliografia:
• ZUURMOND, Rochus. Procurais o Jesus histórico?, São Paulo: Loyola, 1998
• CROSSAN, John Dominic. The essential Jesus. Pensacola: Castle Books, 1998
• Oxford Dictionary of the Christian Church, v. 'Quest of the Historical Jesus'
• HABERMAS, Gary R.. The historical Jesus. Joplin: College Press, 1996
• SANDERS, E. P. The historical figure of Jesus. London: Penguin, 1993
• EHRMAN, Bart D. Jesus existiu ou não? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014
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O maior no Reino dos Céus


QUEM É O MAIOR no Reino dos Céus? "Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior, disse Jesus”. Quem é o maior no reino dos homens? Quem possui mais prestígio, poder, fama e dinheiro.

O que queremos? Ser grandes ou pequenos? Queremos ser grandes aonde? No Reino de Deus ou no reino dos homens? No reino dos homens só faremos grandes coisas se formos pequenos no Reino de Deus!

Maria Santíssima foi aquele pequeno "resto" de Israel, profetizado por Isaías, o pequeno resto que permaneceu fiel. Aquele resto não era mais o povo de Israel quando o Verbo se encarnou, porque o povo eleito já havia se tornado rebelde e virado suas costas à Lei de Deus. Ainda que pensassem a estar cumprindo, Deus agora enviava seu próprio Filho para dar a conhecer a Lei Nova. Maria Santíssima é o resto fiel, a única pessoa em quem o Senhor encontra fidelidade e temor do Senhor para se cumprir as profecias.

Quando se encontra com Isabel, sua alma rejubila de alegria no Senhor, seu Salvador, e exultante exclama: “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque Ele olhou para a pequenez de sua serva...”. Maria é uma pequenina, pobre e simples moça arrebatada pelo seu SENHOR. 

É impressionante o que ela mais guarda em seu coração: o resgate dos humildes, dos famintos, dos escravos, dos últimos, dos anawin: os pobres e pequenos que não são nada, não são ninguém, não tem fama, poder nem prestígio. 

Maria não pára na alegria de ter Deus se formando no seu ventre, mas exulta de felicidade vendo já a revolução de amor que o seu filho, o homem-DEUS, vai trazer. Os pobres habitam o coração da pobre Maria, os humildes e pequenos com ela exultam porque não engrandecem a si mesmos, não louvam a si mesmos, seus grandes feitos ou grandes obras, mas, como Maria, tudo reputam a Deus, tudo entregam a Deus, tudo dependem de Deus: “Felizes os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus”!

Ela, a mais pobre entre as mulheres da Terra e também a mais rica, foi pobre em tudo. Não é exato dizer que Maria foi invadida por uma poderosa infusão de ciência divina quando concebeu Jesus. E que por via de permanentes e excepcionais graças divinas tenham se dissipado todas as suas dúvidas e que ela soubesse e antevisse todo o seu caminho ou o caminho de Jesus. Não! Como qualquer um de nós, ela foi peregrina da fé, totalmente abandonada ao Desígnio de Deus, e teve que suportar os silêncios de Deus, as demoras de Deus e as cruzes do caminho. Hoje em Belém, amanhã fugindo para o Egito através do deserto; depois, de volta à monotonia e anonimato de Nazaré, e assim permanecendo até o fim de seus dias. Uma figura emblemática, mas como que passando em segundo plano. De fato, esta é a pequena e humilde serva em quem hoje nós nos espelhamos.

Humilde, pequeno é aquele que reconhece os próprios limites e não se orgulha ou se exalta pelos seus méritos e virtudes que tem. É ainda aquele que não aspira reconhecimentos, louvores, lisonjas e honrarias. Eis a pessoa humilde. No mundo atual, esta palavra não quer dizer quase nada, já que as palavras na ordem do dia hoje são: auto-afirmação ('eu quero o meu lugar ao sol; ninguém vai tirar o meu brilho'), egocentrismo, vanglória, reconhecimento e exaltação, méritos e títulos. Tudo isso, para Deus, é palha que queima com uma pequena faísca.

Muitas vezes as pessoas estragam tudo querendo elas mesmas concertar o erro do mundo com suas mãos. Nós não vamos mudar o mundo assim. O mundo não muda por voluntarismo nem por boa vontade. O mundo muda quando nós mudamos a nossa mentalidade mundana e buscamos as coisas do Alto; quando nos convertemos de nossos pecados. Enquanto persistirmos querendo estes valores do reino dos homens, não teremos a pequenez necessária para entrar no Reino de Deus. É preciso perder, caros irmãos. Esta é a verdade do Evangelho! "Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna".

Peçamos a intercessão da Virgem para podermos ser fiéis a seu Filho, para aprendermos a ser pequenos como ela, para aprendermos sua humildade e sermos também servos por amor; para aprendermos a desprezar as lisonjas, as horarias, os louvores, a vanglória e o desejo de auto-afirmação. Então, digamos lá do fundo do nosso coração: Faça-se em mim segundo a vossa Palavra!

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Fonte:
FERREIRA, Luis Fernando Alves,
homilia disp. em:
padreluisfernando.com/2015/08/quem-e-o-maior-no-reino-dos-ceus.html
Acesso 12/8/015
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