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A Igreja e o Islã, uma crítica da Evangelii Gaudium – conclusão

Tradução de João Marcos – Associação São Próspero



** Ler a primeira parte deste artigo

Pontos que precisam de clarificação

Vamos aos pontos que demandam esclarecimentos. No parágrafo 252, o Papa cita um famoso documento do Concílio Vaticano II, a constituição Lumen Gentium, quando diz que “professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia”.

1. Os islâmicos “conosco adoram o Deus único e misericordioso” (parágrafo 252)

É preciso cautela neste ponto. É verdade que os islâmicos adoram o Deus único e misericordioso, no entanto, esta frase sugere que as duas concepções de Deus são iguais. No Cristianismo Deus é a Trindade, a pluralidade unida no amor: Ele é um pouco mais que clemência e misericórdia. Nós temos concepções bem diferentes de Deus: os islâmicos pensam Deus como inacessível, enquanto a visão cristã da Trindade enfatiza que Deus é Amor que se comunica: Pai e Filho e Espírito Santo, ou Amante - Amado - Amor, segundo Sto. Agostinho.

Além do mais, o que significa a misericórdia do Deus islâmico? Ele tem misericórdia de quem ele quer, mas não daqueles que pecam contra ele. “Para que Allah pudesse agraciar com sua misericórdia quem Lhe aprouvesse”: estas expressões estão, quase que literalmente, no Antigo Testamento, mas nunca concluem dizendo que “Deus é amor” , como disse S. João.

A misericórdia do Deus islâmico é aquela do homem rico que dá esmola ao pobre. Já o Deus cristão é Aquele que se rebaixa a si mesmo ao nível do pobre para elevá-lo; Ele não exibe a sua riqueza para ser respeitado (ou temido) pelos pobres, mas Ele dá a si mesmo para que os pobres vivam.

2. “Os escritos sagrados do Islã conservam parte dos ensinamentos cristãos” (parágrafo 252)

Esta é uma verdade ambígua. É verdade que os islâmicos conservam palavras ou fatos dos evangelhos canônicos, como a história da Anunciação, que é praticamente transcrita nos capítulos 03 (A Família de Inran) e 19 (Maria).

Mas o Corão se inspira mais frequentemente nas histórias piedosas dos evangelhos apócrifos, e assim não conseguem extrair deles seu sentido teológico, não por malícia, mas porque estes evangelhos não contêm a visão geral da mensagem cristã.

3. A figura de Cristo no Corão e nos Evangelhos (parágrafo 252)

O documento diz que no Corão, “Jesus Cristo e Maria são objeto de profunda veneração”. Na verdade, Jesus não é venerado na tradição islâmica. É Maria quem é venerada, especialmente pelas mulheres islâmicas.

A ausência de veneração por Cristo é provavelmente explicada pelo fato que, no Corão, Jesus é um profeta famoso por seus milagres em favor dos pobres e doentes, mas Ele não tem o mesmo status que Maomé. Apenas os místicos têm alguma devoção por Ele, bem como ao que eles chamam de “Espírito de Deus”.

O fato é que tudo que é dito sobre Jesus no Corão é o exato oposto dos ensinamentos cristãos. Ele não é o Filho de Deus, mas um profeta. Ponto. Ele não é nem mesmo o último dos profetas, porque o “último dos profetas” é Maomé . A revelação cristã é vista apenas como um passo na direção da revelação definitiva trazida por Maomé, ou seja, o Islã.

4. O Islã se opõe a todos os dogmas fundamentais do Cristianismo

A figura de Cristo como Segunda Pessoa da Trindade é condenada. No Corão está escrito sobre os cristãos:

“Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros e não digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Deus é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos Céus e na Terra, e Deus é mais do que suficiente Guardião.”

Assim, Deus salvou Jesus dos pecados dos judeus, mas Cristo não salvou o mundo! Em resumo, o Corão e todos os islâmicos negam o núcleo da fé cristã: a Trindade, a Encarnação e a Redenção. É preciso dizer que eles estão em seu direito, mas você não pode dizer que “os escritos sagrados do Islã conservam parte dos ensinamentos cristãos”. Você pode simplesmente falar do “Jesus do Corão”, que não tem nenhuma semelhança com o Jesus dos Evangelhos .

O Corão menciona Jesus porque ele pretende completar a revelação de Cristo para exaltar Maomé. Além do mais, o que Jesus e Maria fazem no Corão não é nada além de rezar e jejuar de acordo com o Corão. Maria certamente é a mais bela figura dentre todas do Corão: ela é a Virgem, que homem algum tocou. Mas ela não pode ser a Theotokos (Mãe de Deus), e sim apenas uma "boa islâmica".

5. Ética no Islã e no Cristianismo (n. 252)

A última frase desse parágrafo da Evangelii Gaudium diz sobre os islâmicos: “Reconhecem também a necessidade de Lhe responder com um compromisso ético e com a misericórdia para com os mais pobres”. Isto é verdade. A compaixão com o pobre é um requisito do Islã. Mas existem, em minha opinião, duas diferenças entre a ética islâmica e a ética cristã.

A primeira é que a ética islâmica não é sempre universal. Frequentemente ela é uma questão de solidariedade com a comunidade islâmica, enquanto, de acordo com a tradição cristã, a solidariedade é universal. Por exemplo: quando um desastre natural atinge uma região do mundo, os países cristãos enviam ajuda independente da religião do país atingido, enquanto países islâmicos ricos (como a Arábia Saudita) não fazem isso.

A segunda é que a ética islâmica é legalista. Aqueles que não jejuam no mês do Ramadan são considerados criminosos e acabam presos (em vários países). Se você jejua, do amanhecer ao anoitecer, você é perfeito, mesmo que você coma do pôr-do-sol até o nascer do dia seguinte, e coma mais e melhor do que o normal: “Os melhores alimentos, em imensa quantidade”, como me diziam alguns amigos egípcios muçulmanos. O jejum do Ramadan perde todo o sentido se ele se torna o período em que os islâmicos comem mais, e comem as melhores coisas. No dia seguinte, dado que ninguém dormiu porque passaram a noite toda comendo, ninguém trabalha. Entretanto, do ponto de vista formal, todos eles jejuaram por várias horas. É uma ética legalista: se você fizer X, você está correto. É uma ética exterior.

Já o jejum cristão pretende nos aproximar do Sacrifício de Cristo, em solidariedade com os pobres, e não permite comermos em outro período para “compensar” o jejum.

Para o Islã, enquanto os fiéis observarem a lei islâmica, tudo está em ordem. O fiel nunca procura ir além da lei. A justiça é requerida pela lei, mas nunca é superada. É por isso que não existe no Corão a obrigação de perdoar, enquanto no Evangelho Jesus nos diz para perdoar um número infinito de vezes. No Corão a misericórdia nunca chega a ser amor.

O mesmo se aplica à poligamia: você pode ter até 4 esposas. Se eu quero ter uma quinta esposa, tudo que eu preciso é repudiar uma das outras esposas, talvez a mais velha, e me casar com a mais nova. E como eu me mantive com 4 esposas durante todo o tempo, tudo isso é perfeitamente legal.

O Corão se opõe ao Cristianismo em relação ao homossexualismo. Todas as religiões consideram o homossexualismo pecado, mas para islâmicos é também um crime, punido com a morte. No Cristianismo isso é pecado, não crime. O motivo é óbvio: o Islã é um sistema religioso, cultural, social e político; uma visão integral da realidade. Isso é afirmado várias vezes no Corão. O Evangelho, por sua vez, claramente distingue as dimensões espirituais e éticas da vida sociocultural e política.

O mesmo acontece com a pureza, como Cristo ensina aos fariseus: “Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem”.

6. “...os fundamentalismos de ambos os lados” (n. 250 e 252)

Finalmente, existem dois pontos que eu gostaria de criticar. O primeiro é onde o Papa ajuntou todos os fundamentalismos. No parágrafo 250 ele diz: “Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados”.

O outro ponto é a conclusão da seção sobre as relações com o Islã: “Frente a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afeto pelos verdadeiros crentes do Islã deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islã e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência” (n. 253).

Pessoalmente eu não colocaria os dois fundamentalismos no mesmo nível: fundamentalistas cristãos não carregam armas; o fundamentalismo islâmico é criticado primeiramente pelos próprios muçulmanos, porque esse fundamentalismo armado tenta reviver o modelo maometano. Maomé lutou mais de 60 guerras, e se ele é o modelo perfeito (como diz o Corão 33:21), não surpreende que alguns islâmicos usem de violência para imitar o fundador do Islã.

7. Violência no Corão e a vida de Maomé (n. 253)

Finalmente, o Papa menciona a violência no Islã. No parágrafo 253 ele escreve: “O verdadeiro Islã e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência”.

É uma bela frase, que expressa uma atitude extremamente benevolente do Papa com o Islã. Entretanto, em minha humilde opinião, ela expressa mais um desejo do que uma realdade. Pode ser verdade que a maioria dos islâmicos se oponham à violência, mas dizer que “o verdadeiro Islã se opõe a qualquer violência” não parece verdade: há violência no Corão. Portanto, a frase do Papa precisa de muitas explicações.

[Nota do editor: objetivamente falando, não é verdade que a maioria dos islâmicos se opõem à violência; diversas pesquisas e censos internacionais demonstram este fato concreto, e até os próprios islâmicos o reconhecem, como se pode ver neste vídeo de Razeel Haza, jornalista paquistanesa radicada no Canadá. Este, na realidade, é um dos maiores obstáculos para a adoção de medidas eficientes contra o terrorismo e a extrema violência praticada em nome do Islã: a recusa dos grandes líderes mundiais – como se vê, até mesmo do Papa – em reconhecer um fato simples e evidente]

É o bastante ler os capítulos 02 e 09 do Corão.

(O que o Papa diz sobre uma 'interpretação adequada' do Islã é verdadeiro. Alguns teólogos escolheram esse caminho, mas não são muitos o bastante para contrariar o poder da maioria. Essa minoria de teólogos está tentando reinterpretar textos corânicos que falam de violência, mostrando que eles se referem ao contexto da Arábia daquela época e à visão político-religiosa de Maomé)[1]

Se o Islã pretende continuar com a visão dos tempos de Maomé, então sempre haverá violência. Mas se o islã – e existem alguns místicos que fizeram isso – pretende alcançar uma espiritualidade mais profunda, a violência não é aceitável.

O Islã está numa encruzilhada: ou é uma religião para a política e a organização política da sociedade, ou uma religião para inspirar a viver e amar mais plenamente.

Aqueles que criticam o Islã pela sua violência não fazem uma generalização injusta, como provam os conflitos sangrentos do mundo Islâmico.

Aqui no Oriente nós compreendemos muito bem que o terrorismo islâmico é religioso, com citações, orações e fatwas de imãs que encorajam a violência. O fato é que não existe uma autoridade central islâmica para conter essa manipulação. Isto significa que cada imã é considerado um mufti, isto é, uma autoridade nacional que pode julgar inspirado pelo Corão ou ordenar execuções.


Conclusão – Uma 'interpretação adequada' do Corão

O ponto realmente importante é a “interpretação adequada”. No mundo islâmico, o debate mais caloroso – e mais proibido – é precisamente sobre a interpretação do livro sagrado. Islâmicos acreditam que o Corão foi revelado a Maomé completo, do jeito que conhecemos. Existe o conceito de inspiração do texto sagrado, que deixa margem à interpretação do elemento humano presente na Palavra de Deus.

Vejamos um exemplo. Nos tempos de Maomé, das tribos que viviam no deserto, a punição a um ladrão era a amputação das suas mãos. Qual o propósito dessa prática? Impedir que o ladrão roubasse novamente. Então devemos perguntar: como podemos preservar esse propósito hoje, impedindo o ladrão de roubar? Podemos adotar outros métodos ao invés da amputação das mãos?

Todas as religiões de hoje têm esse problema: como reinterpretar os textos sagrados, que têm valor eterno, mas foram escritos há séculos ou até milênios?

Quando encontro amigos islâmicos, eu sempre explico que hoje devemos nos perguntar qual o “propósito” (maqased) das indicações do Corão. Os juristas e teólogos islâmicos dizem que você deve procurar pelos “propósitos da lei de Deus” (maqasid al-shari’a). Esta expressão corresponde ao que nós, cristãos, chamamos de “espírito do texto”, comparado à “letra”. Devemos buscar o propósito do texto sagrado do Islã.

Vários teólogos islâmicos falam sobre a importância de descobrir “o propósito” dos textos corânicos para ajustá-los ao mundo moderno. E isto, me parece, é muito parecido com o que o Santo Padre quis dizer ao escrever sobre a “interpretação adequada” do Corão.

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1. Nota do Editor: parece evidente que um aspecto essencial envolvido neste último tópico foi deixado em aberto pelo autor. Refiro-me ao questionamento que certamente se fará, da parte dos islâmicos, quanto à autoridade do Papa, líder da Igreja Católica, em apontar a 'interpretação adequada' do Corão. Ora, realisticamente falando, mesmo que alguns autores islâmicos concordem com o Santo Padre, quais as chances de os grupos que adotam interpretações mais radicais (que lamentavelmente, como já demonstramos, são maioria), venham a mudar de opinião mediante uma exortação do Pontífice dos cristãos? Mal comparando, isto seria o mesmo que o Magistério da Igreja resolver reavaliar algumas das suas interpretações doutrinais das Sagradas Escrituras, definidas dogmaticamente, baseado na opinião de algum imã islâmico.

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• O texto de Samir Khalil Samir foi publicado originalmente pela agência internacional Asia News, e encontra-se disponível em:
http://www.asianews.it/news-en/Pope-Francis-and-his-invitation-to-dialogue-with-Islam-29858.html
Acesso 17/8/016.
www.ofielcatolico.com.br

A Igreja e o Islã, uma crítica da Evangelii Gaudium – parte I

Introdução e tradução por João Marcos – Associação São Próspero

DIANTE DA ONDA de atentados terroristas cometidos por islâmicos, julgo oportuno traduzir um texto sobre a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, um dos primeiros documentos escritos pelo Papa Francisco. O texto trata de esclarecer algumas afirmações sobre o Islã feitas na Exortação, afirmações estas que confundem o entendimento dos católicos sobre a religião islâmica. Para não cometer nenhuma injustiça, achei por bem traduzir todo o texto, e não apenas a sua parte crítica. O autor do texto é o padre jesuíta egípcio Samir Khalil Samir, especialista em Islã e Oriente Médio, professor por 12 anos do Pontifício Instituto Orientale em Roma. Mora no Líbano há 30 anos[1].



Samir Khalil Samir

Segundo a Evangelii Gaudium o Deus “compassivo e misericordioso” islâmico seria o mesmo Deus Trindade que adoramos. E Jesus e Maria, são os mesmos no Corão? O fundamentalismo cristão é igual ao fundamentalismo islâmico? 

Beirute – A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium é apresentada como o programa pastoral do Papa Francisco. Ela revela a alma aberta, amigável, positiva e alegre deste Papa na sua missão de espalhar a mensagem cristã no mundo atual. 

Pela minha experiência de contato constante com o Oriente Médio, eu fiquei muito impressionado com a seção sobre diálogo inter-religioso (parágrafos 250-254). Mas depois de reler e analisar essas passagens algumas vezes, especialmente aquela destinada ao Islã (252-253), eu pretendo destacar alguns pontos importantes, ao mesmo tempo em que abordo alguns aspectos problemáticos da relação com o Islã. Na Evangelii Gaudium, o Papa é muito otimista sobre o que é realmente benéfico em nossa sociedade globalizada.


Exigências de um diálogo genuíno

1. Amor e Verdade (n. 250)

A primeira coisa que deve caracterizar as relações com outras religiões está no parágrafo 250: “Uma atitude de abertura em verdade e amor”. Isto é importante porque vivemos num mundo globalizado, em contato frequente com outras religiões. O Papa sublinha que o caminho correto para dialogar requer amor e verdade: não existe amor em tomar posições inflexíveis, não existe verdade em diálogos ambíguos e vagos. Esta é a atitude correta, frequentemente em falta hoje em dia.

2. Diálogo e Anúncio (n. 251)

O mesmo tema está no n. 251: “Neste diálogo, sempre amável e cordial, nunca se deve descuidar o vínculo essencial entre diálogo e anúncio”.

Algumas vezes, ao dialogar, quando chega a hora do anúncio parece que nossos parceiros se desagradam, acusando-nos de fazer proselitismo. Mas isso não tem nada a ver com proselitismo, e sim com amor: é por amor que eu proclamarei a boa notícia que me liberta e me dá a felicidade. E você também deve me oferecer o bem que há em sua fé. Temos que evitar artimanhas, argumentos e práticas que visam conquistar o outro, e passar a dar testemunho da verdade.

Além do mais, os termos “proclamação” e “boa notícia” estão na Bíblia e no Corão. “Boa notícia”, do grego euanghelos, é encontrada em Isaías, Marcos, Lucas... No Corão, encontramos o verbo bashshara, ou seja, “trazer as boas notícias”. É dito frequentemente que Maomé foi enviado para “trazer as boas notícias” (mubashshiran). E é Cristo, de acordo com o Corão, que diz aos israelitas: “Eu vim para trazer as boas notícias (mubashshiran) de um profeta que virá depois de mim, chamado Ahmad”. Os islâmicos interpretam “Ahmad” como Maomé .

O ato de trazer boas notícias é tabshir em árabe, e é uma função típica de profetas. Islâmicos usam essa palavra para criticar os cristãos, acusados de fazer tabshir no sentido de proselitismo, distorcendo o significado da palavra árabe. O verso 61,6 do Corão é frequentemente citado como prova de que o próprio Jesus anunciou a vinda de Maomé. O proselitismo deve ser criticado, porque é um meio de conquistar uma pessoa com truques. Mas a proclamação é o propósito da fé que me libertou, e você, por sua vez, deve proclamar sua verdade a mim.

Cada um de nós está convencido de que trazemos as “boas novas” à humanidade. O islâmico, a comunidade islâmica, têm a obrigação de propagar o Islã através da Da’wa, do “chamado” para se tornar islâmico, de forma que todo estado islâmico tem um ministro de Da’wa. Da mesma forma, o cristão e a comunidade cristã têm a obrigação de proclamar a fé, de convidar outros a descobrir o Evangelho (as Boas Notícias). Compreendida corretamente, a proclamação é um ato de amor pelo outro. É por isso que o Papa nos chama a proclamar o Evangelho em diálogo, num gesto de amor e verdade. Já o sincretismo não respeita nem o amor, nem a verdade. Por isso o Papa condena o sincretismo: “Um sincretismo conciliador seria, no fundo, um totalitarismo”.

3. Acolher os imigrantes islâmicos (n. 253)

O Papa falou corajosamente: “Nós, cristãos, deveríamos acolher com afeto e respeito os imigrantes do Islã que chegam aos nossos países”. Esta é a consequência do “amor e verdade”: devemos acolher os imigrantes, não fechar nossas fronteiras com acontece frequentemente no Ocidente.

Ele mesmo deu o exemplo ao ir à Lampedusa, em julho de 2013, onde fez um discurso que começa com as seguintes palavras: “Emigrantes mortos no mar; barcos que em vez de ser uma rota de esperança, foram uma rota de morte. Assim recitava o título dos jornais. Desde há algumas semanas, quando tive conhecimento desta notícia (que infelizmente se vai repetindo tantas vezes), o caso volta-me continuamente ao pensamento como um espinho no coração que faz doer. E então senti o dever de vir aqui hoje para rezar, para cumprir um gesto de solidariedade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que não se repita o que aconteceu. Que não se repita, por favor”

4. Os países islâmicos devem acolher os cristãos (n. 253)

Ao mesmo tempo, o Papa diz (no parágrafo 253): “Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais”.

O Papa teve coragem de dizer aos países mais ricos do mundo, Arábia Saudita e alguns países do Golfo, a garantir liberdade de culto. Mas ele não menciona liberdade de consciência ou de conversão. A liberdade de culto é importante, visto que há mais de 2 milhões de cristãos na Península Arábica sem direito de ter ao menos sua própria capela!

Parece-me óbvio que a liberdade de consciência é garantida em todos os países ocidentais. Cedo ou tarde teremos de pedir liberdade de consciência até mesmo nas nações islâmicas: esta é a condição para uma verdadeira coexistência, respeitosa do indivíduo, em verdade e amor.


O propósito do diálogo

1. A serviço da paz (n. 250)

O propósito do diálogo inter-religioso é garantir a paz no mundo: “Este diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e também para outras comunidades religiosas.” Mais adiante o Papa continua: “Com este método, poderemos assumir juntos o dever de servir a justiça e a paz, que deverá tornar-se um critério básico de todo o intercâmbio”. Serviço é um dever, particularmente o serviço da paz e justiça. É um dever a todos os cristãos.

Na minha opinião, a palavra “juntos” é muito importante. Diálogo não é “eu falo e você escuta” e depois “você fala e eu escuto”, mas é nos colocarmos “juntos” a serviço da paz e da justiça. Esta é a visão prática e pastoral do Papa.

Finalmente, o uso das palavras “justiça” e “paz” é notável. Não se pode alcançar a paz sem justiça. Enquanto alguém se sentir injustiçado não haverá paz. Penso no conflito entre palestinos e israelenses. Os primeiros pensam que o fato de uma grande parte do seu território, onde eles viveram por séculos, ter sido tomada deles, sem culpa de sua parte, e dada a outros, é uma injustiça. Enquanto essa injustiça não for reconhecida e reparada, não haverá paz!

2. Aceitar as diferenças de cada um (ns. 250-252)

Uma consequência prática desse diálogo é o respeito pelas diferenças.

Ele diz no parágrafo 250: “Assim aprendemos a aceitar os outros, na sua maneira diferente de ser, de pensar e de se exprimir”. Este aceitar das diferenças é, para mim, crucial. Por ele, “ambas as partes encontram purificação e enriquecimento.”

O diálogo não deve ser usado para atacar o outro, ou humilhá-lo, mas para me purificar e enriquecer. A diferença é vista de um ângulo positivo.

Este tema aparece várias vezes. Por exemplo, ao falar dos islâmicos, o Papa diz algumas coisas muito positivas: “É admirável ver como jovens e idosos, mulheres e homens do Islã são capazes de dedicar diariamente tempo à oração e participar fielmente nos seus ritos religiosos” (n. 252).

Como cristãos, devemos aprender deles a devotar tempo à oração. O Papa enfatiza a positividade do testemunho islâmico diante de um certo relaxamento da Cristandade Ocidental.

Ele elogia também a religiosidade islâmica, sua dependência de Deus: “Muitos deles têm uma profunda convicção de que a própria vida, na sua totalidade, é de Deus e para Deus”. Isto devia servir de exemplo ao Ocidente, tentado pelo individualismo.

No parágrafo 253, o Papa lembra uma condição para o diálogo: “Para sustentar o diálogo com o Islã é indispensável a adequada formação dos interlocutores, não só para que estejam sólida e jubilosamente radicados na sua identidade, mas também para que sejam capazes de reconhecer os valores dos outros, compreender as preocupações que subjazem às suas reivindicações e fazer parecer as convicções comuns”.

O que o Papa diz do Islã é verdadeiro, e é vivenciado por muitos islâmicos. Por exemplo, muitos deles levam as orações bem a sério. Poucos dias atrás eu estive com uma família islâmica de Tripoli, no Líbano. Toda a família – pais e 2 filhos – respeitava os horários de oração. Foi apenas em respeito a mim que eles não interromperam suas atividades para rezar. Mas o seu celular sempre tocava na hora da oração, para lembrá-los do momento.

O sentimento religioso é mais forte entre os islâmicos do que entre os cristãos. E Bergoglio enfatiza esses aspectos positivos do Islã para corrigir omissões entre os cristãos.




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1. Nota do Editor: conforme explicado pelo autor, este é um artigo opinativo sobre um documento papal. As opiniões aí expressas não estão diretamente ligadas aos dogmas ou à Doutrina da Igreja; também não representam, necessariamente, as opiniões do nosso apostolado. Por se tratar de assunto tão espinhoso e delicado, sabemos bem que a polêmica é inevitável. As considerações de Samir Khalil Samir servem, entretanto, como válidos pontos de partida para uma reflexão mais madura a respeito dos pontos essenciais contidos nesta Exortação apostólica.
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O renascimento que ninguém esperava – o catolicismo ganha novo fôlego no Reino Unido

Com uma nova catedral, novas ordenações e novos Oratórios, estaria a Igreja Católica na Inglaterra entrando em um tempo de renovação?


– Cena do filme Henrique V –

QUE A FÉ CRISTÃ atravessa um péssimo momento em toda a Europa, isto não é segredo para nenhum católico minimamente informado. Ainda assim, apesar de toda a tragédia da situação, Nosso Senhor parece ouvir as súplicas de sua Mãe Santíssima e vem dando sinais de ainda manter a sua Mão misericordiosa estendida sobre o Velho Continente. As notícias nos dão um panorama de um movimento ainda modesto, mas firme e crescente, que se mantém na direção de uma renovação, como se pode perceber nos dados abaixo:

• Os católicos britânicos verão, em breve, a idílica e histórica cidade de Preston ainda mais bela com a edificação de uma nova catedral (para os católicos siro-malabares), que há longa data vinha sendo esperada.

• Em junho último (2016), a ordenação de um diácono na Diocese de Southwark atraiu manchetes em publicações católicas de todo o mundo: a vocação de Joice James Pallickamyalil é um belíssimo fruto do programa de formação da Universidade de St Mary. 

• No mês passado uma nova Eparquia católica para a Grã-Bretanha – que é uma espécie de diocese sem fronteira – foi anunciada. 

Tudo isso a partir de uma comunidade britânica siro-malabar de aproximadamente 40 mil membros que, até recentemente, a maioria dos católicos daquele país nem sequer sabia que existia. 


Católicos siro-malabares (de origem indiana e que segundo a Tradição tem origem na evangelização de São Tomé) são fiéis e vivem a fé da Igreja ativamente. Ganharão uma catedral em Preston, Reino Unido

• Todo segundo sábado do mês, cerca de 3 mil almas convergem para um centro de convenções em West Bromwich, onde permanecem por um dia, com a récita do Terço, celebração da Santa Missa, adoração do Santíssimo Sacramento e a participação da catequese em dois idiomas. Este é certamente o maior encontro regular de católicos em toda a Grã-Bretanha. Um evento realizado na arena de Nottingham, em julho passado e organizado pelo mesmo grupo – o SehionUK – atraiu mais de 5.000 pessoas.

Disse o correspondente do "Catholic Herald": "Estamos vendo os primeiros frutos de um verdadeiro ressurgimento, talvez até mesmo uma ressurreição (com tudo o que isso implica), do catolicismo britânico".

• Outro exemplo é a Escola da Anunciação, em Buckfast, Devon, um dos vários novos (ou renovados) estabelecimentos educacionais que tomam a fé católica muito a sério.

• Enquanto isso, em Orkneys (Norte da Escócia), a congregação dos Irmãos do Santíssimo Redentor foi aprovada como Instituto de Direito Diocesano pelo bispo Hugh Gilbert, no início deste ano, estando já reconciliados com Roma desde 2008 (um movimento que, se os relatórios recentes vierem a se concretizar, podem ter pavimentado o caminho para um possível regresso definitivo da FSSPX).

• Falando da vida religiosa no Norte, há as Congregações das Irmãs do Evangelho da Vida, em Glasgow (estabelecida no ano 2000), a dos Irmãos de Santo Ambrósio e São Carlos, em Carlisle (estabelecida em 2014), dois novos Oratórios em York e Manchester (e outro a caminho de ser reconhecida em Bournemouth) e três freguesias históricas que vem ganhando força, por dois grupos tradicionalistas: o Instituto de Cristo Rei (Preston, New Brighton) e o da Fraternidade Sacerdotal são Pedro (FSSP - Warrington).

Novas catedrais, novos centros de aprendizagem, novas ordens religiosas... Soa como um tempo de renovação católica em pleno coração da Europa?

Parece temerário ou imprudente, eu sei, falar de renovação e ressurreição em um momento de fechamento de paróquias e estatísticas desanimadoras em todo o Velho Continente. É verdade que todo e exposto até aqui pode parecer uma débil esperança em comparação com os quatro milhões de católicos de berço que não frequentam mais a Igreja. Mas, embora isso possa soar como loucura, períodos de renovação sempre começam no meio da crise; o próprio reconhecimento de que algo precisa ser feito, e com urgência, é muitas vezes o que inspira e energiza. E como Chesterton certa vez observou, ser católico nos liberta de restringir nossos horizontes ao presente. 

Segundo o Catholic Herald, para a maioria dos católicos britânicos, os problemas pastorais de hoje são o fruto dos erros graves que vieram e continuam ocorrendo há décadas e se intensificaram após o CVII (embora não tenham sido necessariamente causados por este). A julgar pelo que está ocorrendo agora, então, poderíamos dizer que daqui há algumas décadas um novo amanhecer poderá surgir de fato.

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Fonte:
The Catholic Herald, disp. em:
http://www.catholicherald.co.uk/issues/august-12th-2016/the-revival-no-one-expected/
Acesso 12/8/016
ww.ofielcatolico.com.br

Mulher recupera a visão por intercessão de São Charbel


SÃO CHARBEL (Charbel Makhlouf – 8 de maio de 1828 - 24 de dezembro de 1898), monge maronita canonizado pelo Beato Papa Paulo VI, terá logo um santuário em sua honra em Phoenix (EUA), consequência da grande devoção que segue crescendo entre os fiéis, especialmente depois que Dafne Gutiérrez, por sua intercessão, recentemente (janeiro/2016) recuperou a visão de maneira milagrosa.


Dafne Gutiérrez

A impressionante cura dessa mulher cega vem fazendo com que a reputação de cura do santo eremita se espalhe por todo o mundo. Sobre o caso, disse a médica Dra. Anne Borik: “Fizemos tudo o que foi possível para explicar o caso de Dafne e devemos nos perguntar: pode ser explicado medicamente? A resposta é que não temos uma justificação médica para explicar como ela pôde estar completamente cega num dia e, em seguida, 48 horas depois, ter recuperado a visão”.

Um dia depois de visitar uma relíquia sagrada associada ao santo, Dafne acordou com os olhos coçando muito e sentindo uma espécie de pressão na região da cabeça e olhos. Ao abri-los, enxergou o brilho de uma lâmpada(!). Espantada, gritou para o marido: "Eu posso ver! Eu posso ver!".

Diagnosticada com a idade de 13 anos, Gutierrez desenvolveu um papiledema (inchaço do disco óptico) no final do nervo óptico. A cirurgia para corrigir a malformação foi inútil. No outono de 2014, ela perdeu o uso de seu olho esquerdo, que vinha enfraquecendo gradualmente. Em novembro de 2015, o olho direito também estava perdido, e assim ela mergulhou na total e irreversível escuridão. Nem mesmo olhando o sol diretamente ela era capaz de enxergar qualquer coisa. Um relatório médico atestou que a sua cegueira era incurável e que ela necessitaria de assistência médica permanente. Dafne vinha considerando a possibilidade de ir viver em um asilo de cegos, porque não queria ser um fardo para a sua família.

A relíquia de São Charbel, que já percorreu as diversas paróquias desde o início de outubro de 2015, é composto por uma amostra de osso mantido em uma caixa de cedro. Esta peregrinação marca o 50º aniversário da beatificação dos santo libanês.

O anúncio da construção do santuário foi feito pelo sacerdote de origem libanesa, Pe. Wissam Akiki, que dirige a igreja católica de culto maronita S. Joseph, em Phoenix. “Ontem completou um mês que eu toquei na relíquia e que Deus finalmente me escutou”, disse Dafne à rede Univisión.

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Fontes:
• Asia News, disp. em:
http://www.asianews.it/news-en/The-healing-of-a-blind-woman-broadens-Saint-Charbel%E2%80%99s-fame-to-the-United-States-36565.html
Acesso 12/8/016
• ACI Digital, dip. em:
http://www.acidigital.com/noticias/mulher-recupera-visao-por-intercessao-de-santo-e-constroem-santuario-em-sua-honra-99457/
Acesso 12/8/016
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Mulher recupera a visão por intercessão de São Charbel


SÃO CHARBEL (Charbel Makhlouf – 8 de maio 1828 - 24 dezembro 1898), monge maronita canonizado pelo Beato Papa Paulo VI, terá logo um santuário em sua honra em Phoenix (EUA), consequência da grande devoção que segue crescendo entre os fiéis, especialmente depois que Dafne Gutiérrez, por sua intercessão, recentemente (janeiro/2016) recuperou a visão de maneira milagrosa.


Dafne Gutiérrez

A impressionante cura de uma mulher cega vem fazendo com que a reputação de cura do santo eremita se espalhe por todo o mundo. Sobre o caso, disse a médica Dra. Anne Borik: “Fizemos tudo o que foi possível para explicar o caso de Dafne e devemos nos perguntar: pode ser explicado medicamente? A resposta é que não temos uma justificação médica para explicar como ela pôde estar completamente cega num dia e, em seguida, 48 horas depois, ter recuperado a visão”.

Um dia depois de visitar uma relíquia sagrada associada ao santo, Dafne acordou com os olhos coçando muito e sentindo uma espécie de pressão na região da cabeça e olhos. Ao abri-los, enxergou o brilho de uma lâmpada(!). Espantada, gritou para o marido: "Eu posso ver! Eu posso ver!".

Diagnosticada com a idade de 13 anos, Gutierrez desenvolveu um papiledema (inchaço do disco óptico) no final do nervo óptico. A cirurgia para corrigir a malformação foi inútil. No outono de 2014, ela perdeu o uso de seu olho esquerdo, que vinha enfraquecendo gradualmente. Em novembro de 2015, o olho direito também estava perdido, e assim ela mergulhou na total e irreversível escuridão. Nem mesmo olhando o sol diretamente ela era capaz de enxergar qualquer coisa. Um relatório médico atestou que a sua cegueira era incurável e que ela necessitaria de assistência médica permanente. Dafne vinha considerando a possibilidade de ir viver em um asilo de cegos, porque não queria ser um fardo para a sua família.

A relíquia de São Charbel, que já percorreu as diversas paróquias desde o início de outubro de 2015, é composto por uma amostra de osso mantido em uma caixa de cedro. Esta peregrinação marca o 50º aniversário da beatificação dos santo libanês.

O anúncio da construção do santuário foi feito pelo sacerdote de origem libanesa, Pe. Wissam Akiki, que dirige a igreja católica de culto maronita S. Joseph, em Phoenix. “Ontem completou um mês que eu toquei na relíquia e que Deus finalmente me escutou”, Dafne à Univisión.

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Fontes:
• Asia News, disp. em:
http://www.asianews.it/news-en/The-healing-of-a-blind-woman-broadens-Saint-Charbel%E2%80%99s-fame-to-the-United-States-36565.html
Acesso 12/8/016
• ACI Digital, dip. em:
http://www.acidigital.com/noticias/mulher-recupera-visao-por-intercessao-de-santo-e-constroem-santuario-em-sua-honra-99457/
Acesso 12/8/016
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O game 'Pokémon GO' e a vida cristã


QUAL DE NÓS ainda não ouviu falar em "Pokémon GO"? O jogo rapidamente se tornou mania em nosso país, e espanta ver que não só crianças e adolescentes, mas também homens feitos e até pessoas de meia idade andam encantadas com a brincadeira. Nas redes sociais, muitos cristãos andam postando textos dizendo que este passatempo é perigoso, que desperta sentimentos ou instintos negativos, contrários à fé, que aqueles que o jogam cometem pecado... Não faltam aqueles mais radicais que chegam a demonizar o jogo, alguns até vendo nos personagens a tipificação de demônios ou deuses pagãos... 

Alguns dos nossos leitores e assinantes vêm nos pedindo, até com certa insistência, que tratemos deste assunto "da moda", o que num primeiro momento pareceu-nos desnecessário, afinal é só mais um joguinho de smartphone, com a diferença de ter se tornado um verdadeiro fenômeno mundial. Em todo caso, como a repercussão da coisa parece ter assumido proporções realmente incomuns, e vemos cada vez mais pessoas dedicando cada vez mais tempo a caçar monstrinhos virtuais por aí, consideramos que talvez seja mesmo o caso de refletir moralmente sobre o uso saudável desse tipo de diversão a partir da doutrina e da moral cristã e católica.

Para começar a tratar o assunto, dizemos que os entretenimentos saudáveis são válidos e mesmo importantes para a mente e a alma humanas –, que precisam de descanso tanto quanto o corpo físico necessita de repouso após um cansativo dia de trabalho. Nossos irmãos do apostolado Christo Nihil Praeponere, tratando sobre o mesmo tema, foram bastante felizes ao lembrar que grandes teólogos católicos já se debruçaram sobre esta questão. João Cassiano exemplificou de modo magistral, usando um episódio da vida do Apóstolo S. João comentado por Sto. Tomás de Aquino na Suma Teológica:

“O bem-aventurado João Evangelista, ao ver que alguns se escandalizavam de o ver jogando com seus discípulos, mandou um deles, que trazia consigo um arco, disparar uma flecha. Depois que ele repetiu isso muitas vezes, o santo perguntou-lhe se poderia fazê-lo continuamente. O outro respondeu que, se assim procedesse, o arco se quebraria. O apóstolo então observou que, da mesma forma, a alma humana se romperia se jamais relaxasse a sua tensão."[1]

Os jogos e a diversão não são, portanto, necessariamente pecaminosos, pelo contrário. Relaxar um pouco, de vez em quando, é uma necessidade humana. O problema começa quando exageramos nesses pequenos prazeres e diversões, e fazemos deles o objetivo maior das nossas vidas. Quanto tempo diário é saudável dedicar à diversão, aos jogos, às pequenas alegrias que nos fazem relaxar da tensão do trabalho e das nossas duras obrigações? Cabe a cada um de nós a resposta, segundo a nossa própria consciência – mas não temos nenhuma dúvida de que muita gente anda exagerando e perdendo a noção da importância que cada coisa deve ter.

Será o caso de se pensar se muitos jogadores compulsivos do tal "Pokémon GO" não estarão inconscientemente substituindo a busca humana essencial – a grande busca por Deus para a qual nascemos e pela qual ansiamos desde o nosso nascimento – por uma coisa tão tola e fútil quanto um joguinho virtual, procurando  preencher o vazio profundo da sua existência e satisfazer os impulsos da sua alma pelo Criador pela caça infantil a seres imaginários como os "pocket monsters" japoneses.

Se por um lado não há pecado nos jogos lúdicos, também é verdade que muitos caem na armadilha (esta sim, diabólica) de viver a vida como se fosse um grande jogo ilusório; isto ocorre quando falta a necessária moderação. Assim, muitos transformam a sua passagem pelo mundo num grande recreio, como se estivessem por aqui "a passeio". Sobre este perigo já nos advertiu S. Francisco de Sales, lá no século XVI: "Se dás muito tempo aos jogos, eles já não são divertimento, mas tornam-se uma ocupação"[2]. Aí, sim, está o perigo para a alma e o pecado contra Deus. Desperdiçar exageradamente o tempo precioso diante de uma telinha de celular em busca de fúteis glórias imaginárias é desperdiçar o dom da vida dada por Deus.
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Notas:
1. Suma Teológica, II-II, q. 168, a. 2.
2. Filoteia ou Introdução à Vida Devota (III, 31). 8.ª ed. Petrópolis: Vozes, 1958, p. 257.
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Ref.:
Existe algum problema com o jogo 'Pokémon GO'?, Apostolado Christo Nihil Praeponere, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/blog/existe-algum-problema-com-o-jogo-pokemon-go
Acesso: 11/8/016

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Fé e preconceito

OUTRO INSPIRADO SERMÃO do Bem-aventurado Cardeal Newman, este sobre o capítulo 16 do Evangelho de Mateus (22), vem com grande propriedade e profundíssima sabedoria esclarecer-nos quanto às dificuldades e exigências inerentes à sempre necessária virtude da Fé (a primeira virtude teologal), pois "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11,6).


John Henry Cardeal Newman

Sermão proferido aos 5 de março do ano do Senhor 1848

Temos no Evangelho desse dia algo que, suponho, suscitou surpresa na maioria dos leitores do Novo Testamento; quero dizer a lentidão dos discípulos para entender que nosso Senhor iria sofrer na Cruz. Isso só pode ser explicado por uma opinião contrária ter possuído suas mentes, o que chamamos de um preconceito forte contra a verdade. Em seus casos, um preconceito religioso honesto, o preconceito de mentes religiosas honestas, mas ainda um profundo e violento preconceito. Quando nosso Senhor declarou isto pela primeira vez, São Pedro disse: “Que Deus não o permita, Senhor! Isto não te acontecerá!” (Mt 16, 22). Falou tão fortemente que o santo evangelista diz: “Começou a interpelá-lo (ao Senhor) e a protestar”. Fez isso por reverência e amor, como a ocasião mostra, mas é evidente pela expressão que ele falou com ardor, com veemência. Imaginem o quão profundo era esse preconceito.

Esse mesmo preconceito representa o que encontramos no Evangelho de hoje. Nosso Senhor disse: “Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá tudo o que foi escrito pelos Profetas a respeito do Filho do Homem. De fato, ele será entregue aos genitos, escarnecido, ultrajado, coberto de escarros; depois de o açoitar, eles o matarão. E no terceiro dia ressucitará” (Lc 18, 31-33). As palavras poderiam ser mais claras? No entanto, que efeito teve sobre os discípulos? “Mas eles nada disto compreendiam, e essas palavras eram-lhes um enigma cujo sentido não podiam entender” (Lc 18, 34). Por que um enigma? Porque eles não tinham olhos para ver.

E assim, novamente, após a Ressurreição, quando encontraram o sepulcro vazio, diz-se: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20, 9). E quando santa Maria Madalena e as outras mulheres contaram a eles, “essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito” (Lc 24, 11). Consequentemente, quando nosso Senhor apareceu-lhes, “censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado” (Mc 16, 14).

Esse é certamente um estado de espírito muito notável, e o registro dele nos Evangelhos pode servir para explicar muito do que se passa entre nós, colocar-nos em guarda contra nós mesmos e nos sugerir a pergunta: será que estamos em algum aspecto no mesmo estado de imperfeição desses santos, naquela época preconceituosos, discípulos de nosso Senhor e Salvador?

Será bom observar qual era a causa da sua cegueira – era uma falsa interpretação que tinham dado às Escrituras do Antigo Testamento, uma interpretação comum no seu tempo e que tinha sido transmitida a eles pelos escribas e fariseus, que se sentaram no banco de Moisés e que fingiram ensinar-lhes a doutrina de Moisés. Era a opinião de muitos naquele dia que o Messias prometido ou Cristo, que estava para vir, seria um grande príncipe temporal como Salomão, só que maior; que teria um tribunal terrestre, riqueza terrena, palácios terrenos, terras e exércitos e servos, e a glória de um reino temporal. Essa era a ideia deles – esperavam por um libertador, mas pensaram que viria como Gedeão, Davi ou Judas Macabeu, com espada, lança e trombeta ruidosa, causando feridas e derramamento de sangue, e jogando seus cativos em masmorras.

E imaginavam que a Escritura tinha ensinado essa doutrina. Eles tomaram as partes da Escritura que agradavam suas fantasias, em primeiro lugar, e descartavam completamente as que eram contrárias a elas. É certo que Isaías e outros profetas falam de nosso Senhor, então por vir, como conquistador. Falam de Deus coberto com o sangue de seus inimigos e punindo com furor os governantes das diversas nações; como rei e governante com cetro de ferro, e estendendo o seu domínio até os confins da Terra. Também é verdade, porém, que a Escritura fala do Messias de outra forma. Ele é mencionado como o mais rejeitado entre os homens, como um leproso, um pária, um perseguido, cuspido, perfurado e morto. Essas passagens, porém, eles não consideraram. Não deixaram que produzissem efeitos legítimos em seus corações. Ouviram-nas com o ouvido e não com a razão, e por isso era como se não tivessem sido escritas; para eles não foram escritas. Não ocorreu a eles o que essas passagens poderiam significar; o que, ainda assim, significavam. Portanto, quando nosso Senhor disse-lhes que Ele, o Cristo, seria flagelado e cuspido, foram pegos de surpresa, e clamaram: “Longe de Ti, Senhor; impossível que Tu, Senhor da Glória, seja esbofeteado, ferido e morto. Isso não deve acontecer a Ti!”.

Observa que o erro dos Apóstolos e seu horror e rejeição ao que no entanto foi a Verdade Eterna e mais bem-aventurada do Evangelho surgiu a partir de um zelo religioso para com a honra de Deus; embora um falso zelo. Seria bom se o erro semelhante das pessoas de hoje tivesse tão excelente fonte e tão boa desculpa. Pois, assim é, que agora como outrora encontram-se homens que tem a Escritura em suas mãos, em suas memórias e em suas bocas, mas cometem grandes erros quanto ao significado dela, e isso porque têm preconceito contra o seu verdadeiro sentido.

“Falo como a pessoas sensatas”, como diz o Apóstolo; “julgai vós mesmos o que digo...”. Não é assim, meus queridos irmãos? Longe de mim ser severo, mas não é verdade que entre essas pessoas educadas, inteligentes e grandes, há um grande número – ou melhor, a grande maioria – que atribui um falso sentido às Escrituras, e estão violentamente em oposição à verdade por conta dessa falsa interpretação? A Igreja de Cristo caminha sobre a Terra agora, como o Cristo fez nos dias de sua carne, como nosso Senhor cumpriu as Escrituras no que Ele foi e fez então; assim a Igreja cumpre as Escrituras no que ela faz agora. Assim como a vinda de Cristo foi prometida, prevista nas Escrituras como foi outrora, também a Igreja foi prometida e prevista nas Escrituras no que ela é hoje. No entanto, as pessoas de hoje, embora leiam as Escrituras e pensem que as entenderam, como os judeus de então liam as Escrituras e pensavam que as entendiam, elas não as compreendem. Por quê? Porque, como os judeus de então, foram mal ensinadas; receberam falsas tradições, como os judeus tinham recebido as tradições dos fariseus, e estão cegos quando pensam que enxergam, e são preconceituosos contra a verdade, e escandalizados e ofendidos quando ela lhes é dita.

Assim como os judeus ignoraram passagens bíblicas que deveriam tê-los corrigido, assim certos cristãos ignoram passagens agora, que, se compreendidas, iriam tirá-los do seu erro. Por exemplo, os judeus ignoraram os textos: “Traspassaram minhas mãos e meus pés” (Sl 21, 17); “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Sl 21, 2); “Foi desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos” (Is 53, 3), que falam de Cristo. E os homens hoje ignoram passagens como a seguinte, que fala da Igreja: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 23); “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”(Mt 16, 18); “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor” (Tg 5, 14); “a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15) e similares. Têm eles tanta certeza de que a doutrina da única Igreja Católica não é verdadeira, que não se importam com essas passagens, ignorando-as. Não podem dizer o que elas significam, mas têm bastante certeza de que não querem dizer o que os católicos dizem que significam, porque para eles o Catolicismo não é verdadeiro. Na verdade, um profundo preconceito está em suas mentes, ou o que a Escritura chama de cegueira. Não podem afirmar o que essas passagens e muitas outras dizem, mas eles não se importam. Afirmam que afinal elas não são importantes, e quando são induzidos e obrigados a dar-lhes um significado, dizem qualquer coisa que lhes vem à cabeça, apenas para satisfazer ou para confundir o interrogador, desejando nada mais do que se livrar do que consideram uma pergunta incômoda, mas inútil.

Agora, não é estranho que os que agem dessa forma, que ignoram as coisas nas Escrituras e são conduzidos pelos seus preconceitos e pelo ensino insuficiente que receberam das Escrituras, ainda se vangloriem de serem “bíblicos” e guiados pela Escritura, e usem o seu julgamento particular? Não, eles não julgam, não examinam, não vão pela Escritura; consideram apenas o tanto das Escrituras que lhes convém e deixam o resto de lado. Eles seguem não pelo seu julgamento privado, mas por seu preconceito privado e pelos seus gostos particulares.

Vou acrescentar mais um ponto. Pessoas que agem assim são de tipos de caráter muito diferentes, assim como os que falharam com nosso Senhor quando Ele veio à Terra eram muito diferentes uns dos outros. Ambos, os fariseus de coração duro e os apóstolos de bom coração, foram surpreendidos com a Paixão e Morte de Cristo. Agora, dois tipos de pessoas se sentem ofendidas com a Santa Igreja: alguns são sem esperança, outros esperançosos. A ocorrência mostra isso. Não podemos decidir qual é um e qual é outro, exceto pela ocorrência; mas é assim, alguns são dirigidos cada vez mais longe da Igreja quanto mais veem e ouvem sobre ela, e outros, conforme o tempo passa, são trazidos mais perto dela, e afinal submetem-se a ela.

Sendo esse o estado das coisas, como nós, católicos, devemos nos comportar perante tais pessoas preconceituosas e errantes? Devemos imitar nosso Senhor e Mestre. Ele foi paciente com elas; abundava em paciência. “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega” (Mt 12, 20). Ele não discutiu, mas calmamente os guiou. Mostrou a eles seus prodígios. Gradualmente os influenciou por suas palavras e por sua graça e, em seguida, os iluminou, até que acreditassem em todas as coisas. E até aquele Apóstolo, que duvidou mais robustamente da sua Ressurreição, clamou: “Meu Senhor e meu Deus!”. Assim temos de fazer agora – assim a Igreja faz agora. O argumento está bem no seu lugar, mas não é o principal. O principal é ganhar o espírito, amolecer o coração, influenciar a vontade. Isso faz a Igreja. Seguindo o padrão do Divino Senhor, nos atrai com laços humanos, laços de amor, com caridade divina. “Tudo espera, tudo suporta”, abre as portas de seus templos, acende seus Altares, exibe o Santíssimo sob o véu sacramental, irrompe em brados de júbilo... Até que a alma rebelde, conquistada, diga com o Patriarca: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, para a glória de vosso povo de Israel” (Lc 2, 29-32). E, como nosso Senhor, depois de sua Ressurreição, abriu o entendimento dos discípulos para compreender as Escrituras, então agora os corações dos homens são amolecidos e iluminados, e vêem que a Igreja cumpre todas as profecias sobre si mesma, tudo o que está escrito na Lei, nos Profetas e nos Salmos; assim, se prostram e adoram, e confessam que Deus está aqui de verdade.

Bem-aventurados aqueles que assim se prostram em adoração. Bem-aventurados são aqueles levados pela graça de Deus a abraçar a Verdade. Bem-aventurados os que submetem suas mentes às influências suaves do Espírito Santo, e não param até que Ele lhes leve ao Paraíso. Mas, meus irmãos, o que tenho dito não se aplica exclusivamente a este ou àquele grupo de homens, porque pertence a todos nós. Pois não é esse ou aquele homem apenas, e sim todos nós, católicos ou não, que somos conduzidos adiante por Deus de uma maneira maravilhosa – com um caminho de prodígios, um caminho maravilhoso para nós, de maneira impressionante, surpreendente, aos nossos sentimentos naturais e gostos, seja qual for o nosso lugar na Igreja. Como a fé é a graça fundamental que Deus nos dá, então uma prova de fé é a disciplina necessária que Ele põe em nós. Não podemos ter fé sem um exercício de fé.

Isso está implícito na própria passagem que originou as observações que tenho feito. Quando os discípulos retraíram as palavras sobre sua própria Morte e Paixão, o que Ele fez? Encontrou um homem cego e lhe recuperou a vista. Por que deu-lhe esse favor especial? Ele nos diz expressamente: “Tua fé te salvou” (Lc 18, 42). Aqui foi uma repreensão tácita da lentidão em crer que havia em seus próprios discípulos e amigos. “Tudo é possível ao que crê. Esse pobre pária é uma lição para ti, ó meu povo. Ele te envergonha. Teve fé em mim, enquanto tropeças na minha palavra, e quando digo algo, respondes ‘Que Deus não permita isto, Senhor!’”.

O ofício de hoje nos dá outro exemplo da mesma grande lição. A Igreja lê hoje a história do chamado de Abraão, e medita sobre o seu grande ato de obediência, em levantar a faca para sacrificar seu filho. Abraão, nosso pai, é o nosso grande modelo de fé, e sua fé foi testada, em primeiro lugar por ser chamado a deixar o seu país e seus parentes, depois por receber a ordem para sacrificar seu amado Isaac. O primeiro já era muito desafiador, mas que pedra de tropeço a segunda poderia ter sido a uma fé menor do que a dele! Se os discípulos ficaram chocados que o Antítipo divino devesse ser condenado à morte, certamente Abraão viu como causa de escândalo que o seu próprio filho Isaac teria que ser abatido e morto por ele mesmo, por sua mão, pela mão do seu pai! No entanto, ele foi em direção ao cumprimento desse comando: grave, silenciosa, calmamente, como se fosse uma mera ação ordinária. Assim, mostrou sua fé e ganhou a Bênção.

Certifiquem-se, meus irmãos, que este seja o vosso caminho também. Nunca Deus dá a fé, mas sim Ele a testa, e ninguém sem fé pode entrar no Reino dos Céus. Portanto, vocês todos que vêm para servir a Deus, vocês todos que desejam salvar as vossas almas, comecem decidindo que não podem fazê-lo sem uma fé generosa, uma generosa entrega de si; sem colocar-se nas mãos de Deus, sem tentar fazer qualquer barganha com Ele, sem estipular condições, mas dizendo: “Ó Senhor, aqui estou eu, serei o que me pedires, irei aonde quiseres enviar-me, vou suportar o que colocares sobre mim. Não por meu próprio poder ou com a minha própria força; minha força é fraqueza. Se confio em mim mesmo, muito ou pouco, vou falhar, mas se confio em Ti, confio e sei que me ajudarás a fazer o que me chamas a fazer; confio e sei que não queres me deixar nem me abandonar. Nunca me hás de pôr em qualquer provação a qual não vais me ajudar a superar. Nunca haverá uma falha da tua parte, nunca me faltará a tua graça: eu a terei em abundância. Serei tentado; minha razão vai ser tentada, pois tenho que acreditar; meus afetos serão tentados, pois terei de obedecer a Ti em vez de agradar a mim; a minha carne vai ser tentada, pois terei que colocá-la em sujeição. Mas Tu és mais para mim do que todas as outras coisas juntas. Podes compensar tudo que tomares de mim e Tu irás fazê-lo, pois me darás a Ti mesmo. Tu me guiarás”.

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Fonte:
NEWMAN, John Henry. 'Faith and prejudice, and other unpublished sermons'. chapter 'Our Lady and the Gospel'. 
New York: Sheed & Ward, 1956.
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O perigoso sentimentalismo e a persistência na vida espiritual



“O sentimentalismo é, para a sensibilidade, uma afetação de amor de Deus e do próximo que não existe suficientemente na vontade espiritual. Então, a alma procura a si mesma mais do que a Deus; daí, para tirar a alma desta imperfeição, Deus purifica a alma pela aridez da sensibilidade.
Se verdadeiramente nesta aridez a alma não é suficientemente generosa, então cai na preguiça espiritual, na tepidez, e não mais tende suficientemente à perfeição.
Igualmente, pelo amor desordenado de si mesmo, vicia-se o labor intelectual ou apostólico, pois nele buscamos satisfação pessoal, buscamos o louvor em si mais do que a Deus ou à salvação das almas. Assim, o pregador pode tornar-se estéril 'como um bronze que soa ou um címbalo que tine' (1Cor 13,1). A alma se retarda, não é mais iniciante porém não avança ao estado dos aproveitados; permanece uma alma retardada, como um menino que, por não crescer, não permanece criança e nem se faz adolescente ou adulto normal, mas um homúnculo deforme. Ocorre algo similar na ordem espiritual, e isto provém do amor próprio desordenado, do sentimentalismo, do qual nasce a esterilidade da vida.”
(Pe. Garrigou Lagrange, 'As Três Vias e as Três Conversões', ed. Permanência)

HOJE CONTAMOS a estranha história de muitos católicos que vivem uma fé baseada no sentimentalismo. Trata-se de um problema mais latente entre aqueles que não nasceram em berço católico, ou que se dispersaram durante algum tempo, na juventude, e só depois reencontraram o Caminho (Cristo) e retornaram à Casa do Pai. Naquele dia em que se (re)converteram, sentiram como que uma "fisgada", Jesus a lhes "pescar"; foi o seu momento de conversão e de feliz intimidade com o Senhor, em Comunhão com a Santíssima Virgem e os santos e anjos do Céu.

Naquele dia, muitos desses novos católicos queriam mudar o mundo – e se sentiam capazes disso. Sentiam um desejo ardente, um ímpeto de falar de Jesus e da sua Igreja para o mundo, de proclamar que haviam se encontrado, reencontrado o Caminho, que eram agora membros do Corpo de Cristo... Viviam uma fase de choradeiras com qualquer música sacra ou religiosa que ouvissem. Na Missa e nos grupos de oração, dos quais procuravam participar, queriam externar os seus sentimentos...

Mas... algum dia –, demore um pouco mais ou um pouco menos –, chega um certo momento em que "a fé esfria" para esse novo convertido. As canções do padre Marcelo Rossi e Fábio de Melo e dos cantores católicos populares já não os encantam, já não são mais capazes de fazer brotar as lágrimas. Ele já não "sente" mais nada durante a Missa, e desiludido se pergunta por quê. Nas orações, clama a Deus: “Por que me abandonas? Porque não sinto mais a tua Presença?”... Depois de mais algum tempo, começa a perder a vontade de ir à Igreja, de rezar... "Se não 'sinto' a Presença e nem as consolações de Deus, para quê insistir?", é o que pensa; lá no fundo, começa a se questionar se tudo não teria sido, afinal de contas e, como dizia aquela antiga canção interpretada por Orlando Silva e Nelson Gonçalves, "nada além de uma linda ilusão"...

Todavia a questão mais profunda e importante, que precisa ser trazida à tona nestes casos, é esta: será que aquele sentimentalismo todo era realmente fé cristã? Será que se emocionar, chorar, cantar entusiasmado, dizer orações a Deus com grande empolgação e outras demonstrações externas como estas são realmente o sinal de uma autêntica e saudável vida em Cristo?

Diz a carta aos Hebreus: “A fé é o fundamento da esperança; é uma certeza a respeito do que não se vê” (Hb 11,1). “Não se vê”, neste caso, é alusão a essa relação que se pode ter com a fé – e que de fato costumamos ter, nos primeiros tempos logo após a nossa conversão – por meio dos sentidos físicos. Algumas pessoas chegam, sim, a ter visões supranaturais, embora estes sejam casos raros. Mas se dizemos que a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se experimenta por meio dos sentidos físicos, podemos afirmar que é a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se sente emocionalmente; ao menos não necessariamente. A fé cristã está, sem dúvida, mais relacionada à vontade do que às meras e fugazes emoções humanas.


Santa Gemma Galgani

Na biografia de santa Gemma Galgani consta que ela havia recebido os estigmas de Cristo muito cedo. Ela sempre oferecia seus sofrimentos à Deus em expiação pelas almas. Um fato interessante da sua vida é que ela vivia de modo tão santo que era sempre vista uma luz intensa ao seu redor enquanto rezava, mas também recebia flagelações de demônios em suas provações. Nossa Senhora lhe aparecia muitas vezes em sonhos. Certa vez, o próprio Senhor Jesus Cristo lhe apareceu e lhe propôs algo que para muitas pessoas seria algo extremamente difícil de compreender: ela não sentiria nada quando rezasse; teria mesmo indisposição para a oração e sofreria por não sentir mais nem sequer o mínimo de emoção ao orar, ao ir à Missa e mesmo quando fosse receber os santos Sacramentos(!).

Compreendemos, hoje, que o Cristo propôs isto a Gemma Galgani porque queria que ela sentisse o que Ele sentiu na sua Paixão: a extrema angústia e terror, a ponto de Ele mesmo – Deus e Salvador da humanidade, Senhor das Tempestades, Princípio e Fim de todas as coisas – exclamar: “Pai, porque me abandonastes?”... Nosso Senhor sofreu assim porque, mesmo sendo plenamente Deus, era também plenamente homem.

E consta que Gemma aceitou sua pesada cruz com paciência; mesmo não sentindo nada, mesmo com a provação das enfermidades que assolaram a sua vida, perseverou na oração, aguentou os açoites do demônio e não cessou de oferecer tudo a Deus, em reparação dos pecados do mundo, pelas almas que padecem no Purgatório, em desagravo às ofensas sofridas por Nosso Senhor e pelo bem de toda a Igreja, seguindo a exortação do Apóstolo:

“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.”
(Col 1,24)

Aí está um exemplo maravilhoso do que significa a verdadeira e autêntica fé cristã. Esta serva e guerreira de Cristo – esta brava filha da Igreja e irmã dos Santos do Céu – já não "sentia" mais nada, já não desfrutava de doces emoções, porém mesmo assim mantinha a fé de que Deus não iria desampará-la e que, na vida futura, iria desfrutar da Presença de Deus, Bem dos bens e Fonte de toda a vida, felicidade e alegria.

Do mesmo modo, Jesus Cristo disse a Tomé, que então não cria na sua Ressurreição: “Creste porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!” (Jo 20,29). Crer sem ver; crer e permanecer na fé mesmo sem sentir, sem se emocionar, sem precisar das muletas do sentimentalismo.


Advertências dos Santos sobre o perigo da dependência dos sentimentos e sensações agradáveis na vida espiritual

“Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. (...) Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção têm com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas mais interiores e espirituais.”

“A alma presa às graças sensíveis permanece ignorante e grosseira na vida de fé, e fica sujeita muitas vezes a tentações graves e pensamentos importunos.”

“Cautela nessas comunicações exteriores e sensíveis sem jamais as admitir – a não ser em certas circunstâncias muito raras e sob o parecer de alguém com muita autoridade, e excluindo sempre o desejo delas.”

(Subida do Monte Carmelo, p. 217ss, Capítulo XI)


Sugestões para a frutuosa oração frequente

Não desista da oração, mesmo se estiver indisposto. Esta luta interior agrada a Deus e o fará crescer e amadurecer muito espiritualmente. Uma indicação sempre válida e utilíssima é rezar o santo Terço; deixe que Nossa Senhora reze com você e por você. Ainda assim, é importante saber e lembrar que o católico não dispõe apenas do Terço para rezar. Todos podemos e devemos falar espontaneamente a nosso Deus e Salvador, adorá-lo, louvá-lo, suplicar a sua Misericórdia e Graça; além disso temos muitíssimas santas jaculatórias – orações ou invocações muito curtas que podemos dirigir isoladamente a Deus e/ou aos santos do Céu – e que ditas fervorosamente são poderosos instrumentos à nossa disposição. Você pode dizer várias vezes:

• Eu vos adoro e agradeço, Senhor Deus Pai, Filho e Espírito Santo, porque sois o Criador de Todas as coisas, o Sumo Bem e meu Salvador, doador da vida e de todos os bens!

• As Santas Chagas são o Tesouro dos tesouros pelas almas do purgatório!

• Bom Jesus, nós Vos louvamos no Sacramento do Amor; sede sempre para nós um compassivo Senhor!

• Bom Jesus, sejais Bendito, pois sois nossa Redenção; sois toda a nossa ventura, nosso amparo e nossa consolação!

• Coração de Jesus Crucificado, Fonte de amor e de perdão!

• Coração de Jesus, em Vós confiamos!

• Coração Misericordioso de Jesus, tende misericórdia de nós!

• Coração Sacratíssimo e misericordioso de Jesus, dai-nos a paz!

• Cristo Jesus, Vós sois a minha Ajuda e meu Redentor. Amém!

• Dai-me a graça, Senhor, de que eu nunca Vos ofenda!

• Dai-me a graça, Senhor, de vencer as paixões e ter horror ao pecado!

• Deus meu e meu tudo!

• Doce Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que eu Vos ame cada vez mais!

• Doce Coração de Jesus, sede o meu amar!

• Doce Coração de Maria, sede minha salvação!

• Imaculada Rainha da paz, alcançai-nos a paz!

• Jesus, Maria e José, eu vos amo; sede comigo e não permitais que eu vos ofenda!

• Jesus Misericordioso, eu confio e espero em Vós!

• Jesus, meu Deus e meu Senhor, eu vos amo acima de tudo!

• A justíssima e amabilíssima Vontade de Deus seja sobre todas as coisas!

• Maria, minha Mãe!

• Meu Jesus, eu quero ser todo vosso!

• Nossa Senhora da Providência, providenciai!

• Ó Jesus, com todo meu coração eu me uno a Vós. Amém!

• Ó meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas!

• Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas!

• Oh! Jesus Divino, nossa vida, nosso amor, enchei o nosso espírito de um verdadeiro fervor!

• Oh! Jesus, Autor da vida, enchei nossos corações de divino Amor!

• Pai Eterno, ofereço-vos o Preciosíssimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas almas que estão no Purgatório!

• Por Vossa mansidão divina reinai em nossos corações!

• Junto dos doentes repetir muitas vezes: Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas!

• São José, assisti-me em minha agonia!

• SENHOR, abandono-me em Ti, confio em Ti, descanso em Ti...

• SENHOR, se quiseres, podes curar-me!

• SENHOR, seja feita a vossa santa Vontade!

• SENHOR, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo!

• Senhora do Céu, santíssima Virgem milagrosa, sede nossa guia neste vale de lágrimas!

• SENHOR, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo (ou tal pessoa será salva)!

• Sou teu, para Ti nasci; que queres, Jesus, de mim?

Sugerimos ainda a Invocação do Nome de Jesus (aprenda), a récita de uma Dezena do Rosário (que bem rezada pode ser tão proveitosa ou até mais do que mil Aves-Maria ditas displicentemente) e a o Terço da Divina Misericórdia.


* * *


Resumo e conclusão
O exemplo de Santa Gemma Galgani é um caso muito especial, radical, e não deve ser tomado como regra geral, é claro. É bem provável que poucos de nós suportassem carregar tamanha cruz com tanta dignidade. É muito importante entender que não se está aqui afirmando que as emoções sejam ruins em si mesmas. Não defendemos que os católicos devam ser ou se comportar como máquinas insensíveis. Seres humanos somos dotados, sim, de emoção. O emocionar-se pode ser saudável e é parte da experiência humana, graças a Deus! Ora, se consolações divinas vierem durante a nossa oração, ótimo.

O que precisamos é nos prevenir contra o perigo de achar que a emoção é uma condição necessária para a Comunhão com Deus; o perigo de associar vida espiritual e emoção: este é um grave erro.

Como diz o grande Pe. Garrigou-Lagrange, pessoas que procedem assim no fundo são egoístas, porque não estão procurando Deus por Ele mesmo, mas pelas consolações e delícias espirituais. São como viciadas nesses doces sentimentos e sensações.

É por isso que vemos tanta gente que num primeiro momento se empolga com os grupos de oração ditos carismáticos, mas depois de algum tempo desacorçoam, deixam de ir à Igreja, e muitas delas terminam em seitas protestantes pentecostais.

As lágrimas não são necessariamente negativas. Negativo é buscar as lágrimas, é acreditar que elas sejam necessárias, é imaginar que quem vai às lágrimas é mais santo ou está mais próximo de Deus do que aqueles que são mais controlados.

Parece-me importante repetir mais uma vez, o que diz São João da Cruz e que resume muito bem a questão: "Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais (sensações e emoções), é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus."

Em outras palavras, se na vida cristã a emoção e as sensações vierem, bem. Se não vierem, graças a Deus também.

Que a Cruz, pela qual somos salvos e nestes tempos difíceis é evidenciada (esta é a graça contida nas dores, dificuldades e angústias), nunca suma dos nossos horizontes; que ela seja a nossa grande Filosofia, que desafia todo conhecimento e diante da qual todas as ilusões humanas revelam a sua efemeridade. Nova humanidade, renascida do lado aberto do Cordeiro de Deus, homens e mulheres espirituais fortes e maduros, mostrem as suas faces, ou melhor, mostrem vosso Coração conforme ao de Cristo! "O mundo gira, mas a Cruz permanece firme"! Permaneçamos com Jesus Cristo.

Eis o tempo da oração silenciosa, da contemplação. Que a seriedade do amor nos guarde contra o débil sentimentalismo, e que a sobriedade da verdadeira santidade nos acompanhe e nos ensine. Que o mundo durma bêbado dos seus prazeres, entorpecido nas suas sensações vãs. Nós, cristãos católicos, experimentados no combate, despertos, contemplaremos o Amado, junto com a Virgem. Vigiemos, munidos da Arma e Antídoto contra todo o mal, que é a Santa Cruz. Eis a Espada da alma amante, a Cruz; eis a inimiga de toda mentira e ilusão, e eis também a via do amor e da felicidade maior, cujo fim será o doce encontro com o Esposo das nossas almas.

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Ref.:
'Os perigos do sentimentalismo', Front Católico, disp. em:
https://frontcatolico.blogspot.com.br/2014/07/os-perigos-do-sentimentalismo.html?showComment=1470151921780#c8009207437240022091
www.ofielcatolico.com.br

Ícone ateu, Richard Dawkins diz que o cristianismo é a melhor defesa contra o extremismo islâmico

"Estão degolando ateus também? Conquistando a Europa?! Aham... Bem, como eu dizia, até que o cristianismo não é tão ruim assim..."

O POLÊMICO AUTOR e biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins –, verdadeiro símbolo dos ateus ativistas do nosso tempo –, admitiu que o cristianismo é a melhor alternativa como contraponto à mensagem extremista do islamismo.

A afirmação foi feita a partir de uma análise sobre a ascensão do secularismo na Europa e nos Estados Unidos e também do avanço do extremismo islâmico no Oriente Médio e África. “O cristianismo pode realmente ser a nossa melhor defesa contra as formas aberrantes de religião que ameaçam o mundo”, disse Dawkins, de acordo com informações do "Gospel Herald".

No passado, Dawkins não poupou esforços em combater e expressar a sua aversão radical ao cristianismo. Mesmo assim, reconheceu que na doutrina cristã, ao contrário do que ocorre no islamismo, não existem incentivos ao uso da violência contra quem ignora os seus ensinamentos.

“Não há cristãos, tanto quanto eu sei, explodindo edifícios. Não tenho conhecimento de quaisquer ataques suicidas cristãos. Não tenho conhecimento de qualquer grande denominação cristã que crê a pena para a apostasia é a morte (...) Tenho hoje sentimentos mistos sobre o declínio do cristianismo, porque este grupo baseado na fé pode ser um baluarte contra algo pior."
Richard Dawkins

O cientista ateu argumentou, ainda, que a razão de ter criticado apenas o cristianismo no passado é o fato de ser esta a religião com a qual ele estava mais familiarizado. Mesmo que tenha nascido na África, Dawkins e sua família se mudaram para a Inglaterra quando tinha ele nove anos de idade.

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Com Christian Today, disp. em:
http://www.christiantoday.com/article/richard.dawkins.says.christianity.is.worlds.best.defence.against.radical.islam/76416.htm
Acesso 1/8/016
www.ofielcatolico.com.br
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