Os santos e os sofrimentos humanos


REPRODUZIMOS NESTA postagem um pequeno debate, recentemente surgido neste site, com o objetivo de compartilhar com um maior número de pessoas (especialmente as que possam ter as mesmas dúvidas), as respostas católicas para as questões levantadas.

O início foi a mensagem enviada por um leitor que não se identifica, perguntando como responder a um "evangélico" que nos questione a respeito da intercessão da Virgem Maria, que segundo eles não poderia pedir por nós a Deus da mesma maneira como o fazem nossos irmãos cá da Terra, porque uma pessoa morta não pode rogar por ninguém. Respondemos da maneira mais resumida possível, nos seguintes termos:

Por acaso a Virgem Maria ou qualquer santo, qualquer pessoa que tenha deixado este mundo em estado de Graça, como filho ou filha de Deus e na fé em Cristo Jesus, está realmente "morta"? Quem pensa assim não crê realmente em Jesus, não crê em Deus, não crê na Escritura, não crê na Igreja. Pois o Senhor diz muito claramente que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos (Lc 20,38). E diz ainda mais objetivamente: "Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (Jo 11,25-26).
Os evangélicos só aceitam o que está na Bíblia, literalmente. – Pois os exemplos de que os santos estão vivos, no Céu (bem mais do que nós cá na Terra), são inúmeros.

• Jesus disse ao bom ladrão: "Ainda hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23,43). Jesus perdoou o ladrão, que morreu e foi imediatamente para o Céu [Jesus não disse: 'Agora você vai dormir até o Dia da Ressurreição, e aí nos veremos'...].

• O Livro do Apocalipse também mostra os santos diante do Trono de Deus, rendendo louvores ao SENHOR (especialmente no cap. 5).• Na parábola de Lázaro e o rico avarento (Lc 16), Jesus mostra como os dois estão bem vivos e conscientes depois desta vida, Lázaro no Céu e o rico avarento no Inferno.

• Na Transfiguração, Jesus se mostra glorioso a Pedro, Tiago e João, e ao seu lado aparecem Elias e Moisés, que já haviam falecido há muito tempo, e surgem bem vivos e conscientes ao lado do Senhor (Mt 17,1-9, Mc 9,2-8 e Lc 9,28-36).

Enfim, achar que a santíssima Virgem Maria ou qualquer santo está "morto" é uma simples negação da fé cristã. Como aconselha São Paulo, se cremos somente nesta vida, neste mundo, comamos e bebamos, que a vida é curta (1Cor 15,32).

Recebemos, então, a réplica que reproduzimos abaixo, de um outro leitor, – que também não se identifica:
Acredito quem está "morto" não tem noção em relação a esse nosso mundo, já imaginou vc no ceu ou outro lugar de descanço e sabendo que um familiar seu está sofrendo por doença, depressão, prisão, drogada enfim qualquer motivo como vc ficaria teria realmente paz?"

Temos aí uma das novíssimas invenções pseudo-teológicas que "pastores" de seitas ditas neopentecostais andam pregando a partir de seus púlpitos, – infelizmente acolhidas passivamente pelas mentes mais ingênuas e despreparadas. – A esta réplica, respondemos como segue abaixo:

Essa ideia de que Deus deixa os mortos, – mesmo aqueles que morrem em Cristo, – numa espécie de "estado de hibernação", para que não sofram vendo seus amigos e parentes passando pelas dificuldades e dores do mundo, até o Dia da Ressurreição, é uma construção puramente humana, que nada tem a ver com a doutrina cristã, bíblica e apostólica: em outras palavras, trata-se de "invencionice" pura.

Estar face a Face com Deus, plenamente em Deus, imerso no mais perfeito e puro Amor, felicidade e bem-aventurança, esta é a completa e absoluta realização daquilo que entendemos por paz. Nada poderia abalar isso, também porque no Céu a compreensão da Justiça de Deus e da finitude desta vida terrena, com todas as suas mazelas, é plena. Saberemos que toda a dor e sofrimento deste mundo são nada comparados a Eternidade em Deus, e isto nos confortará.

É preciso tomar muito cuidado com as doutrinas inventadas e transmitidas pelos falsos profetas como se fossem "bíblicas".

Por fim, alguém não se conformou com a resposta, e veio a tréplica que deu o tema do conteúdo principal desta postagem, numa nova mensagem anônima:

Então, se minha filha estiver sendo sequestrada e estrupada ou explorada ou qualquer tragédia entre meus parentes, eu sabendo disso não ficaria de forma nenhuma triste? Acho que o próprio Deus ficou triste com seu filho sendo torturado,morto na cruz ou não? E Jesus mesmo estando na terra, mas sendo Deus, que conhecendo a glória e sabendo da salvação de João Batista que estava indo para o Céu não ficou triste?"

Aqui entramos na abordagem do assunto principal deste artigo, que lhe dá o título, na resposta às últimas argumentações do nosso leitor anônimo. Abaixo:



Jesus, que é plenamente Deus, viveu entre nós como ser plenamente humano. Angustiou-se como homem, viveu as dificuldades próprias de homem, sofreu como homem. Isto é uma coisa. No caso da morte de João Batista, evidentemente, entristeceu-se mais pela grande injustiça do que pela morte do amigo, que foi na realidade uma libertação, e isso Ele sabia melhor do que ninguém. E o que Jesus mesmo nos diz?

...Que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33)

Neste mundo, todos vivemos aflições, dificuldades, dores, angústias, tristezas. Mas Jesus nos diz para não desanimarmos, que Ele está conosco, e diz que nEle teremos paz. Em que isto implica? Que estar em Jesus é, de algum modo, superar as aflições, ter a Consolação das aflições do mundo. Óbvio e certo. Pois bem. E se estar em Cristo, ainda que imperfeitamente, neste mundo, onde o vemos como que por um reflexo (conf. 1Cor 13,12), produz paz, imagine então a consolação plena que teremos no Céu, onde veremos Deus Pai, Filho e Espírito Santo face a Face, vivendo em Comunhão integral com Ele!

Existe todo um complexo e próprio ramo da Teologia que precisa ser estudado para se compreender estas questões, que são extensas e impossíveis de se esclarecer devidamente neste espaço tão exíguo. De todo modo, lembre-se que toda aflição humana parte do fato de vivermos numa realidade temporal: ordinariamente, um pai que perde um filho, por exemplo, só entra numa situação de terrível sofrimento porque ele só é capaz de enxergar a vida a partir da perspectiva temporal: ontem, hoje e amanhã. Ontem o filho estava aqui, hoje não está mais e, – pior, – não estará amanhã, não estará "nunca mais"! É esse pensamento e essa falta de perspectiva que fazem sofrer.

Se fosse capaz de compreender o tecido da realidade a partir de uma perspectiva divina, isto é, transcendente, a partir da Eternidade – para a qual não existe passado, presente e futuro, mas apenas o eterno e perene "Agora" de bem-aventurança – então este pai seria capaz de compreender que as dores da vida temporal são nada (nada de fato e não como força de expressão) diante da infinitude da Existência divina.

O tempo é uma criação de Deus; foi criado por Deus num ponto específico. Antes de existir o Universo, não existia o tempo, e até a inteligência humana é capaz de compreender isto, nos estudos avançados da Física, que sabe, inclusive, que a própria existência do tempo, propriamente dito, haverá de acabar, em algum outro ponto.

Logo, sabemos que, no Céu, a visão da realidade é completamente diferente da nossa, tanto que não podemos compreendê-la plenamente. Não é tão difícil entender, porém, que, a partir dessa perspectiva absoluta da realidade, todos os males, que tanto nos causam sofrimento, não existem objetivamente, por assim dizer.

Este é um aspecto da questão: quando formos capazes de ver e entender a realidade sob a perspectiva da Eternidade, já não sofreremos mais pelas coisas temporais da mesma maneira como aqui, neste mundo e nesta vida, presos às nossas limitações físicas e humanas.

O outro aspecto, que completa esta resposta, é que somente no Céu teremos, também, a perfeita compreensão da Justiça divina – porque então nós a experimentaremos em nós mesmos (intimamente, em nossas almas, em nosso próprio ser), e não apenas intelectualmente. E a Justiça de Deus só se coaduna e harmoniza com o Amor-Caridade de Deus quando compreendemos integralmente que de todo aparente mal Deus tira um bem maior.

Esta verdade profunda é implícita em todo o contexto da Sagrada Escritura, e se revela em muitas passagens explicitamente, como na história de José do Egito, que podemos ler no Livro do Gênesis (cap.s 37-50): um filho de Israel que por inveja foi traído e vendido pelos próprios irmãos, como escravo, e levado ao reino do Faraó. Podemos imaginar destino pior do que esse?

A partir da perspectiva meramente humana, o que vemos é um mal terrível que se abate sobre a vida de um pobre inocente, vítima da inveja e do ciúme dos maus, e ainda pior: os maus, neste caso, são sangue do seu próprio sangue. Mas se olhamos o fato a partir da perspectiva transcendente, que é a perspectiva daqueles que vivem no Céu junto a Deus, vemos que o mal efetivamente não existe (e aqui estou tocando numa questão filosófica muito profunda, que merece uma abordagem bem mais extensa), pois, desse ato de maldade, a Providência divina interveio e honrou sobremaneira a José, a tal ponto que ele se tornou chefe na casa do Faraó, e mais do que isso: durante uma terrível crise de fome, foi José quem pode oferecer a salvação a seu pai e seus irmãos. A partir desta narrativa, podemos contemplar com outros olhos àquelas questões inicialmente propostas: tem o mal algum poder realmente efetivo sobre os homens? Pode o mal superar a Providência Divina?

Outros exemplos bíblicos que poderíamos citar, para exemplificar esta mesma realidade, são inúmeros: numa brevíssima análise, podemos ver o caso de Abraão, que mentiu para o Faraó diante das dificuldades (cf. Gn 12,18-19); de Jacó, que enganou o próprio pai meio cego, dizendo que era Esaú, para usurpar a benção do irmão mais velho (Gn 27,1.18-19); o do grande Moisés, que começou seu ministério de Libertador de Israel matando um egípcio (Ex 2,12). De todos estes pecados e maldades, Deus tirou um bem maior, convertendo seus efeitos de maldição e morte em benção e vida.

Assim como do esterco se colhem lindas flores, do mal Deus tira sempre um bem maior, e Santo Agostinho repete São Paulo Apóstolo: “Tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28), e conclui: “Tudo, até as quedas, pois delas podemos nos levantar mais humildes, mais vigilantes e mais fervorosos”.

O maior de todos os exemplos, todavia – a suprema prova de que Deus sempre tira o bem do mal – é a existência do próprio Pecado, o mal dos males, que literalmente desgraçou toda a humanidade. Apesar de toda a tragédia, no fim, através deste mal maior, Deus nos trouxe o maior de todos os bens, a maior felicidade, a realização plena e final de tudo e de todos: Jesus Cristo, que nos elevou a uma dignidade maior que a de Adão. Tudo é Plano e Vontade de Deus. Não "era", não "foi", não "será": É.

Tudo o que expusemos até aqui não quer dizer que os santos que já morreram para este mundo e se encontram no Céu, em Deus, não se importem ou estejam alheios aos nossos problemas. Pelo contrário: eles interagem com o mundo e intercedem continuamente a Deus por nós (Ap 8,3-4; Mt 18,10). Mas a Sagrada Escritura também garante que "as almas dos justos estão na Mão de Deus, e nenhum tormento os toca" (Sb 3,1).

Outra grande chave para a compreensão do problema é saber que, para os santos, é um grande prazer e uma grande felicidade colaborar no trabalho da salvação de todos os homens e mulheres fiéis a Deus, conforme o papel que o Criador lhes atribui – intercedendo por nós, oferecendo suas orações – pois a realização do santo, isto é, daquele que foi feito filho de Deus, é cumprir a Vontade do Pai, honrando-o e glorificando-o em tudo. Os santos no Céu, portanto, não se atormentam exacerbadamente com os problemas daqueles que ficam na Terra, primeiro porque vêem as coisas a partir da perspectiva divina (sofremos porque só podemos ver e entender a partir da perspectiva humana limitada); e também porque sabem que, no fim, a Justiça de Deus se cumprirá. Justiça que só encontra sentido e cumprimento no perfeito e inesgotável Amor Divino.
ofielcatolico.com.br

Porque fazer o Sinal da Cruz


TARDE DESSAS, passando diante da centenária igreja de São João Batista, no histórico bairro do Brás, em São Paulo (SP), terminava de traçar o Sinal da Cruz sobre minha fronte e peito quando ouvi um murmurar vindo de trás de mim: “O que é que você está fazendo, moço?” – Olhei e vi uma senhora dos seus cinquenta e poucos anos, ostentando um grande coque grisalho no alto da cabeça e óculos de aros plásticos. Ela falava num tom quase de súplica, como se eu estivesse cometendo um crime horrível.

"Estou fazendo o Sinal da Cruz", respondi, enquanto ela balançava a cabeça negativamente. “Não faça isso, meu filho...”. Perplexo, quis saber o porquê, e ela se saiu com esta: “Cada vez que você faz esse sinal, é como se estivesse crucificando Jesus novamente, é uma ofensa...”.

Até que ponto chega a criatividade das pessoas que odeiam a Igreja, pensei com meus botões (pensando não naquela pobre senhora, mas sim em quem incutiu tal bobagem em sua mente). Tomando cuidado para não parecer agressivo ou irônico, argumentei: "eu faço o sinal da cruz em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Como pode ser ruim algo que eu faço invocando a Deus conforme ensina a Bíblia?". Fiz questão de mencionar a Bíblia (conf. Mt 28,19), porque já tinha percebido, logo de cara, que se tratava de uma “evangélica”, e sei bem que eles acreditam que só podem aceitar aquilo que está escrito, literalmente, no Livro Sagrado.

Ela pareceu surpresa com a minha resposta. “Esta é a primeira vez que um católico me responde com uma citação da Bíblia! Só que está errado, viu? Jesus sofreu muito na cruz, a cruz é um símbolo de maldição, de sofrimento, de vergonha...”. E ela fez menção de ir embora, mas eu insisti: "com todo o respeito, quem foi que falou isso para a senhora?"; e ela me olhou, desconcertada: “Quem falou foi um homem de Deus, meu filho”...

"A senhora acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus?", perguntei, e ela mais que depressa respondeu, com muita ênfase: “Mas é claro!"; e então eu prossegui: "nesse caso, acho que o homem que ensinou isso para a senhora está bem equivocado. O Apóstolo Paulo diz na Bíblia: 'Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo' (Gl 6,14). Quer dizer, a Cruz é glória para o cristão. Na verdade, a cruz é o símbolo que nos identifica como cristãos, é como se fosse a nossa 'carteira de identidade'. Era um símbolo de vergonha antes de Jesus Cristo, mas depois dEle tornou-se símbolo de vitória, de salvação, de santidade. Quem pensa que a cruz é um símbolo de vergonha está vivendo ainda antes de Cristo! É como se essa pessoa nunca tivesse ouvido falar em Jesus! – Digo mais: em Efésios está escrito: 'Pela cruz, Jesus Cristo reconciliou os povos com Deus, em um Corpo, eliminando com a cruz as inimizades.' (Ef 2,16)".

Ao dizê-lo, fiz uma pausa e fitei aquela senhora bem nos olhos, com firmeza e seriedade. Ela esfregou as mãos no saiote comprido, baixou o olhar e retrucou, agora baixinho: “Mas o Senhor Jesus sofreu tanto na cruz...”. – "E como sofreu!", Respondi, com firmeza. "Por isso mesmo é que devemos honrar e amar a Cruz, porque foi por meio dela que Nosso Senhor se entregou em Sacrifício pela nossa salvação. Como diz a Bíblia, a Cruz é o nosso maior orgulho enquanto cristãos! Nela, e somente nela, podemos e devemos nos gloriar!".

Ela agora estava em silêncio, e me olhava com muita atenção, admirada, confusa. Finalizando a conversa, perguntei: "afinal, a senhora não sabia que o próprio Jesus disse: 'Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de Mim'? Está no Evangelho segundo Mateus (10,38)! E Ele também advertiu a cada um de nós: 'Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia sua cruz e me siga' (Lc 9,23), e mais ainda: 'Quem não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo' (Lc 14,27). – Se a senhora me permitir, deixo um conselho: se esse 'homem de Deus' a quem senhora se referiu está ensinando algo diferente disso, corra para bem longe dele, porque está dizendo o contrário do que disse o Cristo! Em quem a senhora vai preferir confiar? Para não ter erro, entre numa igreja católica e reze, peça a Luz do Espírito Santo: peça a Ele que lhe mostre o caminho e qual a verdadeira igreja. Peça que lhe mostre se falsos pastores por acaso não andam tentando desviá-la do verdadeiro caminho do Senhor. Afinal, a Igreja Católica é a única que foi fundada diretamente por Jesus Cristo. Quem sabe um padre possa tirar outras dúvidas que a senhora tenha? Bom, eu já vou indo. Que Deus a abençoe".

Retomei meu caminho, mas a mulher continuou lá, parada, muda. Nem falou um “tchau”. Andei alguns passos e olhei para trás, para ver se estava ainda no mesmo lugar. E o que vi, desta vez, surpreendeu foi a mim: ela subira as escadas da igreja, e entrava timidamente pela porta(!).

Segui meu rumo pensando em quanta gente perdida, entre preconceitos implantados, precisando apenas de um bom conselho, transita pelas ruas desta cidade e do mundo, com a "cabeça feita" por falsos pregadores. Gente que depende apenas da orientação de um fiel católico para encontrar o seu caminho até a Igreja de Cristo. Católicos que, em sua maioria, permanecem mudos, mesmo quando aparece a oportunidade para evangelizar.

Depoimento de Henrique Sebastião para a revista
"O Fiel Católico"
www.ofielcatolico.blogspot.com

A infalibilidade papal: o Papa é infalível? Quando? Como?


A DOUTRINA DA INFALIBILIDADE do Papa foi definida no 4º capítulo da 4ª sessão do Concílio Vaticano I (1869-1870), durante o pontificado de Pio IX. É comum ouvirmos, porém, muitos questionamentos a esse respeito, de pessoas que pensam que os católicos acreditam que o Papa seja infalível no sentido de impecável, como se fosse um homem acima do bem e do mal, isento de qualquer erro ou pecado, incapaz de fazer ou dizer qualquer coisa incorreta.

O Sumo Pontífice da Igreja, claro, é um homem falho e imperfeito. Se alguns polemizam a respeito dessa questão, será por puro desconhecimento da doutrina (e talvez alguma preguiça de aprender), mas me parece que a maioria o faz por má fé. Por se tratar de um tema importante, no entanto, é necessário que os católicos compreendam definitivamente este assunto, para que possam também elucidar a outros quando tiverem a oportunidade.

Em primeiro lugar, a doutrina da infalibilidade não diz que o Papa é um homem perfeito, que nunca erra e não peca, por ser Papa. O que a doutrina da infalibilidade papal afirma é que o Papa é infalível quando fala nas condições "Ex Cathedra", e isso faz toda a diferença.

O que significa isto? Ex Cathedra (do latim) significa, literalmente, "da Cadeira" ou "do Trono". Quer dizer que o Papa é infalível quando se pronuncia a partir do Trono de Pedro, isto é, como Sumo Pontífice, como o sucessor daquele que recebeu as Chaves do Reino dos Céus, líder e condutor terreno de toda a Igreja, exclusivamente nas seguintes condições:

1) Quando se pronuncia como sucessor de Pedro, usando o poder das Chaves concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo Jesus (Mt 16,19);

2) Quando o objeto do seu ensinamento é a moral, fé ou os costumes;

3) Quando ensina à Igreja inteira;

4) Quando é manifesta a intenção de dar decisão dogmática (e não alguma simples advertência), declarando anátema que se ensine tese oposta.


Resumindo, o Papa é infalível quando se dirige, na qualidade de sucessor do Apóstolo Pedro, que ele propriamente é, a toda a Igreja; quando o objeto do seu pronunciamento é a moral, a fé e/ou os costumes; e quando define uma decisão dogmática.



Fora das condições descritas acima, o Papa é passível de falhas. Fica esclarecido, portanto, que nós, católicos, não cremos que o Papa é uma espécie de ser humano perfeito, que nunca erra e nem peca.

Mesmo assim, alguns continuam achando absurdo pensar que o Papa é infalível quando instrui a Igreja a respeito de doutrina. O que você, leitor, pensa disso?

Se somos mesmo cristãos, isso não é nenhum absurdo: na verdade, pelo contrário, crer na infalibilidade papal é, mais do que uma obrigação, uma conclusão natural, imediata e instantânea de todo o edifício da fé cristã. Para quem tem uma fé genuinamente cristã, o absurdo seria pensar que o Papa, sucessor de Pedro e pastor maior da Igreja, aquele que comanda toda a imensa nação de fiéis que constituem o Corpo Místico de Cristo no mundo, fosse falho enquanto líder, pois nesse caso seria totalmente incapaz de assumir a missão de conduzir a Igreja.

Se o líder máximo da cristandade não fosse infalível enquanto condutor da Igreja, não poderíamos crer em Igreja, nem nos Evangelhos, nem mesmo em Jesus Cristo, que pessoalmente entregou ao primeiro Sumo Pontífice as Chaves do Reino, e prometeu que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo. – A infalibilidade é lógica, auto-evidente e consta explicitamente nas Sagradas Escrituras:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Jesus Cristo à sua Igreja, no Evangelho segundo S. Mateus  - 28,19-20)

Atenção: nosso Senhor afirma aos Apóstolos que estará com a Igreja até o fim do mundo. O mundo ainda não acabou, e a Igreja continua. Logo, isto demonstra que não só os Apóstolos, mas também os seus sucessores, escolhidos por eles próprios (como vemos no livro de Atos), estão ainda hoje conduzindo a humanidade sob a Assistência do Espírito Santo e de Nosso Senhor Jesus Cristo, que também garantiu a infalibilidade da doutrina dos Apóstolos:

"Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; permanecei até que sejais revestidos da Força do Alto." (Lc 24,49)

"O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu Nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo que vos tenho dito. (...) O Espírito da Verdade o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis, porque permanecerá convosco e estará em vós." (Jo 14,26.17)

Note a afirmação: "O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece...". Jesus diz que cabe aos Apóstolos ensinar a doutrina verdadeira e autenticamente inspirada por Deus, que eles serão constantemente iluminados pelo Espírito Santo para esse fim. – Fica claro que não basta cada um ler a Bíblia, é preciso seguir a orientação da Igreja, que por sua vez é guiada pelo Papa, sob a Luz do Santo Espírito.

Jesus Cristo enviou seus Apóstolos para propagar a toda a humanidade o Caminho que leva até o Pai do Céu. Portanto, se cremos em Jesus Cristo e nos Evangelhos, temos que crer também que os Apóstolos são infalíveis em seus ensinamentos, já que Cristo estará com eles até o fim do mundo, para que cumpram a missão de levar o Evangelho "até os confins do mundo": "Descerá sobre vós o Espírito Santo, e vos dará o poder; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, Samaria e até os confins do mundo" (At 1,8).

"O que ligares na Terra será ligado nos Céus, e o que desligares na Terra será desligado nos Céus": a própria entrega das Chaves do Reino dos Céus a Pedro, com a promessa de que o Inferno não prevaleceria sobre a Igreja, juntamente com o poder dado a ele, Pedro, de ligar e desligar na Terra e no Céu (Mt 16,18-19), é a afirmação clara, direta e insofismável da infalibilidade daquele que comanda a Igreja. Se Nosso Senhor disse aos Apóstolos que deveriam ensinar o Evangelho à humanidade, e prometeu que estaria sempre com eles, até o fim do mundo, então, pela Providência Divina, esta Igreja não pode ensinar o erro, mas somente a verdadeira Doutrina, o Caminho certo até o Céu.

A (re)confirmação definitiva consta no Evangelho segundo Lucas, quando o Senhor Jesus Cristo fala a Simão Pedro:

"Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por sua vez, confirma os teus irmãos." (Lc 22,31)




Mais tarde, o próprio Apóstolo Pedro confirmou esta mesma verdade, quando disse, no meio de todos os Apóstolos e presbíteros da Igreja reunidos, no Concílio de Jerusalém: "Irmãos, sabeis que há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem." (At 15,7).

Não. Não há dúvida nenhuma quanto à autoridade e infalibilidade da Igreja de Jesus Cristo enquanto "Casa do Deus Vivo" e "Coluna e Fundamento da Verdade" (1Tm 3,15) para os cristãos, e nem do Apóstolo Pedro e de seus sucessores.

Como a criatividade humana não tem limites, porém, os inimigos da Igreja nunca deixam de tentar contestar até mesmo as verdades mais simples. Desesperados em sua tentativa de negar o óbvio, apelam para todo tipo de insanidade: já ouvimos dizer até que Pedro teria perdido a sua autoridade ao ter negado Nosso Senhor por três vezes... Que grande tolice, pois o Senhor voltou a confirmar a autoridade de Pedro quando lhe confiou a tarefa de apascentar o seu rebanho (a Igreja) depois disso, já ressuscitado (Jo 21,14-17). O mais curioso é que aqueles que inventam esses desvarios são os mesmos que se colocam como supostos entendedores das Sagradas Escrituras.

Jesus Cristo é Deus, sabe tudo. Por certo sabia das contestações que surgiriam, no correr da história, a respeito da autoridade e da infalibilidade do Papa. Por isso, fez questão de repetir por três vezes que estava entregando a Ele, Pedro, a missão de apascentar seus cordeiros e suas ovelhas, isto é, a Igreja neste mundo.



Resumo

Não. O Papa não é infalível enquanto homem. Trata-se de um ser humano que dedicou e consagrou toda a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja. Mesmo assim, isso não significa necessariamente ser santo, pois, como foi visto, até mesmo S. Pedro, que conviveu diretamente com o Senhor, era falho e pecou ao negá-lo. Até mesmo após a Ascensão do Senhor ao Céu, Pedro, que sempre manteve o seu livre arbítrio, parece ter se equivocado, em certos momentos, em determinadas questões teológicas, sendo repreendido por Paulo, outro Pilar da Igreja e grande Apóstolo. Mas essas dificuldades humanas não se refletiram nas suas instruções dogmáticas à Igreja, como por exemplo no caso da abolição da circuncisão (At 15,1-12). Da mesma maneira, hoje, o Papa (Francisco) anda concedendo entrevistas confusas, ou que geram confusão, à Imprensa, mas suas entrevistas não possuem caráter dogmático, pois nesse caso ele não está se pronunciando Ex Cathedra.

Sim, o Papa é infalível em suas funções como autoridade instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. A ele foram concedidas as Chaves do Reino de Deus, para instruir o Povo de Deus neste mundo, à frente da santa Igreja, ele que foi canonizado e morreu martirizado pelos romanos. - A única ocasião em que Deus interfere no livre-arbítrio dos Apóstolos é quando estes cumprem a missão de doutrinar as "ovelhas" de Deus, pois os seres humanos não têm condições de comunicar Deus através da sua própria ciência ou por seus próprios méritos. Assim, o fiel comum não é capaz, através de elucubrações, estudos e debates com outras pessoas, de definir um ensinamento isento de erro; mesmo os grandes teólogos não possuem essa capacidade: suas conclusões somente são aceitas quando colocadas sob a apreciação do Magistério da santa Igreja, centrada na figura do Papa.
ofielcatolico.com.br

Constantino, Lutero e o Papa


UM LEITOR ANÔNIMO deixou-nos o seguinte comentário no post "A Igreja Católica foi fundada por Constantino?":


Boa tarde Henrique, voltei a este blog para contestar suas escritas...

Me explique por que a igreja catolica que se diz cristã parou de ser perseguida com o reinado de constantino? não foi pelo fato de que a igreja aceitou todo tipo de paganismo que constantino trouxe para dentro da igreja? paganismo este, que fez com que Martinho Lutero se rebelasse contra a igreja catolica,que na época e agora podemos chamar de igreja caótica?... graças a Deus que Martinho Lutero conheceu a biblia e teve coragem de enfrentar quem fosse para revelar a verdade escondida do povo, pela biblia e só pela biblia. Também elogio suas contestações de muitas igreja ditas cristãs, mas e a contestação ao papa, vc não faz??? de onde inventaram essa de que o papa é o sumo pontifice???

Prezado, anônimo, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quer dizer então que você voltou? Mas, com todo o respeito, eu pergunto: quem é você? São muitos os que aparecem por aqui, apresentando sempre as mesmas argumentações, idênticas às suas, e nenhum deles se identifica. Enfim, seja você quem for, preciso dizer que desta vez você deve ter se superado! São tantos equívocos juntos, e tão absurdos, que nem sei por onde começar a responder! Comecemos, então, do começo, dividindo suas argumentações (ou acusações?) em partes, para facilitar a compreensão dos nossos leitores:

Me explique por que a igreja catolica que se diz cristã parou de ser perseguida com o reinado de constantino?

Em primeiríssimo lugar, não foi a "Igreja Católica" no sentido que você aplica, como se fosse "uma igreja entre muitas igrejas", que deixou de ser perseguida sob o governo de Constantino, – simplesmente porque não existiam muitas "igrejas" nesse tempo, mas apenas uma única Igreja: a Igreja una e indivisível de Cristo, instituída diretamente pelo Senhor Jesus e preservada na Tradição dos Apóstolos e dos seus sucessores, eleitos por eles mesmos.

Logo, foram os cristãos como um todo que deixaram de ser perseguidos; foi A Igreja do Senhor que passou a viver um novo período a partir dali. – Esta mesma Igreja que perseverou na fé dos Apóstolos por mais de mil e quinhentos anos antes de surgir o seu protestantismo, com a famigerada heresia da sola scriptura, que dividiu o povo de Deus. Não foi "uma certa 'igreja católica'" que ganhou direitos reconhecidos pelo Estado, como se alguma "outra igreja" tivesse conhecido um destino diferente. Só havia uma Igreja, a Igreja do Cristo, aquela edificada diretamente pelo Senhor sobre o Apóstolo Pedro, que é também a Igreja de sempre, pois foi junto a esta que o Senhor prometeu que estaria até o fim dos tempos (Mt 28,20). Procure entender isso antes de tudo.

De todo modo, a partir desta sua primeira pergunta já fica evidente, logo de início, que você não leu a postagem que está comentando. E como é que você pode ter opinião a respeito de um texto que não leu? Imagino que seja da mesma maneira que formou opinião a respeito da Igreja Católica sem conhecê-la: partindo da caricatura que o seu "pastor" pinta da Igreja. Pensando bem, vindo de um "evangélico", faz sentido.

O fato é que o próprio artigo que você está comentando explica a razão de terem cessado as perseguições à Igreja sob o governo de Constantino, que é mais do que óbvia: é que o imperador declarou a sua conversão ao cristianismo e publicou um édito suspendendo a perseguição. Simples. Veja bem que ele não suspendeu perseguição à "igreja X", "Y", ou "Z". A perseguição era contra os cristãos como um todo, contra o Corpo Uno, – Corpo de Cristo, – que sempre foi a Igreja. Eram perseguidos os que confessavam a fé em Jesus como Filho de Deus e Salvador do mundo.

Tudo isso é fato histórico, consta nos registros da História, assim como consta que o primeiro presidente do Brasil foi o Mal. Deodoro da Fonseca, por exemplo, ou que a primeira guerra mundial durou de 1914 até 1918. Se não fossem os registros históricos, nós não saberíamos muita coisa a respeito de nada, sabia? É para isso que serve o estudo da História: para que nós aprendamos as coisas. E é por isso que não podemos ler somente, – exclusivamente, – a Bíblia Sagrada. Aliás, se você lê só a Bíblia, única e exclusivamente, não pode saber quem foi Lutero, esse mesmo que você defende sem ter ideia de quem foi.

Diga-me sinceramente, por favor: que livro você leu sobre Lutero? Quais as suas fontes de pesquisa sobre ele? O que você sabe, com certeza, sobre a sua história, o seu ideário, seus modos, seus princípios? Veremos um pouco sobre este assunto mais adiante. Por ora, prossigamos com a continuação do seu comentário:

não foi pelo fato de que a igreja aceitou todo tipo de paganismo que constantino trouxe para dentro da igreja? paganismo este, que fez com que Martinho Lutero se rebelasse contra a igreja catolica,que na época e agora podemos chamar de igreja caótica?...

Bem, à sua pergunta-acusação eu poderia responder com uma só e curta palavra: não. Claro que Constantino não trouxe paganismo para dentro da Igreja, e nem ele nem ninguém teria como fazê-lo. Vou explicar porquê.

Você conhece o Credo Niceno? Se não conhece, pode ler aqui neste site protestante (faço questão de indicar uma fonte protestante para que você veja o quanto os chamados 'evangélicos' são incoerentes: um condena e outro defende a mesma coisa, sendo que o Reino de Deus não se divide contra Si mesmo). Muito bem; eu o desafio a encontrar, na declaração de fé do Credo Niceno, uma letra, – uma vírgula que seja, – que apresente algum vestígio de "paganismo". Eu o desafio a encontrar ali qualquer insinuação que contrarie a autêntica fé cristã de sempre. Se você for capaz de fazer isso, eu me convenço e encerro as atividades deste site!

Sim. O Credo é a perfeita confissão da fé cristã resumida. Agora, você sabe quem participou diretamente na elaboração desta oração-declaração? O próprio: o imperador Constantino, que na cabeça dos falsos profetas e teóricos da conspiração, – que você chama de “pastores”, – foi um “paganizador” do cristianismo original.


Fragmento de estátua representando o Imperador Constantino (séc. IV, Museus Capitolinos, Roma)

Esse fato, no entanto, só vale como ponto de referência, já que o mais importante é demonstrar o absurdo da teoria que você apresenta, e mais do que isso, a blasfêmia contra Cristo, aquele que você pensa que conhece e segue só lendo a Bíblia, e interpretando-a do seu jeito; contrariando o que diz a própria Escritura: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2Pd 1,20).

Que blasfêmia você está dizendo? Ora, você está simplesmente declarando Nosso Senhor Jesus Cristo como um mentiroso! O que, por outro lado, não é de se estranhar, afinal foi isso que o seu herói Lutero fez, também. E Lutero é o seu salvador, conforme você mesmo disse! Não é bem isso? Então vejamos...

Você por certo concorda que a Igreja já existia antes de Constantino, certo? Se disser que não concorda com isso, então a Bíblia está toda errada, pois ela mostra o Senhor fundando sua Igreja, mostra os Apóstolos proclamando o Evangelho, trabalhando pelo crescimento da Igreja, etc, etc. Além disso, se você disser que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo ainda não existia até o tempo de Constantino, o que você estaria afirmando é que nos primeiros três séculos após a Ressurreição de Jesus não existiam cristãos. E se não existisse Igreja até Constantino, quem é que os imperadores anteriores perseguiam, atiravam às feras, etc.? Então, até aqui, concordamos: a Igreja já existia antes de Constantino. Ponto.

Definido este ponto, precisamos então analisar o que você diz, literalmente: “a igreja aceitou todo tipo de paganismo...”. São suas palavras. Então, o que você diz é que a Igreja já existia, mas a partir do Imperador Constantino, quando os cristãos receberam a liberdade de culto no Império, ela se corrompeu. Você disse isso, e é nisso que protestantes/"evangélicos” acreditam. Eu sei muito bem, porque eu também já fui um de vocês e já estive perdido no mesmo erro. E é exatamente aí que está a blasfêmia contra Nosso Senhor: se a Igreja se corrompeu, então Jesus mentiu, pois Ele mesmo declarou categoricamente: “Sobre esta Pedra edifico a minha Igreja: os portais do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). E o Senhor também declarou à sua Igreja: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Se o Senhor Jesus Cristo garantiu que o Inferno nunca prevaleceria contra a Igreja, e prometeu que estaria com ela todos os dias, até o fim dos tempos, como é que você vem me dizer que essa mesma Igreja se corrompeu, se deixou paganizar por Constantino?!

E você ainda diz mais: “graças a Deus que Martinho Lutero conheceu a biblia e teve coragem de enfrentar quem fosse para revelar a verdade escondida do povo...” – Observe o tamanho da sua arrogância! “Martinho Lutero conheceu a Bíblia”?? Por piedade, anônimo, aprenda esta verdade essencial de uma vez por todas: se você tem a Bíblia para carregar debaixo do braço, hoje, é graças à Igreja Católica! Foi a Igreja Católica que produziu, canonizou e preservou os textos da Bíblia, através dos séculos até hoje. A Bíblia é filha da Igreja, e não a mãe da Igreja! – A Bíblia que você conhece só é o Livro Sagrado dos cristãos porque a Igreja assim o declarou! Nós não temos que ler a Bíblia para interpretar a Igreja, e sim aprender da Igreja, que, inspirada pelo Espírito Santo a produziu, como ler a Bíblia!

Mas, se você crê que a Igreja se corrompeu, – mesmo Jesus Cristo tendo prometido que isso não aconteceria jamais, – e que foi Martinho Lutero quem conheceu a Bíblia e "teve coragem" – palavras suas – "para revelar a verdade", então o seu Salvador não é Jesus, e sim Lutero!


Quem veio revelar a Verdade? Jesus Cristo ou Martinho Lutero, mil e quinhentos anos depois?


Também elogio suas contestações de muitas igreja ditas cristãs, mas e a contestação ao papa, vc não faz???

Claro que eu não contesto o Papa, enquanto tal! Ele é o sucessor de Pedro, o Apóstolo a quem o Senhor confiou sua Igreja na Terra! Não que nós, católicos, acreditemos que ele seja "infalível", no sentido de "impecável", como muitos de vocês, mentindo, 
gostam de dizer de nós, mas é sobre ele que repousa a autoridade terrena da Igreja, dada diretamente por Nosso Senhor. Por isso, o Cristo Vivo edificou sua Igreja sobre Pedro (Mt 16,18ss), e por isso mesmo perguntou a Pedro por três vezes se ele o amava, e por três vezes lhe confirmou que confiava, - diretamente a ele, - o trabalho de "apascentar o seu rebanho”, isto é, conduzir a sua Igreja neste mundo (Jo 21,15-17). Está tudo na Bíblia! Ou faltam algumas páginas na sua?

O Senhor concedeu a autoridade aos seus Apóstolos, para que eles dessem prosseguimento à sua Igreja, e isso eles fizeram e continuam fazendo até hoje, a despeito dos traidores, que desde Judas evidentemente sempre existiram. A Igreja precisa desse núcleo apostólico, chamado Magistério, para que não ocorra o que sempre ocorreu no protestantismo: divisões e divisões, e mais divisões. E depois, subdivisões e mais subdivisões, ad infinitum, sem fim. Sabe por quê? Porque quando não há Magistério nem Sucessão Apostólica, a casa literalmente cai, se autodestrói! Se cada um tem autoridade para crer como quiser, se cada um pode interpretar o Evangelho "do seu jeito" particular, vira bagunça. E aí retomo a passagem da Escritura que citei no começo: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular” (2Pd 1,20).

Trata-se de um fato muito, muito simples: se fosse para cada um ler a Bíblia, interpretar ao seu modo e sair por aí fundando "igrejas" e mais "igrejas", o Cristo não teria dado a autoridade sobre a Sã Doutrina aos Apóstolos. Logo depois de fundar a Igreja sobre Pedro, na mesma fala, Jesus diz a este mesmo Pedro que tudo o que ele ligasse na Terra seria ligado no Céu, e o que ele desligasse na Terra seria desligado no Céu (Mt 16,18). E ainda diz aos Apóstolos, em outra ocasião, que os pecados que eles perdoassem seriam perdoados, e os que eles não perdoassem seriam retidos (Jo 20,23)! Essa é a autoridade que a Igreja possui na Terra, dada pelo Senhor! Como pode haver alguma dúvida sobre isso, para alguém que diz que segue a Bíblia?


E você ainda me pergunta: "de onde inventaram" que o Papa é o sumo pontífice?

Sabendo que a palavra “pontífice”, designa a pessoa mais notável de uma comunidade, eu lhe respondo: faça essa pergunta para Jesus Cristo, pois foi Ele mesmo Quem "inventou" que Pedro seria o líder, o condutor da Igreja no mundo, isto é, o Pontífice!

A palavra "Pontífice" não está escrita, textualmente, na Bíblia, e nem o termo "Papa" é aplicado a Pedro, literalmente, mas as Escrituras deixam mais do que claro que o Senhor elevou Pedro como o primeiro Papa da família dos cristãos; – isto é, o primeiro pai da comunidade dos filhos de Deus. – E antes que você diga que chamar um líder espiritual de “pai” não é bíblico, leia lá em Isaías 22,21 o próprio Deus dizendo o contrário. Você crê na Bíblia como um todo ou só naquelas partes que confirmam o que ensina o seu "pastor"?

Nosso Salvador, à véspera de deixar este mundo, confiou a Pedro a guarda do seu rebanho, e é importante entender que, naquele momento, confiava-lhe o cuidado de toda a cristandade, fazendo questão de entregar a ele a guarda dos "cordeiros" e também das "ovelhas". “Apascenta os meus cordeiros”, repete o Senhor duas vezes; e à terceira, diz: “Apascenta as minhas ovelhas”. “Apascentar”, aí, significa cuidar, governar, guiar, assumir a responsabilidade do rebanho; neste caso, é receber do Divino Proprietário a autoridade sobre o seu Rebanho, que é a Igreja.

Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade a Igreja de Cristo; é ser o condutor; é ter o Primado. E como se não bastasse, além de tudo isso, todo o contexto do Novo Testamento demonstra que Pedro tinha a palavra final nos assuntos da Igreja primitiva, em diversas passagens.

É Pedro quem propõe a eleição de um discípulo para ocupar o lugar de Judas e completar o Colégio dos Doze (At 1,15-22);

É Pedro o primeiro que prega o Evangelho aos judeus no dia de Pentecostes (At 2,14; 3,16);

É Pedro que, inspirado por Deus, recebe na Igreja os primeiros gentios (At 10,1);

Pedro realiza visitas pastorais às primeiras comunidades da Igreja (At 9,32);

No Concílio de Jerusalém, temos a prova definitiva: é Pedro quem põe um fim à longa discussão que ali se travava, decidindo, ele, que não se deveria impor a circuncisão aos pagãos convertidos, e a Bíblia diz que todos os Apóstolos e anciãos da Igreja reunidos fizeram silêncio quando ele declarou: "Sabeis que o Senhor me escolheu dentre vós para que da minha boca os pagãos ouvissem o Evangelho...". E ninguém ousou opor-se à sua decisão (At 15,1-12).

E esta autoridade de Pedro, assim como a de todos os Apóstolos, era e continua sendo transmitida de um homem para outro, sendo eleitos os novos sucessores pelo próprio Colegiado dos Apóstolos, desde o início até o presente. Você pode escolher qualquer bispo católico de hoje e fazer a "contagem regressiva" a partir dele: este foi ordenado por este, que foi ordenado por aquele, que por sua vez foi por aquele outro... E no final você vai chegar nos Apóstolos e ao próprio Fundador da Igreja, Jesus Cristo, que os escolheu um a um, porque a Igreja Católica não foi "inventada" por um homem qualquer, que leu a Bíblia e se achou no direito de começar uma nova religião, uma "nova igreja", assim como ocorre com todas – atenção – todas as "igrejas" protestantes e "evangélicas". Sinto se o ofendo, mas é a verdade, e quem se ofende ao ouvir a verdade não pertence a ela, como diz o Senhor: "Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz (Jo 18,37).

No caso de Pedro, as Chaves do Reino dos Céus, entregues por Jesus Cristo, vêm sendo transmitidas, nesses dois mil anos de história, através do Papado. A autoridade de Pedro não morreu com ele, e dizer isso seria o mesmo que renegar a Promessa do próprio Senhor Jesus Cristo:

Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
(Mt 28,20)

Se o Senhor prometeu que continuaria com a sua Igreja até o fim do mundo, também a autoridade que ele concedeu à sua Igreja permanece, até o fim dos tempos. Esta é a doutrina católica. Esta é a Palavra de Deus, segundo as Sagradas Escrituras. Esta é a Tradição cristã e católica, de dois mil anos de história. Quem pregar o contrário, seja anátema.

De fato, não existem 'dois evangelhos': existem apenas pessoas que semeiam a confusão e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema
(Gl 1,6-8)

Amém. Graças a Deus!
ofielcatolico.com.br

Quaresma: um tempo único para a conversão


A Quaresma é um grande tesouro da Tradição Cristã: oportunidade para renovar a experiência de conversão e do Amor de Deus em nós

A PALAVRA QUARESMA vem do latim Quadragesima. Essa prática, que vem desde o século IV, designa o período de 40 dias que antecedem a Festa maior do cristianismo: a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, celebrada na Páscoa Cristã.

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa: para os católicos é um tempo muito especial, no qual a Igreja nos chama à reflexão e à busca de uma verdadeira (re)conversão pessoal. Todo católico deve aproveitar essa oportunidade para se aproximar de Deus, nosso Pai. Só nesse processo de aproximação é possível crescer espiritualmente. E o cristão sabe bem que a espiritualidade é a base de tudo o que podemos desejar nesta vida, pois “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Jesus Cristo em Mt 16,24).

Toda Quaresma significa um recomeço, um renascer para uma vida mais plena, mais completa e feliz. O objetivo concreto de cada Quaresma é nos tornarmos pessoas melhores, para nós mesmos e para o nosso próximo. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. - O cristão se recolhe, em oração e penitência, para preparar seu espírito para acolher o Cristo Vivo, ressuscitado no Domingo de Páscoa. Simbolicamente, renascemos junto com o Cristo!

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Jesus, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 dC, a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias: assim surgiu a Quaresma.


Significado dos 40 dias

Na Bíblia, em geral, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que seguem significam o tempo da nossa vida na Terra, com suas provações e dificuldades. A duração da Quaresma está baseada na simbologia bíblica, de modo semelhante a dos 40 dias do dilúvio, dos 40 anos de peregrinação do povo liberto da escravidão do Egito no deserto, dos 40 dias de Moisés e de Elias na montanha, dos 40 dias que Jesus passou no deserto, dos 400 anos do exílio de Israel no Egito... Todos esses períodos vêm antes de fatos essenciais ou muito importantes: representam uma preparação do espírito para um acontecimento de fundamental que está por vir.


O que fazer no tempo da Quaresma? 

A Igreja propõe basicamente três linhas de ação prática: a oração, a penitência e a caridade. Possivelmente não existam grandes dificuldades para se compreender o significado mais profundo da oração e da caridade, e são muitas as fontes seguras às quais o cristão pode recorrer para esse esclarecimento. Parece-nos que o mesmo não se dá com a penitência, ao menos não com a mesma facilidade. O que significa praticar a penitência, tão mencionada e tão especialmente importante no período da Quaresma?

Penitência significa, principalmente, conversão. Conversão de vida, de hábitos, dos modos de ser e e de se viver. Nos Evangelhos, Jesus fala dos atos de penitência que eram praticados no seu tempo, e critica a maneira superficial ou desprovida de propósito com que eram praticados. Esmola, jejum e oração são, sim, gestos de penitência, mas para que servem?

A finalidade da penitência é fazer com que o ser humano se volte profundamente para Deus, que se encontre com Ele no íntimo do seu ser, no segredo do seu coração. É isso que o Senhor ensina:

“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á. Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.” (Mt 6,2-6)

Jesus indica que os atos de penitência são principalmente interiores, e não para exibir, pois assim seriam falsos. Pelo contrário, a penitência, como conversão, requer que a pessoa rejeite as aparências, saiba se libertar da falsidade e se reencontrar em sua verdade interior. O principal significado da penitência é interior, espiritual. O esforço é para “entrar em si mesmo" e assim colocar-se diante de Deus, no mais profundo do próprio ser, onde o SENHOR fala conosco. A pessoa exterior deve ceder, em cada um de nós, à pessoa interior, e lhe dar o lugar.

A Quaresma deve passar pelo homem interior: pelos corações e pelas consciências. É este o esforço essencial da penitência. Ela não deve ser encarada apenas como um esforço, um sacrifício, e jamais como um peso que nos esmaga: é, antes de tudo, uma oportunidade maravilhosa que devemos receber com gratidão e alegria! Uma alegria do espírito, alegria que outras coisas não podem nos dar.


O jejum

A Igreja prescreve oficialmente o jejum a todos os batizados, pelo menos na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. - Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias, para pessoas entre 18 e 60 anos, mas podem ser substituídos por outros dias, conforme as necessidades de cada fiel.

O jejum, como toda penitência, é uma forma de educação do espírito, e pode ser direcionado no sentido de reverter alguma inclinação mundana, que afasta o nosso espírito de Deus, como algo a que nos apegamos porque gostamos muito (comida, bebida...). Assim, pode-se substituir aquele prazer temporal por algum serviço de caridade. O “sacrifício” pode ser escolhido livremente: você pode deixar de beber cerveja ou de tomar aquele sorvete, por exemplo, como costuma fazer todos os finais de expediente, durante esse tempo, e usar o valor que gastaria para o bem de alguém que precisa. Se achar difícil, pode tentar fazê-lo pelo menos por uma semana. Além disso, todos nós sabemos que poderíamos melhorar como cristãos em algum aspecto específico, com o qual somos normalmente desatenciosos. Você pode se comprometer a melhorar os seus modos diante de alguma pessoa ou alguma situação com que costuma ter dificuldade. Vamos tentar?

____________
Ref. bibliográfica:
 

KEELER, Helen; GRIMBLY, Susan. 101 Coisas que Todos Deveriam Saber Sobre o Catolicismo. São Paulo: Pensamento- Cultrix, 2007.
ofielcatolico.com.br

Quarta-feira de Cinzas e início da Quaresma


NESTE INÍCIO de Quaresma, procuremos, mais ainda do que a mortificação corporal, aceitar o convite que a Liturgia sabiamente nos faz, de combater o amor próprio com todas as nossas forças. "Procurai o mérito, procurai a causa, procurai a justiça; e vede se encontrais outra coisa que não seja a Graça de Deus" (Santo. Agostinho).

Ao receber, daqui a pouco, as cinzas sobre a cabeça, ouviremos mais uma vez um claro convite à conversão que pode expressar-se numa fórmula dupla: "Convertei-vos e crede no Evangelho"; ou: "Recorda-te que és pó e em pó te hás de tornar".

Precisamente devido à riqueza dos símbolos e dos textos bíblicos, a Quarta-Feira de Cinzas é considerada a porta de entrada da Quaresma. De fato, a Liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa resumidamente as características próprias de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.

"Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas, com gemidos!" (Jl 2,12). Os sofrimentos e calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De fato, recorda o profeta, Ele "é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça" (2,13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós.

Não hesitemos em reencontrar a Amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor, experimentamos a alegria do seu Perdão. E assim, quase respondendo às palavras do Profeta, fazemos nossa a invocação do refrão do Salmo 50: "Perdoai-nos Senhor, porque pecamos!". Proclamando o grande Salmo penitencial, apelamos à Misericórdia Divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu Amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.

Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo: "Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, n'Ele, justiça de Deus" (2Cor 5, 21), para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra como precisamente através d'Ele é oferecida ao pecador, isto é, a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.

Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de Graça. Eis porque assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: "Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus"; e ainda: "Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação" (5,20; 6,2).

Enquanto Joel falava do futuro Dia do Senhor como quem fala de um dia de terrível juízo, São Paulo fala de um tempo favorável, do Dia da Salvação. O futuro Dia do Senhor tornou-se o "Hoje". O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no Dia da Salvação. E este dia é agora, como diz o Canto ao Evangelho: "Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a Voz do Senhor". O apelo à conversão, à penitência, ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.

A Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim, na conversão do coração a Deus, a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas. Rito que assume um duplo significado: o primeiro é relativo à mudança interior, à conversão e à penitência; o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das fórmulas que acompanham o gesto.

Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar essa extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho (cf. Mt 6,1-6.16-18), Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade, a oração e a penitência. São três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos Olhos de Deus.

Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação dos homens, são por Ele aceitas se expressarem a determinação do coração em servi-lO com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: "Ieiunio... mentem elevas", ou "com o jejum elevas o espírito" (Prefácio IV).

O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã como armas espirituais eficientes para combater o mal, as paixões negativas e os vícios.

"Como no findar do inverno volta a estação do Verão e o navegante arrasta para o mar o barco, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viajante revigorado prepara-se para outra longa jornada e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma Primavera espiritual, forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viajantes retomamos a jornada rumo ao Céu e como atletas preparamo-nos para a luta, com o despojamento de tudo."
(São João Crisóstomo- Homilias ao povo antioqueno, 3)

A Quaresma é também, assim como não poderia deixar de ser, um tempo de profundo ardor eucarístico. Buscando naquela Fonte inexaurível de Amor que é a Eucaristia, na qual Cristo renova o Sacrifício Redentor da Cruz, cada cristão pode perseverar no itinerário que hoje empreendemos solenemente. As obras de caridade, a oração, o jejum, - juntamente com qualquer outro esforço sincero de conversão, - encontram o seu significado e seu valor mais alto na Eucaristia, centro e ápice da vida da Igreja e da história da salvação. "Este Sacramento que recebemos, ó Pai", - assim rezamos no final da Santa Missa, - "ampare-nos no caminho quaresmal, santifique o nosso jejum e o torne eficaz para a cura do nosso espírito".

Pedimos a Maria Santíssima que nos acompanhe para que, no final da Quaresma, possamos contemplar o Senhor ressuscitado, interiormente renovados e reconciliados com Deus e com os irmãos. Amém!



Significado da Cerimônia de Cinzas

A Igreja nos indica, nas orações recitadas por seus ministros, o significado da cerimônia das Cinzas:

"Ó Deus, que não quereis a morte do pecador mas a sua conversão, escutai com bondade as nossas preces e dignai-vos abençoar estas cinzas que vamos colocar sobre as nossas cabeças. E assim reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova à semelhança do Cristo ressuscitado."

É, pois, a penitência que a Igreja nos quer ensinar pela cerimônia deste dia. Já no Antigo Testamento os homens se cobriam de cinzas para exprimir sua dor e humilhação, como se pode ler no livro de Jó e em tantas outras passagens da Escritura. Nos primeiros séculos da Igreja, os penitentes públicos apresentavam-se nesse dia ao bispo: pediam perdão revestidos de um saco, e, como sinal de sua contrição, cobriam a cabeça de cinzas. Mas como todos os homens são pecadores, relata Santo Agostinho, essa cerimônia estendeu-se a todos os fiéis, para lhes recordar o preceito da penitência. Não havia exceção alguma: pontífices, bispos, sacerdotes, reis, almas inocentes, todos se submetiam a essa humilde expressão de arrependimento.

Tenhamos os mesmos sentimentos: deploremos nossas faltas ao recebermos das mãos do ministro de Deus as cinzas abençoadas pelas orações da Igreja. Quando o sacerdote nos disser "lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar", ou "convertei-vos e crede no Evangelho", enquanto impõe as cinzas, humilhemos o nosso espírito pelo pensamento da morte que, reduzindo-nos ao pó, nos porá sob os pés de todos. Assim dispostos, longe de lisonjearmos o nosso corpo destinado à dissolução, tomemos a decisão de tratá-lo com dureza, refrear o nosso paladar, os nossos olhos, os nossos ouvidos, a nossa língua e todos os sentidos; a observar, o mais possível, o jejum e a abstinência que a Igreja nos prescreve. Rezemos juntos:

Ó Deus, inspirai-me verdadeiros sentimentos de humildade, pela consideração do meu nada, ignorância e corrupção. Dai-me o mais vivo arrependimento das minhas iniquidades que feriram vossas Perfeições infinitas, contristaram vosso Coração de Pai, crucificaram vosso Filho dileto e me causaram um mal maior do que a perda da vida do corpo, pois que o pecado mortal é a morte da alma e nos expõe a uma morte eterna. Pelo mesmo Cristo, Vosso Filho. Amém!

A Igreja sempre admoestou os fiéis a não nos se contentarem com os sinais externos de penitência, mas a lhe beberem o espírito e os sentimentos. Jejuemos, diz ela, como o Senhor deseja, mas acompanhemos o jejum com lágrimas de arrependimento, prosternando-nos diante de Deus e deplorando a nossa ingratidão na amargura dos nossos corações. Mas essa contrição, para ser proveitosa, deve ser acompanhada de confiança. Por isso a Igreja sempre nos lembra que nosso Deus é cheio de bondade e misericórdia, sempre pronto a perdoar-nos, o que é um forte motivo para esperarmos firmemente a remissão das nossas faltas, se delas nos arrependermos. Deus não despreza jamais um coração contrito e humilhado.

O pensamento da morte convida-nos ainda a viver mais santamente, e quão eficaz é essa recordação! A Liturgia termina exortando-nos a tomarmos generosas resoluções confiando plenamente em Deus. À borda do túmulo e à porta do Tribunal Supremo, quem ousaria enfrentar o seu Juiz, ofendendo-o e recusando o arrependimento ou vivendo na negligência, tibieza e relaxamento?

Coloquemo-nos, em espírito, em nosso leito de morte, e armemo-nos dos sentimentos de arrependimento e contrição que nesse caso teríamos. Depositemos nossa confiança na Misericórdia Divina, nos méritos de Jesus e na intercessão da Mãe da Igreja. Prometamos ainda ao Senhor:

** Cortar dos nossos pensamentos tudo o que desagrada a Deus;

*** Viver, durante esse período, no recolhimento interior que favorece em nosso espírito a oração e nos separa de tudo o que não é Deus.

___________
Adaptação da Homilia de Quarta-feira de Cinzas (21/2/2007) do Papa Bento XVI, na Basílica de Santa Sabina no Aventino

Ref.: artigo "Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas Recorda-nos Nossa Condição de Mortais", disponível em:
 http://arautos.org/especial/13407/Quarta-feira-de-Cinzas.html
Acesso 5/4/014
ofielcatolico.com.br

Estudo aponta os impactos da pornografia na família e na sociedade


O QUE É PORNOGRAFIA? É uma distorção da sexualidade que representa uma grande ameaça à saúde mental dos seres humanos –, assim como, especialmente, ao Matrimônio –, é o que afirma um estudo publicado pelo Family Research Council.

O Dr. Patrick F. Fagan, membro e diretor do Marriage and Religion Research Institute (Centro de Investigação sobre o Matrimônio e a Religião), descreveu os efeitos sociais e psicológicos da pornografia em seu estudo "The Effects of Pornography on Individuals, Marriage, Family and Community" (disponível aqui).

Contrário ao falho argumento de que a pornografia seria um "prazer inofensivo", Fagan se refere às evidências clínicas que mostram que a pornografia distorce de modo significativo as atitudes e percepções sobre a natureza da sexualidade. Se os consumidores regulares de pornografia são homens, tendem a ter uma tolerância maior com o comportamento sexual anormal, observa o estudo. Também é um hábito extremamente viciante, devido à produção de hormônios que estimulam as partes responsáveis pelo prazer no cérebro. Sacerdotes e pastores testemunham do grande número de homens, de todas as idades, que os procuram pedindo ajuda para se libertar do vício da masturbação, diretamente associado ao consumo frequente de pornografia, descrito como um vício dos mais potentes.

Fagan reconhece que a energia sexual é uma força psíquica poderosa. Exatamente por isso, a sociedade precisa canalizar essa energia de uma forma que promova o bem comum. O casamento legitima a intimidade sexual, que protege as crianças, que são o resultado natural do ato sexual saudável, o que por sua vez promove a estabilidade social. Eis o desejo de Deus para as nações.

Ao contrário do que muito se divulga hoje, os estudos mostram que estabelecer limites à atividade sexual ajuda os adolescentes, enquanto amadurecem, a orientar de forma correta sua sexualidade. Infelizmente, o desenvolvimento dos modernos meios de comunicação, em especial a internet, está derrubando as barreiras do sensato e aumentando as formas dos criadores de pornografia entrarem na vida familiar.


Consequências para a família

Ao tratar das consequências da pornografia sobre o matrimônio, Fagan demonstra a maneira como as mulheres são afetadas pelo consumo de pornografia pelos maridos. Em muitos casos, as esposas desses consumidores sofrem danos psicológicos profundos. Entre eles, sensações de traição, perda e desconfiança. Os consumidores masculinos de pornografia tendem a diminuir sua implicação emocional nas relações sexuais, o que acaba fazendo com que suas esposas sofram através da diminuição da intimidade de seus maridos. Em um estudo, os maridos afirmavam desejar menos suas esposas devido ao longo tempo dedicado à pornografia. A mulher é vista como brinquedo sexual ou um instrumento para extravasar suas tensões. O distanciamento emocional parece aumentar proporcionalmente ao aumento do consumo da pornografia.

A pornografia também tem impacto no lado físico dos relacionamentos. A exposição prolongada promove a insatisfação com o outro, com seu físico (geralmente distante dos ideais artificiais apresentados pela pornografia) e com seu comportamento sexual. As atrizes são virtualmente perfeitas, esteticamente irretocáveis, são experientes, submissas, sempre dispostas, experts em todas as modalidades sexuais preferidas pelos homens. A esposa não tem como competir com uma profissional do sexo, e evidentemente nem deve tentar, principalmente porque a intimidade entre um casal pressupõe, antes de qualquer coisa, amor, cumplicidade, parceira, união profunda e acolhimento. Do outro lado, a recíproca é mais do que verdadeira: os atores são dotados de atributos físicos e capacidade atlética que são realmente muito raros na vida real. Tanto a mulher quanto o próprio homem comuns que tomam tais "atletas sexuais" como exemplo fatalmente acabarão frustrados. Mau negócio garantido para ambos os lados.

O Dr. Fagan faz referência também a estudos anteriores, que demostraram que os consumidores de pornografia veem cada vez mais o casamento como um verdadeiro castigo, um confinamento sexual que os leva a duvidar do valor do matrimônio até como instituição social.


Verdadeira infidelidade

As esposas e o próprio casamento sofrem as consequências. O consumo da pornografia e de outras formas de contato sexual online é considerado por muitas esposas como tão prejudicial à relação como uma infidelidade na vida real.

Homens e as mulheres evidentemente reagem à pornografia de modo diferente: os homens se transtornam mais pela infidelidade sexual em si, enquanto as mulheres pela infidelidade emocional. O impacto nas mulheres aumenta quando seus maridos se tornam viciados em pornografia, fenômeno cada vez mais comum.

O trabalho do Dr. Fagan cita ainda um outro estudo, que revelou que 40% desses viciados perdem suas esposas. Não foi investigada a fundo a relação entre pornografia e divórcio, mas um estudo sobre relatos de advogados de divórcio indicou em 68% os casos de divórcios ocasionados por uma das partes que se envolveu em relações virtuais via internet(!), e em 56% os casos em que uma das partes tinha um interesse obsessivo em páginas pornográficas da web.

As mulheres não são as únicas que sofrem com o vício da pornografia. Segundo o mesmo estudo, o consumo frequente de pornografia trás como consequências a diminuição da autoestima e uma menor capacidade entre os homens de levar uma vida social significativa. Um estudo sobre viciados em pornografia revelou que eles se sentiam angustiados e percebiam que importantes aspectos de suas vidas estavam se deteriorando conforme o vício ganhava cada vez mais força.


Ilusão

A ideia muitas vezes apresentada pela indústria da pornografia, a do seu consumo como uma espécie de diversão inocente, sem nenhum impacto importante nas emoções e na saúde, simplesmente não corresponde à realidade. De fato, a pornografia gera percepções distorcidas de realidade social: uma valorização exacerbada dos prazeres meramente físicos e uma percepção exagerada do nível de atividade sexual da população geral, o que leva a um aumento tremendo na probabilidade da atividade sexual pré-matrimonial e extra-matrimonial. Também gera o predomínio das perversões (como sexo em grupo, bestialidade e atividades sadomasoquistas, entre outros), na imaginação dos seus consumidores, que, assim como o consumidor de qualquer droga, deixam de se contentar com o sexo natural e passam a necessitar cada vez emoções mais fortes, que se podem ser encontradas em sensações sempre novas, chegando mesmo a extremos que preferimos não definir nesta página. “Desta forma, as crenças que se formam na mente do espectador de pornografia estão bastante distantes da realidade”, diz Fagan. E conclui: “O uso repetido de pornografia induz à doença mental em matéria sexual”.

Entre as distorções criadas pela pornografia estão três crenças bem definidas e facilmente percebidas:

1.
A visão das relações sexuais na natureza como atividade meramente recreativa.

2.
 No mundo pornográfico, os homens são em geral sexualmente dominantes e têm o "direito" social a buscar e praticar o sexo sempre que tiverem oportunidade. 

3.
 No mundo pornográfico, as mulheres são vistas como meros objetos ou bens sexuais.

Em consequência, a pornografia promove a ideia de que a degradação das mulheres é algo aceitável. As mais promíscuas, antes vistas com reserva, agora são até mais admiradas e cobiçadas, - não como seres humanos integrais, mas como boas parceiras nessa espécie de jogo. Quanto mais alienada e descartável for ela, melhor. - Além disso, posto que os homens utilizam a pornografia com muito mais frequência que as mulheres, seu predomínio conduz à ideia de que as mulheres são objetos para o sexo ou bens sexuais.

Uma grande quantidade da pornografia disponível atualmente é de conteúdo violento, um fenômeno que vem aumentando de modo importante nos últimos anos. Um estudo dos diferentes meios pornográficos encontrou violência em quase 1/4 das cenas de revistas e vídeos, além de mais de 40% na pornografia online(!). Qualquer traço de afetividade é isolado, e quanto mais humilhadas forem as mulheres, melhor. Aqui, os mesmos estudos sugerem que há uma conexão direta entre consumo de pornografia e inúmeros casos de agressões sexuais, inclusive aumentando o desejo, nos homens, de forçar suas parceiras sexuais a fazer o que eles querem, especialmente quando elas não consentem.

O consumo de pornografia se associa também a delitos sexuais, afirma Fagan. Ele cita um estudo de delinquentes sexuais na internet, condenados pela justiça e que haviam passado mais de 11 horas por semana vendo imagens pornográficas de crianças na internet. Outros estudos revelaram que uma grande porcentagem de estupradores e violentadores de forma geral viram pornografia durante sua adolescência.



Adolescentes psiquicamente acorrentados

A pornografia, portanto, não só danifica matrimônios, mas tem também um forte impacto nos adolescentes. Sempre segundo o referido estudo, o consumo habitual de pornografia leva à infidelidade com suas namoradas. De igual forma, o uso de pornografia aumentava depois sua infidelidade matrimonial em mais de 300%(!).

Fagan descreve como os adolescentes que consomem pornografia se desorientam durante a fase de desenvolvimento psíquico na qual estão aprendendo a lidar com a sexualidade, que também é quando são mais vulneráveis a incertezas sobre suas crenças sexuais e seus valores morais. O conteúdo explicitamente sexual na internet aumenta de modo significativo suas incertezas sobre sexualidade. Adolescentes expostos a altos níveis de pornografia têm um nível mais baixo de auto-estima sexual.

Existe também uma relação significativa entre o hábito de ver pornografia e os sentimentos e sensações de solidão, incluindo crises graves de depressões. O alto consumo de pornografia na adolescência pode ser também um fator de importância nas gravidezes adolescentes.

Muito antes da chegada da internet, o Concílio Vaticano II comentou, em um decreto sobre as mídias de massa, que estas seriam de grande utilidade para a humanidade, se utilizadas de modo apropriado. A Igreja “sabe que esses meios, retamente utilizados, prestam ajuda valiosa ao gênero humano, enquanto contribuem eficazmente para recrear e cultivar os espíritos e para propagar o Reino de Deus. Sabe também que os homens podem utilizar tais meios contra o desígnio do Criador e convertê-los em meios de sua própria ruína. Mais ainda, sente uma maternal angústia pelos danos que se têm infligido com o seu mau uso, à sociedade humana" (N. 2). A Igreja é mais sábia do que podemos imaginar. O mau uso das mídias, hoje, envenena a sociedade, na medida em que afeta famílias e casamentos.

____
Fonte:
'Catolicismo Romano', disp. em:
http://catolicismoromano.com.br/content/view/347/1
acesso 8/3/014
ofielcatolico.com.br

Receba O Fiel Católico em seu e-mail