Que deve fazer o fiel católico nestes tempos de crise e de apostasia generalizada? – parte 1


Por Henrique Sebastião

E EIS QUE O PAPA proibiu a Missa. "Não é bem assim", dirão alguns; "ele não proibiu, só dificultou, deu  uma 'maior responsabilidade' sobre a questão aos bispos" e "etc., etc."... 


Mas todos nós, pessoas minimamente esclarecidas e de boa consciência, sabemos, acima de qualquer dúvida realmente razoável, que, na prática, o que houve foi uma proibição. De fato, a enorme diferença entre o que foi imposto agora e o que havia antes é que, antes, uma autorização formal e expressa dos bispos não era necessária. Em várias capelas, a celebração acontecia sem essa autorização. Ora não é nenhum segredo que a esmagadora maioria dos bispos de hoje não tolera a Missa tridentina – mas tinham que aceitá-la ou ao menos tolerá-la por causa do Sumorum Pontificum de Bento XVI. A partir de agora, estarão totalmente fortalecidos para negar e perseguir (mais ainda) os padres que quiserem celebrá-la.

Pior que o ato foram as justificativas apresentadas para o ato: o que se alegou é que Francisco não quer "divisão" na Igreja...

Sim, é a Missa de sempre que vem causando "divisão"; não são os revolucionários, não os adeptos da heresia da libertação e nem a multidão de clérigos hereges de todo tipo infiltrados na Igreja, ocupando altos cargos e fazendo tudo às claras, rodeando como lobos raivosos o rebanho assustado e confuso. Bispos e padres na Alemanha – ou em qualquer outro lugar – abençoando uniões homossexuais não representam divisão; nada de cisma, nada de "reprimir" ou afastar nenhum desses blasfemadores: isso seria semear a "divisão", e o mais importante é "derrubar muros" e "construir pontes". Já as pontes com a Tradição devem ser sumária e impiedosamente derrubadas, implodidas, destroçadas. Esses que amam a liturgia antiga não merecem nenhuma consideração ou misericórdia. 


Para a nova religião – a religião da fraternidade universal e do respeito humano – instalada na Santa Sé, o que causa "divisão" na Igreja é uma só coisa: o apego à Tradição.


"Tratitionis Custodis" – "guardiões da Tradição"?? O próprio título parece uma piada de mau gosto ou uma provocação. Viva a Pachamama, viva o deus dos muçulmanos, que é o mesmo que o nosso, vivam os judeus, porque eles nos precederão no Céu! Exagero de nossa parte? Desgraçadamente, não: todas essas coisas vêm sendo pregadas por todos os papas da igreja fundada pelo Vaticano II, eis um fato, o qual  demonstraremos. E agora, como um selo da grande apostasia, o novo documento do Papa, depois de entregar absolutamente toda a autoridade e poder de decisão sobre a Missa tradicional aos bispos, decreta categoricamente: para a celebração da Missa tridentina, "O BISPO "TERÁ O CUIDADO DE NÃO AUTORIZAR A CONSTITUIÇÃO DE NOVOS GRUPOS"[1] (ler o motu proprio na íntegra | ler a carta de apresentação do motu proprio).

Então, retomando o raciocínio inicial, a resposta é sim, meus irmãos, a Missa tradicional e mais antiga –  máxima expressão litúrgica autenticamente católica – foi proibida, foi cortada na raiz, foi impedida de florescer, foi brutalizada, encarcerada e manietada.

Recentemente, haviam novas comunidades e novos grupos surgindo a todo instante. A partir de agora, isso não será  mais possível, a não ser em desobediência, como propõem os padres do IBP. Mas, afinal, é possível aceitar e reconhecer a legítima autoridade de um Papa e, ao mesmo tempo, desobedecê-lo? Alguém poderia ensinar aos fiéis que desobedeçam ao Sumo Pontífice? Sim? Não? Em quais condições? Nas respostas a essas perguntas está a raiz de toda a questão, e é exatamente neste ponto que precisaremos nos concentrar para que possamos chegar a algumas conclusões.

A partir de hoje inicio, aqui, a publicação de uma série de estudos sobre esses assuntos urgentes, os quais têm tomado o meu campo de interesses teológicos e todo o meu tempo livre nos últimos meses, ou melhor, a bem da verdade, já há alguns anos, em que tenho acumulado material sobre o tema. Todavia, no meu entender, falar a respeito não seria prudente e, principalmente, não era urgente, como é agora. A situação atingiu um ponto de extrema gravidade e que exige uma reação. O novo motu proprio foi a gota d'água. 


As postagens em questão vão tratar as raízes do grande mal que nos assola, da perdição moral, da degradação absoluta da liturgia, da dessacralização da Missa. Terão que tratar, pois, necessariamente sobre o Vaticano II, desde suas causas e suas origens, passando pela evolução da crise e chegando até a legitimidade do atual pontífice. É um fato cada vez mais inescapável que os nossos tempos exigem essa meditação e esse olhar sobre tais assuntos difíceis, dificílimos, porque a crise já ultrapassou o limiar do suportável, com um aumento vertiginoso e crescente do número dos que vão deixando a Igreja, abandonando os Sacramentos, perdendo a Fé. 

A cada dia que passa, mais e mais as almas, muitas realmente desesperadas, inquietam-se e se perguntam: Afinal, onde está a verdadeira Igreja de Cristo? Francisco é mesmo Papa? Ou terá vindo para destruir a Igreja de vez (acusação esta que vai se tornando cada vez mais comum, e parece cada vez mais razoável a um número cada vez maior de fiéis)? Estarão certos os sedevacantistas, ou estão completamente errados? Ou será que nem uma nem outra coisa se pode dizer a esse respeito? O que é cisma, realmente? Um cisma, neste momento, seria um mal ou um bem para a Igreja? Um papa herege continuaria sendo papa? O que devemos e podemos fazer em dias de tamanha confusão?

Essa série de postagens ficará disponibilizada tanto no OFC quanto em nossa plataforma de estudos exclusiva para alunos do nosso Curso Livre em Sagradas Escrituras, dada a sua urgência e grande necessidade. Quando for concluída, deverá ser publicada em forma de livro.

Como um pobre leigo, um simples fiel católico que anda sofrendo tanto quanto todos os outros – ao menos entre aqueles que têm boa consciência e um coração que arde de amor honesto por Nosso Senhor e sua Igreja (isso eu posso dizer que tenho, mesmo do fundo do abismo das minhas culpas e limitações), não posso dizer que saberei dar respostas objetivas para todas essas grandes e urgentes perguntas. Mas eu tenho me prostrado todos os dias aos pés de Nosso Senhor flagelado e crucificado, contemplando suas feridas e implorando que me dê luz e ciência para ao menos tentar dissipar um pouco destas densas trevas em que estamos mergulhados, a tantos que me pedem. A partir da oração frequente e dos estudos diligentemente aplicados, o que posso (e penso que devo) fazer é apresentar as possibilidades de solução que se nos apresentam, com a máxima clareza e honestidade, e com a linguagem mais simples possível.


Quais os caminhos possíveis, quais as propostas que temos, de quem estão partindo essas mesmas propostas, e porque/como tomar uma decisão? Apresentaremos aqui tais reflexões. Porque, sim, é preciso tomar uma decisão, ainda que esta decisão seja a de não fazer nada e continuar apenas rezando. Ocorre que mesmo o rezar hoje é difícil. Muitos dos novos livros de oração da Igreja, muitas das propostas de devoções e novenas que temos agora são estranhos, alguns insinuam coisas que nada tem a ver com a verdadeira Religião. 


Mas permanecer impassível, ou "ficar em cima do muro" não é possível. O muro é do diabo.


Leia a continuação deste artigo (novas postagens desta série todas as semanas)


Ouça esse texto de Henrique Sebastião, narrado por Felipe Marques


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[1] Carta Apostólica em forma Motu 'Proprio' do Sumo Pontífice Francisco 'Traditionis Custodes' sobre o uso da Liturgia Romana anterior à Reforma do Conc. ecumênico Vaticano II (de 1970), 16.07.2021, §6º.


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6 comentários:

  1. Parabéns Professor Henrique pela iniciativa. Salve Maria.

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  2. PROSSEGUIR NO CAMINHO ESTREITO E ESPINHOSO, NÃO PERDER O ÂNIMO DE SE MANTER FIRMA NA FÉ TRADICIONAL, TODAVIA, CONDUZENTE À PÁTRIA CELESTE!
    Há anos que essa situação atual já está prenunciada e distinguíamo-la entre os fatos que aconteciam: o despudor da mulheres e uns trucidando aos outros por motivos mesquinhos e injustificáveis!
    *"Tempos funestos sobrevirão, nos quais, cegando na própria claridade, aqueles que deveriam defender em justiça os direitos da Igreja, sem temor servil nem respeito humano, darão a mão aos inimigos da Igreja, para fazer o que estes quiserem". II 98.
    Em nossas amizades, sabemos que são nosso fieis amigos, senão aqueles que nos acolhem e ajudam a sairmos de uma situação conflituosa, ou seja qual for, não aqueles de "amizades de botequins", os fúteis, solidários conosco apenas nas mesas de cerveja e comendo uns churrasquinhos - de preferência serão ainda mais "amigos" se custearmos as despesas ao final da comilança!
    * N Senhora do Bom Sucesso.

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  3. Sede Vacante! Leiam 2 Macabeus 4 e verão o quanto estamos parecidos com aquela época!

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  4. A paz de Jesus Cristo.

    Bem, caro irmão Henrique Sebastião, parabéns pelo texto e questionamento. O que o leigo, fiel católico deve fazer? Prosseguir na Fé de sempre, de 2021 anos e renegar a "nova fé" de Francisco e seus seguidores. Sim, deve também questionar o seu pároco, o seu bispo e até, por que não? o atual ocupante da Cadeira de Pedro.

    Se uma mulher ( atenção, feministas!..), questionou um papa exilado em Avignon, que este papa deveria voltar para Roma, onde sempre foi o lugar onde um papa deve ficar, porque os atuais fieis não fazem o mesmo, quando o papa tem atitudes anti Evangelho de Cristo???

    Santa Catarina de Siena fez isso! E o papa voltou para Roma.


    Bem, se Francisco acha que está tapando um buraco com a sua "ordem", na verdade, ele cavou um abismo.

    Oremos e lutemos!

    Salve Maria.

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  5. A Grande Loja Maçônica deve estar brindando com taças de cristal esse documento!!!! O que é para eles de grande valia, como matar a fé, como matar a liturgia, como matar as vocações, como matar o sacerdócio .... Eis a resposta, infelizmente após o Concílio Vaticano II, que não foi dogmático, houve uma catástrofe com a Santa Igreja. Vejamos como está a Europa, berço do Cristianismo, parece mais pagã, do que na época dos Apóstolos, o que acontece com as Américas? Principalmente a América Latina, onde o vermelho usado nas missas não é o do Sangue de Cristo, mas de um comunismo já não mais disfarçado ... Parece que a fé se mantém no meio da pobreza africana, da perseguição em muitos países. A indiferença bate as portas de Roma ... E Roma se sujeita aos sabores dos Bispos de Saint Gallen, Roma fecha os olhos aos Bispos da Alemanha, Roma é indiferente aos Bispos vulgares, pedófilos, ricos de forma vergonhosa. Nunca Jesus foi tão desprezado ... Desprezado por aqueles que deveriam zelar ... Deus perdoe esse pecado ... se é que merece perdão! Quando não houver mais o Sacrifício perfeito para intermediar nossas misérias com Deus, quem irá segurar a fúria da Mão de Deus ???? Sim rezemos por uma intervenção Divina, a única que pode ser eficaz

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  6. Somente uma intervenção Divina poderá Salvar a Santa Igreja, Jesus está sendo desprezado por aqueles que deveriam zelar pelo tesouro mais precioso que Ele nos deu.

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