Quantos Céus há no Céu?


Santo Irineu de Lyon
OS POVOS antigos, de fato, dividiam o céu em diversos níveis ou graus, que variavam, – normalmente de três a dez. – Santo Irineu de Lyon (130–202) deixou registrado que determinada escola gnóstica chegava a proclamar a existência de 365 céus (cf. Adversus Haereses 1,24,3). E sabemos que outras linhas filosófico-religiosas chegaram a pregar a existência de 900 céus(!).

São Paulo Apóstolo, – que escrevia inspirado pelo Espírito Santo, – afirmou ter sido arrebatado ao Terceiro Céu, em sua segunda epístola aos coríntios (2Cor12,2), estando assim biblicamente comprovado que existe mais do que um ou dois Céus.

São Tomás de Aquino, por sua vez, tentou também demonstrar a existência de mais que um céu em sua Suma Teológica (Ia,q.68,a.4 e II-IIae,q.175,aa.1-6), baseando-se nas Sagradas Escrituras e também em São João Damasceno, Rábano e Santo Agostinho.

Em especial, o escritor Dante Aligheri parece crer na existência de diversos Céus, propondo um esquema celeste composto por dez Céus em sua obra cássica "A Divina Comédia".

Não obstante o silêncio do Antigo Testamento (que neste estudo só pode ser empregado implícita e precariamente), a tradição judaica especulava a existência de três, cinco, sete ou dez Céus, segundo diversos rabinos. É interessante notar, neste ponto, que no AT, em hebraico, o termo "Céu" é sempre empregado no plural (=Céus, Shamayim), enquanto que a Septuaginta (tradução grega do AT hebraico) e o Novo Testamento usam o termo às vezes no singular (=Céu, Oupxos) e outras vezes no plural (=Céus, Oupavoi).

Um dos principais esquemas hebraicos (que parece bem desligado da influência pagã dos povos vizinhos) propunha a divisão do Céu em três, a saber:

1. O céu "auronos", "atmosférico" ou "aéreo" (o céu das aves, dos ventos e das nuvens) – cf. texto do Salmo 8 (9);

2.
O céu "mesoranios", dito "o firmamento" (o céu das estrelas e dos astros) – cf. textos do Salmo 8 (4) e Deuteronômio 4 (19);

3.
O Céu "Eporanios", "superior" ou "Céu dos céus" (a morada de Deus, e possivelmente o Paraíso) – cf. texto do Salmo 115.

Muito embora alguns Padres gregos e latinos distinguissem, como alguns judeus, o "Terceiro Céu" (lugar onde os justos ressuscitados gozarão da Glória) e o Paraíso (lugar onde os justos descansam, aguardando a ressurreição), boa parte dos Santos Padres (inclusive Santo Agostinho e São Tomás de Aquino) concordam que o Terceiro Céu apontado por São Paulo pode ser identificado com o próprio Paraíso, – em atenção ao que parece declarar o próprio Apóstolo dois versículos depois (em 2Cor 12,4), – tendo em vista que este seria o lugar onde os justos gozariam da felicidade e da companhia de Deus (Gênesis 2-3; Ezequiel 28,13-15; Mateus 25,46; Lucas 23,43), ou seja, onde se constituía, por excelência, a "Morada dos bem-aventurados junto a Deus".

Mesmo assim, não é possível determinar com certeza absoluta se o cristão São Paulo, nesta passagem, estava fazendo uso do esquema judaico de três ou de sete Céus, já que este último esquema tradicionalmente situava o Paraíso no Terceiro Céu, tornando-se compatível com o versículo 4. A propósito, sendo São Paulo um ex-fariseu (cf. Atos 23,6), não seria de se estranhar que estivesse empregando o esquema de sete Céus, pois era de fato o mais difundido entre os judeus do seu tempo, compreendendo cada céu como um diferente grau de glória experimentado pelos bem-aventurados.

São Paulo Apóstolo por
Bartolomeo Montagna
Por outro lado, se Paulo estiver aqui se referindo ao esquema de três céus, estará afirmando claramente ter sido arrebatado ao "mais alto dos Céus", isto é, à própria Morada de Deus e dos anjos e justos bem-aventurados (o que, salvo melhor interpretação, parece corresponder melhor ao teor de 2Coríntios 12,4, que fala de 'Paraíso' e, ao mesmo tempo, de 'palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir'; de outra forma, o arrebatamento de São Paulo ainda o situaria muito distante de Deus).

Convém recordar que os esquemas que adotavam ou adotam mais que três céus geralmente estavam ou estão impregnados de cultura pagã, gnóstica e/ou esotérica. O próprio Santo Irineu, acima citado, registra uma outra doutrina gnóstica que dividia o Céu em sete e possuía uma estranhíssima "explicação" (situando, contudo, o Paraíso no quarto Céu):

"Dizem que o Demiurgo se tornou Pai e Deus dos seres exteriores ao Pleroma, visto que era o Autor de todos os seres psíquicos e hílicos. Com efeito, ele separou uma da outra estas duas substâncias confusas e de incorporais fê-las corporais; fez os seres celestes e terrestres e tornou-se Demiurgo dos psíquicos e dos hílicos, dos da direita e dos da esquerda, dos leves e dos pesados, dos que vão para o alto e dos que vão para baixo. Fez sete céus sobre os quais -dizem - está o Demiurgo. É por isso que o chamam Hebdômada e a Mãe Acamot denominam Ogdôada, porque conserva o número da primitiva e primária Ogdôada do Pleroma. Segundo eles os sete céus são de natureza inteligente: supõem que sejam Anjos e o próprio Demiurgo um Anjo semelhante a um Deus, assim como o paraíso situado sobre o terceiro céu é, pela sua virtude, o quarto Arcanjo e que Adão recebeu dele alguma coisa quando esteve ali" (Contra as Heresias 1,5,2).

No caso dos judeus em específico, verifica-se que a tradição dos "sete Céus" encontra-se apoiada por escritos apócrifos, como o Livro de Henoc Eslavo, o Apocalipse de Baruc e o Testamento dos Doze Patriarcas (que foram, entretanto, rejeitados pelo Sínodo de Jâmnia, o qual definiu o cânon bíblico dos fariseus no século I dC), além de outras fontes que podem muito provavelmente ter sofrido influência da cultura pagã persa e babilônica, – que professavam originalmente a crença nos sete Céus, – durante o período de Cativeiro.

Talvez em razão da "antiguidade" dessa tradição judaica, acabou sendo "importada" ao islamismo (v. Alcorão, Sura 41,12) e para alguns círculos cristãos, como o de Santo Irineu, que em sua obra "Demonstração da Pregação Apostólica" escreveu, no capítulo 9:

Este mundo é rodeado por sete Céus, nos quais habitam inúmeras potências, anjos e arcanjos, que asseguram um culto a Deus todo-poderoso e criador do Universo. Não porque tenha necessidade deles, mas para que não estejam, ao menos, sem fazer nada, como inúteis e malditos. Por isso, é múltipla a presença interior do Espírito de Deus e o profeta Isaías a enumera em sete formas de ministério, que descansaram no Filho de Deus, a saber, o Verbo, em sua vinda humana. De fato, disse: 'Sobre Ele pousará o Espírito de Deus, Espírito de sabedoria e inteligência, Espírito de conselho e fortaleza, [Espírito de ciência] e piedade; lhe conquistará o Espírito do temor de Deus' (Is. 11,2-3).

O primeiro Céu, pois, a partir do alto, que contém os restantes, é a sabedoria; o segundo é a inteligência; o terceiro é o conselho; o quarto, em linha descendente, é a fortaleza; o quinto é a ciência; o sexto é a piedade; o sétimo, que corresponde ao nosso firmamento, está repleto de temor deste Espírito que ilumina os céus. Daí Moisés adotar o modelo do candelabro de sete braços, que arde ininterruptamente no Santuário. De fato, organizou o culto segundo este esquema celeste, com o que lhe havia apontado o Verbo: 'Te ajustarás ao modelo que te foi mostrado na montanha' (Ex. 25,40)."

Porém, o que faz aqui Santo Ireneu é simplesmente interpretar alegoricamente o conceito de "Sete Céus" da tradição farisaica, moldando-o ao conceito judaico-cristão dos "Sete Dons do Espírito Santo", atribuindo para cada Céu um dom. Portanto, mais que afirmar a existência real de Sete Céus, parece que Irineu quer inculcar os dons do Espírito Divino. Isto fica ainda mais patente quando descobrimos como a "doutrina dos sete Céus" do judaísmo veio a se desenvolver posteriormente. Abaixo, um pequeno reflexo extraído do "Livro do Esplendor", o qual é uma espécie de resumo da Cabala judaica:

E Deus criou sete Céus acima e sete terras abaixo, sete oceanos e sete rios, sete dias e sete semanas, sete anos e sete vezes sete anos, e os sete mil anos de duração do mundo. E cada um dos sete céus acima tem suas estrelas, seus corpos astrais e seus sóis. Cada um tem sua hierarquia, com poder de executar a vontade soberana. E os que servem são diferentes em cada céu: em alguns, os servos têm seis asas; em outros, quatro asas. Em alguns, têm seis faces; em outros, duas faces. Alguns são feitos de fogos; alguns de água; e alguns de ar. E todos os céus estão colocados uns dentro de outros, como as folhas da cebola. Todos obedecem a palavra do Criador, pois acima de todos está Deus - bendito seja Ele!

E cada um dos sete céus tem suas estrelas fixas e suas estrelas móveis. Levaria cem anos para percorrer andando cada céu. E a altura de cada um é cinco vezes maior que sua superfície; e a distância que separa um céu de outro levaria quinhentos anos para percorrê-la. E por cima de todos eles encontra-se o céu Araboth, o mais alto, cuja superfície levaria mil e quinhentos anos para percorrê-la e sua altura exatamente outro tanto. A luz do Araboth é tão forte que ilumina todos os céus. Acima do Araboth encontra-se o céu da Fera Sagrada. Uma garra da pata da Fera Sagrada é tão grande quanto sete vezes a distância que existe entre a terra e o céu. É como um cristal ígneo. Aqui se encontram as legiões da direita e da esquerda.

Em cada céu existe um governante, que governa a terra e o mundo. Apenas a Terra Santa não é governada por qualquer destes governantes, mas apenas pelo próprio Deus. E o poder que emana de cada um deles é atraído do céu para a terra, pois cada governante está investido a partir do alto com o poder que é dado ao mundo de baixo. No meio de todos os céus existe uma porta chamada Gabillon, sob a qual se encontram setenta outras portas, protegidas por setenta chefes, de onde sai um raio de luz equivalente a duas mil lâmpadas.

Nosso mundo forma o centro do mundo celeste. É cercado por portas que conduzem aos reinos superiores. Em cada porta se encontram legiões de anjos. Estes anjos são alimentados por uma imensa árvore invisível, já que sua luz é oculta pelos ramos. Este mundo pode exercer seu poder apenas quando as sombras da árvore o cobrem e quando todas as portas que se comunicam com o mundo superior estão fechadas. Quando os sinais de louvor se elevam a partir da garganta do homem, duas portas se abrem, uma ao norte e outra ao sul, e a chama celestial desce até a terra e envia sua luz em seis direções. Se todas as portas do mundo não estivessem protegidas pelos anjos, os demônios teriam entrado e o teriam destruído há muito tempo. Porém, quando se elevam ao céu os hinos de louvor, o próprio Deus desce até a terra e fortalece o mundo com sua divina presença.

Quando Deus quis criar todas as coisas, Ele começou criando algo que era por sua vez macho e fêmea; e a estes, por sua vez, Ele os fez dependentes de alguma outra forma que, por sua vez, é macho e fêmea. E a sabedoria (chochma), que é a primeira sephira depois da coroa (keter), foi manifestada pelo Criador e brilha a forma de ambos, macho e fêmea. E quando a sabedoria se tornou manifesta, produziu a inteligência (binah). E novamente temos macho e fêmea: a sabedoria é o pai; a inteligência, a mãe; e estes são os dois pratos da balança. Por causa deles, tudo se manifesta na forma de macho e fêmea. Sem a sabedoria não haveria princípio algum, já que a sabedoria é o pai dos pais, a origem de todas as coisas. Desta união nasce a fé e se estende ao mundo. A binah se produz pelas duas letras do nome de Deus: Yod, Heh.

Assim, a binah é realmente Ben-Yah, Filho de Deus, o qual é a perfeição de tudo o que existe. Quando o Pai, a Mãe e o Filho (que é a misericórdia, chesed) estão juntos, ocorre a síntese perfeita. E quando eles estão juntos, a filha (que é o rigor, gebourah) está também com eles. Porém, sabeis que isto é o resumo de tudo o que ouvistes: que tudo no mundo inferior foi feito à imagem do mundo superior. Tudo o que existe no mundo superior nos parece aqui como que uma pintura. Tudo é uno e a mesma coisa."
(Sepher-ho Zohar)

Como se vê, há aqui uma forte tendência para a gnose e para o esoterismo, afastando-se radicalmente das Sagradas Escrituras e denunciando, em especial, sua total incompatibilidade com a fé cristã.

Considerando tudo isto, concluímos que embora possamos falar de "Céu" no plural (indicando a existência de vários Céus) ou no singular (para apontar o Céu inteiro, incluindo suas prováveis divisões), não existem fontes seguras ou de reconhecida autoridade – apostólica ou eclesiástica – que nos obriguem ou nos autorizem a defender a existência dos "sete Céus" ou de qualquer outro número que ultrapasse o três. – Embora, evidentemente, não nos sejam dados a conhecer todos os mistérios daquilo que já nos Céus, como são e quantos são, assim como não podemos ainda conhecer perenemente toda a Glória divina.

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• Adaptado do artigo homônimo publicado no website "Veritatis Splendor", em

http://veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5422-quantos-ceus-ha-no-ceu
Acesso 6/6/014
ofielcatolico.com.br

12 comentários:

  1. Não me importa quantos são, não... O meu lugar é no Céu, no coração do Santo dos Santos, olhando o altar do Cordeiro. Lá, com a magnífica visão que deve ser, ver Maria na Glória de Deus... lá eu quero estar, lá é nosso lugar. Ao inferno e a tudo que me leve a ele, EU RENUNCIO! Amém.

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    1. Que Deus tenha misericórdia de nós pecadores e nos permita chegar aos Céus para adora-lo, eternamente.
      Mas antes de chegar lá Senhor, nos de o Espírito da Compreensão e o Espírito do Perdão.

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  2. Gostaria de fazer uma pergunta : É verdade que nos céu os Sacerdotes e religiosos terão uma glória superior a dos Leigos ? Essa dúvida surgiu após eu ler alguns trechos do diário de Santa Faustina onde ela escreve : “À noite, mal me tinha deitado na cama, logo adormeci, mas assim como adormeci, mais depressa ainda fui acordada. Veio visitar-me uma pequena criança e acordou-me. Pelo aspecto, essa criança parecia ter um ano de idade. Admirei-me que falasse tão bonito, pois crianças nessa idade não falam, ou falam muito confusamente. Era indescritivelmente bela, semelhante ao Menino Jesus, e disse-me estas palavras: Olha para o céu – e quando olhei, vi estrelas brilhantes e a lua, e então perguntou-me essa criança: Estás vendo a lua e as estrelas? Respondi que estava vendo, e ela me respondeu com estas palavras:
    -Essas estrelas são as almas dos fiéis cristãos e a lua são as almas religiosas. Repara que grande diferença de luz existe entre a lua e as estrelas; assim, também no Céu há uma grande diferença entre a alma religiosa e a de um fiel cristão. – E disse-me mais: A verdadeira grandeza está no amor a Deus e na humildade.”(p.137).
    Isso me desanimou pois parece ate de certa forma uma predestinação de alguns em detrimento dos outros.
    Aguardo a resposta.
    Deus lhes abençoe e Nossa senhora os ajude sempre na evangelização !!!
    Matheus

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  3. Salve Maria!
    Fiquei curioso a respeito da dúvida do irmão Matheus, aguardando a resposta também. Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

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  4. Penso eu, que nessa frase diz tudo: A verdadeira grandeza está no amor a Deus e na humildade.”(p.137).
    Irmão Matheus, quanto maior é a sua entrega a Deus e seu sacrifício pelo o reino, mais um lugarzinho especial você terá.

    Att,,

    Camila

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  5. "A todos os que sentem sede da Verdade, dizemos: ide a Tomás de Aquino!" (Papa Pio XI)

    São Tomás de Aquino, "o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios", respondeu a dúvida levantada, se no céu fulano pode ter glória maior que sicrano, na questão V - A aquisição da bem-aventurança, artigo 2 - Pode um homem ser mais bem-aventurado do que outro? - do livro III da Suma Teológica.

    Assim ensina-nos o maior sábio de todos os tempos (evidente que excetua-se Jesus Deus-Homem):

    Considerando Jo 14, 12 "Na casa do Meu Pai há muitas moradas", o divino Aquinate discorre:

    "Entendemos que há na vida eterna dignidades diferentes pelos méritos. (...) Logo, há diversos graus de bem-aventurança e ela não é igual para todos. (...) Quanto à posse ou o gozo [do Sumo Bem=Deus], pode alguém ser mais bem-aventurado do que outro, porque quanto mais se goza deste bem, mais se é bem-aventurado. Acontece um gozar mais perfeitamente de Deus do que o outro, porque está melhor disposto ou mais ordenado para este gozo. (...) A diversidade das moradas significa a diversidade das bem-aventuranças segundo a diversidade dos graus de gozo. (...) Diz-se que um é mais bem-aventurado que o outro pela diversidade na participação do mesmo bem".

    Em outras palavras podemos imaginar a seguinte ilustração: imagine uma pessoa que passou a vida em um combate incessante de corpo e alma contra a carne, o mundo e o diabo (os três inimigos cruéis da nossa salvação) morrendo em odores de santidade e imagine uma pessoa desleixada que viveu as avessas do Evangelho mas que instantes antes da morte pela contrição, arrependimento perfeito, salvou-se. Ambos, não importa se passando ou não pelo purgatório, terão por destino final o céu. Mas a justiça de Deus, perfeita que é, dará a poltrona vip do céu à alma que foi toda vida exemplo de virtude e religião ou àquela que apenas converteu-se no último instante?

    É claro que à primeira! Se não fosse assim, Deus não seria nem justiça nem verdade.

    Então é necessário que haja vários graus de comunicação de luz da glória no céu em proporção com o grau de caridade que cada alma deixa esta vida.

    Agora, alcançar este maior ou menor grau de luz e felicidade está totalmente em nossas mãos. É ir ao combate...

    P.S.: Muitos santos escreveram sobre este tema, mas deixo lincado um texto (muito instrutivo) de São Boaventura, o Doutor Seráfico, que ao lado de São Tomás de Aquino (inclusive os dois foram colegas na Universidade de Paris recebendo o doutorado no mesmo dia ali pelos anos 1250, e morreram no mesmo ano de 1274) é considerado um dos maiores Filósofos e Doutores da Igreja.

    http://paramaiorgloriadedeus.blogspot.com.br/2015/09/a-felicidade-celeste-por-sao-boaventura.html

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    1. Agradeço a resposta , porém a dúvida seria a seguinte : Se Deus é quem dá a vocação a cada um, como pode ele sendo infinitamente justo fazer essa distinção entre leigos e religiosos no céu ??? Isso parece até predestinação...
      Confesso que depois que li esses escritos de Santa Faustina fiquei bem desanimado ...

      MATHEUS

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    2. Há sim quem é maior do que o outro em cargo e dons na Igreja. São Pedro sempre está à frente dos apóstolos (cf. Mt 10,2/ Mt 17,1/ Mc 3,16) e é o discípulo mais íntimo de Jesus (Mt 16,18/ Jo 21,15/ At 15,7). A Bíblia é contra o igualitarismo, dizendo haver dons diferentes (Rm 12,6/ 1 Cor 12,4-10) e específicos em cada um (1 Cor 12,28-10). A religião cristã confere uma autoridade e hierarquia (1 Cor 12,28/ 1 Cor 14,40/ Ef 4,11-14), sim.

      ''A Igreja Católica, segundo ensinamento de São Pio X, é uma Igreja de desiguais. Uns foram instituídos para ensinar, governar e santificar. E outros para serem ensinados, governados e santificados. Estes últimos são os leigos. (cfr. Encíclica Vehementer, de 11-2-1906) Nesta sociedade de desiguais há uma hierarquia: Cardeais, Arcebispos, Bispos, cônegos, párocos e coadjutores. Em baixo, o povo fiel, que está para a Igreja, como a plebe para a sociedade civil.''

      Devemos nos lembrar dos nossos guias e imitar-lhes a fé (Hb 13,7). Mas agora, sobre quem será o maior no Reino dos Céus (a referida distinção), basta conferir os dizeres do Nosso Senhor Jesus Cristo em: Mt 18,1-5/ Mt 20,25-28/ Mc 9,33-37/ Lc 9,46-48. Jesus disse aos fariseus que os publicanos e as meretrizes lhes precedem no Reino de Deus (Mt 21,31), portanto, todos os sacerdotes - ou até mesmo os fiéis - que agem hipocritamente verão tais pecadores lhes precederem no Reino de Deus.

      Por fim, é sabido que o Santo Ofício proibiu a devoção da Divina Misericórdia e a leitura do Diário da Ir. Faustina, por conter erros perceptíveis a qualquer leigo.

      Paz e Bem!

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    3. Caro Augusto,

      Sua informação final esta desatualizada.

      Até onde sei realmente houve a proibição, mas já foi revogada.

      Inclusive hoje é celebrado o dia de Santa Faustina Kowalska:

      https://padrepauloricardo.org/episodios/confianca-filial-em-deus

      https://padrepauloricardo.org/episodios/a-divina-misericordia

      Abraço fraterno em Cristo.

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    4. Prezado, você disse que se desanimou quando leu um trecho do Diário de Santa Faustina, mas, quanto a mim, analisando tal diário, o que desanima é isso:

      "Agora eu sei que não é pelas graças ou dons que você me ama, mas porque a Minha vontade é mais preciosa para você do que vida. É por isso que eu estou unindo-me a você tão intimamente como com nenhuma outra criatura." (§707, p. 288)

      http://farfalline.blogspot.com.br/2015/08/faustina-e-a-divina-misericordia.html

      Ora, nenhuma criatura na face da terra jamais foi tão intimamente unida a Jesus Cristo do que a sua Mãe, a bem-aventurada Virgem Maria!

      ''E eu temo muitíssimo pelo que está acontecendo nesses nossos tempos: se qualquer alma, seja lá qual for, depois de um pouquinho de meditação, tiver em suas recordações uma dessas locuções, e imediatamente ‘batizá-las’ como vindas de Deus e com tal suposição disser: ‘Deus me disse’, ‘Deus me respondeu’. Ainda que não seja exatamente assim, mas, como já dissemos, essas pessoas são frequentemente os autores de suas próprias locuções.'' (São João da Cruz)

      Paz e Bem!

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    5. Sei que não respondeu para mim, mas entendo sua preocupação.

      Também já li ataques a devoção da Divina Misericórdia de Santa Faustina.

      No entanto não escrevi em defesa de Santa Faustina e de seus escritos ― poderia, respaldado pela sua canonização ― mas sim do que nossa Igreja nos diz atualmente.

      Não tenho como defender o Diário, nem contestá-lo, pois não li o mesmo. Por isso não tenho nem comentar o trecho citado, pois teria de considerá-lo em seu contexto completo.

      Mas esta união por completo ao Cristo ― "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" ― está na Bíblia e de forma similar em diversos escritos de santos, e inclusive o Padre Paulo Ricardo sempre comenta algo neste sentido, que devemos buscar esta união. Obviamente o elo de São Paulo a Cristo, assim como a de Santa Faustina, não se compara ao de Maria com o Filho.

      A questão que levantei respeitosamente é que certas atitudes que vemos hoje em ambientes autodenominados tradicionalistas é de total desrespeito ao Papa e a Igreja.

      Eu acompanhando estes ambientes, e também da tal nova direita, quase fui contaminado por essas atitudes rebeldes. Temos que cuidar para não cairmos na situação relatada na última postagem deste mesmo site (Como S. Francisco é diferente de Lutero – ou Reforma Católica vs. Reforma Protestante). Não estou dizendo que é seu caso obviamente.

      Tenho fugido destes sites que sempre querem refutar algo na Igreja, sempre se apresentam como mais santos que o papa,e neste caso que uma santa canonizada.

      Como não tenho a envergadura e santidade de um Santo Atanásio ou São Paulo ― longe disso ―, prefiro recolher-me em minha insignificância e obedecer a Igreja e o sucessor de Pedro, seja qual ele for ― mesmo que não compreenda e sofra tentando, pois não cabe a mim entender tudo, apenas acreditar no papa e na Igreja, e que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

      Por isso, para mim acredito que o Diário não seja nocivo, pois foi inclusive citado na canonização de Santa Faustina:

      https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/2000/documents/hf_jp-ii_hom_20000430_faustina.html

      Paz e Bem!

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    6. Meu caro, cabe pontuar o seguinte:

      1- Eu não li meros ataques à ''Devoção da Divina Misericórdia'' e ao Diário da Ir. Faustina, mas, sim, análises claras e em conformidade com a Doutrina da Igreja Católica, que detecta e refuta pontos heréticos. O ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina (Tt 2,1).

      2- Que tais trechos heréticos são encontrados no tal diário, isso foi mostrado. Ou será que esses católicos que reportam isso, e até padres que o refutam, agem por má-fé? E é estranho que o Papa Pio XII tenha censurado tal diário, mas depois sua leitura passou a ser recomendada, e que inclusive a irmã fora canonizada.

      3- Se tais escritos partem de pressupostos tão errados, as conclusões de tais contextos não devem ser boas. Eu vejo que no meio carismático tal devoção e leitura são muito incentivados, mas raramente se vê recomendarem os doutores consagrados da Igreja, cuja ortodoxia é seguramente inconteste e edificante.

      4- A citação de São Paulo (Gl 2,20) é profícua, mas como você bem reconheceu, o elo de São Paulo a Cristo, assim como a de Santa Faustina, não se compara ao de Maria com o Filho, coisa contrária que lemos no Diário: ''É por isso que eu estou unindo-me a você tão intimamente como com nenhuma outra criatura''. A Virgem Maria foi elevada acima dos anjos e dos santos, ela que, sendo criatura e esposa do Espírito Santo (Lc 1,34-35), gerou o fruto do amor que o Pai tem por nós (Lc 1,42); e o Verbo se fez carne (Jo 1,14). Nenhuma criatura, reitero, jamais foi tão intimamente unida a Jesus Cristo do que a sua Mãe, a bem-aventurada Virgem Maria.

      5- Comparar as contestações dos tradicionalistas (frente à confusão que se instalou na Igreja) com o protestantismo é descabido e não se segue. Os tradicionalistas são conhecidos por defenderem a fé bimilenar da Igreja Católica, seguindo o juramento anti-modernista de São Pio X, nem que a isso seja necessário exigir do papa (cf. Lc 12,48). Exemplos de cobrança ao papa não faltaram na história da Igreja, a começar pelo próprio São Paulo (Gl 2,11-14), Santa Catarina de Sena e tantos outros mais. Ademais, não queira ignorar o que se passa, pois Deus nos dotou de discernimento para examinarmos se os espíritos são de d'Ele, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo (1 Jo 4,1). Portanto, devemos examinar tudo e abraçar o que é bom (1 Ts 5,21).

      6- Por fim, já que você mencionou um post que fala de Lutero e São Francisco de Assis, como nos devemos portar diante do DESCALABRO do Papa Francisco de ir celebrar os 500 anos da revolta protestante, ele que disse que o heresiarca Lutero tinha boas intenções?

      Luther's Revenge: The Surrender of Pope Francis
      https://www.youtube.com/watch?v=-W85Mair6Uc

      A ''fumaça de Satanás'' me causa perplexidade! Mas, enfim, acho que já saímos demais fora do tópico. Paz e Bem!

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