Todos os Caminhos Levam a Roma – a história da conversão de Scott e Kimberly Hahn


ESTA É EXCLUSIVAMENTE para indicar, com muita ênfase, a leitura de um pequeno (224 páginas) e despretensioso livro que "dormia" em minhas prateleiras já há alguns bons meses, e que somente há dois dias resolvi tomar em mãos para ler. – E já finalizei a leitura, absolutamente encantado, mesmo com todo o trabalho e estudos acumulados que se amontoam sobre minha mesa. – O livro não é novo; foi publicado em 1993 nos EUA e traduzido e lançado em 2002 pela editora Diel (Portugal) para países de língua portuguesa, mas somente em 2013 passou a ser distribuído no Brasil pela Cléofas.

Muito popular nos EUA e em outros países, já é relativamente bem conhecido também no Brasil. É do tipo que se quer ler de um só fôlego; daqueles que, quando começamos a ler, não queremos mais parar. Refiro-me à obra autobiográfica que em português foi intitulada "Todos os Caminhos Levam a Roma" ('Rome, Sweet Rome'), escrita a quatro mãos pelo ex-pastor e ex-professor de seminário protestante Scott Hahn e sua esposa, Kimberly, mestra em Teologia protestante e ex-pregadora anticatólica.

Dr. Scott Hahn, mestre e doutor, Ph.D em Teologia Bíblica, é considerado um dos maiores especialistas em Bíblia do mundo, – sendo exatamente esta a razão (seus profundos conhecimentos) que o levou a converter-se num católico fervoroso, antes de sua esposa, que depois de anos de relutância acabou por se enveredar pelo mesmo caminho. – Atualmente, ele é professor de Teologia e Sagrada Escritura na Universidade Franciscana de Steubenville, EUA (desde 1990). Em 2005, foi designado pelo Papa Bento XVI como Catedrático de Teologia Bíblica da Liturgical Proclamation, no Seminário St. Vicent, Latrobe (Pensilvânia). É autor de grande quantidade de livros, que são altamente recomendados pelas autoridades eclesiásticas, especialmente nos EUA, entre os quais o Arcebispo de Denver, Dom Charles J. Chaput; o Arcebispo de Milwaukee, Dom Timothy M. Doulan; o Arcebispo de Chicago, Cardeal Francis George; o Arcebispo de Washington, Dom Donald W. Werl, o Arcebispo de Nova York, Cardeal Edward Egan; etc...


Dr. Scott Hahn
Síntese

O livro é a autobiografia de um casal presbiteriano convertido ao catolicismo mediante o atento e apurado estudo das Sagradas Escrituras e a análise histórica, teológica e também bíblica da Sagrada Tradição e do Magistério da Igreja Católica.

Com muita seriedade, empenho e persistência, primeiro o marido, Scott, e depois sua esposa, Kimberly, passam a descobrir, entender e confirmar que tudo o que lhes mantinha afastados da Igreja Católica estava fundamentado em preconceitos infundados. Ao mesmo tempo, averiguaram e passaram a confirmar, passo a passo, que as duas pilastras essenciais do protestantismo: somente a fé (Sola Fide) e somente a Escritura (Sola Scriptura), carecem de qualquer fundamento na própria Bíblia. Diante da conversão do marido, a esposa fica desolada; com muito amor e boa vontade, porém, e empreendendo imenso esforço para romper a colossal barreira de preconceitos que lhe haviam sido incutidos na alma contra o catolicismo, acaba por abraçar a mesma fé do esposo.

Já há algumas décadas que se vêm registrando numerosas conversões do protestantismo ao catolicismo, com a Graça de Deus, por meio do estudo cada vez mais embasado e realmente aprofundado das Sagradas Escrituras, comparado ao da História da Igreja, especialmente da Patrística. – E, importante que se diga, a impressionante conversão deste casal ocorreu apesar da mentalidade progressista que tomou conta do clero católico em nível mundial: apesar de tantos padres, bispos e leigos católicos que praticamente não se empenham em converter mais absolutamente ninguém. – O próprio Scott Hahn relata como, no início de sua longa jornada de retorno a Casa do Pai, procurou padres de paróquias próximas, e como ficou desorientado ao perceber como não faziam a mínima questão de recebê-lo, sendo que um certo Pe. Jim chegou a lhe dizer: "Creio que na verdade você não precisa se converter. Depois do (Concílio) Vaticano II não é muito ecumênico converter-se. O melhor que você pode fazer é simplesmente ser o melhor presbiteriano que puder".

Sua esposa, Kimberly, então uma protestante e anticatólica convicta, além de talentosa pregadora, cujo maior sonho era ser "esposa de pastor", dizia ao marido: "Talvez a Igreja sobre a qual você está aprendendo e lendo [tão perfeitamente coerente com as Escrituras e alinhada com tudo o que entendemos por cristianismo], simplesmente já não exista mais".


Pe. Shenan J. Boquet e Henrique Sebastião

Mesmo assim, apesar de tudo, – apesar dos maus padres e maus bispos, do mau exemplo de tantos e tantos maus católicos, de todo o desvio da sagrada Liturgia, do desleixo quase total para com a catequese, das interpretações estapafúrdias de um tal de "espírito do concílio", que hoje parece ser mais adorado do que o próprio Espírito Santo de Deus, apesar do grande descaso na salvação das almas... O fato é que, ainda assim, mesmo contra tamanha e tão medonha torrente de misérias, não cessam de aumentar os casos de conversões à Igreja Católica, de modo especial nos EUA (maior país protestante do mundo) como me confirmou pessoalmente inclusive o Pe. Shenan Boquet, presidente da Human Life International, por ocasião do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida (Mosteiro de São Bento de São Paulo, 11/2011).

Apresento abaixo uma coletânea de trechos do livro em questão, rogando a Deus que muitos de meus leitores se sintam motivados a adquirirem-no e, com muito prazer, desfrutar de sua tão saborosa quanto edificante leitura.


 Preconceitos

Como já dito, e como geralmente acontece entre os protestantes, também Scott e Kimberly eram marcados por profundos preconceitos contra a Igreja Católica. Assim diz Scott:

"No Seminário encontrei um colega chamado Gerry Matatics. Entre os alunos presbiterianos, nós dois éramos os únicos suficientemente inflexíveis no nosso anticatolicismo para defender que a Confissão de Westminster devia conservar uma tese que a maioria dos reformados estava disposta a abandonar: o Papa era o Anticristo. Embora os protestantes – Lutero, Calvino, Zwingll, Knox e outros – tivessem muitas diferenças entre si, todos eram unânimes na convicção de que o Papa era o Anticristo e que a Igreja de Roma era a rameira da Babilônia".

Scott e sua esposa se colocaram no rol daqueles que odiavam uma falsa imagem da Igreja Católica e não a verdadeira imagem (que eles ignoravam). O próprio Scott Hahn comenta em sua autobiografia que "o falecido Arcebispo Fulton Sheen escreveu um dia: 'Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica; mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõem que é a Igreja Católica'.".


Sola Fide
– Somente a fé

Scott Hahn era, então, um ministro presbiteriano, casado com Kimberly, também presbiteriana. Em virtude de suas funções como pregador, ele teve que estudar com afinco os grandes princípios do credo protestante, a começar pela sua primeira coluna: "Somente pela fé" somos salvos.

"Pouco a pouco chegamos a nos convencer de que Martinho Lutero deixou que suas convicções teológicas pessoais contradissessem a própria Bíblia, à qual supostamente tinha decidido obedecer em vez de obedecer à Igreja Católica. Tinha declarado que a pessoa não se justifica pela fé atuando no amor, mas que se justifica apenas pela fé. Chegou mesmo a acrescentar a palavra 'somente' depois da palavra 'justificado' na sua tradução alemã de Romanos 3,28, e chamou à Epístola de Santiago 'epístola falsificada' porque Santiago diz explicitamente: 'Vedes que pelas obras se justifica o homem e não apenas pela fé'."
"Uma vez mais, e por muito estranho que nos parecesse, a Igreja Católica tinha razão num ponto fundamental da doutrina: ser justificado significa ser feito filho de Deus e ser chamado a viver a vida como filho de Deus mediante a fé com obras no amor. Efésios 2,8 esclarecia que a fé – que temos que ter – é um Dom de Deus, não por causa das nossas obras, pelo que ninguém se pode vangloriar, e que a fé nos torna capazes de realizar as boas obras que Deus quer que realizemos. A fé é ao mesmo tempo um Dom de Deus e a nossa resposta obediente à misericórdia de Deus."
"A rigor, deve-se distinguir entre 'ser justificado' e 'ser salvo'. Ser justificado é tornar-se justo, amigo de Deus, passando do estado de pecado para o estado de graça. É o que São Paulo tem em vista nas suas cartas. Ser salvo é perseverar na graça recebida até o fim da vida terrestre. Esta perseverança não é possível se o fiel cristão não manifesta a sua fé através de boas obras. – É o que São Tiago tem em vista na sua carta."

Sola Scriptura
– Somente a Escritura


Scott & Kimberly Hahn

A outra coluna fundamental do credo protestante é o princípio "Somente a Escritura"; é regra de vida. Também esta desmoronou mediante o estudo realmente sério e descomprometido das doutrinas humanas sobre a Bíblia Sagrada, como também narra Scott em seu livro.

Profº Hahn ensina que a doutrina da Sola Fide simplesmente não é bíblica, e que esse grito de guerra da Reforma não se sustenta quando confrontado com as Cartas de Paulo.

Como bem se sabe, o outro grito de guerra da Reforma foi a Sola Scriptura: que a Bíblia é a nossa única autoridade, em lugar do Papa, dos Concílios ou da Tradição. Um belo dia, um de seus alunos protestantes lhe perguntou: "Professor, onde é que a Bíblia ensina que 'a Escritura é a nossa única autoridade?'". Scott conta o que aconteceu depois:

"Fiquei a contemplá-lo e comecei a sentir um suor frio. Disse-lhe: 'Vejamos primeiro Mateus 5,171 e depois 2 Timóteo 3,16-17: 'Toda a Escritura inspirada por Deus é útil para ensinar, para rebater, para corrigir e para formar na justiça, de modo que o homem de Deus seja perfeito, e preparado para toda obra boa'. E depois podemos ver também o que diz Jesus acerca da Tradição em Mateus 152. Mas a sua resposta foi cortante: 'Mas, professor, Jesus não estava condenando toda a Tradição em Mateus 15, e sim só a tradição corrupta. E quando 2 Timóteo 3,16 menciona 'toda a Escritura' não diz 'só a Escritura' é útil. Também a oração, a evangelização e muitas outras coisas são essenciais. E o que dizer de 2 Tessalonicenses 2,15? – 'Ah, sim... Tessalonicenses...', – balbuciei debilmente, – 'o que é que se diz aí?' – 'Paulo diz aos Tessalonicenses: Portanto, irmãos, mantende-vos firmes e guardai as tradições que haveis aprendido de nós, de palavra ou por carta'."
"Saí pela tangente: 'Ouça, John, estamos nos afastando do tema. Avancemos um pouco mais e já voltaremos a falar sobre isto na próxima semana'. Posso assegurar que ele não ficou satisfeito. Nem eu. Quando voltei para casa naquela noite, contemplei as estrelas e murmurei: 'Senhor, o que está acontecendo? Onde é que a Escritura ensina a doutrina da sola Scriptura?'. Foram duas as colunas sobre as quais os protestantes basearam a sua revolta contra Roma. Uma já tinha caído, e a outra estava a cambalear. Senti medo. Estudei toda a semana. Não cheguei a nenhuma conclusão. Telefonei então a vários amigos. Sem êxito. Finalmente, telefonei a dois dos melhores teólogos da América, e também a alguns dos meus ex-professores."
"Todos aqueles que consultava se surpreendiam de que lhes fizesse essa pergunta. E sentiam-se ainda mais perturbados ao verem que não ficava satisfeito com as respostas que me davam. A um professor eu disse: 'Talvez eu esteja sofrendo de amnésia, mas esqueci-me das simples razões pelas quais nós, protestantes, cremos que a Bíblia é a nossa única autoridade. Dr. Gerstner, creio que a questão principal é o que a Bíblia ensina sobre a Palavra de Deus, já que em nenhum lugar reduz a Palavra de Deus apenas à Escritura. Pelo contrário, a Bíblia diz-nos em muitos lugares que a autorizada Palavra de Deus deve buscar-se na Igreja: na sua Tradição (2 Ts 2,15; 3, 6), assim como na sua pregação e ensino (1Pe 1, 25; 2Pe 1, 20-21; Mt 18, 17). Por isso penso que a Bíblia apoia o princípio católico Solum Verbum Dei, 'só a Palavra de Deus', em vez do princípio protestante Sola Scriptura, 'só a Bíblia'."


O Governo da Igreja

Completando sua afirmação de que as Escrituras não bastam, Scott apresenta a seguinte imagem:

"Desde a época da Reforma, foram surgindo mais de vinte e cinco mil diferentes confissões protestantes, e os especialistas dizem que na atualidade surgem cinco novas por semana. Cada uma delas afirma seguir o Espírito Santo e o sentido autêntico da Escritura. Deus sabe que devemos precisar de algo mais."
"O que eu quero dizer, Dr. Gerstner, é que quando os fundadores da nossa Nação nos deram a Constituição, não se contentaram só com isso. Imagine o que teríamos hoje se a única coisa que nos tivessem dado fosse um documento, por muito bom que fosse, junto com a recomendação 'Que o espírito de George Washington guie cada cidadão'? Teríamos a anarquia, que é precisamente o que temos entre os protestantes no que se refere à unidade da Igreja. Em vez disso, os nossos pais fundadores deram-nos algo mais do que a Constituição; deram-nos um Governo - formado por um Presidente, um Congresso e um Senado - todos eles necessários para aplicar e interpretar a Constituição. E, se isso é necessário para governar um país como o nosso, o que é que será necessário para governar uma Igreja que abarca o mundo inteiro?"
"É por isso, Dr. Gerstner, que começo a acreditar que Cristo não nos deixou apenas com um livro e o Seu Espírito. Aliás, o Evangelho não diz uma única palavra aos apóstolos acerca de escreverem; além disso, só menos de metade deles escreveram livros que foram incluídos no Novo Testamento. O que Cristo disse realmente a Pedro, foi: 'Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela'. Por isso parece-me mais lógico que Jesus nos tenha deixado juntamente com a Sua Igreja - composta por um Papa, Bispos e Concílios -tudo o que é necessário para administrar e interpretar a Escritura."


A Eucaristia

Nos trechos abaixo, Scott se refere às aulas que dava sobre João 6, 22-66:

"Comecei imediatamente a pôr em causa o que os meus professores me tinham ensinado - e o que eu próprio andava a pregar à minha congregação - acerca da Eucaristia como um mero símbolo, um símbolo profundo, certamente, mas apenas um símbolo."
"Depois de muita oração e de muito estudo, acabei por reconhecer que Jesus não podia estar a falar simbolicamente quando nos convidou a comera Sua carne e a beber o Seu sangue. Os judeus que O ouviam não teriam ficado ofendidos nem escandalizados com um mero símbolo. Aliás, se tivessem interpretado mal Jesus, tomando as Suas palavras à letra - quando Ele queria que as palavras fossem tomadas em sentido figurado - teria sido fácil ao Senhor esclarecer esse ponto. Na verdade, já que muitos dos discípulos deixaram de O seguir por causa deste ensinamento (vers. 60), teria estado moralmente obrigado a explicar que falava apenas em termos simbólicos. Mas nunca o fez."

Em consequência das convicções adquiridas pelo estudo sincero e sistemático, Scott houve por bem abraçar o catolicismo, mesmo à revelia de sua esposa, a qual só mais tarde se converteu. É muito interessante observar a caminhada dos convertidos até a fé católica: a graça os impele a superar hesitações, obstáculos, comentários.

Os pontos abordados por Scott interessam a todo cristão desejoso de encontrar a Verdade religiosa. Sua experiência vem a ser escola para outros. Os argumentos são claríssimos e irrrefutáveis . O protestante que afirma serem 66 os livros da Bíblia, não o pode provar pela Bíblia; recorre à tradição dos judeus de Jâmnia, embora diga que segue somente a Bíblia, e do mesmo modo ocorre em inúmeros outros pontos.


...Creio que a amostra que acabamos de apresentar é suficiente para dar uma ideia da grande contribuição que traz este livro nos estudos de todo homem ou mulher de boa vontade, que esteja honestamente empenhado em conhecer, simplesmente, a Verdade que liberta.

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1. Mt 5, 17: "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento".

 2. Mt 15, 3: Disse Jesus: "Porque violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?".

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Síntese adaptada do artigo de Dom Estêvão Bettencourt (OSB) "Todos os Caminhos vão dar a Roma", disponível em
http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?head=0&num=1750
Acesso 27/8/014

• HAHN, Scott & Kimberly. Todos os Caminhos Levam a Roma, Lorena: Cléofas, 2013.

ofielcatolico.com.br

Invasão islâmica mundial


O QUE ACONTECERIA se o bebê George, futuro rei da Inglaterra, se convertesse um dia a uma religião não cristã? O arcebispo da Cantuária, líder anglicano que celebrou o batismo do menino, disse que não se importaria se isso acontecesse (conf.: Daily Mail). Os próprios pais do menino, aliás, raramente vão à igreja, assim como seu avô, o Príncipe Charles. Essa é a família real perfeita para representar a fé, – ou a falta dela, – no Reino Unido, em que apenas 8% das pessoas entre 30 e 50 anos frequentam a igreja anglicana assiduamente.

A igreja anglicana [que teve origem num ato de adultério], fundada graças aos caprichos de um rei lascivo, oferece ao povo britânico um cristianismo aguado, afundado em heresia e relativismo. Não surpreende que essa caricatura triste e vazia do catolicismo já não convença mais quase ninguém. E é neste vácuo espiritual que o islamismo, uma religião de fortes convicções, está encontrando espaço e criando raízes.

Muitos pensam que o radicalismo islâmico ameaça o mundo somente por meio da ação de grupos armados. Grande engano! A jihad ganha força e se espalha no Ocidente especialmente por meio da dominação cultural. Essa realidade medonha já se delineia com traços fortes em toda a Europa, e de modo especial na Grã-Bretanha, onde a minoria muçulmana faz pressão constante para impor suas crenças e costumes.



Os britânicos carregam uma forte culpa pelo seu passado imperialista. Agora, pendendo para o outro extremo da mentalidade de dominação, estão dispostos a renunciar a seus valores e cultura em nome do multiculturalismo. Essa é uma ideologia de esquerda que prega que todas as culturas devem ser igualmente valorizadas, promovidas e protegidas pelo Estado. Assim, em vez de o imigrante se adaptar à cultura do país que o acolhe, o Estado e os nativos desse país é que devem se desdobrar para assimilar a cultura do imigrante.

Na mente dos britânicos está inculcada a ideia de que, se for preciso, os seus costumes podem e devem ser solapados, só para não ofender os “coitadinhos” imigrantes. O problema é que muitos imigrantes ignoram que o respeito é uma via de mão dupla. E ocorrem aberrações como as cenas mostradas no vídeo abaixo, em que uma cidadã britânica assiste pelas ruas de sua cidade, estarrecida, uma marcha de centenas de muçulmanos gritando “Reino Unido, vá para o inferno” e dizendo que mulheres sem burca são um bando de sem-vergonhas. A moça britânica, pau da vida e muita corajosa, tenta explicar aos manifestantes que é inaceitável que estrangeiros insultem os nativos daquela forma.


"Não a democracia! Queremos somente o islam!"

Mas o "mundo fofo" dos multiculturalistas está começando a desabar. Em junho deste ano, o ministro da Educação britânico, Michael Gove, denunciou um esquema armado por muçulmanos para impor o islamismo nas escolas e controlar a rede de ensino. Eles vêm infiltrando professores e diretores nas escolas. Quando conseguem isso, passam a perseguir os alunos e professores não-muçulmanos, até que eles sejam expulsos ou peçam demissão.

Esse desastre já vem ocorrendo há mais e dez anos, mas o governo, de modo intrigante, fazia vista grossa (conf.: Diário Digital e The Telegraph).

Na Escócia, 30 crianças não-muçulmanas da Parkview Primary School tiveram que visitar uma mesquita (conf.: Gatestone Institute). Chegando lá, foram instruídas [constrangidas] a recitar a declaração de fé maometana: “Não há deus senão Alá e Maomé é seu mensageiro” (vídeo abaixo). Tudo isso sob a desculpa politicamente correta de conhecer os valores e crenças diferentes para poder melhor respeitá-los. Agora imaginem o alvoroço que os muçulmanos fariam se soubessem que trinta crianças maometanas haviam sido levadas para uma igreja e instruídas a recitar o Credo.



Em Londres, no distrito de Tower Hamlets, 85 das 90 escolas proibiram o consumo de carne de porco, apenas para atender ao desejo da minoria muçulmana, que considera pecado consumir esse alimento. Em Nottingham, uma escola primária, – a Greenwood Primary School, – cancelou a peça de Natal para que não interferisse em um festival maometano (Daily Mail)!

Ainda em Tower Hamlets, os muçulmanos ameaçam com morte mulheres sem véu e gays. Nos postes e outros locais de evidência do bairro, eles chegaram a fixar cartazes com o seguinte aviso: “Você está entrando em uma zona controlada pela Shária. Regras islâmicas são aplicadas” (Daily Mail).

Tudo isso já parecia suficientemente absurdo, até que… Neste mês, vieram à tona os casos (atenção) de 1.400 menores brancas britânicas abusadas sexualmente e traficadas para prostituição por muçulmanos, pelo país inteiro. De 1997 a 2013, – por longos e inacreditáveis dezesseis anos, – as autoridades da cidade de Rotherham nada fizeram para deter os criminosos!

Muitas das vítimas foram à polícia denunciar os agressores (entre elas, meninas de 11 anos que haviam sido estupradas por vários homens), mas as autoridades fizeram corpo mole com as investigações e não tomaram nenhuma providência! O problema era, simplesmente, que os suspeitos eram quase todos muçulmanos paquistaneses! E aquilo que um cidadão britânico teme mais que o inferno é ser acusado de racismo; se isso acontecer, ele pode perder o emprego, a guarda dos filhos, a respeitabilidade.

...E tal medo não é exagerado. Tudo lá naquelas bandas [qualquer semelhança com cultura de classes marxista impetrada no Brasil pelo governo PT não é mera coincidência] é motivo para alguém ser chamado de “racista”. Recentemente, uma menina inglesa foi denunciada por sua própria professora por crime de racismo (!) apenas porque pediu para se sentar do lado de outra colega de classe, já que a menina ao seu lado não falava a sua língua e ela tinha dificuldades para se comunicar com ela.

Não querendo "arrumar sarna para se coçar", as autoridades de Rotherham se omitiram, para não serem acusadas de associar a escravidão sexual de menores a uma etnia específica. Como bem disse o escritor português João Pereira Coutinho, a lógica dessa gente é: “Melhor pedófilo que racista”.

Ainda sobre a islamização do Reino Unido, o blog “Islamidades” tem um post muito interessante sobre a forte ligação do Príncipe Charles com o Islã (veja aqui).

O gravíssimo problema, porém, – que por certo é a concretização de um grande castigo divino sobre a humanidade inteira, – não é só da Inglaterra; é mundial. É, sim, mais grave na Europa, mas o objetivo islâmico é, declaradamente, a conquista mundial; o Brasil não fica de fora. Há alguns anos, a justiça brasileira retirou do YouTube um vídeo sobre islamização da Europa. O grupo "Comunidade Eclesial" e uma igreja batista de São Paulo foram judicialmente notificados e obrigados a retirar de circulação um vídeo sobre a islamização da Europa (saiba mais). Como a internet, ao menos por enquanto, é indomável (o governo já se move com ações concretas para controlar a rede, também, num curto prazo), você pode assistir o referido vídeo abaixo (até que nós também sejamos amordaçados). Assista com atenção, e trema:



Enquanto isso, os líderes da Igreja de Cristo estão muito ocupados promovendo ações em prol do ecumenismo, do diálogo fraterno com todas as religiões, da abertura cada vez mais ampla e irrestrita para o mundo, na garantia do direito de liberdade religiosa do indivíduo... Oremos, irmãos, porque algo grande está para acontecer, e não será nada fácil suportar os anos que estão por vir.

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Fonte:
Artigo "Da Rainha ao Califa: a islamização do Reino Unido", do site "O Catequista", disponível em:
http://ocatequista.com.br/archives/13943
Acesso 18/9/014
ofielcatolico.com.br

Sobre templos e falsos profetas

Heim?!

ESTE ARTIGO tem somente a intenção de esclarecer minimamente aos fiéis católicos a respeito do tal "templo de Salomão" inaugurado recentemente em São Paulo, mais uma farsa religiosa dos nossos tempos e mais uma punhalada no cristianismo, já tão deturpado pelas seitas.

1. Não existe nem poderá existir "Templo de Salomão" algum desde 587 aC, quando o Templo do SENHOR, construído pelo Rei Salomão, foi incendiado pelos babilônios. Este era o chamado Primeiro Templo dos judeus.

2. Nem mesmo no tempo de Jesus havia um "Templo de Salomão". Havia sim, o Segundo Templo, construído pelos judeus que voltaram do Exílio de Babilônia entre 537–515 aC. Foi nesse Templo, reformado, ampliado e embelezado por Herodes Magno, que Jesus nosso Senhor pregou. Foi sobre esse Templo que Ele afirmou tratar-se de uma imagem Dele próprio, morto e ressuscitado: "Destruí este Templo e em três dias Eu o edificarei!".

3. O Templo de Salomão em si não tem significado algum para o cristianismo. Também não pode ser reconstruído, pois já não seria o Templo "de Salomão", mas o de outra qualquer pessoa: no caso, um outro "rei"! O que se construiu em São Paulo foi um simplesmente um "Edifício em honra e glória ao empresário Edir Macedo"; nem mais nem menos.

4. Quanto ao Templo dos judeus, somente poderia ser construído sobre o Monte do Templo, chamado Monte Moriá, em Jerusalém. Os judeus nunca reconstruíram o seu Templo por isso: porque ali já estão erguidas duas mesquitas muçulmanas.

5. Os cristãos jamais poderão ou deverão reconstruir Templo judaico algum! Isto é negar Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a nossa Nova e Eterna Aliança em Deus, e voltar ao Antigo Testamento.

6. Templo e Arca já não têm sentido algum no cristianismo. Mais ainda: não passam, puramente, de vazias falsificações que ofendem a reta consciência cristã e desrespeitam até mesmo os próprios judeus, imitando de modo grosseiro e falseando de modo superficial o real significado dos seus símbolos religiosos. E como a Bíblia Sagrada é perenemente profética, já havia alertado sobre estas e outras heresias desde os tempos antigos:

"Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Sião. E dar-vos-ei pastores segundo o Meu Coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência. E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias, diz o SENHOR, nunca mais se dirá: 'A Arca da Aliança do SENHOR', nem ela lhes virá mais ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão nem se fará outra."
(Jeremias 3, 14-17)

É uma pena ver como o charlatanismo, a ignorância e o grotesco prosperam em certas expressões heterodoxas de alegado "cristianismo". E tudo por conta da ignorância e da falta de bom senso de toda uma população insensata.

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• Adaptado do artigo "O Templo Paulista 'de Salomão'", de Dom Henrique Soares, Bispo de Palmares, disponível em:
http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=3179
Acesso 23/8/014
ofielcatolico.com.br

O Sacrifício da Santa Missa tem por Sacerdote o Próprio Jesus Cristo (Excelências da Santa Missa – II)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
DEPOIS DE DIZER que o Sacrifico da Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz, e não uma cópia, era de imaginar que não se poderia encontrar prerrogativa melhor. O que o torna, entretanto, mais sublime é o fato de ter como Sacerdote o próprio Deus feito homem(!).

Três coisas, certamente, são para considerar no santo Sacrifício: o Sacerdote que oferece; a Vítima oferecida; a Majestade divina, a Quem se oferece. Ora, três considerações: o Sacerdote, que oferece, é um Homem-DEUS, JESUS CRISTO: a vítima é a Vida de um DEUS; e não se oferece a outrem senão a DEUS.

Reanimai, portanto, a vossa fé, e reconhecei, no padre que celebra, a Pessoa adorável de Nosso Senhor JESUS CRISTO. É Ele o principal oferente, não só porque instituiu este santo Sacrifício, e lhe dá, por seus méritos, a eficácia, mas porque se digna, em cada Santa Missa e para nosso benefício, mudar o pão e o vinho em seu santíssimo Corpo e preciosíssimo Sangue.

Eis porque a maior excelência da Santa Missa consiste em ter por Sacerdote um DEUS feito Homem. E quando virdes o celebrante no altar, sabei que sua maior dignidade é ser o ministro deste Sacerdote invisível e eterno, que é nosso Redentor. Daí vem que o Sacrifício não deixa de ser agradável a DEUS, ainda que o padre celebrante seja um pecador, visto que o principal oferente é CRISTO Nosso Senhor, e o padre seu simples representante.

Do mesmo modo, aquele que dá esmola pela mão dum servidor, é verdadeiramente o principal autor do benefício, e ainda que o servo fosse um pecador, se o patrão é um justo, a esmola é santa e é meritória. Bendito seja DEUS que nos deu um Sacerdote infinitamente santo, a própria Santidade, o qual oferece ao PAI Eterno este divino Sacrifício, não só em todo lugar, pois hoje a fé está difundida em toda parte, mas também em todo tempo, todos os dias e mesmo a toda hora. Graças a DEUS, o sol se levanta para outras regiões, quando para nós desaparece. A toda hora, portanto, em qualquer parte da Terra, este Santíssimo Sacerdote oferece seu Corpo, seu Sangue, todo o Ser ao PAI, por nós, e o faz tantas vezes quantas Missas se celebram em todo o Universo.

Que tesouro imenso! Que mina de inestimáveis riquezas possuímos na Igreja de DEUS! Felizes de nós se pudéssemos assistir devotamente a todas as Santas Missas! Que capital de méritos amontoaríamos! Que abundância de graças nesta vida, e que grau de glória na outra nos proporcionará a devota e amorosa assistência a tantas Santas Missas!

Mas que digo? Assistência? Os que assistem à Santa Missa não fazem apenas o ofício de assistentes, mas também o de celebrantes e pode-se chama-los sacerdotes: Fecisti nos DEO nostro regnun et sacerdotes (Ap 5,10). O sacerdote que oficia é como o ministro público da Igreja inteira, é o mediador de todos os fiéis, e especialmente daqueles que participam da Santa Missa, junto do Sacerdote invisível que é JESUS. Com CRISTO, ele oferece ao Eterno PAI, em seu Nome e em nome de todos, o resgate precioso da Redenção dos homens. Não está, porém, sozinho nesta santa função. Todos os que assistem à Santa Missa concorrem com ele no oferecimento do Sacrifício. Assim, voltado para os fiéis, o sacerdote diz: Orate, fratres, ut meum ac vestrum Sacrificium acceptabile fiat: “Orai, meus irmãos, para que o meu Sacrifício, que é também o vosso, seja agradável a DEUS”.

Estas palavras, que o sacerdote profere, é para nos dar a entender que, conquanto desempenhe ele o papel de ministro principal, todos, que ali assistem, com ele oferecem a grande Vítima. Quando assistis à Santa Missa, fazeis, portanto, de certo modo, o ofício de sacerdote. Que dizeis agora? Ousaríeis ainda assistir à Santa Missa tagarelando, olhando para um e outro lado, e contentando-vos de recitar, bem ou mal, umas preces vocais, sem levar em conta o ofício de tanta responsabilidade que exerceis, o ofício de sacerdote?

Ah! não posso evitar de exclamar aqui: Ó mundo insensato, que nada compreende de tão augustos mistérios. Como é possível permanecer ao pé dos Altares com o espírito distraído e o coração dissipado, num momento em que os Anjos e os Santos se absorvem em admiração e temor à vista de tão maravilhosa obra!

** Ler o terceiro capítulo

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
http://www.ofielcatolico.com.br/

Análises do nome de S. Pedro Apóstolo e da passagem de Mateus 16,18




NO ARAMAICO, temos duas palavras que designam os materiais rochosos:

1. Evna = Pedra;

2. Kepha ou, transliterado para o grego, Cefas = Rocha.


Em grego, assim como no aramaico, temos também duas palavras:

1. Lithos (λίθος), = Uma pedra pequena;

2. Petra (πέτρᾳ) = Rocha maciça; grande pedra (que é o equivalente de kepha).


Na Sagrada Escritura lemos como Jesus deu um nome novo ao pescador que se chamava Simão, e este nome foi Kepha (no aramaico original, em que Jesus e seus discípulos se comunicavam, e no qual certamente foi escrito originalmente o Evangelho segundo Mateus), transliterado como Cefas, que na tradução para o grego ficou Petrus, como podemos ver no Evangelho segundo João 1,42:

“Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado Cefas' (que quer dizer Pedro).”

É importante saber que em aramaico não há gênero, mas em grego sim. Por isso a palavra Petra, que é o equivalente a Kepha (Cefas) foi masculinizada para dar nome a um homem, o que deu origem a Petrus (e por fim a 'Pedro', no português), – mas o significado do nome, evidentemente, permaneceu o mesmo (rocha ou pedra grande); se uma tradução alterasse o significado do que foi dito, isto seria uma deturpação fundamental do sentido da fala do Senhor Jesus Cristo.

Esta realidade muito básica é atestada em todo o estudo formal e acadêmico das Sagradas Escrituras, inclusive nos principais léxicos protestantes, como podemos ver abaixo (grifos nossos).

• Concordância Strong:

"4074 – πετρος – Petros; Pedro = uma rocha ou uma pedra; 1) um dos doze discípulos de Jesus."

• Friberg, Analytical Greek Lexicon

Πέτρος, ου, ὁ – Pedro, nome próprio masculino dado como um título descritivo para Simão, um dos apóstolos (Mc 3,16); o significado do nome, 'a pedra', é provavelmente o equivalente grego de uma palavra aramaica transliterada como Κηφᾶς [Kephas – João 1,42].”

• Thayer, Greek Lexicon of NT

Πέτρος, Πέτρου, ὁ – Um nome próprio apelativo, o que significa 'uma pedra'; 'uma rocha'; 'rochedo'.”


Estamos tratando de um fato claríssimo. Não há polêmica ou discordância, ao menos entre estudiosos sérios, até aqui.

Outra nuance a ser observada é que na tradução para a língua portuguesa, a diferença entre "Pedro" (nome próprio) e "Pedra" (substantivo) não permite acentuar a força do original aramaico ou da tradução para o grego, nas quais são usadas palavras, tanto para o nome quanto para o objeto, que designam explicitamente a materialidade da rocha. O Concordância Strong, que é um dos léxicos bíblicos mais utilizados pelos protestantes brasileiros, define expressamente que Cefas ou Kepha significa "Rocha". Vejamos a citação literal (a tradução entre colchetes é nossa):

“03710 כף (Keph) – Procedente de 3721, grego 2786 – κηφας [Cefas]; DITAT – 1017; n m; – 1) Rocha; cavidade duma rocha.”


Mais uma vez, portanto, comprovamos que todos os principais especialistas, – católicos e não católicos, – confirmam que o nome de Pedro significa “Rocha” ou “Pedra” (com sentido genérico, sem definição de tamanho), sendo que na Bíblia Sagrada abundam as passagens que dão a Pedro o nome “Cefas”:

"Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso," (1Cor 3,22)

"Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros Apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?" (1Cor 9,5)

"E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a Graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;" (Gl 2,9)


Entretanto, para a confusão e o desespero dos "evangélicos" mais radicais, que sustentam a estapafúrdia ideia de que na passagem de Mateus 16,18 Jesus teria se afirmado a si mesmo como Rocha e a Pedro como "pedrinha", – e, mais além, que essa suposta diferença conteria em si um importante significado teológico, – o texto literal da Bíblia também chama o próprio Senhor e Deus, Jesus Cristo em Pessoa, de “Lithos”; – a mesma palavra em gênero, número, grau e declinação que é usada para chamar as pedras que seriam arremessadas contra a mulher adúltera (cf. Jo 8,7) e das pedras que tomaram os incrédulos para atirar (pequenas, portanto) contra Jesus (cf. Jo 8,59):

Ὡς δὲ ἐπέμενον ἐρωτῶντες αὐτόν, ἀνακύψας εἶπεν πρὸς αὐτούς, Ὁ ἀναμάρτητος ὑμῶν, πρῶτον ἐπ᾽ αὐτὴν τὸν λίθον βαλέτω." (Jo 8,7)

Na tradução:

“Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.”


E novamente a mesma palavra, com o mesmo significado (aqui no plural):

"Ἦραν οὖν λίθους ἵνα βάλωσιν ἐπ᾽ αὐτόν· Ἰησοῦς δὲ ἐκρύβη, καὶ ἐξῆλθεν ἐκ τοῦ ἱεροῦ, διελθὼν διὰ μέσου αὐτῶν·" (João 8, 59)

Na tradução:

“Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”


Por fim, vemos a mesmíssima palavra sendo usada com sentido completamente diferente:

“Ὡς δὲ ἐπέμενον ἐρωτῶντες αὐτόν, ἀνακύψας εἶπεν πρὸς αὐτούς, Ὁ ἀναμάρτητος ὑμῶν, πρῶτον ἐπ᾽ αὐτὴν τὸν λίθον βαλέτω” (1Pd 2,4)

Na tradução:

“Achegai-vos a ele, Pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus.”


Seria também Jesus uma "pedrinha", e não a grande Rocha da Salvação? Ou será que os fariseus e incrédulos tomaram rochas enorme para atirar contra a mulher adúltera e contra Jesus? A Bíblia não diz que eles tinham superforça...

O que fica inquestionavelmente demonstrado é que o texto sagrado usa a palavra traduzida como pedra sem distinção de tamanho ou de importância, como querem fazer parecer alguns. Não existe base ou sustentação alguma para se afirmar que “Petrus” signifique “pedra pequena”, pelo contrário: para especificar o tamanho a Bíblia utiliza outra palavra (a saber, lithos ou lithon), e mesmo assim isso não designa maior ou menor importância. A Primeira Carta de Pedro revela ainda mais:

"καὶ αὐτοὶ ὡς λίθοι ζῶντες οἰκοδομεῖσθε οἶκος πνευματικός, ἱεράτευμα ἅγιον, ἀνενέγκαι πνευματικὰς θυσίας εὐπροσδέκτους τῷ θεῷ διὰ Ἰησοῦ χριστοῦ" (1Pd 2,5)

Na tradução:

"Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo."


Mais uma vez, vemos que a mesma palavra, lithos, usada para Jesus (em 1Pd 2,4), é utilizada (no mesmo grau e gênero) para os demais cristãos. E, por incrível que pareça, mesmo assim, ainda existem "pastores" que insistem em alegar que o termo "rocha" ou "pedra" só pode ser utilizado para Jesus! São estes os grandes conhecedores da Bíblia que muitos andam seguindo...



Em outras passagens das Sagradas Escrituras, Jesus igualmente é chamado Petra, assim como Pedro (Petrus). Isto, entretanto, não tira a magnitude nem a exclusividade do Cristo como nossa única e maior Rocha da Salvação, – e nem da especial função de Pedro como Rocha da Unidade da Igreja, como reflexo ou imitação daquele que é seu Deus, Senhor e Mestre. Afinal, é isto que todo cristão deve ser: reflexo e imitação de Cristo. Tanto mais aquele que foi escolhido diretamente pelo Senhor para guiar o seu rebanho (cf. Jo 21, 15-17).

Aqui finalizamos a explicação sobre o nome de Pedro, e partimos para a apreciação aprofundada da passagem do Evangelho de Mateus (16,18) que é o tema central deste estudo e que, vista assim de perto, talvez surpreenda a muitos.


A tradução literal e fiel de Mateus 16,18: palavras que fazem toda a diferença

Com variações mínimas entre versões e edições, o que Nosso Senhor Jesus Cristo diz a Simão filho de Jonas, traduzido para o português (atenção para o trecho em negrito), é:

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”


Em Grego, o texto é o que segue abaixo, com as mesmas palavras destacadas em negrito:

“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳοἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς”


Vejamos no aramaico, – a língua original e primária deste Evangelho, – este mesmo trecho que destacamos em negrito (cf. Bíblia Peshita, tradução do grego para o aramaico do séc. V – lê-se da direita para a esquerda):


Veja que em aramaico não há diferença entre "Pedra" ou "Rocha" e o nome de Pedro


Agora analisaremos de modo especial duas palavras nesta frase, as quais fazem toda a diferença no sentido da expressão e que são literalmente o que chamamos de palavras-chave. Trataremos, a partir daqui, do que vai encerrar definitivamente a questão. Voltemos ao mesmo trecho escrito em grego:

“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳοἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς”

Note bem as duas palavras em negrito (ταύτῃ τῇ) que praticamente todas as versões (tanto católicas quanto protestantes) traduzem simplesmente pelo pronome demonstrativo “esta”. – O que não é errado, mas pode ser insuficiente para que os homens de mente fraca ou má vontade compreendam, no português, exatamente o que está sendo dito no idioma original, especialmente quando em torno do assunto se procura criar polêmica. Vejamos...

ταύτῃ (tauth) é o dativo feminino de οὗτος (outós), e sua tradução mais simples realmente seria “esta”, neste caso servindo para dar ênfase a algo previamente mencionado. τῇ (th) é também dativo feminino e o artigo da frase, ou seja, sua tradução seria “a”, como quando se diz "a" pedra, que não é o mesmo que dizer "uma" pedra. Se eu digo "a" pedra, estou me referindo a uma pedra específica, e se digo "uma" ou "alguma" pedra, estou me referindo a uma pedra qualquer, não específica. Ocorre, então, que as duas palavras juntas (ταύτῃτῇ) conferem o sentido de “esta mesma”; “esta própria”.

Sim... Então, juntando o nome de Pedro, que foi previamente confirmado como Petra (Pedra ou Rocha, conforme atestado também nos léxicos protestantes, como vimos) podemos e, de fato, deveríamos, traduzir Mateus 16,18 da seguinte forma:

“Tu és Pedra e sobre esta mesma Pedra Eu edificarei a minha Igreja.”

Ou, ainda:

“Tu és Rocha e sobre esta mesma Rocha Eu edificarei a minha Igreja.”


Percebe agora, caro leitor, como a questão não é tão complexa como alguns querem fazer parecer? Como é perfeitamente possível comprovar o sentido real e insofismável do que a Bíblia realmente diz no Evangelho segundo Mateus, simplesmente prestando atenção ao que ali está escrito?


O Príncipe dos Apóstolos com as Chaves, Basílica de S. Pedro, Vaticano

A Pesca Milagrosa, por Rafael Sanzio (1483-1520)

Libertação de S. Pedro, por Bartolomé Esteban Murillo (1617 - 1682)

Aqui, uma pergunta que se poderia fazer, com certa justiça, seria: “Por que as Bíblias (especialmente as católicas) não trazem a tradução dada acima, que seria mais precisa e fiel ao texto original?”. E a resposta muito, muito simples, é esta: porque na tradução culta (e uma tradução da Bíblia precisa ser culta), o artigo (τῇ – th), do grego, depois de um pronome demonstrativo não precisa ser traduzido, pois está subentendido. Logo se traduz, comumente, somente o “esta”, e o sentido continua o mesmo.

Exemplificando, seria exatamente o mesmo caso, prezado leitor, se eu lhe dissesse: "você está usando gravata, e eu lhe digo que esta gravata é azul". Evidentemente, a gravata azul tem que ser a que você está usando, que eu mencionei antes, na mesma frase, e o complemento "mesma" é totalmente desnecessário numa asserção assim. Mais do que desnecessário, tornaria a frase até estranha: "você está usando uma gravata, e eu lhe digo que esta mesma gravata é azul".

Mesmo assim, São Jerônimo traduziu a passagem em questão, para o latim, com os seguintes termos: "Tu es Petrus et super hanc Petram aedificabo Ecclesiam meam”: o trecho em negrito seria igualmente traduzido por “sobre esta mesma Rocha", pois o "hanc" no latim tem igualmente o sentido de “esta mesma” ou “esta própria”. São Jerônimo, que falava fluentemente o grego koiné (bíblico), sabia muito bem o sentido real da passagem. Quando ele traduziu a vulgata, o koiné ainda era uma língua viva.

Finalizando, para que não fique realmente nenhuma dúvida a respeito das duas palavras que fazem toda a diferença, demonstraremos o fato de que ταύτῃ + τῇ têm o sentido literal de “esta mesma” usando a tradução protestante de João Ferreira de Almeida. – Como vimos, a maioria das passagens que contém estas duas palavras juntas não são assim traduzidas, simplesmente porque usando-se somente o pronome demonstrativo "esta" o sentido fica já claro, como no exemplo da gravata acima.

Então, abaixo, utilizamos a tradução de João Ferreira de Almeida, apenas para esgotar definitivamente a questão. O texto a ser analisado é o do versículo 23 do capítulo 27 do Livro dos Atos dos Apóstolos:

No grego:

"παρέστη γάρ μοι ταύτῃ τῇ νυκτὶ τοῦ θεοῦ, οὗ εἰμι [ἐγώ] ᾧ καὶ λατρεύω, ἄγγελος" (Atos 27,23)

Aí estão, novamente destacadas em negrito, exatamente as mesmas duas palavrinhas usadas por Jesus Cristo em Mateus 16,18. Pois bem, vamos à tradução de João Ferreira de Almeida ('Corrigida e revisada fiel') desta passagem:

"Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo." (Atos 27,23)


Aqui está o link para conferência. Por tudo o que vimos até aqui, podemos dizer com toda a clareza, cabeça erguida, em alto e bom tom e sem nenhum medo de errar, a quem quiser ouvir: PEDRO É A ROCHA sobre a qual o Senhor Jesus Cristo edificou a sua Igreja (e não 'as suas igrejas'), porque foi a este Apóstolo, e somente a ele, a quem o Senhor pessoalmente disse, exatamente nestes termos:

“TU ÉS ROCHA E SOBRE ESTA MESMA ROCHA EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA.” (Mt 16,18)


Encerro este estudo em duas partes com um convite a uma breve reflexão. O fato simples, óbvio e concreto, para todo homem e mulher de boa vontade, é que não é preciso se perder em estudos linguísticos complexos nem em traduções de línguas estrangeiras antigas para compreender toda a questão. Além de toda a evidência gramatical, linguística e filológica, a própria estrutura da narração do Evangelho segundo Mateus (no cap. 16, vs. de 15 a 19) não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja, de modo algum. Para confirmá-lo basta observar a forma na qual se estrutura o texto! Haveria algum sentido em Jesus dizer uma frase mais ou menos assim: “Bendito és tu, Simão, pois não foi a carne nem o sangue que te revelaram este Mistério, mas meu Pai, que está nos Céus. Por isso, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre esta Pedra, que sou Eu mesmo, edificarei a minha Igreja... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu”!?..

Querido leitor protestante/evangélico, será que isso realmente faz algum sentido para você?

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E quem tem entendimento para entender, entenda. Deus Pai, Filho e Espírito Santo nos guarde e salve no último dia.


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Bibliografia:

• MALZONI, Cláudio Vianney. 25 Lições de Iniciação ao Grego do Novo Testamento, São Paulo: Paulinas, 2009.

• RUSCONI, Carlo. Dicionário de Grego do Novo Testamento, São Paulo: Paulus 2003.

• STRONG, James. Exaustiva Concordância – Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.

• FRIBERG, Analytical Greek Lexicon.

• THAYER, Greek Lexicon Of NT.

Com RODRIGUES, Rafael. Apologistas Católicos: Pedro, a Rocha. (Parte I). Disponível em: 
http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/papado/483-pedro-a-rocha-parte-i
Acesso: 17/8/014
ofielcatolico.com.br

Dom Antonio Keller: “Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas…”

Por Bíblia Católica News, com Veritatis Splendor


POBRES DOS FIÉIS católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo-liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada. Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de 'inculturação litúrgica', mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras. Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado 'espírito do Concílio' que na verdade, de conciliar nada tem… Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica. Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades.

A 'nobre simplicidade' apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um 'pobretismo' litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso. Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Litúrgicas é acusado de rubricista. Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”. Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor.”

Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen, RS


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Fonte: 
Biblia Católica News, disponível em:
Acesso 17/9/014


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O que Perdemos... e o Caminho para a Restauração



Alguns abusos Litúrgicos na Missa Nova

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Os dogmas da Igreja e os do espiritismo

UM LEITOR, identificado como "Paulo", enviou-nos, no post "Quem foi Chico Xavier?" a mensagem que publicamos abaixo:

Acho que o principal beneficio do espiritismo é que não nos são impostos Dogmas . O Espiritismo diz que :'Não há salvação , fora da caridade', não temos a necessidade de atacar nossos irmãos que pensam diferente. O tempo que é perdido por muitos tentando desmascarar crenças contrárias as suas , é um pecado , pois poderia ser empregado de maneira mais útil e edificante.




Prezado Paulo, agradecemos pelo interesse em compartilhar conosco a sua opinião, e pela confiança depositada em nosso modesto apostolado. Você nos dá a oportunidade de esclarecer dúvidas que certamente são as mesmas de muitas outras pessoas. Vejamos...

Em primeiro lugar, o seu comentário deixa claro que você não compreende o significado da palavra "dogma". Permita-me esclarecê-lo: dogma, para o cristão (e não só para ele), é um princípio de fé, que é aceito por todos aqueles que aderem à Igreja de Cristo. O Catecismo o define perfeitamente, nos seguintes termos:

Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé, que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé. (CIC§89)

Se você prefere uma definição desvinculada da doutrina da Igreja (creio que sim), o dicionário Aurélio define dogma da seguinte maneira: "Ponto fundamental de doutrina religiosa ou filosófica, apresentado como certo". Muito simples. O primeiro dos 43 dogmas da Igreja, por exemplo, afirma simplesmente que Deus existe. Ora, se você não crê em Deus, não pode ser considerado cristão, para começar! Imagine alguém dizendo: "Não acredito em Deus mas sou cristão, porque faço caridade!"...

Consegue entender para que servem os dogmas, e porque eles são realmente necessários? É para preservar a coerência e a legitimidade da fé que eles existem. Ora, desde o início do cristianismo, já nos seus primeiríssimos tempos, surgiram doutrinas estranhas no seio da Igreja, com a difusão de ideias contrárias àquilo que o Senhor disse, fez e ensinou, como por exemplo o gnosticismo, o arianismo, o macedonismo, o monofisismo, o monocletismo, etc. Infelizmente, assim permanece até hoje, sendo a maior heresia dos nossos tempos (segundo o Papa Bento XVI a maior heresia que já existiu) a chamada "'teologia' da libertação", que não renega um, mas praticamente todos os dogmas da fé.

Assim, para que a pureza da fé fosse preservada – para salvaguardar a autêntica doutrina da Igreja – fez-se necessário definir e determinar, simplesmente, o que é cristianismo e o que não é. A este conjunto de verdades chamamos "dogmas".


† † †

Esclarecido este primeiro ponto essencial, observando o seu comentário, a segunda evidência que se impõe, e que você não percebe, é que (atenção) toda religião e/ou filosofia espiritualista/religiosa organizada tem os seus próprios dogmas; inclusive o seu espiritismo! Não? Vejamos...

Existe espírita que não crê em reencarnação? Não. Quem não crê em reencarnação não é espírita, porque a reencarnação é, sim, um princípio fundamental da doutrina espírita. Em outras palavras, é um fundamento do espiritismo, dado como certo, e somente depois de aceitá-lo é que alguém pode ser considerado espírita. Fato 1.

O mesmo podemos dizer da crença na "evolução do espírito" através de uma sucessão de reencarnações, da mediunidade, da psicografia, dos planos espirituais superiores e inferiores, dos "espíritos de luz" e dos "espíritos obsessores", etc, etc. Tudo isso, para o espírita, é princípio de fé; ou seja, tudo isso é, – sim senhor, – dogma espírita. Se alguém se declarar espírita e afirmar que não existe mediunidade, por exemplo, estará na realidade "inventando" uma nova seita, diferente do espiritismo realmente existente. Fato 2.

Então, quando você diz que o benefício do espiritismo é não ter dogmas, você está, – digo com todo o respeito que lhe devo, – falando uma grande bobagem. Ocorre que toda religião tem os seus próprios dogmas, mesmo que não os chame com esse nome. Ponto.

Finalizando este assunto, hoje até alguns dos maiores homens de ciência do mundo reconhecem que também a ciência tem os seus próprios dogmas, sem os quais o estudo da física e da astronomia, por exemplo, se tornariam impossíveis. A ideia de que “cientista não têm fé” é completamente falsa. Em alguns casos, certas teorias científicas são recheadas de dogmas, precisando até do que chamam de um “salto de fé”. Isso não significa algum problema com a ciência, e sim que a ciência depende de seres humanos, depende da mente humana para ser compreendida, e a mente humana depende de certos processos para funcionar bem. Os teóricos do Multiverso, por exemplo, surgem com explicações cada vez mais infundadas para justificar a sua na teoria. Da mesma maneira, o polêmico Richard Dawkins age unicamente movido pela em sua própria ideia do "gene egoísta" e na "memética". E isso é natural; afinal, ele é humano. O método científico não depende da fé; o cientista, sim.

Passando ao outro assunto da sua mensagem, não, a Igreja não "impõe", como você diz, os seus dogmas, para absolutamente ninguém, até porque ela não tem esse poder. Ninguém é obrigado a ser católico; o indivíduo escolhe entre aderir ou não à fé, e nem poderia ser diferente. A Igreja é uma casa de portas abertas, que acolhe quem entra por ela. Agora, para entrar e integrar essa Igreja é preciso crer no que ela crê, compartilhar da fé que ela preserva há dois mil anos. Eu não posso entrar e querer mudar tudo conforme a minha vontade, os meus "achismos", as minhas interpretações particulares. Mais uma vez, muito simples.

Por fim, não estamos naquele artigo ou aqui tentando "desmascarar uma crença", como você diz. Muito simplesmente apresentamos uma coletânea de provas concretas que demonstram um outro lado (geralmente desconhecido do grande público) do Sr. Francisco Cândido Xavier, que com o passar do tempo foi sendo mitificado na imaginação popular, tornando-se um personagem fictício, com intenso apoio da mídia. Isto não é "tempo perdido"; – trata-se de esclarecer a verdade, e conhecer a verdade é um benefício imenso para o ser humano. Esta sim, é a verdadeira e possível "evolução do espírito". Em última análise, buscar a Verdade é buscar Deus, e encontrar a Verdade é encontrar Deus. Jesus Cristo diz, nas Sagradas Escrituras: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8,32).

É este nosso papel e nosso dever enquanto cristãos. Esclarecer, na medida das nossas possibilidades, a verdade, iluminar o caminho, dissipar as dúvidas, esclarecer àqueles que andam perdidos, iludidos por charlatães e falsos profetas, errando em doutrinas falsas... Isto não é pecado, ao contrário. É útil e edificante para todos. Mais do que isso, é necessário.

Que a Luz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo o ilumine
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