O Sacrifício da Santa Missa tem por Sacerdote o Próprio Jesus Cristo (Excelências da Santa Missa – II)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
DEPOIS DE DIZER que o Sacrifico da Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz, e não uma cópia, era de imaginar que não se poderia encontrar prerrogativa melhor. O que o torna, entretanto, mais sublime é o fato de ter como Sacerdote o próprio Deus feito homem(!).

Três coisas, certamente, são para considerar no santo Sacrifício: o Sacerdote que oferece; a Vítima oferecida; a Majestade divina, a Quem se oferece. Ora, três considerações: o Sacerdote, que oferece, é um Homem-DEUS, JESUS CRISTO: a vítima é a Vida de um DEUS; e não se oferece a outrem senão a DEUS.

Reanimai, portanto, a vossa fé, e reconhecei, no padre que celebra, a Pessoa adorável de Nosso Senhor JESUS CRISTO. É Ele o principal oferente, não só porque instituiu este santo Sacrifício, e lhe dá, por seus méritos, a eficácia, mas porque se digna, em cada Santa Missa e para nosso benefício, mudar o pão e o vinho em seu santíssimo Corpo e preciosíssimo Sangue.

Eis porque a maior excelência da Santa Missa consiste em ter por Sacerdote um DEUS feito Homem. E quando virdes o celebrante no altar, sabei que sua maior dignidade é ser o ministro deste Sacerdote invisível e eterno, que é nosso Redentor. Daí vem que o Sacrifício não deixa de ser agradável a DEUS, ainda que o padre celebrante seja um pecador, visto que o principal oferente é CRISTO Nosso Senhor, e o padre seu simples representante.

Do mesmo modo, aquele que dá esmola pela mão dum servidor, é verdadeiramente o principal autor do benefício, e ainda que o servo fosse um pecador, se o patrão é um justo, a esmola é santa e é meritória. Bendito seja DEUS que nos deu um Sacerdote infinitamente santo, a própria Santidade, o qual oferece ao PAI Eterno este divino Sacrifício, não só em todo lugar, pois hoje a fé está difundida em toda parte, mas também em todo tempo, todos os dias e mesmo a toda hora. Graças a DEUS, o sol se levanta para outras regiões, quando para nós desaparece. A toda hora, portanto, em qualquer parte da Terra, este Santíssimo Sacerdote oferece seu Corpo, seu Sangue, todo o Ser ao PAI, por nós, e o faz tantas vezes quantas Missas se celebram em todo o Universo.

Que tesouro imenso! Que mina de inestimáveis riquezas possuímos na Igreja de DEUS! Felizes de nós se pudéssemos assistir devotamente a todas as Santas Missas! Que capital de méritos amontoaríamos! Que abundância de graças nesta vida, e que grau de glória na outra nos proporcionará a devota e amorosa assistência a tantas Santas Missas!

Mas que digo? Assistência? Os que assistem à Santa Missa não fazem apenas o ofício de assistentes, mas também o de celebrantes e pode-se chama-los sacerdotes: Fecisti nos DEO nostro regnun et sacerdotes (Ap 5,10). O sacerdote que oficia é como o ministro público da Igreja inteira, é o mediador de todos os fiéis, e especialmente daqueles que participam da Santa Missa, junto do Sacerdote invisível que é JESUS. Com CRISTO, ele oferece ao Eterno PAI, em seu Nome e em nome de todos, o resgate precioso da Redenção dos homens. Não está, porém, sozinho nesta santa função. Todos os que assistem à Santa Missa concorrem com ele no oferecimento do Sacrifício. Assim, voltado para os fiéis, o sacerdote diz: Orate, fratres, ut meum ac vestrum Sacrificium acceptabile fiat: “Orai, meus irmãos, para que o meu Sacrifício, que é também o vosso, seja agradável a DEUS”.

Estas palavras, que o sacerdote profere, é para nos dar a entender que, conquanto desempenhe ele o papel de ministro principal, todos, que ali assistem, com ele oferecem a grande Vítima. Quando assistis à Santa Missa, fazeis, portanto, de certo modo, o ofício de sacerdote. Que dizeis agora? Ousaríeis ainda assistir à Santa Missa tagarelando, olhando para um e outro lado, e contentando-vos de recitar, bem ou mal, umas preces vocais, sem levar em conta o ofício de tanta responsabilidade que exerceis, o ofício de sacerdote?

Ah! não posso evitar de exclamar aqui: Ó mundo insensato, que nada compreende de tão augustos mistérios. Como é possível permanecer ao pé dos Altares com o espírito distraído e o coração dissipado, num momento em que os Anjos e os Santos se absorvem em admiração e temor à vista de tão maravilhosa obra!

** Ler o terceiro capítulo

___

Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
http://www.ofielcatolico.com.br/

4 comentários:

  1. Com certeza a Santa Missa é a oração mais importante do mundo, por isso participemos da mesma, com fé, amor, respeito e devoção.

    ResponderExcluir
  2. ainda tenho que entender isso, pra mim Jesus morreu por nós e não precisaria mais fazer sacrifício, principalmente fazendo como se ele fosse crucificado novamente, tenho outra duvida também, ter a imagem de Jesus ainda crucificado, não é o mesmo que mostrar que ele não ressuscitou?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Sacrifício da Missa é uma renovação, e não repetição, do Sacrifício de NSJC na Cruz, Michele. Agora honestamente, me diga: ter uma imagem de NSJC como bebê na manjedoura é mostrar que Ele não cresceu e se tornou adulto? Ter uma imagem dEle aqui na terra com os apóstolos é mostrar que Ele não subiu aos céus? Claro que não! Da mesma forma, ter uma imagem de Cristo crucificado não é, de forma alguma, negar que Ele ressuscitou. Usamos essas imagens para nos lembrarmos e termos uma ideia do sacrifício e sofrimento de Nosso Senhor para nos salvar, e não para dizer que a morte é o fim, o que inclusive é contra a própria doutrina católica. A paz de NSJC!

      Excluir
    2. Micheles, de fato o sacrifício de JESUS foi único e não se repete, nós católicos estamos de acordo com os protestantes, porém, o que ocorre na Santa Missa, não é uma repetição do sacrifício de CRISTO na cruz, mas o mesmíssimo sacrifício que atravessa o tempo e o espaço, para que tal sacrifício se torne presente em nossos altares, para daí podermos recolher os frutos de nossa redenção vindas deste único sacrifício que se torna presente ante nossos olhos de maneira incruenta.

      E foi o próprio São Paulo que elevou o banquete eucarístico ao mesmo nível de um banquete sacrifical quanto assim escreveu:

      “16. O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?
      17. Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão.
      18. Considerai Israel segundo a carne: não entram em comunhão com o altar os que comem as vítimas?
      19. Que quero afirmar com isto? Que a carne sacrificada aos ídolos ou o próprio ídolo são alguma coisa?
      20. Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios.
      21. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1º Cor. 11, 16-21).

      Na Bíblia de Jerusalém, sobre o vers. 21 as notas explicativas traz o seguinte: f) Nos vv. 15-18, a comunhão eucarística com Cristo é comparado às refeições sacrificais do AT, em que os fiéis entravam em comunhão com o altar. No v. 21, a mesa eucarística é confrontada com a das refeições sagradas que se seguiam aos sacrifícios gentílicos. Paulo assim coloca nitidamente a eucaristia em uma perspectiva sacrifical.

      E também há uma profecia do profeta Malaquias que também coloca a Santa Missa como Sacrifício ofertado ao SENHOR:

      "Porque, do nascente ao poente, meu nome é grande entre as nações e em todo lugar se oferecem ao meu nome o incenso, sacrifícios e oblações puras. Sim, grande é o meu nome entre as nações – diz o Senhor dos exércitos."(Mal. 1, 11)

      Na Bíblia de Jerusalém, traz a seguinte nota explicativa: c) Malaquias pensa aqui não no culto do “Deus do Céu” (Ne 1, 45s, 2,4, Esd 1,2, 5,11s. 6,9s;
      , 12.21.23; Dn 2,18; 4,34; 5,23) espalhado pelo império persa (cf. Esd 1,2+), culto que ele consideraria dirigido a Iahweh , mas no sacrifício perfeito da era messiânica, O concílio de Trento adotou esta interpretação.

      - See more at: http://ocatequista.com.br/archives/15450#comments

      Excluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$7,00. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail