Indicação de leitura: '1964 - O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista'


HÁ EXATOS CEM anos, o poder na Rússia era tomado pelos bolcheviques. Iniciava-se um dos mais pavorosos regimes de governo da História, impondo o terror tanto contra os seus inimigos quanto também, posteriormente, contra suas próprias fileiras revolucionárias. 

O executor deste terror, a temível polícia política russa, a Cheka, com o passar dos anos transformou-se em NKVD e, finalmente, no notório serviço secreto soviético, a KGB. No final dos anos 1940, o serviço de segurança estatal tchecoslovaco, a StB, discípulo fiel das tradições do Cheka, adotou o mesmo mecanismo de terror. 

A StB, como um punho do partido comunista, primeiramente perseguiu todos aqueles que foram arbitrariamente declarados inimigos da “ditadura do proletariado”; depois, perseguiu também os próprios adeptos do comunismo. 

Uma parte essencial de toda a StB foi o seu serviço de inteligência político: o Diretório I, que realizava suas operações fora das fronteiras da Tchecoslováquia, incluindo o Brasil. Os leitores brasileiros têm o direito de conhecer a verdade de uma história até agora cuidadosamente omitida, a de que os serviços de inteligência dos países comunistas atuaram em nosso país nos anos 1950 e 1960. Os primeiros passos na divulgação desse conhecimento foram dados nas redes sociais, especialmente na página documental StBnoBrasil.Com. Agora, esse conhecimento está organizado e disponível em forma de livro impresso. A obra intitula-se "1964, O Elo Perdido. O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista".

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Famílias exigem que o Congresso remova a promoção da ideologia do gênero da BNCC, mas são ignorados

Não deixe de assistir este vídeo

ABAIXO-ASSINADO PEDINDO a aprovação do regime de urgência na análise do Projeto de Lei nº 4.486/2016, que determina que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) seja avaliada pelo Congresso Nacional, já conta com 76 mil assinaturas até este momento (17/11/2017). Como o professor Felipe Nery explica no vídeo acima (é importantíssimo que você assista), a BNCC pode afrontar o debate e a vontade popular expressas no Plano Nacional de Educação, especialmente no que diz respeito à imposição da ideologia de gênero.

O texto da BNCC traz determinações perigosas para a formação das crianças, tais como “Discutir as experiências corporais pessoais e coletivas desenvolvidas em aula, de modo a problematizar questões de gênero e corpo”(!). Temos hoje uma enorme quantidade de denúncias de situações de crianças sendo constrangidas por professores de modo a aceitar esta ideologia, mesmo contra a vontade expressa dos pais. O constante incentivo a questionar a relação entre "gênero" e corpo pode fazer com que as crianças entrem em conflito consigo mesmas e resultar em sofrimento psíquico pela dissociação da identidade e do corpo.

O texto da BNCC foi entregue em abril de 2017 pelo Ministério da Educação, chefiado pelo ministro Mendonça Filho (DEM), ao Conselho Nacional de Educação, a quem, segundo a legislação atual, cabe aprová-lo. O projeto de lei nº 4.486/2016 é de autoria do deputado Rogério Marinho (PSDB/RN) e o requerimento de urgência, do deputado Diego Garcia (PHS/PR).

** O abaixo-assinado está disponível pelo Citizen GO. Vote aqui, você também, fiel católico!

Enquanto isso, a grande mídia, sem nenhuma vergonha, veicula a informação absolutamente falsa e enganosa de que a visita de Judith Butler, a inventora da ideologia do gênero, teve "manifestações pró e contra"... Assim como na época das maiores manifestações populares da história do nosso país, contra o governo do PT, tentavam de todas as manerias convencer a população de que se tratavam, simplesmente, de manifestações "contra a corrupção", até que a profusão de cartazes e brados de "Fora PT!" não pode mais ser ignorada e eles foram obrigados a reconhecer o óbvio, agora tentam nos convencer de que a população está "dividida" entre os que são contrários e os que são favoráveis à ideologia de gênero. Nada mais falso. Foram mais de 300 mil manifestações contrárias à visita de Butler, contra grupelhos de poucas dezenas que se postaram às portas do SESC para apoiá-la. Não há divisão. A população brasileira, em sua esmagadora maioria, sabe bem o que queer, e não quer ver seus filhos doutrinados nesta ideologia perniciosa. Sigamos o exemplo do Paraguai e expurguemos de nossa nação esta influência "demoníaca", assim como foi chamada, com todas as letras, pelo papa Francisco.

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Ref.:

Visão Católica, 'BNCC: 40 mil querem que congresso analise', disp. em:
http://www.visaocatolica.com.br/2017/10/bncc-40-mil-querem-que-congresso-analise/
Acesso 15/11/2017
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Quem ama, corrige


COMO DEVE O CRISTÃO católico proceder diante de um familiar, um amigo ou mesmo algum colega de estudos ou do trabalho que erra, que está em pecado ou, melhor seria dizer, um que persista no erro, imaginando que acerta (já que errar todos nós erramos, pecar todos pecamos).

Corrigir os erros alheios pode ser muito difícil. Exige coragem, boa vontade, paciência... e principalmente verdadeiro amor fraterno, que é a autêntica caridade cristã.

Como diz o querido padre Francisco Faus em um de seus admiráveis livros (Tornar a Vida Amável, Cultor & Cleofas) "corrigir um amigo –,  com amor e ânimo de ajudar –, é uma das melhores maneiras de compreendê-lo". 

Antes de entrar na análise da questão, entretanto, importa contextualizá-la. Vivemos hoje o pleno apogeu da temível ditadura do relativismo, contra a qual tanto nos advertia o papa Bento XVI e que já foi também condenada por Francisco como "a pobreza espiritual dos nossos dias". 

Vivendo num mundo em que tudo é relativo e tudo se questiona, por todos, o tempo todo, fica muito difícil dizer a um irmão: "Cuidado, não vá cair em tal erro", porque o mundo grita intermitentemente aos nossos ouvidos que absolutamente tudo é relativo e que ninguém possui autoridade para dizer o que é certo e o que é errado.

Mais além, nossa geração é extremamente orgulhosa e pendente para o pecado da soberba. Nossos pais e avós aceitavam com mansidão a reprimenda dos pais, mestres e superiores hierárquicos, diferente de nós. Eu mesmo não podia reclamar dos meus professores do ensino fundamental ou médio para meus pais (a não ser que se tratasse de algum problema realmente grave), porque, se o fizesse, ganharia apenas uma nova reprimenda. Meu dever era respeitar sempre, e me esforçar ao máximo para aprender e me aperfeiçoar, e não criticar aquele(a) cuja função é justamente me ensinar e disciplinar.

Hoje, se um professor adverte uma criança ou adolescente em sala de aula, terá que responder aos pais, que via de regra já têm como premissa que o aluno, em tudo, está certo, e o professor errado (como aconteceu no caso do professor processado em juízo por ter proibido um aluno de usar o celular durante sua aula).

Temos assim, por um lado, que em nossos tempos é muito difícil corrigir alguém, mesmo quando o erro é flagrante. Por outro, que é muito importante saber corrigir. Ninguém gosta de ser repreendido, em especial se a reprimenda for feita publicamente. Ninguém gosta de se sentir desrespeitado e, a não ser que você mesmo seja perfeito, como poderia apontar o dedo para as falhas do seu próximo? Com que autoridade o faria?

Mesmo assim, é um erro comum pensar que, pelo fato de Nosso Senhor ter nos exortado a "não julgar", isto seria motivo para a omissão, isto é, deixar cada um cuidar da própria vida, sem se importar com o bem do próximo ou com a defesa do bem, da verdade, da justiça. Aliás, as passagens em que o Cristo ensina a "não julgar" estão entre as mais desvirtuadas das Sagradas Escrituras, que também nos mostram claramente como nosso Salvador (e antes d'Ele os profetas, até S. João Batista, e depois d'Ele os santos Apóstolos), apontava com clareza todo erro, onde quer que o encontrasse. Assim é que as Epístolas vão insistentemente nos orientar neste sentido:

Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos.
(1Ts 5,14)

Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.
(Gl 6,1)

A cautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se  ele se arrepender, perdoa-lhe.
(Lc 17,3-4)

Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão.
(Gl 6,1).

Especial atenção requer a exortação de S. Judas Apóstolo, por muito precisa: "Procurai convencer os hesitantes (compadecei-vos deles); procurai salvá-los, arrebatando-os do fogo (do Inferno); dos outros, tende misericórdia (sede compassivos), mas com temor, detestando até as vestes contaminadas pela carne" (Judas 22-23).

O resumo de tudo em 4 pontos bem claros. Nosso dever é: 1) proclamar a Verdade do Evangelho; 2) procurar salvar a todos 3); ter misericórdia dos que vagam sem direção, perdidos no erro, sendo compassivos para com eles; 4) mas nada disso exime de manter o temor de Deus, e nem nos desobriga de detestar radicalmente o pecado. Em resumo, devemos ser "imitadores de Deus", amando os pecadores e odiando o pecado.



Muitos confundem as duas coisas: uns são caridosos em excesso, entendendo equivocadamente que, por amarmos os pecadores, deveríamos tolerar também o pecado. Alguns vão tão fundo nesta compreensão espúria que caem no erro ainda mais grave de concluir que até o chafurdar no pecado seria "graça de Deus"...

Outros, seguindo no sentido contrário e igualmente equivocado, por muito odiar o pecado, confundem-no com o próprio pecador, e assim terminam por trocar o Caminho de Cristo por um caminho de ódio e intolerância. Esquecem-se que a Caridade é como que uma das pernas do caminhar do cristão, sendo a outra perna a própria Verdade: se uma das duas falhar, o andar torna-se manco, e em alguns casos o progresso vai se tornar finalmente impossível.

Não basta só a Caridade sem a Verdade. Também os hipócritas e os desonestos são capazes de amar. Já o conhecimento da Verdade, sem a Caridade, será estéril.

Assim como os "bonzinhos" e "politicamente corretos" de plantão dos nossos tempos entendem que seria mais próprio do bom católico "compreender" e concentrar todos os nossos esforços apenas e tão somente em perdoar, relevar e "não julgar"; considerando sempre exclusivamente o lado bom da pessoa, outros comportam-se como fariseus, assentados em seus tronos de hipocrisia e apontando seus dedos duros para todos os lados, como se tivessem já, eles próprios, atingido a perfeição cristã. A solução para o problema está no caminho reto, que não se desvia nem para a direita e nem para a esquerda (Pv 4,11,27).

Nosso Modelo máximo e perfeito, evidente, é o Cristo, e Ele resumiu tudo ao dizer:

Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós. Se ele te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. (Mt 18,15)

Está tudo dito aí, numa única frase:

• Deve o cristão repreender o seu irmão, que caiu ou está em pecado;

• Deve corrigi-lo com caridade e misericórdia, a sós, sem a pretensão de humilhá-lo ou fazer-se superior a ele;

• "Se ele te der ouvidos...": é preciso compreender que aquele irmão pode simplesmente não querer ouvir, não considerar a correção, comportar-se com orgulho e persistir no erro. Nesse caso, não cabe querer forçá-lo e sim, simplesmente, deixá-lo seguir seu próprio caminho, pois quem o julgará é Deus, e não nós, que somos também imperfeitos. Jesus, depois de censurar a pessoa que só enxerga o cisco no olho do irmão, fala mais uma vez do dever de corrigir: "Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mt 7,5);

• "...terás ganho o teu irmão". O objetivo do que corrige não é impor-se, disputar, mostrar que tem razão ou qualquer outra coisa desse tipo, mas sim o bem do outro. É ganhar a sua alma para Cristo e para a vida eterna.

Como vemos, o mesmo Cristo que nos ama e perdoa, sempre de novo e de novo, com infinita Misericórdia (louvado seja, por isto, Nosso Senhor!), manda-nos corrigir, exatamente porque quer sempre o nosso bem. Porque nos ama, não hesita em alertar, em corrigir, em repreender, ainda que isso doa, como fez tantas vezes com seus Apóstolos (cf. Mt 16,23 e 20,25-26), seus amigos mais caros.

Nunca é demais lembrar que identificar e acusar os erros é coisa diferente de julgar. Se eu testemunhasse um assassinato, estupro ou tortura, e dissesse que tudo isso é erro, pecado e crime, estaria "julgando"? Não, por certo. Estaria, isto sim, fazendo uso do discernimento racional mais elementar para identificar um comportamento condenável, e nestes casos extremos seria uma obrigação moral denunciar. Julgar tem mais a ver com condenar pessoas do que os atos cometidos por pessoas.

Quem não é capaz de alertar um irmão que se está a perder é o egoísta indiferente, que só pensa em si e prefere não se meter com os problemas alheios, repetindo o mantra maldito dos que não conhecem a caridade: "Cada um com os seus problemas"... E, quando o outro se complica de vez, naufragando em meio a mil dores e dificuldades, amortece a própria consciência repetindo para sim mesmo que não teve culpa, afinal, "cada um...".

Quem não corrige é porque não ama o suficiente, ou não sabe amar; são os frouxos, os covardes, os "mornos" de quem nos fala o Cristo (Ap 3,15-16). Acham que ser bom é aceitar tudo, porque corrigir pode magoar, provocar alguma dor, algum constrangimento... "Passa por cima" de tudo e tudo tolera. Nunca adverte nem corrige, por medo de magoar ou da reação do outro. É a atitude típica dos sentimentais e covardes, e contra estes disse o Espírito Santo no Livro dos Provérbios: "Melhor é a correção manifesta do que uma amizade falsa" (Pr 27,5).

É muito fácil cair na tentação de olhar só as qualidades, dizer sempre somente as coisas boas, os acertos e as virtudes de um parente, um amigo, um colega, um irmão de fé, e fingir que as falhas não existem. Uma falsa tolerância que mais prejudica do que ajuda. Os tolerantes de araque, que são moles de espírito, acham que corrigir alguém vai "traumatizar" ou "tirar a liberdade" do outro, e assim vão todos ficando igualmente moles. Isto é uma grande tragédia dos nossos tempos.

Lembro-me bem da primeira reunião que tive com Felipe Marques, um valoroso jovem que desempenha um belo papel em nosso apostolado. Num momento da conversa, perguntei a ele: "O que você acha de ser repreendido? Como reage quando alguém aponta alguma falha em alguma coisa que você fez? O que acharia de ter os seus textos corrigidos, ou mesmo parte deles reescritos?"; ao que ele prontamente, olhando nos meus olhos, com verdade e numa atitude de verdadeiro cavalheiro, respondeu: "É o que eu espero! Eu quero ser corrigido, porque quero aprender, e tenho muito que aprender. Aceito toda correção e agradecerei por cada uma delas!".

Naquele momento entendi que estava diante de um verdadeiro fiel católico, um guerreiro de Cristo, um jovem cruzado verdadeiramente disposto a fazer a diferença nesta Igreja combalida. E eu respondi: "Muito bem. Somos homens! Não tenha medo em também me corrigir, quando eu cometer alguma falha".

Já se foram alguns anos desta conversa, e de lá para cá a verdade é que temos aprendido um com o outro, sem falsos orgulhos nem vaidades, mas com o amor fraterno que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo.

Lembremos, por fim, que para corrigir, antes é preciso dar exemplo, e é preciso cultivar um sincero afeto pela pessoa, além de saber perdoá-la no mais íntimo da alma, conscientes de que nós também erramos. É preciso que a motivação e a razão da correção seja sempre o querer o bem do próximo, como quem estende a mão para ajudar.

Pense que não é obstáculo para corrigir com eficácia o fato de sentir dificuldade em fazê-lo. Quase sempre custa falar de um defeito diretamente com o interessado; é natural que soframos com o receio de que – ainda que falemos com carinho – o outro não entenda e possa se melindrar. Rezemos, então, antes de falar, pedindo a Luz e a Fortaleza do Espírito Santo. Coragem! O mundo só terá a ganhar se nós, cristãos, nos corrigirmos fraternalmente, uns aos outros. Lembre-se: por mais difícil que seja, isto é melhor –, infinitamente melhor –, do que calar-se na presença daquela pessoa, para depois criticá-la pelas costas.

Referindo-se aos comodistas, que preferem calar do que corrigir quando é preciso, disse S. Josemaria Escrivá:

Talvez poupem desgostos nesta vida, mas põem em risco a Felicidade eterna – a própria e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados.
(Forja, n. 577)

Nós, Igreja, precisamos de homens e mulheres de verdade, guerreiros da fé valorosos e destemidos, que saibam respeitar, sim e sempre, mas igualmente saibam se posicionar e proclamar quem são, em que creem, pelo que lutam. Rogai por nós, São Miguel, São Jorge, São Sebastião, Santa Joana d'Arc!


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Papa decide encerrar venda de cigarros no Vaticano a partir de 2018


São João XXIII fumava cigarros (a imagem acima mostra, simplesmente, um santo fumando!). São Pio X e Pio XI fumavam charutos, ocasionalmente. O uso do tabaco tornou-se um problema durante as investigações de beatificação de S. José de Cupertino, S. João Bosco e Filipe Néri. Com os dois primeiros, os defensores do diabo argumentaram que a virtude heroica não se aplicava porque usavam tabaco. No caso de Filipe Néri, o exame de seu cadáver durante a investigação mostrou que os tecidos moles de seu nariz haviam desaparecido e, portanto, seu corpo não era incorruptível. Sugeriu-se que isso se deveu ao uso intenso de tabaco. Estes fraquíssimos argumentos contra a sua santidade foram, claro, facilmente derrubados. Mas eram outros tempos...



O PAPA FRANCISCO decidiu que o Vaticano vai encerrar a venda de cigarros para seus funcionários a partir de 2018. A informação foi anunciada nesta quinta-feira, 9, pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke.

Em declaração a jornalistas, Burke (nenhuma relação com o bravo cardeal Raymond Leo Burke) explicou que o motivo é simples: “a Santa Sé não pode contribuir para um exercício que prejudique claramente a saúde das pessoas. Segundo a OMS, todos os anos o fumo é a causa de mais de sete milhões de mortes em todo o mundo”. A declaração acrescenta ainda que, apesar da venda de cigarros aos funcionários e aposentados do Vaticano a preço com desconto ser fonte de renda para a Santa Sé, nenhum lucro pode ser legítimo se coloca em risco a vida das pessoas. 

Nota – Esta noticia, que seria impensável há alguns anos, antes do avanço da onda "politicamente correta" que assola o mundo, soa a muitos ouvidos como mais uma evidência de que uma parte cada vez mais significativa dos nossos pastores anda mais preocupada em seguir a agenda pseudo-humanista da OMS –, que vê câncer e problemas em tudo, exceto nos atos de fumar maconha e manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo –, do que em trabalhar pela defesa da Fé, lutar contra tantas heresias e confusões morais e litúrgicas em alta, mesmo no seio da Igreja, em especial no último século.

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Fontes:
Canção Nova, em:

https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-decide-encerrar-venda-de-cigarros-no-vaticano
Folha de São Paulo, em:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/11/1934054-papa-francisco-proibe-venda-de-cigarros-no-vaticano-a-partir-de-2018.shtml
Acesso 10/12/2017

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O 'Magnum Principium' da confusão?


Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero

Nota prévia do autor: Eu amo o Santo Padre, o Papa Francisco, como meu Pastor terreno e Cabeça Visível da Igreja. Que isto fique claro! Porém, a verdade deve ser sempre defendida e nós devemos orientar bem os católicos; assim, é com pesar que escrevo este artigo. Mas também tenho esperança de que aqueles que o lerem compreendam um pouco melhor certas situações que agora vivemos, e estejam também um pouco mais bem preparados para lidar com as grandes coisas que virão, visto que a maioria do povo de Deus "se perde por falta de conhecimento" (Os 4, 6).

Lembre-se de que vivemos na realidade do mundo e não em um mundo imaginário onde tudo é belo e os unicórnios existem. Muito ao contrário, a realidade objetiva é sofrida e árida –, um verdadeiro "vale de lágrimas" –, e nos mostra muito bem que a única razão da nossa esperança é nosso Senhor, Jesus Cristo. Fora d'Ele, as cruzes –, que existem tanto para os que creem quanto para os que não creem –, tornam-se insuportáveis! Por isso, não desconfie de Deus, nem da Santa Igreja Católica! Combata os inimigos de Deus e da Santa Igreja Católica, mesmo que, às vezes, eles ocupem altos cargos da hierarquia eclesiástica. Tenha coragem! Fique firme!

* * *

Antes de iniciar nossas análises e observações –, e externar nossas preocupações –, faz-se necessário definir algumas premissas dos temas tratados, as quais elencamos logo abaixo.

1) O que é um documento papal Motu Proprio? Os principais documentos usados por um Papa são: Cartas Apostólicas, Constituição, Bula, Breve, Rescrito, Encíclica e Motu Proprio. É sobre o último da lista que discorreremos aqui! Motu Proprio (do latim 'motivo próprio') é o documento que é escrito por iniciativa do próprio Papa. É um documento cujo conteúdo o Papa quer recomendar com particular empenho para toda a Igreja Católica. O Motu Proprio geralmente é publicado sem nome de destinatário, por isso tem alcance mais amplo. O Motu Proprio aborda temas importantes e pode, inclusive, introduzir novas disposições legislativas na Igreja, como por exemplo: alterações do Código de Direito Canônico.

Resumindo: o Papa por iniciativa e vontade próprias decide escrever um documento para abordar temas de suma importância e inclusive fazer alterações legislativas. Um exemplo magno de Motu Proprio que causou um bem gigantesco à Santa Igreja é o documento de nome Summorum Pontificum, escrito por Sua Santidade Bento XVI e que deu muito mais liberdade para que os sacerdotes celebrassem a Santa Missa Tridentina (Forma Extraordinária do Rito Romano). Esse documento pode ser lido aqui.

2) O que são as Conferências Episcopais? Uma Conferência Episcopal é, segundo o Código de Direito Canônico (cânone 447): “A Conferência Episcopal, instituição permanente, é o agrupamento dos bispos de uma nação ou determinado território, que exercem em conjunto certas funções pastorais a favor dos fieis do seu território, a fim de promoverem o maior bem que a Igreja oferece aos homens, sobretudo por formas e métodos de apostolado convenientemente ajustados às circunstâncias do tempo e do lugar, nos termos do direito”. 

Para deixar o conceito mais claro, cito aqui informações do site da Conferência Episcopal Portuguesa: "A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) não é o mesmo que a Igreja em Portugal. É, sim, uma das suas estruturas. A Conferência Episcopal Portuguesa não é o conjunto das Dioceses portuguesas, mas, sim, dos bispos das dioceses de Portugal, que, para melhor exercerem as suas funções pastorais, põem em comum preocupações e experiências, acertam critérios de acção e coordenam esforços".

Como diz o papa Bento XVI, então Cardeal Joseph Ratzinger, em seu livro "A Fé em Crise?" (p. 40): "Não devemos nos esquecer que as conferências episcopais não possuem base teológica e não fazem parte da estrutura indispensável da Igreja, assim como querida por Cristo, têm somente uma função prática e concreta."

As Conferências Episcopais não têm nenhum poder sobre os bispos. Toda autoridade das Conferências Episcopais e de seus documentos procede da autoridade dos Bispos presentes nessas mesmas Conferências Episcopais e também da participação destes no colegiado dos Bispos unidos ao Papa.

Temos um exemplo belo e claríssimo do exposto logo acima na pessoa do falecido Bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, sacerdote grandioso que deveria ser muito mais lembrado e amado pelo povo católico. Sozinho enquanto autoridade eclesiástica, unido aos seus fieis, no ano 2010, época da eleição, esse Bispo de venerável memória lutou contra o PT e seu programa de governo abortista distribuindo folhetos de conscientização para os católicos de sua diocese, por meio dos quais deixava clara, simplesmente a doutrina da Santa Igreja, que ensina que "católicos não podem votar em partidos que defendem o aborto".

Em grande parte devido aos esforços desse homem de Deus, junto aos seus fieis (um dos quais, para nosso orgulho, integra a nossa fraternidade São Próspero), conseguiu que a candidata petista não vencesse as eleições em primeiro turno. Um grande feito, pelo qual foi, desgraçadamente, perseguido e criticado mesmo dentro da própria Igreja, por seus pares, que deveriam incentivá-lo e mirar-se no seu exemplar zelo sacerdotal. Na época, a polêmica CNBB publicou recomendações que pediam a "neutralidade" da Igreja Católica no Brasil em relação às eleições, para escândalo de boa parte dos fiéis católicos. Com grande coragem, porém, Dom Luiz não seguiu essa recomendação absurda e preferiu seguir sua consciência em Cristo, e assim confeccionou e divulgou os folhetos. Em entrevista (leia excertos) concedida à Folha de São Paulo, declarou: "A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o Mandamento “não matarás”.

Entre autênticos filhos de Deus, não existe esse negócio de “meio termo”, “respeito humano” ou uma falsa “caridade” posta antes da Verdade.


Uma breve análise do documento

O Motu Proprio Magnum Principium do Papa Francisco tem por finalidade modificar o cânone 838 do Código de Direito Canônico (CDC), que dizia, em seu cânone 838, no seu parágrafo 1:

O ordenamento da sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja, a qual se encontra na Sé Apostólica e, segundo as normas do direito, no Bispo diocesano. § 2. Pertence à Sé Apostólica ordenar a liturgia sagrada da Igreja universal, editar os livros litúrgicos e rever as versões dos mesmos nas línguas vernáculas, e ainda vigiar para que em toda a parte se observem fielmente as normas litúrgicas. § 3. Compete às Conferências episcopais preparar as versões dos livros litúrgicos nas línguas vernáculas, convenientemente adaptadas dentro dos limites fixados nos próprios livros litúrgicos, e editá-las, depois da revisão prévia da Santa Sé. § 4. Ao Bispo diocesano, na Igreja que lhe foi confiada, pertence, dentro dos limites da sua competência, dar normas em matéria litúrgica, que todos estão obrigados a observar.

Ficou assim o novo texto deste parágrafo (destaques nossos):

Regular a sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja: isto compete propriamente à Sé Apostólica e, por norma de direito, ao Bispo diocesano.
§ 2. É da competência da Sé Apostólica ordenar a sagrada liturgia da Igreja universal, publicar os livros litúrgicos, rever as adaptações aprovadas segundo a norma do direito da Conferência Episcopal, assim como vigiar para que as normas litúrgicas sejam fielmente observadas em toda a parte.
§ 3. Compete às Conferências Episcopais preparar fielmente as versões dos livros litúrgicos nas línguas correntes, convenientemente adaptadas dentro dos limites definidos, aprová-las e publicar os livros litúrgicos, para as regiões de sua pertinência, depois da confirmação da Sé Apostólica.
§ 4. Ao Bispo diocesano na Igreja a ele confiada compete, dentro dos limites da sua competência, estabelecer normas em matéria litúrgica, as quais todos devem respeitar. Por consequência devem ser interpretados quer o art. 64 § 3 da Constituição Apostólica Pastor Bonus quer as outras leis, em particular as que estão contidas nos livros litúrgicos, acerca das suas versões. De igual modo disponho que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos modifique o próprio 'Regulamento' com base na nova disciplina e ajude as Conferências Episcopais a desempenhar a sua tarefa e se comprometa a promover cada vez mais a vida litúrgica da Igreja Latina. 

Em resumo, o papa Francisco estabelece que a tradução de textos litúrgicos, aprovada pelas Conferências Episcopais nacionais, já não precisa mais ser submetida à revisão por parte da Santa Sé (recognitio), mas sim está sujeita apenas à sua própria confirmação (confirmatio).

O Papa reformula o cânone em questão, definindo em particular a distinção entre

a) “revisão” – avaliação das adaptações que cada conferência episcopal pode fazer aos textos litúrgicos, a fim de valorizar as legítimas diversidades de povos e etnias no culto divino,

b) e “confirmação” – das traduções preparadas e aprovadas pelos bispos -, tarefas de competência da Santa Sé.

“Para entendermos quão grave é a situação, coloco aqui trechos do Magnum Principium que me deixaram estarrecido, seguidos de alguns comentários pessoais:

(...) a Igreja estava ciente das dificuldades que se poderiam apresentar em relação a esta matéria. Por um lado, era preciso unir o bem dos fiéis de qualquer idade e cultura e o seu direito a uma participação consciente e ativa nas celebrações litúrgicas com a unidade substancial do Rito Romano; por outro, as mesmas línguas vulgares muitas vezes só de maneira progressiva teriam podido tornar-se línguas litúrgicas, esplendorosas não diversamente do latim litúrgico por elegância de estilo e pela gravidade dos conceitos a fim de alimentar a fé.

De fato, parece que o sentido de participação "ativa" que o documento insinua é bem distinto do sentido de participação verdadeiramente ativa conforme, por exemplo, o Cardeal Robert Sarah expõe no prefácio do livro "Amor Divino Encarnado" do também Cardeal Burke, onde o prelado Africano esclarece com grande propriedade:

Devo logo sublinhar com insistência que a participação ativa não pode ter como parâmetro de sucesso o entretenimento bem sucedido dos fieis: a verdadeira 'participação' é aquela que leva à interioridade, à relação íntima com Deus. É uma participação interiorizada, porque é uma participação na ação sacra da Missa, com a consciência de seu profundo significado para a nossa vida quotidiana.

Prossegue a Magnum Principium: 
Não nos devemos admirar que, durante este longo percurso de trabalho, tenham surgido dificuldades entre as Conferências Episcopais e a Sé Apostólica. Para que as decisões do Concílio acerca do uso das línguas vulgares na liturgia possam ser válidas também no futuro, é extremamente necessária uma constante colaboração cheia de confiança recíproca, vigilante e criativa, entre as Conferências Episcopais e o Dicastério da Sé Apostólica que exerce a tarefa de promover a sagrada Liturgia, ou seja, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Por isso, a fim de que a renovação de toda a vida litúrgica continue, pareceu oportuno que alguns princípios transmitidos desde o tempo do Concílio sejam reafirmados e postos em prática de maneira mais clara.

Não sem razão, As palavras "criativa" e "renovação", juntas e ditas num documento pontifício, nos nossos tempos, causam-nos grande alarme. Após todos esses 49 anos de reforma litúrgica pós-conciliar, é visível que não se pode absolutamente confiar em todos os padres e bispos para que cuidem da sagrada liturgia usando da sua livre criatividade. Muito pelo contrário.

Especialmente no Brasil, temos a liturgia sendo impiedosamente maltratada. Há pouco tempo, Dom Clemente Isnard, bispo, relatou com orgulho a maneira como enganou a Santa Sé para que a tradução do missal de um determinado rito, que já havia sido negado, fosse aprovada para o português do Brasil:

Apresentei em Roma, e a Congregação para o Culto Divino aprovou nossa versão. Nossa sorte é que no momento não havia na Congregação perito em língua portuguesa. Desta forma obtivemos aprovação da simplificação do Cânon Romano, que tinha sido apresentada pelos franceses e negada... Nós simplesmente havíamos copiado a proposta francesa.
(ISNARD, Clemente. Conferência pronunciada no Encontro dos Liturgistas do Brasil. in A Sagrada Liturgia 40 anos depois", estudos da CNBB n.87. São Paulo: Paulus, 2003)

O que pensar de um bispo que, maliciosa e assumidamente, enganou a Santa Sé para que fosse aprovado um documento já reprovado? Ora, é justamente devido à criatividade e a liberdade excessiva que temos hoje erros execráveis na tradução do Missal, que chegam mesmo a lançar confusão sobre o sentido próprio da celebração, como por exemplo o trecho que diz: "...será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados", quando o correto é: "...será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados".

Se, por um lado, sabemos que mesmo com graves erros litúrgicos a Santa Missa é válida, porque as palavras essenciais para a consagração do pão e do vinho estão presentes, é o caso de se perguntar: até onde devem ir essa "criatividade" e essa tão valorizada "renovação de toda a vida litúrgica"? Já não teremos criatividade e renovação demais? Não seria o caso de a Santa Sé se preocupar em preservar o pouco de fidelidade que ainda resiste ao verdadeiro tsunami modernista que devasta a Igreja, ao invés de trabalhar a favor do exato oposto?

De volta à Magnum Principium:

Para tornar mais fácil e frutuosa a colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais neste serviço que deve ser prestado aos fiéis, disponho, com a autoridade a mim confiada, que a disciplina canônica atualmente vigente no cân. 838 do C.I.C. seja tornada mais clara, para que, segundo quanto expresso na Constituição Sacrosanctum concilium, em particular nos artigos 36 §§ 3.4, 40 e 63, e na Carta Apostólica Motu Proprio Sacram Liturgiam, n. IX, seja mais clara a competência da Sé Apostólica acerca das traduções dos livros litúrgicos e das adaptações mais profundas, entre as quais se podem incluir também eventuais novos textos a serem inseridos neles, estabelecidos e aprovados pelas Conferências Episcopais.

"Adaptações mais profundas"? "...as quais se podem incluir também eventuais novos textos"? Se mesmo sem que tivéssemos isto por escrito, e tão claramente, já vemos tanta barbaridade, o que está por vir?

A simples observação dos fatos faz ver que a legitimação dos erros e pecados que já ocorrem, com tanta frequência, é uma consequência praticamente certa. Um exemplo disso é o que aconteceu na Conferência de Religiosos do Brasil do Ceará.


O Papa Francisco e o Cardeal Sarah

 Não vou colocar bispos contra bispos aqui. Pretendo apenas apresentar a postura que teve o Cardeal Sarah –, a quem muito admiramos –, de tentar colocar o Magnum Principium em uma interpretação que levasse em conta a sempre necessária hermenêutica da continuidade, tão valorizada pelo Papa Bento XVI. 

O Cardeal Robert Sarah é o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Após a publicação do Magnum Principium, escreveu um texto intitulado: "Humilde contribuição para uma melhor e justa compreensão do Motu Proprio Magnum Principium" (que pode ser lido aqui), onde interpreta o citado texto em continuidade com o Motu Proprio Liturgiam Authenticam do Papa João Paulo II. 

Na prática, Sarah defendia a ideia de que “reconhecimento” e “confirmação” seriam sinônimos na aplicação do Motu Proprio do Papa Francisco. Tentava fazer uma hermenêutica da continuidade e, ao mesmo tempo, salvar a competência de sua Congregação. Logo em seguida, porém, o próprio Papa Francisco –, tido como muito manso e humilde –,  adotou uma postura extremamente rígida e corrigiu publicamente o Cardeal Sarah, dizendo:

Antes de tudo, é importante destacar a importância da nítida diferença que o novo Motu Proprio estabelece entre recognitio e confirmatio, bem sancionada nos §§ 2 e 3 do cânon 838, para revogar a prática adotada pelo Dicastério seguindo a Liturgiam Authenticam (LA) e que o novo Motu Proprio decidiu modificar. Não se pode dizer, portanto, que recognitio e confirmatio são 'estritamente sinônimos (ou) são intercambiáveis', ou mesmo que 'são intercambiáveis ao nível de responsabilidade da Santa Sé'. Magnum Principium não sustenta mais que as traduções devem estar em tudo de acordo com as regras da Liturgiam Authenticam, como foi feito no passado. Por isso, cada um dos números da Liturgiam Authenticam devem ser relidos atentamente, incluindo os números. 79-84, a fim de distinguir o que é pedido pelo código para a tradução e o que é necessário para as legítimas adaptações. Fica, portanto, claro que alguns números da LA foram revogados ou caíram em desuso, nos termos em que eles foram reformulados pelo novo cânon do Motu Proprio (por ex. n. 76 e também o n. 80). Portanto, a confirmatio [da Santa Sé] não supõe mais um exame detalhado feito palavra por palavra, exceto em casos óbvios que podem ser fatos apresentados aos Bispos para a sua posterior reflexão.´
(Ler a íntegra da carta do Papa Francisco destinada ao Cardeal Sarah)

Com as informações acima, temos, muito claro, que as Conferências Episcopais ganharam ainda mais poder e força do que já tinham antes.


Os que são favoráveis ao Magnum Principium
Achei interessante ler, nos últimos dias, artigos favoráveis ao novo Motu Proprio. De modo geral, o seu principal argumento é o seguinte: a Reforma Litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II foi não uma reforma, mas a volta real às nossas origens, aos tempos dos primeiros cristãos. Por isso, o Motu Proprio Magnum Principium é tão importante. Agora o Papa Francisco está restituindo aos Bispos o que lhes foi tirado séculos atrás, principalmente com o Concílio de Trento. 

Fato é que a concentração do poder da Igreja na Santa Sé e na pessoa do Papa foi uma medida tomada para resolver, justamente, os problemas de confusão doutrinária nas várias dioceses. Creio que, se não fosse o Concílio de Trento, por mais doloroso e trabalhoso que tenha sido, hoje nós católicos estaríamos em situação ainda muito pior. Com o grande número de bispos e padres hereges que temos hoje, e que não para de crescer, também como efeito das infiltrações de agentes comunistas nos seminários e nas dioceses, como poderíamos agora crer que seria algo bom "devolver" à essas pessoas o poder e autoridade que foram concentrados na Santa Sé e no Papado exatamente para resolver problemas que surgiram por causa desses mesmos fatores

Sim, leigos e bispos têm grande responsabilidade na vida da Santa Igreja. Porém, devido ao pequeno número de bons padres e bispos que temos hoje, creio que é muito difícil simplesmente agendar uma reunião com o Arcebispo para apresentar-lhe os problemas vistos nas paróquias, nas catequeses, nas celebrações litúrgicas e em colégios católicos. Digo isso com propriedade, porque pessoalmente já tentei fazê-lo e não obtive resposta favorável. Na realidade, tudo que consegui foi uma mensagem padronizada, com palavras genéricas numa mensagem que é emitida automaticamente a todos os que procuram contato. 

Não que a culpa seja toda do Santo Padre; o problema não é só o Papa, com certeza. Os bispos e arcebispos que o cercam, além dos católicos infiéis, também devem ser cobrados. Porém, com a descentralização crescente e incessante da autoridade de Roma na pessoa do Santo Padre, é evidente que ficará cada vez mais difícil para um leigo conseguir conversar com seu bispo responsável, para que juntos busquem soluções para os problemas que assolam a Santa Igreja.


Conclusão

São tempos difíceis, os nossos... Caminhamos céleres e a passos cada vez mais largos para longe daquilo que o Papa Bento XVI desejava:

O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» («norma de oração») da Igreja Católica de rito latino. Contudo o Missal Romano promulgado por São Pio V e reeditado pelo Beato João XXIII deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma «lex orandi» e deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo. Estas duas expressões da «lex orandi» da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão na «lex credendi» («norma de fé») da Igreja; com efeito, são dois usos do único rito romano.

A forma ordinária do Rito Romano vem servindo de "tubo de ensaio" para experiências que modificam o comportamento e, pior, a fé dos católicos. Porém, não percamos a esperança! faz especialmente necessário, em momentos como este, que não percamos a esperança! Já passamos por tempos terríveis e creio que tempos ainda mais pavorosos virão. Todavia conclamo o leitor ao bom combate. Sim, ao combate! Se na sua paróquia há muita murmuração, seja você a pessoa que não murmura, e, mais ainda, corrige com brandura e caridade quem promove a murmuração. Se a catequese em sua paróquia é ruim, tente conseguir espaço e catequize você os seus irmãos.

Não desista do bom combate! A batalha é árdua, mas a lida do cristão é essa! Se fomos colocados por Deus nestes tempos sofríveis, é porque temos um papel a exercer na vida da Santa Igreja, aqui e agora. Temos uma missão sagrada. Seja fiel e abrace a responsabilidade que lhe foi dada, enquanto católico e cidadão brasileiro. Reze e lute, não fuja, confesse-se regularmente e seja santo!

Afinal, "ainda que os católicos fiéis a Tradição se reduzam a um pequeno punhado, serão estes a verdadeira Igreja de Cristo" (Santo Atanásio, Carta ao meu rebanho, séc. IV)


Oração pela santificação dos sacerdotes,
de Santa Teresinha do Menino Jesus

Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração Amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai-os puros e desapegados dos bens da Terra os seus corações, que foram selados com o caráter sublime do Vosso Glorioso Sacerdócio.

Fazei-nos crer no seu amor e fidelidade para Convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que têm de transubstanciar o pão e o vinho em Vosso Corpo e Sangue, o poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna.

Amém!

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Papa Francisco autoriza debate sobre a possibilidade de homens casados tornarem-se padres


Celibato deixaria de ser exigido em regiões com escassez de padres, como a Amazônia?

A pedido do cardeal brasileiro dom Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, o papa Francisco autorizou o debate em torno da possibilidade de se ordenar homens casados para o sacerdócio, ao menos em regiões remotas e com escassez de padres, como por exemplo a região amazônica.

A informação, ainda não confirmada pelo Vaticano, foi publicada pelo jornal italiano Il Mensaggero.

A proposta, defendida por Hummes –, modernista conhecido como um grande apoiador de Lula e do Partido dos Trabalhadores, hoje presidente da Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB –, é a de que homens atuantes em suas comunidades possam assumir a direção de uma paróquia e administrar os Sacramentos, sendo liberados do celibato.

A opção é chamada no meio católico como viri probati (homens provados) e o tema polêmico provavelmente estará na pauta do recém anunciado Sínodo Pan-Amazônico, convocado para 2019, que deve reunir bispos dos países da região amazônica. A notícia do Il Mensaggero confirma a tendência revelada pelo próprio Francisco em março desse ano, quando disse em entrevista ao jornal alemão Die Zeit que era preciso “refletir se os viri probati são uma possibilidade”.

Na ocasião, o papa justificou que “a Igreja precisa sempre reconhecer o momento certo em que o Espírito Santo pede algo”. Apesar disso, o Pontífice também afirmou que tornar o celibato opcional “não é uma solução”, mas a questão da falta de padres deve ser afrontada “sem medo”. Em 2014, dom Erwin Kräutler, bispo emérito da Prelazia do Xingu, no Pará, disse que havia conversado em privado com Francisco sobre a ordenação dos viri probati, e que o papa lhe teria dito que as conferências episcopais deveriam fazer propostas concretas a esse respeito.

Na Prelazia do Xingu, que tem 354 mil km² – quase o tamanho da Alemanha – e 700 mil fiéis distribuídos em 800 comunidades, há apenas 27 sacerdotes. No Brasil há mais de 70 mil comunidades que, por falta de padres, não têm Missa todos os domingos. 

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Fonte:
'Papa Francisco autoriza debate sobre possibilidade de homens casados virarem padres', disp. em:
http://www.semprefamilia.com.br/papa-francisco-autoriza-debate-sobre-possibilidade-de-homens-casados-virarem-padres/
Acesso 3/11/2017
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O grande mistério da vida eterna: Angelus do Papa Bento XVI

Oração do ANGELUS no XXXII Domingo do Tempo Comum
por Sua Santidade o Papa Bento XVI

Praça de São Pedro, 6 de novembro de 2011




Prezados irmãos e irmãs!

AS LEITURAS BÍBLICAS da Liturgia dominical destes dias nos convidam a prolongar a reflexão sobre a vida eterna, iniciada por ocasião da Comemoração de todos os fiéis defuntos.

Sobre este ponto, é evidente a diferença entre quantos creem e aqueles que não creem, ou poder-se-ia igualmente dizer, entre quantos esperam e aqueles que não esperam. Com efeito, São Paulo escreve aos Tessalonicenses:

Não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como fazem os outros homens que não têm esperança.
(1 Ts 4, 13)

A fé na Morte e Ressurreição de Jesus Cristo marca, também neste campo, uma linha divisória decisiva. É ainda São Paulo quem recorda aos cristãos de Éfeso que, antes de receber a Boa Notícia (o Evangelion), estavam “sem a esperança da Promessa e sem Deus neste mundo” (Ef 2, 12). Com efeito, a religião dos gregos, os cultos e os mitos pagãos não eram capazes de esclarecer o mistério da morte, a tal ponto que uma antiga inscrição dizia: “In nihil ab nihilo quam cito recidimus”, que significa: “No nada, a partir do nada, quão cedo decaímos”.

Se eliminamos Deus, se tiramos Cristo da equação da vida, o mundo cai no vazio e na escuridão. E isto encontra conformação também nas expressões do niilismo contemporâneo, um niilismo muitas vezes inconsciente, que infelizmente contagia numerosos jovens.

O Evangelho de hoje é uma célebre parábola que fala de dez virgens convidadas para uma festa de bodas, símbolo do Reino dos Céus e da vida eterna (cf. Mt 25, 1-13). É uma imagem feliz, com a qual, contudo, Jesus ensina uma verdade que nos põe em questão; com efeito, daquelas dez virgens, cinco entram na festa porque, quando o esposo chega, têm óleo para acender as próprias lâmpadas; enquanto as outras cinco permanecem fora porque, insensatas, não tinham trazido óleo. O que representa este “óleo”, indispensável para serem admitidas no banquete nupcial? 

Santo Agostinho (cf. Discursos 93, 4) e outros antigos autores veem nisto um símbolo do amor verdadeiro, que não se pode comprar, mas que recebemos como dom, conservamos no íntimo e praticamos com as obras. A verdadeira sabedoria consiste em aproveitar a vida mortal para realizar obras de misericórdia, porque depois da morte isto já não será possível. Quando formos despertados para o juízo final, isto acontecerá com base no amor praticado na vida terrena (cf. Mt 25, 31-46). E este amor é dom de Cristo, efundido em nós pelo Espírito Santo. Quem crê em Deus-Amor tem em si uma esperança invencível, como uma lâmpada com a qual atravessar a noite para além da morte, e chegar à grande festa da vida.

A Maria, Sedes Sapientiae, peçamos que nos ensine a verdadeira sabedoria, aquela que se fez carne em Jesus. Ele é o Caminho que conduz desta vida para Deus, para o Eterno. Ele nos fez conhecer a Face do Pai, e ofereceu-nos uma esperança cheia de amor. Por isso, a Igreja dirige-se com estas palavras à Mãe do Senhor: “Vita, dulcedo et spes nostra”. Aprendamos dela a viver e a morrer na esperança que não desilude.

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Fonte:
PAPA BENTO XVI. Um Caminho de Fé antigo e sempre novo, Antologia completa de homilias, discursos, catequeses e mensagens para o Ano Litúrgico por †Bento XVI, Tomo I. São Paulo: Molokai, 2017, pp. 651-652.

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Ecumenismo ou distorção escandalosa da História?

Parece mentira, mas não é...

Nestes tempos insanos (é chegada a grande apostasia?) em que o Vaticano, querendo a todo custo agradar o mundo, celebra Lutero e até lança selo comemorativo pelos 500 anos da "Reforma" protestante1, entendemos que vale a pena republicar o elucidativo artigo da respeitada historiadora e filóloga Profª Maria Elvira Roca Barea para o El País. Em tempo, deixamos algumas perguntas: o quê, exatamente, os homens assentados aos tronos dos Apóstolos estão celebrando? Que frutos da chamada "Reforma" merecem comemoração? A divisão no seio da Igreja? A perdição de milhões de almas? As guerras religiosas? A confusão instaurada entre os cristãos, com as heresias Sola Scriptura e Sola Fide? A Babel religiosa que ser originou daí, e perdura até os nossos dias, gerando dezenas de milhares de seitas ditas "cristãs" mas que têm doutrinas diversas e contraditórias entre si? Segue o texto, e Deus nos ajude para que ilumine tantas mentes quanto for possível.


Instalação do artista Ottmar Hörl, com 800 imagens de
Martinho Lutero, exposta em Wittenberg, Alemanha

RECENTEMENTE, O JORNAL EL PAÍS surpreendeu os seus leitores –, nestes tempos "politicamente corretos", em que o respeito humano vale mais do que o conhecimento e/ou a apresentação da simples verdade –, com a publicação de um artigo desmistificador por Maria Elvira Roca Barea. Apesar de não dizer nada de novo, a apresentação de certos fatos históricos causou um forte impacto.

Roca é a autora do livro "Imperiofobia y la leyenda negra" (Siruela, 2017). Seu artigo para o El País contém uma biografia, bem fundamentada e com apresentação de farta documentação histórica, do pai do protestantismo, Martinho Lutero.

O artigo parte da observação de que o clima festivo envolvendo as celebrações em torno do quinto aniversário do cisma protestante, com direito à polêmica e ativa participação do Papa Francisco, "ignoram os aspectos mais sombrios do seu legado (de Lutero)". Cremos que os fiéis católicos devem estar cientes desses fatos, não para reviver mágoas do passado, mas para evitar a injustiça e a apologia desonesta de uma figura que nos é apresentada, por muitos meios, como um verdadeiro herói da fé e das liberdades. Segue.

* * *

Diz a lenda que, aos 31 de otubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), escandalizado com o vergonhoso espetáculo que a Igreja Católica oferecia, e indignado com a venda de indulgências, corajosamente pregou nas portas da Catedral de Wittenberg as 95 teses que desafiavam o poder de Roma. O aniversário de 500 anos desse gesto está sendo celebrado com pompa na Alemanha. Merkel e Obama prestaram homenagem a Lutero em 25 de maio no Portão de Brandemburgo e, por volta da mesma data, foi inaugurada uma espetacular exposição em Wittenberg. Esses são só alguns dos eventos mais destacados. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os aniversários luteranos (nascimento, morte, 95 teses, 'iluminação' durante a tempestade de 1505…) quase não tinham relevância. Mas agora isso mudou. Por quê?

O gesto descrito às portas da igreja de Wittenberg é a representação mítica e ritual do significado de Martinho Lutero para o chamado Sacro Império Romano-Germânico. Há muito se duvida de que ele tenha mesmo pregado as suas teses; as menções ao ato desafiador vão aparecer muito tempo depois, conforme se vai adornando e mitificando a personagem Lutero e o cisma que ele trouxe. Mas, se non è vero, è ben trovato [se não é verdade, foi (uma lorota) bem contada]. Seria muito menos heroico mandar o texto de protesto pelo correio – que é o que provavelmente aconteceu – ao bispo de Mogúncia (Mainz). O gesto simbólico conserva, ainda hoje, toda sua aura teatral, mas era muito mais épico naquele tempo, porque o homem do século XVI sabia que essa era a maneira de divulgar os chamados cartazes de desafio, em que um cavalheiro insultava publicamente outro e o desafiava a um duelo. E era preciso responder; quem não o fazia ficava desonrado para sempre. Há, na figura de Lutero, um componente de heroísmo a posteriori muito interessante para compreender seu significado na história da Alemanha e também –, não se surpreenda o leitor –, na da Espanha.

O cisma luterano é a manifestação de um problema político, mas o contexto religioso em que foi mantido turva completamente sua compreensão. Através dele se expressa o nacionalismo germânico primordial e, por isso, Martinho Lutero é celebrado e exaltado na Alemanha cada vez que esse nacionalismo ganha força. Desde a Segunda Guerra Mundial não se comemorava de maneira significativa nenhuma efeméride luterana. Em 1983, passou em branco na Alemanha Ocidental o quinto centenário do nascimento de Martinho Lutero, tão festejado nos tempos de Bismarck. Em 10 de novembro de 1883, por exemplo, o imperador Guilherme I liderou o desfile do quarto centenário de nascimento de Lutero em Eisleben.

Em "Historia del año 1883", o intelectual e político espanhol Emilio Castelar escreve: “Os povos protestantes celebraram o quarto centenário de Lutero com júbilo universal”, e, ainda, embora “os católicos e os protestantes da Alemanha não tenham concordado em homenagear o religioso, concordaram em homenagear o patriota”. Mas o mais interessante é o expediente: “Nós, que não pertencemos à religião luterana nem à raça germânica, espanhóis e católicos de nascimento, podemos celebrar sem receio aquele que, iniciando as liberdades de pensamento e de exame, iniciou as revoluções modernas, por cuja virtude rompemos nossos grilhões de servos e proclamamos a universalidade da justiça e do direito”.

Não precisamos, portanto, ir a Wittenberg para ler os textos que comentam a espetacular exposição. O que ali se conta é exatamente o mesmo que Castelar nos diz: Lutero, o pai da liberdade religiosa na Europa; Lutero, o herói por cujo esforço ímpar este continente se livrou das trevas e da escravidão. Castelar diz que “rompemos nossos grilhões”. A Lutero devemos nada menos que “a justiça e o direito”, porque é evidente que, espanhóis, não tínhamos isso.


Lutero foi na realidade o grande protetor das oligarquias, o fiador religioso de um feudalismo tardio que manteve a Alemanha no atraso e na pobreza

E, claro, se Lutero rompe grilhões é porque havia grilhões a romper e alguém que os tinha colocado. Se traz a liberdade de pensamento é porque isso não existia, e quem impedia? Nem é preciso dizer com todas as letras, mas está aí, constantemente presente: o sombrio e sinistro Império espanhol e católico... Para que o "herói" Lutero possa existir, é preciso haver um monstro que o antagonize. Sem monstro, não há herói. Quem visita Wittenberg ou qualquer das muitas exposições e celebrações na Alemanha de hoje, mesmo sendo espanhol e católico – especialmente se for espanhol e católico – não vê o cenário que torna possível o brilho germânico. Quando digo "católico" não quero dizer "religioso". A fé é irrelevante neste contexto. Refiro-me a quem nasceu em um país de cultura católica. Porque esse fulgor germânico precisou, século após século, como condição sine qua non para a sua exaltação, que o sul mediterrâneo fosse obscuro e atrasado, imoral e decadente, indolente e pouco confiável. Foi em tempos de Lutero que o adjetivo welsch – uma denominação geográfica pouco precisa para se referir ao sul – passou a significar latino ou românico, e malvado e imoral ao mesmo tempo.

A “liberdade luterana” não resiste a um olhar próximo e livre de preconceitos. Começou provocando uma guerra espantosa chamada Guerra dos Camponeses e deixou mais de 100.000 mortos nos campos do Sacro Império. Porque os camponeses acreditaram de verdade naquelas exaltadas pregações da boca de Lutero e de outros que clamavam contra as riquezas acumuladas pelos poderosos da Terra, com Roma como fiadora de tais injustiças. Isso provocou uma convulsão social como nenhuma outra na Europa até a Revolução Francesa. Os príncipes alemães, cujo propósito era basicamente opor-se ao imperador, não pensaram que incentivar aquela efervescência antissistema (Carlos V e o catolicismo) poderia se voltar contra eles, mas tiveram que enfrentar uma revolta de proporções gigantescas. Alguns clérigos revolucionários como Müntzer, conhecido como "o teólogo da revolução", mantiveram-se fiéis a seus princípios até o final e foram executados, mas Lutero decidiu sobreviver. Desde o início de 1525, depois da morte de Hutten e Sickingen, os dois líderes revolucionários que o tinham protegido, Lutero fica a serviço dos príncipes alemães e incentiva a violência brutal com que os grandes senhores germânicos sufocaram as rebeliões campesinas: “Contra as hordas assassinas e saqueadoras molho minha pena em sangue, seus integrantes devem ser estrangulados, aniquilados, apunhalados, em segredo ou publicamente, como se matam os cães raivosos”.

A partir de então, Lutero passa a ser o grande defensor das oligarquias senhoriais, o arrimo teológico de um feudalismo tardio que manteve a Alemanha em um estado de pobreza e atraso já superado na Espanha e na maior parte do sul. A estagnação dessas oligarquias pela via religiosa impediu a unificação da Alemanha e possibilitou uma sobrevivência anômala do sistema feudal nessa parte da Europa. Quase todo mundo sabe que a servidão na Rússia durou até o século XIX, mas se ignora que na Alemanha também, sobretudo nas regiões protestantes. Um dos primeiros Estados a abolir as leis de servidão foi a alegre Bavária, católica, em 1808. Mas, na região oriental, o processo só foi concluído em meados do século. Muito bem. Isso, no que diz respeito a Lutero como "libertador social". Vejamos agora Lutero como "libertador do pensamento".

Liberdade religiosa e livre exame são dois ícones linguísticos cunhados por Lutero que nunca tiveram um reflexo na realidade, como demonstram primeiro a lógica e depois a História.


Quase a quarta parte das propriedades do Sacro Império mudaram de mãos. Não houve um latrocínio igual até a Revolução Russa

Supostamente, o livre exame significa que o cristão deve se entender diretamente com Deus através dos Textos Sagrados, sem intermediários onerosos e imorais como “os romanos” (assim Lutero chamava o clero católico, embora fossem tão alemães como ele). Se for assim, há uma consequência imediata: o desaparecimento do clero, por desnecessário. Os fatos demonstram que isto jamais aconteceu, porque Lutero não operou a destruição da igreja hierárquica, apenas criou outra. Nem Lutero deixou de ser clérigo, nem o número deles no Sacro Império diminuiu. Simplesmente formou-se um novo corpo sacerdotal que também guiava o rebanho. Só que agora esse corpo de pastores serve unicamente ao senhor do território (e não a um Papa estrangeiro e a um imperador aliado com o mundo welsch), que é quem lhe dá de comer. Se lhe servir bem, como fez Lutero, viverá bem. Viverá inclusive melhor que com os “romanos”, e assim Lutero recebeu do príncipe da Saxônia, como primeira prova de gratidão, aquele que havia sido o seu antigo convento em Wittenberg. É um belíssimo palácio, onde se instalou com sua nova esposa, seus parentes e seus criados. Tinha nascido no seio de uma família muito humilde e, como monge agostiniano, jamais teria podido se permitir esses luxos. E aqui não tocaremos mais no assunto das críticas ferozes aos luxos do clero “romano”...

A liberdade religiosa é provavelmente o totem linguístico mais afortunado de Martinho Lutero. Foi e é ininterruptamente debatido diante das "trevas do catolicismo" e da sua nação defensora por princípio, a Espanha. Nem é preciso pensar muito para ver aonde vai parar a liberdade luterana. Se ela tivesse existido alguma vez, mesmo que teoricamente, também os católicos e outras facções protestantes teriam tido direito a ela. Ora, se o cristão é livre para interpretar os textos sagrados, então também a interpretação católica é possível e deve ser aceita. Ou não? E deveria ter sido respeitada, em consonância com a “liberdade religiosa” que Lutero e seus diáconos pregavam. Mas o fato é que o novo clero criou uma versão do cristianismo que foi a única aceitável, e todas as demais foram proscritas e perseguidas; principalmente a católica. E também os anabatistas, calvinistas, menonitas, etcétera.


Lutero é apresentado como o paladino da liberdade religiosa, mas o clero luterano perseguiu as demais versões do cristianismo

Entretanto, século após século, Lutero passeou pela história da Europa imune à verdade, aos fatos e à lógica. Basta o leitor digitar a sequência “Lutero liberdade religiosa” em algum buscador da Internet e verá. Se escrever em inglês e alemão, ficará pasmado. Poderíamos levar um pouco adiante este perverso jogo com as palavras e exasperar os argumentos históricos habitualmente aceitos. Porque aplicar a “liberdade religiosa” em sentido luterano é o que fizeram os Reis Católicos na Espanha, ou seja, que todos os súditos devem ter a mesma religião que seu senhor terreno. Este é o princípio conhecido como cuius regio, eius religio, e deu cobertura legal aos príncipes alemães para obrigarem as populações de seus territórios a se tornarem protestantes, quisessem ou não, e nem sempre graças a sermões persuasivos e pacíficos. Mas é evidente que os Reis Católicos não podem ser os pais da liberdade religiosa, embora tenham feito exatamente o mesmo, porque, como diz Castelar, nós não somos luteranos nem pertencemos à raça germânica.

A esta altura você já estará se perguntando: mas por que os príncipes alemães tinham tanto empenho em se tornarem protestantes? Não é difícil de explicar, mas para isso, como apontamos acima, é preciso sair do terreno religioso, da superioridade moral e das palavras totêmicas, onde todo o protestantismo diligentemente insistiu em situar aquele sangrento conflito. Quase uma quarta parte dos bens imóveis do Sacro Império mudaram de mãos, entre confiscos de propriedades eclesiásticas e de pessoas que abandonaram os territórios protestantes por se negarem a acatar a conversão forçosa. Até a Revolução Russa, não houve latrocínio comparável no Ocidente. Mas, claro, não chamamos assim, porque um tinha uma cobertura teológica, e o outro, uma cobertura ideológica. Definitivamente: uma justificativa moral. Isto naturalmente não será contado ao visitante na magna exposição de Wittenberg.


Foi furiosamente antissemita e prefigura o programa nazista. A Noite dos Cristais de Hitler foi feita em homenagem aos seus 450 anos

Lutero foi não somente antilatino, mas também furiosamente antissemita. O filósofo alemão Karl Jaspers escreveu que o programa nazista está prefigurado em Martinho Lutero, que dedicou parágrafos horripilantes aos judeus: “Devemos primeiro atear fogo às suas sinagogas e escolas, sepultar e cobrir com lixo o que não incendiarmos, para que nenhum homem volte a ver deles pedra ou cinza”. O primeiro grande pogrom de 1938, a Noite dos Cristais, foi justificado como uma operação piedosa em homenagem a Martinho Lutero por seus 450 anos. Hitler disputou as eleições de 1933 com um soberbo cartaz no qual a imagem de Lutero e a cruz gamada aparecem juntas. As celebrações luteranas dos nazistas eram espetaculares. Com idêntica ferocidade, Lutero estimulou e justificou a queima de bruxas, que deixou nada menos do que 25.000 vítimas na Alemanha, segundo Henningsen. Acumulamos tantos milhares, milhões de mortos com este assunto que é melhor nem fazer contas.

Mas não há do que se envergonhar. A Alemanha celebra ostensivamente Martinho Lutero porque se sente bem, porque Lutero é o pai do nacionalismo alemão e de sua Igreja, e tem, portanto… indulgência teológica. Desde a reunificação, e depois com a chegada do euro como elixir mágico, a Alemanha está em um tempo novo e encara às claras uma hegemonia europeia inconteste. A Grã-Bretanha desertou do barco da União, e a França não está em condições de confrontar a indiscutível supremacia germânica. Nem a Espanha nem a Itália parecem perceber muito bem como são necessárias para compensar esta hegemonia e como andam perdidas, sem conseguir superar o complexo de inferioridade que assumiram há séculos. Porque, com tudo isto, chegamos ao grande assunto do qual se trata aqui: o da superioridade moral frente ao suíno mundo não protestante no qual vivemos, a qual foi tão absolutamente assumida que muitos de nossos jornais, como nos tempos de Castelar, se somaram contentes à celebração luterana, tão cegos e tão perdidos hoje no labirinto da sua própria inferioridade como estavam há 100 anos.

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1. Vaticano emite selo comemorativo pelos 500 anos da revolução do herege Martinho Lutero. O selo retrata Nosso Senhor Crucificado, tendo à esquerda Martinho Lutero, com uma Bíblia nas mãos, e à direita seu amigo Filippo Melantone, um dos maiores divulgadores da dita "Reforma", tendo em mãos a Confissão de Augsburgo, o primeiro documento oficial dos princípios do protestantismo, no qual ataca frontalmente a Igreja Católica, seus Papas e seus dogmas.

Publicado em O FIEL CATÓLICO #20

Fonte:

BAREA. Maria Elvira Roca. Martinho Lutero como a escola nunca ensinou: antilatino e
antissemita, El País, disp. em:
https://elpais.com/internacional/2017/07/21/actualidad/1500642089_505462.html
Acesso 24/10/017
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SESC Pompeia traz Judith Butler, a inventora da ideologia de gênero

Por Felipe Marques – Fraternidade São Próspero



IDEALIZADORA E UMA das principais promotoras da ideologia de gênero no mundo, virá ao Brasil, entre os dias 7 e 9 de novembro, a "figuraça" Judith Butler, participar do Simpósio Internacional “Os Fins da 'Democracia'”. – Sim, mais uma vez, a mofada desculpa da "democracia", usada, como de costume, para justificar a barbaridade da vez que a esquerda promove como alavanca para suas ambições de poder. Uma "democracia" meio estranha, que se preocupa exclusivamente com as vontades de uma elite que, desgraçadamente, dominou os meios de comunicação e as instituições de ensino, enquanto ignora solenemente o desejo da esmagadora maioria da população. Mas tão logo cheguem ao poder, a preocupação com a "democracia" acaba num piscar de olhos, como a História demonstra tão bem.

Butler, para quem ainda não sabe, propõe a desconstrução da identidade humana por meio da desconstrução da sexualidade. Segundo ela, “homem e masculino podem facilmente significar tanto um corpo feminino como um corpo masculino, e mulher e feminino podem significar tanto um corpo masculino como um corpo feminino”. Não satisfeita em contrariar a simples verdade objetiva dos fatos, por meio daquilo que chama de "performance", propõe que as pessoas vivenciem todo tipo de experiência sexual.

Temos visto nos últimos anos alguns exemplos realmente muito graves da aplicação da ideologia de gênero em nossas escolas. Recentemente, em uma escola tradicional de São Paulo, uma das turmas teve que apresentar um trabalho que explicasse os mais de trinta gêneros existentes(!) segundo a ideologia, que desgraçadamente é adotada pela maioria dos nossos professores, que são, em sua quase totalidade militantes esquerdistas (anticristãos, antifamília, pró-aborto, etc.).

 Não podemos permitir que a promotora dessa ideologia criminosa promova em nosso país suas ideias absurdas, que têm por objetivo acelerar (ainda mais) o processo de derrocada da família e corrupção da sociedade.

Assine a campanha para enviar seu e-mail ao Sesc Pompeia e pedir o cancelamento das palestras de Butler:

** Pelo cancelamento da palestra de judith butler no sesc pompeia

*** Nos vídeos abaixo, comentários de Allan dos Santos e de Bernardo Küster sobre o caso:





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Adaptado do texto da petição do CITIZENGO

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É preciso reavivar o nosso maravilhamento pela Eucaristia: 'o Amor Divino Encarnado'

Do prefácio do Cardeal Robert Sarah para a obra do Cardeal Burke




QUANDO A HISTÓRIA da liturgia pós-conciliar for escrita, as figuras do Papa São João Paulo II e do Papa Bento XVI serão recordadas como gigantes: João Paulo II como o místico, Bento XVI como seu fiel e genial colaborador e homem de uma grande capacidade de contemplação e de interioridade espiritual.

 O Santo Papa polonês sempre teve como centro de sua vida interior a Cruz do Senhor Jesus, a Eucaristia, e a Beata Virgem Maria: Crux, Hóstia, et Virgo!1 Por que razão João Paulo II marcou sua vida sacerdotal com a Cruz, a Hóstia e a Virgem? Porque no centro do ministério apostólico e do anúncio do Evangelho que conduz à fé deve estar a porta de entrada para o Mistério da Cruz.

Assim, na celebração da Eucaristia, na participação sempre renovada do Mistério sacerdotal de Jesus Cristo, podemos ver o centro do culto cristão e sua extensão total. Seu intuito constante é lançar cada pessoa e o mundo inteiro no interior do Amor de Cristo, de modo que todos se identifiquem e se configurem a Ele, tornem-se com Ele uma só hóstia, "uma oblação agradável a Deus, santificada pelo Espírito Santo".2

Ademais é impossível imaginar que nós, cristãos, possamos nos avizinhar da Eucaristia com fé e amor e viver plenamente esse Mistério sem a ajuda de Maria Santíssima, "primeiro 'Sacrário da História'"3, "a Mulher Eucarística com toda a sua vida".4

Já o diz a Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia: A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo. Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um Mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à Palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. [...] 'Feliz daquela que acreditou' (Lc 1, 45): Maria antecipou também, no Mistério da encarnação, a Fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo ela serve de 'Sacrário' –, o primeiro 'Sacrário' da História –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, presta-se à adoração de Isabel, como que 'irradiando' a sua Luz através dos olhos e da voz de Maria.5

Essa presença exemplar e cativante de Maria para nos ajudar a entrar plenamente no Mistério eucarístico é confirmada também pelo Cardeal Burke, quando escreve:

A meditação sobre a vida de Cristo tal como nos aparece na vida da Virgem Maria conduz-nos sempre à Sagrada Eucaristia, pois a nossa bendita Mãe está sempre a encaminhar-nos para o seu divino Filho. [...] Quando participamos do Sacrifício eucarístico, nossa santíssima Mãe une-se a nós, dando-nos um exemplo da fé em Cristo e atraindo-nos para um amor cada vez maior por Ele.6

Para São João Paulo II, alcança-se a identificação e a configuração a Cristo mediante uma vida intensa de oração, de adoração, de contemplação silenciosa, nutrida pelo Corpo e pelo Sangue de Cristo. Sem a oração, o fiel, e de modo particular o sacerdote, arriscam-se a reduzir toda a vida sacerdotal e cristã a mero ativismo filantrópico, sinal de uma vida superficial e dedicada às coisas mundanas. 

Só pela contemplação da doce Face de Cristo crucificado pode-se adquirir a generosidade de doar-se, corpo e alma, a exemplo do Nosso mesmo Senhor! O livro O amor divino encarnado: A Sagrada Eucaristia como sacramento da caridade, do eminente canonista e meu confrade no Colégio dos Cardeais, Sua Eminência Revma. Cardeal Raymond Burke, aparece como um tratado espiritual que resume o Magistério do Papa São João Paulo II e do Papa Bento XVI, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia e na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, que pessoalmente subscrevo por completo. 

Ninguém pode negar a importância da matéria tratada neste livro, que eu chamaria de uma autêntica e verdadeira joia, particularmente pelas tantas sugestões que podem tornar mais consciente, ativa e frutuosa nossa participação no santo Sacrifício do Altar.7 Mas devo logo sublinhar com insistência que a participação ativa não pode ter como parâmetro de sucesso o entretenimento bem sucedido dos fieis: a verdadeira participação é aquela que leva à interioridade, à relação íntima com Deus. É uma participação interiorizada, pois é uma participação na ação sacra da Missa, com a consciência de seu profundo significado para a nossa vida quotidiana. 

Em outras palavras: "somos engajados na ação de Cristo", como disse o Cardeal Burke. A participação ativa deve, portanto, partir da consciência de que a verdadeira ação litúrgica, o verdadeiro ato litúrgico é a "Oratio"; a grande oração, que constitui o núcleo da celebração litúrgica e que, justamente por isso, teve o seu conjunto denominado pelos Padres com este termo, "Oratio".8 

A Oratio, compreendida como oração eucarística, é a ação mais alta, que abre espaço para Actio divina: é o próprio Deus quem age e cumpre o essencial na liturgia eucarística. Portanto, todos os cristãos são chamados a entrar na Ação de Deus e, de certo modo, a se tornarem uma única Actio com Ele, como Eucaristia viva. Esta é a verdadeira participação ativa. Deus age e nós nos atiramos dentro deste agir de Deus.9 Mas nós só podemos entrar nesse agir de Deus com uma atitude de silêncio, de espanto e de adoração. O movimento gerado pelo Santo Pontífice com a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, como o Cardeal Burke observa, foi motivado pelo "desejo de 'reavivar' nosso maravilhamento pela Eucaristia".10

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1. Cf. o meu livro "Deus ou nada", cap III. 


2. Rm 15, 16 

3. Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 55. 

4. Idem, Ibidem, n. 53. 

5. Idem, Ibidem, Ecclesia de Eucharistia, nn. 53-55. 

6. Cf. p. 96. 

7. Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 10. 

8. Cf. J. Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia, Paulinas, Prior Velho, Portugal, 2001, pp. 127, 128, 129. 

9. Cf. Idem Ibidem

10. Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 6.

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Fonte:
BURKE, Raymond Leo. O Amor Divino Encarnado, a Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade. São Paulo: Ecclesiae, 2007, pp. 7-9.

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