A Imaculada Conceição de Maria Santíssima e a Concepção Virginal de Nosso Senhor Jesus Cristo


Por Pe. João A. Mac Dowell S. J. e Henrique Sebastião

O QUE QUER DIZER “Imaculada Conceição” de Nossa Senhora? Muita gente sabe que essa expressão se refere a Virgem Maria, mas não entendem bem o que significa.

O nome próprio "Conceição" ou "Maria da Conceição" é dado a muitas meninas em honra da Imaculada Conceição (ou Concepção) de Maria de Nazaré. A palavra conceição ou concepção significa, aqui, o ato de ser concebido ou gerado um novo ser humano no seio de uma mulher. Imaculada significa "sem mancha; sem mácula", no caso, de pecado. Logo, o significado é concebida sem pecado. Mas o que isso quer dizer?

Não poucos pensam que quando a Igreja usa estes termos está se referindo à pureza imaculada da concepção de Jesus no seio de Maria. É certo que Jesus não nasceu da relação natural de uma mulher e um homem, mas por Obra do Espírito Santo. É isto o que afirmamos no Credo, quando dizemos: "...Nasceu da Virgem Maria..". Mas não é por causa de sua virgindade que a Igreja dá a Nossa Senhora o título de “Imaculada Conceição”. Este título se refere à concepção da própria Maria no seio de sua mãe.

Não significa, de modo algum, que sua concepção foi virginal como a de Jesus Cristo, como afirma o livro de Rodrigo Alvarez (veja). Dizer isto, na realidade, é cair em grave heresia. Maria, totalmente humana, nasceu como as pessoas comuns, isto é, da relação conjugal de seus pais naturais, que a Igreja chama São Joaquim e Santa Ana (ou Sant'Ana).

A Conceição Imaculada de Maria é uma outra coisa: não tem nada a ver com seus pais, por mais virtuosos que fossem, mas sim é um Dom especialíssimo que Deus Todo Poderoso quis dar a Maria: significa que desde o início de sua existência ela esteve livre do Pecado original.

A Sã Doutrina nos ensina que toda a humanidade participa do Pecado dos primeiros seres humanos, que a Bíblia denomina "Adão e Eva". É como uma marca hereditária –, espiritual e física –, que uma pessoa transmite a todos os seus descendentes. Por isso, todos nós vivemos intensamente a experiência do pecado e de sermos pecadores.

Se formos sinceros, reconheceremos que não seguimos sempre retamente a nossa consciência. A carne é fraca e somos vencidos pela gula, pela luxúria, pela ira, pelo desânimo e por toda sorte de más influências, que nos chegam tanto dos nossos inimigos visíveis (como as más amizades) quanto invisíveis (os demônios tentadores). Toda a grande família humana ficou marcada por esta mancha.

Só e exclusivamente Jesus Cristo, Deus feito homem, pode livrar-nos do pecado e das suas consequências. Pela Fé e pelo Batismo nos reconciliamos com Deus e voltamos a viver como seus filhos e filhas.

Maria, a Mãe do Senhor (Theotokos), entretanto, recebeu por Graça Divina um privilégio especialíssimo. Porque no plano de Deus ela estava destinada a ser a mãe de Jesus Cristo, o Salvador, ela foi liberta da mancha do Pecado desde a sua concepção. Assim, ela jamais esteve separada de Deus e pôde alinhar, com um “sim” incondicional e sem vestígio de hesitação, sua vontade à Vontade do Altíssimo. É esta santidade de Maria Cheia de Graça (κεχαριτωμένη) que a Igreja proclama quando fala de sua Imaculada Conceição.


Cheia de Graça, salva por Cristo

Apesar de a palavra grega κεχαριτωμένη (um vocativo) poder ser corretamente traduzida como "agraciada", como insistem os protestantes, vemos que Gabriel Arcanjo não a chama "Maria", mas recorre ao uso deste termo, que já indica o motivo da escolha por ela e o quão importante seria sua participação na história da salvação (Lc 1,28). É como se no momento da Anunciação, Maria tivesse trocado de nome para, assim, ser chamada pelo título que a representava espiritualmente. Agraciada? Sim, desde o momento de sua concepção.

O uso dessa palavra denota a altíssima importância de Maria no relato do evangelista, uma vez que, em toda a literatura bíblica, nesse único versículo nos são apresentados dois fatos humanamente incomparáveis: 1) a única vez, em todo o projeto de salvação, que uma mulher foi saudada por um Anjo; 2) o único registro bíblico do uso do vocativo κεχαριτωμένη, indicando que a Graça manifestada em Maria traria ao mundo, dentro de si – de sua carne e seu sangue – o próprio Deus encarnado (Mt 1,23).

Maria não recebeu uma graça particular dentro do tempo, como qualquer um de nós, mas sim anterior ao tempo; anterior e transcendente mesmo à sua própria existência. Maria foi já, por assim dizer, "planejada" por Deus em estado de graça: “Não temas, Maria! Encontraste Graça junto de Deus!” (Lc 1,30).

Assim como Jacó foi escolhido antes mesmo do seu nascimento (Rm 9,11-13), Maria foi escolhida, preservada e preparada para a missão de ser portadora de Deus, Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança.

Como pode, entretanto, a Igreja ensinar que Nossa Senhora foi concebida sem pecado, se, segundo a Bíblia e a Tradição cristã, Jesus morreu na Cruz para salvar toda a humanidade do pecado, e que não pode haver salvação fora d'Ele?

Simples. Maria não encontrou salvação fora de Cristo. Jesus, Nosso Senhor –, insistimos –, é o único Redentor e Salvador de todos. É Ele o único Salvador até mesmo das pessoas que viveram antes do seu Nascimento no mundo e, para ilustrar esta verdade, as Escrituras mostram-no descendo à Mansão dos Mortos (Infernus) para para abrir as portas do Céu aos justos que o haviam precedido (cf. CIC §637). Vemos, assim, que a salvação mediante Jesus Cristo não está condicionada ao tempo nem ao espaço, com diz o Apóstolo: "Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor"  (Rm 8,38-39).

Foi prevendo a Encarnação e Morte de seu Filho que Deus comunicou a Abraão e a todos os justos do Antigo Testamento a Graça da Fé na sua Promessa de salvação. Como Filho de Deus feito homem, Jesus é o único que não precisou ser salvo do Pecado que afeta toda a família humana. Assim, Maria também foi salva do Pecado pela Graça que Cristo, seu Filho, iria merecer com sua Paixão e Morte. É esta face fundamental da doutrina católica que os protestantes não querem entender e –, temos que reconhecer –, muitos leigos católicos também parecem desconhecer.

Maria, sendo humana, pertence à humanidade pecadora e não poderia se libertar de tal situação por seus próprios méritos. Mas foi capaz de agradar a Deus porque Ele mesmo o quis, isto é, pela força do seu Espírito Santo. Assim é que Maria, Mãe do próprio Deus encarnado, esteve livre do pecado desde o primeiro instante de sua existência – o instante da sua concepção. Exatamente nisso é que consiste o dogma da sua Imaculada Conceição. 

A grande diferença entre Maria e os outros santos –, e nós mesmo –, é que todos nós somos libertados do Pecado que já existe em nós pela Graça de Cristo. Maria, ao contrário, foi preservada de qualquer pecado desde que foi concebida, porque recebeu naquele instante o Espírito Santo de Deus. Segundo o dogma, isso "era necessário porque era preciso que a Mãe do Senhor, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, fosse imaculada, assim como era intocável e feita do ouro mais puro a Arca da Antiga Aliança" (ver o texto integral). 

Por isso, Maria já é Cheia de Graça antes do momento da Encarnação de Cristo, por efeito do seu Sacrifício Redentor. Por isso, a Igreja a louva e saúda como fez Isabel, cheia do Espírito Santo, chamando-a "Mãe  do Senhor / Mãe de Deus" e "Bendita entre as mulheres" (Lc 1,39-56).

_____
Fontes:
• Acadêmico Arautos, em:
http://academico.arautos.org/2011/12/o-que-significa-imaculada-conceicao/
• Apologética Cristã, Maria Cheia de Graça ou Agraciada?, em:
http://accapologeticacristacatolica.blogspot.com.br/2015/07/maria-cheia-de-graca-ou-agraciada.html
www.ofielcatolico.com.br

4 comentários:

  1. Maravilhoso ensinamento sobre a Imaculada Conceição, Maria foi preservada do pecado original, mais Maria não foi preservada das tentações de satanás, muitos podem pensar assim é fácil foi preservada.Maria Santíssima foi preservada da mancha do pecado original,mais das tentações do inimigo não, assim como eu e você somos tentados Maria Santíssima também foi, mais venceu todas uma por uma com suas virtudes.Por isso que Satanás a odeia pois foi vencido por uma Mulher que negou as tentações e ensinou seu filho a negalas também.(Isaias 7,14-15)

    ResponderExcluir
  2. Excelente artigo atendeu as minhas orações, as quais eu pedia respostas sobre a natureza da Mãe de Deus. Agora, a duvida foi esclarecida, sinto uma leveza e tenho conteúdo para o bom combate quando se tratar desse assunto. Muito Obrigado!

    ResponderExcluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$9,50. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail