O pecado da luxúria


ALGUMAS PESSOAS VÊM confundindo o significado da palavra "luxúria". Por ignorância, imaginam que luxúria seria a qualidade de alguém que vive no luxo... O significado verdadeiro da palavra, porém, nada tem a ver com "luxo". Luxúria é a corrupção do próprio corpo, a lascívia, a sensualidade exacerbada; é uma tendência para o abuso do sexo.

Sexo saudável tem a ver com amor entre um casal, e tem a ver também com a reprodução humana, com levar adiante as gerações. Usar o sexo somente para diversão, como se fosse uma forma de lazer, fatalmente trará consequências negativas para a vida da pessoa e para as vidas dos seus próximos.

Quando a Igreja diz que devemos usar o sexo somente dentro do casamento, não é para reprimir nem privar ninguém da liberdade. Essa não é uma postura castradora contra o jovem, que quer descobrir as boas coisas da vida e desfrutar delas alegremente. O que a Igreja faz é nos ajudar a encontrar a verdadeira e perfeita liberdade, que foi prometida pelo Cristo. “Se o Filho do Homem vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (João 8, 36).

Ser livre não é fazer tudo aquilo que queremos, do jeito que queremos e na hora em que quisermos. O problema é que nós somos ainda imperfeitos, e em muitos aspectos somos como crianças engatinhando, aprendendo a viver. Por isso, o Senhor diz: “Se não estiverdes em Mim, nada podereis fazer” (João 15, 5). Assim, tudo aquilo a que nos entregamos sem medidas, sem nos  educarmos, pode nos escravizar. Mesmo as coisas boas podem se transformar em vícios que nos privam da liberdade que Deus nos dá, e o sexo se inclui aí. Na realidade, a prática sexual desordenada tem um potencial tremendo para se tornar um dos piores vícios, escravizando-nos cruelmente. Se não for combatida, pode levar à animalização do ser humano, e muitos casos desse tipo foram relatados como alerta em testemunhos impressionantes, como é o caso de Joseph Sciambra, um ator pornográfico homossexual norte-americano que se converteu à Fé cristã católica. Em seu livro "Swallowed by Satan" ['Tragado por Satanás'], ele relata como Nosso Senhor o salvou "da pornografia, da homossexualidade e do ocultismo". Disponibilizamos a seguir um breve resumo da sua história, publicado no site do Padre Paulo Ricardo.


Pornografia: um capítulo à parte

Tudo começou no norte da Califórnia, onde Joseph nasceu, em 1969. Enquanto o movimento homossexual criava uma espécie de "bairro gay" no distrito de Castro, San Francisco, o rapaz crescia folheando revistas pornográficas desde a mais tenra idade. Embora fosse mandado para colégios católicos desde o jardim de infância, a educação liberal que recebia naqueles anos pós-Concílio Vaticano II não tinha nada a ver com a verdadeira fé da Igreja. Sciambra cresceu sem fé: sequer sabia quem era Jesus Cristo.

Nessa situação trágica, já viciado em pornografia, Joseph foi atrás de sexo mais "emocionante". À procura de descargas de dopamina cada vez maiores, passou a consumir material homossexual. Esse é, na verdade, um roteiro muito comum entre os dependentes de pornografia. Como o cérebro da pessoa vai ficando "dormente" aos conteúdos ditos "softcore" (pornografia mais leve), o adicto busca drogas cada vez mais pesadas: da mera nudez e sexo heterossexual, passa ao sexo contra a natureza, até as relações violentas e fetiches absolutamente monstruosos. Um abismo atrai outro abismo e coisas que são extremamente repugnantes para qualquer pessoa normal vão se tornando aceitáveis e até atraentes para o viciado.

Com 19, Joseph passa a frequentar o distrito de Castro. No convívio com um homem mais velho, que se torna seu amante e começa a filmar suas performances sexuais, ele entra mais e mais fundo no mundo da pornografia, agora como ator. Como, em suas palavras, o ser humano não é capaz de não acreditar em nada, Sciambra mergulha no ocultismo: do esoterismo new age, chega ao satanismo. Gravando cenas sexuais cada vez mais extremas e perigosas, porém, ele é acometido por sérios problemas médicos, até adoecer e, por fim, chegar à beira da morte. Em uma "experiência de quase-morte" (near-death experience), Joseph se vê às portas do Inferno, escoltado por dois demônios. Desesperado, ele afinal clama pelo auxílio de Deus. Assim, ganha uma nova oportunidade e volta à vida.

Depois desse acontecimento e de uma longa jornada de conversão, Sciambra refez o caminho rumo à Igreja Católica. Em seu apostolado na Internet, ele conta como "desceu aos infernos" e, agora, leva uma vida de fé e castidade. Hoje, o rapaz que passou boa parte de sua juventude à procura de parceiros sexuais tem, em São José, o seu modelo de pureza e masculinidade.

No vídeo intitulado "Dead Gay Porn Stars Memorial", abaixo, Joseph Sciambra faz memória de um grande número de atores pornográficos homossexuais vitimados pela AIDS, outros tantos que cometeram suicídio ou morreram de overdose de drogas.


Na internet há muitos outros vídeos semelhantes, revelando o fim terrível que têm muitas "estrelas pornô" e o segredo sujo por trás dessa indústria de moer carne humana. Pesquisas comprovam, por exemplo, que 75% dos atores pornográficos são dependentes químicos e 88% das imagens encenadas por eles são verbalização de violência. Também são conhecidas várias histórias de atrizes pornográficas que, tendo conseguido sair deste mundo – no qual eram tratadas realmente como animais –, trazem até hoje, no entanto, as lembranças dolorosas de seu passado. Os produtores desses filmes, preocupados apenas em ganhar dinheiro, contratam médicos que só querem saber de melhorar o desempenho sexual dos atores, enquanto sua saúde definha, muitas vezes até a morte.

Esse vídeo –, assim como outros, na mesma linha –, dão-nos ocasião para uma meditação. Ao olhar para aquelas faces jovens, de olhares tristes, como que mortos em vida, pergunte-se onde estão agora e em que estado de alma morreram. Ainda pior, todavia, pode ser o efeito causado nas vidas dos milhares que assistiram seus filmes. Quantas tragédias custaram apenas um clique? Um clique que ceifa vidas humanas, alimenta a cruel e impiedosa indústria pornográfica e, sobretudo, lança almas – de quem produz quanto as de quem consome – na perdição eterna.

Mesmo em vida, a pornografia deixa sequelas emocionais seríssimas, de modo que se pode dizer que ela realmente mata a capacidade humana de amar. Olhando para o homem, é possível notar algo que o distingue de todos os animais: a capacidade que tem de se contrariar. Os animais podem ser contrariados – quando, por exemplo, um macho deseja uma fêmea, mas outro, mais forte, o impede de acasalar –, mas não são capazes de se privar de alguma coisa isso voluntariamente, pelo bem do outro, como o homem é capaz.

Com o vício, essa capacidade humana fica tremendamente comprometida. A pessoa que vê pornografia e se masturba com frequência perde a própria força de vontade. Na medida em que cresce a dependência, pessoas chegam a se masturbar sem sequer sentir prazer. Como, para proteger o organismo, os receptores dos neurônios bloqueiam a passagem de dopamina, cada ato sexual é cada vez menos satisfatório. É por isto que, depois de cada ato, os jovens ficam extremamente nervosos: já que não conseguiram o prazer fácil que desejavam, irritam-se. Há vezes em que essa ira fica contida, transformando-se em uma espécie de tristeza – trata-se da acídia, sobre a qual falamos por aqui.

Fechadas em si mesmas e transformadas por uma visão completamente distorcida de sexualidade, as pessoas chegam a se tornar incapazes de uma relação sadia com o outro. O relacionamento conjugal é profundamente abalado. Aos esposos adictos se seguem esposas tristes e inseguras. As mulheres veem que não podem ter a beleza artificial e falsa das atrizes pornográficas. Muitos maridos, por sua vez, viciados na ilusão inventada pela indústria pornográfica, passam a sofrer de problemas como impotência e disfunção, porque também não se podem comparar aos verdadeiros garanhões humanos dos filmes.

A pornografia realmente mata o amor, desumaniza o ser humano. Que tenhamos, pois a coragem de assumi-la como a grave doença que é, e buscar a restauração.


Castidade e vida sexual saudável

O Sexto Mandamento de Deus trata dos pecados contra a castidade, que "significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual" (CIC 2337). Ainda segundo o Catecismo, "todos os batizados são chamados a viver a castidade", cada um dentro do seu estado de vida, evidentemente. (CIC 2348)

O prazer sexual não é algo condenável, como muitos ainda imaginam, desde que seja vivido em harmonia com as suas finalidades: união e procriação. Isso quer dizer que aos casais, unidos em matrimônio e abertos à vida, é perfeitamente natural obter os prazeres oriundos da relação sexual. Somente quando o prazer sexual é dissociado de seu objetivo primeiro, sendo buscado como um fim em si mesmo, torna-se moralmente desordenado. A masturbação e a pornografia inserem-se nesse contexto. São, portanto, ofensas à castidade.

Já a masturbação é definida pelo Catecismo da Igreja como "a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. Na linha da Tradição constante, tanto o Magistério da Igreja quanto o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado" (CIC 2352).


A consequência mais séria

Além de tudo, quando se usa e abusa do sexo indiscriminadamente, cedo ou tarde pode-se acabar gerando uma criança, e pior, provavelmente uma criança indesejada – e uma criança é para sempre. Justamente porque uma criança é para sempre, o relacionamento de duas pessoas que compartilham intimidades sexuais também deve ser para sempre. É simples assim. Afinal, toda criança tem o direito de ter um pai e uma mãe responsáveis. Por isso é que precisamos saber usar do sexo com uma pessoa que amemos profundamente, e com quem tenhamos intimidade, cumplicidade e estabilidade: nosso(a) esposo(a). "E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 10, 8-9).

Vemos na sociedade humana global a família cada vez mais desagregada, e por quê? Em boa parte, justamente por causa do pecado da luxúria; por vermos o sexo como um tipo de lazer, um prazer individual, egoísta, uma diversão que serve para "desestressar" e que não exige responsabilidade nenhuma. Mas não foi assim que Deus planejou. Fato é que todas as vezes que vamos buscar sexo somente por prazer, voltamos um pouco piores do que fomos. Todas as vezes que uma pessoa faz sexo contra a estabilidade que deve ter, dentro da união matrimonial (que é a Vontade de Deus para nós), fica um sentimento depressivo de perda, de tristeza, de uma espécie de morte ou a sensação de que algo bom foi perdido, como um cristal que se quebra. Com o sexo gratuito cria-se uma ilusão, e a ilusão, claro, nunca corresponde às expectativas. Sempre se sai decepcionado, a alma vai se tornando a cada vez um pouco mais manchada. 


Vencer a Luxúria

Para vencer a luxúria –, o desregramento de procurar a felicidade no sexo –, só há um jeito: cair na realidade. E cair na realidade significa não se deixar usar e levar por ilusões. O estilo de sexo trazido pela pornografia é claramente falso, fantasioso, artificial. Deturpa a dignidade humana até as últimas consequências. Satanás é o pai da mentira e o maior inimigo da humanidade, e o que ele diz? “Entregue-se, faça sem medidas e você vai ser feliz!”; mas quando você o escuta e faz como ele diz, não fica feliz, não alcança a plenitude que desejava e imaginava, ao contrário: tudo que acontece é um afastar-se de Deus e um tornar-se cada vez mais dependente, depressivo, privado da liberdade, do domínio sobre o próprio corpo.

O principal órgão sexual do ser humano é o cérebro. Quanto mais nos entregamos à nossa imaginação, às fantasias desmedidas, mais nos perdemos, mais nos tornamos escravos dos nossos próprios desejos. Como sair desse triste estado mental?

Através do contato diário, concreto e amoroso com Deus é que conseguimos reverter essa situação, ir além dessa tendência que se parece com a lei da gravidade: sempre nos puxa para baixo. Reze diariamente, vá a Igreja com frequência, ocupe sua mente com as coisas santas, o serviço ao próximo (sua paróquia com certeza está precisando de voluntários para diversos trabalhos e pastorais)...

Ajude o seu cérebro a se livrar das ilusões, aproximando-se cada vez mais de Deus, que é a Verdade, e da sua Igreja: quando surgir um desejo ou um ímpeto para a luxúria, reze ou vá praticar um ato de caridade. Implore a Virgem Santíssima que o liberte, e também a São José, seu castíssimo esposo e nosso pai espiritual. Sem dúvida é mais fácil falar do que fazer, mas assim é que se liberta a alma do vício da luxúria.

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Ref.:
'A pornografia mata o amor, disp'. em:

https://padrepauloricardo.org/aulas/a-pornografia-mata-o-amor
Acesso 12/2/2018

www.ofielcatolico.com.br

3 comentários:

  1. Valioso este artigo. Se todos os jovens pudessem ter acesso antes de se perderem. Serve tb para os casados que as vezes querem novidades.E se perdem.

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  2. independente que sejamos protestantes ou católicos ou qualquer ser humano que tenha um pouco de temor a DEUS,doe em nossos corações ao vermos como o Homem obra prima da criação, esta cada vez mais longe do seu CRIADOR.
    Este artigo é um lembrete para que nunca esqueçamos que somos a Imagem e semelhança do TODO PODEROSO(DEUS é AMOR e também JUSTIÇA)

    O Senhor lhe Abençoe

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  3. Por favor, rezem por nós jovens que estamos tentando sair desse vício maldito (pornografia e masturbação). Além de ser pecado grave, traz inúmeros problemas psicológicos, como depressão, ansiedade, fobia social, disfunção erétil, etc.

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