Desabafo do Padre Luis Fernando Alves Ferreira

Diocese de Itumbiara – GO



SOU PADRE HÁ quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança, na roça, e ia com minha família à Missa uma vez por mês, eu sabia que naquela Hóstia "tinha Jesus". 

Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me persignar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo meio estranho, porque não entendia a Missa, mas sentava no primeiro banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do sermão. 

Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A Missa pela qual eu sempre nutri o maior religioso respeito

virou palco;

virou show;

virou passeata;

virou passarela;

virou camarim de estrela;

virou sambódromo;

virou terreiro;

virou tudo e suportou tudo;

menos ser de fato, Missa.

Já vi tanto desleixo… Alfaias pruídas, vasos sagrados zinabrados, Hóstias Consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio de uma reforma de Igreja com Hóstias Consagradas dentro, consagração de vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um exército de MESC para consumi-las, porque o padre não poderia fazê-lo sem ficar bêbado, e outros tantos abusos.

Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a reinterpretação que a Missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir: “Ah, o jeito do outro padre é diferente...”. Isso denota uma personalização que a Missa não comporta. A Missa nunca foi a Missa do padre, mas a Missa da Igreja!

Essa mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer celebrar a Missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de retrógrado. O respeito às normas litúrgicas agora é sinônimo de "opressão". A Missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL… A Missa se transformou… Virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema e
contra a Igreja;

contra os padres;

contra a fé católica de sempre;

contra a liturgia de sempre.

Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão, pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de cheiro na Missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. 

Para essa CORJA, a Missa já deixou há muito tempo de ser o Sacrifício redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem.

Lembro-me de um professor contando, todo garboso, que certa feita utilizou-se de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao povo – aos seus moldes é claro – porque para ele aquela Hóstia era "pobre de significado".

Aquela Hóstia pobre…

tão pobre quanto o cocho de Belém;

tão pobre quanto a cama em Nazaré;

tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum;

tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia;

tão pobre quanto o coração do Filho de Deus.

Ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo porque Ele se fez pobre!

Sua pobreza não comporta reduções, tampouco acréscimos desnecessários.

Ele é aquele que é e nada mais.

Mas, só para quem tem fé!

Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça. Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a Missa da Igreja, a Missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às nossas mentes e corações! Que Ele toque as vidas, inclusive as nossas. Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa Liturgia seja feita Por Cristo, Com Cristo e em Cristo ao Pai, na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito, teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.

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8 comentários:

  1. Senhor Padre Luis,de fato é muito triste vermos o que está acontecendo com o SANTO SACRIFICIO DA SANTA MISSA, hoje podemos chamar de qualquer coisa, menos de SANTA MISSA. Aqui na minha diocesse é triste e unânime você escutar um sacerdote dizer: "Pecado nenhum podem nos afastar da eucaristia, pois a eucaristia é o remedio para nossas almas" Meu DEUS que frase diabolica essas usadas por esses lobos vestido em pele de cordeiro. VEM SENHOR JESUS BUSCAR SUA ESPOSA QUE SOFRE TANTO NESSES TEMPOS FINAIS. Verdadeiros filhos da igreja façamos orações em reparações a JESUS EUCARISTICO. A Paz

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  2. Deus seja louvado! Que bom saber que ainda tem sacerdote como o senhor, Padre Luís! Que ensina a doutrina da Santa Igreja Católica ! Deus o abençoe e o proteja em sua missão evangelizadora! Continue perseverante na fé e ensinando o Evangelho de Jesus Cristo!

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  3. Infelizmente, há muito tempo a Missa é desvirtuada. Que bom que ainda existem padres conscientes e respeitosos.

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  4. Fico satisfeito de ver um padre dizendo essas coisas, é o que eu venho percebendo a muito tempo. Existem pessoas na Igreja querendo transforma-la num neo-pentecostalismo católico, dia disso ou dia daquilo. É uma criatividade impressionante, sempre introduzindo algo, ora no começo, ora no meio, ou no fim das missas e já vi padre agilizando a missa, para não atrasar o horário, devido aos eventos extra oficiais. Posso estar errado, mas pelo que li, o missal deve ser seguido sem desvios ou pressa, pois a missa, como lembra o padre Luis, é absolutamente centrada na Eucaristia. E cria-se também uma situação contraditória, que seria cômica se não fosse trágica, se alguém for questionar essas práticas, meio neo-pentecostais na Igreja, logo é taxado de católico protestante. Sinceramente, não sei o que é pior, ir a missa e passar desgosto com essas coisas, ou ficar em casa. Confesso que infelizmente tenho ficado em casa.

    A paz de Cristo!

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  5. Somente achei estranho que um cidadão tenha tecido um comentário baixíssimo contra o padre, e ao invés de receber uma resposta adequada, teve o referido texto deletado.

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    1. Qual seria os sentido de publicar um comentário de baixíssimo nível, somente para refutá-lo, e aí o sujeito volta, rebate e fica aquele bate-boca tão inútil e tão típico das redes sociais?

      Nosso objetivo por aqui é outro. Aquele comentário só passou por uma falha de nossa parte, mais nada. Nossa finalidade é o esclarecimento e uma troca de conhecimento saudável e edificante para todos, para a glória de Deus.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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  6. Eu até pensei em responder ao comentário absurdo, que caiu até mesmo na manjada mentira de citar Constantino como fundador do catolicismo, mas lembrei da sábia política dos mantenedores do site que optam por não alimentarem os trolls.

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