Da queda do Homem, da natureza humana e da misericórdia infinita de Deus


O TEXTO A SEGUIR, uma livre adaptação do capítulo I da obra "This Tremendous Lover", de Dom Eugene Boylan, OCR (1904-1964) aborda questões teológicas fundamentais com base na interpretação clássica (literal) das narrativas do AT, notadamente do relato da Criação do Livro do Gênesis. Atualmente, a quase totalidade dos teólogos, em consonância com o Magistério da Igreja, admitem a interpretação dos personagens Adão e Eva como a personificação analógica da humanidade primitiva, já que o próprio estudo da filologia demonstra que "Adão" e "Eva" não são necessariamente nomes próprios de pessoas históricas. 

Sem abrir mão da fé primordial de que fomos criados por Deus e pela Vontade divina –, tenha sido ou não a partir da criação de um casal primordial –, a Igreja deixa para a pesquisa científica as investigações das realidades pré-históricas. O Livro do Gênesis, evidentemente, usa de linguagem figurada ou parabólica em diversos trechos para nos revelar verdades espirituais muitíssimo mais profundas do que a mera narrativa literal de acontecimentos primais. Deus pode ter criado o ser humano, homem e mulher, servindo-se da evolução da matéria até chegar ao grau de complexidade dos organismos humanos –, o que, aliás, concorda com a ordem do surgimento dos seres vivos dada pela Bíblia –, e isso em nada diminui a fé cristã ou a infalibilidade da Bíblia Sagrada.


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“No princípio”, diz-nos S. João, “era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Todas as coisas começaram com Deus que, Ele próprio, não tem princípio, pois existe desde sempre.

Nossa vida neste mundo é limitada em muitos sentidos, e também nós só podemos compreendê-la, em suas diversas dimensões, muito imperfeitamente, pois ela nos chega pouco a pouco, um dia de cada vez, sucessivamente, e não toda de uma vez. Temos de esperar que a um momento se suceda outro momento, assim como as contas do Rosário que passam através dos dedos das pessoas devotas.
Mas a vida de Deus é ilimitada em todo sentido; Ele a possui toda, de uma vez, ontem hoje e amanhã como uma só coisa completa, perfeita, finalizada. O Ser supremo existe por Si mesmo, é infinito sob todos os aspectos, infinitamente "feliz", pleno e completamente suficiente a Si mesmo. Nem podemos julgar que Ele se sinta só, pois, além de em Deus existir a Trindade de Pessoas divinas, n'Ele repousa e tem seu início e seu fim toda a diversidade de vida que conhecemos e que não conhecemos.

No conhecimento humano, podemos distinguir um entendimento que conhece, um objeto que é conhecido e uma ideia que representa, na mente, o objeto conhecido. Existe sempre, porém, uma grande diferença entre a ideia e o objeto a que ela corresponde. No conhecimento divino, todavia, há a perfeição. Deus conhece-se a Si mesmo, e seu conhecimento é tão perfeito que corresponde exatamente ao objeto conhecido. A Ideia, ou o “Verbo”, como diz S. João, que Deus tem de Si mesmo é tão perfeita que é o próprio Deus: a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; o Verbo é Deus. Não há “dois deuses”, mas há duas Pessoas em um só e único Deus, o Conhecedor e o Conhecimento: o Pai e o Filho. Estes Dois são Um só Deus.

Em Deus existe também Vontade e Entendimento, e Deus se ama de acordo com o seu conhecimento. O Amor mútuo do Pai e do Filho é perfeito, e esse Amor é também uma Pessoa: a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a quem chamamos Espírito Santo. Estas Três Pessoas são Um só Deus.

Falha-nos a linguagem; nossos idiomas, bem como nossa capacidade intelectual, são insuficientes para que possamos falar da Vida e da Felicidade da Santíssima Trindade, que tudo compartilha sem nada dividir, pois cada uma das Três Pessoas é o mesmo Deus – pois existe um só Deus. Sua união de amor é tão íntima que essas três Pessoas têm uma só natureza, uma existência, uma vida. Tudo lhes é comum, ainda que cada uma tenha aquilo que poderíamos chamar sua "personalidade" distinta.

Em resumo, a Vida de Deus é uma União extática de conhecimento e amor – felicidade completa e sem fim. Deus não tem necessidade de qualquer outra coisa; sua realização, plenitude e felicidade são de tão elevado grau que nada as poderia aumentar.

Apesar disso Ele decidiu, em sua infinita bondade, compartilhá-las com mais alguém. E foi assim que nos criou, tirando-nos do nada, ou do que era não Deus. Deus não poderia, sem contradição, agir por qualquer motivo que não fosse Ele próprio. Sendo a Verdade Infinita, Deus não nega sua própria supremacia. Entretanto, ao idealizar o plano de toda a criação para sua própria glória, decidiu glorificar-se a Si próprio, tornando felizes as suas criaturas. E quando essas criaturas se revoltaram contra os seus planos, Ele foi mais longe em sua bondade e dispôs as coisas por forma a encontrar sua glória na sua misericórdia. É esse um princípio fundamental que nunca deve ser esquecido: Deus criou o mundo para sua própria glória, mas glorifica-se nesta vida pela sua misericórdia.

Os anjos eram puros espíritos, independentes da matéria, dotados de poderes essenciais de conhecer e amar, uma vez que esses poderes pertencem a todos os seres racionais. O Universo material foi criado em primeiro lugar, sem vida de qualquer espécie; a seguir, vieram as formas mais baixas de vida, a que chamamos vida vegetativa, composta de seres com o poder de crescer e reproduzir-se. Seguiu-se-lhe a criação dos animais, seres que têm o poder de sensação e o que se pode chamar de apetite sensitivo, além dos poderes de que são dotadas as plantas. Por fim, Deus criou o homem como indivíduo único, chefe da raça humana, mas nele manifestou a sua bondade de modo especial.

A essência da natureza humana compõe-se de duas partes: animalidade e racionalidade. O homem encontra-se, assim, em posição única no Universo, porque participa, de todas as formas, da natureza de todas as criaturas: o seu corpo é feito de matéria, como o resto do universo; alimenta-se e cresce como indivíduo, e multiplica-se como raça do mesmo modo que as plantas; compreende com os sentidos e experimenta desejos sensitivos, como os animais irracionais, e participa até da natureza dos anjos, porque é um ser racional dotado de entendimento e vontade. Numa palavra, pode conhecer e pode amar, e nisso até se assemelha a Deus.

Mas essa mesma complexidade da sua natureza pode conduzi-lo a dificuldades, porque a natureza animal, no homem, tem conhecimento e desejos próprios que podem opor-se e mesmo antecipar-se às decisões da sua natureza intelectual mais elevada, a qual deve regular suas ações. Além disso, essa complexidade poderia significar que a vida corpórea do homem teria de acabar, pois ele não é, por sua natureza, imortal. Foi no que diz respeito a estes dois pontos que Deus mostrou a sua bondade: porque, na criação do homem, Deus não se mostrou satisfeito em dotá-lo com a perfeição de tudo o que a natureza humana exigia, mas foi além, acrescentando dois privilégios. O primeiro, o privilégio da imunidade da morte; o outro foi o que é conhecido como dom da integridade.

Para compreender este último privilégio, temos de partir do princípio de que, sendo animal, o homem é dotado do poder de conhecimento dos sentidos e pode experimentar desejos do que é agradável aos mesmos. Pode desejar alimentos ou prazer, pode exaltar-se; está, na realidade, sujeito a todas as paixões animais. Ora, esta vida dos sentidos, no homem, procura o seu próprio bem, que não é de forma alguma idêntico ao bem real indicado pelas suas faculdades racionais. Pode, assim, surgir um conflito no próprio ser do homem, como diz S. Paulo: “A carne tem desejos contrários ao espirito” (Gl 5,17) – e poderá tornar-se necessário um grande e penoso esforço para assegurar a devida supremacia da razão.

Adão e Eva foram ainda dotados de outro privilégio: o da “integridade”, em virtude do qual sua razão tinha domínio completo sobre sua natureza animal; não podiam ser arrastados pelos desejos dos sentidos para ações irracionais, e o seu juízo não podia ser enganado pelas paixões. Tinham domínio completo sobre si mesmos, e a sua natureza operava em completa harmonia e devidamente subordinada às suas faculdades mais elevadas.

Mas a benignidade de Deus nem então se mostrou satisfeita. Toda a criação está cheia de sua misericórdia e, na própria formação de Adão e Eva, sua bondade generosa e sua misericórdia manifestaram-se magnificamente. Não contente em fazê-lo participar de toda a natureza criada, Deus dignou-se a erguer o homem até o fazer participar da sua própria natureza divina. É certo que esta participação da Natureza de Deus não converte o homem em Deus; o homem não participa da natureza divina como participa, por exemplo, da natureza animal; a mudança nele operada por esta participação é mais acidental que substancial; mas, ainda assim, o homem foi elevado à ordem sobrenatural, foi-lhe dada uma vida que está muito acima do seu fim e poderes naturais; foi elevado ao estado da Graça Santificante.

Poderiam-se escrever muitas páginas sobre esta matéria, mas o verdadeiro significado da Graça continuaria sendo um mistério. Pretendemos apenas resumir aqui o nosso pensamento. Diga-se, porém, desde já, que o amor ou encontra igualdade, ou a produz: para que exista verdadeiro amor entre dois seres, torna-se necessária certa igualdade de natureza. Para que o homem pudesse amar a Deus, dignou-se Deus conceder-lhe uma tal participação na natureza divina que o habilitasse a possuir, por forma misteriosa, qualquer coisa que correspondesse ao poder, próprio de Deus, de conhecer e amar a Deus.

Por um privilégio extraordinário, o homem estava destinado, a participar – embora em grau finito –, da vida da Santíssima Trindade, e esta comparticipação devia começar mesmo aqui, na Terra.

Este foi um privilégio essencialmente sobrenatural; um privilégio a que a natureza do homem não tinha qualquer direito, nem nela havia qualquer razão que o exigisse, por qualquer título. Adão e Eva receberam a vida sobrenatural, e todas as suas faculdades foram dotadas de novos poderes e qualidades, que os habilitariam a viver essa vida nova, tão superior à sua natureza, e impossível de alcançar pelos seus próprios esforços.

Era um estado absolutamente sobre-humano, e que exigia poderes sobre-humanos; representava uma elevação do homem a uma ordem inteiramente nova e sobre-humana. Significava que o homem era colocado perante um fim de felicidade suprema inteiramente novo e sobre-humano, que se pode definir como uma participação na própria felicidade de Deus. Desde então, a felicidade natural, mesmo no seu mais alto grau, já não o poderia satisfazer. O homem teria consequentemente de se decidir: ou unir-se a Deus e partilhar da sua alegria, ou então permanecer para sempre no inferno da privação eterna.

A própria natureza das coisas impôs ao homem certas obrigações de adoração e obediência a Deus, de quem era tão dependente. Mas Deus impôs ainda um preceito especial a Adão e Eva, a fim de lhes recordar a sua sujeição e os habilitar a honrá-lo. Sanções terríveis cairiam sobre eles, se tal preceito não fosse acatado. Colocou Adão e Eva num jardim de delícias, onde tinham tudo o que era necessário à sua felicidade completa, mas excluiu uma árvore e determinou que não comessem dos seus frutos: “Porque, em qualquer dia que comeres deles, morrerás certamente” (Gn 2).

A história da transgressão dessa ordem, por Adão e Eva, e sua consequente expulsão do jardim são bem conhecidas, mas as consequências tremendas que resultaram destes acontecimentos, a enormidade da ofensa, suas causas e seu desfecho não são tão bem compreendidos. A primeira personagem a entrar em ação nesses acontecimentos foi o demônio que, em forma de serpente, falou com Eva e a aconselhou a desobedecer às ordens de Deus. Quem era o demônio?

Para responder a essa pergunta, temos de recordar que Deus já tinha criado certo número de seres racionais, chamados anjos. São puros espíritos, com completa independência da matéria, e pessoas dotadas de grandes faculdades mentais. São muito superiores ao homem e pertencem a uma classe de seres muito mais elevada.

A própria forma como exercem as suas operações mentais é diferente da do homem, pois, enquanto este procede passo a passo no processo gradual do raciocínio, eles veem a verdade imediatamente e à primeira vista, sem se enganarem. As faculdades intelectuais dos anjos, inclusive dos pertencentes aos graus mais baixos da hierarquia angélica, são muito superiores às maiores inteligências humanas. Segundo se deduz, aos anjos, depois de terem sido criados, foi dada liberdade de servirem a Deus e de se lhe submeterem. Mas um dos mais categorizados, chamado Lúcifer, acompanhado dum exército de adeptos, recusou-se a tal submissão. Sua atitude pode resumir-se na frase clássica: “Não servirei”.

O resultado dessa revolta foi a condenação dos anjos rebeldes ao inferno; e aqueles que obedeceram a Deus foram confirmados na sua amizade, entrando em plena posse das alegrias do Céu. Não é unânime a opinião sobre o motivo exato que levou esses anjos à revolta. Alguns sustentam que Deus os pôs a par do seu plano de os elevar à participação em sua própria natureza, o que implicaria o fim de sua supremacia em sua própria ordem e uma nova dependência de Deus. Outros dizem que lhes foram manifestados os planos de Deus referentes à raça humana, e que eles se insurgiram contra a proposta de terem de se sujeitar às naturezas humanas de Cristo e de sua Mãe. Mas, fossem quais fossem as circunstâncias que os incitaram à revolta, o seu pecado foi de orgulho e desobediência.

Seria erro pensar que a condenação imediata dos anjos rebeldes, sem terem tempo de reconsiderar e se arrepender, possa ter qualquer reflexo na misericórdia de Deus. A própria sublimidade das faculdades dos espíritos angélicos é tal que a reconsideração, no sentido em que a tomamos, seria sem sentido. Estavam em plena posse da realidade dos fatos, e absolutamente isentos de qualquer paixão terrena ou de falta de reflexão que perturbasse os seus juízos e, por isso, conheciam bem suas obrigações e mediram a hediondez do seu crime, com uma clarividência que nem podemos conceber.

Nenhuma parcela de tempo para reconsiderar os levaria a voltar atrás em sua decisão. Pelo seu pecado, perderam a felicidade do Céu e tornaram-se merecedores das penas inenarráveis do inferno. Isso implicava o terrível castigo da perda de Deus, da perda de toda a possibilidade de amarem a Deus ou a qualquer outra coisa, e isso vinha aliado ao conhecimento claro de que só no amor de Deus podiam encontrar felicidade, e que o seu ato livre tinha tornado esse amor impossível para sempre.

O ódio que passaram, então, a devotar a Deus e a tudo o que lhe pertencia não se pode descrever. Quando se aperceberam do plano de Deus de criar a raça humana e de erguer os seus membros às posições sublimes que eles próprios tinham perdido, sua fúria não conheceu limites. A partir desse momento, aquelas inteligências poderosas não se pouparam esforços para destruir a raça humana.

E foi com esse fim que seu chefe, que conhecemos como o demônio, falou a Eva sob a forma de serpente, perguntando-lhe por que razão Deus tinha determinado que ela e Adão deviam se abster de comer os frutos de uma árvore especial. Ao ouvir sua explicação, replicou negando que a morte seria o resultado da desobediência e que, se comessem deles, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3,5).

Não é fácil explicar o significado exato desta frase; envolve a ideia de independência completa de Deus e o poder de ajuizar, por eles próprios, o que seria o bem e o que seria o mal. Era, de fato, um apelo ao orgulho – esse desejo desordenado de importância própria. E como tal foi ele recebido.

As explicações coloridas e tocantes que por vezes se dão quanto à fraqueza de Eva, que se teria deixado arrastar pelo encanto dos frutos, ou pela sede num dia particularmente sufocante, ou ainda pela sua falta de reflexão, não têm qualquer fundamento. Eva, possuindo o dom da integridade, não podia se deixar arrastar por qualquer fraqueza proveniente da rebelião de seu apetite sensitivo. Pelo contrário, ela sabia claramente – e mais claramente do que o podemos imaginar –, o que significaria a transgressão da ordem divina para ela, para seu marido e para toda a raça humana, de quem seria mãe. Mas, apesar disso, “tomou do fruto dela e comeu; e deu a seu marido, que também comeu”.

Só depois do pecado de Adão é que foi possível avaliar as terríveis consequências da rebelião, que envolviam a ruína da felicidade temporal e eterna de toda a raça humana. À primeira vista, parece não haver proporção entre o pecado e suas consequências – o ato de se comer uma “maçã” e a ruína de toda a raça humana – tanto mais que alguns pretendem ver nessa história uma alegoria sobre qualquer pecado mais grave, um pecado talvez da carne. Tal teoria é incorreta e desnecessária, porque Adão e Eva não eram apenas homem e mulher, mas possuíam também o dom da integridade e, por isso, não podiam ser arrastados por qualquer paixão. Para apreciar a verdadeira malícia do seu pecado, temos de ler no seu espírito e procurar compreender a enormidade do seu orgulho e desobediência; porque esse foi o pecado dos nossos primeiros pais – orgulho e desobediência, esta derivada daquele.

É bom que tenhamos em conta a perfeição da natureza de Adão. Sua mente era dotada de faculdades e de conhecimento, dons esses que nenhum dos seus filhos possuiu em tão alto grau. Sem estar sujeito a paixões, ele via a vida com toda a clareza, compreendia perfeitamente a sua dependência de Deus e os deveres que tinha para com Ele. Sabia perfeitamente que Deus o tinha erguido gratuitamente à condição de participante da sua própria natureza divina, e o tinha tornado seu amigo. Sabia ainda que ia ser o pai da raça humana, e que fora favorecido com os dons da sabedoria e com os conhecimentos necessários para instruir sua descendência. Sabia, além disso, que sua participação na vida de Deus pela Graça dependia de sua obediência a Ele, e entendia claramente que, se perdesse a Graça pelo pecado, não só ele próprio a perderia, como também a perderiam seus filhos.

Conhecendo tudo isso, ele, calma e deliberadamente, decidiu revoltar-se contra as ordens expressas de Deus, e com seu orgulho e revolta rejeitou os planos divinos para a felicidade de toda a raça humana.

Os primeiros efeitos dessa revolta manifestaram-se imediatamente, quando o par delinquente compreendeu logo que o seu privilégio de integridade estava perdido. No próprio momento em que, pela revolta, eles firmaram a independência da sua natureza humana e rejeitaram a subordinação a Deus, que era necessária para poderem participar da natureza divina, a sua natureza animal deixou de estar sujeita à razão e começou, então, essa infindável revolta da carne contra o espírito, que se chama concupiscência. Mas não foi só isso: as próprias forças químicas que constituíam o seu corpo revoltaram-se também, pois que, retirado o dom da imortalidade, era fatal a desintegração de todo o organismo humano pela morte. Foram expulsos do jardim de delícias e condenados a ganhar o seu pão “com o suor do rosto” até que, depois de uma vida de trabalho e esforços, voltassem pela morte ao pó de onde tinham vindo.

O fato de Adão e Eva terem-se arrependido do seu pecado e terem sido perdoados por Deus não salvou seus filhos. Seus descendentes nasceram no estado de privação da Graça, conhecido como Pecado Original, e passaram a estar sujeitos a todas as misérias inerentes à perda da amizade de Deus e à sua sujeição ao poder do demônio.

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** A obra 'This Tremendous Lover' foi publicada no Brasil sob o título 'Amor Sublime'. Dom Eugene Boylan (1904-1964), monge trapista, destacou-se como autor de temas espirituais.

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