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A certeira resposta de Rodrigo Constantino a Luis Fernando Veríssimo

"Inacreditável é, depois de dois mil anos de civilização cristã, existir gente que ama seus filhos e seus cachorros e se emociona com a novela e mesmo assim defende o vigilantismo brutal, como se fazer justiça fosse enfrentar a barbárie com a barbárie, e salvar uma sociedade fosse embrutecê-la até a autodestruição."
– Luis Fernando Veríssimo


"Não, o inacreditável, aqui, é a esquerda manter um discurso por tanto tempo de que bandido é 'vítima da sociedade', que jovens assassinos devem ser tratados como pobres coitadinhos. No mais, como a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, é cômico ver Veríssimo usando a civilização cristã para falar que os sentimentos nobres e humanitários deveriam prevalecer, uma vez que a agenda socialista é totalmente anticristã..."
Rodrigo Constantino
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Frei Claudio Van Balen de volta? Fiéis católicos, protestem!


** Clique para assinar a petição pela suspensão de ordens de frei Cláudio

NO DIA 26/01/2014, na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte (MG), ocorreram fatos mais do que lamentáveis, que feriram gravemente a comunhão que deve imperar nas comunidades eclesiais e violaram explicitamente o artigo 208 do Código Penal (crime de ultraje a culto).

Momentos antes do início da Missa das 11h, que seria celebrada em ação de graças pela eleição do novo governo da província carmelitana de Santo Elias, um grupo de seguidores de um antigo pároco local, o herege frei Cláudio Van Ballen (OCarm), impediu a celebração da Santa Missa por meio de gritos, agressões, xingamentos, ameaças, invasão do presbitério e até da profanação do Altar(!). A Missa teve de ser celebrada no salão paroquial.

Já falamos sobre este triste assunto neste blog, e você pode ver aqui. As imagens desses acontecimentos, as quais falam por si mesmas, podem ser vistas, em vídeo, ao final do mesmo post. Um relato mais detalhado do ocorrido pode ser lido aqui.

Os autores da confusão, que se autodenominam "claudianos", revoltaram-se devido a uma suposta remoção de frei Cláudio (que já deveria ter ocorrido há décadas, com, no mínimo, o total afastamento do frei, reconhecidamente herege) . Um pequeno detalhe em meio a esse grave escândalo é o fato de o frade em questão estar nessa paróquia há 46 anos e prestes a cumprir 81 de idade, tratando-se de um sacerdote aposentado há mais de 5 anos. A substituição periódica de sacerdotes é algo comum na vida da Igreja, havendo inclusive previsão para isto no CIC. Portanto, caso confirmada, a remoção deveria ser encarada com toda naturalidade.

Claro que a situação é enormemente agravada pelo perfil do religioso que, sistematicamente, defende posições radicalmente contrárias ao ensinamento moral e doutrinário da Igreja. Aqui estão alguns links nos quais, dentre outras coisas, frei Cláudio nega a divindade de Jesus Cristo, rejeita os dogmas marianos e a doutrina do pecado original. Além disso tudo, é favorável à descriminalização do aborto, à eutanásia, à eugenia, etc. O religioso também altera os textos litúrgicos e bíblicos das celebrações que realiza.

Os vários anos de disseminação desses erros na prática pastoral formou em seus seguidores, – que, graças ao Bom Deus não são todos os fiéis da paróquia e nem sequer a maioria deles, - uma atitude sectária e totalmente fechada ao diálogo, que pode ser vista claramente nos seus modos e ações. Fique claro, ainda, que não se trata de um episódio isolado, pois esse grupo costumeiramente tenta resolver as coisas à base dos berros e agressões morais, como aconteceu em 2010, outra ocasião em que o Arcebispado tentou efetivar a remoção de frei Cláudio. Na ocasião, o grupo respondeu com ameaças, chantagens e a mobilização da imprensa. Como não poderia deixar de ser, entre os amigos e seguidores do frei holandês estão pessoas influentes no campo político, econômico e midiático da capital mineira. As ações dos partidários do herege e declarados inimigos da Igreja, portanto, são contundentes e efetivas. As ações dos fiéis católicos, portanto, devem ser ainda mais firmes, concretas, persistentes.

Após o lamentável episódio do dia 26, a Arquidiocese de Belo Horizonte emitiu um comunicado por meio do qual lamentou os fatos, reconhecendo que houve desacato à autoridade eclesiástica e quebra de comunhão, e respaldou as medidas da província carmelitana. Porém, depois de pressões exercidas pelo grupo de seguidores de frei Cláudio contra o Arcebispado (através de alguns de seus membros mais influentes), a Arquidiocese isentou-se de qualquer responsabilidade sobre a resolução do conflito!

As afirmações que constam na nota do dia 02/02 na página da Arquidiocese são, no mínimo, imprecisas, porque a lamentável situação atual é fruto de um longo processo no qual os seguidores de frei Cláudio protagonizaram outros episódios de desrespeito à autoridade eclesiástica, em atos e posturas que há muito chegaram ao ponto de configurar formação de seita.

Na segunda-feira, dia 03/02/2014, o episódio sofreu uma reviravolta após a divulgação de que frei Cláudio retomará as celebrações dominicais na paróquia Nossa Senhora do Carmo! 

Diante de tão lamentável (e inacreditável) notícia, é fundamental não deixar tudo como se nada tivesse acontecido, deixando intacto um clérigo que há muito tempo quebrou a comunhão com a Igreja e que vem descaradamente trabalhando contra a fé católica, desviando as almas e dividindo a comunidade onde vive. Segundo a lei da Igreja, a resolução desta situação é atribuição do Bispo, e não do superior carmelita. Se nada for feito, será criado um perigoso precedente para que qualquer outro tipo de problema eclesial seja resolvido à base de agressões, conchavos e pressões injustas. Pior do que isso, será um tenebroso encorajamento para outros padres e religiosos heréticos, que se sentirão mais e mais estimulados a destruir a fé cristã de sempre.

Assine agora a campanha para enviar uma mensagem ao Arcebispo de Belo Horizonte, pedindo que ele tome as devidas providências canônicas para a suspensão de ordens de frei Cláudio. É o mínimo que se poderia esperar de um fiel católico.

** Clique para assinar: Petição pela suspensão de ordens de frei Cláudio

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"Deus é impotente, Ele está amarrado. (...) Deus carece de tudo e de todos para se afirmar como Deus. (...) Não existe um Deus acima de nós; eu não acredito em um Deus pessoal. (...) Eu sou Deus..." - São algumas das afirmações de frei Cláudio em entrevista à uma rede de TV:


Impressionante como o mundo, que segundo a Escritura jaz no maligno e tem por príncipe a Satanás, admira e idolatra figuras patéticas como essa. Será que essa apresentadora já leu algo de Ratzinger?

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*** Este post é baseado no artigo de Fábio Oliveira (Fundação CitizenGo), "Pela suspensão de ordens de frei Cláudio"

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A que ponto estamos chegando? Claudio Van Balen, mais um frei herege

MAIS UM frei herege – Claudio Van Balen, O.Carm, frei carmelita vindo da Holanda, há cerca de 40 anos está à frente da Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Belo Horizonte (MG). Diz-se que vinha promovendo grandes trabalhos sociais á frente da paróquia, juntamente com seus paroquianos, na mesma medida em que, espiritualmente e liturgicamente, a fá era gradativamente suprimida, e assim foi até que secou completamente, como vemos pelas atitudes demonstradas no vídeo abaixo. Entre outras coisas, frei Claudio nega a Ressurreição e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e a devoção à Nossa Senhora. Em última análise, não crê nem mesmo num Deus Todo Poderoso, que interfira na História e atenda às orações dos fiéis. Para ele, "Deus somos nós", os seres humanos. Declaradamente comunista, escarnece das aparições de Nossa Senhora em Fátima, pelo fato de nelas Maria Santíssima ter condenado o comunismo. Claramente herético, operou em seus seguidores (que vemos em ação no vídeo abaixo) uma verdadeira lavagem cerebral. Como você pode ver, eles não possuem mais absolutamente nenhum resquício de fé cristã.

Toda a confusão que vemos no primeiro vídeo é porque a Província Carmelitana enviou à Paróquia Nossa Senhora do Carmo o Frei Evaldo Xavier Gomes, numa tentativa de reerguer a Paróquia espiritualmente. Os "claudianos", como gostam de ser chamados os seguidores do frei herege, não permitiram que a Missa acontecesse, provocando tumulto inclusive com palavrões, aos berros, sobre o Altar sagrado. Mesmo diante de tamanho caos, consta que durante todos esses anos o atual Provincial dos Carmelitas desta província, Frei Geraldo D'Abadia Pires Maciel O.Carm, recusou-se a tomar qualquer providência mais drástica contra frei Claudio. E apesar de todos os seus crimes contra a Fé, até onde pudemos apurar, o frei herege será apenas transferido. Perguntas que ficam: que tempo é este em que vivemos? Para onde estamos caminhando? Até onde chegaremos?


Imagens gravadas no último domingo, 26/1/2014, na Igreja Nª Sª do Carmo



** Veja a petição dos católicos contra frei Claudio Van Balen

*** Apoie Frei Evaldo Xavier Gomes no Facebook
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O "missionário"(?) David Miranda ameaça de morte seus dissidentes!

A RECENTE perda de membros leva o líder da "igreja pentecostal deus é amor" a usar em vão o Nome do Espírito Santo numa suposta "revelação divina" que ameaça o povo: na gravação que disponibilizamos abaixo, o "pastô" declara, com todas as letras, que aqueles que não voltarem para a "igreja" dele o mais rápido possível irão morrer de forma terrível, com muitos sofrimentos. O falso profeta descaradamente impõe o cabresto pelo medo aos pobres ignorantes que frequentam a sua seita. Profere uma verdadeira "praga de maldição" contra todos os que não querem integrar o seu grupo. O tradutor para o espanhol é um (triste) show à parte...

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Programa "Painel" (GloboNews), sobre o panorama político brasileiro

PROGRAMA apresentado pelo jornalista e sociólogo William Waack, exibido em 28/12/2013, com o sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier, o filósofo, escritor e ensaísta Luiz Felipe Pondé e o jornalista e colunista Reinaldo de Azevedo.



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Porque a Inquisição não é um constrangimento para os católicos


Amigos e irmãos em Cristo que acompanham as postagens de "O Fiel Católico": há um assunto que não quer calar e do qual sinto que preciso tratar neste exato momento. Sou visceral, e sinto o sangue ferver em minhas veias quando vejo determinadas injustiças e absurdas calúnias que se propagam contra a Igreja Católica, minha mãe e mestra.

Quem acompanhou a série de postagens que narra a minha experiência pessoal de retorno à Igreja Católica sabe que minha conversão não foi puramente emocional e/ou afobada, movida por um impulso irracional. Ao contrário, foi pensada, sentida, refletida e confirmada de muitas maneiras. Antes de ser um fiel católico, fui por muitos anos um protestante apaixonado, bastante radical em minhas opiniões, e frequentei também diversas seitas pentecostais e neopentecostais. Por isso, sei muito bem o que pensam da fé católica, do espantalho que os "pastores" constroem para chamar de Igreja Católica, para malhar impiedosamente com os paus e pedras da mentira diante de suas assembleias.

Pela minha experiência de vida, por tudo que vi e que vejo (em amigos, colegas de estudo e de trabalho, na minha própria família, etc.), posso garantir que 99% daqueles que, dentro dessas "igrejas" dão os seus testemunhos dizendo que eram católicos e agora "encontraram Jesus" em alguma denominação dita "evangélica", estão na verdade prestando falsos testemunhos. Ainda que muitas vezes sejam pessoas bem intencionadas e o façam por pura ignorância, porque nunca souberam o que é ser católico realmente; jamais aprenderam o que é catolicismo, pois tiveram uma péssima catequese, por um lado, e por outro lado nunca tiveram interesse em aprender.

Tudo o que disse até aqui foi para esclarecer o que vou dizer agora: eu não tenho medo de tratar de nenhum, absolutamente nenhum assunto, com protestante/"evangélico" algum, porque através do meu longo processo de conversão me foi dado compreender que todas as acusações contra a primeira e única Igreja de Cristo são vazias, estéreis, nulas... E muitas vezes (talvez na maioria das vezes) simplesmente maldosas: maledicência e calúnia em suas expressões mais baixas.

O título deste post seria o seguinte: "Protestantes/'evangélicos' atacando a Igreja Católica por conta da inquisição?! Que piada de mau gosto é essa?", mas mudei de ideia, porque neste artigo não pretendo tratar apenas deste lado da questão (as estapafúrdias acusações protestantes/'evangélicas'), e sim do tema como um todo. Vamos lá...


ALGUNS FATOS desta vida nos deixam em dúvida: rir ruidosamente ou chorar copiosamente? Rir, pois é natural que uma situação ridícula inspire risos aos seres humanos, ainda que involuntariamente. E quando o ridículo é extremo – como no caso do qual vou tratar aqui – pode levar às gargalhadas; foi o que aconteceu comigo, ao menos num primeiro momento.

Todavia logo depois veio a indignação, a sensação de estar sendo injustamente ofendido, caluniado, injuriado, acusado falsamente, e as e falsas acusações partem justamente de quem não tem moral alguma para fazê-las. Estou me referindo à postagem do blog do Julio Severo, que por um tempo não só eu como muitos católicos chegaram a considerar pessoa digna de respeito. Julio Severo, protestante, é um articulista razoavelmente talentoso e militante pró-vida. Foi injustamente perseguido por grupos de ativistas comunistas, esquerdopatas e gayzistas em geral, e tornou-se relativamente conhecido por se posicionar contra realidades como o pentecostalismo, a mentalidade socialista (ou 'marxismo cultural') que tomou conta do Brasil e da América Latina, a decadência moral da sociedade atual e outras como estas. Por conta disso, muitas páginas católicas divulgaram o seu trabalho e republicaram os seus artigos; o rapaz contou sempre com a boa vontade de muitos apologistas católicos... até ontem.

O "ontem" em questão é o dia 10 de outubro (2013), data em que o referido cidadão publicou o infeliz artigo cujo título é: "A inquisição, o papa e o suspiro de alguns católicos 'conservadores'”. Já de cara, no subtítulo logo abaixo, o autor escancara o manjadíssimo tipo de preconceito calunioso que defenderá: "Como querem combater a cultura da morte do socialismo, homossexualismo e feminismo, quando se sentem à vontade com a cultura da tortura e morte da Inquisição?"...

Nos comentários, como não podeira deixar de ser, a velha coleção de bobagens e tolas calúnias de sempre, coisas realmente bem idiotas, do tipo: "a Igreja Católica é a Babilônia do Apocalipse"... Curioso é que muitos comentários desse tipo foram aprovados, mas alguns dos meus, respeitosos e puramente elucidativos, convidando ao diálogo e apresentando inclusive fontes bibliográficas para o esclarecimento do tema, não foram.

Não preciso dizer da tremenda decepção que tive com o rapaz. A postagem em questão é uma lamentável demonstração de ignorância, de insensatez e da mais pura má vontade. Num comentário, perguntei aos leitores daquele blog, todos afoitos e cheios de pedras na mão, que livro teriam lido sobre o assunto Inquisição. Perguntei se não tinham aprendido nada sobre História das Mentalidades Coletivas, um ramo historiográfico que, no caso em questão, demonstra o óbvio: o pensamento medieval era completamente diferente do nosso, e não podemos julgar fatos ocorridos há séculos usando os padrões de moral de hoje. Tudo em vão. Não obtive nenhuma resposta minimamente coerente ou que demonstrasse qualquer sinal de preocupação para com a verdade dos fatos; apenas uma nova chuva de pedras.

Tentei explicar que, se condenarmos a Igreja Católica pelos atos dos seus filhos em eras passadas, então seria preciso que rasgássemos também as nossas Bíblias, pois as narrativas do Antigo Testamento estão repletas de matanças e violência extrema, até contra crianças (e mesmo contra recém-nascidos!) considerados inimigos, muito piores do que as próprias lendas atribuídas à inquisição católica. Não é segredo para ninguém que o Povo de Israel, nas descrições veterotestamentárias, não tratava os povos seus adversários segundo a noção dos "direitos humanos" que temos hoje. O livro de Números, por exemplo, conta como Moisés atacou os midianitas, mandando matar a todos sem piedade e incendiar as suas cidades. Conta ainda como os soldados israelitas, penalizados, pouparam mulheres e crianças, o que irritou Moisés, que então ordenou assassinar também a todos os meninos e a todas as mulheres que não fossem virgens, com uma exceção: “Todas as meninas que não conheceram homem, deixai-as viver e tomai-as para vós" (Nm 31,18).

Haveremos de convir que, para os padrões de moral de hoje, esta é a descrição de um genocídio bárbaro, cometido contra os pobres midianitas em suas próprias terras, sem provocação alguma, com a intolerável matança de pobres mulheres e crianças e até abuso de jovens virgens inocentes, e tudo em nome de Deus. Convenhamos também que a Inquisição não praticou nada nem de longe parecido com isso e, por mais que tenham ocorrido abusos, todos os atos que hoje consideramos inadmissíveis da parte dos inquisidores só aconteceram em decorrência do seu excesso de zelo. Sim! Num tempo em que a ofensa a um nobre era punida com tortura e morte, como punir a ofensa a Deus? Era este o pensamento comum.

O fato é: assim como nós, cristãos, não deixamos de crer na Bíblia por causa das suas passagens violentas e de difícil compreensão, porque sabemos (ao menos assim se espera de um cristão) entendê-las dentro do seu contexto cultural e histórico, temos que saber usar do mesmo (mínimo) bom senso para falar das ações da Igreja em épocas distantes e completamente diferentes da nossa. Da mesma maneira como é preciso entender o contexto da Antiguidade para ler os textos do AT, é preciso entender o contexto e a mentalidade do período medieval para compreender a Inquisição. Simples, quando se tem boa vontade.



Quanto aos fatores que motivaram o surgimento da Inquisição, já tratamos do assunto em detalhes neste estudo, mas vou reiterar aqui, rapidamente, que o Tribunal do Santo Ofício foi estabelecido para combater a heresia cátara, seita cuja doutrina contrariava todos os princípios evangélicos que a Igreja defendeu desde sempre. Foi uma das maiores ameças à fé cristã – e à própria sociedade civilizada – de todos os tempos: os cátaros eram contra a procriação e o Matrimônio, consideravam desgraçadas as grávidas, defendiam o suicídio por inanição, pregavam a renúncia radical aos prazeres e negavam o culto religioso. Viam o corpo como coisa ruim (manifestação do mal), e negavam a salvação por Jesus Cristo1.

Os cátaros ensinavam ainda que o mundo material tinha sido criado por um deus mal e que, por isso, o homem não devia se reproduzir. Segundo autores, chegavam a sacrificar mulheres grávidas com punhaladas no ventre. Para o catarismo, dois princípios eternos dividiam o Universo: um bom, criador do mundo dos espíritos, e um mau, criador do mundo terreno2. Como todas as heresias, o catarismo afirmava que a sua doutrina era o “verdadeiro cristianismo”, usando alguns termos e conceitos cristãos, mas distorcendo seus significados e renegando os dogmas da fé cristã. Viam a Cristo como um “anjo caído” e negavam a Ressurreição do Senhor, rejeitando todos os Sacramentos. O aborto e o suicídio eram alguns dos seus princípios básicos2.

O catarismo se expandiu muito: dominaram o Languedoc e a Provença, influenciaram o nordeste da Espanha, a Lombardia, a Itália, a atual Yugoslávia e os Bálcãs. Chegaram a ameaçar a existência da Igreja na Europa. Combatidos pelo Estado, os cátaros se ocultaram, mas continuaram difundindo suas ideias e práticas3.

Foi dentro desse contexto extremo que a Inquisição surgiu; para garantir a sobrevivência da Igreja na luta contra esta e outras heresias. O Magistério da Igreja reconhece que ocorreram abusos nesse conturbado período histórico, tanto é verdade que Joana D'Arc foi condenada pelo Tribunal da Inquisição (1431) e, anos depois, canonizada santa (1920).

Não é novidade que a Igreja, mesmo sendo a Esposa santa e imaculada de Cristo – mãe e mestra, Casa do Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade, Corpo Místico do Salvador – agregou e agrega pecadores em seu seio, e foi sempre assim, desde os tempos em que o próprio Jesus caminhava sobre a Terra. Ou não será verdade que, integrando um seleto grupo de apenas doze, estava Judas Iscariotes, e até o primeiro Papa negou o Cristo não uma vez, mas três vezes. Não devemos nos escandalizar com os erros e pecados dos filhos da Igreja nesses dois mil anos de história.


Alguns fatos puramente históricos sobre a Inquisição (que raramente são mencionados)

* A Inquisição foi a primeira instituição jurídica do mundo a declarar que as confissões sob tortura não seriam válidas para a condenação de alguém, algo que naquele tempo foi um tremendo avanço na formação dos direitos humanos3.

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A Inquisição exigiu que a tortura fosse limitada, e que deveria ser usada apenas para a obtenção de informações, e não como instrumento de punição. Que não poderia violar a integridade física da pessoa; que deveria ser limitada a no máximo meia hora, que deveria ser assistida por um médico e que jamais poderia se repetir3.

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O recurso da tortura, do qual se usava e abusava indiscriminadamente nos tribunais laicos, não era constante na Inquisição, que recorreu muito raramente a esse procedimento: bem diferente do que se vê nos filmes, ao todo, uma parcela ínfima dos processos inquisitoriais usaram tal método4.

**** A Inquisição impôs uma regra que proibia aos eclesiásticos derramar qualquer gota de sangue dos réus, e confissões obtidas sob tortura perdiam a validade. Fato histórico: o tribunal religioso condenou tão pouco que era criticado pela própria nobreza4.

***** Sobre a Inquisição espanhola, a mais comentada e polêmica, é preciso saber que ela foi principalmente uma instituição civil, não controlada pela Igreja, e que a própria Igreja censurou e tomou medidas contra ela5. Também é fundamental saber que quase tudo o que se divulgou a respeito da Inquisição espanhola foi resultado das calúnias difundidas pelo ex-padre Juan Antonio Llorente, um apóstata que produziu documentos sobre a Inquisição na Espanha com o interesse de ajudar a França de Napoleão a dominar aquele país. Llorente queimou todos os documentos que usou, para que não se descobrissem falsificações5.

As ações repressoras da Inquisição foram bem menos implacáveis que as civis. Por quê, então, se mantém uma imagem tão terrível do Santo Ofício? Por vários motivos, mas foi sobretudo o fanatismo do inquisidor espanhol Tomás de Torquemada (século XV), que ficou gravado na memória popular. Daí veio o protestantismo, no século XVI, o antipapismo anglicano, o iluminismo e o anticlericalismo dos séculos XIX e XX... Um conjunto de eventos e adversários da Igreja que pintaram um quadro pavoroso da Inquisição, que, mesmo sendo falso, ainda repousa na mentalidade do nosso tempo.

Notemos como a verdade histórica é diferente daquela que vemos nos filmes de Hollywood (= EUA = protestantismo + sensacionalismo). A verdade costuma surpreender os leigos, acostumados a ouvir grandes e absurdos exageros, perpetrados muitas vezes por professores barbudos e desleixados, usando camisetas do sádico assassino Che Guevara em sala de aula. O fato é que a Inquisição também tinha por finalidade controlar os excessos de violência cometidos pelo Estado, a tal ponto de que muitos presos, julgados pelos tribunais civis, passavam a blasfemar contra Deus e contra a Igreja, na esperança de serem transferidos para os tribunais da Inquisição3. Fariam isto se os tribunais eclesiásticos fossem assim tão terríveis e injustos como pintam os inimigos da Igreja?

Abundam provas de que os métodos aplicados pela Inquisição eram mais humanos que os da autoridade civil da época: um notário transcrevia o processo, os acusados não ficavam presos durante o inquérito, podiam recusar um juiz e apelar para Roma contra alguma decisão do tribunal4.


Encerrando o assunto
No começo eu disse que a postagem do blog do Julio Severo era uma piada de mau gosto, e que era extremamente ridículo (tanto que à primeira vista me fez rir), além de representar uma lamentável demonstração de ignorância, insensatez e pura má vontade. Por quê? Bem, creio que tudo o que  eu demonstrei até aqui tenha ajudado a lançar um pouco de luz sobre o assunto Inquisição, que teimosamente volta sempre à baila, mais cedo ou mais tarde, toda vez que se fala em catolicismo. Isso acontece porque essa foi uma das propagandas anticatólicas mais bem sucedidas de toda a História. Ninguém sabe e, pior, ninguém parece querer saber dos fatos históricos que listei acima.

Dentro dessa discussão, mais importante do que tudo o que expus até agora, porém, é observar que esses ataques à Igreja Católica, quando partem de protestantes/"evangélicos" são antes de tudo puramente ridículos. Será possível que esse Julio Severo, que se apresenta como pessoa esclarecida e comprometida com a verdade, junto com seus leitores, que mordiam os beiços de satisfação diante do famigerado artigo e se alvoroçavam como urubus em cima da carniça, nunca tenham ouvido falar na Inquisição Protestante?

Ora, o que aquele artigo defende, simplesmente, é que os católicos não têm moral para se posicionar contra a cultura da morte, o socialismo, o homossexualismo e o feminismo, porque a Inquisição figura nas páginas da história da Igreja Católica. Mas –, meu Bom Deus! –, acontece que eles, protestantes, também tiveram a sua própria Inquisição, que cometeu os mesmos atos (alguns bem piores) que eles condenam na Inquisição Católica! E isso não é "minha opinião", mas fato histórico bem documentado e inquestionável.

Curiosamente, como disse, o comentário que enviei expondo este fato, juntamente com referências históricas e fontes bibliográficas, não foi publicado por lá. Por que será que eu não fiquei surpreso?

Mas a tragicomédia não acaba por aí! Sobre a Inquisição Protestante, Severo em pessoa teve o cinismo, o descaramento, a desfaçatez, a cara de pau... de postar a seguinte resposta:

Gente, alguns católicos querem refutar meu artigo apelando para uma suposta 'Inquisição Protestante.' A tal 'Inquisição Protestante' é pura mitologia e só existe em livros católicos."


(!!!!) Puxa! Como eu disse antes, é caso para rir ou chorar? Bem, talvez a reação mais justa fosse uma salva de palmas, pois o "artista" merece um Oscar: o da estupidez. Chegar ao ponto de negar a realidade histórica da Inquisição Protestante!? O ódio irracional à Igreja Católica fez com que nosso varonil blogueiro despencasse, de uma vez, ladeira da insanidade abaixo.

Se alguém quiser dicas de bibliografia histórica isenta sobre a Inquisição Protestante, de autores religiosos ou laicos, é só procurar um pouquinho. Não demora mais do que um minuto para achar. Posso sugerir, por exemplo, o Google Acadêmico e o Google Livros (clique nos links e terá algumas dúzias de exemplos).

Para encontrar a verdade dos fatos, basta um pouco de desapego e desejo honesto de conhecê-la, mesmo que não seja aquela que queremos. Aliás, quem foi mesmo que torturou e mandou para a forca mais de 300 pessoas no famoso caso das "bruxas de Salém"? Que instituição religiosa levou à morte mais de 30.000 camponeses anabatistas na Alemanha? Sob ordens de quem o médico espanhol Miguel Servet Grizar (o descobridor da circulação sanguínea) foi condenado a morrer na fogueira? Quem mandou também para a fogueira mais de mil mulheres escocesas, num período de seis anos (1555 - 1561)? Pois é... Todos esses crimes foram cometidos pela Inquisição Protestante, que quase nunca é mencionada pelos críticos da Igreja Católica, principalmente porque esses críticos, em boa parte das vezes, são protestantes.

Grupos da Inquisição Protestante esfolaram vivos os monges da Abadia de São Bernardo (Bremen), e depois passaram sal em suas carnes vivas, antes de pendurá-los no campanário do mosteiro. Em Augsburgo, em 1528, cerca de 170 anabatistas foram aprisionados por ordem do poder público protestante, sendo que muitos deles foram queimados vivos e outros marcados com ferro em brasa nas bochechas ou tiveram a língua cortada. Até o teólogo protestante Meyfart descreveu a tortura aplicada pela inquisição protestante, que ele presenciou, qualificando-a como uma “bestialidade”.

Sendo assim, afinal de contas, que moral os protestantes têm para atacar os católicos por conta da Inquisição, se a Inquisição Protestante adotou as mesmas práticas, e algumas ainda mais cruéis?

Julio Severo, você já mostrou ao mundo que não passa de um moleque irresponsável e preconceituoso. Agora, por favor, tente crescer. Rezamos por você.

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1. GONZAGA, João Bernardino G. A Inquisição em seu Mundo. São Paulo: Saraiva, 1993;
2. AYLLÓN, Fernando. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997;
3. WALSH, William T. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963;
4. Revista História Viva nº 32 - especial Grandes Temas / A Redescoberta da Idade Média, São Paulo: Duetto março/2011;
5. FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977.
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Grande Oração a São Miguel Arcanjo


NESTE 29 DE SETEMBRO, rezemos com o Príncipe da Milícia Celeste!

** Veja aqui a oração (português – latim)
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Do antropocentrismo ao pântano


A OBJEÇÃO que com frequência se formula contra o restabelecimento da liturgia romana tradicional como o rito ordinário da Igreja é que tal rito é expressão de uma cultura ultrapassada, esclerosada, incapaz de cativar a sensibilidade do homem de hoje. É claro que essa objeção não leva em conta as razões teológicas em favor da liturgia de sempre e contra os desvios doutrinários do rito reformado, conforme ressaltaram abalizados estudos feitos por teólogos, liturgistas e ilustres prelados. Trata-se de uma objeção superficial de cunho antropológico, psicológico ou, talvez, sociológico, que não considera devidamente o problema cultural, este, sim, o verdadeiro desafio para a evangelização do homem moderno...

** Ler o artigo completo
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O verdadeiro ecumenismo: urgências e desafios numa via de mão dupla


A PALAVRA "ecumenismo" sempre foi usada pela Igreja Católica com o sentido de uma reunião do conjunto dos bispos. Assim, um Concílio que reúna os bispos católicos do mundo todo é um concílio ecumênico, mesmo que seja uma reunião só de católicos.

A Igreja Católica, há muito, deseja a unidade cristã, crendo que promover a reintegração de todos os cristãos na Unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é de fato a Vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja expressou essa vontade através do Concílio Vaticano II, no Decreto Unitatis Redintegratio (Roma, 1964), do qual consta o seguinte trecho:

** Ler o artigo na íntegra
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Nefilins: os gigantes da Bíblia


'A LEITORA Valdelice Silva Pyetra enviou-nos a seguinte pergunta:

"Olá, Paz de Cristo. Eu quero tirar uma dúvida, (...) eu já ouvi muito falar de Sodoma e Gomorra e os anjos caídos do céu. Algumas crenças religiosas afirmam que esses anjos tiveram relações sexuais com humanos dos quais surgiram os gigantes, enquanto outras crenças negam a possibilidade de que os anjos tenham tido relações. Embora o texto realmente dê a entender que realmente isso tenha acontecido. Como todos sabem essa história se encontra em Gênesis 6,1-4 Me parece um tanto complicado e eu gostaria mesmo de saber a verdadeira tradução por nossos irmãos católicos. Aguardo respostas, obrigada."

** Ler a nossa resposta
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