ADICIONANDO-SE A PALAVRA “anjos” a um buscador da Internet, incrível é a quantidade de informação que aparece; são muitas páginas contaminadas pela doutrina new age. Ainda mais curiosa é a busca por imagens de anjos: encontramos desde seres "fofinhos", como bebezinhos gorduchos, a garotinhos meio efeminados com asinhas coloridas lhes saindo pelas costas...
Muitos artigos sobre os anjos estão, sem dúvida, deformados por uma certa cultura esotérica pseudo-mística. Entre outros absurdos, é possível até encontrar um anjo específico para cada dia da semana(!).
Comecemos, então, dizendo o que os anjos de Deus não são: não são "reencarnações"; não são homens ou mulheres alados; não são "lugares" nos quais se sente a Presença do Criador; não são como gnomos ou duendes; não são uma espécie de "energia" nem tampouco algum tipo de fumaça branca.
Apesar de tudo, é preciso dizer que também se pode encontrar informação confiável na rede. Um dos artigos de valor que encontramos na internet é o de P. B. Celestino que, em relação a isso, dizia:
“A humanidade no seu conjunto parece obedecer a uma espécie de 'lei do bêbado': depois de uma queda para a direita, procura compensá-la inclinando-se para a esquerda, e acaba caindo nessa direção. Assim, às épocas de racionalismo exacerbado e míope, seguem-se outras em que proliferam as mais tresloucadas fantasias e crendices, e a doutrina sobre os anjos está entre as que mais facilmente se prestam a essas deformações. O nosso tempo inclui-se entre as segundas, a julgar pelo número de 'caricaturas' deformadas desses seres não-humanos, ― sob a forma de duendes, gnomos, espíritos 'desencarnados', deidades e extraterrestres, ― que se misturam inextricavelmente nas estantes das livrarias e lojas de bibelôs, bem como nas cabeças de alguns…”
Muito bem dito.
O Calendário Litúrgico Católico celebra duas festas angélicas, uma no dia 29 de setembro, – a Festa dos Três Arcanjos, S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael, – e outra a 2 de outubro, – a Festa dos Anjos da Guarda. Mas, afinal, quem são os anjos?
Talvez o Concílio da Igreja que mais se dedicou a explicar a doutrina sobre os anjos foi o de Latrão IV, do ano 1215. Neste se afirmou, num contexto de profissão da fé, que os anjos foram criados por Deus desde o inicio do tempo. No caso dos demônios, o Concilio diz que foram anjos criados bons, que se fizeram maus pelo uso de seu livre arbítrio. Evidentemente, houve pronunciamentos magisteriais sobre os anjos antes desta data, por exemplo, o do Papa Zacarias, no ano 745, que rejeitou os vários nomes dos anjos, ficando somente com os de Miguel, Gabriel e Rafael, já que são os únicos mencionados pela Sagrada Escritura. O Concilio de Aix-la-Chapelle, no ano 789, fez o mesmo.
O testemunho das Sagradas Escrituras
A palavra anjo vem do grego angelos, que serviu para traduzir a palavra hebraica mal’ak, que, de maneira geral, significa “mensageiro”. O que nos diz a Bíblia Sagrada sobre os anjos? Bastante. Em resumo:
• Os anjos são filhos de Deus (cf. Jó 1,6; 2,1);
• São protetores dos homens (cf. Sl 90,11);
• Vivem nos Céus (cf. Mt 28,2);
• São de natureza espiritual (cf. 1 Re 22,19-21; Dn 3,86; Hb 1,14);
• Há anjos bons e anjos maus (cf. Zc 3,1);
• Sabemos que existem os Serafins (cf. Is 6), Querubins (cf. Gn 3,24; Ex 25,22; Ez 10,1-20), Tronos, Dominações, Potestades e Principados (cf. Cl 1,16), Virtudes (cf. Ef 1,21), Arcanjos (cf. 1 Ts 4,15-16; Judas 9) e os anjos que cuidam dos indivíduos (cf. Tb 5; Sl 90,11; Dn 3,49s; Mt 18,10).
Os Evangelhos dizem que os anjos contemplam a Face de Deus (Mt 22,30; 18,10) e que se alegram pela conversão dos homens (Lc 15,10). Dizem ainda que eles levaram Lázaro ao seio de Abraão (Lc 16,22).
Em relação aos três Arcanjos:
• Gabriel, seu nome significa “Deus é Força”, aparece em Dn 8,16; 9,21; Lc 1,19.26;
• Miguel, seu nome significa “Quem (é ou pode ser) como Deus?”, aparece em Dn 10,13.22; 12,1; Jud 9; Ap 12,7. São Miguel é o Padroeiro de toda a Igreja;
• Rafael, seu nome significa “Deus Cura”, aparece em Tb 3,25.
A hierarquia angélica e as relações com os seres humanos
Segundo S. Tomás de Aquino, a Luz Divina é comunicada aos Anjos de maneira hierárquica, graduada e ordenada, da primeira Hierarquia até a última. A palavra "hierarquia", neste caso, significa Principado Sagrado; a palavra "Principado" compreende duas realidades: o próprio Príncipe e a multidão ordenada sob ele. O Principado Sagrado, entendido no seu significado pleno e perfeito, designa toda a multidão das criaturas racionais e chamadas a participar das coisas santas sob o Governo Único de Deus, Príncipe supremo e Rei soberano de toda esta multidão. Não há uma classificação total e e uniformemente definida na Igreja sobre os Nove Coros dos Anjos. A de Dionísio Aeropagita e a do Papa São Gregório permanecem a referência.
A distinção mais divulgada de uma hierarquia entre os anjos aparece na obra De Coelesti Hierarquia (Sobre a Hierarquia Celeste), atribuído a Dionísio, o Areopagita, datada entre os séculos IV e V. Nesta, os anjos são "classificados" em três Ordens, cada uma formada por três Coros, num total de nove Coros Angélicos: Serafins, Querubins e Tronos fazem parte da primeira hierarquia dos anjos; Dominações, Virtudes e Potestades formam a segunda hierarquia; os Principados, os Arcanjos e os Anjos (como os de guarda) estariam na terceira. Todos esses anjos têm, como resume o teólogo francês J. Daniélou, duas funções: louvar a Trindade Santíssima e guardar e defender tudo o que é de Deus.
O Catecismo da Igreja Católica diz que os anjos são criaturas pessoais, ou seja, dotadas de inteligência e vontade; são imortais, porque puramente espirituais, e superam em perfeição as criaturas visíveis (CIC §330). A perfeição dos anjos não permite, no entanto, que eles penetrem nossas consciências; temos que manifestar-lhes as nossas necessidades, mas basta falar com eles mentalmente, e nos entenderão. O fato de os anjos serem pessoas nos faz ver que são capazes de relações de amizade e de fraternidade com pessoas humanas. Os santos anjos são nossos amigos. Seria bom se cultivássemos essa amizade frequentemente, conversando com eles, pedindo a sua proteção e agradecendo seus favores. Nessas angélicas relações amistosas, o nosso anjo da guarda ocupa o primeiro posto: é o anjo que mais deveria ser tratado por nós.
A Primeira Hierarquia: Serafins – Querubins – Tronos
Representa Deus nas suas Perfeições mais íntimas: Amor ardente, Luz viva, Santidade inalterável.
A Segunda Hierarquia: Dominações – Virtudes – Potestades
Representa Deus na sua Soberania sobre todas as criaturas: Poder sem limites, Força irresistível, Justiça imutável.
A Terceira Hierarquia: Principados – Arcanjos – Anjos
Representa Deus nas suas ações: sábio Governo, sublimes Revelações, constantes testemunhos de Bondade.
A devoção aos anjos não contraria a centralidade de Cristo
Todos os anjos estão ao serviço de Cristo, e é uma honra para eles servir a Jesus e a todos os seres humanos por amor ao Deus Uno e Trino. O Catecismo da Igreja destaca esse serviço humilde e eficaz a Cristo e a toda a Igreja (Cat. 333-335).
Os santos foram muito devotos dos anjos. São Josemaría Escrivá, por exemplo, deixava que o seu anjo da guarda contasse o número de orações e mortificações que ele ia fazendo, tinha-o presente nos trabalhos apostólicos que realizava, chamava-o “Relojoeirinho” (porque era muito pontual em despertar-lhe e até consertou-lhe um relógio numa ocasião!), dedicava as terças-feiras a tratá-lo mais intensamente, rezava ao anjo da guarda de alguém com quem queria conversar ou escrever-lhe uma carta; viu o Opus Dei no dia 2 de outubro de 1928, Festa dos Anjos da Guarda; confiou os diversos trabalhos dessa nova fundação a cada um dos arcanjos. O livro “Caminho”, um verdadeiro clássico moderno da espiritualidade cristã católica, indica nove pontos seguidos à devoção aos anjos. Como São Josemaría, poderíamos elencar vários outros santos cuja devoção aos anjos nos anima a ser mais amigos desses celestes espíritos.
Os anjos estão presentes na Liturgia da Igreja, muito especialmente quando a Santa Missa é celebrada. Os textos litúrgicos fazem referências a esses celestes adoradores de Deus. O “Glória a Deus nas alturas” foi uma oração entoada por eles (cfr Lc 2,13-14). As Orações Eucarísticas, na sua primeira parte (prefácios), terminam “com os anjos e os arcanjos e com todos os coros celestiais” cantando o hino da glória de Deus que é o “Santo, Santo, Santo”, Hino dos Serafins (cf. Is 6).
Na Oração Eucarística I ou Cânon Romano, a Oferenda é levada ao Deus Todo-Poderoso “per manus sancti angeli”, ou seja, pelas mãos do santo anjo. São Beda dizia que “da mesma maneira que vemos como os anjos rodeavam o Corpo do Senhor no sepulcro, devemos crer que estão fazendo a corte a Jesus na consagração”.
Enfim, toda a vida do novo Povo de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, recebe a proteção dos anjos. Nós, membros da Igreja, podemos e devemos intensificar a nossa devoção a esses celestiais guardiões da nossa fé, esperança e caridade, do nosso trabalho pela causa de Deus e do nosso caminho rumo ao Céu. Sejamos gratos aos nossos anjos da guarda e, sobretudo, agradeçamos ao Senhor por esses angélicos companheiros.
• A. VACANT, “Ange”, in F. VIGOUROUX (ed.), Dictionaire biblique, I,1 A, Paris : Letouzei et Ané, 1895, pp. 576-590. • A. V. de PRADA, O Fundador do Opus Dei (3 volumes), São Paulo: Quadrante, 2004. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 325-336. • F. F. CARVAJAL, Antología de textos para hacer oración y para la predicación, Madrid: Palabra, 1983, pp. 85-95. • J. DANIÉLOU, O Mistério do Advento, RJ: Agir, 1958. P. B. CELESTINO, Os anjos, São Paulo: Quadrante. • O artigo de P. B. CELESTINO, “Os anjos e o nosso anjo” se encontra em http://www.quadrante.com.br/ sessão “artigos >> doutrina e teologia” (visitada no dia 26/09/2010). • P. M. GALOPIN, “Ángel”, in P.-M. BOGAGERT e outros (responsáveis), Diccionario Enciclopédico de la Biblica, BARCELONA: HERDER, 1993, 73-76.
O casal Eugen e Luise Martens pode perder a liberdade porque sua filha se negou a participar das aulas obrigatórias de “educação sexual”
Eugen e Luise Martens
O QUE ESTÁ ACONTECENDO com o mundo? Satanás está solto e furioso? Os sinais dos últimos tempos realmente parecem mais do que claros. Vemos igrejas, símbolos religiosos e a própria Eucaristia sendo profanados de maneiras como nunca antes. Cristãos são perseguidos, flagelados, crucificados, mortos.
O socialismo, antes abertamente condenado pela Igreja (e nas aparições reconhecidas de Nossa Senhora), e que muitos consideram um mal debelado, agora se manifesta sob a sua forma mais tenebrosa: a cultura marxista, que parece tomar conta do mundo inteiro, com sua bandeira de ódio a Cristo, à família e a toda moralidade cristã erguida cada vez mais alto. Trema diante do caso desta família, lançada na cadeia por não querer que suas crianças sejam doutrinadas pelo Estado na ideologia de gênero, que sustenta que não existem diferenças reais entre os sexos, que seriam apenas meros construtos sociais, e que os pequenos precisam "escolher" se vão querer viver como meninos ou meninas.
Enquanto o Brasil, até aqui, resistiu bravamente à implantação legal da ideologia de gênero, alguns fatos ocorridos fora do continente podem ajudar a esclarecer ainda mais de que se trata essa grande farsa, concebida para destruir a sociedade, a família e o próprio homem.
Na Alemanha (num pequeno município da Renânia, Norte-Vestfália), um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, simplesmente porque sua filha se negou a participar das aulas de “educação sexual” previstas para a escola primária(!). A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo (veja matéria na íntegra). O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia menos dia, também a mãe será presa.
É verdade que, na Alemanha, “a escola é obrigatória, e se uma criança falta às aulas, a escola tem obrigação de denunciar os pais e o tribunal pode multar essa família”. Mas, até aqui, o casal não se tem mostrado negligente em relação à educação de suas crianças: elas têm ido à escola regularmente. Qual o crime cometido por Eugen e Luise? Apenas a filha recusando-se a receber aulas de gênero.
As aulas da chamada “educação sexual” têm um conteúdo perverso, como conta Mathias Ebert, fundador da Associação Besorgte Eltern (Pais Preocupados), fundada justamente para denunciar a corrupção dos seus filhos por parte do Estado: “Não só se ensina às crianças como funciona o sexo entre homens e mulheres, mas se coloca uma ‘variedade’ de práticas sexuais: sexo oral, anal e muito mais. A partir da escola primária, dizem aos meninos que o seu 'gênero' não está determinado, e que não podem saber se serão meninos ou meninas; que devem refletir”(!).
Ebert também afirma que a prisão da família Martens não é um caso isolado na Alemanha. “Não conheço o número exato de pais presos, mas só o pequeno grupo de pais da cidade de Paderborn tem passado, no total, 210 dias presos”, explica. “É um escândalo enorme, também, porque são justamente as crianças que querem sair da aula. Na cidade de Borken, por exemplo, em uma classe, a 'lição' perturbou tanto as crianças que seis delas desmaiaram”(!).
Filme produzido pela Associação Besorgte Eltern
sobre o caso de Eugen e Luise Martens
Não é preciso atravessar o oceano para descobrir uma situação tão ou até mais trágica do que essa. No Brasil, as escolas ensinam às crianças, desde a mais tenra infância, como acontece um ato sexual – chegam a fazer encenações ou demonstrações com objetos de plástico –, como usar um método anticoncepcional, como se masturbar etc. Com a ideologia de gênero, novas perversões estão sendo preparadas: além de aprender o sexo antinatural, as crianças precisariam questionar a própria “identidade” e, como nas escolas alemãs, ser levadas a “refletir” “se são meninos ou meninas”. Os pais "retrógrados" que não concordarem com tudo isso terão o mesmo fim de Eugen e Luise Martens: a cadeia.
É com esse enfoque que a Organização Mundial da Saúde trata da educação das crianças e adolescentes. O documento Standards for Sexuality Education in Europe ('Padrões para a Educação Sexual na Europa'), – após deixar bem claro que o seu "conceito de educação sexual” não tem nada a ver com “preparação para o casamento e para a família”1, – diz que a educação dos pais em matéria de sexualidade “é inadequada para a sociedade moderna”2, – como se coubesse ao Estado a decisão sobre a “medida de todas as coisas”, incluindo a educação de nossos próprios filhos(!).
Pensará a Igreja que a educação sexual não é importante? Pelo contrário: a Igreja reconhece a importância de que “crianças e os adolescentes (...) sejam formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida em que vão crescendo”3. O que acontece na Alemanha, porém (e de igual forma em todo o Ocidente), é um desrespeito ao princípio da subsidiariedade. “A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve atuar-se sempre sob a sua solícita guia, quer em casa quer nos centros educativos escolhidos e controlados por eles”4, conforme o Papa João Paulo II. Ou seja, a sociedade e o Estado devem colaborar, na medida do possível, com a educação dos pais, e não o contrário. – São “os pais, que transmitiram a vida aos filhos, (...) seus primeiros e principais educadores”, e este direito-dever não só é essencial, mas também insubstituível e inalienável 5.
A fundação Besorgte Eltern tem realizado inúmeras manifestações na Alemanha, exigindo respeito não só ao papel primordial dos pais na formação de seus filhos, como à própria integridade das crianças. “Que não se deturpe os sentimentos das crianças”, pede Mathias Ebert. “Está claro que, se deixaram as aulas, é por causa do clima que respiram em casa. Mas isto é errado? É errado que um menino tenha determinados valores, transmitidos por sua família, e viva com base neles? Creio que não”.
** Não deixe de assistir, abaixo, ao documentário norueguês (2010) que desmontou de uma vez a polêmica e absurda "teoria do gênero", tão querida pelo movimento revolucionário (e pelo nosso atual governo). O vídeo mostra a luta de uma ideologia fabricada contra a mais pura e evidente realidade. – As pesquisas mostram como a suposta "igualdade de gênero" é um mito que não passa por absolutamente nenhum crivo científico.
Por Aleteia – Em um artigo da revista “Celebrate Life” intitulado “Saindo de Sodoma”, Eric Hess, um dos maiores ativistas gays da história dos EUA (Wisconsin), fala sobre sua experiência com o Cardeal Burke, chamado por alguns de "homofóbico" após a sua participação no sínodo dos Bispos sobre a Família
EM SEU ARTIGO, Eric relata sua infância turbulenta (seu pai era dependente de álcool e violento), que o levou, “em meio à dor, a buscar o amor do meu pai nos braços de outros homens”. Após uma juventude de muita confusão afetiva (Eric situa, hoje, a causa das desordens sexuais, do direito ao aborto e dos direitos homossexuais na “mentalidade anticonceptiva predita em 1968 pelo Papa Paulo VI na ‘Humanae Vitae’”), em 1995, ele colocou em uma caixa sua Bíblia e todas as imagens religiosas que conservava da sua infância e as enviou ao bispo de “La Crosse”, Wisconsin, com uma carta na qual declarava sua renúncia à Igreja Católica.
“Para a minha surpresa, reconhece Eric hoje, o bispo Raymond Burke me respondeu com outra carta, na qual me dava a conhecer sua tristeza; disse que respeitava a minha decisão e que notificaria a paróquia na qual fui batizado. Afirmou que rezaria por mim e que desejava que chegasse o momento no qual eu me reconciliaria com a Igreja.”
No entanto, Eric (que, nessa época, era um dos ativistas gays mais atuantes de Wisconsin) lembra ter pensado: “Que arrogante!”. Depois, replicou ao bispo Burke com outra carta, acusando-o de assédio. “Meus esforços por desanimá-lo caíram por terra”, pois o bispo lhe enviou uma outra carta garantindo-lhe que não voltaria a escrever-lhe, mas que, se um dia ele quisesse se reconciliar com a Igreja, ele o receberia de braços abertos.
O tempo passou, mas “o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca desistiram de mim”, conta Eric, que então conversou “com um bom sacerdote”, cujas orações se uniram às do bispo.
Finalmente, “em 14 de agosto de 1998, a graça divina entrou na minha alma, em um restaurante chinês, junto ao meu companheiro de mais de 8 anos; naquela tarde, o Senhor me chamou ao tribunal da sua graça de cura: o santo sacramento da Penitência. O padre com quem eu havia conversado estava me esperando lá. Enquanto eu caminhava até ele, uma voz interior falou ao meu coração; era amável, radiante e clara dentro da minha alma. E me dizia: este sacerdote é a imagem do que você poderia chegar a ser, se voltar a mim”.
A caminho de casa, naquele dia, Eric disse ao seu companheiro: “Preciso voltar à Igreja Católica”. Mais tarde, ligou para o bispo Burke, “para que fosse o primeiro a ficar sabendo que eu estava voltando para a Igreja”. Então marcamos um encontro.
“Um mês depois da minha reconciliação com Deus e com a Igreja, entrei na sala do bispo e ele me abraçou. Perguntou-me se eu me lembrava de tudo aquilo que lhe enviei em uma caixa anos antes. É claro que eu me lembrava. Foi então que o bispo me devolveu a caixa, dizendo que ele sempre acreditou que eu voltaria.”
Vários anos se passaram, o bispo Burke participou do sínodo dos bispos sobre a família e recebeu algumas acusações de homofobia. Eric Hess confessa que o bispo de Saint Louis “é difamado pela sua fidelidade a Deus, à Igreja e às almas. Posso dizer que é um pastor de verdade, que para mim se tornou um pai espiritual, imagem do nosso Pai do céu”.
Realmente, isso é todo o contrário da imagem com que alguns querem identificar o cardeal Raymond Burke e às vezes até a Igreja em si.
______ Fonte:
Alfa y Omega, em
http://www.alfayomega.es/noticias_digital/2014/10/20141031_BurkeGay.php
Acesso 15/11/014
UM CASAL DE protestantes em Coeur d'Alene, Estado de Idaho, EUA, abriu processo judicial contra as autoridades locais, que os têm ameaçado repetidamente, – com multa e até prisão!, – para que celebrem "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo.
Donald e Evalyn Knapp (foto), um casal sexagenário de protestantes que realiza cerimônias de casamento em sua capela, foram repetidamente advertidos de que seriam processados e arriscariam incorrer em multa de prisão caso se recusassem a celebrar "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo. As ameaças tinham como suposto fundamento uma lei regional que proíbe a discriminação pela orientação sexual.
O casal está sendo orientado legalmente pela Alliance Defending Freedom, organização engajada na defesa da liberdade religiosa frente à crescente pressão jurídica enfrentada por cristãos devido aos seus valores e princípios religiosos, ligados à defesa da vida humana desde a concepção e à sacralidade da família. O processo foi aberto para evitar o risco de que as autoridades locais possam puni-los com multa e até seis meses de cadeia, como haviam ameaçado.
† † †
No Estado de Nova Iorque, outro casal de protestantes, responsável por uma igreja, foi condenado em decisão judicial a pagar multa por ter se recusado a celebrar um "casamento" entre duas mulheres.
O casal, acusado de "homofobia", já provou que não odeia nem discrimina, e inclusive demonstrou ter contratado funcionários declaradamente homossexuais, e e não poderia celebrar a união exclusivamente por questões não de discriminação, mas de princípios religiosos, – o que de modo algum pode caracterizar "crime de homofobia".
Para o Estado de Nova Iorque, entretanto, isso não é suficiente. Cynthia e Robert Gifford (foto) foram condenados a pagar multa de US$13 mil por sua recusa em realizar a celebração em sua própria fazenda(!), onde moram há 25 anos, onde trabalham e criaram seus filhos.
Diante de tais precedentes, podemos esperar, para um futuro muito próximo, uma tremenda intensificação da perseguição gayzista. Estamos a um passo de entrar num período de trevas profundas e terríveis perseguições, já que os princípios da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo vêm sendo sistematicamente criminalizados pelos governos ao redor do mundo, a cada dia que passa.
_____ Fontes:
ACI/New York Post/Alliance Defending Freedom
Ato de Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus (Texto aprovado por São Pio X em 1908)
SAGRADO CORAÇÃO de Jesus, que manifestastes à Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, viemos hoje proclamar vossa Realeza absoluta sobre a nossa família.
Queremos, de agora em diante, viver a vossa Vida; queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz.
Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.
Reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo Amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja Chama manteremos pela recepção frequente de vossa divina Eucaristia.
Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.
Se alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de vos ofender, lembrai-vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.
Quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos Desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa Glória e os vossos benefícios.
Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José, apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai!
Ato de Consagração Pessoal ao Sacratíssimo Coração de Jesus
(de Santa Margarida Maria Alacoque)
Eu, (seu nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, minhas penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar!
Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único Bem do meu amor, Protetor da minha vida, Segurança da minha salvação, Remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, Reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu Amparo seguro na hora da morte.
Sê, ó Coração de Bondade, a minha Justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa Cólera.
Ó Coração de Amor, deposito em Vós toda a minha confiança, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa Bondade. Extingui em mim tudo o que possa vos desagradar ou que se oponha à vossa Vontade.
Seja o vosso puro Amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu vos esquecer nem me separar de Vós. Suplico-vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso servo. Amém.
Fórmula de Consagração de toda a Humanidade ao Coração Sacratíssimo de Jesus
(Carta Encíclica 'Annum Sacrum', de Leão XIII)
Ó Dulcíssimo Jesus, ó Redentor do gênero humano, lançai um olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do vosso Altar! Somos vossos e vossos queremos ser; e para podermos viver mais estreitamente unidos a Vós, eis que cada um de nós se consagra ao vosso Sacratíssimo Coração. Muitos, porém, já não vos conhecem; muitos, ao desprezar os vossos Mandamentos, repudiam-Vos. O Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros; e atraí todos ao vosso Coração Santíssimo.
Oh Senhor, sê o Rei não só dos fiéis que não se distanciaram de Vós, mas também destes filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei com que estes retornem à Casa Paterna o quanto antes para não morrerem de miséria e fome. Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao Porto da Verdade e da Unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor.
Sê finalmente o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à Luz do Reino de Deus.
Obtende, ó Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem; fazei com que de uma extremidade à outra da Terra ressoe esta única voz: “Seja louvado este Coração do qual provém a nossa salvação! A Ele a Glória e a Honra pelos séculos! Amém!”1
RIO DE JANEIRO – Um conjunto de questões da prova de Ciências Humanas do último exame nacional de ensino médio (ENEM-2014) abriu um debate entre acadêmicos sobre o direcionamento ideológico e a doutrinação dos estudantes por meio do teste. O sociólogo Demétrio Magnoli (foto), que propôs a discussão, disse que algumas respostas tidas como "corretas" estão carregadas de ideologia antiamericana, de ódio à Imprensa e de ideias das políticas racialistas, todos pontos característicos dos governos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.
Pelo menos seis questões trariam esses vieses, segundo Magnoli e outros especialistas que se manifestaram publicamente. Como de costume (e como já se pôde observar fartamente na campanha eleitoral petista deste ano), os partidários do governo tentaram defender o tom da prova citando supostos trechos com matiz similar nas primeiras edições do exame, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é disparado o "saco de pancadas" favorito dos esquerdistas tupiniquins... O fato óbvio é que, ainda que alguma coisa semelhante tenha acontecido no passado (embora esta seja uma afirmação no mínimo controversa), um erro não justifica o outro.
Bem mais plantado sobre a realidade objetiva dos fatos, Magnoli cita a questão em que um texto do filósofo Marcos Nobre versa sobre "política e conservadorismo brasileiros". Pelo gabarito divulgado pelo Ministério da Educação, a resposta "certa" é: “A característica do sistema político brasileiro (...) obtém sua legitimidade da sustentação ideológica das desigualdades sociais”.
"O que há de fundo nessa questão é que é preciso remodelar a sociedade, o que seria feito pelo poder público, a partir de um combate das ideologias difundidas pelos meios de comunicação", – defende Magnoli. – "O que está por trás é que existe uma clara conspiração para difundir uma certa visão de mundo. O que está aí é o núcleo de controle da mídia. Todas as edições do ENEM vão nessa linha".
Num artigo publicado na última segunda-feira no noticiário "O Globo", o sociólogo criticou questões referentes à "Comissão Nacional da 'Verdade' (sic)" e ao "Golpe de 1964", que transmitiram a ideia de que “a imprensa é má e o governo é bom”. Em relação às políticas racialistas, Magnoli fez ressalvas sobre os enunciados referentes à Frente Negra Brasileira e a um parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu o Ensino de "História e Cultura Afro-Brasileira e Africana" nas escolas.
Professora de História do tradicional Colégio Sacré-Coeur, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Alice da Costa concorda com o sociólogo e criticou o que chamou de “caráter catequizante” das questões de Ciências Humanas:
"A prova apresentou questões de cunho ideológico, como um gesto de catequese ideológica, pelo qual os candidatos seriam forçados a se curvar à doutrina política do governo, repetindo exaustivamente a sua ideologia, sob pena de ficar excluído do ensino superior", – afirma. – "Essas questões que abordam políticas sociais adestram o candidato. De alguma forma, pretendem rebater e criticar os governos neoliberais do passado."
"Não é de hoje", diz pesquisador
Doutor em Ciência Política e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (RJ), Simon Schwartzman (foto) elogia a análise de Magnoli e ressalta que a crítica se estende a edições anteriores do ENEM: "O texto do Demétrio é excelente, mas não surpreendente, por que não é de hoje que o ENEM inclui questões que supostamente avaliariam o pensamento crítico, mas, na realidade, só avaliam o 'politicamente correto' na visão de seus autores."
No Enem 2012, a polêmica girou em torno da prova de Linguagens. Como noticiado à época, pelo menos oito questões mostravam preocupação excessiva em defender o uso oral e coloquial da língua em detrimento da norma culta. No mesmo ano, candidatos receberam a nota máxima em redação apresentando textos com erros grosseiros como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”(!), além de desvios graves de concordância. Após a revelação na mídia e a indignação da sociedade, o MEC tornou os critérios de correção um pouco mais rigorosos. Na edição do fim de semana, havia duas questões sobre variação linguística. O professor Claudio Cezar Henriques, titular do Instituto de Letras da UERJ, critica esse tipo de abordagem:
"A equipe que elabora a prova de Linguagens é de sociolinguística(!), trabalha com variação linguística, não é de Português(!). A prova tem que usar textos e questões que envolvam a esfera acadêmica e a linguagem padrão contemporânea. Mas, às vezes, o texto traz no conteúdo uma ideologia dos interesses dos partidos políticos que comandam a banca do ENEM."
IGREJAS NA CHINA estão transbordando à medida que se multiplica o número de cristãos no país. No passado, a repressão comunista levou muitos a se converterem em segredo, – conversões que continuam a frutificar.
É impossível dizer ao certo quantos cristãos existem hoje na China, mas ninguém nega que o número cresce, e rapidamente. O governo, contrariado, diz que são cerca de 25 milhões no total, entre católicos e protestantes, mas as estimativas independentes mais conservadoras apontam para algo em torno dos 60 milhões. – Os novos cristãos podem ser encontrados em vilarejos no interior e também nas grandes cidades, onde vivem os jovens de classe média.
A estrutura do cristianismo chinês é complexa: durante todo o século XX, foi associado ao "imperialismo ocidental". Após a vitória dos comunistas, em 1948, os missionários cristãos foram expulsos do país, mas a fé cristã continuou sendo permitida nas igrejas aprovadas pelo Estado, – desde que essas igrejas se mantivessem fiéis, primeiramente, ao Partido Comunista... – Para o líder Mao Tsé Tung, as religiões eram um "veneno". Sob seu comando, a Revolução Cultural (décadas de 1960 e 1970) tentou erradicar a Igreja.
Porém, forçados a praticar sua religião em segredo, os cristãos chineses não apenas sobreviveram. Agora, com seus próprios mártires, os fiéis se multiplicaram em número e também em fervor.
Desde a década de 1980, quando a fé religiosa voltou a ser permitida no país, as igrejas oficiais vêm conquistando cada vez mais espaço próprio, mas ainda estão subordinadas à "Administração do Estado para Assuntos Religiosos". Estão proibidas de tomar parte em qualquer atividade religiosa fora dos locais designados ao culto e têm de aderir ao slogan "Ame o país – ame sua religião". Em troca, o Partido promove o ateísmo nas escolas, mas se compromete a "Proteger e respeitar a religião, até o momento em que ela, por si só, desapareça".
Tanto protestantes quanto católicos estão divididos, na China, entre igrejas oficiais e não oficiais. A Associação Patriótica Católica, aprovada oficialmente, nomeia seus próprios bispos e não tem permissão de manter qualquer contato com o Vaticano, embora os católicos estejam autorizados a reconhecer a autoridade espiritual do Papa. Mas existe no país a Igreja Católica extraoficial, maior, que conta com o apoio do Vaticano. Pouco a pouco, Vaticano e governo da China tentam chegar a um acordo. Bispos ordenados são hoje reconhecidos por ambas as partes.
A fé católica dos chineses é sólida. Na manhã do último Domingo de Páscoa, no centro de Pequim, uma igreja celebrou quatro Missas. Todas estavam lotadas, com mais de 1500 fiéis.Nas montanhas a oeste de Pequim, na cidadezinha de Ho Sanju, uma igreja católica erguida no século 14 recebe fiéis até hoje. A fé robusta dos que frequentam a igreja, muitos deles já idosos, resistiu à invasão japonesa e à Revolução Cultural. O hospital do vilarejo é administrado por freiras, uma delas vinda da Mongólia, onde há uma grande concentração de católicos. É em cidadezinhas como essa que a Igreja Católica recruta jovens que receberão treinamento para a vida religiosa.
Igrejas domésticas
As maiores concentrações de fiéis, no entanto, encontram-se nas chamadas "igrejas domésticas". clandestinas, essas igrejas vêm se espalhando pelo país. Destas, as autoridades consideram inaceitável a recusa em aceitar qualquer forma de autoridade oficial sobre elas. Falando à BBC, uma jovem cristã descreveu o fenômeno: "(Na China) todos trabalham muito, não têm tempo para atividades sociais. Mas na igreja as pessoas sentem um calor, se sentem bem-vindas. Elas sentem que as pessoas as amam de verdade, então querem fazer parte da comunidade, muitos vêm por isso".
Tim Gardan, diretor do St Anne's College, em Oxford, ao lado das irmãs católicas de Sangyu
Aos poucos, o Estado vem procurando incorporar o cristianismo em sua "grande ideia" de uma "sociedade harmoniosa", slogan que domina a vida pública chinesa. Mas se há uma questão que com certeza preocupa as autoridades é a razão pela qual tantos vêm se voltando para a religião. Hoje, fala-se muito a respeito de uma "crise espiritual" na China. A frase foi usada até pelo premiê Wen Jiao Bao.
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Fonte: BBC Brasil, em http://bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110912_china_r0eligiao_mv.shtml?print=1 Acesso 7/11/014 ofielcatolico.com.br
CARLOS BORROMEU nasceu no castelo de sua família, em Arona, próximo a Milão, em 2 de outubro de 1538, filho do Conde Gilberto Borromeu e de Margarida de Médicis, de casa nobre e influente na sociedade da época. Carlos era o segundo filho. Ainda criança, revelou grandes talentos e rara inteligência; construía réplicas minúsculas de altares, diante dos quais, em presença dos irmãos e amiguinhos, imitava as funções sacerdotais que observava na igreja.
Era acentuada a sua vocação religiosa: era penitente, piedoso, caridoso; o amor à oração e o desinteresse nas diversões e prazeres do mundo eram sinais claros. Aos 12 anos, a família o entregou para servir a Deus. – Aos 21, diplomou-se em Direito Canônico. Logo depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com aprovação de Roma. Aos 24 já era sacerdote e Bispo de Milão. Em sua breve trajetória, deixou-se guiar exclusivamente pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem distinção entre uma coisa e outra. Muitos o consideram o primeiro Secretário de Estado, no sentido moderno. No silêncio de suas meditações, Carlos acalentava planos grandiosos para a reorganização da Igreja, que se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. Chamava insistentemente a atenção de seu tio, – à época Cardeal e que depois foi eleito o Papa Pio IV, – para tal necessidade. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens das novas lei, ainda que para isso tivesse que deixar sua posição e ocupar outra inferior.
Carlos Borromeu sabia muito bem que a caridade abre os corações à verdadeira religião. Por isso, revertia a maior parte de sua receita aos pobres, reservando para si apenas o indispensável. Heranças e rendimentos dos bens de família, distribuia entre os carentes. Não tendo mais o que dar, pedia ele mesmo esmolas para os pobres e abria, assim, fontes de auxílio. Orientou muitas Ordens religiosas, e algumas que surgiram depois de sua morte o escolheram para padroeiro, dando continuidade à grandiosa obra de amparo que deixou.
Em 1576, veio a peste. Milão foi duramente assolada. Mais de cem padres pagaram com a vida pelas lágrimas que enxugavam, de casa em casa. Um dos mais ativos era Carlos Borromeu. Visitava os contaminados, levando-lhes o Sacramento e consolação, sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de todo o povo.
Um dia, afinal, foi apanhado pela febre, que lentamente minou seu organismo. Morreu em 4 de novembro de 1584, dizendo-se feliz por ter seguido a Cristo e poder encontrar-se com Ele de coração puro. Tinha 46 anos de idade. Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em sua memória para o dia de sua morte.
RECENTEMENTE UMA de nossas leitoras, cujo nome não fomos autorizados a divulgar, entrou em contato com o nosso apostolado pedindo orientações sobre como se comportar em relação a uma situação tão absurda quanto (lamentavelmente) comum em nossos dias. Contou-nos ela que uma professora havia dito na escola à sua filha –, uma criança –, depois de saber que a menina era católica, que Hitler também era católico, e que até queria ser padre.
Claro e evidente que a intenção desta professora, que – assim como tantas e tantos outros, atualmente – deve ser adepta da ideologia marxista, é doutrinar a futura geração contra o cristianismo, especialmente contra a Igreja Católica. Essa fábula de Hitler "católico" já está bem manjada, mas os professores socialistas que temos hoje em dia (que geralmente não estão minimamente preocupados com a verdade, que para eles é relativa e deve se dobrar diante da Revolução) não perdem oportunidade para atacar a Igreja, seja de que jeito for. São capazes até de defender alguns dos maiores monstros que a humanidade já produziu, como Josef Stalin e Che Guevara, mas para a Igreja só têm ódio e calúnias. Sei o que estou dizendo, também tenho filho em idade escolar e já entrei em uma meia dúzia de querelas por conta de assuntos como este...
Bem, a resposta que dei à leitora é muito simples. Nada mais que uma questão de lógica elementar: ora, se Hitler fosse mesmo católico, de fato, ele não teria feito o que fez. Isto não é óbvio? Ponto. Ainda que ele se julgasse e/ou declarasse católico (o que não se aplica), se apenas tivesse feito um por cento do que fez, sem arrepender-se, penitenciar-se e converter-se, já estaria automaticamente excluído da Comunhão da Igreja. Ponto.
Estamos com isso afirmando que todo católico é moralmente irrepreensível? Evidente que não. Será que já houve, na História da humanidade, famosos católicos – membros do clero ou não – que se tornaram conhecidos justamente por seus grandes pecados? A resposta é um sonoro "sim". Existem pérfidos criminosos católicos? Sim, sem dúvida, e muitos. Todavia a questão aqui é outra. O problema é que, por trás da fantasiosa teoria do "Hitler católico", via de regra está a clara tentativa de ligar as maldades do Führer, um dos mais célebres monstros da História, à fé católica, o que se traduz num completo absurdo.
Incentivei, então, a leitora a desafiar a professora a mostrar em qual documento a Igreja manda assassinar judeus ou qualquer pessoa. Que ela mostrasse onde é que o Catecismo da Igreja Católica, ou qualquer Papa, ou qualquer Encíclica, Carta apostólica, pastoral ou Bula, ou qualquer outra fonte oficial de doutrina católica, ensina a supremacia racial que Hitler pregava. Ora, se ele era católico, e fez tanto mal por ser católico (a ideia de fundo é essa – puro argumento ad hominem1 e nada mais), então ele teria que ter aprendido a fazer tanto mal na Igreja. Mas se o que ele pratica é contrário àquilo que a Igreja prega, então ele não pode representar a Igreja. Ralmente muito simples.
Mais do que simples, para qualquer pessoa que possua o mínimo de boa vontade. Não é o caso de muitos dos professores que estão formando nossos filhos, neste exato momento; ainda pior é que a maioria de nós não se mostra muito preocupada com isso.
Agora imaginemos que Hitler tenha realmente se declarado "católico" — o que não é o caso, como veremos com toda a clareza mais adiante: ele proibiu a exibição dos símbolos católicos, pronunciou por diversas vezes a sua aversão ao cristianismo, ordenou o assassinato de milhares de sacerdotes e promoveu o ocultismo no 3º Reich. Mas ainda que tivesse dito que era católico, o que a Igreja teria a ver com isso? Qualquer um pode se declarar o que quiser, mas são os atos de uma pessoa que a definem. Ora, o primeiro Mandamento do "Deus dos cristãos" é o amor – ao próprio Deus e ao próximo como a si mesmo –; logo, mesmo que alguém como Hitler se declarasse católico, evidentemente não era, de fato.
Essa lorota surgiu, entre outas coisas, porque o pai de Adolf Hitler, este sim, era católico (a mãe era protestante) e, quando criança, o Führer chegou a ser coroinha. Aprofundaremos a questão, a partir daqui, com fontes e referências bibliográficas, como convém para quem deseja avançar além do "disse-que-disse".
Se existe uma lição elementar que todos os seres humanos civilizados já deveriam ter aprendido, é que não se deve acreditar no que os maus políticos dizem publicamente, pois ao menos em boa parte dos casos se tratam de mentiras para angariar apoio popular. Devemos, sim, observar o que o político realmente faz, na prática. Assim, por exemplo, um político pode, incansavelmente, berrar milhares de discursos pela defesa da democracia, enquanto "por baixo dos panos" trabalha pela instalação de uma ditadura (já vimos acontecer, e qualquer semelhança com o nosso Brasil não é mera coincidência). – Prestar atenção no que um político faz é muito mais importante do dar ouvidos aos seus discursos. Esta verdade, claro, é ainda mais inexorável no caso de um reconhecido mentiroso contumaz como Hitler.
Certos ateus militantes alegam que Hitler era cristão principalmente por causa das declarações do seu livro "Mein Keimpf", no qual o führer alega estar lutando "em nome de Jesus Cristo". Mas os ateus se esquecem de "detalhes" muito importantes. O primeiro se traduz numa pergunta muito óbvia: porque dão tanto crédito a uma declaração de um monstro moral como Hitler, alguém que tão evidentemente não tinha compromisso algum com a verdade?
Outro "detalhe" é o fato histórico de que Hitler mandou retirar a Bíblia das escolas e substitui-la pelo "Mein Keimpf". Um líder cristão faria algo assim? Ora, Hitler não apenas queria aniquilar fisicamente os judeus, mas também acabar com toda e qualquer influência cultural judaica presente na Alemanha, e ele passou a ver o cristianismo a partir de sua origem judaica. Existe um amplo material histórico sobre este assunto, incluindo depoimentos do próprio Hitler aos seus oficiais sobre o que os nazistas deviam pensar sobre o cristianismo, e seus planos para destruí-lo no regime nacional-socialista (nazista). Diversos livros, jornais, documentos e documentários produzidos por historiadores reconhecidos provam que Hitler foi um dos maiores anticristãos de todos os tempos. Mais ainda, ele procurou recuperar o paganismo nórdico e cultuava entidades pagãs.
A clássica e impressionante obra "Ascensão e Queda do Terceiro Reich", do jornalista e escritor norte-americano William L. Shirer, relata em pormenores a história da Alemanha nazista. É considerada um dos mais importantes documentos sobre o assunto produzidos até hoje. Shirer, repórter da CBS, esteve na Alemanha durante vários anos, até dezembro de 1940, quando a crescente censura de suas emissões tornaram o seu trabalho impraticável. Escreveu ele:
“Sob a liderança de Rosenberg, Bormann e Himmler, apoiados por Hitler, o regime nazista pretendia destruir o cristianismo na Alemanha e, se possível, substituir o antigo paganismo dos deuses germânicos tribais do passado pelo novo paganismo dos extremistas nazistas."
Outra obra importante é "The Swastika against the Cross" (A Suástica contra a Cruz), de Bruce Walker. Relata o autor:
“Os nazistas planejaram a eliminação do cristianismo. Uma vez que isso era de conhecimento público, vários escritores reconheceram este fato crucial enquanto os nazistas estavam no poder. Hoje, em um clima político e social encharcado por medo e ódio ao cristianismo, a oposição nazista à religião é história 'politicamente incorreta'. Mas as palavras escritas em livros antigos não podem ser reescritas para se adequar à calúnia contemporânea contra o cristianismo. O registro de mais de quarenta livros publicados enquanto Hitler estava no poder tem clara e forte conclusão: a suástica estava em guerra contra a Cruz." (sinopse)
Em "The Nazi Persecution of the Churches" (A Perseguição Nazista às Igrejas), J. S. Conway descreve, com meticulosidade acadêmica e apoiado em farta documentação, a triste história da Igreja na Alemanha Nazista. Uma característica única do livro é que se baseia em documentos oficiais dos próprios arquivos nazistas para revelar a política oficial para com as igrejas. Alguns membros da hierarquia nazista, como Bormann e Himmler, eram mais abertamente hostis ao cristianismo e acreditavam que a perseguição absoluta era a melhor maneira de lidar com aqueles que se recusassem a aceitar "o novo modelo do Estado". Outros achavam que o cristianismo estava condenado a morrer por si só, e que a política mais sensata era a de impor pressão disfarçada sobre a igreja, além da concentração de esforços em conquistar a simpatia da jovens, evitando usar hostilidade desnecessária que poderia enfraquecer o apoio popular ao governo.
Igualmente importante é a descrição detalhada das medidas tomadas pelo governo nazista para limitar as atividades das igrejas e apressar o seu esperado declínio. Muita atenção à lista que reproduzimos abaixo:
• Prisões, tortura e execução de milhares de clérigos em campos de concentração. Entre 1938 e 1945, os nazistas deportaram para o campo de concentração de Dachau 2.579 religiosos católicos, entre padres, seminaristas e monges. Este capítulo da Segunda Guerra, apesar de não muito divulgado, foi registrado pelo jornalista francês Guillaume Zeller em seu livro La Baraque des prêtres, Dachau, 1938-1945 ('O Pavilhão dos Padres, Dachau, 1938-1945'). Veja a entrevista que autor concedeu ao jornal "Le Figaro". Casos famosos são o do grande São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote católico polonês morto em Auschwitz2 e o da freira Ir. Maria Restituta, denunciada, presa e executada pelo regime nazista por pendurar crucifixos nas paredes do Hospital de Modling, Viena, onde trabalhava como enfermeira chefe, contrariando as ordens de Hitler3.
• Assassinatos de opositores religiosos do regime e agressões físicas sobre clérigos, ignoradas pela polícia, eram comuns;
• Organizações e associações – acadêmicas, juvenis, de trabalhadores ou profissionais, femininas e esportivas – religiosas proibidas;
• Apreensão de bens da Igreja, incluindo imóveis de orfanatos, conventos e escolas (com insígnias religiosas removidas e professores demitidos);
• Demissão de funcionários públicos católicos;
• Publicações da igreja censuradas ou proibidas;
• Reuniões religiosas diretamente atacadas pela S. A.;
• Dissolução dos partidos políticos religiosos;
• Ataques à Igreja e ao cristianismo na imprensa;
• Tentativas de forçar todas as igrejas alemãs a serem controladas pelo Estado;
• Restrição de construção de edifícios religiosos;
• Vigilância dos serviços dos líderes de igrejas;
• Ataques públicos sobre a Igreja por líderes nazistas , incluindo Goebbels e Goering
• Proibição de criação de novos grupos religiosos;
• Funcionários públicos obrigados a retirar seus filhos das organizações religiosas juvenis sob a pena de perda de emprego;
• Orações proibidas nas assembleias escolares;
• Remoção de crucifixos e pinturas religiosas das escolas.
** Com a comprovação histórica de todas as medidas listadas acima, ainda será possível que alguém creia que "Hitler era católico"? A única resposta possível a uma bobagem dessas é uma sonora gargalhada.
Ainda outro livro importante,intitulado "Hitler’s Table Talk" ('Conversas à mesa com Hitler') reúne conversas do Führer com outros líderes nazistas, geralmente realizadas à mesa do almoço ou jantar, entre os anos de 1941 e 1944. Citaremos aqui algumas passagens escolhidas, evidentemente as relacionadas ao tema que ora contemplamos, traduzidas:
“O golpe mais pesado que já atingiu a humanidade foi a vinda do cristianismo. O bolchevismo é filho ilegítimo do cristianismo. Ambos são invenções dos judeus.” (pág. 13)
“Não se diga que o cristianismo trouxe ao homem a vida da alma, visto que a evolução estava na ordem natural das coisas.” (pág. 13)
“O cristianismo é uma rebelião contra a lei natural, um protesto contra a natureza. Em sua lógica extrema, o cristianismo significa o cultivo sistemático da falha humana.” (pág. 57)
“A melhor coisa é deixar o cristianismo morrer de forma natural. Uma morte lenta tem algo de reconfortante. O dogma do cristianismo se desgasta perante os avanços da ciência. A religião terá de fazer mais e mais concessões. Gradualmente, os mitos desmoronarão.” (pág. 65)
“O cristianismo, é claro, atingiu o pico do absurdo (...). E é por isso que um dia a sua estrutura irá desmoronar. A ciência já impregnou a humanidade. Consequentemente, quanto mais o cristianismo se apega aos seus dogmas, mais rápido declinará.” (pág. 66)
“Mas o cristianismo é uma invenção de cérebros doentes: ninguém poderia imaginar nada mais sem sentido, nem qualquer forma mais indecente de transformar a ideia da Divindade em um escárnio.” (pág. 150)
“Com tudo na mesa, não temos razão para desejar que os italianos e espanhóis devem libertar-se da droga do cristianismo. Seremos os únicos imunes à doença.” (pág. 151)
“Não se pode ter sucesso ao conceber quanta crueldade, ignomínia e falsidade a intrusão do cristianismo tem escrito para este nosso mundo.” (pág. 294)
Em sua obra "Apoiando Hitler – consentimento e coerção na Alemanha Nazista", o historiador Robert Gellately revela que Hitler inicialmente recebeu amplo apoio do povo alemão, por vários motivos, como o assistencialismo econômico, o forte combate ao crime, à prostituição e à degeneração moral, o fortalecimento da economia, a geração de empregos, etc. Hitler era um líder populista e cativante, e é evidente que com suas atitudes energéticas alcançando ótimos resultados, obteria o apoio popular que buscava. Entretanto, o antissemitismo não era ainda o ponto forte do regime nazista àquela época: o Führer queria inicialmente conquistar e consolidar o máximo apoio popular, e para isso fez uso também de técnicas de oratória e teatro, com intensa propaganda midiática. Registra Gellately:
“Hitler também buscou se aproximar de alguns de seus oponentes, como os católicos, assinando um tratado com o Vaticano em 8 de Julho de 1933. Até então os eleitores católicos mantinham-se leais ao seu Partido do Centro, sendo os principais responsáveis pelo fato de os nazistas não conseguirem maioria eleitoral. Logo os católicos se ajustaram à ditadura. Os protestantes, contudo, desde o início foram mais simpáticos ao nazismo. Nas eleições religiosas de 1933, dois terços dos eleitores apoiaram a seita cristã alemã que desejava integrar nazismo e cristianismo (numa nova religião) e expulsar os judeus que haviam se convertido ao protestantismo. Hitler fez um curto apelo pelo rádio aos protestantes, na véspera dessas eleições religiosas, e pediu-lhes que mostrassem seu apoio às políticas nazistas. Ele não teve como ficar decepcionado pelos resultados pró-nazistas." (Pág. 41)
Ao longo do livro, todavia, Gellately vai revelando ainda quem Hitler apontava como "inimigo do Estado":
“Outra parte do evento (Congresso) em Nuremberg, frequentemente negligenciada, aconteceu em 11 de Setembro, quando Hitler proclamou o que chamou de 'uma luta contra inimigos internos da nação'. Esses 'inimigos' eram vagamente definidos como o 'marxismo judaico e a democracia parlamentar a ele associado'; 'o moral e politicamente depravado Partido do Centro Católico'; e 'certos elementos de uma burguesia burra, reacionária e incapaz de aprender'. A proclamação não informou quais passos seriam dados, mas soou como o princípio de uma guerra social." (Pág. 76-77)
Algum ateu pode explicar como é que um líder "cristão católico" considera o partido católico como um dos principais inimigos do Estado, o qual ele mesmo comandava? É um estranho problema de lógica que os precisa ser resolvido... Mais ainda:
“Precisamente nessa época [1936], o Conselho da Igreja Evangélica Alemã escreveu a Hitler para manifestar reservas a respeito da 'nova Alemanha'. O Conselho expressou preocupação com o quanto o país estava se distanciando do Cristianismo, e os membros também mencionaram que estavam com a consciência pesada pela prolongada existência dos campos de concentração [que os nazistas afirmavam ser apenas prisões temporários para inimigos políticos do Estado] e da Gestapo. Infelizmente, nada resultou desse protesto brando." (Pág. 102)
Não se entende muito bem como é que um líder "cristão", que detém amplos poderes políticos, permitiu que a sociedade, à qual governava com mão de ferro, tivesse se distanciado do cristianismo.
Igreja contra o Nazismo
A Igreja Católica – assim como as protestantes – inicialmente chegou a apoiar o partido nacional-socialista, porque julgava que o objetivo de Hitler era criar um Estado forte e patriota que pudesse reerguer a Alemanha da grave crise social, econômica e política em que se encontrava após a 1ª Guerra Mundial e o fracassado experimento da República de Weimar. Mas nem o nazismo nem o fascismo tiveram apoio da Igreja Católica, e isso é facilmente demonstrável através das Encíclicas Papais de Pio XI, a seguir:
Non Abbiamo Bisogno (Nós Não Precisamos) é o nome de uma das Encíclicas de Pio XI, promulgada em 29 de junho de 1931, na qual o Papa condena abertamente o fascismo italiano. A encíclica tem uma postura fortemente antifascista e, como retaliação à sua publicação, o ditador fascista Benito Mussolini ordenou que fossem dissolvidas as associações católicas de jovens na Itália.
Mit Brennender Sorge (Com Profunda Preocupação) é outra Encíclica papal de Pio XI, escrita em 14 de março de 1937, que condenou o nazismo e sua ideologia racista. A reação do ditador nazista Adolf Hitler também foi violenta, avançando fortemente a perseguição de católicos na Alemanha, incluindo fechamento de igrejas e prisões de padres e fiéis. – É importante que se entenda que foi justamente devido a esse tipo de retaliação da parte dos ditadores, que causavam ainda mais sofrimento e tragédias, que a postura da Igreja não foi mais severa, preferindo trabalhar em silêncio.
Hitler ascendeu ao poder em 1933, através de um decreto que o transformava de chanceler a führer;
em 1937 (apenas 4 anos depois), ao início do conhecimento das perseguições violentas a grupos minoritários, o Papa Pio XI publicou sua Encíclica condenando o nacional-socialismo alemão.
Pergunta sem resposta: se Hitler era mesmo "católico", porque não acatou as ordens do Papa expressas nas referidas Encíclicas, aos quais todo católico está obrigado? As Encíclicas papais citadas acima, por si só, já refutam completamente a ideia de que a Igreja apoiou o nazismo ou o fascismo.
Outra coisa, bem diferente, é dizer que existiram casos isolados de clérigos coniventes com o regime de Hitler, por não acreditarem na extrema maldade do regime nazista (que, diga-se de passagem, era inacreditável para milhões de cidadãos alemães, na época). Isto é, sim, fato, que demonstra apenas a desobediência de tais padres à hierarquia eclesiástica estabelecida. Sempre houve presbíteros desobedientes e hereges na Igreja de Cristo, e por certo sempre haverão, até o último dia.
Não há como abordar o assunto nazismo e Igreja sem falar da calúnia que já se tornou clássica. Curiosamente, foram os ateus e inimigos da Igreja em geral, estes sim, que adotaram a tática da propaganda nazista de J. Goebbels, a quem se atribui a frase infame: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade" (cf. STILLE, Alexander, em 'The Sack of Rome', 2007, pág. 14; MOORE, Mike, 'A World Without Walls: Freedom, Development, Free Trade and Global Governance', 2003, pág. 63).
Muitos, no correr dos anos, alegaram que o Papa Pio XII foi um pontífice omisso no que tange ao sofrimento dos judeus e ao totalitarismo nazista, em grande parte devido à influência do infame livro "O Papa de Hitler" de John Cornwell. O que não sabem (nem procuram saber) é que o próprio autor desta tese infeliz acaba por desmenti-la, até no mesmo livro, como vemos:
“Cardeal Theodor Innitzer (...) , esse príncipe da Igreja, levou sua ousadia a ponto de receber Hitler calorosamente em Viena. Pacelli (o Papa), ficou indignado com este ato de adesão local. Pacelli divulgou um aviso no L’Osservatore Romano declarando que a recepção a Hitler, oferecida pela hierarquia austríaca, não tinha endosso da Santa Sé.” (Pág. 222)
“Aos 3 de março, o Berliner Morgenpost declarou: 'A eleição de Pacelli não é aceita favoravelmente na Alemanha, já que ele sempre foi hostil ao nacional-socialismo'.” (Pág. 239)
Indicamos aos leitores que desejarem se aprofundar mais neste assunto específico, dois excelentes livros, que constituem aprofundados trabalhos de pesquisa histórica. São eles "Os Judeus do Papa", de Gordon Thomas, e "Pio XII: o Papa dos Judeus" de Andrea Tornielli, que demonstram com precisão como Pio XII articulou um grande plano humanitário para ajudar os judeus, – em sigilo, para não despertar a ira e retaliação ainda maior de Hitler.
Assim é revelado que padres e feiras deram abrigo secreto a milhares de judeus em mosteiros e conventos, e que o Papa efetuou doações de ouro do próprio Vaticano para socorrer refugiados em Roma, tendo escondido milhares deles em sua própria residência enquanto os nazistas bombardeavam a cidade.
Um fato interessante – e bastante revelador – a respeito de Pio XII foi a conversão ao catolicismo, em fevereiro de 1945, de Israel Zolli, rabino-chefe de Roma durante a ocupação nazista e que adotou como nome de batismo Eugênio, em homenagem ao Papa Pio XII.
Por fim, os motivos para a alegação da suposta "omissão" do Papa Pio XII, e os bastidores do que estava realmente acontecendo dentro do Vaticano durante o regime nazista, foram magistralmente dissecados na obra de Peter Godman "O Vaticano e Hitler – a condenação secreta".
De fato, os nazistas esconderam suas reais intenções e seus verdadeiros planos durante os primeiros anos, enquanto utilizavam a educação estatal (e elaborados métodos de propaganda) para corromper a mentalidade do povo e aos poucos instalar o antissemitismo (demonizando os judeus) naquela geração. Quando os nazistas sentiram que a população estava "pronta", como eles queriam, passaram a falar abertamente (inclusive em jornais) sobre as atrocidades que tinham em mente, pois a grande maioria da população já não oferecia mais resistência à ideia (quem oferecesse resistência era imediatamente declarado 'traidor do Estado') e, pelo contrário, já a apoiava. – Quando os nazistas revelaram que seus planos iam além da melhoria econômica e social na Alemanha, e já não escondiam mais os seus sentimentos e planos antissemitas, a Igreja passou a repudiar o regime.
Documentário
Por fim, a todos aqueles que se interessarem em conhecer a verdadeira religião de Hitler e dos nazistas, há um correto documentário do Discovery Channel que esclarece o assunto em detalhes, o qual disponibilizamos abaixo:
_______ 1. A falácia ad hominem (contra a pessoa) se configura na tentativa de se usar o descrédito de um indivíduo com o objetivo de demonstrar que suas afirmações ou posições são falsas: assim, se 'A' afirma 'B', e 'A' é uma pessoa desacreditada, logo, 'B' deve ser falso. Evidentemente, esta linha de raciocínio nem sempre é verdadeira ou aplicável. O argumento ad hominem, de natureza refutativa, via de regra concretiza-se em estratégias dissimuladas, como lançar suspeitas sobre causas ou instituições com base em determinados de seusmembros que, por sua própria conduta, não representam aquela causa ou instituição (traidores). Ex.: João afirmou que 1 + 1 = 2; João é mau aluno em matemática; é sujo, desonesto e mau educado; logo, João não pode ter razão quando diz que 1 + 1 = 2. Na realidade, os defeitos de João não necessariamente significam que tudo o que ele diz ou em que acredita está errado.
(Ref.: Sofos Expressões Filosóficas, em sofos.wikidot.com) 2. O carisma do apostolado do padre polonês Maximiliano Maria Kolbe foi marcado pelo amor incondicional a Deus, na profundíssima devoção à Virgem Maria e na evangelização, exercida por meio da palavra, impressa e falada. A partir de 1922, com poucos recursos financeiros, instalou uma tipografia católica onde editou uma revista católica, um diário semanal, uma revista mariana infantil e outra em latim, para sacerdotes. Os números das tiragens eram surpreendentes, mas ele precisava de algo mais, por isso instalou uma emissora de rádio católica. Chegou a estender suas atividades apostólicas até o Japão. O seu objetivo era conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio de Maria Imaculada. – Teve de voltar para a Polônia para cuidar da direção do seminário e da formação dos novos religiosos, ao início da Segunda Guerra Mundial: em 1939, as tropas nazistas tomaram a Polônia. Padre Kolbe foi preso duas vezes. Na última, em fevereiro de 1941, foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz.
Em agosto de 1941, quando um prisioneiro fugiu do campo, como punição foram sorteados e condenados à morte outros dez prisioneiros. Um deles, Francisco Gajowniczek, passou a chorar em alta voz, dizendo que tinha mulher e filhos. Pe. Kolbe, o prisioneiro n. 16670, solicitou então ao comandante para morrer em seu lugar, e este concordou. Todos os dez condenados, completamente nus, foram postos numa pequena, úmida e escura cela subterrânea, para morrer de fome e sede. Duas semanas depois, sobrevivia ainda Pe. Kolbe, junto com mais três. Foram mortos então com uma injeção venenosa, para desocupar lugar. Era 14 de agosto de 1941. – Pe. Kolbe foi beatificado em 1971 e canonizado pelo Papa João Paulo II em 1982. O dia 14 de agosto foi incluído no Calendário Litúrgico para celebrar São Maximiliano Maria Kolbe. Na cerimônia de canonização estava presente o sobrevivente Francisco Gajowniczek, dando testemunho do heroísmo daquele que se ofereceu para morrer no seu lugar. – MARTINS, Antônio Maria. É Possível Ser Santo Hoje. São Paulo: Loyola, 1990, pp. 53-55.
3. PETERSON. Larry, 'Conheça a freira condenada à morte por um tribunal nazista', Aleteia, disp. em:
http://pt.aleteia.org/2016/04/14/conheca-a-freira-condenada-a-morte-por-um-tribunal-nazista/
Acesso 12/9/016
______ Fontes e bibliografia:
• Estudo de Jonh Costa Almeida, "Hitler não era cristão e nem teve apoio oficial da Igreja", disponível em http://diganaoaoesquerdismo.blogspot.com.br/2014/02/hitler-nao-era-cristao.html Acesso 31/10/14 • SHIRER, William L. Ascensão e Queda do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: AGIR, 2008. • WALKER, Bruce. The Swastika Against the Cross: The Nazi War on Christianity. Parker: Outskirts Press, 2008. • STILLE, Alexander. The Sack of Rome, Londres: Penguin Books, 2007. • MOORE, Mike. A World Without Walls: Freedom, Development, Free Trade and Global Governance, Cambridge: Cambridge University Press, 2003. • CONWAY, J. F. The Nazi Persecution of the Churches. Vancouver: Regent College Publishing, 1997. • CAMERON, Norman. Hitler's Table Talk, 1941-1944: His Private Conversations. New York: Enigma Books, 2000. • GELLATELY, Robert. Apoiando Hitler, consentimento e coerção na Alemanha Nazista. Rio de Janeiro: Record, 2012. • THOMAS, Gordon. Os Judeus do Papa. Alfragide: Casa das Letras, 2012. • TORNIELLI, Andrea. Pio XII: o Papa dos Judeus. Porto: Editora Civilização, 2003.