Caminhos do estudante

Autobiográfico por Igor Andrade – Frat. São Próspero



COMO MUITOS, vim à Verdadeira Fé pelo trabalho de algum apostolado – no meu caso, sou fruto do trabalho do Padre Paulo Ricardo. Dele passei a outras fontes de conhecimento: Olavo de Carvalho, movimento monarquista, Thomas Woods, Felipe Aquino, Jason Evert, Scott Hahn, Ayn Rand, Luis F. Pondé, Chesterton e diversos “tutoriais” de Youtube.

Caíram-me as escamas dos olhos. Finalmente descobrira um conhecimento alcançável por vias além da televisão, da escola e do senhor meu pai.

Contudo, como todo bom adolescente “de direita” – como odeio este termo hoje em dia! – Fechei-me nisto. Tinha uns 15 anos.

Algo fez com que, certo dia, de passagem por uma livraria católica – não posso deixar de lembrar o quão encantado ficava ao entrar naquele lugar, embora hoje eu saiba que, de todo aquele acervo, quase nada se aproveita –, tomei todo o dinheiro de que dispunha (dez reais) para comprar um livro que mudaria minha vida: A Vida e os Milagres de São Bento, escrito por São Leão Magno.

– Que interessante, na Igreja há um grupo chamado “monges”, pensava que isso era coisa de budista. Aquela história mística me encantou. Ao mesmo tempo, eu fazia um curso de Teodicéia do Padre Paulo Ricardo – além de querer conhecer o desconhecido, eu, honestamente, queria calar a boca de um “ateu” de 15 anos que me importunava na escola –, onde ele falava muito a palavra “filosofia” e citava muito um tal de Santo Agostinho, bispo de Hipona e autor de "Confissões". Novamente, juntei todo o dinheiro de que dispunha (dezessete reais) e adquiri o tal livro do tal santo.

Foi o primeiro livro de filosofia que li. Boquiaberto a cada página que lia, decidi: vou estudar filosofia, vou ser filósofo e vou ensinar isso aos outros.

– Pai, o que é um filósofo?

– Ah, é alguém que filosofa.

– Ah... pai, o que é filosofar?

– Não sei, deve ser isso que você está fazendo. Agora me passa o tijolo.

Depois deste profundo e clarificante diálogo, descobri que havia uma ordem de São Bento em São Paulo, visitei o mosteiro com dois amigos e – pasmem – eles tinham uma faculdade de filosofia!

– Bom, vou terminar o ensino médio, cursar direito para ganhar dinheiro e depois vou estudar essa filosofia – pensava cá com meus botões.

Porém, Angélica, minha professora de biologia, em sua primeira aula disse que não valia a pena estudar algo por dinheiro e não por gosto, pois isto nos converteria em péssimos profissionais. Mudei de idéia: estudaria filosofia de cara.

– E então, decidiu o que vai cursar na faculdade?

– Sim, pai. Vou estudar filosofia.

Uma freada brusca me fez entender: era provável que meu pai tinha em mente algo como “engenharia”.

– Tem certeza?

– Sim.

A partir do dia seguinte, meu pai converteu-se em meu maior apoio. Na época de começar a faculdade, mais dificuldades financeiras apareceram, mas a Providência Divina e a fé do provedor da família me encaminharam aos estudos e cuidaram de tudo.

Naquela instituição conheci muita coisa, principalmente a maldade humana.

Somente depois de findado o curso, as coisas se me apresentaram claras. Finalmente consegui entender a importância da boa relação entre mestre e discípulo. Finalmente fui grato à minha professora da pré-escola que me permitiu decorar o abecedário aos 5 anos (lembro-me como se fosse hoje: cheguei em casa feliz da vida e fiz minha mãe ligar pra uma tia, para quem recitei todas as letras em ordem); fui grato às minhas professoras do ensino fundamental que me ensinaram matemática, história, gramática, entre outras coisas; fui grato aos professores do Ensino médio que me ensinaram a estudar, sobretudo a uma professora comunista que me odiava, mas me ensinou a escrever – estruturar as idéias de modo que o leitor melhor pudesse compreender.

Estudei em escola pública desde o primeiro governo Lula, minha educação não foi das melhores, mas foi suficiente para que eu, às apalpadelas, encontrasse a saída do labirinto.

Na escola pública aprendi muito do que não devia também: o que é sexo e como acontece a fecundação do óvulo (podem me dizer que isto é importante e deve ser aprendido. Concordo, mas não pra uma criança de 5 anos e sem o acompanhamento dos pais!); aprendi o que é ser injusto e o que é ser vingativo, o que é não se encaixar nos grupelhos, o que é diferença social, o que é preconceito, o que é despotismo, entre outras coisas.

Na faculdade conheci o pior lado dos católicos. Escândalos, boicotes, perseguições, legalismo, catolicismo burguês... a Teologia da Libertação me pareceu brincadeira de criança frente ao ódio velado dos católicos “conservadores”.

Finalmente, vi sentido nos versos de Guerra Junqueiro:

Ó Jesuítas, vós sois dum faro tão astuto,
Tendes tal corrupção e tal velhacaria,
Que é incrível até que o Filho de Maria
Não seja inda velhaco e não seja corrupto,
Andando há tanto tempo em tão má companhia.

E nas demais críticas ao clero (como o genial Auto da Compadecida). Mas nem tudo foram trevas, só a maior parte. Consegui bom amigos, dentre eles, o Henrique Sebastião, que, por algum motivo, viu talento na minha escrita.

“É no fogo que o ouro e a prata são provados”, dizem as Escrituras – e de fato é assim. Também é no sofrimento, nas perseguições e nas dificuldades que descobrimos bons amigos – “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”, diz ainda a Palavra Santa.

Descobri bons amigos quando me faltou dinheiro para a passagem de ônibus, quando brigaram na faculdade para defender minha inocência frente a falsas acusações vindas de “bons católicos”, quando me faltavam cigarros e o dinheiro do café, quando fiquei doente de estresse e ódio, quando precisei de um ombro pra chorar minhas mágoas, quando viram talento em mim e me motivaram e quando tive que fazer tudo isso também por eles.

O Henrique pediu que eu escrevesse falando um pouco da minha trajetória de estudos. Bom, ela ainda não acabou, mas creio que, por hora, está suficiente.

Termino com isto: de nada adianta “lutar pela verdade, pelos valores, pelas virtudes” e outras abstrações se você fere e mata o irmão que está a seu lado, se você é injusto, se faz tráfico de influência, em suma, se você é uma péssima pessoa.

Cresci muito na Academia, aprendi muita coisa, mas lá é lugar de louco. Enquanto houver pessoas que não valem o feijão que comem (na maioria das vezes, que não valem o caviar que comem), precisamos combatê-los, sobretudo, não os respeitando.


* * *

Pedi ao meu irmão em Cristo, colaborador e bom amigo Igor que produzisse um artigo sobre sua trajetória como estudante de Filosofia até aqui, porque ontem mesmo (27/6/2018) ele apresentou o seu Trabalho de Conclusão de Curso para sua graduação em Filosofia, no desfecho de uma longa trajetória de lutas e dificuldades, que acompanhei de perto e de longe.

Conheci esse verdadeiro guerreiro de Cristo muito jovem, ainda na transição para a sua maioridade, na sala do primeiro ano de Filosofia do Mosteiro de São Bento, sob a tutela de professores como Joel Gracioso e Franklin Leopoldo e Silva, quando integramos o mesmo grupo – pela Graça de Deus estudamos juntos, eu, ele, Guilherme Freire, Moisés Lima, Thiago Gherman e outros bons católicos. De imediato, logo em nossa primeira conversa, fui surpreendido por sua maturidade, virilidade, honestidade e fé genuína – virtudes nada fáceis de encontrar nos homens da sua geração. 

Meu faro de "leão velho" detectou instantaneamente, por detrás da magreza e das feições então ainda suaves, um potencial tremendo e um talento singular em pleno desabrochar, no bom caráter de um autêntico fiel católico. Convidei-o a produzir um texto para a revista O FIEL CATÓLICO, que na época ainda era impressa e distribuída pela paróquia Nossa Senhora do Brasil. E ainda naquele mesmo dia, recebi um artigo sobre ideologia de gênero que superou abundantemente todas as minhas expectativas. O "menino" produzira um texto simplesmente escorreito: uma exposição didática, equilibrada e de agradável leitura, sem uma vírgula sequer fora de lugar! Comentei com minha esposa que conhecera um guri de 18 que escrevia como um ancião de mais de 60...

Este foi o início de uma amizade que, espero, perdure até o nosso ingresso na Pátria Celeste, se nosso bom Deus assim quiser. Lembro-me do dia em que, nos corredores do Mosteiro, discutíamos a escolha do nome de nossa fraternidade católica, e dos tantos pensamentos que compartilhamos. Ontem, algumas horas depois de rezar pelo seu bom êxito, soube que obtivera nota máxima e conquistado sua merecidíssima graduação. Deus vos salve, nobre Igor Andrade, e a Santíssima Virgem vele pela sua vida até a hora final!

Henrique Sebastião


** Contrate nosso completíssimo Curso livre em Sagradas Escrituras!
www.ofielcatolico.com.br

Impressos redentoristas promovem o marxismo e o movimento 'LGBT' em paróquias






CHEGOU-NOS A DENÚNCIA de que em algumas paróquias católicas de Teresina, PI, estão sendo distribuídos, aos paroquianos e ao povo em geral, jornais ou informativos redentoristas da vice-província de Fortaleza (são postos também junto aos folhetos de Missa) com conteúdos de forte e descarada apologia da famigerada "'teologia' da libertação" – a pior de todas as heresias da história da Igreja, segundo Bento XVI. 

Sobre essa moderna heresia de teor marxista, que impactou profunda e especialmente toda a América Latina e já fora combatida por muitos padres, teólogos e pensadores verdadeiramente católicos e também por todos os Papas desde o seu surgimento, aconselhamos a leitura do magistral documento do cardeal Ratzinger "Eu vos explico a 'teologia' da libertação" (leia) e a série de conferências do padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. intitulada "Revolução e marxismo cultural" (assista).

Sim, os informativos em questão trazem explícito conteúdo ideológico marxista, com uma coletânea de discursos de teor abertamente político partidário e até a apologia do movimento "LGBT". Entre artigos quase inacreditáveis pelo anticatolicismo, insensatez e irreverência para com o Sagrado, um traz o título: "A Paixão de Cristo na paixão dos LGBT (!)"; outro compara, abertamente e sem rodeios, Karl Marx a Jesus Cristo (!!). Mais ainda, os textos contém inúmeras nuances heréticas, defendidas como se fossem parte da Doutrina da Igreja. 

Seguindo fielmente a tradição marxista, tais conteúdos apresentam mentiras como verdades, enquanto que as autênticas verdades da fé cristã são cuidadosamente omitidas ou disfarçadas. Não se menciona, é claro, a absoluta incompatibilidade entre a doutrina marxista e o Evangelho de Nosso Senhor, que levou Papas a publicarem documentos contra o comunismo e até a decretar a excomunhão latæ sententiæ a quem o promove; menos ainda se fala das constantes zombarias e gravíssimas profanações promovidas pelo movimento LGBT à Igreja, aos símbolos sagrados católicos e à fé cristã como um todo.

Nada disso, porém, causa espanto em quem já se acostumou com o teor das postagens no site dos mesmos redentoristas de Fortaleza (veja). Enojam, sim, aos verdadeiros fiéis católicos, mas já não causam espanto, pois o descalabro se tornou uma pavorosa rotina. Como simplesmente aceitar que tais religiosos sigam proclamando livremente a doutrina comunista, enquanto que gozam de plena comunhão com Roma, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com os fidelíssimos padres da FSSPX, punidos pelo amor à Tradição e à Liturgia? A resposta é, no mínimo, difícil.

Víboras, cada vez mais numerosas e mais audaciosas, invadiram a Santa Igreja, tomaram os espaços, conquistaram cargos importantes – de comando – na Casa de Deus. Agora estão tomando decisões, ditando regras, controlando seminários, colégios, paróquias, dioceses inteiras. Trabalham unidos, organizada e incessantemente, com inteligência, pois os seus movimentos são orquestrados pela antiga Serpente. Inoculam sua peçonha em pobres vítimas desavisadas, que vão às igrejas com a reta intenção de guardar o preceito da Missa dominical, que procuram a Celebração Eucarística para adorar, prestar culto de ação de graças, obter a reparação dos pecados cometidos e pedir as graças de que necessitam. Mas encontram ambões transformados em palanques de políticos imundos, dissimulados, criminosos, promotores do aborto, do homossexualismo, da prostituição, da mentira e de tudo o mais que vai contra a vontade de Deus para os seres humanos. 

Eu soube de um lobo vestido de cordeiro que foi levar a sagrada e preciosa Eucaristia e um desses políticos malditos, inimigos de Cristo, lá na prisão onde se encontra justamente encarcerado, tratando-o como se fosse um mártir, um santo, um paladino da justiça. Suprema profanação do Corpo de Cristo. O fato é que certos servos do diabo travestidos de religiosos e sacerdotes não amam a Igreja; na realidade, é claro como água que a odeiam, e a odeiam com todas as suas forças, porque a Igreja Corpo de Cristo representa a virtude, o bem e o belo no meio do mundo, e eles amam seus vícios, o mal e a fealdade. O Senhor Jesus pede sacrifício, mas eles sequer possuem a honestidade necessária para considerar tal coisa; querem poder continuar dando vazão aos seus prazeres imorais livremente, entregar-se aos seus pecados sem culpa, chafurdar na lama sem se preocupar com o castigo divino.

Não querem saber do Cristo que é a Verdade, por isso construíram um espantalho com vestidos de revolucionário e o puseram em seu lugar. Pior, já nem temem a luz: o que fazem é escancarado, jogam-nos nas faces suas blasfêmias e imundícies. E riem.

Já conheço dignos padres (evidentemente não citarei nomes) que chegaram a me aconselhar não participar de certas celebrações da Missa que mais se traduzem em agravos a Nosso Senhor do que na renovação do Sacrifício do Calvário. Entre participar de uma verdadeira profanação e rezar em casa, no secreto do lar, talvez seja melhor mesmo a segunda opção. Quem vive nos grandes centros tem ainda a possibilidade de procurar os poucos lugares onde melhor se celebre. E quem não possui tal acesso? Estamos diante de um imenso rebanho de ovelhas sem pastor, como disse Nosso Senhor (Mc 6,34).

Mas o Senhor diz também: "Minha é a vingança" (Rm 12,19). Tenhamos bom ânimo! Ele, que expulsou os vendilhões do Templo, já venceu o mundo (Jo 16,33) e virá, para os que têm fome e sede de justiça (Mt 5, 6); no fim, cada um de nós terá que se apresentar diante d'Ele e prestar contas. Pela fé, sabemos que aqueles que perseverarem até o fim –, em meio a toda a apavorante tempestade –, serão salvos (Mt24,13). Vele por nós a Santíssima Virgem!


Henrique Sebastião
Imagens por José Ribas Netto
www.ofielcatolico.com.br

Liberdade, fé e esforço humano

A liberdade consiste não em fazer o que gostamos, mas em poder fazer o que devemos. E não há mal a ser enfrentado que Cristo não enfrente conosco. Não há inimigo que Cristo ainda não tenha conquistado; não há cruz que Cristo não tenha suportado por nós, e que não suporte agora, conosco.
São João Paulo II

À MEDIDA EM QUE AVANÇA em sua jornada de fé, construindo uma base firme em Cristo, ajudando outros católicos e fazendo de si mesmo o melhor católico possível, você vai achar necessário eliminar certos espinhos que teimam em crescer no seu caminho e ameaçam sufocar o seu progresso espiritual.

Todos nós temos nossos conjuntos próprios de pecados, fraquezas, maus hábitos, tentações nas quais sempre recaímos... São como agudos espinhos, que só podem ser eliminados com a Graça de Deus e nossa diligência, persistência e disciplina. 

Na Parábola do Semeador (Mc 4,1-20), o Cristo compara a humanidade a um campo fértil, e o Evangelho às sementes: uns ignoram a Mensagem, outros ficam entusiasmados de início, mas logo sua fé “seca”. Outros têm a fé, mas é sufocada justamente por esses espinhos, que são as tentações do mundo.

Algumas sementes, porém, caem em terra boa e dão muitos frutos. Para crescer em santidade, a alma precisa de um bom solo e de raízes firmes, e a melhor maneira de os adquirir é através da assistência frequente à Santa Missa, da participação contínua nos Sacramentos, da oração regular... E também do interesse em aprender cada vez mais sobre as coisas da fé – que pressupõe o estudo mais e mais aprofundado das coisas santas, porque “só se ama o que se conhece”. 

Por essa razão é que trabalhamos, com muita humildade, na esperança de que nossos esforços possam ser úteis no seu processo de crescimento na fé e na construção de sua sólida base em Cristo.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

40 Hóstias Consagradas são encontradas intactas na igreja destruída por terremoto há mais de um ano e meio

EM NOSSOS TEMPOS, até por uma questão de humanidade, somos forçados a reconhecer que é cada vez mais difícil perseverar na autêntica fé cristã e católica. Como perseverar diante de um mundo cada vez mais relativista, hedonista, violento, insano? Como perseverar, quando tantos membros do próprio clero, que deveriam nos dar o exemplo, avançam cada vez mais em sentido contrário? Quando os fiéis a Cristo e à Tradição da Igreja são perseguidos, dentro da própria Igreja, e aqueles que chafurdam em erro são premiados?


As ruínas de Arquata del Tronto após o terremoto [imagem de 2/11/2016]

Ainda assim, nesses momentos difíceis, somos brindados com sinais que confirmam e fortalecem a nossa fé. Parece ser este o caso ocorrido na igreja de Santa Maria Assunta, cidade de Arquata, Itália, que foi destruída pelo terremoto de novembro de 2016.

Tudo desabou e os restos daquele templo, inclusive obras de arte de valor inestimável, foram dados por perdidos, conforme noticiou o jornal italiano Avvenire.

Mais de um ano e meio depois da calamidade, uma equipe de 'carabinieri', grupo italiano especializado na preservação dos bens culturais, comunicou que havia resgatado o Tabernáculo e o conservava em custódia, e que queria restitui-lo à diocese.

Aconteceu então a surpresa que evocou o Milagre Eucarístico de Siena, ocorrido no ano 1730. Dentro do Tabernáculo do século XVI, encontraram a píxide bem fechada, embora derrubada, e  dentro desta quarenta Hóstias perfeitamente conservadas.

Havia se passado dezesseis meses de completo abandono, mas estavam as Hóstias inacreditavelmente íntegras, sem nenhum sinal de mofo ou alteração de espécie alguma. “Percebia-se ainda o aroma característico de hóstias novas. É como se Jesus tivesse sido engolido pelo terremoto e saído vivo dentre as ruínas”, comentou o bispo de Ascoli Piceno, diocese da paróquia.



O Pe. Angelo Ciancotti, que foi o primeiro em ter a píxide em mãos, foi às lágrimas. Ele tinha promovido tentativas de recuperação só agora efetivadas, retirando o tabernáculo todo marcado pelos choques de detritos e coberto de pó.

As chaves não deveriam servir mais. Pe. Angelo, porém, havia conservado uma na esperança de voltar a abrir a "Casa de Jesus". E essa funcionou imediatamente. “Na primeira tentativa, o Tabernáculo abriu", conta ele. "A píxide estava deitada, mas fechada. Nela, o Corpo de Cristo, após um ano e meio enterrado, estava perfeito, do ponto de vista da cor, da forma e do odor".

“Não havia nenhuma bactéria ou mofo aparece em qualquer hóstia (não consagrada) depois de semanas enclausurada. Ao contrário, após um ano e meio, aquelas pareciam ter sido feitas um dia antes”. Uma profunda sensação tomou conta das testemunhas: “Ele está presente!”.

O terremoto – que à época noticiamos por aqui – teve uma magnitude de 6.6 no local e atingiu a região de Arquata del Tronto e adjacências no dia 30 de outubro de 2016, causando grandes danos. A basílica de Núrsia, erigida no local onde nasceu São Bento, foi quase totalmente destruída. Novos tremores de terra acabaram ceifando as vidas de aproximadamente 300 pessoas.



“Sim, para mim é um milagre”, disse o Pe. Angelo ao jornal regional "Il Resto del Carlino", mas “quem não tem fé não vai acreditar em nada. O Senhor fez tudo por Si próprio”, comentou ao “National Catholic Register” dos EUA.

O sacerdote, que sabia que as hóstias tinham sido produzias pelas freiras do convento de Santo Onofre, ainda foi tirar a limpo com elas se hviam usado algum tipo de conservante na sua produção. “Não", responderam elas, "apenas farinha e água”, como é a norma própria da Igreja desde sempre.

Para o Pe. Angelo, estamos diante de um “achado prodigioso e inexplicável": "Para mim é um milagre e uma mensagem para todos que nos relembra a centralidade da Eucaristia. Jesus nos diz: 'Eu existo e estou convosco. Confiai em Mim'!”.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

_____
Fontes:
• Avvenire.it, Terremoto. Ostie trovate intatte nel tabernacolo. 'Gesù sotto le macerie' di Arquata, em:
avvenire.it/attualita/pagine/tabernacolo-ritrovato-arquata-terremoto
Acesso 21/6/2018
• National Catholic Register, Hosts ‘Miraculously’ Preserved 16 Months After Devastating Earthquake, em:
ncregister.com/blog/edward-pentin/hosts-miraculously-preserved-14-months-after-devastating-earthquake
Acesso 21/6/2018
• Ciência confirma a Igreja, Milagre eucarístico? 40 hóstias intactas na igreja destruída por terremoto há ano e meio, em:
https://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com/p/milagres-eucaristicos.html#17100901
Acesso 21/6/2018
www.ofielcatolico.com.br

Uma fé adulta segundo Bento XVI


Prof. Dr. Rudy Albino Assunção – Frat. São Próspero

SEGUINDO COM O TEMA dos valores inegociáveis da Igreja, tal como foram defendidos no pontificado de Bento XVI (como visto em O FIEL CATÓLICO n.16), queremos agora falar do tema da fé adulta. Nestes nossos tempos, em que vivemos a exigência de um autêntico testemunho cristão, não nos é permitido viver uma fé infantil. Nunca nos esqueçamos, evidentemente, que Nosso Senhor nos pediu que fôssemos “como crianças” (cf. Mt 19 13-15; Mc 10, 13-16; Lc 18, 15-17), pois isso implica a acolhida do Reino com a pureza do coração delas. No entanto, se diante de Deus somos verdadeiras crianças –, pois Ele é o nosso Pai –, diante do mundo, ou ainda, no mundo, temos que ser verdadeiros adultos. O que o Iluminismo, o Esclarecimento (Aufklärung) pedia era que o ser humano saísse da menoridade – e Immanuel Kant o disse claramente: Sapere aude! – eis o seu lema. Só assim o ser humano alcançaria a verdadeira maioridade: a da autonomia, a de pensar por si mesmo[1]. Tudo o mais seria submissão e obscurantismo. Isso levou à contestação, pelo indivíduo, de toda instituição, de toda autoridade constituída. E isso afetou diretamente a Igreja.

Mas o Cristianismo sempre se entendeu como o verdadeiro Iluminismo, e Bento XVI o afirmou e repetiu incontáveis vezes[2]. Ele não traz as trevas da ignorância sobre o fiel, mas o ilumina com a Revelação, para levar a sua razão ao conhecimento cada vez mais amplo da realidade. Ela não cega, ela não o diminui, não o apequena; ao contrário, ela o engrandece, fazendo-o ver mais plenamente. E faz chamar a mentira e o erro com seus nomes próprios, não com eufemismos.

O não-conformismo cristão – Mas hoje, com o primado do indivíduo, da subjetividade, uma leitura parcial da história da Igreja também chegou a convencer muitos católicos, fazendo com que se opusessem a Igreja. Permanentemente. Abertamente. Belicosamente. Ser cristão seria contestar, revolucionar, rompendo com qualquer tradição. Só assim se é adulto, “esclarecido”. No entanto, para Bento XVI não é esse o verdadeiro espírito que perpassa a fé cristã, e o Papa alemão recorria à Carta de S. Paulo aos Efésios para demonstrá-lo. O Apóstolo dos Gentios dizia: “Não podemos mais permanecer como meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina...” (4, 14). Paulo deseja que os cristãos tenham uma fé “responsável”, uma “fé adulta”. A expressão “fé adulta”, nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer ou não crer; portanto, uma fé “ad hoc”. Esta é apresentada como “coragem”, de se expressar contra o Magistério da Igreja. Na realidade, todavia, para isso não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o “esquema” do mundo contemporâneo. Esse é o não-conformismo da fé, ao qual Paulo chama uma “fé adulta”. É a fé que ele quer. Por outro lado, qualifica como infantil o correr atrás dos ventos e das correntes do tempo. Assim, faz parte da fé adulta, por exemplo, empenhar-se pela inviolabilidade da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se assim de forma radical ao princípio da violência, precisamente também na defesa das criaturas humanas mais inermes. Faz parte da fé adulta reconhecer o Matrimônio, entre um homem e uma mulher, para toda a vida, como ordenamento do Criador, restabelecido novamente por Cristo. A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela se opõe aos ventos da moda. Sabe que esses ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo”[3]. 

Vejamos que acima está toda a lista de valores inegociáveis que a moral cristã defende a todo custo. É fantástico ver como Bento XVI mostra que deve existir sempre um “não-conformismo” cristão. O católico não rejeita o mundo, mas quer purificá-lo daquilo que o afasta de Deus, da vontade salvífica do Senhor. Assim, a Igreja perde precisamente sua voz profética quando quer fazer um uníssono com as correntes societárias mais dissonantes do Evangelho.

Criticar o Papa e os bispos é muito fácil. Difícil é viver uma comunhão de fé diária; difícil é viver uma purificação pessoal para que o próprio pecado não atinga o corpo da Igreja, difícil é enfrentar o establishment que financia programas governamentais antirreligiosos, que patrocina a “cultura da morte”, que fabrica mordaças para tolher a liberdade cristã, sobretudo e que ataca o matrimônio e só exalta o sexo.

Agir na verdade e na caridade – Mas Bento XVI lembra ainda que
Paulo não se detém na negação, mas leva-nos ao grande ‘sim’. Descreve a fé madura, verdadeiramente adulta, de maneira positiva com a expressão: ‘agir segundo a verdade na caridade’ (cf. Ef 4, 15). O novo modo de pensar, que nos foi dado pela fé, verifica-se antes de tudo em relação à verdade. O poder do mal é a mentira. O poder da fé, o poder de Deus, é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível quando olhamos para Deus. E Deus torna-se-nos visível no rosto de Jesus Cristo. Olhando para Cristo, reconhecemos mais uma coisa: verdade e caridade são inseparáveis. Em Deus, ambas são inseparavelmente uma só coisa: a essência de Deus é precisamente esta. Por isso, para os cristãos verdade e caridade caminham juntas. A caridade é a prova da verdade. Sempre de novo, deveríamos ser medidos em conformidade com este critério, para que a verdade se torne caridade e a caridade nos torne verídicos.[4]


O que está por trás dessa afirmação de Bento XVI? Toda a sua apreciação do relativismo moderno. Aqueles que elencam a “caridade” –, o amor –, como princípio único e exclusivo, tendem a classificar todos os que levantam a bandeira da verdade como “intolerantes” (ao que aludi no artigo anterior). Sobretudo no tempo em que se fala de “pós-verdade”, falar em verdade, ou melhor, na Verdade, parece a mais pura autoimposição e falta de sensibilidade pós-moderna diante do “diferente”. Mas a posição da Igreja, defendida por Bento XVI na mais estrita fidelidade ao pensamento paulino, é que o anúncio da verdade deve vir acompanhado da postura amorosa, caridosa. Ou melhor, dizer a verdade é caridade. Um mundo que se engana, um mundo cheio de grandezas mas que caminha para o abismo, precisa ouvir a verdade.

A Verdade não admite compromissos – Ainda dentro da nossa temática, certa reflexão de Bento XVI feita numa memória litúrgica de S. João Batista nos ajuda também aqui. Lembrando a fidelidade do Precursor aos Mandamentos de Deus, paga com o preço do próprio sangue, o Papa dizia “que o martírio de são João Batista nos recorda, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder no compromisso com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o ‘martírio’ da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas ações”[5]. Ainda que isso nos custe os mais variados dissabores e sofrimentos. O que é próprio daquele que é adulto em Cristo. 

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

_________
1. Cf. KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: o que é o Esclarecimento. Cognitio,
São Paulo, v. 13, n. 1, p. 145-154, jan./jun. 2012.C.
2. Para citar apenas uma delas, cf. RATZINGER, Joseph; D’ARCAIS, Paolo Flores.
Deus existe? São Paulo: Planeta do Brasil, 2009, p. 40.
3. Bento XVI, Homilia nas Primeiras Vésperas por ocasião do Encerramento
do Ano Paulino, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Basílica de São
Paulo Fora dos Muros, 28 de junho de 2009.
4. Ibid.
5. Id., Audiência geral, 29 de agosto de 2012.

Artigo publicado na revista O FIEL CATÓLICO n. 18
www.ofielcatolico.com.br

“Se eu não fosse Católico…”

Venerável Servo de Deus Fulton Sheen*



SE EU NÃO FOSSE Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na Terra.

Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demônios .

Procure a Igreja a qual os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou a Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo A Verdade. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do seu Fundador.

E então você começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada como o foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina.

________
Fonte: SHEEN, Fulton John. Radio Replies Vol. 1, p IX, Charlote: Tan Publishing, 1979.

__________________________
Lembre-se de nos acompanhar também nas redes sociais:

** Instagram (@ofielcatolico)

*** Youtube

__________________________


_________
* Aos 6 de março de 2014, o conselho de especialistas médicos que assessorou a Congregação para as Causas dos Santos aprovou unanimemente um milagre relatado, atribuído à sua intercessão. Aos 17 de junho de 2014, a Comissão teológica (de sete membros) que aconselha a Congregação concordou unanimemente com a descoberta da equipe médica.

Estado católico

O batismo de Clóvis, rei dos francos, por François Louis Dejuinne

Por Guilherme Freire

O ESTADO PODE ser católico de dois modos. O Estado pode ser católico de “baixo para cima”, que é quando as pessoas são católicas ou admiram o catolicismo e, organicamente, a organização pública vai se conformando com o espírito das pessoas, isto é, dos cidadãos. Isto pode ocorrer, por assim dizer, de modo "natural" e progressivo, mesmo que não seja em um Estado democrático. Sendo este um caso em que os leigos simplesmente cumprem o seu papel, os sacerdotes não precisam assumir funções administrativas. 

O Estado pode também ser católico de “cima para baixo”: isso se dá quando há uma imposição e uma violação da liberdade das pessoas, e nesse caso elas, coagidas, podem vir a desenvolver mais ódio do que admiração pelo catolicismo. A tendência deste segundo tipo é o aumento dos católicos por conveniência e o fortalecimento de um Estado artificial. 

Os dois modelos se encontram na História, quase sempre misturados. A conversão de Clóvis é um exemplo do primeiro. Frederico II do Sacro Império é um exemplo do segundo. A conversão de Constantino se deu pelo esforço de evangelização; já o mesmo Constantino querer dar palpite em concílio da Igreja é um exemplo do segundo.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

A Bíblia é infalível? Sobre a inerrância das Sagradas Escrituras


O CONCEITO DE INSPIRAÇÃO divina das Sagradas Escrituras implica na inerrância bíblica – uma expressão muito querida pelos protestantes – ou, em outras palavras, em sua infalibilidade. Sim, nós, católicos, cremos que a Bíblia é infalível por ter sido produzida sob inspiração divina. Todavia, como em tudo, devemos compreender bem o significado e a extensão dessa infalibilidade. Faz-se muita confusão nesta área, especialmente da parte daqueles que elevam o Livro Sagrado à categoria de "única regra de fé e prática".

Neste mundo e nesta realidade em que agora vivemos, todas as coisas possuem seus limites próprios: mesmo as ferramentas de que dispomos para buscar a aproximação de Deus têm suas funções bem definidas e também suas limitações. Não é diferente nem mesmo para a Bíblia.

Precisamos conviver com aqueles que enxergam na Bíblia uma espécie de manual completo para a vida em todas as suas dimensões, inclusive para as ciências naturais, para a Medicina, a História, a Arqueologia, a Astronomia, etc, etc., e que a partir daí acabam por adotar uma visão de vida e de mundo extremamente limitante, que conhecemos bem ('se está na Bíblia, existe, vale, pode; se não está na Bíblia, não existe, não vale, não pode).

Por outro lado, não poucas vezes, nos defrontamos também com pessoas que querem “provar” a todo custo que a Bíblia está cheia de erros, que é incoerente e falha, que não há harmonia entre seus vários livros, que cai diversas vezes em contradição e tem muitas passagens mitológicas. Citamos abaixo apenas alguns exemplos de ótimas perguntas sem resposta satisfatória:

* Ao abandonar seus pais, com quem Caim se casou, já que não haviam outras pessoas no mundo e, logo, não haviam mulheres filhas de Adão e Eva? (Gn 4,17);

** O Segundo Livro de Samuel, no seu cap. 24, diz que em determinado período haviam 800 mil e 500 mil soldados em Israel e Judá, respectivamente; no Primeiro livro de Crônicas, no seu cap. 21 está escrito que eram 800 mil e 500 mil, respectivamente. Qual dos dois está correto? Mais: se um está correto, o outro necessariamente está errado; isso significa que a Bíblia contém uma falha de precisão histórica?

*** Em seu capítulo 27 (vs. 9), S. Mateus atribui ao profeta Jeremias uma profecia que, no AT, é de Zacarias;

**** Judas se suicidou por enforcamento segundo S. Mateus (27,5), mas no Livro dos Atos dos Apóstolos está escrito que ele saltou em um precipício (1,18). Qual dos dois está correto? Se um está correto, o outro necessariamente está errado; a Bíblia, então, contém falhas?

Existem muitos outros exemplos semelhantes a esses, e temos verdadeiros compêndios ateus sobre imprecisões históricas e falhas de concordância entre livros da Bíblia.

Tais argumentos fazem aparecer, em oposição, pessoas que se consideram especialmente “iluminadas” e que, crendo cegamente numa literal infalibilidade da Bíblia, esforçam-se para encontrar respostas para todas essas perguntas inúteis, e acabam defendendo teses por vezes ridículas, como a de que Judas se enforcou numa árvore próxima de um abismo, tendo caído neste quando a corda se rompeu... Bem, basta um pouco de imaginação para encontrar resposta para tudo. Ou quase tudo.

Da mesma forma, Galileu Galilei em sua época teve problemas e foi perseguido por fundamentalistas por defender que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário, como todos até então acreditavam. Ocorre que a afirmação parecia contradizer a passagem do Livro de Josué que afirma que o Sol parou no céu por ordem do líder hebreu (10,12-13).

Vemos, assim, que tais discussões são simplesmente inúteis e, antes de tudo, despropositadas. Tudo por causa de um conceito equivocado da inerrância ou infalibilidade da Bíblia. E qual é, então, o verdadeiro sentido desse conceito?

É o de que a Bíblia é um livro de fé e não um livro de ciências ou de História. As Sagradas Escrituras são, sim, infalíveis para as doutrinas da verdadeira Religião, mas não para as ciências humanas, simplesmente porque não é essa a sua função nem é essa a sua finalidade.

A linguagem da Bíblia Sagrada é espiritual, e as respostas que nos dá para as questões do espírito são assombrosamente precisas em tudo o que tange à nossa vida espiritual. Na santa Bíblia temos o cerne da Revelação divina por escrito; por isso, juntamente com a Sagrada Tradição apostólica e a condução do Magistério da Igreja, forma o tripé da nossa fé. Neste sentido, é, sim, por excelência o manual de nossa vida espiritual. Mas não é na Bíblia que devemos procurar as respostas para as questões científicas – ainda que mesmo nesse campo ela possa nos dar certas pistas.

Deus Criador e Todo-Poderoso, quando inspirou os homens que escreveram a Bíblia, quis se fazer entender pela humanidade e, para isso, comunicou as verdades da fé usando, claro, a linguagem humana. Em certos trechos, vemos claramente a influência das características idiomáticas e linguísticas simples da época, além da forte influência da cultura em que certos textos foram produzidos. Claro, os conhecimentos científicos dos tempos bíblicos eram ainda bastante limitados. Não haveria como ser diferente: se Nosso Senhor Jesus Cristo falasse, por exemplo, de super computadores, viagens espaciais, TV por fibra ótica ou tratasse de física quântica, astronomia e genética em suas parábolas, Ele seria entendido por aquele povo? Haveria como os Apóstolos pregarem usando referências a realidades desconhecidas do seu tempo? O Cristianismo existiria hoje, se não tivesse sido transmitido por meio de imagens e analogias simples e fáceis de entender?

Para nós, que cremos em Deus, não interessa uma descrição minuciosa e científica da Criação, como saber se no princípio foi realmente criado somente um único casal de cada espécie ou se a linguagem veterotestamentária sobre tais questões está baseada mais em simbologias, analogias e metáforas do que numa descrição factual dos primeiros acontecimentos. O que nos interessa mais e verdadeiramente é saber que Deus criou o Universo e tudo o que contém; interessa-nos saber que Deus nos ama, apesar de a humanidade ter pecado contra Ele (pouco importando se foi porque comemos do fruto de uma árvore, literalmente falando, ou se essa foi a analogia encontrada pelo autor sagrado, divinamente inspirado, para dizer que desobedecemos a Deus e nos colocamos contra a sua Vontade). Devemos saber, isto sim, que, por amor, Deus nos mandou seu Filho único, verdadeiro e mesmo Deus feito homem, que nos libertou do pecado e da morte e nos alcançou a salvação.

Concluímos afirmando que a Bíblia é, portanto, infalível nos assuntos de fé, como sempre foi e sempre será, mas não deve ser tomada como manual científico, da mesma forma como as ciências humanas também não devem se intrometer nos assuntos de fé, para os quais permanece incompetente.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

______
** Adaptado de 'A Bíblia é infalível?', do apostolado Veritatis Splendor disp em:
https://www.veritatis.com.br/a-biblia-e-infalivel/
Acesso 17/5/2018
www.ofielcatolico.com.br

O jovem de caráter


Por Tihamer Toth, bispo e professor

O QUE É O CARÁTER? E o que queremos dizer quando falamos a alguém “Ali está um bom caráter”? 

A palavra caráter designa a vontade humana fixada no bem; e um jovem é um bom caráter se tem nobres princípios e se em nada os sacrifica, ainda quando tal constância lhe impõe renúncias. Aquele que, ao contrário, muda de princípios conforme as circunstâncias, a sociedade ou os amigos, que abandona um modo de agir até aqui reconhecido como bom, sob o pretexto que ele não lhe deve causar o menor desagrado, esse é volúvel e pouco seguro, tem caráter fraco, ou, pior ainda, falta-lhe inteiramente caráter.

Isto basta já para mostrar em que consiste a educação do caráter. Primeiro, cumpra-se procurar nobres princípios; em seguida, por um exercício contínuo, urge que se acostume a agir segundo esses princípios, em todas as circunstâncias. A vida moral de um homem sem princípios é tão agitada quanto uma pequena cana surpreendida pela tempestade. Ela faz hoje de um modo e amanhã de outro. A primeira necessidade é, pois, formar em nós princípios firmes, e a segunda é adquirir a força de que precisamos para seguir, sem tropeços, o caminho que tivermos reconhecido como direito.

Repito: a sua primeira tarefa é formar em si princípios justos. Ora, qual é o princípio justo no tocante aos estudos, por exemplo? “Devo estudar com aplicação constante, pois Deus quer que eu cultive os talentos que ele me deu”. Qual é o princípio justo a respeito dos colegas? “Devo fazer a eles o que eu quereria que eles fizessem a mim”. E assim por diante. Cumpre que tenha princípios justos em todas as coisas.

A segunda tarefa é muito mais difícil: seguir esses exatos princípios, isto é, exercitar-se no caminho do caráter.

Um belo caráter não se recebe de presente: nós o fazemos por um labor sólido e contínuo, trabalhando nisso durante longos anos, dezenas de anos muitas vezes. A influência do círculo de relações, as inclinações boas ou más recebidas de herança, podem produzir certa impressão no nosso caráter, mas, afinal de contas, o nosso caráter é obra pessoal nossa, é resultado do nosso trabalho de educação de nós mesmos. Por isso, é uma dupla educação a que recebemos: a primeira nos é dada por nossos pais e pela escola; a segunda, a mais importante, nos vem dos nossos próprios esforços.

Sabe o que é a educação? É a influência da nossa vontade que nos leva pelo bom caminho, em qualquer situação, sem hesitar, com alegria.

Sabe o que é o caráter? É agir em conformidade com os princípios fundamentais; é o esforço empenhado de nossa alma na realização da nobre concepção que fazemos da vida.

Já pode concluir que, nessa educação de si, o difícil não é a formação do justo princípio vital, porém o esforço que se deve fazer dia a dia para se conformar com ele. “Isto é o meu princípio, e não o abandonarei; ser-lhe-ei fiel, custe o que custar”. E é preciso dizer que isso exige, não raro, muitos sacrifícios; e aí está a razão por que se encontram tão poucos caracteres no mundo.

“Permanecer sempre fiel a seus princípios”, “nunca se divorciar da verdade”. Quem é que não se entusiasmaria por estes belos pensamentos? Ah! Se não fosse tão difícil converter esses pensamentos em ações! Se esses belos intentos não se desvanecessem em nós tão facilmente, sob o influxo contrário da sociedade, dos amigos, da moda, do nosso próprio “eu” que não gosta de ser continuamente molestado!


Faça você mesmo a sua educação

Formar nossa alma à imagem que Deus quis em nós, eis a obra sublime a que chamamos educação de nós mesmos. Esse trabalho, meu filho, ninguém pode fazê-lo por você; deve ser executado pessoalmente por todo homem. Os outros podem lhe dar conselhos, indicar o caminho exato; mas você é que deve sentir a necessidade de fazer avultar em sua alma a magnífica imagem que Deus ocultou nela, você é que deve sentir o desejo de ser nobre, forte e puro. Deve conhecer-se a si mesmo, saber o que sua alma tem de nocivo e o que lhe falta de bem. Deve fazer você mesmo essa educação da sua alma, sabendo, muito embora, que o êxito lhe custará muitos esforços, abnegação e domínio de si. Será preciso que se recuse com frequência àquilo que tanto quereria fazer, que faça também muitas vezes o que não é de seu gosto. Acima de tudo, precisará fechar os lábios e erguer corajosamente a cabeça para ficar firme, mesmo se as suas boas intenções viessem a fracassar repetidamente. Desses esforços depende a formação do seu caráter, depende toda a sua vida.

“Semeai um pensamento, ele produzirá um desejo: semeai um desejo, ele produzirá uma ação; semeai a ação, ela produzirá o hábito; semeai o hábito, ele produzirá o caráter; semeai o caráter, ele produzirá a vossa sorte”.

A sua sorte, como vê, é tecida afinal de contas por esses pensamentos e ações, que julgava sem importância.

Hora a hora, volva seu olhar para a virtude com amor e respeito; não deixe escapar nem uma ocasião sequer de fazer o bem; e, se isso contrariar às vezes o seu desejo ou proveito, treine a sua vontade para triunfar. É assim que o seu caráter se tornará apto a realizar grandes coisas e trabalhar para o presente tanto quanto para o futuro. É assim que será amado e honrado por seus contemporâneos.”
F. Kolcsey

Mas cumpre também que levemos a nossa vontade até confundir-se com a Vontade de Deus. A escola mais sublime do caráter é alcançar dizer do fundo do coração: “Senhor, seja feita a vossa vontade, e não a minha!”.

A melhor forma da educação de si próprio é nos perguntarmos tão frequente quanto possível, após as nossas ações, palavras e mesmo pensamentos: “Senhor, foi mesmo vossa vontade o que eu disse ou fiz? Vós quisestes realmente que eu dissesse ou fizesse assim?”.

E é já que urge começar essa educação do seu caráter, meu filho; agora, durante os anos da sua juventude. Se esperar para quando chegar a idade madura, será tarde demais. O caráter não se desenvolve no turbilhão da vida. Pelo contrário, aquele que mergulha na agitação do mundo sem um caráter firme, perde facilmente o exíguo caráter que trazia.


Vontade forte!

Sabe agora, filho, de quem é que podemos dizer “Eis um belo caráter”. De ninguém senão do jovem que tem princípios nobres, ideal bem alto, e que sabe permanecer fiel a eles. Sim, fiel àquilo que ele reconhece ser a verdade, mesmo se ninguém mais o aceita, mesmo se todos ao redor, sobre esse ponto, são descuidados e relaxados.

Fiel, apesar de mil exemplos contrários, fiel em todas as circunstâncias! Mas, ai! Como isso é difícil e penoso às vezes!

Quando meninos maus se divertem por cerca de meia-hora irritando um colega um pouco desajeitado, e este, como pobre carneirinho perseguido por cães de raça, implora socorro, em vão, com olhar suplicante; se você desviar brandamente a atenção desses garotos para fazê-los cessar a sua crueldade, isto é bondade, coragem, fidelidade aos princípios! Uma vontade forte!

Quando estudantes mais ou menos céticos, gracejando grosseiramente, põem-se a zombar das verdades mais sagradas da religião e tentam arruinar os ensinamentos do sacerdote com “argumentos” tirados de velhos livros achados não sei onde; elevar a voz em favor da verdade ultrajada, denunciar claramente os erros e sofismas desses “argumentos”, e isso sem medo, embora sem magoar ninguém: eis um caráter heroico! Uma vontade forte!

Quando você ouve os risos descuidosos dos seus camaradas pela janela aberta, dando-lhe vontade de mandar às favas o cansativo problema de álgebra que deve concluir antes de se divertir com os outros; ficar fiel ao dever, dizer a si mesmo “não” pura e simplesmente; é ainda prova de um caráter firme, de uma vontade forte.

No decurso das perseguições sangrentas dos primeiros séculos do cristianismo, um pobre camponês foi aprisionado e conduzido ante a estátua de Júpiter.

“Derrame incenso no fogo e faça sacrifício aos nossos deuses!”, ordenaram-lhe. “Não!”, responde ele simplesmente. Começam a torturá-lo: ele não vacila. Levantam-lhe o braço de modo que a mão chegue exatamente por cima da chama, e põem incenso dentro dela. “Derrame o incenso e estará livre!”. “Não!”, responde ainda Barlaão. E lá fica, imóvel, com o braço estendido. A chama se ergue, começa a lamber a mão dele. O incenso já fumega, mas o herói continua imóvel. A mão é queimada com o incenso, porém Barlaão prefere o martírio à negação do seu Deus. Uma vontade forte!

Meu caro jovem, como hoje em dia há, entre nós, poucos desses caracteres de mártires!



____
Fonte:
TOTH, Tihamer. O jovem de caráter, São Paulo: Molokai, 2018, cap. 2.

Ciência encontra mais de 1.500 diferenças genéticas entre homens e mulheres

Como se fosse preciso, surgem agora as pesquisas mais recentes da ciência genética com mais provas irrefutáveis de que a dita ideologia de gênero não passa, definitivamente, disso mesmo: mais uma ideologia totalmente alienada da simples e demonstrável realidade objetiva dos fatos.

Por Pete Baklinski para o LifeSite News




CIENTISTAS DESCOBRIRAM 1.559 diferenças genéticas entre machos e fêmeas, relacionadas não apenas aos órgãos sexuais, mas com órgãos como cérebro, pele(!) e coração.

“No geral, os genes específicos do sexo são expressos principalmente no sistema reprodutivo, enfatizando a notável distinção fisiológica entre homens e mulheres”, descobriram os cientistas. “No entanto, dezenas de genes que não se associam diretamente com a reprodução também foram encontrados na formação da expressão específica do sexo (por exemplo, os genes da pele dos homens)”, acrescentaram.

As descobertas sugerem que há muito mais envolvido na ideia de "mudar de sexo" do que simplesmente cirurgia e tratamento hormonal.

“Nossos resultados podem facilitar a compreensão de diversas características biológicas no contexto dos sexos [masculino e feminino]”, afirmaram os pesquisadores em sua conclusão.

O estudo, intitulado "A paisagem do transcriptoma sexual-diferencial e sua consequente seleção em adultos humanos"[1], foi publicado na BMC Biology no início deste ano.

No estudo, os pesquisadores Moran Gershoni e Shmuel Pietrokovski, do Departamento de Genética Molecular do Instituto Weizmann de Ciência, mapearam milhares de genes – os bancos de dados biológicos de todas as informações que tornam cada pessoa única – de 53 tecidos semelhantes a machos e fêmeas, como pele, músculos e cérebro.

O estudo foi conduzido para examinar até que ponto os genes determinam como certas doenças visam machos e fêmeas de forma diferente.

“Homens e mulheres diferem de maneiras óbvias e menos óbvias – por exemplo, na prevalência de certas doenças ou reações a drogas. Como estas estão ligadas ao sexo? Os pesquisadores descobriram recentemente milhares de genes humanos que são expressos – copiados para produzir proteínas – de forma diferente nos dois sexos ”, afirma relatório do Instituto Weizmann sobre as descobertas.

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!

____
1. GERSHONI, Moran & PIETROKOVSKI, Shmuel. The landscape of sex-differential transcriptome and its consequent selection in human adults, para a BMC Biology, disp. em:
https://bmcbiol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12915-017-0352-z
____
Fonte:

https://www.lifesitenews.com/news/researchers-find-over-1500-genes-that-make-men-and-women-different
www.ofielcatolico.com.br
Subir