Pedro, a Pedra: a autoridade da Igreja Católica

ESTE POST é o desdobramento de um diálogo meu, Henrique Sebastião, com a leitora "evangélica" Ana Paula, que enviou uma longa mensagem como comentário ao o post "Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo", dizendo que algumas igrejas "evangélicas" realmente estão no erro, mas que outras são fiéis. A mensagem contém diversos argumentos-chave, que agora estamos respondendo, um de cada vez, para facilitar a compreensão de cada conteúdo específico.

O primeiro argumento, já respondido, se referia a fidelidade das igrejas ditas "evangélicas" às prescrições da Bíblia Sagrada, e pode ser lido aqui. Nesta segunda parte, são expostos mais alguns pontos de apoio "evangélicos", aos quais procuro responder da maneira mais clara e objetiva possível. Deus me ajude, ainda que eu seja indigno. Segue:

Que autoridade (tem a Igreja Católica)? O papa? Pergunto com todo respeito. A única autoridade que temos é Cristo e a palavra de Deus que nós ensinamos como única regra de fé e prática. Que autoridade a sua igreja acha que tem além de Jesus Cristo e Sua palavra? Seria os sucessores de Pedro?

Não há nenhuma sombra de dúvida quanto ao fato de o Papa ser uma grande autoridade da Igreja, sendo o sucessor do Apóstolo Pedro, a quem o próprio Senhor Jesus Cristo, pessoalmente, concedeu as Chaves do Reino dos Céus, dando-lhe poder para "ligar e desligar", na Terra e no Céu (Mt 16,18)! Como você pode negar algo que está dito tão claramente na Bíblia, e ainda pensar que observa a mesma Bíblia?

"A única autoridade que temos é Cristo", você diz. Pois bem! No fundo, é isto mesmo. E é exatamente por isso que obedecemos à vontade de Cristo, que quis nos delegar um pastor terreno, este mesmo Pedro a quem o Senhor pediu, por três vezes: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,15-17). Acaso a Bíblia mostra, em algum versículo, Jesus ensinando aos seus seguidores que deveriam se orientar exclusivamente pelas Escrituras, como "única regra de fé e prática"? Não! Mas ela mostra, insistentemente, a importância fundamental da única e una Igreja de Cristo para a nossa salvação.

A Bíblia Sagrada é mais do que clara em afirmar e ratificar, várias vezes, que o Apóstolo Simão foi eleito pelo Senhor Jesus como a Pedra (por isso mesmo deixou de ser Simão e se tornou 'Pedro': Pedra) sobre a qual Ele edifica sua Igreja. Os seguidores do movimento protestante, porém, que alegam observar a Bíblia, precisavam encontrar um meio de negar tais passagens, caso contrário seriam forçados a reconhecer a autoridade da Igreja Católica e a inviabilidade de sua própria doutrina. Como contra fatos não podem existir argumentos, tudo o que conseguiram foi a elaboração de sofismas, – fraquíssimos, por sinal.

O argumento que desvendaremos a seguir representa a principal e mais usual alegação que os atualmente chamados "evangélicos" (pentecostais e neopentecostais), usam na tentativa de negar a autoridade da Igreja Católica: a Pedra não é Pedro, e sim o próprio Jesus. Vejamos...



O que supostamente legitimaria o argumento de que a Pedra citada pelo Cristo no Evangelho segundo Mateus (16,18) não seria o Apóstolo Pedro, mas sim o próprio Jesus, é o fato de as Sagradas Escrituras, em outras passagens, identificarem o Cristo como “Rocha” e “Pedra Angular”.

Esta é, para dizer o mínimo, uma argumentação infantil; tola, mesmo. De fato, existem passagens bíblicas em que os termos “pedra” e “rocha” se referem a Jesus. E daí?? Ora, é mais do que óbvio que isso não significa que todas as vezes em que a Bíblia usa essas palavras está se referindo exclusivamente a Jesus. Só porque se dá a Jesus o título "Pedra", numa determinada passagem, será que todas as vezes que lermos a palavra pedra, nas Escrituras, será uma alusão ao Cristo? Claro que não.

No mesmo sentido, poderíamos usar quantos exemplos, de quantas citações bíblicas? Ora, o próprio Cristo proclamou-se “Luz do Mundo” (Jo 8,12). Mas Ele também disse aos Apóstolos que eles deveriam ser “Luz do Mundo” (Mt 5,13). Não é porque Jesus é chamado Luz, numa passagem, que todas as vezes que o texto sagrado falar em luz estará se referindo exclusivamente a Jesus. Será muito difícil entender isto?

Da mesma maneira, é óbvio que nem todas as vezes que as Escrituras falam em "pedra" estão se referindo a Jesus. Podemos ver, por exemplo, o livro do Profeta Isaías, cap. 51, vs. 1 e 2: nesta passagem, a pedra é Abraão. Também em 1ª Pedro (2, 4-5), fala-se nas "pedras vivas", que, neste caso, são o próprio Jesus juntamente com os cristãos fiéis.

Vemos então o que é evidente por si mesmo: que Jesus ser chamado "Pedra Angular" é uma coisa, e o fato de o discípulo Simão Barjonas ter sido feito, pelo mesmo Jesus, a Pedra sobre a qual edificaria a sua Igreja, é outra coisa, completamente diferente. Tanto isso é fato que até o nome do Apóstolo foi mudado, de Simão para Pedra (que na tradução virou 'Pedro', já que Pedra é um substantivo feminino e não poderia servir de nome para um homem).

Mais do que isso, o fato de Jesus aplicar a Simão Filho de Jonas um título que a Bíblia aplica também ao Filho de Deus, isto, por si só, demonstra e confirma a intenção do Senhor em fazer de Simão um representante seu, assim como acontecera antes com Abraão, que também teve seu nome mudado (antes Abrão) ao ser escolhido para conduzir o povo de Deus, ele que também foi comparado a uma pedra, exatamente como Pedro. E Jesus Cristo ainda confirmou explicitamente sua intenção ao entregar a autoridade sobre a Igreja a Pedro, quando lhe deu as Chaves do Reino, que lhe permitiriam ligar ou desligar na Terra o que seria ligado ou desligado no Céu! O que mais seria preciso?

Além de tudo isso, convenhamos: se Jesus estivesse naquele momento falando de si mesmo, simplesmente diria "Eu sou a Pedra", assim como disse "Eu sou a Luz do Mundo", "Eu sou o Pão da Vida", "Eu sou a Ressurreição e a Vida" ou "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Por que diria: "Simão, tu és a Pedra, e sobre essa Pedra edifico minha Igreja", se estivesse falando de si próprio? Perdoe o desabafo, mas que tipo de loucura é esta?

O Senhor Jesus Cristo, sem dúvida alguma, elevou Pedro como um "pai" para a família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o seu rebanho. E o "Príncipe dos Apóstolos" é mais uma vez confirmado como o pastor terreno das ovelhas de Cristo logo após a Ressurreição do Senhor: vemos no Evangelho segundo João (21, 15-17) como por três vezes Jesus pergunta a Pedro se ele o amava, e por três vezes Pedro reafirma seu amor e comprometimento. E como então o Salvador, às vésperas de deixar os seus discípulos, confia expressamente a Pedro a guarda do seu rebanho, isto é, da sua Igreja, e é nítido que, naquele momento, confiava-lhe o cuidado de toda a cristandade, fazendo questão de entregar a guarda dos "cordeiros" e também das "ovelhas. “Apascenta os meus cordeiros”, repete o Senhor por duas vezes; e, à terceira, diz: “Apascenta as minhas ovelhas”.

O verbo “apascentar”, todos sabemos, significa cuidar, conduzir, guiar, assumir a responsabilidade pelo rebanho; neste caso, é receber do Divino Proprietário a autoridade sobre o seu povo. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade a Igreja de Cristo; é ser o condutor: é ter o Primado. E ainda mais, como se tanto não bastasse, todo o contexto do Novo Testamento demonstra bem como era Pedro quem tinha a palavra final nos assuntos da Igreja primitiva, em diversas passagens:

# É Pedro quem propõe a eleição de um discípulo para ocupar o lugar de Judas e completar o Colégio dos Doze (At 1,15-22);

# É Pedro o primeiro a pregar o Evangelho aos judeus no dia de Pentecostes (At 2,14; 3,16);

# É Pedro quem, inspirado por Deus, recebe na Igreja os primeiros gentios (At 10,1);

# Pedro é retratado realizando visitas pastorais às igrejas (At 9,32);

# No Concílio de Jerusalém, temos a prova definitiva: é Pedro quem põe fim à longa discussão que ali se travava, entre todas as autoridades da Igreja reunidas, decidindo ele que não se deveria impor a circuncisão aos pagãos convertidos. E a Escritura descreve como ninguém ousou opor-se à sua decisão (At 15,7-12).

E esta autoridade de Pedro, assim como a dos outros Apóstolos, era e continua sendo transmitida de um homem para outro, sendo eleitos os novos sucessores pelo próprio Colegiado dos Apóstolos, através dos tempos. No caso de Pedro, as Chaves do Reino dos Céus, entregues por Jesus Cristo, vêm sendo transmitidas, nesses dois mil anos de história, através do papado.

Dizer que a autoridade de Pedro morreu com ele seria o mesmo que renegar a Promessa do próprio Senhor Jesus Cristo: "Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém".

Se o Senhor prometeu que continuaria com a sua Igreja até o fim do mundo, também a autoridade que ele concedeu à sua Igreja permanece, até o fim dos tempos. Esta é a doutrina católica. Esta é a Palavra de Deus, segundo as Sagradas Escrituras. Esta é a Tradição Cristã, de dois mil anos de história. E quem pregar o contrário, seja anátema. Porque:
De fato, não existem 'dois evangelhos': existem apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós, e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema.”
(Gálatas 1, 6-8)

Graças a Deus.



Entramos, a partir deste ponto, numa segunda parte deste estudo. Como os fatos que apresentamos até aqui, se observados bem de perto revelam-se inquestionáveis, surgem algumas outras argumentações, – supostamente melhor embasadas, sob uma casca de aparente "erudição", – na tentativa desesperada de negar a realidade do Primado de Pedro.

Há uma outra contestação que diz mais ou menos o seguinte: "Sim, nós reconhecemos, a Pedra do Evangelho de Mateus é Pedro, mas... no texto original em grego a palavra para pedra grande é 'petra', que significa rocha, pedra grande. A palavra usada como nome para Simão é 'petros', que significa pedra pequena, uma pedrinha"...

Pois é. Durma-se com um barulho destes. De fato, o argumento é tão fraco e desprovido de razão que, neste sentido, chega a dificultar a resposta: de tão inteiramente absurdo, o difícil é saber por onde começar a desmantelá-lo. E antes de tudo, mais uma vez, vemos o quanto são desunidas as denominações ditas "evangélicas", e como seu único objetivo comum parece ser realmente negar a autenticidade da Igreja Católica. Ora, se este argumento fosse válido, então o anterior, que diz que o a palavra Pedra não se refere a Pedro, mas ao próprio Jesus Cristo, torna-se blasfemo. Estaria o Evangelho chamando Jesus de "pedrinha"!?.. Sem perceber, todas unidas contra a Igreja Católica, as igrejas "evangélicas" acabam desmoralizando-se umas às outras.

Veja, Ana Paula, como uma igreja "evangélica" acaba ridicularizando a teoria de outra igreja "evangélica", na tentativa de negar o catolicismo. Porque, se houvesse mesmo essa alegada diferença nas expressões em grego (que não existe, como veremos), isto só serviria como uma comprovação a mais de que Jesus não poderia estar se referindo a si mesmo naquela frase.


** Leia a conclusão deste estudo
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Excelências da Santa Missa – I


Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
É UMA VERDADE incontestável que todas as religiões, que existiram desde o começo do Mundo, tiveram sempre algum sacrifício como parte essencial do culto devido a DEUS. Mas porque essas religiões eram vãs ou imperfeitas, seus sacrifícios, também, eram vãos ou imperfeitos. Totalmente vãos eram os sacrifícios do paganismo, e nem acode ao espírito falar sobre eles. Quanto ao dos hebreus, eram imperfeitos. Se bem que professassem, então, a religião verdadeira, seus sacrifícios eram podres e defeituosos, infirma et egena elementa, como qualifica São Paulo. Não podiam, assim, apagar os pecados nem conferir Graça.

Só o Sacrifício que temos em nossa santa religião, que é a Santa Missa, é um sacrifício santo, perfeito, e, em todo sentido, completo: por ele, cada fiel honra dignamente a DEUS, reconhecendo, ao mesmo tempo, o próprio nada e o supremo domínio de DEUS. Davi o chama: Sacrifício de Justiça, sacrificium justitiae; tanto porque contém o Justo dos justos e o Santo dos santos, ou, melhor a própria Justiça e Santidade, como porque santifica as almas pela infusão das graças e abundância dos dons que lhes confere.


Primeira Excelência – O Sacrifício da Santa Missa é o mesmo que o Sacrifício da Cruz

A Santa Missa é um sacrifício tão santo, o mais augusto e excelente de todos, e a fim de formardes uma ideia adequada de tão grande tesouro, algumas de suas excelências divinas; pois dize-las todas não é empreendimento a que baste a fraqueza da minha inteligência. A principal excelência do santo Sacrifício da Missa consiste em que se deve considerá-lo como essencialmente o mesmo oferecido no Calvário sobre a Cruz, com esta única diferença: que o sacrifício da Cruz foi sangrento e só se realizou uma vez e que nessa única oblação JESUS CRISTO satisfez plenamente por todos os pecados do Mundo; enquanto que o sacrifício do altar é um sacrifício incruento, que se pode renovar uma infinidade de vezes, e que foi instituído pra nos aplicar especialmente esta expiação universal que JESUS por nós cumpriu no Calvário,

Assim o Sacrifício Cruento foi o Meio de nossa Redenção e o Sacrifício Incruento nos proporciona as Graças da nossa Redenção. Um abre-nos os tesouros dos méritos de CRISTO Nosso Senhor, o outro no-los dá para os utilizarmos. Notai, portanto que na Missa não se faz apenas uma representação, uma simples memória da Paixão e Morte do nosso Salvador; mas num sentido realíssimo, o mesmo que se realizou outrora no Calvário aqui se realiza novamente: tanto que se pode dizer, a rigor, que em cada Santa Missa nosso Redentor morre por nós misticamente, sem morrer na realidade, estando ao mesmo tempo Vivo e como imolado: Vidi agunum stantem tanquan accisum (Ap 5,6).

No santo dia de Natal, a Igreja nos lembra o Nascimento do Salvador, mas não é verdade que Ele nasça, ainda, nesse dia. Nos dias da Ascensão e Pentecostes, comemoramos a Subida do Senhor JESUS ao Céu e a vinda do ESPÍRITO SANTO, sem que, de modo algum nesses dias o Senhor suba ainda ao Céu, ou o ESPÍRITO SANTO desça visivelmente à Terra.

A mesma coisa, porém, não se pode dizer do Mistério da Santa Missa, pois aí não é uma simples representação que se faz, mas, sim, o mesmo Sacrifício oferecido sobre a Cruz, com efusão de Sangue, e que se renova de modo incruento: é o mesmo Corpo, o mesmo Sangue, o mesmo JESUS, que se imola hoje na Santa Missa. Opus trae Redemptionis exercetur, diz a Santa Igreja.

A obra de nossa Redenção aí se exerce: sim, exercetur, aí se exerce atualmente. Este Santo Sacrifício realiza, opera o que foi feito sobre a Cruz. Que obra sublime! Ora, dizei-me sinceramente se, quando ides à Igreja para assistir a Santa Missa, pensásseis bem que ides ao Calvário assistir à Morte do Redentor, que diria alguém que vos visse ai chegar numa atitude tão pouco modesta? Se Maria Madalena fosse ao Calvário e se prostrasse aos pés da Cruz vestida, perfumada e ataviada como em seus tempos de desordem, quanto não seria censurada! E que se dirá de vós que ides à Santa Missa como se fôsseis a uma festa mundana?

Que aconteceria, sobretudo se profanásseis este Ato tão santo, com gestos, risadas, cochichos, encontros sacrílegos?

Digo que, em qualquer tempo e lugar, a iniquidade não tem cabimento; mas os pecados que se cometem na hora da Santa Missa e na proximidade do Altar, são pecados que atraem a maldição, de DEUS: Maledictus qui facit opus Domini fraudulenter (Jr 48,10). Meditai seriamente sobre esse assunto.

Outras maravilhas, porém, vou desvendar-vos de Tesouro tão Precioso...

** Ler o segundo capítulo

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Fonte:
MAURÍCIO, Leonardo de Porto. As Excelências da Santa Missa, conforme a ed. romana de 1737 dedicada a S.S. o Papa Clemente XII
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A mártir mais jovem a ser beatificada pelo Papa na Coreia


NO SÁBADO, 16 de agosto (2014), por ocasião de sua primeira viagem à Ásia, especificamente à Coreia do Sul, o Papa Francisco beatificará 124 mártires daquele país, entre os quais se encontra o caso muito especial de uma pequena menina, porém verdadeira gigante da fé, assassinada friamente pelo ódio a Jesus Cristo à sua Igreja, antes de completar os 12 anos de idade.

Anastasia Yi Bong-geum nasceu em 1827, filha de Paul Yi Seong-sam e Anastasia Kim Jo-i, que nesse período viviam sua fé na clandestinidade, porque sofriam a perseguição Jeonghae.

Educada pela mãe, desde pequena sabia cumprir bem seus deveres religiosos e manifestava grande fé e amor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Com dez anos de idade, aprendeu as orações da manhã e da tarde, assim como o Catecismo da Igreja Católica. Conheceu um sacerdote missionário que se hospedou em sua casa; este, impressionado pela ardente devoção da menina, permitiu-lhe receber a Primeira Comunhão, mesmo sendo ainda tão jovem. 

A fé e as virtudes cresciam em Anastasia, dia a dia. Quando do início da perseguição Gihae, em 1839, ela fugiu com sua mãe para a casa de Protase Hong Jae-yeong. Ali, foi presa pela polícia e levada a Jeonju, onde enfrentou, sem vacilar, o seu martírio.

A menina foi logo interrogada pelo chefe policial, que lhe exigia informações sobre o padre missionário, ao que ela respondeu que era muito pequena para saber de tais coisas. Não satisfeito, o policial lhe disse que, se ela falasse contra Deus, e renegasse a fé cristã, ele lhe pouparia a vida. Anastasia então respondeu-lhe admiravelmente: “Não sabia como adorar o SENHOR até que cheguei ao uso da razão, aos meus sete anos. Eu era muito jovem para ler livros. Mas dos sete anos até agora, adorei o SENHOR. Portanto, não posso trai-lo nem pensar mal dEle, mesmo se tiver que morrer mil vezes!”...

Em princípio, Anastasia foi levada à prisão sem ser torturada, porque era apenas uma frágil menina. Sua mãe fingiu duvidar de sua firmeza e lhe disse que certamente trairia Jesus: "Você não tem coragem para enfrentar a tortura”. Ao ouvir isso, a pequena mais uma vez deu prova de sua firmeza de caráter e, certamente, da assistência divina que recebia. Respondendo que jamais trairia o Cristo, prometendo à sua mãe manter-se fiel ao ensinamento da Igreja, não importando o tipo de tortura que tivesse que sofrer.

O chefe policial e os guardas prisionais insistiram muito com Anastasia para que ela cooperasse e assim salvasse sua vida, porque ela era "ainda tão jovem e uma linda garota", mas ela não cedeu. Jogada na prisão, em tão tenra idade, foi ameaçada muitas vezes, mas não sucumbiu à intensa pressão psicológica. Ao dar-se conta de que a menina realmente não ia ceder, finalmente a autoridade policial ordenou que ela fosse torturada...

Mas os sofrimentos da santa criança não pararam aí. Além de ser torturada, Anastasia foi forçada a assistir o martírio de sua mãe. E mesmo depois, como órfã, continuou a se manter firme em sua adesão ao Evangelho, prosseguindo assim até o final de sua curta vida. O chefe policial, quando ela não tinha ainda completado 12 anos de idade, ordenou que fosse enforcada na prisão, no dia 5 ou 6 de dezembro de 1839.

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Com ACI Digital, em
http://www.acidigital.com/noticias/conheca-a-martir-mais-jovem-que-sera-beatificada-pelo-papa-francisco-na-coreia-64585/
Acesso 11/8/014
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A pátria amada


Por Dom Fernando Arêas Rifan

 ESTAMOS ENCERRANDO a Semana da Pátria, da nossa Pátria amada. Jesus, nosso divino modelo, amava tanto sua pátria, que chorou sobre sua capital, Jerusalém, ao prever os castigos que sobre ela viriam, consequência da sua resistência à Graça divina. É tempo oportuno para refletirmos sobre nossa nação, na qual vivemos e da qual esperamos o nosso bem comum. Será que também não devemos chorar sobre nossa pátria, ao vermos tanta falta de ética em nossa política, ao sentirmos e pressentirmos a aprovação de leis iníquas, contra a Lei Divina, natural e positiva?

Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política,I–1,9). Política vem do grego pólis, que significa cidade. E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”.

Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado.

“A comunidade política existe (...) em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado, e dele deriva o seu direito natural e próprio. Quanto ao bem comum, ele compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição.” (Gaudium et Spes, 74)

Daí se conclui que a cidade – o Estado – exige um governo que a dirija para o bem comum. Não se pode separar a política da direção para o bem comum. Procurar o bem próprio na política é um contrassenso.

Parecia estar falando da política atual o notável Eça de Queirós, que, há muito tempo atrás, escrevera com sua verve inconfundível:

“Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita... Ninguém crê na honestidade dos homens públicos... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!” 

Falava ele assim em 1871! – Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões. Uma vez perdidos os valores morais e os limites éticos, a política fica ao sabor das paixões desordenadas do egoísmo, da ambição e da cobiça. [Trata-se de uma consequência natural, inescapável]

Pense nisso: seu voto é coisa séria, pois terá sérias consequências para a política! [Ou ainda: se você não se importa com política, será governado por aqueles que não se importam com você!]

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Fonte:
Blog pessoal de S. Excia. Revma. Dom Fernando Arêas Rifan, disponível em
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/2014/09/a-patria-amada.html
Acesso 7/9/014
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Pecado mortal e pecado venial

Hendrik Goltzius, "A queda do homem" (1616)

MUITOS LEITORES nos pedem orientações com relação aos significados dos termos pecado mortal e pecado venial, via de regra solicitando listas dos referidos pecados, – uma relação que especifique quais são os mortais e quais os veniais, elencando um por um. Alguns dão a nítida impressão de querer saber se determinados pecados são veniais simplesmente para que possam continuar a praticá-los, sem medo de perder a alma no inferno...

Entendemos que muito mais importante e bem mais útil do que listar e classificar os atos pecaminosos, um por um (até porque esta seria uma tarefa mais que complexa e incerta) é esclarecer o que define os pecados como mortais ou veniais. Nesta matéria, o realmente fundamental é saber discerni-los com clareza, já que àqueles que sabem discerni-los a partir daquilo que os define, fica de uma vez por todas esclarecida a questão.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), o pecado é, entre outras coisas, uma falta contra a razão, contra a verdade e contra a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a algum bem, colocado antes ou à frente do próprio Deus, que é nosso Sumo Bem. O pecado fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana, seja por pensamento, palavra, ato, omissão ou desejo contrário à Lei divina (cf. CIC §1849).

Essa descrição do pecado talvez pareça dura para alguns, especialmente os mais jovens. Será que até pensar pode ser pecado? E como é que somente desejar alguma coisa é pecado? Quem é capaz de dominar completamente os desejos ocultos de seu próprio coração? São perguntas válidas. Para respondê-las, antes de tudo, é preciso entender que o pecado, para ser vencido, precisa ser identificado e combatido já na sua raiz. Nosso Senhor Jesus Cristo diz:

"Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, pois te é preferível que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno." (Mt 5, 27-29)

A Lei mandava não adulterar. Este seria um pecado mortal. Mas vem Jesus, que consumou a Lei, e diz que apenas olhar com cobiça uma mulher já é pecado. Ora, cremos plenamente que Jesus veio para nos libertar, para nos livrar de um jugo pesado, para substituir a dureza da Lei pela suavidade da Graça e nos levar a trocar o caminho do medo pelo Caminho do Amor. Ele próprio assim declarou, em diversas passagens, e toda a Tradição cristã, juntamente com a Sagrada Escritura, continuamente o confirma; mas em certos momentos parece ficar a impressão de que as coisas ficaram mais difíceis, já que a exigência aumentou. Será mesmo?

Ocorre que, a partir de Jesus Cristo, ser fiel a Deus e ganhar a Graça Divina deixou de depender de se observar uma coleção de preceitos, como muitos legalistas erradamente entendiam nos tempos do Antigo Testamento. Não se trata de carregar uma lista do que "pode" e do que "não pode" debaixo do braço. A partir da vinda e do Sacrifício do Filho de Deus, não basta mais a observância externa, ritualista, superficial. Nos novos tempos, da Nova e Eterna Aliança, é necessário aderir ao Evangelho de todo o coração e alma, – o que requer conversão total de vida.



Conversão é uma mudança radical de direção. Metaforicamente falando, é uma virada de 180 graus. Se vínhamos avançando em determinado sentido, agora é preciso dar meia volta e caminhar no sentido oposto. Uma tal adesão, de todo coração, de todo entendimento e de toda a alma, não pode ser superficial. É preciso amar de fato a Deus sobre todas as coisas, e, assim, o próximo como a si mesmo. E quem ama a Deus mais do que tudo não tem como amar o pecado, que ofende a Deus e nos afasta dEle. – Por isso é que não só o adultério é pecado, mas também o querer adulterar, o pensar, imaginar, sonhar com isso. Quem está verdadeiramente bem decidido e mantém os pés firmes no Caminho (Cristo) não se distrai olhando para trás, menos ainda alimenta desejos secretos de caminhar na direção contrária.

Ser verdadeiramente cristão, portanto, é algo completamente diferente de ser adepto de qualquer religião legalista e/ou superficial, que simplesmente observa frios rituais vazios e vive de falsas aparências. Ser cristão de fato é, em uma palavra, ser honesto. É ser autêntico. Ou se é cristão de verdade ou se é uma caricatura de cristão (algo que, aliás, infelizmente, é o tipo mais comum).

Falando então do modo mais resumido possível, o pecado é uma ação contrária ao Amor de Deus, – por uma escolha, uma decisão livre do indivíduo. – Assim como o ser humano é livre para amar, obedecer e praticar o bem, também é livre para odiar e desobedecer, e desobedecer até até às últimas consequências. Até a morte eterna. É isso que o mesmo Catecismo chama de liberdade ou "possibilidade radical" do ser humano. A liberdade de escolha que Deus dá ao homem é ilimitada. Cabe-nos o poder da escolha, para o bem ou para o mal.

"Os Céus e a Terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua Voz e unindo-te a Ele; pois Ele é a tua vida." (Dt 30,19-20)

É sabido também que existe uma grande variedade de pecados e, apesar de todos afastarem de Deus, estão separados em diferentes graus. A Sagrada Escritura traz várias listas e descrições. São Paulo Apóstolo, por exemplo, na Carta aos Gálatas fala das "obras da carne manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedeiras, as orgias e coisas semelhantes a estas" (5,19-21).

É deste modo que os pecados cometidos pelos homens, conforme a sua gravidade, são divididos em mortais ou veniais. Por pecado venial entende-se aquele ato que não separa o homem totalmente de Deus, mas que fere a Comunhão com o Criador. Já o pecado mortal, por sua vez, atenta mais gravemente contra o Amor de Deus, desviando o ser humano de sua finalidade última e da Bem-aventurança, excluindo-o do estado de graça.

Ensina o Catecismo:

"É pecado mortal o que tem por objeto uma matéria grave, e é cometido com plena consciência e de propósito deliberado. (...) A gravidade dos pecados é maior ou menor: um homicídio é mais grave que um roubo. (...) Para que o pecado seja mortal tem de ser cometido com plena consciência e total consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, da sua oposição à Lei de Deus. E implica também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma opção pessoal.
A ignorância simulada e o endurecimento do coração (97) não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado. (...) O pecado cometido por malícia, por escolha deliberada do mal, é o mais grave. O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no Inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis. No entanto, embora nos seja possível julgar se um ato é, em si, uma falta grave, devemos confiar o juízo sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus." (CIC §1857 - §1861)

O pecado mortal, portanto, só acontece quando o indivíduo comete um delito contra Deus consciente dos requisitos descritos acima, e não somente pela matéria grave, isto é, a gravidade do ato em si. Uma pessoa sem formação moral e intelectual adequada, e sem condições de adquiri-la, que pratica uma ação pecaminosa, pode ser isenta de culpa por se enquadrar no caso da chamada ignorância invencível.

Por outro lado, existe também a ignorância afetada, quando a pessoa tinha condições de conhecer a verdade, mas por interesse próprio, simplesmente para poder pecar, preferiu não conhecê-la. Neste caso, o indivíduo peca ainda mais gravemente.

Na prática, quais os efeitos do pecado mortal sobre a pessoa que o comete? Como visto, a exclusão do Reino de Deus e a morte eterna no inferno, já que a nossa liberdade é radical: temos até mesmo o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. – Após esta vida entraremos na eternidade, libertos do fator tempo; no estado em que deixarmos este mundo, permaneceremos, em estado de graça ou não, – unidos a Deus ou aos seus inimigos, numa realidade em que não há ontem nem haverá amanhã. Estaremos plena e perenemente com Deus ou separados dEle, sem tempo, sem mudança, sem variações.


Johann Heinrich Füssli, "O pecado seguido da morte" (1794-1796)

E quanto aos pecados veniais? Seriam estes inofensivos, desprezíveis? Muitos entendem que apenas os pecados mortais devem ser prevenidos, evitados e confessados, imaginando que os pecados veniais não seriam importantes e/ou seriam perdoados "automaticamente". Esta linha de pensamento não corresponde à realidade, pois um pecado mortal muitas vezes é gerado por uma quantidade de pecados veniais cometidos antes. O pecado venial, embora pareça sem importância, é um passo que conduz ao abismo. Diz o livro do Eclesiástico: “Quem despreza as coisas pequenas, pouco a pouco cairá” (19,1). Aquele que, despreocupadamente, se entrega à prática dos pecados veniais, despreza as coisas pequenas. Pouco a pouco se dispõe a cair totalmente, até naufragar de vez nas águas pútridas e fétidas do pecado mortal.

Um após outro, os pecados veniais levam o indivíduo ao abismo, que é o rompimento da amizade com Deus. Para explicar melhor como se dá a ação dos pecados veniais, o Catecismo cita Santo Agostinho :

"O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideres insignificantes; se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los! Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então a nossa esperança? Antes de tudo, a Confissão... [Sto. Agostinho, In epistulam Iohannis Parthos tractatus, 1, 6: PL 35, 1982]" (CIC §1863)

Portanto, para evitar o rompimento da amizade com Deus, ou seja, evitar cometer um pecado grave, é preciso combater os chamados pecados veniais, os quais são passos em direção ao abismo. E muitos passos juntos percorrem quilômetros. Nesse sentido, o Sacramento da Confissão é o único remédio eficaz, que pode refrear essa triste caminhada ou íngreme descida, rumo ao abismo definitivo que chamamos Inferno.


Com pequenos passos, um após o outro,
percorre-se um longo caminho

Uma reflexão final: porque é tão difícil combater o inimigo de todos nós, o inimigo da vida e da humanidade, Satanás, com seus anjos? Se queremos seguir o Caminho, que é Jesus, e sermos fiéis a Deus, vivendo uma vida de bem-aventuranças e alcançarmos por fim a vida eterna, por que voltamos sempre a tropeçar, e nossos passos se desviam? A resposta é simples: é assim porque os demônios nos atacam com uma arma terrível e formidável: o prazer. Sim. Via de regra, o pecado é prazeroso, e se não fosse não seria tão perigoso.

Façamos uma brevíssima análise dos pecados capitais: gula; luxúria; avareza; ira; inveja; preguiça; orgulho ou soberba. Todos eles capturam a pessoa humana, direta ou indiretamente, pelo prazer, – seja o prazer de comer e beber (gula); o prazer desordenado do sexo (luxúria); o apego ao dinheiro e, consequentemente, aos inúmeros prazeres que nos pode proporcionar, inclusive o prazer de ter poder (avareza); seja na inveja do nosso próximo, que tem ou vive uma situação mais prazerosa que a nossa; na ira que invariavelmente explode quando algo ou alguém nos submete a uma situação de privação de prazer ou prazeres; seja a delícia de não fazer nada, sem ter nenhum compromisso (preguiça) ou a satisfação egoísta de se sentir superior ao próximo (orgulho).

O prazer escraviza. Uma vida em pecado é uma vida de escravidão. Uma velha canção popular perguntava: "Será que tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda?". – Quanto mais escravizados, mais forte a sensação de "não posso fazer nada do que gosto". – Quanto mais nos tornamos realmente livres, porém, mais compreendemos o verdadeiro significado da palavra liberdade, tão distante de libertinagem.

"O pecado cria uma propensão ao pecado; gera o vício pela repetição dos mesmos atos. Disso resultam inclinações perversas que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não consegue destruir o senso moral até a raiz." (CIC §1865)

Entregar-se ao pecado é verdadeiramente o completo oposto de ser verdadeiramente livre. – O prazer do pecado parece bom por um momento, mas dura pouco e, depois que acaba, o pecador continua, por um lado, o mesmo, e por outro, ainda pior: continua vazio, e um pouco mais escravo.

Claro que uma vida sem pecado não precisa ser, necessariamente, uma vida completamente destituída dos prazeres deste mundo. Não somos máquinas, e nossas mentes e almas precisam de descanso. Pequenos prazeres e distrações, de vez em quando, são sem dúvida benéficos. Somos, sim, livres, e tudo nos é permitido, dentro daquilo que nos convém enquanto cristãos. "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma" (1Cor 6,12). – A grande arte da alma livre é, justamente, aprender a não se deixar dominar por nada e nem por ninguém, porque deve obediência somente a Deus.

Consta que certa vez um penitente perguntou ao santo Padre Pio de Pietrelcina como distinguir uma tentação de um pecado, e como se pode estar certo de que não pecou. Padre Pio sorriu e respondeu: "Como se distingue um burro de um homem? O burro tem de ser conduzido; o homem conduz a si próprio".
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As igrejas "evangélicas", a Sagrada Escritura e as muitas interpretações dos muitos "pastores"


ESTE POST é o trecho do desdobramento de um diálogo meu, Henrique Sebastião, com a leitora "evangélica" Ana Paula, que argumentou, ao conteúdo do post "Razões porque retornei à única Igreja de Jesus Cristo", dizendo que algumas igrejas "evangélicas" realmente estão no erro, mas outras são fiéis. Quando lhe perguntei, entre outras coisas, ao que ou a quem poderiam ser fiéis estas igrejas, ela respondeu dizendo o seguinte:

"Henrique,você perguntou em quê as igrejas são fiéis. Elas são fiéis a bíblia e tudo o que está nela e não no pastor, o pastor apenas prega a palavra conforme está escrito nela."

Caríssima Ana Paula, em primeiro lugar agradecemos pela confiança em nosso apostolado e pelo seu interesse em participar. Então, quer dizer que você realmente acredita que as igrejas "evangélicas" são fiéis à Bíblia, que o "evangélico" observa fielmente o que está escrito na Bíblia, e não à interpretação do "pastor". Muito bem. Você não deve saber disso, mas um dia eu também acreditei nisso, porque também já fui o que chamam de "evangélico". Eu achava que as Escrituras eram, sozinhas, a Palavra de Deus, e que não poderia haver nenhum erro numa igreja que simplesmente observasse a Bíblia.

Foi assim até o dia em que o SENHOR me despertou desse sono, removeu as escamas da soberba dos meus olhos e eu acordei. E retornei à Casa do Pai, à Casa do Deus Vivo, – a Igreja Católica Apostólica Romana. – Agora, eu vou lhe provar porque é impossível que as igrejas "evangélicas" sigam a Bíblia, e vou fazê-lo de forma bem simples. Vejamos:

Se as igrejas “evangélicas” são todas fiéis à Bíblia (logo, a Igreja Católica é infiel), então me diga por que algumas igrejas "evangélicas" pregam, por exemplo, a “teologia” da prosperidade, enquanto outras a consideram uma heresia? Ora, ou uma doutrina é bíblica, ou não é. Ponto. Muito simples, e não há como se fugir deste simples fato.

A “teologia” da prosperidade, você deve saber (não sei se a sua igreja é a favor ou contra, porque o meio ‘evangélico’ é completamente dividido sobre este assunto), é aquela doutrina que diz que a pessoa que vai à igreja, paga o dízimo e contribui com ofertas generosas, sendo fiel e cumprindo os Mandamentos de Deus, terá uma vida só de bênçãos, tanto materiais quanto espirituais (embora a ênfase da pregação esteja sempre na questão financeira). Você paga o dízimo e Deus devolve em dobro, ou dez vezes mais, ou mil vezes mais. Você é fiel na igreja "evangélica" e Deus lhe dá saúde, prosperidade, um casamento feliz, uma carreira profissional de sucesso, filhos dóceis... Enfim, uma vida feliz e repleta de vitórias.

Muitíssimas igrejas “evangélicas” pregam esta doutrina, como a do empresário Silas Malafaia, por exemplo. Os “pastores” selecionam uma coletânea de passagens do Antigo Testamento que falam das bênçãos que Deus reserva àqueles que lhe são fiéis e as usam, de maneira completamente distorcida, para iludir e extorquir gente ingênua.

Por outro lado, existem muitas outras igrejas “evangélicas” que não compartilham da “teologia” da prosperidade, e algumas até a condenam abertamente. Muitos “pastores” criticam outros “pastores” que pregam essa famigerada doutrina.

Certo. É bem neste momento que você, Ana Paula, me diz: "Isso acontece porque algumas igrejas estão no erro, e outras são fiéis à Bíblia". – Mas é exatamente aí que está o problema! Sabe por quê? Porque tanto as que defendem a "teologia" da prosperidade quanto as que a condenam, ambas estão se baseando na Bíblia, cada uma ao seu modo. Vou listar abaixo algumas das passagens que certos patifes, digo, “pastores”, usam para defender a “teologia” da prosperidade:

“Porque sou Eu quem conheço os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de fazer-vos prosperar e não de causar dano, planos de vos dar esperança e um futuro.” (Jeremias 29,11)
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de Mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.” (Malaquias 3,10)
“O Deus dos Céus fará que sejamos bem-sucedidos.” (Neemias, 2,20)
“O ganancioso provoca brigas, mas quem confia no Senhor prosperará.” (Provérbios 28,25)
“E o Senhor te dará grande prosperidade, no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo, sobre a terra que o Senhor jurou a teus pais te dar." (Deuteronômio 28,11)
“Comerás do fruto do teu trabalho e serás feliz e próspero.” (Salmo 127/128,2)

As passagens listadas acima servem apenas como exemplos. Poderíamos citar muitas outras parecidas, que poderiam ser igualmente distorcidas para se legitimar a "teologia" da prosperidade. Saliento que fiz questão de usar novas traduções usadas pelas igrejas "evangélicas", que não raro deturpam determinadas passagens para favorecer à sua doutrina. A tradução citada acima do salmo 128, por exemplo, é da Nova Versão Internacional (NVI). A tradução bem mais fiel da Bíblia de Jerusalém diz, simplesmente: “Do trabalho de tuas mão comerás, tranquilo e feliz”. Veja que há uma tremenda diferença de sentido nas duas versões.

Então, se alguém que diz que algumas igrejas são fiéis à Bíblia e outras não, vai ter que concordar comigo e reconhecer que sim, existe a deturpação. A ressalva é no sentido de que as igrejas fiéis não compactuam com estas deturpações. O problema fundamental deste argumento, porém, é a verdade evidente de que ambos os grupos de igrejas, – tanto o das que pregam quanto o das que condenam a "teologia" da  prosperidade, – podem se afirmar como fiéis à Bíblia. E, neste sentido, estão certas! Afinal, por um lado, a Bíblia realmente promete prosperidade para os justos. Por outro lado, as passagens que falam em prosperidade, assim como todo o conteúdo das Sagradas Escrituras, obviamente precisam ser lidas dentro do seu contexto, e para cada passagem que possa ser usada para favorecer a “teologia” da prosperidade, existem outras que podem ser usadas para negá-la.

Os “pastores” contrários à “teologia” da prosperidade dizem que esta doutrina é herética, e que usa basicamente a mesma tática que Satanás usou no deserto para tentar nosso Senhor Jesus Cristo, oferecendo riquezas, poder, glória e posses materiais em troca de adoração e fidelidade (Mateus 4,8-9). E de que maneira argumentam? Claro, da mesmíssima maneira, usando passagens da Bíblia... Vejamos: 

“Outros ainda recebem a semente entre os espinhos; ouvem a Palavra, mas as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas e as múltiplas cobiças a sufocam e a tornam infrutífera” (Marcos 4,18-19)
"Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições." (1Timóteo 6,10)
“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15,19)
“Feliz serás tu, porque estes não têm como retribuir. A tua recompensa virá na ressurreição dos justos.” (Lucas 14,14)
Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias!” (Tiago 5,1-3)
“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. A nossa cidadania, porém, está nos Céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, para serem semelhantes ao seu Corpo Glorioso” (Filipenses 3, 18-21)
"Tu dizes: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconheces, porém, que és miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que estás nu." (Apocalipse 3,17)
"Disse-lhe Jesus: 'Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu; e vem, e segue-me." (Mateus 19,21)
"Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus." (Mateus 19,23)
"E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus." (Mateus 19,24)
“Ouvi, meus caríssimos irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam?” (Tiago 2,5)
“Então lhes disse: 'Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens'” (Lucas 11,5)
“Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos Céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói. Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” (Lucas 12,33,34)
"Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. (...) Aquilo que tem muito valor entre os homens é abominável aos Olhos de Deus." (Lucas 16,13-15)
“E, levantando Ele os olhos para os seus discípulos, dizia: 'Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus'." (Lucas 6,20-21)
"Mas ai de vós, os ricos, pois já recebestes a vossa consolação. Ai de vós, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vós, que agora riem, pois haverão de lamentar e chorar!" (Lucas 6,24-25)

Novamente, as passagens acima servem apenas como exemplos; poderíamos continuar e citar muitíssimas outras, completamente contrárias à doutrina que diz que seguir Jesus é alcançar riqueza, glória e abundância neste mundo. E observe que as passagens contrárias a “teologia” da prosperidade são muito mais abundantes do que as que parecem confirmá-la. Além disso, encontram-se quase que em sua totalidade no Novo Testamento, inserindo-se no contexto da Nova e Eterna Aliança em Cristo, enquanto que aquelas que parecem dizer o contrário pertencem ao contexto do Antigo Testamento.



Mas este post, afinal, não é para falar da “teologia” da prosperidade. Nós já fizemos isso neste site (veja aqui). Eu apenas levantei um tópico, entre muitos outros, para demonstrar que não se pode dizer que há "fidelidade à Bíblia" nas igrejas "evangélicas", – e nem pode haver, – simplesmente porque elas não falam a mesma língua e não seguem a mesma doutrina, e o Espírito de Deus não se divide contra Si mesmo. Mais importante, a Bíblia pode ser interpretada de inúmeras maneiras, e é por isso que existem dezenas de milhares de denominações ditas "evangélicas" no mundo, e todas elas observando doutrinas baseadas exclusivamente na Bíblia.

Alguns "evangélicos" argumentam dizendo que as diferenças estão apenas nos detalhes, que os fundamentos da fé são iguais em todas as igrejas "evangélicas". Mas é muito fácil constatar que isso não é verdade. O caso da "teologia" da prosperidade, que acabamos de analisar, é um ótimo exemplo: se é verdade que Deus abençoa com prosperidade àqueles que lhe são fiéis, então o meu modo de vida será de um determinado modo; isso vai definir o meu comportamento e a minha maneira de me relacionar com Deus. Além disso, o meu estado de vida material servirá como parâmetro para que eu saiba se estou sendo realmente fiel a Deus, se sou um bom cristão ou não. Se eu continuo pobre, se eu não alcanço as tão faladas "vitórias" que Deus concede aos justos, então eu não estou fazendo o que deveria fazer.

Posso chegar ao ponto de crer que não devo ajudar os pobres, porque isso seria desvio de recursos, como ensina o "pastor" R. R. Soares (veja aqui). Claro, se Deus dá abundância material e vitória financeira a quem lhe é fiel, eu não tenho mesmo que ajudar ninguém, porque quem não tem dinheiro é porque não é fiel a Deus e não merece ajuda. Veja o quanto estamos indo num caminho diretamente contrário aquele que Jesus propõe nos Evangelhos.

Por outro lado, se eu não aceito essa doutrina, o meu comportamento será totalmente diverso. Passo a entender a fé e a enxergar a vida de um modo completamente outro; meus modos, posturas e ações serão de outra natureza. Posso chegar ao ponto de um S. Francisco de Assis, que dava graças a Deus pela "irmã pobreza", confiando plenamente no que Jesus diz no Evangelho ('Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.' – Lc 6,20-21). Veja que adotar ou rejeitar uma crença como esta não é mero detalhe, ao contrário: é algo que vai moldar integralmente o meu modo de vida.

Insisto, porém, que para ilustrar a meu ponto de vista usei apenas um exemplo, entre muitíssimos outros. Do mesmo modo, eu poderia falar da questão do divórcio, que algumas igrejas “evangélicas” não admitem, baseadas em Malaquias 2,16, Gênesis 2,24 e Mateus 19,6. Outras igrejas admitem o divórcio em alguns casos, como quando há imoralidade sexual envolvida, e para isso citam Mateus 19,9. Existem também algumas outras bem mais liberais, que simplesmente usam (nas palavras da introdução da Bíblia NVI) de “interpretações menos rígidas”...

Eu poderia também falar da questão do batismo infantil, que algumas igrejas praticam, buscando como sempre legitimar a sua opção na interpretação de uma série de passagens do Antigo e do Novo Testamento (veja aqui) e outras não admitem em hipótese alguma. Encontrei até um fórum de discussão com um debate infinito entre “evangélicos” a respeito deste assunto, alguns defendendo o batismo infantil e outros o condenando com veemência, e – por que será que não fiquei surpreso? – todos acreditavam piamente que estavam fundamentados na Bíblia.

Eu poderia ainda falar das igrejas “evangélicas” que guardam o sábado, enquanto outras guardam o domingo, e outras que não guardam dia nenhum; poderia falar das igrejas que praticam a chamada “santa ceia”, porque Jesus assim ordenou (Lucas 22,19) e das que simplesmente não praticam, porque interpretam a ordem divina de algum outro modo; poderia falar das igrejas que não aceitam mulheres como “pastoras”, baseadas na Bíblia (I Timóteo 2,11-12), e das outras que não só aceitam como até têm mulheres como “bispas” e líderes; poderia falar das “igrejas” que pregam que o Batismo é condição necessária para a salvação, baseadas em Marcos 16,16, e das que dizem que não é, baseadas em Lucas 23,43, etc, etc, etc...

Veja bem, mais uma vez, que eu não estou falando de detalhes, de costumes secundários, que não fazem diferença na prática cristã. Estou falando de questões fundamentais, de temas que incorrem na própria salvação ou perdição da alma! E, também sobre estas, as igrejas “evangélicas” discordam entre si! Cada uma delas crê e prega sua própria verdade, baseada em quê? Na Bíblia, é o que dizem, mas é claro e evidente que isso não é verdade, porque a Palavra de Deus não se contradiz. O problema acontece porque cada uma destas "igrejas" se baseia na sua própria interpretação particular da Bíblia. Apenas isso e mais nada. Consegue compreender isto, Ana Paula? Posso ter esperança de que tudo esteja ficando um pouco mais claro para você?

Como citei acima, segundo dados oficiais existem dezenas de milhares(!) de seitas ditas "igrejas evangélicas” diferentes no mundo, sendo que cada uma delas prega algo diferente, algumas chegando a extremos como aceitar e praticar o "casamento gay" (veja aqui) e promover o aborto (caso da Universal do empresário Edir Macedo – veja aqui), e de alguns pastores que incentivam seus fiéis a destruírem imagens católicas.

Finalizando, para demonstrar insofismavelmente que não existe essa história de igreja “evangélica” fiel à Bíblia, preciso me lançar à árdua tarefa de tentar lhe fazer compreender que a única Igreja que pode ser fiel à Bíblia é aquela que a produziu, na pessoa dos Apóstolos, inspirados pelo Espírito Santo, que também foi a mesma que definiu a sua forma, usando de sua autoridade, dada por Jesus Cristo, para dizer quais dos muitos livros que eram lidos e reverenciados na Igreja primitiva eram divinamente inspirados e quais eram apócrifos. Estou falando da canonização dos livros da Sagrada Escritura que fazem com que a Bíblia seja cristã, isto é, os livros do Novo Testamento, – que são os mesmíssimos livros que as igrejas “evangélicas” adotam, acatando a autoridade da Igreja Católica, que a definiu. – Como você deve saber, as diferenças entre a Bíblia católica e a protestante estão apenas no Antigo Testamento.

Nas próprias Escrituras, Jesus diz aos fariseus hipócritas: “...Vós examinais as Escrituras, julgando ter nelas a vida eterna. Pois são elas que testemunham de Mim, e vós não quereis vir a Mim, para terdes a vida.” (João 5,39-40). – O Senhor está dizendo, textualmente, que não basta o exame da Escritura para se chegar a Ele. E a este respeito, mais uma vez a própria Bíblia é categórica: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular.” (2 Pedro 1,20). – Esta passagem enfatiza dois pontos fundamentais: tanto que a Escritura não foi produzida com base na inteligência do homem, mas sim pela inspiração do Espírito de Deus, quanto que a sua interpretação não pode ser pessoal, particular, como de alguém que simplesmente resolve examinar as Escrituras por conta própria e a julgar que compreende perfeitamente bem tudo o que Deus diz ali.

Trata-se de um fato muito, muito simples: se fosse para cada um ler a Bíblia, interpretar ao seu modo e sair por aí fundando "igrejas" e mais "igrejas", o Cristo não teria dado a autoridade sobre a Sã Doutrina aos Apóstolos. O Senhor teria dito claramente: "Observem as Escrituras!"... Mas em nenhum, absolutamente nenhum momento, a Bíblia diz algo assim. Ao contrário, há uma clara ênfase na autoridade da Igreja, desde o início.

Logo depois de fundar a Igreja (e não 'as igrejas') sobre o Apóstolo Pedro, no mesmo ato, Jesus diz a este mesmo Pedro que tudo o que ele ligasse na Terra seria ligado no Céu, e o que ele desligasse na Terra seria desligado no Céu (Mateus 16,18). E diz aos Apóstolos, em outra ocasião, que os pecados que eles perdoassem seriam perdoados, e os que eles não perdoassem seriam retidos (João 20,23). Esta é a autoridade que a Igreja possui na Terra, dada diretamente por Deus! Como pode haver alguma dúvida sobre algo tão evidente, para alguém que diz que observa a Bíblia?

Mais ainda do que tudo isso, em sua primeira epístola a Timóteo, S. Paulo Apóstolo é explícito: “Escrevo (eu, o Apóstolo, escrevendo a própria Bíblia, inspirado pelo Espírito Santo) para que saibas como comportar-te na Igreja, que é a Casa do Deus Vivo, a coluna e o sustentáculo da Verdade” (1Timóteo 3,15).

A coluna e o sustentáculo da Verdade é a Igreja, e não a interpretação particular e isolada das Escrituras, e as Escrituras mesmo dão testemunho disto! – Algumas traduções trazem "a coluna e o fundamento da Verdade". – Que mais é preciso dizer? Que mais a própria Bíblia poderia dizer? Ela diz que, antes de tudo, devemos saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular. A Bíblia Sagrada foi escrita para que soubéssemos como ser membros da Igreja, que é o sustentáculo da Verdade. À Igreja foi dada a autoridade para perdoar ou reter os nossos pecados. O que mais, o que mais é preciso para que alguém de boa vontade compreenda que a interpretação particular das igrejas "evangélicas", por ser literal e isolada do seu devido contexto, é completamente contrária a toda essência do cristianismo?

Resumindo, tudo o que eu tentei demonstrar, até aqui, é que não existe "interpretação particular correta" da Bíblia, porque todas elas já estão condenadas nas próprias Escrituras, e já nascem necessariamente equivocadas. São desvios da fé verdadeira. A única interpretação das Sagradas Escrituras que pode ser considerada correta é a da pessoa que a produziu, inspirada pelo Espírito Santo: a Igreja Católica. E a Igreja não está obrigada a se pautar pelo conteúdo das Escrituras, e sim a  correta interpretação das Escrituras é que precisa se pautar pela orientação da Igreja, pois a Bíblia é filha da Igreja. – A Igreja é a mãe da Bíblia, e não o contrário.

Para encerrar o tema, deixo abaixo um vídeo-aula do Profº Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., incansável defensor da verdade e da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; creio que você não o conheça, e eu gostaria de indicar estas suas vídeo-aulas, que são extremamente didáticas e podem ajudar muitíssimo (veja mais acessando este link). Por enquanto, é isto. Deus a abençoe, ilumine e salve.


A Igreja alguma vez já proibiu
a leitura da Bíblia?

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