'Zeitgeist, o filme' – ou a 'piada'?


DESDE O ANO 2007, quando do lançamento do pseudo-documentário cujo trecho reproduzimos acima, denominado "Zeitgeist" (do alemão zeit = tempo; geist = espírito ou mente, o 'espírito do tempo', significando o conjunto intelectual/cultural do mundo numa certa época), começaram a pipocar na internet, especialmente em websites ateus e grupos de redes sociais, as falsas informações que ele contém, mesmo que já tenham sido soberbamente refutadas por homens de ciência respeitados como o Dr. Chris Forbes (Professor de História Antiga e Vice-Presidente da Sociedade para o Estudo do Cristianismo Primitivo da Universidade Macquarie de Sidney, Australia, cuja entrevista encerra este estudo) e muitos outros.

O chamado "ateísmo modinha", – formado por ateus militantes cheios de ódio e tão ou mais irracionais do que os fanáticos religiosos que eles pretendem combater, – não pára de crescer, e o citado filme continua sendo postado e lembrado com frequência. Além do vídeo, pululam nas redes sociais cartazes com suas falsas alegações, apresentadas sempre como grandes e arrebatadoras "provas" da falsidade do Cristianismo, capazes de derrubar definitivamente a "tese" da existência histórica de Jesus chamado o Cristo.


Mentiras descaradas divulgadas sem nenhum constrangimento

A eterna e favorita "modinha" nos meios céticos, de se afirmar que toda a história que conhecemos a respeito de Jesus não passa de mito, anda meio desacreditada. Por muito tempo, certos militantes ateístas mais radicais se engajaram em patéticas tentativas de convencer o mundo (e se convencerem a si próprios, ao que tudo indica) de que Jesus de Nazaré nunca existiu. Entretanto, como esta sempre foi e permanece uma missão realmente inglória, – já que praticamente a totalidade dos historiadores mais respeitados do planeta reconhecem Jesus como personagem histórico (leia a respeito aqui), – certos grupos passaram a dizer que Ele pode ter existido, mas que a história de sua vida, conforme relatada nos Evangelhos, não passa de uma coleção de lendas e fantasias copiadas dos mitos antigos. 

O filminho postado no Youtube tornou-se uma espécie de cult cético. Reconhecemos que é muito bem produzido, belamente editado, e que ilustra à perfeição os principais argumentos que tentam provar que toda a história de Jesus não passa de mito. Entre bonitas imagens e uma impactante trilha sonora, são elaboradas várias alegações que, à primeira vista, impressionam, – em especial àqueles que não possuem um conhecimento prévio mínimo sobre os temas apresentados (infelizmente, a grande maioria).

Importa notar que as inciativas céticas não deixam de ter o seu valor, porque partem de pessoas (ao menos em boa parte dos casos) inteligentes, de cultura acima da média; gente que se importa em tentar provar os seus pontos de vista com embasamento, o que é louvável, desde que se mantenha a honestidade; – virtude esta ausente em "Zeitgeist".

Assim, estes que incansavelmente procuram nos trazer novos desafios, acabam nos dando, isto sim, novos motivos para nos estabilizarmos cada vez mais e melhor em nossa fé. Cada nova tentativa de refutação, que procuramos conhecer a fundo e de fato, nos leva à descoberta de que não passa de apenas mais um pouco de fumaça, e assim novamente confirmamos o que sabíamos antes: cresce a nossa fé e a nossa convicção. É uma deliciosa aventura prosseguir cada vez mais fundo nessa busca e (re)descobrir sempre a mesma coisa: que quanto mais se tenta derrubar a Verdade, mais sólida ela se mostra.


O argumento base

Segundo a linha que norteia os argumentos ateus presentes no filme, dentre os mitos que teriam influenciado os evangelistas, o principal seria o de Hórus, de 3000 aC, deus egípcio soberano do céu, que faz nascer o sol e a lua. O filme, pretendendo provar a influência mítica na história que conhecemos de Jesus, registra um resumo (resumido demais, e esse é todo o problema, como veremos adiante) da história do deus, nos seguintes termos:

Nasceu a 25 de Dezembro, da virgem Ísis. Seu nascimento foi acompanhado por uma estrela a Leste, seguida por 3 reis em busca do salvador recém-nascido. Era um prodígio quando criança. Aos 30, foi batizado por uma figura chamada Anup e assim começou o seu reinado. Tinha doze discípulos, curou enfermos e andou sobre a água. Era conhecido por vários nomes, como 'Verdade', 'Luz', 'Filho Adorado de Deus', 'Bom Pastor' e 'Cordeiro de Deus'. Traído por Tifão, foi crucificado, enterrado e ressuscitou 3 dias depois."


Parece devastador. Também há menções aos deuses/avatares Átis, Krishna, Dionísio e Mitra, o deus persa que foi adotado pelos romanos e convertido em deus-Sol. O autor do filme traça similaridades entre todos estes e Jesus, comparando suas histórias e salientando que "todos eram filhos de virgens (propondo um jogo de palavras entre Son [of God] e Sun [Sol]) nascidos a 25 de dezembro, morreram e ressuscitaram e tiveram 12 seguidores".

E agora? Depois de ler isso, muita gente logo exclama: "Oh!.. Eu estava enganado esse tempo todo!..". – Reação que até poderíamos considerar esperada, já que o texto impressiona, sim... à primeira vista. Mas responda a si mesmo, prezado leitor: você acredita em tudo o que lê ou assiste, na TV, na internet, ou mesmo nos livros, sem nenhum questionamento?

Questionar é importante. Muito. Se houvesse mais questionamento honesto e bem dirigido, não haveria tanto charlatanismo e tantos falsos profetas prosperando em nosso mundo, neste exato momento. A fé incondicional só é virtude quando ancorada na Verdade, – e, num aparente paradoxo, para se conhecer a Verdade é preciso questionar. – Curiosamente, entretanto, os que mais furiosamente questionam a Igreja e o Cristianismo são os mesmos que dócil e prontamente aceitam o tipo de bobagem exposto em "Zeitgeist" como verdade absoluta. Como se ali estivessem as "grandes revelações" ou "provas" incontestáveis de que todas as convicções religiosas do Ocidente nos últimos vinte séculos não passam de mito.

É também para os questionadores que este sítio foi pensado. Mas os questionadores verdadeiros, os que vão fundo em suas questões, porque "Zeitgeist" até parece apresentar questionamentos válidos, mas não o faz: de fato, está repleto de meias verdades e informações propositalmente desvirtuadas. Questionar não tem absolutamente nada a ver com má intenção. E mentir ou distorcer a realidade tentando provar um ponto de vista só pode partir de corações e mentes mal intencionados.

Vejamos então essas alegações todas um pouco mais a fundo, à luz da verdade dos fatos, como convém aos bons questionadores.



Agora, os fatos

Começaremos nossa análise pelo que foi dito a respeito do mito do deus Hórus, que segundo as argumentações apresentadas é o que mais traz semelhanças com a história de Jesus e o que teria mais fortemente influenciado o Cristianismo.

Para começar, segundo a mitologia egípcia, Hórus simplesmente não nasceu de uma virgem. Nada disso. No antigo Egito, o sexo era visto como algo muito positivo e até sagrado. Ísis era a esposa de Osíris, e os dois mantinham uma vida sexual bem ativa até ele ser assassinado e cortado em pedaços por Seth. Estes pedaços muito pequenos foram espalhados por todo o Egito, e escondidos, para que não pudessem ser encontrados e unidos novamente. Ela começou então uma peregrinação em busca dos pedaços escondidos do corpo de Osíris, episódio conhecido como "Lamentação de Ísis". Afinal conseguiu encontrá-lo, mas não pôde trazê-lo de volta à vida. Mesmo assim, eles tiveram uma espécie de "união mística" e Hórus foi concebido. Segundo algumas versões, algo semelhante teria acontecido na morte do próprio Hórus, segundo a qual ele teria sido atirado em pedaços na água, sendo mais tarde pescado por um crocodilo a pedido de Ísis2.

Hórus surge, portanto, como deus filho de um casal de deuses, assim como no conceito pagão clássico, completamente divergente da narrativa evangélica a respeito de Jesus Cristo.

Depois, Osíris volta à vida com a ajuda de outro deus, Anúbis, que faz do seu corpo a primeira múmia. – É exatamente daí que, segundo a antiga crença, provém o costume egípcio da mumificação. – Osíris então vai para o mundo dos mortos, onde passa a reinar3.

Aí está, em poucas linhas, a verdadeira narrativa do mito. Será que alguém, em sã consciência e de boa disposição, será capaz de reconhecer as grandes similaridades com as narrativas evangélicas, como apontado em "Zeitgeist"?

Passemos a análise dos principais tópicos apresentados no filme:

• 25 de dezembro: nesta data era comemorado, em várias civilizações, o solstício de inverno no Hemisfério Norte. O solstício anunciava o nascimento do Sol como 'deus-criança', sol que estava fraco e nessa época do ano voltava a crescer, como uma criança que traz de volta a primavera e o verão. A civilização celta, por exemplo, festejava esse dia, que chamavam "Yule", também com a "árvore mágica de Yule", – um pinheiro enfeitado com os símbolos da primavera, que segundo algumas teorias poderia ser a origem da atual árvore de Natal.

Não há nada de espantoso nisso, já que o Cristianismo, deliberadamente (e isso não é nenhum segredo escondido), se apropriou da data mitológica para a comemoração do Nascimento de Jesus, como recurso para converter os pagãos e fazê-los aceitar o Evangelho (entenda melhor), trocando o antigo paganismo politeísta pela fé em Jesus Cristo, o verdadeiro Sol da humanidade.

Há, todavia, uma questão crucial que o filme faz questão de ignorar; um pequeno "detalhe" que faz toda a diferença: o fato de que a Sagrada Escritura, em momento nenhum, menciona 25 de dezembro como data de nascimento do Cristo. Assim é que cai por terra, completamente desmontado, o principal "trunfo" do pseudo-documentário, que eleva a suposta coincidência envolvendo o 25 de dezembro como grande "prova" dos seus argumentos.

• Os Três Reis: outro "detalhe" fundamental é que os Evangelhos também jamais mencionam a presença de "três reis" vindo visitar Jesus Menino, como afirma o filme, tentando forçar uma similaridade que não existe. Os célebres "'três reis' magos" são parte do imaginário popular, sim, mas foram acréscimos posteriores e apócrifos à narrativa evangélica, que não pertencem à sagrada Tradição apostólica. O relato bíblico diz apenas que "magos" (sem definição de número nem título de realeza) vieram visitar Jesus quando recém-nascido:

Tendo nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém, perguntaram: 'Onde está o Rei dos judeus recém-nascido?'
(Mt 2,1)

Cabe lembrar que o título “magos”, aqui, não significa que fossem expertos em magias, mas que tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “mago” aquele que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”1.

Enfim, vemos com toda a clareza como não existe a menor possibilidade de se estabelecer alguma relação entre os "magos" do Evangelho e os "três reis" da história de Hórus. Ou será que "magos" é a mesma coisa que "três reis"?

• "Prodígio na infância" e "curou enfermos": estas alegações soltas e gratuitas certamente não carecem de maiores explicações, simplesmente porque não seria razoável esperar que qualquer deus mítico fosse descrito como um estúpido na infância. E a qual divindade mítica benévola da Antiguidade não se creditava o poder de curar doenças e proporcionar coisas boas aos seus adoradores? O poder de cura era algo comum, atribuído a praticamente todas as divindades do panteão pagão. Se assim não fosse, por qual motivo alguém se tornaria devoto de um deles? Por que a obsessão em querer comparar tudo com a história de Jesus Cristo?

• Morreu crucificado e ressuscitou: esta informação é simplesmente falsa. Não é verdade que, segundo o mito, Hórus tenha morrido crucificado: há versões diferentes (além da citada mais acima, uma outra dá conta de que que ele teria se fundido com o deus-sol Rá e a partir daí passava a 'morrer' todos os dias ao pôr do sol, retornando a vida no nascer do sol), mas absolutamente nenhuma delas cita crucificação.

Quanto à "ressurreição" de Hórus, assim como em tudo o que diz respeito à "ressurreição" de deuses e deusas pagãs, é preciso saber que nessas religiões ancestrais era comum que se adorassem deuses que morriam e reviviam continuamente. Eles eram símbolos de ciclos naturais, como o das colheitas. Em épocas de seca, por exemplo, dizia-se que o(s) deus(es) da colheita estava(m) morto(s) e, ao término da seca, dizia-se que estava(m) revivendo. Como é óbvio, isso nada tem a ver com a ideia de ressurreição cristã, na qual uma pessoa de carne e osso morre fisicamente e depois retorna à vida, com o mesmo corpo restaurado. 

Além dessas análises, deve-se ter em mente que grande parte do que se sabe sobre esses deuses está em documentos que datam de muitos séculos antes de Cristo. O pouco que se conhece e que faz parte de documentos anteriores ao nascimento de Jesus Cristo está, em sua maioria, em representações artísticas, das quais a interpretação pode ser um tanto quanto imprecisa. Em outras palavras, qualquer semelhança entre Jesus Cristo e deuses pagãos provavelmente é um efeito da influência do Cristianismo sobre o entendimento que temos, hoje, das religiões pagãs ancestrais, e não o contrário.



Mais inconsistências e falsas afirmações

A desonestidade intelectual do filme não termina aí. Ele também faz questão de ignorar as mais evidentes e variadas inconsistências entre a história do Cristo e o mito egípcio: Hórus foi um grande e poderoso rei e, sobretudo guerreiro; Jesus viveu todo o seu ministério como peregrino, em absoluta humildade: "As raposas têm covis e as aves do céu têm seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (Mt 8,20).

Sobre a concepção de discípulos como seguidores, esta é exclusivamente cristã. No caso dos mitos, qualquer menção a supostos "doze discípulos" é sempre analogia direta às doze constelações do zodíaco, conhecidas de diversos povos da Antiguidade. É por isso mesmo que o número doze aparece constantemente nos mitos de diversas culturas antigas, o que não pode ser aplicado à história de Jesus, em que a relação declarada é com o número das tribos de Israel: 1-Dã, 2-Aser, 3-Naftali, 4-Manassés, 5-Efraim, 6-Rubem, 7-Judá, 8-Benjamim, 9-Simeão, 10-Issacar, 11-Zebulão, 12-Gade. Obs.: A 13ª tribo era a de Levi, sacerdotal e que não tinha direito a terra; eram os responsáveis pelos serviços do Tabernáculo e depois do Templo, mas não eram contados como Tribo, por isso se diz que eram 12 tribos.

Mais: Hórus não se parecia minimamente com o Messias da concepção judaica; ele era um deus no sentido pagão clássico, guerreiro e mágico, era representado com corpo de homem e cabeça de falcão, que batalhou contra seu irmão Seth pelo domínio do Egito, sendo que na luta perdeu um olho, substituindo-o por um amuleto de serpente. Assim, seus olhos representavam um a Lua e outro o Sol3.

Por fim, obviamente Osíris reinando no mundo dos mortos não tem absolutamente nada a ver com a concepção do "Reino de Deus" trazida por Jesus. Creio que não é preciso aprofundar sobre isto.

Como se vê, ao analisarmos um pouquinho mais de perto as "sensacionais provas" de "Zeitgeist" de que a vida de Jesus conforme relatada nos Evangelhos não passa de mito, percebemos que essas supostas provas estão (bem) mais para simples distorções mal-intencionadas, motivadas unicamente pela ânsia doentia de mostrar ao mundo que "religião é veneno".

Agora que desmistificamos a falsa desmistificação de Jesus proposta pelos ateus, no que se refere a Hórus, fica fácil concluir esta análise quanto às comparações com os outros deuses míticos citados no filme. Praticamente todos os argumentos usados para tentar demonstrar essas supostas grandes semelhanças são exatamente os mesmos, e tão falsos quanto. O restante é um conjunto de especulações extremamente forçadas, apresentadas alternadamente com muitas informações falsas (a boa e velha mentira), que tentam relacionar mito, astrologia e História, insistindo sempre na questão dos "três reis magos" e na data de 25 de dezembro, que como vimos não têm relação alguma com a narrativa dos Evangelhos.


Resumir para adequar

Finalizando, a constatação mais do que óbvia é que o autor do filme usa de um subterfúgio bastante comum para tentar demonstrar as suas teorias: resumir um tema complexo para adequá-lo ao seu ponto de vista.

Assim, quando se fala de modo tão resumido, tão genericamente, que, por exemplo, tanto Hórus quanto Jesus "curaram enfermos", a ouvidos desavisados pode soar como um paralelo entre ambos. Mas observe que aqui, como em toda a sua argumentação, o autor do filme faz questão de não entrar nos pormenores; as curas de Hórus, se vistas de perto, não têm absolutamente nenhuma semelhança com as que são atribuídas ao Cristo, já que envolvem elementos físicos mágicos e um mágico "olho místico". Mas, falando assim, "por cima", dá a impressão de que se tratam de coisas parecidas. – Resumir para adequar.

Usaremos de um exemplo que ilustra bem a questão e é mais simples, por estar mais ao alcance de todos: se eu quisesse convencer alguém que não conhece nada de História que Adolf Hitler era parecido com Gandhi, e que a história dos dois é praticamente idêntica, eu poderia dizer que tanto um quanto outro foram grandes patriotas; que ambos eram amantes das artes; que eram homens místicos; que gostavam de animais e de crianças; que foram grandes líderes; que foram imensamente populares; que exerceram forte influência na História; que deram, direta ou indiretamente, suas vidas por suas pátrias.

Falando assim, resumidamente, nós poderíamos afirmar tudo isso e sem mentir! Nos aspectos isolados que foram citados acima, e fora do seu devido contexto, realmente poderíamos dizer que Hitler e Gandhi eram parecidos! E aquela pessoa sem nenhum conhecimento da História provavelmente acreditaria que foram dois personagens muito semelhantes. Mas quem conhece objetivamente a história de vida de um e de outro sabe muito bem que, apesar dessas semelhanças superficiais, um não tinha nada de realmente relevante a ver com o outro, e que representaram ideologias e adotaram modos de vida completamente contrários um ao outro.

Se eu quiser confundir, tudo que tenho a fazer é resumir a história, não entrando em detalhes e me atendo aos pontos do meu interesse, os que confirmem a mensagem que eu quero passar. Agindo assim, eu posso comparar praticamente qualquer pessoa com qualquer outra, e sempre vou encontrar supostas grandes similaridades; basta não me ater aos detalhes e ficar só na superfície.

† † †

No mundo de hoje muitos vêem toda a sublime história do Cristo como não mais que um mito. "Criamos um deus à nossa imagem", insistem alguns sociólogos da religião, e Jesus seria a nossa maior chave para o entendimento desse deus com quem podemos nos identificar. Uma chave falsa e ilusória, mas que pode ser útil. A história da Encarnação, isto é, da manifestação de Deus em forma humana, argumentam, já foi narrada muitas vezes antes, ora de um jeito, ora de outro, nas tradições religiosas antigas. Exatamente o argumento (nada novo), que acaba de trazer à tona "Zeitgeist".

Tanto é assim que C. S. Lewis já falava dessa questão de Deus e do mito, um século atrás. De fato, seu constante amor pela mitologia antiga lhe proporcionou percepções da fé cristã bem diferenciadas, que o ajudaram a remover este empecilho. Em seu ensaio “O mito tornou-se fato”, ele tomou exatamente as objeções atiradas contra o Cristianismo e as transformou em mais provas que o sustentam. Sim, o coração do Cristianismo relaciona-se, em algum nível, com um mito que tornou-se fato! O velho mito do "deus que morre" migrou da lenda e da imaginação para a História real! Ele acontece numa data determinada, num lugar determinado, seguido de consequências históricas bem definidas. Passamos de um Hórus ou de um Mitra, que morrem ninguém sabe onde nem quando, para uma pessoa histórica que é crucificada sob Pôncio Pilatos, procurador da Judeia, personagem histórico bem documentado. Hórus foi batizado por Anup, um deus de fantasia esquecido nas brumas do tempo. Jesus por João Batista, personagem histórico cujas evidências multiplicam-se todos os dias.

Deus é mais do que um deus, não igual. Cristo é mais do que Hórus, não igual. Nós, pessoas de fé, não devemos nos envergonhar da aura mítica presente em nossa Teologia, seja você cristão ou não.

Finalizamos com a entrevista concedida pelo Dr. Chris Forbes, que citamos no início deste artigo, no qual ele refutou completamente o pseudo-documentário "Zeitgeist" em apenas 7 vigorosos e esclarecedores minutos. Em seguida, o completíssimo "Zeitgeist Refuted", para quem realmente quer se inteirar a respeito do assunto (apesar de conter alguns feios escorregões quando se refere à Igreja Católica, por se tratar de uma produção protestante), ambos com legendas em português. Abaixo:





____
Notas:
1. BÍBLIA DE JERUSALÉM, pp. 1705, Ev. s. S. Mateus, notas a–d;

2. HIPÓLITO, Marcelo. Osíris, deus do Egito. São Paulo: Marco Zero, 2007, p.133;
3. Idem, p.144;
4. Ibidem, p.155.
_______
Fontes e bibliografia consultada:
• TUCKER, Ruth. Fé e Descrença, São Paulo: Mundo Cristão, 2008;
• HIPÓLITO, Marcelo. Osiris, deus do Egito. São Paulo: Marco Zero, 2007;
• BUDGE, E. A. Wallis. A Religião Egípcia, São Paulo: Cultrix, 2005;
• LEWIS, C. S. Myth Became Fact, em God in the Dock: Essays on Theology and Ethics, Grand Rapids: Eerdmans Publishing, 1972.
_______
Saber mais:
• Encyclopedia Mythica: Horus
• Egyptian Mythology: Horus
• Tektonics: Horus, Isis, Osiris
• Egyptian Book of the Dead
www.ofielcatolico.com.br

4 comentários:

  1. Isto é um contrassenso ! A volta do paganismo mostrando sua bizarrice novamente. Não admito que a adoração do Deus Verdadeiro está sendo substituída por crenças em ídolos, que foram derrubados pelo Nosso Senhor.

    ResponderExcluir
  2. Eu lembro desse documentário mentiroso. na ´epoca eu frequentava um forum de discussão sobre religião e espiritualidade, ficou todo mundo apavorado, muita gente dizia que tinha perdido a fé, etc. Foi um estrago grande. e até hoje tem gente que acredita nesse monte de abobrinha. O segundo video realmente é ótimo, apesar de alguns erros quando falam de Constantino a gente ve^ que foi produzido por alguma igreja evangelica meio fundamentalista. mas é otimo pra esclarecer as coisas, fizeram uma pesquisa muito boa,
    Renato Burgos

    ResponderExcluir
  3. Mesmo que fosse provado o contrario.....
    Tenho f'e e Fé não se explica nem se prova ela se sente com o coração a presença Real de Jesus na Eucaristia e FATO .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Na verdade anônimo, fé se explica e se prova sim. É justamente para explicar a fé que existe as Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério. Se não tivesse explicação, seria algo completamente sem sentido.
      E é justamente para provar que a Fé é verdadeira que o Senhor fez milagres e profecias.
      Não é porque sentimos Deus que a fé é algo irracional e fora da realidade, ou oposto a ela. É verdade, sim, que NEM TUDO que nós acreditamos pode ser provado ou perfeitamente compreendido, mas pode ser entendido.
      O cristianismo não é racionalista, mas também não é sentimentalista. Não fosse assim, todos os filósofos católicos, como São Tomás de Aquino (que inclusive provou a existência de Deus), estariam perdendo seu tempo. A paz de NSJC!

      Excluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$7,00. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail