Papai Noel: inimigo de Cristo?


ULTIMAMENTE, TODA vez que chega o final do ano há uma grande preocupação da parte de muitos fiéis católicos, também sacerdotes e bispos, no sentido de se combater a influência supostamente nefasta da crença infantil no "Papai Noel", por desviar as atenções do verdadeiro sentido do Natal. Que dizer sobre este polêmico assunto?

Eu, Henrique Sebastião, diretor do apostolado 'Fiel Católico', tenho uma opinião muito bem definida a esse respeito. Por ser natural do Estado de Santa Catarina, – sul do Brasil, – particularmente de um município em que a influência europeia, especialmente germânica, é realmente muito presente, desde muito cedo tive estimuladas as minhas fantasias natalinas infantis. Tanto que até bem grandinho eu ainda acreditava em Papai Noel... Acho que só comecei a desconfiar de que tudo não passava de fantasia aos meus 7, 8 anos de idade (claro, eram outros tempos e as crianças eram bem mais inocentes há três ou quatro décadas). O fato é que minha imaginação, que já era fértil, era criativamente favorecida pelos meus pais, – em especial minha mãe, – e por meu único irmão quase dez anos mais velho. Poucos dias antes do Natal, faziam-me pendurar uma de minhas meias na soleira da janela, antes de me deitar, e no dia seguinte eu a encontrava cheia de doces e guloseimas. "Ora, ora, veja o que o Papai Noel lhe trouxe!", me diziam... Eu, claro, delirava com tudo aquilo. Na véspera de Natal, em minha terra, havia (e ainda permanece) o costume de alguém, – via de regra o pai da família, – se vestir de Papai Noel para uma rápida aparição, talvez jogando presentes pela janela ou coisa do gênero. Tudo muito fascinante para uma criança. 

Ocorre que a figura do Papai Noel está, de fato, intensamente associada às tradições natalinas, e seria ingenuidade supor que poderíamos mudar isso com sermões durante as homilias. Não há dúvida de que, nos nossos dias, nas campanhas publicitárias, nas decorações de ruas e lojas, nos programas de TV, nas revistas, nas redes sociais da internet e nos enfeites natalinos em geral, está muito mais presente a imagem desse personagem fictício (ou nem tanto, como veremos) do que a do Menino Jesus. 

Isso está errado? Sem dúvida nenhuma. Afinal de contas, o Natal é uma festa cristã: trata-se da celebração do Nascimento do homem-Deus, Jesus Salvador. Ora, como é que se pode comemorar um aniversário sem se homenagear o Aniversariante?

Todavia, mesmo assim, eu acho que a maioria dos homens à frente da Igreja comete um equívoco primário ao lidar com o problema, principalmente no seu enfoque. Tentam combater o tal "bom velhinho" com certa agressividade, declarando-o inimigo do verdadeiro Natal, dizendo que estamos deixando Jesus de lado por culpa dele ou coisa desse tipo... Acho que este não é um bom caminho. Mais ainda, tenho convicção de que, deste modo, não se resolverá o problema, muito pelo contrário: agindo assim, passaremos por amargos, antipáticos, implicantes.

Ora, por mais cristãos e apaixonados por Nosso Senhor que sejamos, temos que reconhecer, se não quisermos brigar com a realidade objetiva e óbvia, que a figura do Papai Noel é muito simpática, especialmente para as crianças. Não há como aquele velhinho sorridente, gorducho e bonachão, vestido com vistosa roupa e gorro vermelhos, que dirige um lindo trenó puxado por renas, – e que ainda distribui presentes, – não encantar os pequenos. "Mas o problema não é a criança sonhar, ter fantasias e até gostar do Papai Noel; o problema é colocá-lo no lugar de Cristo", dizem muitos. E estão certíssimos. Porém, simplesmente atacar o Papai Noel, tentar "desmascará-lo" e taxá-lo como o grande vilão do Natal, além de inútil, não é o modo cristão de lidar com problemas desse tipo.

Como assim? Ora, o que fez a Igreja, em diversos momentos de sua história, para converter os povos firmemente apegados aos seus usos e costumes pagãos? Quando percebia que não podia fazê-los largar certos costumes, e que por essa razão muitas almas corriam perigo, "cristianizava" esses mesmos usos e costumes. Isto aconteceu com relação à própria data em que celebramos o Natal1, não é? Então, porque não fazer o mesmo com o Papai Noel? Isto seria até bem mais fácil, já que na realidade a fábula do Papai Noel não passa de uma adaptação da belíssima história de um santo católico real! Sendo assim, porque não deixamos de lutar inutilmente e começamos a usar esta figura já tão consolidada no imaginário infantil e popular a nosso favor? Ou, melhor dizendo, porque não tomar este instrumento tão usado a favor do comércio e usá-lo a favor de Deus? Em vez de desviar as atenções, ele poderia nos ajudar a chamar as atenções para o sentido real (cristão) do Natal!

É claro que compete a cada família orientar suas crianças com relação à lenda do Papai Noel, mas é mais do que importante, – e poderia ser muito útil, – fazê-las conhecer a verdadeira história de São Nicolau, conhecido hoje, aqui no Brasil, por Papai Noel.


Breve história do verdadeiro Papai Noel

Nicolau Taumaturgo de Mira viveu no século III, na Ásia Menor, onde hoje fica a Turquia. Seus pais, gravemente enfermos, morreram quando ele era ainda adolescente, mas lhe deixaram uma grande fortuna por herança. De fato, os pais de Nicolau haviam sido bons católicos e lhe ensinado bem sobre Jesus Cristo e sua Igreja. "Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e até a velhice não se desviará dele" (Pv 22,6). Assim, Nicolau, piedoso, guardou sempre os bons ensinamentos recebidos, e enquanto crescia, procurava seguir Jesus em todas as decisões de sua vida. Passou a distribuir sua riqueza entre os mais pobres. Empenhava-se, entretanto, em ajudar secretamente, para que ninguém pudesse lhe agradecer, porque não visava as honras e recompensas do mundo, mas as do Céu.

Um caso famoso, sempre relatado em suas biografias, mostra como ele ajudava aos sofredores. Segue-se:

Ocorre que, na cidade de Patara, havia um rico comerciante que tinha três filhas; quando estas cresceram, tornaram-se formosas, mas, bem por esta época, as transações comerciais de seu pai fracassaram, até que ele chegou à completa falência. Teve então o comerciante a criminosa ideia de usar a beleza das filhas para obter os meios de sobrevivência de que necessitava. São Nicolau soube do plano e decidiu salvar tanto o pai quanto as filhas de tal pecado e vergonha. 

À noite, camuflou-se com uma capa (vermelha?) e foi à casa do comerciante falido. Não consta que tenha descido pela chaminé, mas fez quase isso: jogou pela janela um saco não com presentes, mas com moedas de ouro. Algumas versões dão conta de que isto se deu na véspera do Natal. Fato é que o comerciante, achando o ouro, com grande alegria preparou o enxoval da filha mais velha e assim arranjou-lhe um bom casamento. Para tanto, naquela época, era preciso que a noiva tivesse um bom dote. Algum tempo depois, São Nicolau novamente jogou outro saco com ouro para dentro da casa do comerciante, o suficiente para o enxoval e casamento da segunda filha. Quando São Nicolau, repetindo o mesmo plano, jogou o terceiro saco com ouro para a filha mais nova, o comerciante, desconfiado, já estava à sua espera. Prostrando-se diante do santo, agradeceu-lhe, com lágrimas que lhe desciam copiosamente pelas faces, a salvação da família de um horrível pecado e da grave vergonha a que se submeteria perante toda a cidade. 

Após o casamento das três filhas, o comerciante conseguiu enfim recuperar seus negócios, e começou a ajudar também seus próximos, imitando o exemplo de seu benfeitor. 



Papai Noel? Sim, ou melhor, São Nicolau, em ilustrações alemãs tradicionais (veja mais aqui e aqui). Aliás, o nome do Papai Noel em alemão é 'Kris Kringle' (de Christkindl), que quer dizer 'Menino Cristo'

Vemos claramente como o episódio descrito acima, em muitos aspectos, deu origem às lendas que conhecemos sobre o Papai Noel. A conclusão da história deste santo, que é especialmente querido pelos ortodoxos e em particular pelos russos, é a seguinte: em certo ponto, ele acabou por vender todas as suas posses para dar o dinheiro aos mais necessitados. Ele, que desde a morte dos pais havia se aproximado de seu tio, o bispo da cidade de Patara, foi logo ordenado sacerdote, e terminou por se tornar, ele próprio, o Bispo de Mira.

Homem tão bondoso e caridoso, Nicolau foi sempre amado por todo o povo, e conta-se que realmente gostava de distribuir presentes entre as crianças. Faleceu no dia 6 de dezembro de 343, sendo o aniversário de sua morte o dia de São Nicolau (a propósito, era exatamente na véspera deste dia que eu pendurava minha meia na janela, para reencontrá-la na manhã seguinte abarrotada de doces e balas). Assim, influenciados pela popularidade de São Nicolau na Europa, os imigrantes europeus trouxeram sua história e suas tradições para a América. Eis a origem do nome Santa Claus (corruptela de Saint Nikolaus/St. Niklaus) que o Papai Noel tem em inglês. Com o passar dos tempos, outras lendas e mitos sobre ele foram sendo acrescentadas à sua verdadeira história, e assim apareceu o "Papai Noel" dos dias de hoje. 


Conclusão

Observemos bem, então, que o Papai Noel não precisa ser, – e realmente não é!, – um inimigo de Cristo e/ou do verdadeiro sentido do Natal.  O fato de celebrarmos o nascimento de Jesus no Natal não nos impede de mostrar admiração pelas vidas que foram transformadas por Cristo Salvador de todos os homens. São vidas de pessoas que demonstraram compaixão e verdadeira caridade por causa de sua fé e sua vida na Igreja. São Nicolau, o Papai Noel, foi simplesmente uma destas pessoas!

Então, talvez o problema não esteja na figura do Papai Noel em si, mas sim na importância que se dá a ele ou na maneira equivocada com que ele vem sendo entendido. Será que considerar a verdadeira história da vida do Papai Noel/São Nicolau não poderia enriquecer ainda mais as celebrações de Natal em família, com nossas crianças, ao invés de afastar do verdadeiro significado do Natal?

Nós, do apostolado 'Fiel Católico', não temos dúvidas de que São Nicolau foi um excelente exemplo de verdadeiro seguidor de Jesus Cristo e membro de sua Igreja. Mais do que isso, entendemos que simplesmente esclarecendo os fatos é possível virar o jogo, sim, transformando esta figura que vem sendo usada tão ardilosamente por nosso inimigo em mais um instrumento a favor de Nosso Senhor e de sua Igreja. Um feliz Natal do Senhor a todos!


Eis uma belíssima e, principalmente, autoexplicativa imagem do Papai Noel ou São Nicolau, na qual todos nós, católicos, deveríamos investir

______
1. Embora existam estudos sérios que favoreçam a tese de que o Cristo tenha nascido realmente em 25 de dezembro, como veremos em postagem futura.
________
Fontes e ref. bibliográfica:
• FEDERER, William J. There Really Is a Santa Claus: History of Saint Nicholas & Christmas Holiday Traditions, Washington: Library of Congress,  2003
• Portal Father Alexander, artigo 'São Nicolau', disp. em:

http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/st_nicolas_p.htm
Acesso 18/12/015
www.ofielcatolico.com.br

24 comentários:

  1. Desculpe não ser desse assunto maa gostaria de perguntar uma coisa: onde está escrito na Bíblia que a igreja católica é o corpo de Cristo? Se quiser não precisa da católica. Apenas igreja. Ou seja, onde diz na Bíblia que a igreja(não precisa ser católica) é o corpo de Cristo? Muito pelo contrário. Sempre vejo passagens na Bíblia que nós, os que adoram a Deus em espirito e verdade, somos o corpo de Cristo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As Sagradas Escrituras repetem e insistem várias vezes que a Igreja é o Corpo de Cristo, Marc. Abaixo, algumas destas:

      Colossenses 1,18:
      “E ele (Jesus Cristo) é a Cabeça do Corpo, da igreja..."

      Efésios 1,22-23:
      “E pôs Deus todas as coisas a seus pés ([de Cristo), e sobre todas as coisas constituiu como Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo…”

      O detalhe que faz toda a diferença é que o Corpo de Cristo é um só e não muitos, como é enfatizado em muitas outras passagens:

      Romanos 12,4-5:
      “Porque assim como em um corpo há muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só Corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.”

      1 Coríntios 12,27:
      “Ora, vós sois o Corpo de Cristo, e seus membros em particular".

      1 Coríntios 12,12-13:
      “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Porque todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um Corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, ...”

      1 Coríntios 12,20:
      “Assim pois há muitos membros, mas um Corpo.”

      Efésios 2,16:
      “E Jesus pela cruz reconciliou ambos (judeus e gentios) em um Corpo, matando com ele as inimizades.

      Efésios 4,4:
      Há um só Corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da nossa vocação.”

      Colossenses 3,15:
      “A paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um Corpo, domine em vossos corações, e sede agradecidos.”

      ***

      Penso que a pergunta tenha sido respondida, mas, antes de tudo isso, lhe seria mais útil entender que nem tudo aquilo que cremos precisa estar escrito literalmente na Bíblia. A Bíblia é filha da Igreja, e não sua mãe. Sugiro o estudo do artigo que se encontra no endereço abaixo:

      http://www.ofielcatolico.com.br/2002/03/as-igrejas-evangelicas-sagrada.html

      Apostolado Fiel Católico

      Excluir
  2. PARABÉNS, HENRIQUE SEBASTIÃO!!!! EU SEMPRE ENSINEI ISSO AOS MEUS FILHOS E NETOS... SÃO NICOLAU. ARTIGO BRILHANTE.
    ABRAÇO NATALINO
    URBANO MEDEIROS
    MINAS GERAIS

    ResponderExcluir
  3. Henrique, você é de SC?, pensei que fosse do RS. Você é natural de qual município aqui de SC?. E além do Papai Noel, você conhece outra tradição trazida pelos alemães aqui na região do vale do Itajaí a do Pelznickel (https://www.youtube.com/watch?v=-jbKrYgsxS4), quem haja estranho a figura do bom velhinho no natal, vai arrepiar os cabelos até da alma diate da figura do Pelznickel, que para mim, não me assusto com tais figuras, porque sei, que são figuras lúdicas e que pertencem ao folclore alemão.

    Sidnei.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Claro que sim, Sidnei! Sou de Blumenau e sou absolutamente apaixonado pela minha cidade e municípios vizinhos. O Pelznickel, hahaha, puxa, há tempos não ouvia falar disso... Pelo que sei, havia até um parque temático lá na minha cidade... Mas eu o considero um personagem bem assustador para as crianças, sim!

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

      Excluir
    2. Que bom Henrique, então somos quase vizinhos, pois sou de Brusque. Quanto ao Pelznickel, pode ser até uma figura assustadora para as crianças (por enquanto) porque pelas coisas como andam, qualquer dias as crianças não vão ter medo nem do mais horripilante Pelznickel, e sempre ouço dos mais velhos que a figura do Pelznickel, era uma forma pedagógica muito boa para educar as crianças no passado, em que se elas aprontavam e os pais diziam que o Pelznickel vinham pegá-las, ficavam todas bem quietinhas na hora. Há um parque temático do Pelznickel em um cidade vizinha comum entre Blumenau e Brusque, Guabiruba, e lá, além da figura do Pelznickel, tem São Nicolau e a christkind. Tirando São Nicolau, o restantes, pertence a tradição germânica, muito em voga em nossa região, mas que foi perdendo a memória destas figuras natalinas, porém nos dias de hoje, estão sendo resgatados novamente. E quem pensa que a figura do Pelznickel, mesmo sendo assustadora, afasta as criança do Pelznickel Platz, o parque temáticos destas figuras que em primeiro plano parecem horripilantes, estão muito enganados, no parque temático do Pelznickel Platz há um grande fluxo de pessoas, crianças e adultos, que se divertem diante destas figuras lúdicas que fizeram parte da infância de tanta gente de descendência alemã aqui da nossa região de SC.

      Sidnei.

      Excluir
    3. Infelizmente para mim, não somos quase vizinhos, Sidnei. Sou natural de Blumenau, mas vivo em São Paulo há muitos anos. Tenho parentes aí e visito sempre meu Estado querido; inclusive tenho planos de voltar a viver em Santa Catarina, mais precisamente em São Bento do Sul, poque apesar de gostar tanto de Blumenau, me incomoda o calor. De São Bento poderia visitar sempre Blumenau, Joinville, Brusque, Timbó e, de vez em quando, o litoral (embora eu não seja muito afeito à praia).

      Sei bem do que você está falando: diziam que se a criança não fosse obediente, ao invés de ganhar presente, receberia a visita do Pelznickel... Haha, é bem educativo, mesmo. Pelo que sei, antigamente, algumas pessoas se vestiam de Pelznickel, com trapos e aquela barba. Da parte de mãe, sou descendente de alemães e portugueses, e fui criado desde pequeno sempre com essas tradições e costumes. Confesso que, além de interessantes, considero-os importantes. Tive uma infância muito saudável, minha imaginação foi sempre estimulada com essas fábulas, e acho que há uma certa fase da vida em que essas brincadeiras lúdicas são importantes, até para a formação do caráter, porque nos dão as primeiras noções dos valores morais, invocam a coragem, estimulam a criatividade, etc.

      Infelizmente, as coisas vão se perdendo com o tempo e, como você disse (ou como tu disseste), hoje, com toda a tecnologia, os pequenos andam sonhando menos.

      Fraterno abraço, querido, e quem sabe nos encontramos, daqui há algum tempo, lá na Vila Germânica para um bom chope artesanal e uma batata rösti com repolho azedo? Lecker!

      Apostolado Fiel Católico

      Excluir
    4. Henrique, porque vc nao publica os meus comentarios, nem os que eu pergunto pq vc não respondeu?? Pode responder ao menos isso? Pastô nelso.

      Excluir
    5. Não é lugar de brincadeiras, mas mande lá o seu recado, para não dizer que não tenho senso de humor...

      O Fiel Católico

      Excluir
    6. Na verdade n é brincadeira mas sim um conselho, acho q esqueci de comentar mas se não comentei ai vai: Vc falou sobre tomar um chope... Cuidado, pois a palavra condena bebedeiras. Abraços. Pastô nelso- igreja bailarinas da valsa divina.

      Excluir
    7. Henrique, manda um recado para este pastô nelson da igreja bailarinas da valsa divina, que o que se condena são bebedeiras, e não tomar um simples copo ou uma latinha de cerveja, uma taça de vinho ou meio copo com gelo de uísque. Quando esta gente vai aprender que o que é pecado são os exageros e não o uso com moderação.

      Sidnei.

      Excluir
    8. Resta saber que palavra é essa, "pastô", pois as palavras de Lutero, anotadas no livro Conversas à Mesa, que você certamente deve seguir, não só não condenam as bebedeiras como as incentivam.
      Só tendo muito senso de humor mesmo, Henrique, hehe! A paz de NSJC!

      Excluir
    9. Isso é zuera. Vcs acham que o fulano ia se identificar como "pastô"?? kkkkk

      Excluir
  4. Aproveito a oportunidade para dar conhecimento aos irmãos fieis católicos, de uma palestra proferida aos Sr Bispos da CNBB, há 38 anos, no ano de 1977.
    A PALESTRA DOS BISPOS
    (pag. 143 do livro “Mais vale o que se aprende que o que te ensinam” de Alex Periscinoto)
    Senhores Bispos,
    Em vez de uma palestra, vamos fazer um bate-papo informal, porque nós, profissionais da comunicação, descobrimos que há muito o que agradecer a vocês.
    Todas as ferramentas de trabalho que usamos hoje na nossa profissão, todas, sem tirar nenhuma, foram inventadas por vocês, os religiosos. Senão, vamos lá!
    O primeiro veículo de comunicação de massa inventado até hoje, ao que se saiba, foi o sino. Cada batida transmitia uma mensagem. Atingia de oitenta a noventa por cento das pequenas cidades. E não só atingia como modificava o comportamento físico e mental de outros oitenta ou noventa por cento das aldeias cada vez que batia e espalhava a sua mensagem de maneira circular. Antes do sino, o arauto não passava de uma mala-direta muito mixuruca.
    Depois desse grande veículo de comunicação de massa, vocês, religiosos, inventaram outra ferramenta que a gente usa muito hoje: o display. Nós usamos o display para destacar, para chamar a atenção sobre uma mensagem ou um produto e suas vantagens. O objetivo do display é ressaltar, diferenciar.
    Quando todos os telhados das casas das aldeias eram baixinhos, não existiam nada além de casas térreas ou sobradinhos, vocês construíram um telhado alto, altíssimo, quatro, cinco, seis vezes mais alto do que os telhados comuns. E em forma de ponta. E isso não era uma forma de facilitar a queda da neve, porque em países onde nunca nevava predominava esse mesmo modelo arquitetônico. Era assim para que, desde longe, a gente apontasse o dedo e dissesse:
    - É lá!
    Muito antes de se chegar à aldeia já se enxergava a torre da igreja. Por esse display, -palavra de hoje – por esse destaque, as pessoas podiam, com facilidade, localizar onde estava a igreja.
    Mais do que isso, vocês inventaram o primeiro logotipo, outra ferramenta que a gente usa muito para trabalhar.
    Toda firma ou empresa que se preze tem uma marca, um logotipo. Vocês inventaram o mais feliz dos logotipos, a cruz. A cruz, que nunca deixa de estar na ponta de cada display. As pessoas chegavam às aldeias e diziam: “É lá a igreja, e se trata daquela religião da marca em cruz, e não a da estrela, a da meia-lua ou qualquer outra marca concorrente”.
    Para se produzir o texto certo, para o público indicado, na hora própria, a gente usa uma ferramenta chamada pesquisa. E o primeiro departamento de pesquisa, ao que se saiba, foi inventado por vocês:
    O confessionário. Minha mãe pensa que o confessionário foi feito só para perdoar, mas vocês, religiosos, sabem que o confessionário ajuda a recolher subsídios, informações; um santo departamento de pesquisa.

    Veja mais...
    Fonte:http://tridentina.blog.com/2015/03/26/palestra-aos-bispos/#more-1114

    Seja sempre louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Continuação da Palestra aos Sr Bispos da CNBB:
      Quando digo santo, cabe aqui a palavra, porque hoje, quando a gente faz um Ibope qualquer, é possível que a pessoa entrevistada minta. O entrevistador bate à porta ou telefona e pergunta: “Que programa você está assistindo?” Às vezes a pessoa está vendo um programa de auditório, mas é capaz de responder que está assistindo a um programa científico da TV Cultura. O Ibope sabe que lida com esse tipo de mentira branca, mentira permitida, pois o entrevistado não quer que seu status seja diminuído.
      Mas, no departamento de pesquisa da Igreja, no santo departamento de pesquisa de vocês, no confessionário, a resposta não só é espontânea, como necessária e verdadeira. A pessoa não vai lá para mentir. Vai lá para entregar uma informação. E o padre, no tempo das aldeias, podia dizer aquela palavra forte, aquela palavra de quem aconselha sabendo o que está fazendo. Municiado pelo confessionário, o padre se convertia no conselheiro maior das aldeias, mais forte do que o conselheiro político, mais forte do que o conselheiro da venda.
      Mais uma coisa .. Minha mãe com certeza não tem consciência de que recebe, do departamento de pesquisa da Igreja, um subproduto muito gratificante. Se eu quero me construir ou me reconstruir um pouco, de dentro para fora, vou a um analista, pago caro pela consulta de uma hora e ele me dá uma certa ajuda. Mas a minha mãe vai a um confessionário, sai de lá reconstruída de dentro para fora, sai de lá aliviada
      E perdoada, coisa que nenhum analista faz nem que você pague o dobro.
      Esse subproduto que o confessionário dá a minha mãe, esse tratamento psicológico gratuito, é muito conveniente, pois permite à Igreja saber o que está acontecendo na comunidade.
      Hoje, se você perguntar a um rapaz de vinte anos sobre a Igreja, possivelmente ele estará por fora. A própria Igreja, talvez porque o departamento de pesquisa esteja mais ou menos desativado, não sabe direito o que se passa na mente de um rapaz de vinte anos. E não é porque ele não frequente o seu departamento de pesquisa, o seu confessionário, mas porque a mãe dele já não vai com a mesma frequência de antes.
      Vocês inventaram ainda o melhor audiovisual do mundo: a Via Sacra, que vocês criaram há dezenas de séculos. São quatorze quadros, acho que os primeiros feitos de gesso, dispostos sempre sete de cada lado da igreja. A Via Sacra conta a vida de Cristo. Com um visual rico e com um áudio da professora de catecismo ou de alguém do gênero.
      Outro recurso de comunicação que vocês inventaram e a gente usa até hoje é a trilha sonora. Não se pode fazer um comercial sem a trilha sonora que sobe e desce, o tom mais baixo ou mais alto conforme o momento ou a emoção pedem.
      A trilha sonora que vocês inventaram vem do órgão, ou do coral, ou mesmo da sineta, na missa, ou até da marcha nupcial. Se você tirar uma dessas trilhas a cena fica tão banal… Sem a marcha nupcial na cerimônia de casamento, perde-se toda a pompa.
      Outra invenção de vocês foi o rico cenário. Para fazer um filme de televisão, hoje, ou até mesmo uma novela, se você não montar um bom cenário perde 70% da graça. A gente entra na igreja e já fica de olho no cenário de vocês, que é o altar. Você quer logo saber que tipo de cenário tem a igreja, como é o altar daquela igreja, como é decorado, que força ele tem, que iluminação, que mística, e por aí afora.
      Mas vamos em frente. Podemos também dizer que o sentido promocional que usamos hoje foi outra invenção religiosa. O que é uma procissão que chega a mobilizar uma cidade inteira? Trata-se, sem dúvida, de uma promoção religiosa.
      Nós fazemos promoção em publicidade a partir do que vocês ensinaram: o estandarte, as bandeirolas, aquela roupa especial. Só que a mística comercial não é tão rica como a mística religiosa.
      Continua...

      Excluir
    2. Continuação da Palestra aos Sr Bispos da CNBB...
      Essa sensação foi perdida. Agora, com o padre de frente para o público, perde-se um pouco daquela mística de falar com Deus. E a missa em português perde muito em relação ao latim, que encantava os fiéis. Essa mudança na tentativa de buscar ou de respeitar mais o público, na minha opinião, foi um tremendo erro. Acho importante ressalvar que essa é apenas a minha opinião, de alguém que nem sequer é experiente em religião, mas que está trabalhando em comunicação há alguns anos e está observando a missa só do ponto de vista de comunicação.
      Mas, falando em comunicação, vamos a outro ponto da nossa analogia. Vocês sempre tiveram um produto a ser propagado, a ser oferecido; o produto de vocês chama-se fé. Fé. Eu tenho uma boa notícia para vocês: esse produto está fazendo falta na praça, e muita falta, mesmo porque vocês não propagam mais a fé. Hoje se lê nos jornais muito mais sobre divergências entre bispos, entre vocês e o governo. Quase não se lê sobre o produto que vocês oferecem, sobre a fé.
      Fé é algo que minha mãe ia buscar na igreja. Ela vinha de lá recheada de algum raciocínio, acreditando não só em Deus como nela própria e no próximo. É como se uma empresa parasse de anunciar seus produtos e passasse a anunciar a briga da diretoria.
      Quero agora propor para vocês um outro raciocínio. Sei que a televisão e a sociedade de consumo não são muito bem vistas por vocês. Mas acho que, em vez de excomungarem a televisão, talvez devessem ver a televisão como o sino de hoje. Porque o sino de vocês, se bater nas grandes cidades, ninguém mais ouve; e se ouvir ninguém mais sabe que tipo de mensagem traz, se é enterro, se é missa, se é chamado.
      O display de vocês, a torre, que se destacava sempre, também se perdeu na selva de pedra em que passamos a viver. A pesquisa está funcionando precariamente. Acho que de pouco adianta um padre ficar sentado o tempo todo no confessionário, porque a frequência da igreja não foi renovada. Acho praticamente impossível um rapaz de vinte anos parar a motocicleta na porta da igreja, pegar pela mão aquela linda garota que está atrás, entrar e dizer: “Vamos agradecer a Deus tudo isso que ele está nos dando”.
      Por estatística, o Brasil é um país com mais de 80% de católicos. Mas, em termos de frequentadores de igrejas, qual será o nível real?
      Eu queria voltar para, digamos assim, o marketing da igreja. Vamos falar dos segmentos de mercado. O público de vocês está nitidamente dividido em três. O primeiro comprador em potencial do produto que vocês oferecem são os doentes. Os doentes querem, precisam, necessitam de fé. Em relação a eles, vocês nem fazem nenhum esforço: renova-se a fé e há uma necessidade maior de fé. Os doentes, porém, são uma minoria. E graças a Deus que sejam assim.
      O segundo segmento de mercado de vocês são os velhos. Os idosos também modificam o seu jeito de pensar à medida que atingem mais idade; as pessoas passam a acreditar na passagem desse mundo para o outro, tendem a ter fé e há então uma volta à igreja.
      Mas o grande, o terceiro pedaço do mercado, o enorme contingente que vocês talvez estejam com dificuldade de atingir é aquela massa de crianças, jovens e adultos sadios e no auge da vida. Este grande pedaço do mercado, que deve representar mais de 80% do total, está mais ou menos fora do alcance de vocês por várias razões. Primeiro: quando falar com eles? Segundo: como falar com eles? Terceiro: onde? Que tipo de coisa esse pessoal está fazendo, quanto estão dispostos a ouvir? Repito que talvez a televisão seja o veículo próprio, especialmente neste país onde tudo é de distribuição heterogênea.
      Por exemplo, a minha camisa, apesar de não ser muito chique, é bem melhor que a do homem da periferia. Meu sapato também é melhor que o dele. E por aí vai. Tudo é muito diferente na distribuição deste país.
      Continua...

      Excluir
    3. Continuação da Palestra aos Sr Bispos da CNBB
      Mas há uma coisa que é igual e equitativa. Só uma. A única área neste país em que você pode dizer que “tem distribuição igual” é a comunicação. Porque o Silvio Santos que o homem da periferia vê é igual ao meu. O nosso Corinthians é o Corinthians dele, o Fantástico a que ele assiste na TV Globo é o mesmo que passa na minha televisão. Só mesmo a comunicação se espalha de maneira tão abrangente neste país. Mais nada.
      E vocês por certo sabem que a gente recebe, através da comunicação, valores e conceitos que a gente não tem, mensagens e informações que satisfazem o nosso ego, que preenchem o nosso vazio. Só a comunicação faz isso.
      Com a ajuda da comunicação, não só vou ajudar um próximo – mais do que isso, estou me ajudando a ser gente. Propagar fé não quer dizer apenas rezar uma missa pela televisão todos os domingos. Vale para os doentes, que não podem ir à igreja. Mas aquele grande público que vocês querem atingir possivelmente estará dormindo às oito horas da manhã de domingo.
      Não estou falando para vocês comprarem canais de televisão, estou falando para vocês usarem a televisão. A televisão em dose certa é uma grande ferramenta para recebermos de vocês, de maneira mais equitativa, fé. Como já disse antes, esse produto está em falta na praça; nós estamos precisando dele.
      Por sinal, a gente tem visto uma pessoa na área de vocês, que sabe utilizar a televisão, alguém que já aparece bem na tela, com a embalagem certa, com o texto indicado, na hora própria: o Papa.
      Quando ele sai do Vaticano em viagem pelo mundo, sabe até onde estão as câmeras. E quando chega, sempre com toda a imprensa atrás, alguém já preparou uma “big production” antes, uma produção onde as cores combinam, onde há uma cena lenta e pausada, e o Papa aparece com as palavras que a gente adora ouvir, porque ele fala sobre nós, sobre nossos vazios, sobre nossa fé.
      Fonte: http://tridentina.blog.com/2015/03/26/palestra-aos-bispos/#more-1114

      Excluir
  5. A paz de Cristo e o amor de Maria a vocês!
    Então irmãos em Cristo, eu gostaria muito(muito mesmo), que falassem sobre um determinado assunto, pois minha curiosidade sobre o mesmo é imensa.
    Eu gosto muito dos posts de vocês, e por isso acho que é o site mais apropriado a fazer este pedido: eu gostaria muito que vocês falassem um pouco sobre um livro de Lutero, chamado "Conversas à mesa". Pois Deus me deu a graça de querer ser uma católica bem informada e deixar aquela vida de 'vou pra igreja, mas não sou a igreja'. Porém, nos sites no qual eu andei pesquisando não exclareceram muito bem minhas duvidas. E como gosto muito desse site por ser claro e direto, achei que vocês poderiam me ajudar!
    Desde já agradeço.
    Que Deus esteja com vocês��

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Elaine. O que eu sei basicamente é que o livro foi escrito por discípulos de Lutero, que anotaram diversas frases do revolucionário herege alemão e as juntaram em "Conversas à mesa".
      Uma curiosidade é que nesse livro nós temos acesso a algumas "pérolas" de Lutero sobre NSJC, Moisés e o povo judeu e até certas relações que ele tinha com o dito cujo as quais prefiro não comentar. Você pode obter mais informações nesse site: http://papocatolico.blogspot.com.br/2012/01/conheca-melhor-o-livro-conversas-mesa.html. A paz de NSJC!

      Excluir
  6. O que significa igreja biblicamente e etimologicamente?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Etimologia é o estudo da origem e evolução das palavras e da construção dos seus significados; também trata da descrição de uma palavra nos seus estágios linguísticos anteriores, até remontar ao étimo, que é o termo essencial que serve de base para a formação de uma palavra, seja por derivação ou na sua própria composição.

      Sendo assim, falar de Igreja etimologicamente é falar do termo "Igreja" a partir do seu sentido linguístico e semântico; é falar do sentido da palavra em si, dos seus significados, da origem e evolução do termo, do seu uso correto, etc.

      Já a expressão "biblicamente", como é evidente, tem a ver com Bíblia; basicamente seria falar da Igreja a partir daquilo que se lê na Bíblia: algo que não tem muito sentido, já que a Igreja existe há dois milênios, – segundo a nossa fé tendo sido sempre guiada pelo Espírito Santo, – e o que ficou registrado dessa longa história na Bíblia é apenas um ligeiro panorama do que havia nos primeiríssimos tempos.

      Falar de alguma coisa "biblicamente" é uma expressão muito querida pelos protestantes, que acham que tudo aquilo em que cremos tem que estar escrito literalmente na Bíblia, o que em Teologia é um grosso equívoco, já que foi a Igreja que nos deus a Bíblia, e não o contrário. Já expliquei isso na minha resposta anterior à sua outra pergunta.

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

      Excluir
    2. Grande professor! Queria ter aula com um cara que nem tu! Aprenderia tudo!

      Excluir
    3. Explicou oque é falar etimologicamente, Henrique, mas faltou dizer qual é o significado etmológico da palavra Igreja, pra completar a resposta. Biblicamente acho que não deixou dúvida, se Marc não entendeu foi porque não quis. Parabéns pelo seu trabalho nesse site.

      Excluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$7,00. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail