Nossos símbolos sagrados: a beleza perdida

Trecho de artigo da revista O FIEL CATÓLICO n. 28



HÁ COISAS QUE me entristecem profundamente no ser católico de hoje, em vista ao que foi ser católico ontem. Não falo por saudosismo e nem por algum sentimento de nostalgia, como o de algumas pessoas que, eternamente iludidas, consideram sempre melhor tudo o que havia no tempo passado do que aquilo que existe no presente. Não. Falo de um sentimento de perda, que é real e bastante concreto.

Entristece-me, entre muitas outras coisas, entrar em igrejas católicas – templos sagrados erigidos em honra do Deus Vivo – e ver que atualmente se parecem com grandes caixotes. Sumiram os ornamentos, a decoração litúrgica, a tapeçaria, boa parte do estatuário (e as estátuas que temos hoje são brutas, rústicas, mal acabadas e mal pintadas), o aroma permanente do incenso, as velas...

As velas... Foram substituídas, em muitos de nossos templos, por feios "velários eletrônicos" nos quais, sob um vidro, são postas velas artificiais, de plástico, que se acendem quando se depõe uma moeda em uma fresta na sua parte frontal – tal qual aqueles papa-níqueis que vemos em shoppings e supermercados, a nos oferecer chicletes ou bolinhas coloridas em troca de moedas.

Lembro-me de quando eu era criança e minha mãe me levava à igreja para rezar. Tenho lembranças especialmente vivas da igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, centro de São Paulo, antiga e muito bela apesar de singela. A iluminação era suave, indireta, e velas eram acesas diante do Santíssimo; ali as pessoas se botavam de joelhos para rezar. Eu, aos meus 7 ou 8 de idade, observava atentamente as chamas tremeluzentes diante do estatuário, dos afrescos, do Sacrário... E, mesmo sem querer, quando dava por mim estava entoando, mentalmente ou em sussurro, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria ou palavras de ação de graças a Deus, ao Cristo Nosso Senhor ali presente.

Todo o ambiente era convidativo à oração, e a chama das velas tem esse poder de acalmar a mente, reduzir o ritmo dos pensamentos, abrandar a ansiedade (tanto que são usadas em terapias para combater estresse e insônia). Hoje, porém, as velas não estão mais no interior das igrejas. Não pode, é perigoso e blablabla. Os velários que ainda existem foram postos do lado de fora, muitas vezes junto dos banheiros.

Fato inegável é que antes se sentia, de modo incisivo, muito forte, quase inquietante, a Presença de Deus no interior das igrejas ditas "pré-conciliares". Ao entrar, tomava-se imediata consciência de se estar em um ambiente sagrado, digno do maior respeito. Fazer silêncio era automático.

Hoje, lamentavelmente, já não há muita diferença entre os templos católicos e os neoprotestantes, ou entre Altar e ambão e o palco e púlpito dos ditos "evangélicos". Eu sonho –, já sonhei mais, quando tínhamos Bento XVI –, mas ainda sonho com a possibilidade de um resgate, de ver nascer o dia em que tudo o que perdemos será recuperado, quando aqueles homens que deveriam buscar a santidade mais do que todos se cansarem de brincar de revolucionários e voltarem a se apaixonar pelas coisas de Deus.

Henrique Sebastião

** Assine a revista O FIEL CATÓLICO e tenha acesso a muito mais!
www.ofielcatolico.com.br

9 comentários:

  1. Fernando Siqueira1 de junho de 2018 19:46

    Já estou sentido falta de uma boa MISSA em que o sacerdotes em cima dos presbíterios respeitem o Altar aonde será consagrado e ofertado o corpo e o sangue de nosso SENHOR JESUS CRISTO.

    ResponderExcluir
  2. ARTIGO LINDO, MARAVILHOSO E UNGIDO !!!
    ASSINO EM BAIXO DE MUITO BOM GRADO.
    URBANO MEDEIROS - artista católico - M.G.

    ResponderExcluir
  3. O que mais me entristece é que nas atuais igrejas católicas, trocaram a cruz de Jesus crucificado por uma cruz de ferro, pequena e fina.E também, a falta de bons padres, que misturam as coisas santas com muitas coisas mundanas.

    ResponderExcluir
  4. Se vissem a catedral de Jataí-GO... Parecem pinturas egípcias. Uma imagem de Nossa Senhora lá é irreconhecível.

    Forças maiores depredam a arte católica, e, junto com ela, a piedade do povo... Não apenas uma mera tendência "contemporânea", mas inimigos que se infiltram na Igreja...

    ResponderExcluir
  5. Bom dia, irmãos!

    As duas Missas que mais frequento em minha cidade (Americana-SP) são Missas lindas, respeitam as tradições e não se entregam aos modernismos, e as Igrejas são muito bonitas e bem cuidadas. Se alguém tiver interesse de ver a Basílica de Santo Antonio de Padua que tem aqui na cidade, procurem no Google e irão ver a preciosidade que ela é. A outra Paróquia que frequento é a de São Domingos de Gusmão, onde participo desde criança e sou catequista. Se alguém tiver a oportunidade de conhecer a Basílica, recomendo muito!

    ResponderExcluir
  6. Chegou ao extreno que a Igreja Católica está copiando até os Templos dos protestantes,não bastava a RCC ser intêntica a eles.Terrivel, os protestentes estam cada vez mais vem influenciando e ganhado espaço dentro da Igreja Católica,e pior apoiados por falsos
    Católicos.

    ResponderExcluir
  7. Eu estava acostumada com a igreja moderna, sem muitos adornis, ate que um dia entrei na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Campinas, SP. Meus pulmões se encheram de ar de um jeito... É o céu na Terra. Nunca mais vou esquecer. Hoje sinto falta daquilo que nunca tive.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Daiane, você descreveu exatamente como me sinto quando entro numa igreja tradicional, é uma coisa inexplicável, a gente se sente imediatamente elevado, também sinto uma falta incrível daquilo que nunca tive...

      Excluir

** Assine a revista O Fiel Católico digital e receba nossas novas edições mensais em seu e-mail por uma colaboração mensal de apenas R$9,50. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!


AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Receba O Fiel Católico em seu e-mail