'Católicos marxistas': um câncer no seio da Igreja

Por Fernanda Marques Lisboa

O GRANDE PAPA São João Paulo II demonstra de forma brilhante o que está acontecendo em nossas universidades, que se tornaram celeiros do socialismo marxista em terras brasileiras. Esse conteúdo você poderá encontrar no livro "Memória e Identidade", escrito pelo mesmo Santo Padre, que foi também um exímio professor de Filosofia na Polônia. Vejamos suas advertências quanto ao que nos espera caso não mudemos o futuro da nossa juventude:



Convém deter-nos um pouco sobre as tradições da filosofia polonesa, particularmente sobre o que aconteceu com a subida ao poder do partido comunista. Nas universidades, foi duramente dificultada toda a forma de pensamento filosófico que não correspondesse ao modelo marxista, por meio do sistema mais simples e radical: atuando contra as pessoas que representavam aquele modo de fazer filosofia. Muito significativo é o fato de que os primeiros a serem removidos das respectivas cátedras tenham sido os representantes da filosofia realista, incluindo expoentes da fenomenologia realista como Roman Ingarden e, da escola de Lviv-Varsóvia, Izydora Dambska. Menos fácil era a remoção dos expoentes do tomismo, uma vez que estes se encontravam na Universidade Católica de Lublin, nas Faculdades de Teologia de Varsóvia e Cracóvia e nos Seminários Maiores; mas, num segundo tempo, eles foram atingidos sem piedade pela mão do regime. Eram olhados com suspeita também aqueles pensadores de vulto que mantinham uma atitude crítica face ao materialismo dialético. Do ordo universitário não podiam obviamente ser retirados cursos como os de lógica e de metodologia das ciências; mas podiam ser obstaculizados de vários modos os professores "dissidentes", limitando com qualquer meio a sua influência sobre a formação dos estudantes.

O que aconteceu na Polônia, depois da chegada dos marxistas ao poder, produziu frutos semelhantes aos que resultaram dos processos anteriormente já verificados na Europa Ocidental após o período "iluminista". Falou-se, entre outras coisas, de "ocaso do realismo tomista", entendendo com isso também o abandono do cristianismo como fonte do filosofar; no fim das contas, era posta em questão a própria possibilidade de alcançar Deus. Na lógica do "cogito, ergo sum", Deus ficava reduzido a um conteúdo do conhecimento humano; deixava-se de poder considerá-Lo como Aquele que explica cabalmente o sum humano.

Desse modo desabaram também as bases da "filosofia do mal". De fato, o mal, para o realismo, só pode existir com referência ao bem e, de modo particular, a Deus, Sumo Bem. (...) Tudo isto, o grande drama da história da Salvação, tinha desaparecido na mentalidade iluminista. O homem ficou só: só como criador da sua própria história e civilização; só como Aquele que decide o que é bom e o que é mau, como aquele que existiria e agiria ainda que Deus não existisse.


Ditaduras comunistas foram diretamente responsáveis por mais de
100 milhões de assassinatos na História recente[1]

Ora, se o homem pode decidir sozinho, sem Deus, o que é bom e o que é mau, pode também dispor que um grupo de pessoas deva ser aniquilado; decisões desse gênero foram tomadas igualmente, por exemplo, no III Reich por pessoas que, tendo chegado ao poder por meios democráticos, se serviram do mesmo para pôr em ação os perversos programas da ideologia nacional-socialista que se inspirava em pressupostos racistas. Análogas decisões foram tomadas pelo partido comunista na União Soviética e nos países sujeitos à ideologia marxista. Neste contexto, perpetrou-se o extermínio dos judeus e de outros grupos como as etnias ciganas, os agricultores na Ucrânia, o clero ortodoxo e católico na Rússia, na Bielo-rússia e para além dos Urais; de forma semelhante foram perseguidos todas as pessoas incômodas ao regime: por exemplo, os ex-combatentes de setembro de 1939, os soldados do Exército Nacional da Polônia depois da Segunda Guerra Mundial, os expoentes da intelligentsia que não aceitavam a ideologia marxista ou nazista. Normalmente tratava -se de eliminações em sentido físico, mas às vezes também de eliminações em sentido moral: a pessoa ficava impedida mais ou menos drasticamente de exercer os seus direitos.

Aqui não se pode deixar de considerar uma questão que é hoje muito atual e dolorosa. Depois da queda dos regimes construídos sobre as ideologias do mal, nesses países cessaram efetivamente as formas de extermínio legal de seres humanos concebidos e ainda não nascidos; trata-se de mais caso de extermínio decidido por parlamentos eleitos democraticamente, apelando ao progresso civil das sociedades e da humanidade inteira. E não faltam outras formas graves de violação da lei de Deus; penso, por exemplo, nas fortes pressões do Parlamento europeu para que as uniões homossexuais sejam reconhecidas como uma forma alternativa de família, à qual competiria também ao direito de adoção. É lícito e mesmo forçoso se perguntar se aqui não está atuando mais uma ideologia do mal, talvez mais astuciosa e encoberta, que tenta servir-se, contra o homem e contra a família, até dos direitos do homem.

Por que é que acontece tudo isso? Qual é a raiz de tais ideologias pós-iluministas? A resposta, em última análise, é simples: acontece porque se rejeitou Deus como Criador e, consequentemente, como fonte para a determinação do que é bem e do que é mal.

(...) se quisermos falar sensatamente do bem e do mal, temos de voltar a Santo Tomás de Aquino, isto é, à filosofia do ser.


* * *

Entenda o que aconteceu nos últimos anos no Brasil, depois que a bandeira vermelha recaiu sobre nós... Que o nosso futuro seja como o da Polônia; sem o comunismo o catolicismo refloresceu! São João Paulo II, rogai pelo povo brasileiro!

2 comentários:

  1. Maurício da Silva7 de agosto de 2018 10:44

    Dos anos 1960 para cá, a Igreja vem, institucionalmente, passando por um processo de PIORAMENTO. Pioram a liturgia, e vêm sempre os fiéis acudir o inacudível, tentando salvar as coisas, a dizer: “vejam, não é tão mau assim, AINDA é uma missa católica”. Pioram a recepção dos sacramentos, e vêm os fiéis acudir o inacudível, a dizer: “vejam, AINDA são válidos, não há porque rejeitá-los”. Pioram a exposição da doutrina, aquela que sempre fora a luz da verdade, agora é ambígua, sombreada — quando não evidentemente errada —, e vêm os fiéis acudir o inacudível, a dizer: “vejam, AINDA está em conformidade com a Tradição, basta lê-lo por este viés aqui”. Os salvadores do pioramento se apresentam sempre, solícitos e fiéis, mas não percebem isto que deveriam perceber: o pioramento é, em si, condenável, na medida em que é voluntário.

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  2. Ótimo artigo. Parabéns ao blog.

    Vejam Salmos e canções neste canal.
    https://www.youtube.com/musicalartes

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