Movimento pela apostasia em massa na Argentina

COALIZÃO QUE DEFENDE o "Estado laico" – com uma concepção completamente distorcida do termo, já que laico não é sinônimo de ateu, e as convicções morais/espirituais/religiosas da população devem ser levadas em conta em qualquer sociedade de Direito democrático – ganhou destaque em manifestações a favor da legalização do aborto, rejeitada recentemente pelo Senado. 

Lá como cá, os militantes das ideologias anticristãs, mesmo constituindo uma minoria, são exemplarmente persistentes em suas metas e nunca não se dão por derrotados: quando a população pensa que o mal foi vencido, lá ressurgem eles com novas iniciativas. 

Vem ganhando força na Argentina esse movimento claramente satânico, que se opõe a qualquer influência de entidades religiosas na política e encoraja a população a abandonar (claro) a Igreja Católica, especialmente após a recente rejeição pelo Legislativo da legalização do aborto no país. Segundo o grupo, milhares já entregaram seus formulários de renúncia formal à Igreja. 


Vendedor oferece lenço com slogan pró Estado laico durante manifestação de apostasia coletiva em Buenos Aires (Foto: DW / Deutsche Welle)

Em manifesto publicado em seu portal de internet, a organização chamada "Coalizão Argentina por um Estado Laico" (CAEL) condena o que chama de "manobras exercidas por algumas autoridades eclesiásticas para atrasar, obstaculizar e renegar o exercício da liberdade de consciência e religião daquelas pessoas que renunciam sua afiliação à Igreja Católica". O grupo solicita a eliminação dos dados pessoais dos registros da Igreja.

Fundada em 2009, a CAEL se tornou mais conhecida durante as manifestações no início de agosto a favor do projeto de lei que visava legalizar o aborto na Argentina, distribuindo lenços de cor laranja. Após ser aprovada por maioria apertada na Câmara, a proposta acabou sendo rejeitada pelo Senado. A maioria maciça da população argentina comemorou o resultado, mas os inimigos de Cristo não desistem: no último sábado, dia 18 de agosto, centenas de pessoas se reuniram em Buenos Aires para o evento denominado "apostasia coletiva", convocado pela CAEL. A organização distribuiu formulários de renúncia à Igreja Católica, que serão entregues à Conferência Episcopal do país, terra natal do papa Francisco.

Apostasia significa apostasia, o repúdio total e consciente da fé cristã (saiba mais). Segundo a fé cristã, tais pessoas estão, literalmente, pedindo para ser extirpadas do Corpo de Cristo e escolhendo não entrar no Céu. Longas filas se formaram na capital e em outras seis cidades do país. Os organizadores esperam ainda que milhares de pessoas registrem oficialmente o desejo de que a Igreja não interfira na política e de que seus nomes sejam retirados dos registros.

"Estamos recebendo apostasias de todos os que quererem renunciar a seus laços com a Igreja", disse Maria José Albaya, uma das organizadoras do evento. Segundo a coalizão, algumas dioceses se recusaram a iniciar os trâmites da desfiliação. "Este feito constitui uma grave violação das liberdades de consciência e religião", diz o manifesto.

Para se desvincular da Igreja, as pessoas que foram batizadas devem enviar uma carta à instituição informando sua decisão. No texto, deve ser mencionado o ano e o local onde ocorreu a cerimônia, além de uma breve explicação dos motivos da desfiliação.

A primeira "apostasia coletiva" foi organizada em 8 de agosto, dia do debate sobre o aborto legal no Senado. Na ocasião, cerca de 2.500 pessoas apresentaram sua renúncia à Igreja Católica e no último fim de semana o número de desfiliações foi similar, segundo a CAEL.

O movimento considera que a rejeição do projeto de lei que legalizaria o aborto até a 14ª semana de gestação foi influenciada pelas autoridades eclesiásticas. A Igreja Católica, assim como as protestantes/"evangélicas", opuseram-se fortemente à iniciativa, organizando manifestações e atos religiosos. 

Apesar do barulho feito pela CAEL, a Constituição da Argentina já assegura o direito à liberdade religiosa, ainda que o Estado outorgue um status jurídico preferencial à Igreja Católica – o que não é de se estranhar, na medida em que mais de dois terços dos 43 milhões de argentinos declaram-se católicos e, em qualquer regime democrático, a vontade da maioria prevalece.
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Fonte:
Portal Terra, 'Movimento impulsiona desfiliação da Igreja Católica na Argentina', em
terra.com.br/noticias/movimento-impulsiona-desfiliacao-da-igreja-catolica-na-argentina,c9f3fdc8c61a55091777cef4e3f0c1751j31h0m3.html
Acesso 25/8/2018
www.ofielcatolico.com.br

5 comentários:

  1. E o que dirão depois de lerem a reportagem da Folha de São Paulo de hoje sobre pedofilia de Cardeais!

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    1. A Igreja reconhece o erro de seus filhos, pede perdão por eles e os pune. Simples...

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  2. "(...) A que ponto chegamos! O desligamento da Igreja Católica sempre foi considerado uma terrível punição: os maiores potentados da História o temiam. Henrique IV, Imperador da Alemanha, esperou uma noite inteira na neve, rente às muralhas do castelo de Canossa, para que o papa São Gregório VII levantasse a excomunhão que sobre ele pesava. Na Inglaterra, o fato de ter excomungado um barão normando, amigo do rei Henrique II da Inglaterra, pela morte de um padre, levou o Arcebispo de Cantuária, São Tomás Becket a ser martirizado em sua própria catedral... Então tudo isso é perda de tempo? O que diriam os adeptos do "desbatismo"? (...)"

    Texto completo em:

    http://www.sacralidade.com/igreja2008/0161.desbatizar.html

    A Paz do Nosso Senhor Jesus Cristo!

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  3. Bizarro... Decisões a favor do conservadorismo são tratadas sim. Mas decide em favor do liberalismo não .. Cabe a nós conservadores da família, sermos tão "barulhentos" como ele. Somos em quantidade muito maior do que eles .. Seria tão fácil cala-los no grito . Mas ao mesmo tempo somos tão passivos quando devemos nos manifestar...

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  4. Falta convicção da parte dos católicos para combater essas coisas. Lembrem-se dos conselhos de Cristo sobre combatividade ctistã. Não confundam caridade e tolerância com fraqueza pedagógica. O mal tem de ser apontado e combatido palmo a palmo. Com palavras duras e certeiras, como as de Jesus quando chamou os hipócritas de víboras e sepulcros caiados. Nada de concessões ao politicamente correto que já é uma ferramenta totalitária de controle das consciências.

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