É piolho!

Exclusivo de Rafael de Souza (Frat. Laical S. Próspero) para O Fiel Católico

ANTIGAMENTE AS RELAÇÕES humanas eram pautadas sobretudo na autoridade, o que gerava, como hoje, a constante confusão desta com o poder. Mas como em outras épocas não havia nenhuma ideologia que se aproveitasse dessa confusão, via de regra os homens se atrapalhavam por si só, gerando dano só aos seus protegidos.

Um caso paradigmático deu-se com um casal sertanejo. A esposa, teimosa e convicta, viu no casaco de seu marido, homem chucro, irredutível e maldoso, um piolho.

“Veja, home, um piolho!”. Indignado, o marido espantou o inseto e retrucou: “Isso não é piolho não, é uma formiga. Onde já se viu, um homem como eu com piolho!”. – “Que formiga o que, home, é piolho sim”, disse a mulher em tom zombeteiro. “É formiga, e se disser outra coisa eu lhe dou uma sova que tu nunca mais esquece”.

“Pode dar a surra, mas que é piolho é!”... E o marido fez o que dissera. “E agora?”, perguntou. “Tu me bateu, mas é piolho”.

Então o marido a amarrou, prendeu suas mãos numa roldana e a desceu no poço, deixando-a até a cintura coberta pela água. “Tu pode me deixar aqui, mas que era piolho, era”.

Então o algoz prosseguiu descendo a mulher aos poucos, ao melhor estilo Jigsaw, até que a encobriu por completo com a água, deixando apenas suas mãos de fora – com as quais a mulher posicionou os polegares no clássico gesto de... matar piolhos.

Hoje ainda há relações de poder e autoridade, mas num tal nível de confusão e aproveitamento que muitos dos que ocupam altos cargos usam o poder que o respectivo posto confere para agir contra a própria estrutura que integram. É o presidente que usa os recursos nacionais para endividar o país e criar benfeitorias no estrangeiro, é o general que afaga os inimigos do exército enquanto pune os militares que o defendem, é o padre que dá plena liberdade para que defendam o aborto em sua paróquia, enquanto ataca o fiel que defende a vida.

Recentemente, foi exatamente isso o que houve na diocese de São Miguel Paulista. Um padre cujo nome não me recordo, mas de quem eu sei que Deus bem se lembrará no Dia do Juízo, não só permitiu que o aborto fosse abertamente defendido em sua paróquia como também bateu de frente com os fiéis que defenderam a vida dos não-nascidos e a doutrina da Igreja.

O bispo, obviamente, não fez nada contra o padre, porque defende a "liberdade de expressão" do pobre vigário e, também, onde já se viu um leigo discutindo com um padre?! Alguns dias depois, um grupo de fiéis se organizou para rezar um terço diante da paróquia onde se deu o fato. Deveriam fazer uma fogueira, para o vigário captar melhor o recado.

Foi um bate-boca feio. E como a vida imita a arte, a anedota acima representa bem esta situação um tanto quanto corriqueira, onde o padre é representado pelo marido e o fiel é representado pela mulher. O "é piolho - não é piolho" foi trocado por "católico não pode defender o aborto - pode sim". Mas a diferença está no fato de que a mulher da estória defendeu sua posição até o fim por teimosia, enquanto que nós, católicos, quando virtuosos, o fazemos por amor a Cristo; e quando somos desvirtuados, por gosto em ver o circo pegar fogo.

Assim como o marido, que devia amar sua esposa como Cristo amou a Igreja, usou seu pátrio poder para infligir o mal àquela que é seu corpo, assim também agem muitos dos clérigos atuais, que usam seu régio poder para não só descaminhar o rebanho, mas também para oprimir as ovelhas rebeldes que se recusam seguir junto com eles precipício abaixo, rumo ao Inferno.

Infelizmente, não há mais a Santa Inquisição à qual os leigos possam recorrer diante de barbaridades como essas. Padres que se dedicam mais ao palco que ao Altar, que defendem o aborto, que rezam Missa fantasiados, que são simplesmente idiotas e teimosos insistentes no erro, bispos que fazem macumba-pré-sinodal, que pregam do alto de suas cátedras que o homossexualismo é “um dom de Deus”, que combatem com todos os seus recursos a doutrina católica, que transformam o Altar sagrado em palanque. E dane-se o leigo. É quase um crime de sacrilégio pedir uma Missa bem rezada, pedir para comungar ou confessar-se de joelhos. E ai daquele que pedir latim! É quase excomungado!

Que esses clérigos façam como quiserem. No Inferno, serão recebidos pelo Diabo com seus demônios, cada qual com um belo tridente flamejante pronto para ser posto onde couber. A sorte que gozam tais clérigos é que hoje em dia quer Deus que o joio cresça com o trigo, diferentemente da Idade Média, onde problemas desse tipo eram resolvidos com a mesma rapidez com que a lenha seca é consumida pelo fogo.

É piolho e ponto final.

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3 comentários:

  1. Que beleza de texto!!!! Tapa na cara dos maus pastores, só tem fera nesse apostolado !

    Rita

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  2. Gostaria de parabenizar o autor pelo texto elucidativo e lançar uma questão. Tenho acompanhado as diversas postagens e denúncias feitas aqui no apostolado. Vários bispos questionando frontalmente e gravemente o papa, acusações de heresia e apostasia estão se tornando frequentes, uma grande divisão entre modernistas e tradicionalistas, enfim, estamos nós, a grosso modo, prestes a presenciar um novo movimento de reforma na Igreja, retornando-a a um momento pré Concílio Vaticano II? Ou, já estamos numa pré-reforma, num novo processo de ruptura, fazendo daí surgir duas Igrejas apartadas? Pelo pouco que conheço da reforma protestante, independente de quem esteja certo ou errado (modernistas ou tradicionalistas), me parece que a Igreja está ou caminha para uma situação semelhante, num contexto de grave contestação do papa, da governança e dos rumos da Igreja como um todo.

    A paz de Cristo!

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    Respostas
    1. Caríssimo Tiago, seu comentário foi respondido em forma de postagem. Por favor, leia em:

      https://www.ofielcatolico.com.br/2019/09/divisao-na-igreja-um-novo-cisma-se.html

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo
      Apostolado Fiel Católico

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