O drama do fim dos tempos


A PARTIR DESTA, passamos a publicar em série o conteúdo da obra do revmo. padre Emmanuel-André, Prior do Mosteiro de Mesnil-Saint-Loup. Suas páginas, redigidas entre 1884 e 1885, foram escritas, portanto, há mais de cento e trinta anos, o que a torna mais interessante pela surpreendente atualidade. Mons. Lefebvre considerou proféticos alguns de seus trechos, que descrevem a Paixão da Igreja. Ataca o indiferentismo religioso e nos encoraja a permanecer na Fé da Igreja, recusando tudo o que possa comprometer sua sagrada liturgia, sua doutrina e sua moral.

Uma palavra do autor


I – Consideramos a Igreja no passado e no presente; falta-nos contemplá-la no futuro. Deus quis que os destinos da Igreja de seu Filho fossem traçados de antemão nas Escrituras, como também o foram os de seu próprio Filho; é lá que iremos procurar os documentos de nosso trabalho. A Igreja, devendo ser semelhante a Nosso Senhor, sofrerá, antes do fim do mundo, uma prova suprema que será uma verdadeira Paixão. São detalhes desta Paixão, na qual a Igreja fará viver toda a imensidade de seu amor por seu divino Esposo, que se acha consignada nos Escritos inspirados do Antigo e do Novo Testamento, que nós os passaremos diante dos olhos de nossos leitores. Não temos a intenção de assustar ninguém tratando de tal assunto. Diremos mais: ele nos parece conter, ao lado de grandes ensinamentos, grandes consolações.

II – Certamente é um triste espetáculo ver a humanidade, seduzida e enlouquecida pelo espírito do mal, tentar sufocar e aniquilar a Igreja sua mãe e sua tutora divina. Mas deste espetáculo sai uma luz que nos mostra a história por inteiro em seu verdadeiro aspecto. O homem se agita sobre a terra; mas ele é empurrado por potências que não são da terra. Na superfície da história, o olhar apreende as desordens dos impérios e das civilizações que surgem e desaparecem.

Por baixo disto a fé nos faz seguir o grande antagonismo entre Satã e Nosso Senhor; faz-nos assistir às astúcias e às violências do espírito imundo, para entrar na casa da qual foi expulso por Jesus Cristo. No fim ele entrará e quererá eliminar Nosso Senhor. Então os véus serão rasgados, e o sobrenatural brilhará em toda parte; não haverá mais política propriamente dita; um drama puramente religioso se desenvolverá e envolverá todo o Universo.

Pode-se perguntar por que as peripécias deste drama são descritas tão minuciosamente pelos escritores sagrados, já que ele durará pouco tempo? Porque será a conclusão de toda a história da Igreja e do gênero humano. Porque fará ressaltar, com um brilho supremo, o caráter divino da Igreja.
Além disso, todas essas profecias têm incontestavelmente o fim de fortificar a alma dos fiéis nos dias da grande prova. Todos os abalos, todos os pavores, todas as seduções que virão assaltá-los, tendo sido preditos tão exatamente, constituirão argumentos em favor da fé combatida e proscrita. A fé, neles se firmará precisamente por aquilo que deveria destruí-la. Mas nós mesmos temos grandes frutos a tirar da consideração desses estranhos e terríveis acontecimentos. Depois de ter falado deles, Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Velai e orai, para que sejais encontrados dignos de fugir destas coisas que acontecerão no futuro, e de permanecerdes de pé na presença do Filho do Homem” (Lc. 21, 36).

Assim, pois, o anúncio desses acontecimentos é um aviso solene dado ao mundo: “Velai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26, 41). Não sabeis quando essas coisas acontecerão: velai e orai, para não seres surpreendidos. Sabei que desde agora a sedução age nas almas, que o mistério da iniquidade faz sua obra, que a fé é reputada um opróbrio (São Gregório); velai e orai, para conservar a fé. Eis a hora da noite, hora das potências das trevas: Velai para que vossa lâmpada não se apague, orai para que o torpor e o sono não tomem conta de vós. Mas antes levantai vossas cabeças para o Céu; pois a hora da redenção se aproxima, pois começam a raiar os primeiros clarões da aurora (Lc 21,28).

III – Depois de ter falado dos ensinamentos, digamos uma palavra sobre as consolações. Nunca se terá visto o mal tão solto; e ao mesmo tempo tão contido pela mão de Deus. A Igreja – como Nosso Senhor – será entregue sem defesa aos carrascos que a crucificarão em todos os seus membros: mas não lhes será permitido quebrar seus ossos, que são os eleitos, assim como com o cordeiro pascal estendido sobre a Cruz. 

A provação será limitada, abreviada por causa dos eleitos; e os eleitos serão salvos; e os eleitos serão todos os verdadeiros humildes. Enfim, a provação acabará por um triunfo inaudito da Igreja, comparável a uma ressurreição. Nesse tempo, e mesmo nos prelúdios da crise suprema, ela verá os restos das nações se converterem. Mas sua mais viva consolação será a volta dos judeus. Os judeus se converterão, seja antes, seja durante o triunfo da Igreja; e São Paulo, que anuncia esse grande acontecimento, não se contém de alegria ao contemplar o que se seguirá. Vê-se como as palavras do salmo podem se aplicar à Igreja: seguindo a multidão de aflições que encheram meu coração, vossas consolações, Senhor, alegraram minha alma.

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Continua

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EMMANUEL-ANDRÉ, O Drama dos Fins do Tempos. Rio de Janeiro: Permanência, 2004.

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