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De batina por Istambul…


– “Mas entenderão o que é a batina na Turquia?”.

– “Ham… ao menos terão visto alguma vez um filme antigo…” – falávamos entre nós antes de baixar do avião.

Uma de nossas escalas antes de chegar ao planalto tibetano, foi Istambul, Turquia, antiga Constantinopla e sede do império romano do oriente. Ali teríamos de permanecer um dia inteiro.

Como é de praxe, não podíamos deixar de visitar a formosa Catedral de Santa Sofia, depois mesquita e agora museu turco: uma verdadeira beleza da arquitetura. O tema era…: como devíamos ir vestidos pela rua? De “clergyman”, de batina, ou como leigos? Como duvidamos um pouco, decidimos em seguida: de batina, como todos os dias.

– “É que podem haver atentados” - pensamos. É certo, mas também poderiam havê-los se não nos identificássemos como tais, como passou, de fato, no mesmo dia ali, próximo de um estádio de futebol.

É que, de algum modo devíamos pregar aos turcos – cuja língua não falamos – que há uma religião distinta (a verdadeira) à de Maomé; a religião que seus antepassados praticaram há séculos e que agora olvidaram. Portanto, se com nossas palavras não podíamos dar testemunho, ao menos o faríamos com nosso hábito (acaso os judeus e os muçulmanos não fazem o mesmo?).

– “Provemos” –dissemos a nós. E nos pusemos a caminhar.

A resposta foi impactante; conversamos com a gente (todos muçulmanos) e nos identificavam claramente como padres católicos; e mais, dois deles nos felicitaram por vestir o traje talar: “is more formal and respectable“, disseram.

Nos demos o luxo de rezar o breviário em Santa Sofia como um modo de desagravar o sacrilégio por havê-la transformado em mesquita e fomos o alvo de vários olhares e câmaras, assombradas de ver dois padres assim.

O padre Federico ia de batina de cor clarinha pelo calor, mas eu, a negra pois não tenho outra (ninguém estuda para Papa, pelas dúvidas…).

Bom, só este testemunho, para que não digam que a batina ainda não se usa ou que não se entende; e, se não se entende, há que ensiná-la melhor.

Que não te enganem…

P. Javier Olivera Ravasi


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** Crônica enviada por Frei Zaqueu

Fonte:

Que no te la cuenten, dezembro 11, 2016http://www.quenotelacuenten.org/2016/12/11/de-sotana-por-estambul/
Acesso 10/1/016
www.ofielcatolico.com.br

Sobre a Pseudocultura


Texto concedido por Ramon Martins Cogo

VENHO NOTANDO que, atualmente, existe uma grande confusão sobre a definição de "cultura" devido a corrupção da mesma no período em que vivemos. Não desejaria, neste pequeno texto, dar apenas a definição do termo cultura, mas também tratar daquilo que se apresenta como "cultura" e não o é, bem como tentar aproximar-me de sua etiologia, pois a pseudocultura é o grande leviatã dos alienados, que, se persistir, condenará a todos.

A cultura é o agregado de conhecimentos formado por um povo ao longo de sua história e que tem como função elevar o homem. Divide-se em 3 graus:

• Alta cultura, que traz excelência ao homem;

• Cultura popular, que imita a alta cultura;

• Incultura, que é, de fato, a ausência de cultura.

Poder-se-ia falar, também, sobre uma pseudocultura, que toma "imagem" de cultura sem sê-la. Esta é consequência da ausência de tensão entre a cultura popular e a alta cultura. Quando a alta cultura é ofuscada e a cultura popular passa a ser o que há de mais elevado, a decadência se inicia (qualquer semelhança com a história recente do Brasil, que elegeu um presidente que declaradamente nunca gostou de ler livros e nem cultivou o hábito da leitura, e ainda assim recebeu título da ABL e diversos diplomas honoris causa, não será 'mera coincidência'). Pois assim não há no que a cultura popular se espelhar e, aos poucos, e através de ondas revolucionárias alienadoras que possuem brilho efêmero – que prometem inovações que nunca irão ocorrer, senão por um momento – a cultura popular se reduz a incultura. Até que o povo descambe em um vazio cultural e fique à mercê dessas ondas revolucionárias, pois não há mais piso sólido sobre o qual se possa caminhar. Assim, tudo o que nasce dessas ondas revolucionárias alienadoras poderiam ser chamadas de pseudocultura.

Sem os graus da cultura, nunca poderíamos nos dar conta desse acontecimento. Se assim não fosse, todas as culturas teriam o mesmo valor; e, dos povos bárbaros, seria dito que sua cultura é equiparável a cultura de todo um Império. Sabemos, por motivos óbvios, que isso não é real, e que há graus na cultura de cada povo quando as comparamos. Por outro lado, isso se dá mesmo sem tocarmos no que é consuetudinário, sem desmerecê-lo por sua peculiaridade, que o faz único.

Definida assim a cultura e parcialmente apresentada a causa de sua corrupção para que se pudesse definir a pseudocultura, vamos à etiologia das coisas:

De que origem surgiram as muitas culturas da humanidade? Pois, dos cultos. Um culto é uma reunião para adorar algo, a tentativa das pessoas de comungarem com um poder transcendente. É da parceria no culto, o corpo de fiéis, que a comunidade cresce. Esta verdade fundamental foi exposta nas últimas décadas por grandes historiadores como Christopher Dawson, Eric Voegelin e Arnold Toynbee.

Uma vez que as pessoas estão reunidas no culto, a cooperação em muitas outras coisas torna-se possível. Defesa comum, irrigação, agricultura sistemática, arquitetura, as artes visuais, música, artefatos complexos, produção e distribuição econômica, tribunais e governo – todos esses aspectos da cultura surgiram gradualmente do culto, da formação religiosa.[1]

Tudo que foi citado acima foi dito por Russell Kirk em seu ensaio Civilization Without Religion. Ora, podemos conceber que a cultura surge do culto, da reunião dos homens para adorar um Poder transcendente; da tensão entre os homens, e desta reunião dos homens a cultura é formada ao longo da história de um local. Para que seja perene e ecoe através dos tempos é preciso, também, que não seja apenas útil ao seu povo, mas que seja universal, que se adeque à realidade, que não seja apenas um constructo.

”[…]não é somente o acaso e a cronologia que separam o mundo antigo do novo; o que chamamos de história moderna é na realidade a evolução de uma nova esfera de desenvolvimento, que, em muitos de seus elementos, podem bem ligar-se à decadência e à queda dos Estados mediterrâneos, da mesma forma que estes se ligam a civilização primitiva dos indo-germânicos, mas que foi solicitada a percorrer seu próprio curso, e a experimentar plenamente todas as vicissitudes da felicidade e da infelicidade social. Assim atravessou, alternadamente, seu tempo de mocidade, de idade madura e de velhice; conheceu a energia criadora na religião, na política e na arte; saboreou a calma satisfação dos bens materiais e intelectuais lentamente acumulados, depois, sem dúvida, também a decadência da força criadora esgotada pela saciedade da posse. Posse bem efêmera, é verdade; pois se uma determinada civilização pode palmilhar sucessivamente todos os pontos da periferia, assim não acontece com a humanidade. A humanidade, no momento em que crê ter atingido o final de sua carreira, vê abrir-se uma outra mais vasta e grandiosa que lhe será preciso percorrer”[2]. Nos diz Theodor Mommsen em seu livro História de Roma. Tal é o exemplo de processo histórico quando dado de maneira natural, dentro da ordem e não da desordem. Tais termos serão definidos a seguir para uma melhor compreensão da coisa.

Assim, a “Ordem”, nos diz Voegelin, “é a estrutura da realidade como experienciada pelo homem, bem como a sintonia entre o homem e uma ordem não fabricada por ele, isto é, a ordem cósmica”[3]. Quando a Ordem é corrompida, seu oposto toma conta, e dá-se então a Desordem. Na “[…]Desordem social e cósmica, a Ordem se reduz ao âmbito do indivíduo, e talvez nem mesmo ai possa ser encontrada”[4]. A Desordem tem como fonte a alienação “[allotriosis]”, que, na psicopatologia Estoica, “é um estado de retirada do próprio eu”[5]. Vicente Ferreira da Silva chama tal evento de “A Ocultação do Ser”. Mas vamos por partes. Em sua reflexão autobiográfica Voegelin diz que a alienação nasce da ausência de tensão entre o humano e o divino, ou seja, do homem materialista, aquele que acredita apenas na matéria.


Na atualidade conhecemos algo assim, e o chamamos cientificismo. Este tornou a ciência a mãe de todo conhecimento e explicadora de toda realidade. A ciência, fundada num materialismo, por consequência de seu próprio campo de estudo, reduziu tudo que há à matéria. Os homens começaram, então, a tratar a ciência como único caminho para o conhecimento de todas as coisas e assim foram distanciando-se de Deus, foram rompendo a tensão entre o homem e o Divino; o culto que deu origem à essa civilização que conhecemos começou a se despedaçar. O que unia os homens em direção à verdade: a fé, parou de fazer milagres. Deste modo, o homem, quando rompe a tensão com o divino, é reduzido à mero animal, à um símio. Não há mais o transcendental, a cultura, somente a matéria e a maneira subjetiva de interpretá-la. Eis a condição natural do homem bárbaro, sem cultura. Assim, podemos dizer que quando a tensão com o divino se rompe, quando o indivíduo se torna um alienado, este passa a ver o mundo não através da realidade enquanto proveniente de algo superior, mas passa a julgar a si mesmo como medida de todas as coisas. Não que tal evento nunca tenha se dado antes na história, muito pelo contrário, repetiu-se incontáveis vezes, mas depois da Revolução Francesa, que trouxe por consequência o liberalismo (que acarreta num relativismo moral, ou seja, os homens que acreditam numa moral subjetiva. E dentro disso não podem haver relações humanas. Todos tentariam aplicar seus conceitos morais aos outros, que também teriam diferentes conceitos morais. E eis o caos na sociedade); passado o Romantismo que, por conseguinte, levou ao Ultrarromantismo; começou a dar frutos o que culminaria, muitos anos depois, no pós-modernismo. Passado o modernismo, que apesar de toda grandiosidade cientifica e tecnológica proveniente desta, trouxe-nos também, uma profusão de problemas, de malefícios. Sendo eles, por exemplo o comunismo, e, como também já tratamos, o liberalismo e o cientificismo .

Vicente começa sua reflexão sobre a Ocultação do ser com a seguinte passagem:

A situação natural e imediata da realidade humana não parece ser um estado de vigília ontológica, um viver na verdade e pela verdade, um desenvolvimento triunfante de suas possibilidades mais íntimas. No início, encontramos o homem perdido entre determinações estranhas e desmerecedoras do seu ser, compreendendo o mundo e a si mesmo com categorias e com conceitos exteriores e adventícios. Esse existir fora de si do existir tem, portanto, como consequência uma compreensão e interpretação falsas de todos os momentos de nossa realidade e um traçado frustro do nosso próprio destino.[6]

É evidente aqui que: o homem, que sem qualquer conhecimento prévio, tenta retirar da experiência qualquer informação universal, está fadado à falha. Exatamente porque em sua situação natural o homem não dispõe plenamente de conceitos para tratar da realidade, e assim, não poderia definir a experiência tal como ela se dá em seu sentido mais puro, e, certamente, exatamente por não dispor destes meios, há de defini-la por novos conceitos criados por si mesmo. Ou seja, o conhecimento da experiência que poderia ser extraído de Homero, Dostoievski, Dante, Virgílio, Camões, Flaubert, Shakespeare e etc, por exemplo, é reduzida à inexistência. Destes, poder-se-ia, através de seus contos, extrair informações que nos facilitam na determinação da nossa experiência frente a realidade, pois nos contos desses grandes escritores a personalidade humana diversa, as relações humanas, dentro de uma variedade interminável de eventos possíveis são circunscritos. E sem tais noções somos submetidos às modas, ao espirito dos tempos, a tudo que há de mais vigente na atualidade e menos universal. O eterno distancia-se, o que deveria ecoar através dos tempos nem chega a ser um breve sussurro.

Por conseguinte, a interpretação corrompida do real de um homem, por parecer similar ao real, é tomada pela mais forte verdade e disseminada como tal. Assim, a maioria dos homens desperdiçam suas vidas, pois, longe do universal, os conceitos são dados à partir dos sentimentos, e cada indivíduo tentaria demonstrar o mesmo evento, ou até mesmo um mesmo objeto, através de uma infinidade de conceitos diferentes, que de maneira alguma representam o objeto de análise, que talvez, com sorte, se aproximem de uma forma minúscula. O lado racional já ter-se-ia despedaçado nesse momento, o sentido objetivo das coisas despedaçou e a norma vigente é o subjetivismo. Nisso, sem conhecimento, não cultural local, mas em um nível mais universal, de onde pode-se fazer abstrações de terceiro grau pois tal é o papel da metafísica, ou, até mesmo uma abstração de primeiro grau, como é feita pela ciência, o homem passa a compor uma nova cosmovisão, passa a ter que extrair per se tudo o que já havia sido extraído e definido de acordo com a realidade por grandes e nobres homens ao longo da história. E é certo que nisso não se afasta completamente da realidade, mas traz uma versão corrompida da mesma. Tal evento na atualidade pode ser chamado de subcartesianismo, do qual trataremos a seguir.

Aqui, no período contemporâneo, após o pós-modernismo, senão antes, o Cogito de Descartes, infelizmente, deu início a Era dos – nas palavras de Theodore Dalrymple — subcartesianos, daqueles que desejariam pensar apenas per se, desconsiderando todo conhecimento anterior a si, de toda história da humanidade, desejando atingir o conhecimento apenas pelo empirismo pessoal. Descartes tremeria de horror ao pensar que foi esse o efeito do ponto arquimédico de sua filosofia.

Mas ”O homem só pode encontrar vida entre os mortos”, nos diz Chesterton em seu livro ‘O que há de errado com o mundo’, “Ele é um monstro disforme com os pés virados para frente e o rosto para trás. Pode criar um futuro luxuoso e gigantesco, contanto que pense no passado. Quando tenta pensar no futuro em si, sua mente diminui até transformar-se num pontinho minúsculo de imbecilidade, a que alguns chamam de Nirvana. O amanhã é a Górgona; o homem não deve mirar senão seu reflexo no reluzente escudo do ontem. Se olha diretamente, transforma-se em pedra. Tal foi o destino de todos aqueles que realmente viram o futuro como algo claro e inevitável”[7].

Por consequência desta negação do passado, do subcartesianismo, a análise que fazem da realidade é sempre a partir de si próprios, de como se sentem sobre tal evento e o que pensam sobre ele (como no romantismo e no ultrarromantismo). A partir disso nasce um vocabulário novo, são descritos novos conceitos para definir a realidade à partir desse ponto de vista subjetivo e que, senão sempre, quase sempre – para tratar de forma amena — leva a tratar a realidade a partir de um idealismo. Tal evento não é tão recente, e data de um período posterior ao ultrarromantismo. Os ideólogos, os criadores das ideologias — fonte de todos os nossos problemas –, são homens que tratam da realidade a partir de um ideal, mas nunca da realidade em si. Dentro da ideologia é criada um segunda realidade enxertada com subjetivismo do ideólogo, sempre com a visão do que ele acredita ser tal coisa, ou como desejaria que fosse. Mas nunca a realidade por si mesma. É uma nova cosmovisão, que também é materialista, que em nada se adequa a realidade.

No entanto, os ideólogos, diferentemente dos alienados, que já enxergam a realidade à partir de termos corrompidos, corrompem os termos que definem a realidade. Modificam tudo quanto possa ser um problema para tal cosmovisão ideal. Essa corrupção da história, pelos ideólogos, que o fazem para falar da corrupção da realidade pela sua ideologia, causa nos pós-modernos uma deformidade no vocabulário. Sem a devida compreensão do progresso histórico-cultural e filosófico e suas influências, até o momento das revoluções e a corrupção proveniente destas, eles não dispõe de noções para tratar da realidade, conseguindo apenas tratar do subjetivismo, do achismo, do que apreendem como real a partir do que sentem. E em sua atitude prudhommesca tentam dar nome aos bois.

E nos diz Vicente: “Sócrates lançou pela eternidade uma alta lição a todos os que se interessam pelas coisas do espírito: o amor à precisão da linguagem, à exata compreensão do valor dos vocábulos.
Quem não disciplinar o espírito sobre o jugo desta tradição poderá produzir muito e variados, mas com toda certeza essa produção estará impregnada do caos e da desordem dos que negligenciam o papel proeminente do Logos”[8].

Quanto mais termos desnecessários, infundados e sem valor, ante a realidade, que surgem em função da ignorância, ou canalhice, daqueles que os cunham, maior é a decadência da cultura, mais notória torna-se a barbárie que se espalha celeremente.

A ideologia causa nas percepções da realidade uma deficiência tão grotesca que a única consequência possível a se atingir nesse caminho é o retorno ao primitivismo. Não importando quanto venha a progredir a tecnologia, no estado mental que se encontram os seres humanos, chegará o momento em que nenhuma progressão poderá ser feita, e que toda forma de conhecimento perderá seu valor. Os bárbaros vão dominar e toda casta será resumida em poder, um poder que irá subjugar a todos e dita-los o que deve ou não ser feito, o que é ou não bom, e como deverão ou não agir frente a isso. A conquista final do homem há de torná-lo num utensílio dos Manipuladores, “a conquista final do homem”, como diz C. S. Lewis, “mostrou-se a abolição do homem”.[9].

Deste modo, podemos dizer que sem a tensão entre o homem e o divino, despedaçados os cultos que deram origem a cultura e as grandes civilizações, sem o passado para nos guiar em direções mais elevadas o homem é reduzido ao barbarismo, a mero símio, pois não há mais cultura, há apenas achismos sobre, e unicamente, os fenômenos (no sentido de Kant), e como eles se apresentam à nós. O homem materialista por conseguinte é levado à ocultação do ser, onde o homem é destituído de sua liberdade, onde o ser se estagna em sua própria idiotice (na melhor acepção: aquele que julga o mundo a partir de sua própria pequenez), pois não há universais, os conceitos ontológicos não existem nesse âmbito. Esse constructo é insignificante e efêmero. A realidade entendida com conceitos ontológicos, criada pelo divino é inesgotável em sua análise. Por outro lado, no cientificismo, onde muitos materialistas tratam a ciência como o próprio deus, esses, apesar de materialistas, não se entregaram a visão de mundo tão só a partir de si mesmos. Pois no campo científico estudam as análises de outros homens sobre os fenômenos. É mantida, ao menos, a abstração de primeiro grau. Mas também não saem do âmbito da materialidade. O que não é de todo errado, pois como nos diz Mario Ferreira “O carácter da ciência é o de ser limitada, pois a ciência, em todo momento, é ”ciência do que é”. A ciência está adscrita ao ôntico, enquanto a filosofia vai além do quadro ôntico, e averígua, em seu último fundamento, em seu aspecto metafísico, aquilo que faz justamente que o que é seja (as essências)”[10]. Porém, ao enfurnarem-se no materialismo é como se fossem destituídos de suas asas, e como diz Vicente: “A virtude das asas consiste em levar o que é pesado para as regiões superiores”[11].

O que pode ser feito, diz Russel Kirk, no final de seu ensaio:
“[…]é meu argumento que a elaborada civilização que conhecemos permanece em perigo; que isso pode ser expiração de letargia, ou ser destruída pela violência, ou perecer, de uma combinação de ambos os males. Nós que pensamos que a vida vale a pena ser vivida devemos direcionarmo-nos ao meio pelo qual a restauração da nossa cultura possa ser alcançada. Uma necessidade primordial para nós é restaurar uma apreensão de insights religiosos em nosso desejado aparato de instrução pública, que – intimidado por militantes humanistas seculares e tribunais federais presunçosos – foi deixado somente com ruinosas respostas às perguntas finais.

O que aflige a civilização moderna? Fundamentalmente, a aflição de nossa sociedade é a decadência da crença religiosa. Se uma cultura é para sobreviver e florescer, esta não deve ser separada da visão religiosa da qual ela surgiu. A grande necessidade de homens e mulheres reflexivos, então, dá-se para operar a restauração de ensinamentos religiosos como um verossímil corpo de doutrina.

“Resgatar o tempo, resgatar o sonho’’, escreveu T.S. Eliot. Isso permanece possível, dada a razão correta e imaginação moral, para confrontar audaciosamente as desordens das eras. A restauração do verdadeiro ensinamento, humano e cientifico; a reforma de muitas políticas públicas; a renovação de nossa consciência de uma ordem transcendente, e da presença de um Outro, o clareamento dos que estão por vir onde nos encontramos, tais abordagens estão abertas àqueles entre a crescente geração que procura por um propósito na vida. É apenas concebível que pode nos ser dado um sinal antes do fim do século XX; No entanto, com Sinal ou nenhum Sinal, aqueles remanescentes devem lutar contra as loucuras de nosso tempo”[12].

Para concluir:
Toda corrupção na cultura nasce a partir de homens que romperam a tensão com o divino, que produzem escritos baseando-se na ideologia, que acaba por se tornar uma cosmovisão. Quando tais escritos são tratados como produto de alta cultura, muitas vezes por sua aparência de intelectualidade, a intelligentsia o leva à cultura popular que passa a espelhar-se nisso. O povo, então, espelha-se numa visão corrompida do real, e a levam adiante. Nesse momento não temos só um alienado, mas uma infinidade deles. Dá-se, por conseguinte, a Desordem, das nascidas miríades de subcartesianos; de materialistas; de militantes humanistas secularizados; todos os tipos idiotizados pela ideologia que se possa imaginar. Todos esses secularizados, afastados do culto, que tiveram sua tensão com o divino rompida. Todos, sem a cultura, assemelham-se ao homem bárbaro. A grande civilização, assim, desmorona.

E, como diria Fausto:

“[…]Maldita seja a opinião subida
Que de si mesma forma a mente cega!
Malditas essas falsas aparências
Que aos sentidos mentem, esses sonhos
De glórias vãs e de imortal nomeada !”[13]

E eis a característica mais importante disso tudo: por não serem fundadas em conceitos eternos, nenhuma dessas criações é verdadeira. Por mais que tentem aplicá-la, ela não funciona, e acham que é um pequeno erro aqui ou acolá, e tentam corrigi-la e aplicá-la novamente, não reconhecendo que o erro é o ponto arquimédico de todo constructo; sempre apresentando sua nova amostra como produto revolucionário que irá mudar o mundo, mas que não passa de um grande erro; de pseudocultura. Sim, pseudocultura, pois esta não eleva o homem, e tal é a função da cultura. Como nos diz Vicente: ”[…]não devemos esquecer, existem conhecimentos, ou melhor, coisas que se fazem passar por conhecimentos, que sendo de sinal contrário ao sentido da alma, neutralizam todas as energias do homem; há visões das coisas, que matam”[14] e, numa salvaguarda pode-se pensar: “As minuciosas construções do pensamento são possíveis apenas para os espíritos menos impetuosos, para aqueles que conseguem conservar, em meio dos Saturnais de Sophia, uma fria atitude de descriminação e análise”.[15]


A pseudocultura, que assim o é; que causa essas visões das coisas, que matam, leva o homem aos abismos e ao primitivismo. Por afasta-lo de Deus, também afasta-o da moral. O barbarismo reina entre os homens nesse instante. E nenhum deles deseja ser salvo. Tal é a obra da pseudocultura.


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Notas

1. Kirk, R. – Civilization Withou Religion [Surprise Turning Points], P.3; Tradução Cogo, R. M.
2. Mommsen, T – História de Roma. P. 64/65
3. Voegelin, E. – Reflexões Autobiográficas. P.117
4. Ibidem
5. Ibidem p. 118
6. Da Silva, Vicente Ferreira – Dialética das Consciências. P. 39
7. Chesterton, G. K. – O que há de Errado com o Mundo. P. 43
8. Da Silva, Vicente Ferreira – Lógica Simbólica. P. 44
9. Lewis, C. S. – A Abolição do Homem. P. 61
10. Dos Santos, M. F. – Filosofia e Cosmovisão. P. 110
11. Da Silva, Vicente Ferreira – Dialética das Consciências. p. 27.
12. Kirk, R. – Civilization Withou Religion [Restoring Religious Insights], p.8; Tradução Cogo, R. M.
13. Goethe – Fausto. P. 72 versos 1608/1612
14. Da Silva, Vicente Ferreira – Dialética das Consciências. P 61
15. Ibidem. P. 56/57
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    Fonte:
    Associação Movimento Somar (Somar para vencer), disp. em:
    http://www.somarparavencer.com.br/index.php/2016/10/15/sobre-a-pseudocultura/
    Acesso 9/11/016

    www.ofielcatolico.com.br

    E não quiseste!


    Apelos de amor perdidos – Por Pe. Francisco Faus

    ANTES DE ENTRAR em Jerusalém, no primeiro dia da Semana Santa, Jesus, detendo-se na ladeira do monte das Oliveiras, contemplou o espetáculo da Cidade Santa brilhando ao sol do amanhecer. Uma golfada de dor invadiu-lhe a alma, e seus discípulos viram cintilar lágrimas sobre sua face: Contemplou Jerusalém – diz São Lucas – e chorou sobre ela (Lc 19, 41).

    Detenhamo-nos sobre essas lágrimas, pois elas nos falam. O Evangelho dá-nos todos os elementos para que possamos saber qual foi a sua causa e a sua significação. É certo que Jesus chorou naquela hora prevendo a destruição de Jerusalém, que no ano 70 seria arrasada pelas milícias romanas de Tito; mas não foi essa destruição – virão sobre ti dias em que os teus inimigos [...] te destruirão a ti e aos teus filhos (Lc 19, 43-44) – a razão principal das lágrimas de Jesus.

    É também verdade que Cristo sentiu uma dor profunda pela dureza de coração dos habitantes da Cidade Santa, que o haviam rejeitado e, naquela mesma semana, o arrastariam para a Cruz: Jerusalém, Jerusalém – dirá dois dias depois, no Templo –, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados (Mt 23, 37). Contudo, quem lê atentamente o Evangelho vê que também não foi esta a principal causa da sua comoção. No monte das Oliveiras, olhando para a cidade, Cristo iniciou um pranto que completaria na terça-feira no Templo.

    Revelou em ambos os momentos a sua dor, pronunciando palavras explícitas. No domingo, ao mesmo tempo que prorrompia em lágrimas, exclamou: Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isto está oculto aos teus olhos (Lc 19, 42). Na terça-feira, acrescentou: Jerusalém, Jerusalém [...], quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a tua casa ficará vazia (Mt 23, 37-38).

    Guardemos bem, do conjunto dessas palavras, três expressões: Se conhecesses o que te pode trazer a paz, quantas vezes eu quis [...], e tu não quiseste, e a tua casa ficará vazia; porque nelas se revela a razão dessas lágrimas de Cristo. Por elas compreendemos que Cristo estalou de dor em Jerusalém porque previa antecipadamente outra dor, outra tristeza enorme para a qual muitos homens e mulheres se encaminhavam e se encaminham também hoje cegamente: ...isso está oculto aos teus olhos. Jesus sentia doerem-lhe na alma todos aqueles que, iludindo-se a si mesmos, julgam que só poderão alcançar a felicidade defendendo-se de Deus, isto é, esquivando-se à carga amável dos mandamentos de Deus e da sua graça; todos aqueles que se enganam imaginando que é possível realizarem-se à margem de Deus e contrariando os seus planos. É bem provável que só venham a abrir os olhos quando se lhes tornar evidente, com tristeza amarga, que “a sua casa ficou vazia”.

    Não há dúvida de que havia muitos com este coração mesquinho em Jerusalém. As páginas do Evangelho apresentam um retrato especialmente vivo dos escribas e fariseus hipócritas (cfr. Mt 23, 13) – e a turba dos seus sequazes –, que se iam opondo num crescendo cada vez mais virulento à pessoa e à doutrina de Cristo, porque chamava à conversão, à autêntica pureza de vida. Tinham começado com insinuações difamatórias – mostrando-se escandalizados porque Jesus comia com os pecadores (cfr. Mt 8, 11) –, prosseguiram discutindo-lhe a doutrina e armando-lhe ciladas com perguntas insidiosas (cfr. Mc 2, 7; Lc 20, 21-22), e terminaram declarando insuportável o seu ensinamento (Jo 6, 60) e proclamando a necessidade de eliminá-lo sumariamente pelo bem do povo (Jo 11, 50).

    Que acontecia, na realidade? Que a amorosa doutrina de Jesus, com as suas divinas exigências, lhes perturbava o egoísmo aureolado de religiosidade, a ambição encoberta por aparências de zelo pelas coisas de Deus. A esses “honestos” avarentos, cobiçosos, orgulhosos e sensuais, Cristo desmontava-lhes o disfarce de honradez com a sua mensagem de sinceridade, pureza, humildade, desprendimento e doação, que era para eles uma bofetada. Dura é essa doutrina – acabarão por bradar –, quem pode suportá-la? (Jo 6, 60).

    E os principais de Jerusalém, irritados com o povo mais simples, que se deixara cativar pelos milagres e pela pregação de Jesus, tentarão desmoralizá-lo, dizendo: Há acaso alguém entre as autoridades ou dos fariseus que acredite nele? Esse povoléu que não conhece a Lei é amaldiçoado... (Jo 7, 48).


    'Defender-se' de Deus

    À primeira vista, parece incrível, mas é uma grande verdade que muitos homens – agora como então – procuram "defender-se" do amor de Deus como de um inimigo. Talvez aceitem teoricamente que só no amor puro, que vem de Deus e leva a Deus, se encontram as promessas da plena felicidade. Mas não “acreditam” nisso. Na vida real, procuram a felicidade apenas no prazer egoísta e na auto-exaltação. É uma incoerência, mas é uma realidade. Enganam-se de forma mais ou menos consciente e, por receio de se complicarem com a grandeza dos ideais de Cristo, encerram-se numa cegueira voluntária. Assim, querendo proteger-se contra os sacrifícios que o Ideal comporta, atiram-se à estrada do egoísmo – que parece bem mais garantida – e perdem o caminho do amor, o único capaz de orientar os seus passos para a alegria e para a paz (cfr. Lc 1, 79). Muito bem disse deles Cristo: O que te pode trazer a paz [...] está oculto aos teus olhos (Lc 19, 42).

    É uma pena que esses pobres homens fiquem eletrizados pelo seu próprio “eu”, do qual Deus acaba por ser um “rival”. O norte magnético, que neles polariza tudo, é constituído pelo que alguém resumia nos “três esses”: sossego, satisfação, sucesso. Aí estaria o único segredo da felicidade, a chave da alegria! Nesse clima interior de egoísmo glorificado, quando se lhes cruza Cristo pelo caminho da vida, quando deles se aproxima e lhes fala de ideais divinos, de sacrifício alegre, de humildade amorosa, de serviço aos outros..., sentem um arrepio percorrer-lhes a espinha. Apavorados com a perspectiva de perder a vida fácil, bradam: Não! E é por isso que Cristo chora: Não quiseste, não quiseste abrir-te confiadamente Àquele que te podia trazer a paz. Como conseqüência desse fechamento, virão inevitavelmente os frutos dolorosos do egoísmo, que tarde ou cedo acabam por aparecer e estiolam a alma: Eis que a tua casa ficará vazia.


    'Luz do Mundo', William Holman Hunt (1853–1854)

    Portas previamente fechadas

    Meditemos um pouco mais sobre as possíveis formas desse “não querer” e sobre as suas consequências. Num grau extremo, a recusa consiste em fechar deliberadamente os olhos da alma antes de que Cristo tenha chegado sequer perto da porta. É o caso das pessoas sem formação religiosa alguma, mas que de antemão “não querem saber”. Entre elas e Deus levantaram – sem dar a Deus a menor oportunidade – um muro, fabricado com as pedras da ignorância e da má vontade, unidas pelo cimento do preconceito.

    Os pilares que seguram esse muro são os sete pecados em que o egoísmo se subdivide: a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula, a inveja e a preguiça. Não se pode passar por alto o fato, por demais comprovado, de que todos aqueles que repelem a religião ou dela se querem livrar – com as dez mil razões que a sem-razão inventa –, na realidade se estão deixando encarcerar pelo muro defensivo que eles próprios levantaram entre a sua alma e Deus: o muro dos sete pecados capitais, que acabamos de mencionar.

    Nesses vícios, que são o ácido corrosivo do amor – e o manancial turvo de todos os pecados dos homens –, colocam absurdamente a esperança de uma vida mais plena e livre, quando são esses vícios os que os escravizam e terminam por asfixiá-los. Depois, quando o erro fica patente, não adianta exclamar com ingenuidade hipócrita: “Eu não sabia” até que extremo estava errado. Este é o recurso fácil dos que, defendendo embora ciosamente o egoísmo, querem desculpar-se quando começam a perceber – pelo vazio e pela tristeza que os invade – que se enganaram. Dizem: “Eu não sabia”, e Cristo retruca-lhes: Tu não quiseste.

    Naturalmente, têm que calar-se: é certo que não sabem, mas é mais certo ainda que a sua ignorância culpável procede de que antes “não quiseram” saber nem aceitar. Não é que não tivessem oportunidades – Quantas vezes eu quis, repete-lhes o Senhor –; a graça de Deus não lhes faltou. Umas vezes, chegou-lhes por meio de uma intranqüilidade de consciência que os remordia; outras, pela oportunidade de ler algum texto de formação cristã; outras ainda, pela ajuda rejeitada de um amigo sincero... Mas preferiram não saber, para que Deus e as suas exigências – as divinas complicações! – não os perturbassem.


    O 'sim' que esconde um 'não'

    Essas almas de “recusas prévias” enquadram-se nos que chamávamos “casos extremos”. Vejamos agora um segundo tipo de recusa, talvez mais próximo de nós. Trata-se dos que aceitam Cristo, até mesmo com entusiasmo, e lhe dizem um sim que parece pronunciado de todo o coração. Acontece, porém, que no bojo desse sim viaja, agarrado a ele com unhas e dentes, um não.

    Isso faz com que o “sim” se torne condicionado e parcial e que, na hora da verdade, acabe por transformar-se num “não” melancólico, talvez mais vazio e triste que a recusa peremptória dos “casos extremos”. Houve uma vez em que Cristo escutou um desses “sim” entusiásticos, pronunciado por um coração jovem. Mas, quando foi penetrar no âmago desse assentimento, viu emergir dele um “não” desolador. O Evangelho narra o caso com luxo de detalhes.

    Cristo tinha saído de casa – onde acabava de abençoar um enxame de crianças – e pusera-se a caminho. Poucos passos havia dado, quando um jovem veio correndo e, de forma espalhafatosa, lhe caiu de joelhos na frente, obrigando-o a parar. Os olhos do rapaz ardiam com a chama do fervor, o coração batia-lhe forte: Bom Mestre – disse a Jesus –, que devo fazer para alcançar a vida eterna? Desde logo percebemos uma coisa: esse jovem era completamente diferente dos que considerávamos há um instante, dos que não querem saber.

    Ele “queria saber” mesmo. Jesus dá à pergunta formulada a resposta mais simples: – Queres entrar na vida eterna? Cumpre os mandamentos. Mas o jovem queria saber mais, queria ter noções tão claras que não admitissem dúvidas, e por isso ampliou a pergunta: Quais?, quais mandamentos? – Não matarás – lembra-lhe o Senhor –, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    O diálogo vai-se tornando empolgante, porque o moço, cada vez mais eufórico, responde depressa: Tudo isso tenho observado desde a minha infância. Que me falta ainda? Poderá alguém duvidar de que esse rapaz não fosse dos que procuram ardentemente os caminhos de Deus, dos que querem conhecê-los sinceramente, dos que querem saber a fundo? Havia nas suas palavras e no seu gesto tal expressão de generosidade, que Cristo ficou comovido: Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe... Assim fala o Evangelho, deixando entrever as grandes expectativas que o Senhor depositou naquela alma que podia dar muito, pois até então tinha caminhado pelos rumos de Deus. Podia dar tudo. Por isso, Cristo disse-lhe: Uma só coisa te falta; vai e vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me.

    Naquele instante, Deus estava passando muito perto do coração do jovem. Um miligrama mais de generosidade, e ele entraria a fazer parte da turma jubilosa dos Apóstolos de Cristo. Mas a história, que começara tão bem, dá a partir desse momento uma reviravolta sombria: Ouvindo essas palavras, o jovem foi-se embora muito triste, porque possuía muitos bens (cfr. Mt 19, 16-22 e Mc 10, 17-22) E assim, sumindo-se na nuvem cinzenta da tristeza, a figura desse rapaz promissor desaparece das páginas do Evangelho e apaga-se, sem nunca mais voltar a ser mencionado na história de Jesus, que poderia ter sido também a sua feliz aventura. Foi-se embora triste, profundamente entristecido. Não percebemos que também neste caso Jesus viu aquilo que lhe fez brotar lágrimas perto de Jerusalém: e não quiseste? O jovem inicialmente quis..., sim, quis quase tudo aquele moço de ar generoso, mas houve um ponto em que o “sim” se lhe derreteu num “não”. Foi quando o chamado do amor tocou no seu dinheiro. Ah, não, isso não! E bastou um “isso não” para deixar-lhe a “casa vazia”.


    Razões das nossas tristezas

    É bem possível que muitos cristãos bons, bem dispostos e até idealistas, possam reconhecerse, como num espelho, na cena do jovem rico; e que – depois de se verem nela refletidos – fiquem em melhores condições de descobrir por que andam tristes, por que se sentem frustrados, por que, apesar dos seus ideais e esforços espirituais, se encontram encalhados e não só não avançam, como parecem recuar com o correr dos anos. A resposta a esses porquês é simples: Cristo disse-lhes também: Ainda te falta uma coisa; mas eles, lá no fundo de si mesmos, retrucaram: “Isso não!”

    Contava o Bem-aventurado Josemaría Escrivá que conhecera um menino a quem a mãe ensinara, desde pequeno, a rezar de manhã e à noite. Ao acordar, recitava juntamente com ela o ato de consagração a Nossa Senhora: “Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia meus olhos, meus ouvidos, minha boca...” Não terminava, porém, a enumeração, porque – como quem quer prevenir equívocos – intercalava com veemência: “menos o meu coelhinho”. Tudo estava ele disposto a oferecer a Nossa Senhora..., menos o seu coelhinho. Mons. Escrivá, ao narrar esse episódio, dizia aos que tínhamos a fortuna de ouvi-lo que pensássemos também se não teríamos o nosso “coelhinho”.

    Será que não temos mesmo? Seja qual for a nossa idade – ainda que já estejamos descendo a última ladeira da vida –, o “coelhinho” é todo e qualquer “menos isto” que nós opomos a Deus, ou seja, toda e qualquer reserva ou condição intocável. Para o jovem rico, o problema residia nas riquezas. Para nós, onde está? Qual é a nossa ressalva, o nosso “menos isto”? Uns colocam o rótulo de intocável no seu comodismo burguês: vida cristã, sim, mas sem falar muito em sacrifícios nem renúncias. Outros desconversam quando Deus, de algum modo, lhes pede que vivam bem a castidade: parecem-se com o governador romano Félix, que gostava de ouvir São Paulo, prisioneiro em Cesaréia, até o dia em que o Apóstolo começou a falar-lhe sobre a castidade e o juízo futuro. Félix, então, todo atemorizado, disse-lhe: Por ora podes retirar-te; mandar-te-ei chamar em outra ocasião (At 24, 25). Há outros que têm o seu “menos isto” no filho que Deus lhes pede – mais um filho! – e que eles não querem aceitar; outros fecham os ouvidos à sua própria consciência, quando lhes diz que a honestidade nos negócios está acima da ganância; outros ainda querem ser bons cristãos, mas sem combater os defeitos que mais os dominam e lhes estão deteriorando o convívio familiar, prejudicando o trabalho ou congelando o crescimento espiritual: tudo menos renunciar à prepotência, ao comodismo, à inconstância, à crítica, ao excesso nos “aperitivos”, à desordem nos horários, etc. E, dentro deste triste campo das recusas, é amargamente penoso – deploravelmente melancólico – o caso dos que chegam à beira de uma entrega total, para a qual Deus os escolheu desde toda a eternidade; dos que enxergam uma vocação divina que com a sua claridade os deslumbra e, na hora decisiva, se encolhem por medo e se “retiram tristes”, escondendo-se sob o manto cinzento do egoísmo, como o jovem rico.

    Seja qual for o caso, existe em todos um denominador comum: o “não querer”, que fez chorar Cristo em Jerusalém, e que acaba por fazer chorar muito amargamente os que o pronunciam. Afinal, Cristo chorou com as lágrimas do amor, e esses choram com as lágrimas da traição: traíram, com efeito, o plano que Deus preparara para eles. Importa gravar bem estes ensinamentos do Evangelho. Ver claramente que não é só a rejeição radical de Deus que leva a vida ao malogro; é também a rejeição do plano de Deus a nosso respeito, ou de algum aspecto importante do mesmo. Cada ser humano veio ao mundo para ser o protagonista de um programa divino. Deus não nos lançou à toa na vida, mas tem um projeto para cada um de nós, que nos vai dando a conhecer – de muitos modos – com a sua graça. Depende da nossa liberdade aceitá-lo, dizendo “sim” a cada apelo divino, ou recusá-lo. Se o aceitarmos, encontrar-nos-emos a nós mesmos, porque acharemos a plenitude da nossa realização. Se o recusarmos, afundar-nos-emos na frustração: “ficaremos vazios”, seremos como uma planta estéril que “podia” ter dado muito fruto, mas, porque “não quis”, secou.

    Comentando este árido vazio de uma vida frustrada, escreve poeticamente Saint-Éxupéry que, num oásis do deserto africano, “junto da fonte, uma mocinha chorava, com a fronte oculta no cotovelo. Pousei-lhe docemente a mão nos cabelos e virei para mim aquele rosto. Não lhe perguntei a causa do desgosto, por saber perfeitamente que ela estava muito longe de o conhecer. A mágoa é sempre feita do tempo que corre e não formou o seu fruto” . Quem chora – muitas vezes sem saber por quê –, pense que, se as suas lágrimas não brotam da fonte do amor ou da alegria, quase com certeza estão rolando porque – como dizia Cristo aos fariseus – frustrou o desígnio de Deus a seu respeito (cfr. Lc 7, 30).

    Convença-se então de que há uma razão para esse vazio, um segredo revelado pelas lágrimas que Cristo derramou, na ladeira do monte das Oliveiras, quando avistou os brilhos da cidade de Jerusalém no domingo de Ramos: Eu quis [...], e tu não quiseste! Eis que a tua casa ficará vazia.
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    Um fenômeno contínuo: muitos (cada vez mais) pastores protestantes convertem-se à Igreja Católica

    O QUE ACONTECERIA se um protestante honesto, sedento pela Verdade – que segundo a nossa fé é o próprio Cristo – fosse estudar as raízes da Igreja Católica e a sua origem na era apostólica e nos primeiros séculos? Em todo o mundo, com destaque especial para os Estados Unidos, berço do protestantismo da era moderna e contemporânea, um fenômeno intrigante vem acontecendo: uma série de reconhecidos pastores e eruditos dos meios protestantes têm vindo ou retornado ao seio da Igreja Católica.

    Como não poderia deixar de ser, a vinda dos pastores arrebata também um considerável número de outros fiéis, antes "evangélicos", e, mais do que isso, outrora anti-católicos. Eles professam seus testemunhos, em abundantes publicações e na internet. Segundo a pesquisadora Janaina Quintal, o ponto em comum entre os convertidos é que todos eles declaram que foram “surpreendidos com a Verdade” ao estudarem a fundo o Cristianismo primitivo e os escritos dos Pais da Igreja. A pesquisadora parece ter total razão, já que este que vos fala, Henrique Sebastião, também se inclui neste mesmo rol. Já fui protestante, já odiei a Igreja Católica, já fui ludibriado pelas interpretações particulares que pastores muito bons de lábia fazem das Sagradas Escrituras.

    É verdade também que, no pontificado de Francisco, a distância entre a Igreja Católica e as comunidades protestantes –, ao menos as que não radicais –, tem diminuído. Durante a Jornada Mundial da Juventude, o pontífice provocou polêmica ao rezar com um pastor e fiéis da "Assembleia de Deus" um Pai-Nosso, quando visitava a comunidade de Manguinhos (foi o líder protestante quem quis esperar o Papa em frente ao seu estabelecimento para convidá-lo à oração). Muitos criticaram o gesto, outros ficaram indignados, outros ainda questionaram se foi conveniente. Mas parece que tais ações têm gerado bons frutos.



    Da JMJ despontou a comovente história da conversão do carioca Eduardo da Silva à fé católica, que aconteceu 135 dias após o jovem ter impactado o mundo ao aparecer na TV segurando um surpreendente cartaz de acolhida ao Papa, que dizia em letras garrafais: “SANTO PADRE, SOU EVANGÉLICO, MAS EU TE AMO!! ORE POR MIM E PELO BRASIL! TUS ÉS PEDRO…”.

    Recentemente, o mesmo Papa Francisco gravou uma mensagem simpática dirigida a lideranças protestantes que se reuniriam nos Estados Unidos. Como fruto quase que imediato, direto e gritante desta aproximação benévola, o pastor Ulf Ekman, fundador da mais influente igreja protestante da Suécia, anunciou, durante uma conferência dominical em seu templo, que se convertera à fé católica (saiba mais)!


    Ulf Ekman, ex-pastor sueco

    Janaina Quintal elaborou, para o "Universo Católico", uma  resumida lista com o breve perfil de oito ex-pastores que abraçaram a comunhão com a Igreja Católica. Já o noticioso "O Ancoradouro" acrescentou a esta lista algumas notas importantes, as quais usaremos na relação abaixo:


    1. Scott Hann. ex-pastor presbiteriano e ex-professor de teologia protestante

    Scott Hahn
    Este é, possivelmente, o caso mais conhecido e mais divulgado em veículos católicos, especialmente por este ex-pastor ter se torando um importante apologista católico e por ter escrito alguns dos mais didáticos livros sobre a dicotomia Catolicismo X protestantismo, com destaque para "O Banquete do Cordeiro" e "Todos os caminhos levam à Roma", este último um belíssimo relato pormenorizado da história de sua conversão (e da esposa Kimberly) à Igreja Católica.

    Era um anti-católico radical. Foram justamente seus excelentes conhecimentos das Sagradas Escrituras (ele é considerado um dos principais biblistas do mundo, hoje) que o levaram a investigar a Igreja Católica livre dos preconceitos a que fora condicionado desde a infância. Seu testemunho público de conversão tornou este professor e sincero servo de Deus um grande defensor da Verdade. Milhares de protestantes e muitos pastores ao redor do mundo voltaram ao Catolicismo por meio do seu testemunho. Já falamos sobre ele e sua obra por aqui (leia). Assista aqui um vídeo em que o próprio relata aspectos desta conversão.


    2. Paul Thigpen, ex-pastor, missionário, editor e autor de várias publicações protestantes

    Ex-pastor Paul Thigpen
    Foi educado em uma Igreja presbiteriana do sul. A exemplo da maioria dos protestantes, migrou entre denominações, insatisfeito com a interpretação particular das Escrituras que encontrava em cada uma delas. Como presbiteriano, foi pastor e missionário na Europa, depois passou para a igreja batista, depois a metodista, depois a anglicana e depois para uma igreja pentecostal. Finalmente, a conclusão dos estudos mais aprofundados que realizou sobre Bíblia e História da Igreja –, na obtenção do seu doutorado em História da Teologia –, facilitou o seu caminho para aquela que ele finalmente reconheceu, de forma definitiva, como a verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica.


    3. Marcus Grodi, ex-ministro protestante especialista em Teologia e Bíblia

    Ex-pastor Marcus Grodi
    Concluiu seus estudos acadêmicos de Teologia no seminário protestante Gordon-Conwell, em Boston, Massachussetts. Declara repetidamente: “Eu só quis ser um bom pastor”. Um dia, perguntou-se a si mesmo: “Eu estou ensinando verdade ou erro? Como eu posso estar seguro se, em outras igrejas, a mesma leitura bíblica tem várias interpretações diferentes?”. Pois é, ele descobriu por conta própria aquilo que vivemos dizendo por aqui... Quando há honestidade e uma busca sincera por Deus, a conversão acontece.

    Por meio dos seus estudos da História da Igreja, Marcus soube afinal compreender a Bíblia, e assim entendeu que não poderia continuar protestante. Concluiu que a Verdade absoluta só se encontrava na Igreja Católica. Publicamos alguns artigos dele e sobre ele por aqui, que podem ser lidos acessando-se os links abaixo:




    4. Steve Wood, ex-pastor e ex-diretor do Instituto Bíblico da Flórida

    Ex-pastor Steve Wood
    Era pastor da igreja denominada “O Calvário”. Estudou em um instituto das igrejas "Assembleias de Deus", trabalhando em projetos de "evangelismo" juvenil; era líder de ministérios na prisão; organizou um instituto de estudos bíblicos para adultos e depois concluiu a pós-graduação no célebre seminário "evangélico" de Teologia Gordon-Conwell, em Massachusetts.

    Testemunha Wood que, um dia, enquanto orava, Deus lhe falou: “Agora ou nunca”, e entendeu perfeitamente que o Chamado era para que procurasse a Igreja Católica. Com a sua conversão ao catolicismo, perdeu tudo: o trabalho como pastor, uma carreira sólida, o prestígio social, o meio de sustento da família... “Eu tinha estudado 20 anos para ser um ministro protestante e Deus me falou: 'Faça, agora!'… E eu fiz isso”, testemunha em seus depoimentos.


    5. Bop Sungenis, ex-pastor e professor de Bíblia em uma rádio 'evangélica'

    Ex-pastor Bop Sungenis
    Escreveu um livro contra a Igreja católica intitulado: “Recompensas no Céu?” Onde criticou os católicos por acreditar na importância das boas obras. A exemplo de Lutero, que chegou a adulterar a Bíblia com essa mesma intenção, Sungenis buscava demonstrar que os ensinamentos da Igreja Católica eram falsos e que, para salvar-se, bastaria somente a fé. Estudou no “Biblical Collegge" de Washington e especializou-se na “George Washington University”.

    Bop diz: "Agora, como católico, eu tenho a paz. Isso vem como consolação de viver na Verdade. Agora eu entrei no exército de Cristo nesta grande batalha para a salvação das almas. Ajudarei meus irmãos protestantes a aprender que a Igreja Católica não só é a verdadeira Igreja, mas a Casa à qual todos nós pertencemos".


    6. Douglas Bogart, ex-missionário 'evangélico' na Guatemala

    Ex-pastor Douglas Bogart
    "Meu sonho era ser missionário em minha Igreja evangélica de Phoenix. Porém, com o tempo, sem perceber, Deus estava me guiando para a sua Igreja", diz Douglas em seu depoimento e, com muita tranquilidade, afirma: “Eu li muitos livros de Teologia, de História, e testemunhos”. Estudei o Catecismo da Igreja Católica comparando-o com a Bíblia. Eu li os primeiros escritos dos Pais da Igreja e descobri que a Igreja primitiva era católica e não protestante. Terminei por aceitar a verdade e agora eu sou Católico!".


    7. David B. Currie. Ex-ministro evangélico chamado por muitos 'O Mestre em Divindade'

    Ex-pastor David Currie
    Ele nasceu e cresceu como um protestante fundamentalista. Seu pai era pastor. David fez o curso de Teologia no "International Trinity University" em Deerfield, Illinois. Depois obteve seu “Mestrado em Teologia Bíblica” no "Trinity School of Evangelical Divinity".

    O que o levou a ser católico? Sua resposta se baseia em duas coisas: o estudo da Bíblia o fez descobrir que a Palavra de Deus o guiava para o catolicismo; o segundo é que a mesma Bíblia mostrou para ele que a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Cristo.


    8. Alan Stephen Hopes, ex- Pastor e Bispo Anglicano nomeado por João Paulo II

    Ex-pastor Alan Hopes
    Não. A imagem ao lado não está errada. É mesmo a fotografia do ex-pastor anglicano convertido ao catolicismo, que foi nomeado bispo auxiliar de Westminster por João Paulo II.

    Hopes nasceu em Oxford, em 1944. Foi recebido na Igreja Católica em 4 de dezembro de 1995. Após dois anos como vigário da paróquia de Nossa Senhora da Vitória, de Kensington, foi nomeado padre da paróquia de Nosso Redentor, em Chelsea, tornando-se depois, em 2001, vigário geral da Arquidiocese.

    Monsenhor Hopes é um dos muitos ex-pastores anglicanos que abandonaram a Igreja da Inglaterra depois que esta aprovou a ordenação sacerdotal de mulheres, por sua evidente contradição com os Evangelhos e a história da Igreja.


    * * *

    Esta relação é, claro, apenas uma amostra muitíssimo incompleta, deixando inclusive casos bastane impactantes de fora, como o do ex-pastor Alex Jones, que não só se converteu católico como também levou a sua igreja com ele (leia sobre este caso aqui). Também não menciona o apologista David Anders, que faz um belo trabalho no portal católico "Called to Communion" (leia sobre ele aqui) ou o brilhante Steve Ray, que passou de apologista protestante para um dos mais profícuos autores católicos e autor do belíssimo portal Defender of the Catholic Faith (veja uma de suas ótimas pregações neste vídeo legendado).

    A lista apresentada neste artigo está focada em alguns casos mais conhecidos e ocorridos nos EUA, por serem emblemáticos, já que se trata do maior país protestante do mundo, hoje, e, como dissemos no início, verdadeiro berço do protestantismo. Poderíamos, entretanto, citar muitíssimos outros casos que vêm ocorrendo em outras partes do mundo, como o do casal de ex-pastores pentecostais porto riquenhos Fernando e Lissette Casanova e o do ex-pastor mexicano Luis Miguel Boullón. Também no Brasil há numerosos casos, como o de Sideneh Veiga, Paulo Leitão, Adenilton Turquete e muitos, muitos outros. Todos eles são agora católicos e, afinal, verdadeiros cristãos, que encontraram a vida nova em Cristo na Comunhão com seu Corpo e Sangue, que só existe na única Igreja fundada por Ele mesmo: a Católica, Apostólica e, atualmente, Romana.

    Encerramos com um trecho do honesto testemunho de conversão do ex-pastor Turquete, que se converteu após 20 anos como "evangélico":

    ...Não é segredo para ninguém que a expansão do protestantismo no Brasil, especialmente o ramo pentecostal, se deu por conta de uma visão anti-católica que, (falsamente) baseada em textos bíblicos, proclamava a verdadeira salvação por meio apenas de igrejas pertencentes a este seguimento. Igreja Católica era sinônimo de idolatria e o Papa, o próprio Anti-cristo.

    Passei a ver o catolicismo como uma religião idólatra e anti-bíblica. Por anos tive esta visão e convicção.

    No auge da rede social Orkut, entrei em uma comunidade de debates entre católicos e evangélicos. A comunidade 'Debate Católicos e Evangélicos' congregava um número interessante tanto católicos quanto evangélicos, e ali tínhamos debates teológicos de grandeza magistral, mas também exemplos extremistas de fundamentalismo religioso, de ambas as partes.

    Logo em minha primeira participação na comunidade entrei em um tópico que debatia algo sobre as Escrituras. Naquele dia eu levei a maior surra de interpretação bíblica, apanhei até cansar de um católico chamado Paulo, mais conhecido como 'Confrade'. Eu não tinha argumentos, mesmo sendo um leitor ativo da Bíblia, me considerando apto a debater as Escrituras, eu fui calado pela sabedoria e conhecimento daquele rapaz. Derrotado, pedi perdão pelo equívoco...

    Passei e estudar com mais afinco o catolicismo, seus costumes, o Magistério, a Tradição, os dogmas, especialmente os ligados a Maria, mãe do Mestre.

    O efeito disso foi a anulação do sentimento anti-catolicismo adquirido e o início de uma fase de fraternidade e aprendizado

    No entanto foram necessários alguns anos para que eu entendesse que deveria regressar à Igreja Mãe. Foram necessárias várias decepções e muitas frustrações, para poder abrir o meu coração e conceber que meu lugar é na Igreja Católica.

    Os próprios "evangélicos" já perceberam que não é mais possível ignorar o fenômeno de conversão de pastores à Igreja Católica. Tentam explicar. De outro lado, alguns veem nesta "enxurrada" de conversões um sinal do fim dos tempos, já que sabemos que, no final, os que pertencerem ao Rebanho serão chamados, e o joio se separará do trigo.

    O fato inegável é que, nestes tempos insanos em que vivemos, vai-se tornando cada vez mais difícil permanecer neutro. Chega o tempo em que não se poderá mais fingir ser amigo de Cristo e do mundo, acendendo, como diz um antigo ditado, "uma vela para Deus e outra para o Diabo". Católico morno, decida-se para não ser vomitado do Corpo de Cristo (Ap 3,16). Desça de cima do muro, porque, na realidade, o muro não é neutro, mas pertence ao Inferno. Duc in altum! Sim, os tempos são duros, quando nem aqueles que deveriam zelar pela ortodoxia da fé, seduzidos pelas honras e confortos do mundo, parecem capazes ou dispostos a fazê-lo,  São tempos de decisão, e por certo viveremos ainda tempos piores, em que precisaremos de muita coragem para confessar o santo Nome do Senhor.
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    DEZ/2016 | Símbolos satânicos junto ao presépio: população é obrigada a aceitar em nome da 'tolerância' e do 'respeito'

    Por Luis Santamaría

    Nota do tradutor: Nada além do (tristemente) esperado. O Profeta vaticinou que a abominação se postaria no Templo santo (Dn XI, 31 e XII, 11), o que foi corroborado por Cristo (Mt XXIV, 15). É natural que tudo comece “fora das portas”, com a aprovação da "igualdade" e "liberdade" religiosas. Uma vela pra Deus, outra pro cão, como diz o dito popular. E nós, a vestir nosso Menino-Deus com a carapuça de papai noel. Quanto nos resta?



    UMA VEZ MAIS, a provocação dos movimentos laicistas dos EUA, que se sentem "ofendidos" com manifestações públicas da fé cristã. Quando se aproxima o Natal, nada melhor que colocar junto a um presépio… Símbolos satânicos(!). Como em muitas outras ocasiões, não é a reclamação de uma seita satânica, senão uma “raivinha” que defende de forma peculiar a liberdade religiosa… Contra uma religião específica.

        Ocorreu em Boca Raton, cidade ao norte de Miami (Flórida, EUA). Ali, a organização Freedom From Religion se responsabilizou pela colocação de um pentagrama invertido, símbolo do satanismo e magia negra, junto a um presépio que se exibe em um parque público, segundo informa a agência Efe.

        “Para testar os parâmetros do debate público sobre visões religiosas durante estas festas, pusemos um pentáculo[1] de madeira de 300 libras e cor vermelha com a foto de Baphomet (insígnia oficial da Igreja de Satã)”, assinalou em sua conta de Facebook o citado grupo.


    'Fora o presépio!'

    Freedom from Religion pretende assim pôr em evidência a “hipocrisia cristã e o preconceito teísta em lugares públicos financiados pelos contribuintes” e advogar pela separação entre Igreja e Estado.

        O diorama satânico de madeira, situado no meio do parque Sanborn Square, mostra um cartaz em que se leem frases como “In Satan we trust” ('Confiamos em Satã') e “Celebrate Winter Solstice” ('Celebro o solstício de inverno').

        O pentáculo invertido está situado entre uma árvore de Natal e um Nascimento, o que tem causado a indignação de muitos vizinhos, segundo atestou o canal CBS12.

        Em sua página de Facebook, a organização proclama: “Fora o presépio. Se tem que existir símbolos religiosos, também existirão os ateus e seculares”. Dado que os espaços públicos são zonas de livre expressão, não se prevê que as autoridades retirem este símbolo do satanismo.



    Um professor do instituto

    Repórteres da WSVN Canal 7 indicam que o professor John Preston Smith, de Boca High School, foi o responsável por colocar ali o objeto como símbolo de “Em Satanás confiamos, uma nação sob o anticristo”. Este professor também contou que não professa o satanismo, mas planeja restaurar a peça após sua destruição (já que foi atacada em 7 de dezembro passado, e ficou como se vê na fotografia superior, com os dizeres pichados). O docente está trabalhando com o Freedom From Religion Foundation e no futuro gostaria que todos os símbolos religiosos fossem abolidos.

        Tal como informa a agência Mundo Hispánico, o Departamento de Polícia de Boca Raton está investigando o "vandalismo" cometido, e a Freedom From Religion Foundation também oferece uma recompensa de 2 mil dólares(!) a qualquer pessoa que tenha informação sobre a agressão ao seu “monumento”. Na imagem mais acima pode-se já ver como ficou depois de sua restauração.

    * * *

        ** Nota OFC: independente de quaisquer razões ideológicas, políticas ou religiosas, não se pode, de modo algum, querer equiparar satanismo a cristianismo, por uma infinidade de razões bem óbvias. Como a profecia de Chesterton se cumpriu e hoje já temos que produzir tratados para provar ao mundo que a grama é verde, enumeraremos algumas dessas razões puramente lógicas abaixo:

        1) Os Estados Unidos são um país cristão. De acordo com a Pesquisa Americana de Identificação Religiosa (PAIR/2008), em torno de 78% da população adulta daquele país se declara cristã. Maioria absoluta. Além disso, o segundo grupo religioso mais expressivo no país é o dos judeus. Já o US Census Bureau (9/3/011) apontou uma ínfima população de apenas 1,6% de ateus naquele país. Considere-se ainda, que nem todos deste pequeno grupo, ainda que ateus, sejam simpáticos ao satanismo ou favoráveis a que se profane a religião da maioria. Por certo, destes 1,6%, apenas uma pequeníssima parcela será a favor de tal arbitrariedade. Pois bem, aí estão os números e a fria estatística: em um país democrático, e mais do que isso, um país símbolo da democracia – que faz subentender um modelo sócio-político em que o povo exerce a soberania – não se pode jamais admitir a ideia de igualdade entre cristianismo e satanismo, nem que seja por questões numéricas e de se respeitar a vontade da esmagadora maioria;

        2) Os valores judaico-cristãos construíram a nossa civilização. Os EUA, no caso em questão, fundamentaram-se sempre sobre a base sólida da moral judaico-cristã, da qual nasceu a sua própria Constituição, sob a proteção de Deus. "In God We Trust" ('Em Deus nós confiamos') é o lema nacional dos Estados Unidos, designado por ato do Congresso. A estrofe final do belo hino norte-americano entoa, solene: "And this be our motto: 'In God is our trust'..." ('E este é o nosso lema: Em Deus está a nossa confiança...').

        E quanto ao satanismo? Afora os abundantes e pavorosos casos de sacrifícios humanos, especialmente de crianças, e abuso infantil praticados por membros de seitas satânicas, que contribuição deram àquele país ou ao mundo?

        3) Se os atos em questão são protestos secularistas, por que promover o satanismo? Ora, os símbolos satânicos, do ponto de vista daqueles que não têm fé, tem necessariamente que ser vistos como, no mínimo, tão ofensivos quanto os símbolos cristãos. Evidentemente muito mais ofensivos, ao menos pelos motivos que acabamos de expor no item anterior! Quando se diz: 'Se tem que existir símbolos religiosos, também existirão os ateus e seculares' comete-se um grave atentado contra a razão mais elementar, já que os símbolos satânicos de fato não representam o ateísmo ou o secularismo.


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    1. N do r: Utilizamos 'pentáculo' e não 'pentagrama' porque este último termo é polissêmico, utilizando-se mais em espanhol para referir-se ao traçado que serve de suporte à partitura musical.
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    Fonte: 'Colocan símbolos satánicos junto a un belén en Florida', Infocatolica, disp. em:
    http://infocatolica.com/blog/infories.php/1612151241-colocan-simbolos-satanicos-ju
    Acesso 16/12/016

    www.ofielcatolico.com.br

    Sangue de São Januário (San Gennaro) não se liquefez: sacerdote pede ao povo que mantenha a calma


    SEGUNDO INFORMAÇÕES do noticioso italiano La Stampa, o sangue de San Gennaro, guardado em uma ampola num relicário da Capela dos Tesouros, Catedral de Nápoles, este ano (2016) não se liquefez na data esperada. Em outas palavras, não se repetiu o milagre como sempre acontece no dia 16 de dezembro, data em que se recorda a erupção do Vesúvio no ano 1631, quando a intercessão do santo impediu que as lavas do vulcão entrassem na cidade. A população local (e não só local) encontra-se alarmada, pois a ausência do milagre pode indicar um sinal da ira divina. Para quem não conhece a história do santo e do milagre, publicamos abaixo um resumo.

    São Januário (San Gennaro) nasceu em Nápoles, no ano 270. Não se tem muita informação histórica sobre os primeiros anos de sua vida, mas está documentado que no ano 302 foi ordenado sacerdote, e que por sua piedade e virtudes em pouco tempo foi elevado a Bispo de Benevento. Com sua grande caridade, zelo e solicitude pastorais, debelou de sua diocese o problema da indigência, socorrendo a todos os necessitados e aflitos do local.



    Quando, em 304, o imperador romano Diocleciano desencadeou em todo o Império cruel perseguição contra o cristianismo, obrigando os fiéis a oferecer sacrifícios às divindades pagãs, o santo teve muitas ocasiões de manifestar seu valor apostólico, socorrendo cristãos, não só nos limites de sua diocese, mas em todas as cidades circunvizinhas. Penetrava nos cárceres, estimulando seus irmãos na fé. Alcançou também, naquela ocasião, grande número de autênticas conversões.

    O êxito do seu apostolado não tardou a despertar atenção de Dracônio, governador da Campânia, que o mandou prender. Diante do tribunal, Januário foi reprovado pelo pró-consul Timóteo, que lhe apresentou a seguinte alternativa: "Ou ofereces incenso aos deuses ou renuncias à vida". — "Não posso imolar aos demônios, pois tenho a honra de sacrificar todos os dias ao verdadeiro Deus", respondeu com coragem e altivez o santo Prelado.

    Ordenou então o pró-cônsul que o Bispo fosse lançado numa fornalha ardente. Consta que Deus renovou, nesta ocasião, o favor oferecido aos três jovens israelitas, atirados também nas chamas, de quem nos fala o Antigo Testamento. Saiu São Januário ileso desta prova de fogo, para grande surpresa dos pagãos. O tirano romano, entretanto, atribuindo o prodígio às artes mágicas, ordenou que São Januário e mais seis outros cristãos fossem conduzidos a Puzzoles, onde seriam lançados às feras na arena.

    No dia marcado para o suplicio, o povo lotou o anfiteatro da cidade. No centro da arena. São Januário encorajava os companheiros: "Ânimo, irmãos, este é o dia do nosso triunfo, combatamos com valor nosso sangue por aquele Senhor a quem devemos a vida!".

    Foram libertados leões, tigres e leopardos famintos, que correram em direção às vítimas. Em lugar de despedaçá-las, porém, pareceram prostrar-se diante do Bispo de Benevento, e começaram a lamber-lhes os pés(!). Ouviu-se então um grande murmúrio no anfiteatro, que reconhecia não existir outro verdadeiro Deus senão o dos cristãos. Muitos pediram clemência. Todavia o pró-consul, cego de ódio, mandou decapitar todos aqueles cristãos, incluindo Januário. Foi executada a ordem na praça Vulcânia, no dia 19 de setembro de 305.

    Os corpos dos mártires foram conduzidos pelos fiéis às suas respectivas cidades. Segundo relatam as crônicas, uma piedosa mulher recolheu, em duas ampolas, o sangue que escorria do corpo de São Januário, quando este era transportado para Benavento.

    Os restos mortais do Bispo mártir foram transladados para sua cidade natal — Nápoles — em 432. No ano 820, voltaram para Benavento; em 1497 retornaram definitivamente para Nápoles, onde repousam até hoje, em majestosa Catedral gótica. Aí se realiza o chamado "milagre perpétuo" do sangue de São Januário, que há séculos se dá, sempre duas vezes por ano, no sábado que antecede o primeiro domingo de maio (que é o aniversário da primeira transladação) e a 19 de setembro, festa do martírio do santo.

    * * *

    As datas da liquefação do sangue de São Januário são sempre celebradas com grande pompa e esplendor. As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente. iniciam-se preces coletivas. Se o milagre tarda, os fiéis compenetram-se e se inqietam, crendo que a demora se deve aos seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo “Miserere".

    Quando o milagre ocorre, o Clero entoa solene Te Deum, a multidão prorrompe em vivas, os sinos repicam e toda a cidade se rejubila.

    Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, Isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.

    O sangue de São Januário está recolhido em duas ampolas de vidro, hermeticamente fechadas, protegido por duas lâminas de cristal. A ampola maior possui 60 cm cúbicos de volume; a menor tem capacidade de 25 cm cúbicos. Em geral, o sangue coagulado, endurecido, ocupa até a metade da ampola maior; na menor, encontra-se disperso em fragmentos.

    A liquefação do sangue produz-se espontaneamente, sob as mais variadas circunstâncias, independentemente da temperatura ou do movimento, o sangue passa do estado sólido ao fluido. A liquefação ocorre da periferia para o centro e vice-versa. Algumas vezes, o sangue liquefaz-se instantânea e inteiramente, ou, por vezes, permanece um denso coágulo em meio ao resto liquefeito. Alterar-se também o colorido, desde o vermelho mais escuro até o rubro mais vivo. Não poucas vezes surgem bolhas, e sangue fresco e espumante sobe rapidamente até o topo da ampola maior(!).

    Trata-se, verdadeiramente, de sangue humano, o que já foi comprovado por análises espectroscópicas. Há também algumas peculiaridades, que constituem como que "outros milagres" dentro do milagre de São Januário.

    • Da liquefação, há variação de volume: algumas vezes diminui e outras vezes aumenta até o dobro(!). 
    • Ainda mais impressionante, varia o sangue, também, quanto à massa e quanto ao peso(!). Em janeiro de 1991, o prof. G. Sperindeo, utilizando-se do necessário rigor técnico e aparelhos de alta precisão, encontrou variação de cerca de 25 gramas(!). Mais: constatou que o peso aumentava enquanto o volume diminuía(!). Tal acréscimo de peso contraria frontalmente o princípio da conservação da massa, uma lei fundamental da Física, e é absolutamente inexplicável, pois as ampolas encontram-se hermeticamente fechadas, sem possibilidade de receber acréscimo de substâncias do exterior.
    • A notícia escrita segura mais antiga do milagre consta de uma crônica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já perfazem mais de dez mil!


    Por meio da fé em Cristo, que a relíquia de São Januário confirma e fortalece, Nápoles tem sido protegida eficazmente, contra a peste ou as erupções do Vesúvio, distante da cidade apenas duas léguas e meia. Por ocasião de uma erupção em 1707, que ameaçava destruir Nápoles, o povo levou as ampolas em solene procissão até o sopé do vulcão; consta que, imediata e inexplicavelmente, a erupção cessou(!),

    Já em 1944, o Vesúvio expeliu lavas, cinzas, pedras e uma poeira arenosa que alcançou grandes alturas. Foi, de fato, sua última erupção. O vento levou essa poeira através do Mediterrâneo, a qual chegou a atingir a Grécia, a Turquia, a Espanha e o Marrocos, bem mais distantes. Nápoles, porém, o local mais próximo, permaneceu imune.

    * * *

    Voltando à notícia presente, quando o milagre da liquefação do sangue de São Januário não ocorre, isso está "sempre ligado a momentos nefastos da história da cidade", como guerras, epidemias e terremotos, como disse o La Stampa.

    Diante da situação, o abade da Capela dos Tesouros da Catedral de Nápoles, Mons. Vincenzo De Gregorio, exortou a “não pensar em calamidades ou desgraças. Somos homens de fé e devemos seguir rezando...”.




    Em 21 de março de 2015, enquanto o Papa Francisco dava alguns conselhos aos religiosos, sacerdotes e seminaristas de Nápoles, também ocorreu o milagre de São Januário e o sangue se liquefez, porém, de modo apenas parcial. À ocasião, irreverente como sempre, comentou o Pontífice: "...Metade do sangue se dissolveu: vê-se que o santo me quer bem pela metade...". Certos comentaristas católicos de cunho mais tradicional disseram que o sangue havia se liquefeito pela metade porque o atual Papa era excelente na promoção da caridade, o que representaria a metade do sentido cristão, relaxando na parte doutrinal. Em todo caso, a bem da verdade, o fenômeno da liquefação não ocorreu quando os Papas Bento XVI e João Paulo II visitaram Nápoles, em 2007 e 1979, respetivamente.

    Antes dessa ocasião, a última vez em que o milagre havia ocorrido com um Pontífice tinha sido em 1848, com Pio IX (e por inteiro, pelo que se documenta), quando o chefe da Igreja Católica se viu obrigado a fugir de Roma e se refugiar naquela cidade, fato este que, como sinal divino, muito marcou os fiéis católicos da época. O corpo do Venerável Pio IX, foi encontrado incorrupto 122 anos após o seu falecimento.

    É tempo de criar coragem, respirar fundo, cingir os rins, rezar muito e fazer penitência, fiéis católicos, assim como nos recorda a revelação de Fátima, prestes a completar 100 anos. Convertamo-nos e imploremos a Deus misericórdia, por nós e pelo mundo inteiro. São Januário, rogai por nós a Deus!


    Vídeo: o Milagre do sengue de San Gennaro

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    Fontes:
    • ACI Digital, disp. em:
      www.acidigital.com/noticias/sangue-de-sao-januario-nao-se-liquefez-sacerdote-pede-para-manter-a-calma-22749/
      Acesso 18/12/016
    • SanGennaro.Org, disp. em:
      www.sangennaro.org.br/adm/icones/html/sangen_1.html
      Acesso 18/12/016
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