Gravíssimo: Papa Francisco é acusado publicamente de heresia por mais de 1.500, entre os quais sacerdotes e proeminentes teólogos


É CADA VEZ MAIS difícil – vai se tornando impossível, de fato – disfarçar ou fingir que não se enxerga a polarização que se radicaliza mais e mais entre os simpatizantes do atual Papa e os grupos tradicionais dentro da Igreja. Portais protestantes, especialmente neopentecostais, já festejam o fato em manchetes desinformadas como "Racha na Igreja Católica" (sempre nos acusaram de divisão, e agora?), ao lado da velha desonestidade da grande mídia, completamente tomada pelas ideologias de esquerda, com artigos tendenciosos e que rotulam qualquer manifestação genuinamente católica como partindo de "grupos ultraconservadores"...

De fato, para os articulistas ignorantes quanto aos assuntos internos da Igreja, toda posição que verdadeiramente representa a fé católica é "ultraconservadora", "radical" e/ou "medieval". Observar os Mandamentos de Deus e da Igreja, crer nas Sagradas Escrituras e nos documentos dogmáticos, frequentar os Sacramentos? Coisas de católico "ultraconservador". Missa em latim? Suma Teológica? Só para um bando de malucos ultraconservadores medievais.

Seja como for, após a Declaração Conjunta do Papa Francisco com o Grão Imame muçulmano de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayeb, no mês passado (4/2019), em Abu Dhabi, o Sumo Pontífice da Igreja e a autoridade muçulmana declararam, juntos: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente”.

O significado desse gesto é claríssimo, independente de quaisquer simpatias ou opiniões particulares: a diversidade de religiões, que necessariamente inclui a negação da verdadeira Religião e que é algo que Deus não quer, mas tolera como um mal, é colocada aí em nível de igualdade com as diferenças de raça, sexo e linguagem – que Deus obviamente quer, pois as criou.

A existência de religiões que ensinam o erro, logo condenam as almas, assim como desde Cristo e os Apóstolos a Igreja sempre definiu, por serem incompatíveis e contrárias à Revelação divina, é agora apresentada como um bem – “...a liberdade de ser diferente”(??) – e até o cumprimento da vontade de Deus.

Por mais que tentemos evitar as polêmicas, tal declaração pode mesmo ser considerada católica? Porque se isso é catolicismo, aquilo que pregaram Pedro e Paulo e todos os Santos depois deles, não é. Se essa agora é a doutrina católica, será preciso rasgar e jogar no lixo tudo o que o Magistério da Igreja produziu em termos de documentação dogmática e pastoral até hoje, junto com os Evangelhos e toda a Bíblia Sagrada. 

Papa Francisco e o Imame ou Imã Ahmed Al-Tayeb

Assim é que um grupo de sacerdotes e teólogos escreveram e divulgaram uma carta aberta ao Colégio dos Bispos acusando o papa Francisco de "heresia". É um fato gravíssimo e raro na história da Igreja. No documento, publicado na última terça-feira (30/4) e divulgado pelo LifeSiteNews, os 19 signatários (número inicial, que já subira para 31 no dia seguinte) alertam que o conjunto dos bispos católicos deve investigar Francisco pelo "delito canônico da heresia" e ainda mais: pregam que outros sacerdotes critiquem Francisco publicamente, pela obrigação da correção fraterna e de alertar contra o grande perigo, já que diversas tentativas de correção particulares não surtiram nenhum efeito.

[Como reporta o LifeSiteNews, 'os bispos do Cazaquistão e Ásia Central, durante uma visita ad limina a Roma, levantaram uma série de preocupações, amplamente partilhadas pela Igreja nos últimos anos, relativamente às ambiguidades percebidas no magistério do Papa Francisco'.

D. Athanasius Schneider, em particular, Bispo Auxiliar de Astana, pressionou delicadamente Francisco em relação à sua afirmação claramente herética de que Deus quer a diversidade de religiões da mesma forma quer a diversidade de raças. Em entrevista, Schneider contou que Francisco 'disse-nos: podem também dizer isso, que a diversidade de religiões é a vontade permissiva de Deus'.

Então Francisco diz agora em privado que ele quis apenas dizer que a diversidade de religiões é tolerada por Deus. Mas quanto à sua declaração pública, assinada pelo próprio Papa, manifestando o contrário, permanecerá sem qualquer correção pública.]

Embora uma outra carta parecida, esta privada, enviada aos cardeais e aos patriarcas católicos orientais no ano 2016 apontasse para “heresias e outros erros sérios” promovidos pela exortação apostólica Amoris laetitia, de Francisco, e a “Correção filial” de 2017 afirmasse que Francisco havia “sustentado” sete posições heréticas [saiba mais aqui e aqui], esses signatários não chegaram a afirmar aberta e diretamente que o Papa era culpado de heresia, como aconteceu agora.

A nova carta vai além, acusando Francisco de “delito canônico de heresia”, o que os escritores definem em seu resumo como o ato que ocorre quando alguém “consciente e persistentemente nega algo que sabe que a Igreja ensina como revelado por Deus”.

Trata-se de mais um sinal do crescente enfrentamento entre os católicos ditos "tradicionais" (que são, por justiça, os católicos de sempre), que há tempos vêm se sentindo confusos e angustiados, receosos (com declarações e posturas do Papa em questões como a sexualidade, a abertura para o mundo secular, o relaxamento para com as leis da Igreja, etc.) e principalmente desamparados, e o grupo dos apoiadores incondicionais do atual papado, formado geralmente por modernistas, católicos alheios aos problemas e uma multidão de desinformados que considera que as intenções do Papa são boas – logo, não se poderia de modo algum criticá-lo.

Os signatários da carta assinalam que Francisco vem paulatinamente suavizando posições que vão contra os Mandamentos de Deus e os da Igreja em diferentes assuntos: ele não se opõe com a veemência e a clareza necessárias ao aborto, dá sinais de abertura ao homossexualismo e aos divorciados, tem se aproximado dos protestantes (recentemente o Papa determinou que a Igreja comemorasse os 500 anos da heresia protestante!) e dos muçulmanos de maneiras altamente contrárias ao que prescreve a Sã Doutrina. A carta em questão critica o Papa justamente por ter declarado que as intenções de Martinho Lutero (pai da Reforma Protestante, a causa da maior ruptura da história do Cristianismo) "não eram equivocadas" e por ter assinado um comunicado conjunto com luteranos no qual mencionava os pretensos "presentes teológicos" da Reforma, algo que vai frontalmente contra tudo o que a Igreja ensinou até então.

Em 2015, o Papa organizou a conferência na qual tentavam-se relaxar as regras que impedem divorciados de receber a Comunhão, uma vez que a igreja sempre considerou o casamento indissolúvel, e, um novo casamento, adultério. Também são citados os casos em que o Papa teria protegido ou sido conivente com cardeais e bispos que protegem abusadores sexuais ou até cometido abusos eles próprios.

Uma parte significativa da carta se concentra nas críticas à Exortação Apostólica Amoris Laetitia, que trata de tornar a Igreja "mais inclusiva" e menos disposta a "julgamentos". Após a publicação desse documento, houve uma série de reações da parte de sacerdotes, bispos, professores e teólogos, no sentido de pedir explicações para as declarações confusas em torno de questões morais cristãs fundamentais.

Nas 20 páginas da carta desta terça-feira, os signatários dizem ainda que tomaram "esta medida (carta aberta) como um último recurso para responder ao acúmulo de danos causado pelas palavras e atos do papa Francisco ao longo de diversos anos, dando abertura para uma das maiores crises na história da Igreja Católica".


Notas


• O signatário mais conhecido entre os 19 que divulgaram a carta é o padre britânico Aidan Nichols, da Ordem Dominicana, autor e teólogo proeminente.

• Assinavam o manifesto inicialmente 19 pessoas, teólogos, especialistas e sacerdotes, mas já na quarta-feira seguinte (1º de maio) já haviam sido adicionados mais nomes, totalizando 31 signatários.

• Consultado pela agência Reuters, o Vaticano não se pronunciou sobre a carta até a publicação desta matéria.

• Clérigos que expressaram apoio público aos grupos "LGBT" dentro da Igreja ou disseram que católicos divorciados deveriam receber permissão para a Comunhão também são listados como evidência de heresia do Papa, já que o fizeram direta ou indiretamente incentivados por ele. Entre estes, o padre jesuíta James Martin, o cardeal Blase Cupich e o cardeal Kevin Farrell.

• O professor de Teologia Massimo Faggioli, da Universidade Villanova (EUA), disse à agência Reuters que a nova carta é o mais novo exemplo da extrema polarização que afeta a Igreja atualmente, a despeito da grande popularidade do Papa entre os setores modernistas e a grande mídia.

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Com o LifeSiteNews
acesso em 1/4/2019


11 comentários:

  1. O cisma chegou, e a Profecia se cumpriu. Para aqueles que pensavam que Profecia era adivinhação, terão que tomar um outro posicionamento a respeito, e não é somente referente a este caso específico mencionado nesta publicação do Fiel Católico, mas inúmeras heresias por ele praticadas. A falsa humildade do Pontífice, serve como uma cegueira para Católicos mornos. Sim, porque ele agrada uma ala socialista humanista, dentro e fora da Igreja, tornando-se um grande sedutor. Está tudo escancarado na nossa frente, mas quantos querem ou podem enxergar?

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    1. Calma, a profecia ainda não se cumpriu. O cisma oficial da Igreja ainda não chegou. Esse pode ser só mais um passo até o cisma chegar verdadeiramente.

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  2. Aterrador! Mas tem uma coisa interessante também, que não sei se tem como a gente ficar ciente: o que será que o lado muçulmano pensou sobre essa declaração em conjunto? O Imã foi ameaçado de morte, ou foi aplaudido? O que será que a mídia dos países muçulmanos disse a respeito? Curioso né!
    Se pelo menos o mundo muçulmano depois de uma declaração dessas parasse de assassinar cristãos, de certa forma valeria a pena, mas a gente não vê nenhuma melhora nesse sentido, o que redunda em dobro prejuízo para os católicos, pois além de comprometer a fé (que por si só já é gravíssimo), ainda não consegue nenhum benefício na vida cotidiana dos cristãos perseguidos! Tristeza viu!

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    1. Penso que não se trata de considerar se isso tudo tem "um lado bom", Adilson. A gravidade está na declaração em si, quer dizer, no ato, no gesto formal de um Papa, que põe a tal "pluralidade" de religiões como um bem, como uma coisa boa, algo que é da vontade divina, tanto quanto a existência das diferentes raças e os dois sexos. Isso é o mesmo que dizer que não existe religião verdadeira, que todas são iguais e que "o que importa é o coração" – o que configura um completo absurdo, e na boca do Papa, é, sim, uma heresia, ainda que não assumida ou formalizada através de um documento dogmático.

      Sobre o que os islâmicos acharam disso, não se pode dizer, porque o Islã, assim como o protestantismo, se divide em muitas linhas, há diversos grupos que professam suas crenças de modos bastante diversos e por vezes até contraditórios, como os sunitas, xiitas, drusos, zeiitas, baha'is, sufis e mais outros. E mesmo dentro dessas linhas há subdivisões entre grupos mais radicais e outros nem tanto (embora o islamismo seja radical em sua essência).

      Esse Ahmed el-Tayeb, por exemplo, é sunita, porém representa uma classe mais moderada e aberta ao diálogo. Ainda assim, em programa de TV ele mesmo se declarou favorável à pena de morte para os cidadãos muçulmanos que se converterem ao cristianismo. Sim... Esta é a face "branda" e "moderada" do Islã. É diante deste homem que Francisco se curva e ele pede bençãos. Por aí já se pode saber a resposta para a pergunta: "um dia os cristãos deixarão de ser perseguidos?". Enquanto existirem muçulmanos, não. Bem, pelo menos o sheikh é coerente com o que aquilo que a sua religião prega.

      Por isso, não há como se ponderar sobre o que "os muçulmanos" acharam disso. Porque simplesmente não existe "os muçulmanos" e sim diferentes grupos que professam a crença numa mesma divindade (Alá ou Alah) e num mesmo profeta (Maomé ou Muhammad/Mohamed). Não é como no caso dos católicos, em que as divisões são superficiais (geralmente pastorais), pois a doutrina é sempre a mesma para todos (ainda que tantos não a sigam nem preguem mais, e tantos pastores se encarreguem de tornar confuso aquilo que sempre foi bem claro).

      Apostolado Fiel Católico

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    2. sem falar, Henrique, que tal gesto do Imã pode muito bem ter sido apenas um teatro já planejado com os outros líderes islâmicos, para ver se "comovem" ainda mais o Ocidente enquanto continuam com sua política de infiltração em massa pela imigração. Pelo que sei do islamismo, tal declaração também seria considerada heresia, e das graves. O simples fato desse cara não ter sido jurado de morte por se aliar ao "chefe dos cruzados" e conjuntamente proferir uma blasfêmia dessas (Como assim, 'diversidade de religiões' é boa? Apenas o Islã é verdadeiro, todos os outros merecem morrer!) já é um indicativo de que se trata de uma tramoia entre eles mesmos. Infelizmente o Papa, seja por ingenuidade, malícia ou mesmo uma boa-fé mal direcionada, acaba caindo nesse tipo de armadilha. Oremos irmãos, porque a coisa tá ficando feia e num ritmo cada vez mais acelerado!

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    3. É uma pancada atrás da outra. Nossa fé sendo posta à prova como poucas vezes antes em toda a História, porque agora não somos perseguidos por inimigos declarados, de fora, mas sim somos expostos a todo tipo de confusão dentro da própria Igreja.

      Viu essa última?:

      http://www.mosteiroreginapacis.org.br/component/content/article/3-ultimas-noticias/734-reflexao-de-um-padre-fundador.html

      Apostolado Fiel Católico

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  3. Certa vez li um artigo muito interessante sobre o islão. Guardem bem... ninguém se converte ao islamismo. Nos círculos mais internos da administração islâmica , ou se nasce islâmico ou nunca o serão. Contudo, por uma questão de penetração no Ocidente, mídia mesmo, eles permitem que esportistas , pessoas famosas e alguns ignorantes dispostos a morrer pela "causa islâmica" se mostrem "convertidos", alguns até mudando o nome cristão de batismo. Na visão muçulmana, estes devem morrer por último, como gesto de misericórdia, é claro.

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  4. Senhor Deus de poder e misericórdia, eu LHE agradeço por tanto amor e carinho. Entretanto, me ajude pregar o evangelho com sinceridade. Me ajude guardar VOSSA palavra. Me ajude ter mais fé e confiança no meu REDENTOR. Me ajude perdoando os meus pecados. Me ajude glorificá-Lo com sinceridade. Isso eu LHE peço pela intercessão de Jesus Cristo, VOSSO querido filho e meu amado SALVADOR. Amém.

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  5. O papa Francisco foi avisado em particular sobre suas declarações, verbais e escritas, e seus gestos que contrariam a doutrina católica e não se mancou. Então está para explodir alguma atitude como tirar esse papa ou pressiona-lo a remunciar e escolher outro, pois não há mais como ter paciência com suas palhaçadas.
    O papa Francisco quer é fazer social. E como vocês falaram, não há nenhum retorno positivo para os cristãos, que continuam sendo mortos e apedrejados.

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  6. Não sei qual é a força e o nível de apoio a ala tradicional na Igreja, mas para que os mesmos lancem tamanhas acusações em público, provavelmente possuem uma base de apoio considerável. Sabemos que as questões internas da Igreja, normalmente vêm a público quando estão a ponto de explodir. E isso pode significar uma ruptura, que creio ser ruim para todos. Se for este o caso, um novo Concílio é urgente, visto que seria péssimo para a fé aquelas situações pavorosas, de dois ou mais bispos reivindicando o papado, a guerra por poder, podres verdadeiros e mentirosos lançados ao vento. Isso numa Igreja já enfraquecida e que vem diminuindo devido aos graves problemas já conhecidos de todos, pode ser desastroso, a devastação pode ser tão grande que pode não restar lugar, nem para um recomeço, como parece ser o desejo de algumas pessoas. Acho extremamente importante o estabelecimento do espirito conciliar, aparar as arestas sem comportamento de torcida (se é do meu time é bom, no outro time nada serve), onde o que é compatível com a fé em ambos os lados se harmoniza e o que é incompatível se descarta. Talvez seria o caminho ideal, se possível, já é outra história. Infelizmente, alguém precisa botar um freio no papa Francisco, é gravíssimo um papa falar que é vontade de Deus, a existência de diversas religiões, ainda que todas essas religiões se declarassem Cristãs.

    A paz de Cristo!

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