Sedevacantismo? Reconhecer e resistir? Qual a nossa posição perante a grande crise da Igreja?


EM NOSSA LONGA série de postagens sobre as posições possíveis aos fiéis católicos frente à grande crise que assola a Igreja dos nossos tempos (acesse aqui todos os artigos), iniciamos pelo início: reconhecendo que o problema existe, e que é gravíssimo. De fato é bem possível – e compartilham conosco deste ponto de vista alguns dos maiores teólogos da atualidade, bispos e cardeais notáveis e Ratzinger/Bento XVI –, que estejamos vivendo a maior crise de toda a história: uma crise doutrinal, moral e disciplinar sem precedentes.


    E já que citamos Ratzinger (para muitos o maior teólogo vivo do mundo), cabe lembrar que ele comparou a crise atual com as grandes crises gnóstica e ariana, considerando ainda que a situação presente é muito pior do que aquela surgida com o advento do protestantismo, pois naquela ocasião "as raízes" da Igreja não foram tocadas, ao passo que hoje temos em profusão sacerdotes e bispos que sequer creem na Presença Real na Eucaristia ou na eficácia material dos demais Sacramentos. Muitos destes já não creem nem mesmo na Ressurreição e na vida eterna. Temos, portanto, um verdadeiro caos, uma crise de tremendas proporções, que abala a Igreja desde os seus fundamentos.


    Despois de reconhecer o óbvio e admitir que, sim, temos um elefante (pintado de cor-de-rosa, ao que parece) postado placidamente bem no meio de nossa sala, passamos apresentar as reações, posturas ou posições possíveis aos (pobres) fiéis católicos que persistem em permanecer católicos realmente fiéis em meio a toda essa tempestade. Parece-nos que esses grupos podem ser divididos em três blocos principais, a saber:

    1) O primeiro caso é o daqueles popularmente chamados "católicos jujubas": são os que não admitem crise alguma ou, quando a admitem, consideram que tal não seja um grande problema, dizendo que dificuldades sempre existiram e que não há motivo para alarde, que nada de extraordinário está ocorrendo agora. O Papa é o Vigário de Cristo e como tal deve ser respeitado e amado. Ponto.

    Cabe citar que, de fato, todos os documentos e catecismos da Igreja desde sempre ensinaram e ensinam isso mesmo: o Papa é absolutamente confiável, deve ser sempre respeitado, amado e obedecido. Mais ainda, ao longo da história da Igreja, diversos grandes teólogos afirmaram que sempre e em todo momento – não somente quando se pronuncia ex-cathedra –, o Papa é infalível ao tratar de doutrina (a chamada infalibilidade passiva ou negativa): nunca poderia um Papa legítimo ensinar erro ou heresia, ou uma doutrina danosa para a Fé católica, expondo ao perigo as almas dos fiéis. Cristo, Cabeça do Corpo-Igreja, Sapientíssimo, "não podia deixar sem cabeça visível o corpo social da Igreja que instituíra. (...) Pedro, em força do primado, não é senão Vigário de Cristo, e por isso a cabeça principal deste corpo é uma só (...)"[1].

    Perfeito e muito simples. A cabeça visível (o Papa) é como que um só com a Cabeça divina (Cristo) da Igreja. Por isso, um não contraria jamais o outro. Pois é justamente daí que surge o bizarro elefante que se coloca com displicência bem no meio de nossa sala, ainda que alguns continuem insistindo em fingir não vê-lo: está no fato evidente e inegável de que o Papa atual ensina a toda a Igreja – e o faz com contumácia –, uma doutrina diferente, muitas vezes mesmo contrária, àquela que ensinou o Cristo. Não? Vejamos.

    • Nosso Senhor ordenou (e de fato estabeleceu tal ordem como uma diretriz essencial) que sua Igreja fosse por todo o mundo e pregasse o Evangelho "à toda criatura", e categoricamente definiu: "...aquele que crer e for batizado será salvo, mas aquele que não crer será condenado" (cf. Mc 16,16). * Francisco diz que tentar converter os povos é um erro, e que procurar trazer as almas para a Fé da Igreja "é um pecado contra o ecumenismo", e portanto devemos apenas "ser bons" para todos, sem evangelizar, algo que ele chama de "fazer proselitismo" (veja). 

    • Nosso Senhor deixou claro e claríssimo, em toda a sua pregação, que só há e só pode haver um caminho e uma Religião verdadeira. Disse com todas as letras que ninguém chega ao Pai se não for por Ele, que esse Caminho (Ele mesmo) é "estreito" e só pode ser seguido por poucos. * Francisco ensina insistentemente que a salvação é para todos. No famigerado documento de Abu Dhabi sobre a fraternidade humana, pregou que "a diversidade das religiões" é um "desígnio de Deus" (veja).

    • Jesus Cristo ensinou e insistiu em várias ocasiões sobre o fato de que os fiéis serão salvos, mas os infiéis serão separados e lançados ao Inferno (vide Mt 5,29. 10,28; Lc 16,24): "Naquele dia direi a eles: afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos!" (Mt 25,41). * Já Francisco ensina repetidamente o contrário. Teria afirmado certa vez que não há Inferno (veja), no que foi corrigido em nota do Vaticano. Recentemente, chegou a declarar que todos, inclusive os hereges, apóstatas e blasfemadores, estarão juntos na Comunhão dos Santos: 

“Pensemos naqueles que negaram a fé, que são apóstatas, que são perseguidores da Igreja, que negaram o batismo: também eles estão em casa?. Sim, também eles, inclusive os blasfemadores, todos somos irmãos: esta é a comunhão dos santos. A comunhão dos santos mantém unida a comunidade dos crentes na terra e no Céu.” (Papa Francisco, Audiência geral de 2 de fevereiro de 2022)


    Aí estão alguns simples fatos. Poderíamos citar muitos outros exemplos, mas queremos nos ater ao mínimo. Entenda o leitor – pedimos encarecidamente –, que não estamos aqui  "falando mal do Papa", nem "julgando o Papa", e também não estamos querendo ser "mais católicos do que o Papa"... Nada disso. Não estamos estabelecendo nenhum juízo, estamos apenas e simplesmente apresentando os fatos. Não se tratam de invenções, calúnias, meias verdades ou meras especulações, mas somente fatos, insistimos: fatos, comprovados e públicos.

    Pois bem. E diante desses fatos, somos forçadamente postos diante de uma escolha simples, categórica, direta e mesmo cruel. A quem obedeceremos agora: a Jesus Cristo ou ao Papa atual?

    Avançando um pouco além, poderíamos nos perguntar também: a quais ensinamentos observaremos: aos do Papa que aí está ou aos dos outros 265 Papas que vieram antes dele? Porque este contraria também aos outros.


    A situação é esta; é realmente simples assim. E é daí que surge a segunda posição possível, adotada pelo grupo daqueles que não admitem as novidades, confusões, heresias (é preciso dizer) e contradições de Francisco (como também do Vaticano II e dos predecessores imediatos de Francisco), mas não querem assumir o fardo de uma desobediência frontal confessada e nem o rótulo de cismáticos:

    2)
Estamos falando da chamada posição "RR", que significa "Reconhecer e Resistir". Estes reconhecem a legitimidade e a autoridade de Francisco, mas, reconhecendo igualmente os seus erros e infidelidades, propõem resistir a ele e desobedecê-lo, sempre que ordenar algo que vá contra os Mandamentos de Cristo e os da Igreja. Como isso é algo que ele fez e faz muito, colocam-se quase sempre nesta controversa ou mesmo esquizofrênica posição: defender duas coisas que são flagrantemente opostas e inconciliáveis. Seja como for, temos nesse grupo muitos padres e bispos, além de associações de leigos que vêm ganhando cada vez mais adeptos e assumido maior importância em meio ao caos.

    Apresentamos e analisamos a posição RR, assim como os problemas e dificuldades que implica, em um estudo específico (que pode ser acessado aqui).


    Por fim, apresentamos a posição mais radical entre todas, aquela que não procura meios termos e que não se preocupa minimamente com a concórdia, nem considera respeitar as posições dos seus antagonistas:

    3) O Sedevacantismo. Sobre este tópico específico, por sua complexidade, dedicamos nada menos que seis artigos, primeiro tratando da sua definição e variações, depois dos seus argumentos e, por fim, das suas graves implicações (acesse aqui).

    Crendo já ter esclarecido o assunto a contento, entraremos agora, enfim, no lado da questão que nos toca mais diretamente, isto é: qual destas posições assume ou com qual se identifica a Fraternidade Laical São Próspero?


Somos sedevacantistas? Assim imaginam alguns


Fraternidade São Próspero e/ou Henrique Sebastião sedevacantistas? A questão, de fato, parece-me absurda. Não há realmente nenhum motivo razoável para supô-lo. Basta pesquisar neste site para encontrar postagens elogiosas e que afirmam a legitimidade dos Papas ditos "conciliares", inclusive Francisco. Todavia, chegou ao nosso conhecimento que tal alegação corre por aí, em redes sociais, em afirmações do tipo: "O site O Fiel Católico é bom, mas tenham cuidado com eles, porque são sedevacantistas...". Nossos alunos e leitores mais antigos sabem que tal informação não procede, mas também é verdade que nunca nos declaramos formal e publicamente a respeito. Chegou a hora.

    Certamente o que motiva tal engano seja o fato de que nesta supracitada série especial colocamo-nos entre os raros grupos que consideram os argumentos sedevacantistas como sólidos, e a sua posição  como teologicamente respeitável. Recentemente o diretor do Centro Dom Bosco, Pedro Affonseca, fez exatamente o mesmo, dizendo que: 1) discorda de quem considera os sedevacantistas simplesmente como "malucos" que não merecem consideração; 2) reconhece que os sedevacantistas têm "bons argumentos" e que 3)  não são hereges, já que o Vaticano nunca se pronunciou a respeito; 4) que os sedevacantistas são católicos, que professam a Fé católica (o trecho da palestra em que tratou a respeito pode ser visto aqui). Disse, por fim, que não compactua com aqueles "que têm nojinho" (sic) do Sedevacantismo. 

    Preciso então dizer que com essa posição do Sr. Affonseca eu – Henrique Sebastião –, identifico-me quase que totalmente. O que percebo recorrentemente é que aqueles que desconsideram radicalmente o Sedevacantismo (os que têm 'nojinho' dessa posição), realmente não a conhecem, nunca a estudaram, não conhecem suas razões e seus argumentos. Não conhecendo, não sabem que grandes Santos Doutores da Igreja ensinaram o que eles pregam, repetidas vezes. Que estão embasados por uma Constituição Apostólica dogmática e de validade perpétua (saiba mais). Que, portanto, todo verdadeiro católico deveria se referir aos sedevacantistas com caridade e respeito, reconhecendo que estamos vivendo tempos em que o Papa contraria frontalmente ao próprio Cristo, e que isso gera uma multidão de almas confusas, que sofrem sem saber aonde ir ou a quem recorrer.

    Infelizmente, vivemos tempos insanos em que simplesmente dizer o óbvio – que Francisco contraria a Cristo, ensinando que não devemos converter os povos, ou que os blasfemadores e apóstatas fazem parte da Comunhão dos Santos, ou que todas as religiões fazem parte do Desígnio de Deus, etc., – já se torna motivo para que um bando de histéricos saia rasgando as vestes e berrando aos quatro ventos que somos nós os apóstatas e os cismáticos. Mas não deixaremos de obedecer a Cristo Jesus, Nosso Senhor, e nem de repetir a verdadeira Doutrina da santa Igreja, que é e será sempre a mesma, mesmo que um Papa diga o contrário. Também não deixaremos de defender a perpétua validade da Missa de Sempre e nem de advertir aos fiéis católicos nossos irmãos quanto aos perigos das novidades heterodoxas trazidas pelo Vaticano II.

    Então – resumo da ópera –, qual é a nossa posição, afinal? Somos da turma dos RR? Somos sedevacantistas? Respondo da forma mais direta, clara e objetiva possível: não e não. Nem uma coisa nem outra.

    Não nos reconhecemos como adeptos da posição "Reconhecer e resistir", porque não nos colocamos com tanta certeza a afirmar que Francisco é um Papa legítimo. Sim, eu tenho dúvidas a respeito. Sim, ele já deu e continua dando sérios motivos para dúvidas quanto a isso. Sim, reconhecemos que há uma imensa dificuldade em assumir que um verdadeiro Papa, o Vigário de Cristo 
sobre a Terra e o Cabeça visível da Igreja, possa ensinar o erro a toda Igreja, pondo em gravíssimo risco as almas pelo uso (formal ou não) da sua posição, a mais alta posição hierárquica da Igreja de Cristo – porque é isto, sem nenhuma dúvida, o que  está ocorrendo agora, e isto não é pouca coisa. Não fingimos que tudo está bem e que não é um problema seríssimo que um herege público – e todo herege se desliga ipso facto da comunhão da Igreja –, possa ser o seu cabeça, seu pontífice, o seu pastor universal.


    Também não nos identificamos e nem aderimos ao Sedevacantismo, porque essa posição igualmente apresenta problemas sérios e deixa perguntas sem resposta, a saber: qual leigo teria autoridade para declarar a ilegitimidade de um Papa eleito? Pois se há 60 anos não temos Papa, não há bispo legítimo que possa fazê-lo. Se o Papa não é Papa, em que situação se encontra a Igreja de Cristo? Onde está ela? Oculta? Isso é possível? Quem nos indicará então o futuro verdadeiro Papa? Como poderia esse Papa ser designado, se não há mais cardeais, já que os últimos Papas não foram Papas e portanto não podiam criar validamente novos cardeais? Fazendo coro com Dom Lefebvre, consideramos: a visibilidade da Igreja não é por demais necessária à sua existência, para que pudéssemos considerar que Deus a omitiria durante mais de meio século?[2]. Mais ainda, as indiscutíveis heresias do Papa reinante poderiam não ser consideradas heresias formais, e sim apenas materiais, que é o que se aplica àqueles que não têm noção de estar indo contra o Magistério da Igreja. E mesmo em caso de heresia formal (como parece ser o caso), resta a questão de saber de que modos então o impostor seria (formal e literalmente) deposto do Trono de Pedro.

    Perpétuos sucessores – É preciso citar outro forte argumento dos adversários do sedevacantismo, a definição do Concílio Vaticano I: “Se alguém, pois, disser que não é de instituição de Cristo mesmo, isto é, de direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores no primado sobre a Igreja universal (...), seja anátema” (D 1825). Sim, esta é mais uma dificuldade importante, ainda que se possa com honestidade argumentar que o termo “perpétuos” aí não signifique Papas ininterruptos, e sim que o papado será perpétuo, isto é, durará enquanto durar este mundo, mesmo que ocorram longos interregnos. Além disso, os tempos da grande apostasia serão tempos de exceção, nos quais o que não era possível se tornará realidade, e quando "a abominação da desolação será posta no lugar santo" (cf. Mt 24,15). Alguém pode imaginar situação que expresse com maior perfeição a abominação ocupando o lugar santo do que um falso papa, um herege que ensina o erro, ocupando a Cátedra de São Pedro?


    Como se vê – com clareza tão grande que nos surpreende que provoque tanto celeuma –, as dificuldades são imensas e complexíssimas, de tal modo que nos parecem, neste momento, insolúveis. Assim, precisamos mais uma vez citar Dom Lefebvre, quando lamentou com profundo pesar:

Temos verdadeiramente um Papa ou um intruso assentado sobre o Trono de Pedro? Bem-aventurados aqueles que viveram e morreram sem ter que formular uma tal questão![3]

    
Toda essa terrível situação nos convida à paciência, à prudência e ao exemplo do mesmo Dom Lefebvre (no que foi seguido por Dom Antônio de Castro Mayer), quando falou sobre a possibilidade sedevacantista: "Eu não quero conduzir os senhores a um impasse, nem pôr os senhores numa situação impossível"[4]. 

    O assunto é muito, muitíssimo sério. Sua importância é fundamental. Enquanto apostolado leigo, não queremos pecar e nem correr o risco de induzir as almas ao erro. Preservamo-nos, portanto, de uma conclusão final, e mais ainda de querer oferecer a solução definitiva para uma questão sobre a qual não encontramos respostas claras.

    Qual é, então, a nossa posição? Bastante simples: suspendemos o nosso juízo, por ora. Como diretor deste website informativo, não me furto de divulgar notícias importantes para a Igreja sempre que ocorrerem; como instrumento que pretende servir de auxílio aos fiéis católicos nestes dias de crise, O Fiel Católico não deixará de alertar contra os erros, perigos e heresias onde sem dúvida existirem. Até novo fato que nos faça mudar de ideia, é isto.

    Pedimos humildemente a todos os que nos acompanham que rezem, primeiramente pela restauração da Igreja, e depois por nós, para que, neste nosso trabalho, nunca incorramos em erros que possam levar perigo às almas.


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____________
[1] Carta Encíclica MYSTICI CORPORIS do Sumo Pontífice Papa PIO XII, de 29 de junho de 1943, n.s 39-40.

[2] MALLERAIS, Tissier de. Marcel Lefebvre, Paris: Éditions Clovis, p. 536.

[3] Ibidem, p. 533.

[4] Ibidem, p. 533.

15 comentários:

  1. A paz de Jesus Cristo.

    Olá, caro irmão Henrique Sebastião. Você fez um texto muito bom! Quando eu ia perguntar sobre a sua posição, você respondeu no final: que suspendeu o seu juízo ( e o da Fraternidade ), final. Sim, é difícil por um ponto final nisso, escolher "lado" para se posicionar.

    Da minha parte, vejo com muita apreensão e claro, fico confuso às vezes, sobre todo o quadro atual da Nossa Santa Igreja, claro, a Igreja visível, física, com sede no Estado do Vaticano. Se às vezes o atual papa demonstra clareza que o seu cargo pede, como na atual guerra eslava, entre Rússia e Ucrânia, quando ele criticou, não apenas os dois lados ( algo sábio ), como a elite mundial que nada fez para evitar a guerra, ao contrário; incentivou e incentiva a continuação dela, ao enviar forte armamento para a Ucrânia, sendo que essa guerra poderia ter sido evitada pela comunidade internacional, já que Putin, o presidente da Rússia, avisava desde o ano passado ( e ia aos poucos acumulando tropas na fronteira entre os dois países ), que haveria guerra se a Ucrânia não cedesse às suas exigências ( algumas válidas, já que os ucranianos vem agredindo os moradores de origem russa, desde 2014 ), isso foi falado via mídia mundial, sem omissões por parte do sr. Putin. Bem, a posição do Papa é louvável nesse caso, mas nos outros, inclusive de grande importância teológica, ele vem falhado desde que se iniciou o seu pontificado, em 2013.

    Ao dizer que "todas as religiões são boas, levam a Deus", ele já comete uma enorme falha, como você bem descreveu, além, claro, dos outros pontos do Santo Evangelho, que parece ter sido esquecidos pelo Papa Francisco.

    O grande problema, meu irmão, é o que você descreve aqui: uma "nova" teologia cristã que apenas irá causar confusão, sobre o que é real ou imaginário, falso ou verdadeiro, dentro da nossa fé; algo que acontece em muitas denominações protestantes, mas no caso deles, é compreensível, pois eles têm muitos "pastores" e nós, apenas um.

    Oremos e lutemos.

    Salve Maria!

    Abs.

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    1. Sim, há acertos em Francisco, sem dúvida. Por exemplo, postamos um artigo e um vídeo especiais enaltecendo a iniciativa do Papa Francisco em promover o Ano Santo de São José (aqui e aqui). Ele também fez a consagração da Rússia, quando subiu imensamente no conceito de muita gente.

      De fato temos um Pontífice cheio de caridade (e não há verdadeira Igreja sem caridade), mas que é fraquíssimo, praticamente nulo, no tocante à Doutrina. Se fosse apenas isso, porém, não teríamos um grande problema. O problema está no fato – e eu não tenho nenhum receio de afirmar, com todas as letras –, que ele já incorreu publicamente em heresia, mais de uma vez. E ainda mais grave do que isso, ele ensina heresia a toda a Igreja, e isso é o pior de tudo.

      Desde o início do seu reinado, ele vem punindo e afastando para lugares isolados os bons bispos, e incentivando e premiando os maus, os revolucionários, os verdadeiros apóstatas.

      Cabe-nos rezar, fazer penitência, tentar alertar nossos irmãos quanto aos riscos para a verdadeira Fé, quando isso for conveniente. Por enquanto é isto. Vem aí o novo Sínodo, e algo me diz que tudo vai mudar para muito pior. Espero estar errado.

      Fraternidade Laical São Próspero

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  2. Alívio em saber que vcs não sao sedevacantistas !! eu tinha nojinho desse pessoal sim kkkk mas agora estou comecando a entender algumas coisas que eles argumenta, não estão errados realmente
    Juca

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  3. Que posição covarde! O cânon 751 do Código do Direito Canônico prescreve a excomunhão aos heréticos. Este artigo indica vários exemplos de heresias gravíssimas e recorrentes do suposto papa Francisco. A heresia da não necessidade de conversão dos judeus a Cristo para a salvação eterna é comum desde o Vaticano II. A conclusão óbvia e coerente é que os "papas" pós-conciliares foram excomungados, portanto não são católicos e papas. Assumam as consequências das suas constatações!

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    1. Acredite que eu entendo perfeitamente a decepção e a sua ira, meu irmão. Mas veja que os motivos de não aderir ao Sedevacantismo estão apresentados neste artigo. Responda a todas as questões colocadas com razoável certeza, para que possamos conversar:

      Qual leigo teria autoridade para declarar a ilegitimidade de um Papa eleito? Porque se há 60 anos não temos Papa, não há bispo que possa fazê-lo.

      Se o Papa não é Papa, em que situação se encontra a Igreja de Cristo? Onde está ela? Oculta? Mas a visibilidade da Igreja não é por demais necessária à sua existência, para que pudéssemos considerar que Deus a omitiria durante mais de meio século?

      Quem nos indicará então o futuro verdadeiro Papa? Como poderia esse novo Papa ser designado, se não há mais cardeais, já que os últimos Papas não foram Papas e portanto não poderiam criar validamente novos cardeais?

      Como se responde à definição dogmática do Concílio Vaticano I? “Se alguém, pois, disser que não é de instituição de Cristo mesmo, isto é, de direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores no primado sobre a Igreja universal (...), seja anátema”(D 1825).

      Fraternidade Laical São Próspero

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  4. A paz de Jesus Cristo.

    Sim, meu amigo e irmão, eu concordo totalmente contigo, na sua resposta ao meu comentário. Sem querer defender o Papa Francisco, mesmo porque ele erra e não deveria errar no que é básico no Evangelho, Tradição e Magistério da Santa Igreja; mas penso eu, procurando ser sensato ao analisar as atitudes do atual pontífice; ele foi influenciado pelo esquerdismo latino-americano, algo péssimo por esses lados. Ele é argentino, Perón e outros, sempre tiveram um viés de esquerda, aliás, o Peronismo, é de esquerda. Ao nascer, crescer, ser ordenado padre na Argentina, Bergoglio viveu e vive, a famigerada "teologia da libertação", isso evidentemente, contribuiu para essa visão "moderna" que ele tem do Catolicismo. Claro, isso não serve de desculpa, pois muitas pessoas ( incluindo o Papa João Paulo II ), nasceram no Comunismo e nem por isso, são comunistas. João Paulo II, apesar dos seus defeitos ( é fruto do CVII ), sempre lutou contra o comunismo.

    Heresias são imperdoáveis, principalmente vindo do clero e mais ainda; vindo de um ocupante da Cadeira de Pedro. Sim, o atual papa cometeu heresias, não há dúvidas!

    Você cita o novo Sínodo, ele também me deixa preocupado, assim como a ausência de Cardeais, bispos, padres fiéis à Igreja de Cristo.

    Cardeal Zen foi preso recentemente, saiu sob fiança e não vi o atual papa criticar essa prisão arbitrária pelos chineses, que aliás, não se pode esperar coisa boa vindo deles ( vide o fato que cada vez mais se tem a quase certeza que o vírus Covid/19 foi criado em laboratório, na cidade de Wuhan, visando uma futura guerra biológica ), logo, tudo agora nos causa temor do que virá mais a frente. Será aprovado um dia, o casamento gay na Igreja? Não sabemos, claro, mas tememos pelo nosso futuro como cristãos.

    Antes que algum protestante venha aqui dizer que a "prostituta do Apocalipse" é isso mesmo, eu já me adianto e digo que os "Reformistas", estão muito pior do que nós, com relação ao "modernismo", pois na Teologia, eles já se perderam faz muito tempo, desde 1517.

    Salve Maria Santíssima!

    Abs.

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  5. A paz de Jesus Cristo.

    Correção: no meu comentário anterior aqui, eu disse que o papa João Paulo II, nasceu e cresceu no comunismo, na Polônia, sim, um erro meu ao fazer o comentário, ontem aqui.

    Ele, na verdade, nasceu em uma Polônia sem comunismo ou nazismo, pois ele nasceu em 1920. Quando a Polônia foi invadida pelos nazistas, em 1939, ele tinha, portanto, 19 anos de idade. Ele lutou contra o nazismo e o comunismo, que sucedeu o nazismo, após a derrota deste, pelos russos comunistas, que chegaram à Polônia pelo leste da Europa.

    Desculpem pelo erro, algo que considero imperdoável, quando se fala em fatos históricos.

    Salve Maria.

    Abs.

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  6. Olá, Salve Maria, responderei dentro do meu conhecimento as perguntas sobre o sedevacantismo, as que não puder deixarei um link sobre.

    "Qual leigo teria autoridade para declarar a ilegitimidade de um Papa eleito? Porque se há 60 anos não temos Papa, não há bispo que possa fazê-lo." Mas não há a necessidade de declarar a ilegitimidade de uma autoridade por outra, se uma mulher virasse Papa não precisaríamos de ninguém para dizer que ela não é Papa, da mesma forma se um herege se tornasse papa ou o contrário.

    "Se o Papa não é Papa, em que situação se encontra a Igreja de Cristo? Onde está ela? Oculta? Mas a visibilidade da Igreja não é por demais necessária à sua existência, para que pudéssemos considerar que Deus a omitiria durante mais de meio século?" A visibilidade se mantém pelos bispos validamente ordenados e pelos fiéis que seguem a verdadeira doutrina.

    "Quem nos indicará então o futuro verdadeiro Papa? Como poderia esse novo Papa ser designado, se não há mais cardeais, já que os últimos Papas não foram Papas e portanto não poderiam criar validamente novos cardeais?" Então, essa questão é muito debatida, São Roberto Belarmino propõe um concilio imperfeito formado pelos bispos, outros acreditam em uma intervenção divina.

    "Como se responde à definição dogmática do Concílio Vaticano I? “Se alguém, pois, disser que não é de instituição de Cristo mesmo, isto é, de direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores no primado sobre a Igreja universal (...), seja anátema”(D 1825)." https://www.youtube.com/watch?v=-Ga9O0DPL_w&t=173s , a partir do minuto 20:07, basicamente, nenhum teólogo acredita que isso significa uma ininterrupta sucessão sem longos períodos de vacância.

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  7. ChrsSantos_1604 (comp. do Instagram)24 de maio de 2022 09:58

    Li atentamente todos os artigos da série que analisa a crise sob as perspectivas mais frequentes e predominantes. É maldade dizer que "O Fiel Católico" defende A ou B ou C. O que foi feito foi apenas uma apresentação das posições e razões de cada um dos "grupos" predominantes e também uma breve análise das posições expostas. Eu também me identifico com a posição de por o meu juízo em suspensão e achei bastante adequada e prudente a posição assumida pelo site "O Fiel Católico". Infelizmente as pessoas até começam a ler os textos mas desde que nas primeiras linhas se apresente algo que não esteja de acordo com a posição daquele que lê, já abandona a leitura atenta e emite um juízo aos quatro ventos como se tivesse identificado ali um anátema - já gritam: H E R E G E S!!!! Tempos loucos que estamos vivendo.... as pessoas estão ficando ainda mais loucas e perdidas do que já eram e estavam. Como disse São Pio X na ACERBO NIMIS, estamos num tempo de debilidade de almas e a solução para os problemas atuais (isso digo eu mesmo) parece estar longe do nosso horizonte!

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    1. Grato pelo seu comentário equilibrado e preciso, ChrsSantos – algo cada vez mais raro em nossos tristes dias. De fato, esta famigerada e rasa disputa ideológica que começou na política terminou por tomar conta de absolutamente todas as esferas sociais em nível global, inclusive no sentimento religioso comum, deixando nenhum resquício de boa vontade para ao menos tentar compreender a posição do outro.
      O que vivemos agora são dias de sofrimento para os verdadeiros fiéis católicos, e essa dor deve ser respeitada, mesmo que se façam opções diferentes. Sim, porque hoje é possível optar entre uma ou outra via com boas razões para tanto, e já não basta (nem é mais possível) simplesmente obedecer aos pastores.

      Quisera mais leitores com o seu discernimento. Deus o guarde e salve no último dia!

      Fraternidade Laical São Próspero

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  8. ChrsSantos_1604 (comp. do Instagram)24 de maio de 2022 10:00

    É fato inegável que juridicamente a Igreja tem um Papa formal, "eleito" e constituído. Mas também deveria ser inegável que, se o Espírito Santo auxilia e ilumina com Suas luzes o Papa em sua função de cabeça visível da Igreja, o fato é que não percebemos essa iluminação diante dos equívocos que constatamos com uma clareza bastante razoável. Isso por si já nos permite o seguinte questionamento: ou o Papa está cego e surdo aos desígnios do Espírito Santo e por isso está cometendo esses erros - uma vez que no Espírito Santo não há erros e equívocos e o mesmo não nos conduz ao engano, ou o Papa não foi "eleito" de acordo com as luzes do Espírito Santo e, portanto, não é Papa legítimo. E daí em diante teremos o que estamos vendo.... não é possível afirmar que a Igreja esteja sob a guia do Espírito de Deus. Quem poderá afirmar isso com certeza absoluta? Me parece que a posição mais prudente é mesmo a suspensão de juízos e ficar na continuidade da busca por tuuuuuudo o que temos de CERTO já determinado pela Igreja e por seus representantes certos e incontroversos.

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  9. Este site o fiel católico eu acho que é o melhor e o mais coerente que eu encontro pra tirar as minhas dúvidas . Acompanho a varios anos e não conheço outro melhor, acho que vcs são até mais claros do que o padre Paulo ricardo, que ultimamente ele está sendo omisso na minha opinião ditante de todos esses problemas tão graves.
    Facchini

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  10. Salve Maria Santíssima!
    Foi uma grata surpresa encontrar este excelente portal que acompanho desde o ano passado. Concordo com o posicionamento de vocês, aparentemente é o mais prudente. O "nojinho" citado por você fez com que eu me aproximasse do sedevacantismo, posição da qual tenho estima.
    Interessante que o sr Pedro Affonseca do CDB, nas últimas aulas sobre o Catecismo da Crise na Igreja, já desconsiderou todas as colocações que o sr citou e voltou ao nojinho. Isto não foi nada coerente. Teria ele levado uma bronca de seus pares pelas gentilezas direcionadas aos sedevacantistas? É só uma pergunta.

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    1. Muito grato (poderia acrescentar seu nome ou algum pseudônimo às mensagens?).

      Tenho contato com os diretores do Centro Dom Bosco, com o qual mantenho até algumas relações profissionais, mas concordo que as atitudes do Pedro no episódio em questão aparentam incoerência. O que houve foi uma reação contrária muito forte de certos membros da Liga Cristo Rei, aqueles do tipo que consideram normal misturar a santa Missa com ritos de macumba, desde que o padre esteja "em plena comunhão com Roma" mas não admitem uma posição perfeitamente possível como o sedevacantismo.

      Mas esse estado de coisas deve mudar, em breve, porque o cerco está se apertando e logo não será mais possível continuar neutro, numa atitude como a de quem "acende uma vela para Deus e outra para o diabo".

      Como tentei esclarecer neste artigo, eu não me considero neutro na questão, não me furto de dizer que tenho dúvidas quanto à legitimidade de Francisco, mas por outro lado ainda não consigo enxergar uma solução totalmente clara que me permita firmar uma posição definitiva. A propósito, estou pessoalmente sugerindo a certas lideranças sedevacantistas que convidem os membros do CDB para um debate aberto sobre RR e Sedevacantismo, do qual eu me colocaria à disposição para atuar como um mediador isento. Creio que seria de grande utilidade para todos.

      Acho difícil que tal concretize, mas rezemos e vejamos o que acontece.

      Fraternidade Laical São Próspero

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    2. Muito grato (poderia acrescentar seu nome ou algum pseudônimo às mensagens?).

      Tenho contato com os diretores do Centro Dom Bosco, com o qual mantenho até algumas relações profissionais, mas concordo que as atitudes do Pedro no episódio em questão aparentam incoerência. O que houve foi uma reação contrária muito forte de certos membros da Liga Cristo Rei, aqueles do tipo que consideram normal misturar a santa Missa com ritos de macumba, desde que o padre esteja "em plena comunhão com Roma" mas não admitem uma posição perfeitamente possível como o sedevacantismo.

      Mas esse estado de coisas deve mudar, em breve, porque o cerco está se apertando e logo não será mais possível continuar neutro, numa atitude como a de quem "acende uma vela para Deus e outra para o diabo".

      Como tentei esclarecer neste artigo, eu não me considero neutro na questão, não me furto de dizer que tenho dúvidas quanto à legitimidade de Francisco, mas por outro lado ainda não consigo enxergar uma solução totalmente clara que me permita firmar uma posição definitiva. A propósito, estou pessoalmente sugerindo a certas lideranças sedevacantistas que convidem os membros do CDB para um debate aberto sobre RR e Sedevacantismo, do qual eu me colocaria à disposição para atuar como um mediador isento. Creio que seria de grande utilidade para todos.

      Acho difícil que tal concretize, mas rezemos e vejamos o que acontece.

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Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas inter-religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por professores doutores, mestres e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

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