Rezar com constância o santo Rosário: um depoimento



ANTES DE SER CATÓLICO, e mesmo algum tempo depois de convertido, sempre achava exagerado o que se dizia a respeito do Rosário. Como poderia, pensava eu, um suporte para oração repetitiva ser causa de tanta transformação, sustento, consolação, incentivo, força? 

Então eu resolvi me dar a chance e rezar ao menos um terço por dia. Durante semanas, nada parecia ter acontecido, mas mesmo assim segui o intento, porque, se por um lado desconfiava da eficácia dessa oração, por outro cria sobrenaturalmente nas mensagens de Nossa Senhora em Fátima e em outros momentos da História. 

Porém, a partir de um determinado ponto, por falta de disciplina e constância, fui espaçando os dias em que pegava no terço, chegando a ficar semanas inteiras sem recorrer às contas de Aves-Maria. Foi então que senti o baque: caí num estado espiritual «piorado» (que nada mais era que o estado anterior), e, olhando retroativamente, percebi que não era tanto que nada havia acontecido desde que começara a rezar o terço, mas que eu havia estado desatento demais para percebê-lo. 

Comecei a olhar em retrocesso: fato é que todas as minhas relações interpessoais haviam melhorado; minha vida profissional começou a organizar-se (porque eu comecei a organizar-me); a ansiedade com que lutei durante anos se dissipava a cada dia; uma paz inexplicável e nunca antes experimentada havia aparecido diante de mim e lá ficado; pequenas coisas, mas muito significantes, deram-me sinal de que teria de ter havido intervenção externa no rumo das coisas; passei a sentir um amor que jamais havia sentido pelas pessoas; passei a estar tranquilo, mesmo em meio a algumas adversidades até um pouco sérias, e foi aí que eu percebi que havia sido ela.

Isto é algo que os protestantes, que é de onde eu vim, jamais poderão entender. Deus «quis» nos dar uma mãe, a Sua mãe, que nos ama e zela por nós, que quer que sejamos perfeitos e todos do seu filho. Que está ansiosa por conceder-nos as graças que lhe foram confiadas. Uma mãe boa, muito melhor do que mereceríamos, que nos aguarda com seus braços abertos enquanto andamos extraviados pelo mundo. Soubera eu disso antes, e muita dor teria evitado, mas a verdade é que, às vezes, a corrupção é tão enorme, que não se chega à luz (da verdade) e ao calor (do amor) senão depois de uma amarga via purgativa.

Hoje eu entendo por experiência o que só sabia pela teoria, e a amo sobremaneira, porque ela me amou primeiro, e quero ser dela. Ontem fez 31 anos que fui batizado em uma igreja que a ela lhe foi dedicada, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e desde então ela estivera comigo, suportando a minha rebeldia, me esperando. Que não seja mais assim.

Oh, Tota Pulchra! Amo-vos como a uma mãe, respeito-vos e submeto-me a vós, como a uma senhora! Levai-me a vosso Filho e concedei-me as graças de que preciso até o fim dos meus dias. Amém.
www.ofielcatolico.com.br

3 comentários:

  1. Muito bonito. A pratica do terço diario traz Paz.

    ResponderExcluir
  2. Faço essa experiência já por algum tempo e é maravilhosa. Deus nos deu sua mãe como prova de seu imenso Amor por nós.Amém.

    ResponderExcluir
  3. É exatamente assim. Lindo relato, bem contemplativo de nossa característica humana sem Maria por perto e nossa " humilde santidade com Maria . Louvado seja Nossa Senhor Jesus Cristo a quem rogamos , por intercessão de Maria, que nos mantenha na perseverança dos justos.

    ResponderExcluir

** Inscreva-se para a Formação Teológica da FLSP e além das aulas mensais (com as 4 disciplinas fundamentais da Teologia: Dogmática, História da Igreja, Bíblia e Ascética & Mística) receba acesso aos doze volumes digitais (material completo) do nosso Curso de Sagradas Escrituras, mais a coleção completa em PDF da revista O Fiel Católico (43 edições), mais materiais exclusivos e novas atualizações diárias. Para assinar agora por só R$13,90, use este link. Ajude-nos a continuar trabalhando pelo esclarecimento da fé cristã e católica!

AVISO aos comentaristas:
Este não é um espaço de "debates" e nem para disputas religiosas que têm como motivação e resultado a insuflação das vaidades. Ao contrário, conscientes das nossas limitações, buscamos com humildade oferecer respostas católicas àqueles sinceramente interessados em aprender. Para tanto, somos associação leiga assistida por santos sacerdotes e composta por profissionais de comunicação, professores, autores e pesquisadores. Aos interessados em batalhas de egos, advertimos: não percam precioso tempo (que pode ser investido nos estudos, na oração e na prática da caridade) redigindo provocações e desafios infantis, pois não serão publicados.

Subir