Trabalhar demais é pecado?


OS DIAS DOS NOSSOS TEMPOS parecem voar; reuniões de trabalho, lanche rápido, projetos, redes sociais, mensagens, e-mails, supermercado, compromissos, reunião, estímulos digitais sem fim...


E, ao fim, desmaiar no sofá. Dias que passam tão mais rápido do que passavam os doces e lentos dias dos nossos avós, e até os dos nossos pais, que a nossa memória vai ficando comprometida. Agora é difícil lembrar do que vivemos ontem, do que almoçamos, do que dissemos, do que planejamos para o futuro... da felicidade que sonhamos para nossas vidas.

São dias mal vividos, em que vamos deixando o mais importante para depois, por falta de tempo, e falta tempo para viver o aqui e agora.

"Não vos preocupeis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo" (Mt 6,34), disse Nosso Senhor, e quase podemos ler nas entrelinhas: "Vivam o hoje, o agora, vivam um dia de cada vez".

Hoje, brigamos com o tempo e queremos esticá-lo; gostaríamos que o dia tivesse 48 horas, ou pelo menos gostaríamos de não precisar dormir, o que, aliás, nos parece uma grande perda de tempo, quando há tanto para fazer e tão pouco tempo para dar conta de todas as nossas obrigações, deveres, responsabilidades. Mas os poucos minutos livres que nos sobram, quantas vezes, sem perceber, desperdiçamos vasculhando o Facebook ou o Instagram.

Quantas vezes decidimos, por dentro, que faríamos melhor no dia seguinte, mas... Quando o novo sol dá as caras, encontra-nos repetindo os mesmos velhos hábitos viciosos. Eu sei que muitos de nós estão vivendo como que "no piloto automático", correndo e pulando de uma tarefa "urgente" para outra, não permitindo a si mesmos o necessário tempo de contemplação, meditação e oração. 

Parafraseando a poetisa Mary Oliver, queremos deixar uma simples pergunta: "Diga-me", leitor, "o que é que você pretende fazer com a sua preciosa vida"?

Se a Igreja aponta a preguiça como um dos sete pecados capitais – caracterizado pela inatividade e pela falta com o esmero, com o empenho, típico das pessoas negligentes, desleixadas e lentas (por má vontade) no cumprimento das suas obrigações, por outro lado o exagero também pode se configurar em grave pecado, na medida em que por causa dele abdicamos dos sagrados deveres – para com a Religião e também para com a família.

Sim, é importante e é uma obrigação descansar. Deus em Pessoa determinou que os homens trabalhassem por seis dias e descansassem no sétimo (Ex 20,9-10), e também aprovou feriados para que o louvássemos e recuperássemos as nossas forças, de corpo e de alma. Tão importante é o descanso que no Terceiro Mandamento do Decálogo, sobre o descanso do sábado, este é igualmente destinado também aos estrangeiros e até aos escravos (CIC §2057).

Ao mesmo tempo em que a preguiça é pecado, o seu oposto – a obsessão pelo trabalho – é pecaminosa também. Gostar do trabalho é uma grande benção e um sinal de nobreza do homem, mas não se pode ignorar que a vida nos acena com outros propósitos.

E você, caro leitor? Tem trabalhado para viver ou está vivendo só para trabalhar?

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