Teólogos querem a suspensão da excomunhão de Lutero para celebrar o 'ecumenismo'

Bula de excomunhão de Lutero "Decet Romanum Pontificem", de Leão X, de 3/1/1521
Bula de excomunhão de Lutero "Decet Romanum Pontificem", de Leão X, de 3/1/1521

NA BUSCA INSACIÁVEL pela cisão com tudo o que faz lembrar fidelidade à Tradição da Igreja, em um gesto pseudo-ecumênico sem precedentes, um grupo de teólogos dirigiu-se a Roma e à Federação Luterana Mundial para pedir uma declaração formal que acabe com 500 anos de condenações mútuas.

Em 3 de janeiro de 1521, o papa Leão X excomungou Martinho Lutero mediante a bula Decet Romanum Pontificem. O heresiarca, por sua vez, chamou o Papa de Anticristo, assim como proferiria mais uma infinidade de blasfêmias contra a Igreja, a santa Missa, a Eucaristia e todos os Sacramentos, e até contra o próprio Cristo (saiba mais). Meio milênio depois, Francisco poderia estar planejando revogar o castigo eterno para Lutero, a quem já prestou reconhecimento em numerosas ocasiões como “um reformador” que quis mudar a Igreja, e não a destruir – uma visão dos fatos que é, para dizer o mínimo dos mínimos e para não faltar com o respeito para com o atual Pontífice, polêmica e profundamente equivocada. Quem já estudou o assunto e ao menos passou os olhos sobre os escritos de Lutero, sabe disso acima de qualquer dúvida.

A decisão seria um gesto histórico que, para muitos, representaria mais um claro sinal de que estamos mesmo muito próximos da grande apostasia. Assim solicitou o “Grupo de discussão ecumênica de Altenberg”, no dia de Pentecostes. O coletivo de teólogos "ecumênicos" também se dirigiu à Federação Luterana Mundial para que retire a declaração de “Anticristo” de Lutero ao Papa. Seria preciso retirar muito mais e, bem, seria preciso ressuscitar o próprio Lutero para fazê-lo: afinal, segundo creem tanto os católicos quanto os protestantes, ninguém pode pedir perdão por um pecado cometido por outrem, especialmente quando este não se arrependeu do que fez, mas morreu obstinado no erro.

A teóloga Johanna Rahner, de Tübingen, disse ao portal katholisch.de que essa decisão “permitiria à Igreja Católica expressar seu apreço aos protestantes de hoje”; estamos diante de uma  consequência direta do caminho aberto pelo Concílio Vaticano II; algo que hoje realmente é muito possível de acontecer. Para a alemã, algumas passagens do decreto conciliar Unitatis redintegratio (Vaticano II) poderiam ser interpretados como a abolição da excomunhão de Lutero, porém dado que a Bula relaciona-se com o conteúdo dos ensinamentos do reformador, das quais depende parte das igrejas ditas "evangélicas" de hoje, a retirada da excomunhão seria um fator realmente relevante.

Lembramos que, em 2017, em ocasião das comemorações pelos 500 anos da "Reforma" – ou das suas 95 teses postas na porta da igreja de Wittemberg – a Federação Luterana Mundial mostrou-se crítica com a condenação que Lutero fez a Leão X e sugeriu que fosse retirada, e o Vaticano de Francisco, por sua vez, lançou um selo comemorativo louvando a mesma "Reforma" protestante (saiba mais), no qual estava retratado Nosso Senhor Crucificado, tendo à esquerda Martinho Lutero, com uma Bíblia nas mãos, e à direita seu amigo Filippo Melantone, um dos seus maiores divulgadores, tendo em mãos a Confissão de Augsburgo, primeiro documento oficial dos princípios do protestantismo, o qual atacava frontalmente a Igreja Católica, seus Papas e seus dogmas(!).

De fato, tanto a Federação Luterana Mundial, quanto o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, estão planejando um evento conjunto para recordar a excomunhão de Lutero no próximo 3 de janeiro. Um encontro que poderia ocorrer em Roma e cuja cereja do bolo poderia ser o levantamento das mútuas excomunhões.

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