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O Santo Sudário de Turim

Parte do "Santo Sudário de Turim" que mostra a imagem frontal
(clique sobre a imagem para ampliar)

A EXPOSIÇÃO DO SANTO Sudário teve início no domingo, 19 de abril, na cidade italiana de Turim. Também chamado Sindone, o Sudário é o pano em que Nosso Senhor Jesus Cristo teria sido envolto, após a deposição da cruz, e sepultado. Além de símbolo da Ressurreição, é um mistério que a ciência não consegue explicar. – Estamos falando de uma possível prova física da Ressurreição de Cristo.

O arcebispo de Turim, Dom Cesare Nosiglia, presidiu a Missa com que foi aberta a exposição aos fiéis, que vai até o dia 24 de junho. “O Santo Sudário, que guarda os sinais do sofrimento de Cristo, é também o anúncio da Ressurreição e, portanto, da esperança que nos diz que o bem vence o mal. (...) O mais importante para os peregrinos e para a Igreja é que quando estejam perante o Santo Sudário, sintam no coração o que Jesus fez”, declarou o Arcebispo. O Papa Francisco viajará a Turim nos dias 21 e 22 de junho para venerar a relíquia, e um milhão de pessoas já se inscreveram para ver o tecido de linho sagrado. Como ocorreu no ano 2010, o Sudário estará exposto na catedral da capital de Piemonte. Desta vez, poderá ser visitado pelo público durante dois meses, quase um mês e meio a mais que da última vez. O acesso ao local da exposição é gratuito.

A Igreja não se pronunciou oficialmente sobre a autenticidade do Sudário, que há anos é submetido a exames científicos. Inúmeros estudos vêm sendo realizados no decorrer dos tempos, e todos os resultados levantaram objeções.

A peça de linho na qual, segundo a tradição, ficou gravada a imagem do corpo de Cristo com as marcas da crucifixão, foi (re)descoberta em meados do século XIV na igreja colegial de Nossa Senhora, em Lirey, próxima de Troyes (França). A família real de Saboya, que havia reinado na Itália até 1946, presenteou o Vaticano com o Santo Sudário em 1983. Em 2010, sua exposição ao público durante 43 dias na Catedral de Turim atraiu 2 milhões de pessoas, incluindo o Papa Bento XVI, que o descreveu como um "ícone extraordinário" que corresponde "totalmente" ao relato da morte de Cristo do Novo Testamento. Para proteger a peça, uma delicada operação foi montada (vídeo abaixo). Os organizadores esperam que a visitação neste ano supere os recordes anteriores.



A palavra sudário provém do latim sudarium, e na sua origem aludia tanto ao lenço que se usava para enxugar o suor do rosto quanto o pano com que se cobria a face dos mortos. Posteriormente, passou a designar o lençol que na Antiguidade era comumente usado para envolver cadáveres ou mortalha.

O "Sudário de Turim" ou "Santo Sudário" é um manto retangular de 4,36 m de comprimento por 1,10 m de largura. O tecido, firme e encorpado, é feito de puro linho e atualmente apresenta cor levemente amarelada. A espessura do tecido é de cerca de 34/100 de milímetros; é macio e fácil de dobrar. O peso avaliado é de aproximadamente 2,450 Kg. O linho usado na tecedura do Sudário foi fiado à mão, sendo que cada fio do tecido composto de 70-120 fibras tem um diâmetro variado e torcedura em "Z", no sentido horário. No ano de 1532, ocorreu um grande incêndio na Capela do Castelo de Chambéry, onde o Sudário estava guardado, dobrado e encerrado numa caixa de prata. Com o calor do fogo, a prata derreteu e gotejou sobre o Sudário, causando queimaduras por todo o lençol, que estava dobrado duas vezes no sentido da largura e quatro vezes no sentido do comprimento, formando 48 sobreposições. Quando foi desdobrado, viu-se que estava danificado de modo simétrico (como se vê na imagem do topo).

Além disso, a água usada para apagar o incêndio e esfriar a caixa incandescente deixou muitos halos (marcas) em forma de losango, as quais são sutilmente visíveis sobre as áreas que permaneceram secas. Os triângulos irregulares mais claros que se vê são ao longo do Sudário são os remendos dessas partes queimadas, feitos pelas irmãs clarissas de Chambéry.


Por que tanto interesse no Sudário

Obviamente, a Imagem no tecido é tudo o que realmente interessa quando se fala no Sudário. Quem observa o tecido estendido pode ver a figura, esmaecida mas impressionante, de um corpo humano em tamanho natural. De fato, são duas imagens do mesmo corpo: numa se vê o corpo de frente, na outra de costas. Elas se prolongam cabeça contra cabeça, em frente e verso. A imagem mostra claramente que o Sudário foi posto longitudinalmente em torno do corpo: o cadáver que deixou as marcas foi deitado sobre uma metade do lençol, o qual depois foi passado por cima da cabeça e estendido até os pés. A figura humana é formada, basicamente, por manchas de dois tipos, que apresentam colorações diferentes. Dois estudiosos norte-americanos, o engenheiro Kenneth E. Stevenson e o Filósofo Gary R. Habermas, sintetizaram assim a descrição do "Homem do Sudário": "A imagem é de um homem barbado, de aproximadamente 1,80m de altura. A idade é calculada entre 30 e 35 anos, e o peso em cerca de 80 Kg. É um homem bem constituído e musculoso".


Imagem com o contraste aumentado e
escurecida para facilitar a visualização

O exame dos sinais visíveis

1. O exame da imagem demonstra que o homem do Sudário é muito semelhante à imagem clássica de Jesus Cristo, e que foi espancado, flagelado e crucificado. Na imagem vista de frente, o rosto apresenta sinais bastante claros de traumas múltiplos: na testa, nas arcadas superciliares, nos zigomas, nas faces e no nariz, – que traz uma escoriação na ponta, – existem deformações típicas do inchaço causado por fortes pancadas. Apesar de tudo, no conjunto, o rosto traz um aspecto composto e sereno.

2. Os ombros estão erguidos, como se o corpo tivesse permanecido suspenso pelos braços até o momento da morte. Nota-se uma grande equimose no nível da omoplata esquerda e uma ferida no ombro direito, indicando fricção contínua com um objeto pesado e áspero, – exatamente como ocorreria se o homem tivesse carregado um patibulum (travessão da cruz romana) no ombro.

3. Os joelhos, especialmente o esquerdo, estão escoriados, com ferimentos muito semelhantes aos que seriam provocados por quedas violentas.

4. Fios de sangue estão presentes em todo o crânio, mais evidentes na nuca e na testa, como se algum tipo de capacete ou coroa feita de espinhos tivesse sido cravado em sua cabeça.

 5. São bem visíveis os antebraços e as mãos, – cruzadas sobre o abdômen, esquerda sobre a direita. – No pulso mais visível, o esquerdo, há uma grande mancha de sangue causada por uma ferida grave. Embora a mão direita esteja parcialmente oculta pela outra, o fio de sangue que escorre pelo antebraço indica que também este pulso tem uma ferida semelhante: ferimentos esses que se encaixam perfeitamente com as lesões que seriam provocadas por grandes cravos. Os dedos, bem visíveis, são alongados. Nota-se que os polegares não aparecem na imagem, – o que é particularmente interessante, já que a lesão do nervo mediano, provocada por cravos atravessando os pulsos na altura do espaço de Destot (imagem) obrigaria os polegares a se contraírem e se oporem às palmas das mãos.

6. No lado direito da caixa torácica (no Sudário é o lado esquerdo, porque a imagem é especular: como em um espelho, o lado direito da imagem é o lado esquerdo do corpo e vice-versa), nota-se uma ferida perfeitamente compatível com a que seria causada por uma ponta de lança romana: a chaga do lado direito do supliciado tem uma forma elíptica de 4,4 cm por 1,4 cm, que seria o diâmetro exato de um ferimento causado por uma lança romana do primeiro século, sem ganchos que alargariam a ferida e sem nervuras de reforço, tal como as que se utilizavam em motins para ferir depressa e mortalmente, de modo a retirar a arma e visar imediatamente outro adversário.

Na parte superior da mancha sanguínea se distingue nitidamente uma mancha oval com o eixo maior oblíquo de dentro para fora e de baixo para cima, que dá nitidamente a impressão da chaga do lado de onde saiu este sangue. Aí distingue-se uma dupla mancha no tecido: uma de sangue e outra, quase incolor, que só se tornou visível quando se usaram raios ultravioleta na observação. Os dois líquidos correram abundantemente até formarem uma espécie de círculo em torno dos rins. Como sabemos, o quarto evangelista afirma que da ferida saiu sangue e água. O sangue na imagem do Sudário procede do coração e talvez de hematomas causados por hemorragias internas. Quanto ao que João chama "água" e que corresponderia à mancha incolor observada no pano, é muito provavelmente uma mistura de soro sanguíneo, – resultante dos hematomas, – e de líquido pericárdico, situado dentro da bolsa pericárdica que envolve o coração. Esse líquido é tanto mais abundante quanto maior for o sofrimento da vítima; constitui inclusive uma prova usada em medicina legal para saber se a vítima foi seviciada antes da morte.

7. No torso das figuras, anterior e posterior, notam-se decalques de sangue em formas bastante regulares por todo o corpo. O sangue se coagulou em lesões lácero-contusas de modo diferente, muitas vezes aos pares e em sentido paralelo, indicação clara de que foram causadas por chicotadas repetidas, sendo que estudos demonstraram que foram cerca de 120. É evidente, ainda, que os golpes foram produzidos por dois homens posicionados um de cada lado do "Homem do Sudário", e que um destes era bem mais alto.

8. Percebe-se que o pé direito do crucificado foi apoiado diretamente no madeiro da cruz; o esquerdo foi posto sobre o direito; ambos foram pregados juntos nessa posição, e assim os fixou a rigidez cadavérica.


Como um negativo fotográfico!

Foram as primeiras fotografias tiradas do Sudário que determinaram a grande reviravolta que ocorreu nos anos seguintes: um grande progresso nos conhecimentos a seu respeito e, consequentemente, um grande e sempre crescente interesse popular e científico pela relíquia, que até então era considerada apenas mais um simples objeto de devoção católica.

Tudo começou em 1898, quando o fotógrafo e advogado Secondo Pia obteve autorização para fotografar o Sudário. Ele o fez, obviamente com a aparelhagem técnica da época, e logo levou as chapas à câmara escura para a revelação. O que aconteceria a seguir seria a maior surpresa e o maior acontecimento de toda a sua vida: diante de seus olhos estupefatos, foram aos poucos surgindo os primeiros contornos, e depois, as definições cada vez mais perfeitas, evidentes e ricas em pormenores. Trêmulo, Secondo Pia percebeu que a imagem da chapa era muito mais vívida e nítida do que a que se podia ver diretamente no Sudário. Como fotógrafo, ele imediatamente percebeu que a imagem gravada no Sudário era na verdade uma espécie de negativo fotográfico!

Ao contrário do que Pia poderia imaginar, no negativo surgiu a imagem positiva perfeita, mais nítida e real do que a imagem fotografada: "Fechado em minha câmara escura e absorto em meu trabalho, senti uma emoção fortíssima quando, durante a revelação, vi aparecer pela primeira vez, na chapa, a Sagrado Face, com tal clareza que fiquei aturdido!" (declaração de Secondo Pia em 1898).

Aquela primeira fotografia revelou esse imprevisível e inacreditável segredo. Desde então, o Sudário passou a ser estudado como um dos mistérios mais apaixonantes da Antiguidade, pois obviamente não haveria como um falsificador reproduzir, há centenas de anos, uma imagem com características de um negativo fotográfico moderno. Muitos anos depois, com o uso de computadores e técnicas cada vez mais avançadas, seriam feitas descobertas cada vez mais impressionantes a respeito da imagem presente no Sudário.

Em 1973 nomeou-se uma comissão para autenticar outras fotografias tiradas em 1969. Era membro dessa comissão um conceituado cientista suíço, o Dr. Max Frei Sulzer, protestante, perito em micro-vestígios e criminólogo de fama internacional, fundador e diretor, durante 25 anos, do serviço científico da polícia de Zurique (Suíça). Ele encontrou no Sudário uma notável quantidade de pó atmosférico muito fino, e retirou doze amostras usando fitas adesivas especiais para coletar material microscópico do tecido sem danificá-lo.

Dessa maneira, Frei identificou 58 espécies de pólen no Sudário: 17 delas eram provenientes da França ou da Itália, locais onde o Sudário fora exposto muitas vezes durante sua longa existência; As demais amostras, porém, vinham de plantas encontradas exclusivamente na Palestina, e muitas delas típicas de Jerusalém e arredores(!). Uma comprovação incontestável de que o Sudário estivera em Jerusalém, e um ponto a favor de sua autenticidade como verdadeira mortalha de Jesus Cristo.

Mais averiguações científicas foram realizadas em 1978, quando foi certificado que a imagem do Sudário não apresenta nenhum sinal de direção, isto é, não foi pintada nem desenhada. Durante os anos seguintes, muitos outros estudos foram feitos, e milhares de fotografias foram produzidas, com as mais diversas e mais avançadas técnicas, além de macrofotografias, radiografias, termografias, reproduções por transparência, fluorescência, etc, etc...


O polêmico teste de datação

Em outubro de 1988, um pedaço de 7 por 1,2 centímetros foi recortado do Sudário, dividido ao meio e uma das metades novamente dividida em três. O objetivo era submetê-las ao teste do Carbono 14, considerado o mais avançado sistema de datação de artefatos antigos. Se o Sudário era a mortalha de Jesus Cristo, ele teria que ter, no mínimo, aproximadamente 2 mil anos de idade. O carbono, sendo a base de toda matéria orgânica da Terra, é chamado de "traçador radioativo", pois o acompanhamento da sua degradação pode ser utilizado para medir a idade de qualquer matéria orgânica. - Como o linho do Sudário.

O teste foi aplicado aos três pedaços por equipes independentes: Universidade de Oxford, Inglaterra; duas equipes da Universidade de Tucson, Arizona (EUA) e Instituto de Tecnologia de Zurique, Suíça. O Museu Britânico de Londres supervisionou, analisou os três pareceres e elaborou o relatório final e definitivo, que enfim determinou: "Idade não superior a 723 anos. Data entre 1260 e 1390. Século XIII"...

No mundo inteiro parecia se ouvir um desapontado "Ooohh"... Vitória definitiva dos céticos? Estava batido o martelo, definitivamente? Para milhares de entusiastas ao redor do mundo, que viam na imagem do Sudário a melhor e mais concreta prova possível não só das narrativas dos Evangelhos como também da sua ressurreição, por razões que veremos a seguir, representava esse resultado um triste e definitivo ponto final?

Na época, o então Cardeal Arcebispo de Turim, Dom Anastacio Ballestrero, revelou ao mundo que o Sudário não era de fato uma relíquia dos tempos de Cristo, como até então acreditava tanta gente dentro e fora da Igreja, mas apenas uma reprodução medieval.

Então era isso. Uma impressionante obra de arte, de um período em que as relíquias religiosas estavam em moda, eram falsificadas às centenas e comercializadas indiscriminadamente.

Mas havia um problema. Alguma coisa não se encaixava na história toda. Não era possível que esse resultado não provocasse, no mínimo, espanto, não só na comunidade religiosa como também na científica. Acontece que esse único resultado contrariava todos os resultados de todas as muitas análises e exaustivos estudos científicos realizados até então. Como explicar?


Reprodução do rosto visível no Sudário de Turim;
imagem escurecida para facilitar a visualização.

Negativo fotográfico da mesma imagem:
inexplicavelmente esta é a imagem positiva

Além do carbono 14

a. A imagem do Sudário, comprovadamente e acima de dúvidas, não é uma pintura. Não há vestígios de pigmentos ou tintura de nenhuma espécie nele, além de a imagem não apresentar sentidos de direção.

b. Nas marcas do Sudário foram encontrados elementos químicos presentes no sangue humano. Os responsáveis pelos estudos de sangue no Sudário, Dr. John Heller e Baima Bollone, comprovaram a presença de hemoglobina, ferro, proteínas, porfirina, albumina e sangue tipo AB, fator RH positivo, na trama do linho.

c. A hipótese de alguém fazer uma pintura usando sangue humano também foi descartada, pois o exame de espectrometria de frequência da imagem digitalizada do Sudário revelou a total ausência dos picos que seriam causados por uma produção humana. Mais: o linho possui diversas camadas de fibras, e o estudo do sangue existente nessas fibras comprova ter sido este absorvido por contato, pois apenas as camadas mais superficiais estão impregnadas. - O que não ocorreria em caso de fraude.

d. A análise feita através de fotografias com luz ultravioleta fluorescente revelaram que ao redor das manchas de sangue presentes no Sudário há uma forte presença do soro que é produzido pelo corpo humano em casos de tortura, - como aquela a que foi submetido Jesus segundo os Evangelhos.

e. Os cientistas Eric Jumper e John Jackson, na década de 1970, transferiram fotos do Sudário de Turim para um supercomputador da Nasa, o VP-8, que colocou em relevo as imagens, transformando-as em 3D, e assim puderam recriá-las em terceira dimensão. Assim demonstraram que, no Sudário, a maior ou menor proximidade do corpo com o pano é que fez com que a imagem ficasse em alguns pontos mais clara e em outros mais escura. Os mesmos testes foram repetidos à exaustão com uma infinidade de imagens de pinturas de alguns dos maiores gênios impressionistas, e até com fotografias. Em nenhum caso o efeito obtido com a imagem do Sudário foi repetido(!). A imagem de Turim é única em toda a história da humanidade: em lugar algum, em nenhuma época, nada igual jamais existiu!


Reprodução artística de Jesus
a partir da face visível no Sudário

O fato concreto é que ninguém conseguia (como não se consegue até hoje), mesmo com todas as novas tecnologias que surgem sem cessar, explicar e nem reproduzir a imagem do chamado Santo Sudário de Turim. A produção daquela imagem seria algo absolutamente impossível para qualquer falsificador ou artista da Idade Média. Como descartar tantas evidências em prol da autenticidade em razão de uma única evidência contra ela? Não demorou para que pesquisadores e cientistas retomassem o estudo da famosa relíquia.

** Ler a continuação

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Fontes e bibliografia:

STEVENSON, Kenneth E. / HABERMAS, Gary R., A Verdade Sobre o Sudário, 2a. Edição, Paulinas, São Paulo, 1983.
PICKNETT, Lynn e PRINCE, Clive. O Sudario de Turim. 1 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.PRENEY, Júlio Marvizón. O Santo Sudário: milagrosa falsificação?. 1 ed. São Paulo: Mercúrio, 1998.
MOURA, Jaime Francisco. Apostolado Veritatis Splendor.
www.ofielcatolico.com.br

A oração infalível


QUE GARANTIA PODEMOS ter de que Deus vai ouvir às nossas súplicas? Que a perseverança na oração é importante já sabemos, porque os Evangelhos insistem nisso. Lucas narra a parábola do vizinho inoportuno, que bate à porta em plena noite para pedir pães. Tanto insiste que o outro, para se ver livre dele, acaba por atendê-lo (Lc 11,5-8).

No Evangelho de Mateus (15) encontramos a mulher cananeia que pede e insiste até ser atendida, chegando a se comparar aos cães que se alimentam das migalhas que caem da mesa dos donos.

Tais passagens mostram não só a importância de nos aproximarmos de Deus, mas de persistirmos nos pedidos. Precisamos, entretanto, eliminar a ideia de que a perseverança é necessária para “dobrar o Coração de Deus”. Não se trata disso. Ao contrário, precisamos persistir e insistir porque o nosso coração é que não se dobra com facilidade.

Neste estudo, examinaremos as características da oração infalível, isto é, como rezar tendo certeza de que seremos atendidos. Em determinadas situações, não adianta ficar como que “dando murro em ponta de faca”, como se diz popularmente. Insistir do jeito errado é persistir num engano. Existem fundamentos, características próprias que tornam uma oração infalível, que foram dadas pela Graça a todo aquele que crê.

Estamos diante de algo que as pessoas sempre procuraram, talvez mais do que a própria salvação de suas almas, – o que é lamentável. – Assim como Esaú trocou a benção paterna e divina, com os direitos de filho herdeiro, por um prato de lentilhas (Gn 25,29-34), muitos preferem prazeres e posses materiais à vida eterna. Vemos anúncios de supostas “orações de poder” e “novenas milagrosas” de todo tipo. Em praticamente toda igreja encontramos folhetos com as mais variadas (algumas absurdas) devoções a santos “de causas impossíveis”, que no imaginário popular seriam como que agentes infalíveis para dar tudo que pedirmos. Alguns contém até ameaças àqueles que “quebrarem a corrente”! Tais pessoas não imaginam como se afastam de Nosso Salvador, dando voltas em torno da Fonte ao invés de beber direto do inesgotável Rio de Água Viva. Pois foi Ele mesmo Quem nos prometeu que estaria conosco todos os dias, até o fim do mundo.

Já entre os ditos “evangélicos”, é comum o uso da passagem de João (13,13-14) como uma espécie de muleta verbal para toda e qualquer situação: em praticamente tudo o que dizem, acrescentam ao final da frase o complemento “em nome de Jesus”. A dona de casa diz que vai preparar o almoço de hoje “em nome de Jesus!”. O vendedor diz que vai cumprir sua meta mensal “em nome de Jesus!”. A filha diz que vai tirar um “A “na prova de matemática “em nome de Jesus!”... Qualquer afirmação, sobre qualquer assunto, é seguida de uma invocação ao nome do Senhor, mesmo que seja uma fofoca sobre a vida do vizinho, por exemplo, e até para contar ou rir de uma piada, muitos deles finalizam com um inevitável e impensado “em nome de Jesus”. Foi filmado e noticiado, há alguns anos, que até os deputados corruptos da “bancada ‘evangélica’” andaram agradecendo pela roubalheira “em nome de Jesus!”...

Interessante é que, agindo assim, não percebem que desobedecem ao Segundo Mandamento: “Não tomareis o Santo Nome do SENHOR, vosso Deus, em vão”. – O Nome de Deus não é amuleto para ser usado como garantia de sucesso em tudo o que se faz, como se Ele fosse atender a todos os nossos caprichos só por pronunciarmos o seu Nome.

Existe, porém, como dissemos, uma oração que é sempre infalível. – Deixando de lado as interpretações equivocadas das Sagradas Escrituras, é importantíssimo saber que existe, sim, um jeito de pedir a Deus infalivelmente. O Santo Evangelho mesmo nos dá esta garantia. Em Mateus (7,7-8), o Cristo diz: “Pedi e se vos dará, buscai e achareis, batei e vos será aberto...”, e, um pouco mais adiante, reafirma: “Tudo o que pedirdes com fé, na oração, vós o alcançareis”. – No seu discurso de despedida, no Evangelho de João, Jesus volta a insistir: “Tudo o que pedirdes ao Pai, em meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Tudo o que pedirdes em meu Nome, vo-lo darei” (14,13-14). E mais uma vez: “Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15,7).

Diz ainda mais o Salvador: “Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. (...) Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita” (Jo 16,23-24).

Nosso Senhor promete, garante que realmente existe uma infalibilidade para a oração do cristão que tem fé. Por outro lado, Tiago Apóstolo diz em sua Epístola: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal...” (Tg 4,3). Por quê isto? 

O grande problema é que, se por um lado temos uma evidência de fé, registrada nas Sagradas Escrituras, por outro temos a refutação que vem dos simples fatos. Ora, é inegável que muitas vezes pedimos e não recebemos, procuramos e não encontramos, batemos à porta e ela não se abre. Fica então evidente que há um modo certo de pedir; que se soubermos pedir, se conhecermos a forma da “oração infalível”, então seremos sempre atendidos.



A fórmula da oração infalível: as quatro exigências

Sendo assim, como é que podemos ter essa garantia, dada pelo próprio Senhor, de que nossa oração será infalivelmente atendida, afinal? Muitos católicos não sabem que Santo Tomás de Aquino já desvendou e esclareceu bem essa pergunta, na segunda seção da segunda parte da Suma Teológica (q. 83, art. 15), onde, num resumo precioso, diz o seguinte: “Quatro são as condições exigidas, simultaneamente, para que sempre se receba o que se pediu na oração”. São, portanto, quatro exigências, quatro requisitos, quatro características da oração que é atendida sempre, e que precisam estar igualmente presentes em nossas súplicas para que sejam infalivelmente atendidas, conforme a Promessa de Nosso Senhor. – Se falta uma, não há esta garantia divina. Quais são estas quatro
exigências? Eis a lista desenvolvida por Santo Tomás:

1. Que se peça para si;

2. Que se peçam coisas necessárias
à salvação;

3. Que se peça piedosamente;

4. Que se peça com perseverança.

O último item trata do que falamos no início e que consta do Evangelho de Lucas (11,5-8; 18,1-8): a perseverança. Ocorre, porém, que às vezes perseveramos em pedidos errados, e não somos atendidos. Por isso cada ponto da lista é importante. Cada um se liga ao outro, e juntos formam um conjunto coeso.

Assim, Santo Tomás diz que, em primeiro lugar, sua oração será atendida infalivelmente se você pedir para si mesmo. Esta exigência pode em princípio surpreender; alguns poderão ver aí uma aparência de egoísmo, tão contrário a tudo que Jesus pregou. Mas não se trata disso. Deus nos abençoa conforme a nossa disposição, entrega, desejo sincero e fé. Isto é, Deus quer derramar sua Graça sobre nós, e quer derramá-la abundantemente, mas é preciso que estejamos dispostos.

Quando pedimos pelo outro (e devemos fazê-lo), não temos a garantia de que a oração será atendida, porque Deus respeita a nossa liberdade. Nem sempre adianta rezar por uma pessoa que não está aberta ou disposta para receber a Graça. Podemos e devemos pedir pelo nosso próximo, e Deus pode nos atender por sua infinita Misericórdia. Mas esta não é uma oração infalível, porque a Graça depende, em parte, daquele que a recebe, e nós não podemos nos comprometer pelo outro, já que não podemos interferir na sua liberdade.

Quando pedimos para nós mesmos, entretanto, podemos nos comprometer, e assim estaremos inseridos em uma das condições necessárias para que sejamos atendidos infalivelmente conforme a Promessa de Nosso Senhor.

A segunda condição é que você precisa pedir coisas necessárias à sua salvação, o que por sua vez vai auxiliar na salvação dos outros. Se pedimos algo como uma cura, o fim de uma dificuldade ou que uma dívida seja sanada, por exemplo, não temos necessariamente a garantia divina para estas orações, porque nada disso é intrinsecamente necessário à nossa salvação.

Deus pode nos atender, – e sabemos o quanto nos atende, – se pedirmos com fé mesmo algo que não se enquadre nesta segunda exigência. Mas nós só podemos ter a plena certeza de que seremos atendidos quando pedimos coisas necessárias à salvação de nossas almas.

Assim, por exemplo, você pode pedir pelas virtudes; por uma graça que fortaleça o seu espírito para seguir Jesus; pode pedir por fortaleza ou prudência para não cair em pecado; pode pedir a graça de não morrer em pecado grave; pode pedir a libertação de determinada tentação... Coisas como essas, quem pedir receberá infalivelmente, desde que o pedido se enquadre também nas outras três condições.
A terceira condição é pedir piedosamente. O que é uma oração piedosa? Em primeiro lugar, é uma oração humilde. A Epístola de Tiago cita um versículo do Livro dos Provérbios, onde está escrito: “Deus resiste aos soberbos mas dá sua Graça aos humildes (Tg 4,6 cit. Pr 3,34)”.

A oração piedosa é humilde; é aquela em que você se põe diante de Deus suplicante, “como um mendigo”. Você não se apresenta diante do SENHOR como alguém que está ali “exigindo os seus direitos” ou algo parecido, com arrogância e sem temor. É preciso saber reconhecer a sua incapacidade, e, ao mesmo tempo, o Poder e a Grandeza de DEUS.

Além disso, a oração piedosa é feita com firme confiança: “Peça com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila assemelha-se à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro. Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do SENHOR, pois é um homem irresoluto, inconstante em todo o seu proceder. Mas que os irmãos humildes se gloriem de sua elevação” (Tg 1,6-9).

A oração piedosa é, portanto, confiante. Interessante notar, neste ponto, que o próprio Senhor Jesus Cristo, por diversas vezes, antes de conceder alguma graça, perguntava antes a quem lhe pedia se confiava nEle, como vemos na passagem de Mateus: “E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando, e dizendo: ‘Tem compaixão de nós, filho de Davi!’. E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disse-lhes: ‘Credes vós que eu possa fazer isto?’; disseram-lhe eles: ‘Sim, Senhor!’. Tocou então os olhos deles, dizendo: ‘Seja-vos feito segundo a vossa fé’. E os olhos se lhes abriram” (Mt 9,27-30). – Os cegos confiaram e, por confiarem, foram atendidos. Pedir crendo, sem vacilação: eis aí a segunda exigência.

A terceira característica da oração piedosa é pedir em Nome do Cristo. Por isso as orações litúrgicas quase sempre se encerram igualmente: “Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho...” – Em Nome do Senhor, nossa oração é piedosa (a oração e não tudo que dizemos, pois não queremos tomar o Nome de Deus em vão).

Por fim, para que uma oração seja piedosa, precisa ser feita com atenção. Quando pedimos displicentemente, sem atenção ao que dizemos, há uma irreverência que não cabe quando nos dirigimos ao Criador.

Sobre a quarta e última exigência da oração infalível, a perseverança, falamos no início, no exemplo do vizinho inoportuno, da viúva e do juiz, da mulher cananeia... E podemos usar também o exemplo direto do próprio Jesus: o capítulo 6 do Evangelho de Lucas, por exemplo, narra como Jesus passou a noite orando a Deus Pai. No Horto das Oliveiras, antes de se entregar em Sacrifício, deu o exemplo de perseverança, cheio de angústia e pedindo com insistência.

No Evangelho segundo Marcos, vemos como o Cristo rezava antes de Judas o trair: “E, afastando-se de novo, orava dizendo novamente a mesma coisa...” (Mc 14, 39). O Deus feito homem insistia e persistia em sua súplica.

Temos, assim, quatro exigências, quatro características básicas da oração que é sempre infalível. Se a sua oração possuir estas quatro, será atendida. Não ponha a sua confiança em “orações de poder” ou “novenas infalíveis”, nem pense que a intercessão de algum santo de “causas impossíveis” vai fazer com que você receba o que pede. Sem essas quatro condições, seu pedido poderá ser atendido, sim, pela Misericórdia de Deus, que é infinita; mas a sua oração não se enquadrará na Promessa infalível de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Ref.:
Homilia do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., dispon. em
padrepauloricardo.org/episodios/29-domingo-do-tempo-comuma-oracao-infalivel
Acesso 30/10/014

Nossa Senhora de Fátima e a paz no mundo

Por Dom Carlos Lema Garcia
Vigário Episcopal para a Pastoral da Educação e a Universidade


LÚCIA, A MAIS velha das videntes de Fátima, contava somente 10 anos quando Nossa Senhora lhes apareceu pela primeira vez, no dia 13 de maio de 1917. Seus primos, Jacinta e Francisco, tinham 7 e 8 anos respectivamente. A Europa estava em plena Primeira Guerra Mundial. Era meio-dia. De repente, sobre uma azinheira, no centro de uma grande auréola de luz que os envolveu, as crianças viram uma formosa senhora, mais resplandecente que o sol.

 – De onde sois, Senhora?

 – Sou do Céu.

Assim começou a primeira conversa entre Nossa Senhora e Lúcia. Entre maio e outubro, houve seis aparições de Nossa Senhora. Pediu-lhes que rezassem o terço todos os dias, e que fizessem penitência. Eles procuraram modos de fazer penitência: começaram a deixar seu lanche para o rebanho comer ou amarrar uma corda fortemente na cintura etc.

Na terceira aparição, Nossa Senhora pediu a consagração da Rússia a seu Imaculado Coração – os pastorinhos ignoravam o significado da palavra Rússia – e a Comunhão reparadora dos primeiros sábados. Nessa aparição também recomendou: “Quando rezarem o terço, no final de cada dezena, digam: 'Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai todas as almas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem'”.

Na última aparição, em 13 de outubro, Nossa Senhora disse-lhes: “Eu sou a Virgem do Rosário. Desejo que neste lugar se levante uma capela em minha honra”. Como havia anunciado, nesse dia teve lugar o milagre do sol, presenciado por umas 70 mil pessoas, que se haviam dirigido à Cova da Iria, e foi publicado com detalhe na imprensa.

“Chovia torrencialmente. De repente, a chuva cessou e as nuvens, escuras desde cedo, se dissiparam. O sol apareceu no zênite como um disco de prata que se podia olhar sem se ofuscar. Ao redor do disco distinguia-se uma coroa brilhante. De improviso, começou a tremer, a sacudir-se com movimentos bruscos, projetando, em todas direções, feixes de luz cuja cor mudava muitas vezes”.

A mensagem de Fátima contém um aspecto de exigência cristã: é necessário desagravar a Deus por todos os pecados cometidos, fazer penitência, rezar o Rosário, difundir a devoção ao Imaculado Coração de Maria, e rezar muito pelo Papa.

Jacinta e Francisco, tal como Nossa Senhora anunciou, morreram pouco depois das aparições. Lúcia, de acordo com o desejo expresso de Maria, aprendeu a ler e a escrever; em 1926 entrou para a Congregação das Doroteias na cidade do Porto. Mais tarde, foi admitida no Carmelo de Coimbra.

Como Nossa Senhora havia previsto, a Segunda Guerra começou muito mais violenta que a primeira. Portugal, por graça dela, ficou à margem do conflito.

Na quarta-feira, 13 de maio de 1981, festa de Nossa Senhora de Fátima, havia a audiência geral na praça de São Pedro quando o Papa João Paulo II sofreu um grave atentado. Um terrorista de nacionalidade turca atirou no Papa a uma pequena distância. Por muito pouco, uma das balas não atingiu a veia aorta, o que produziria uma hemorragia instantânea, que lhe impediria chegar com vida ao hospital.

Um ano depois, nesta mesma data, São João Paulo II viajou a Portugal para agradecer a Nossa Senhora de Fátima a sua sobrevivência ao atentado.

A 25 de março de 1984, o Papa João Paulo II, em união com os bispos do mundo inteiro, decidiu renovar a consagração do mundo e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria diante da Imagem de Fátima, trazida expressamente para a praça de São Pedro, com a presença de 200 mil pessoas.
Em 9 de novembro de 1989 caiu o muro de Berlim: uma comprovação das revelações de Nossa Senhora dirigidas aos pequenos pastores de Fátima.

Tal como na época das aparições de Nossa Senhora em Portugal, vivemos hoje semelhantes panoramas de agressão e de guerra, em que muitos cristãos sofrem amargas perseguições. Seguindo o exemplo dos pastorinhos de Fátima, elevamos a Deus a nossa oração, por intercessão de Maria, Mãe de Jesus, para consolar os que sofrem e encontrar um caminho para a paz nas nações em conflito, conforme o Papa Francisco não cessa de nos pedir.



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Fonte:

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, Jornal 'O São Paulo' nº 3051, ano 60, p. 5.
ofielcatolico.blogspot.comofielcatolico.com.br

Aos nossos irmãos de Fé

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CARÍSSIMOS AMIGOS e irmãos em Cristo, leitores de "O Fiel Católico". Este post é para dizer que nosso apostolado se encontra, hoje, vivendo um momento importante de sua história, de transição e profundas transformações, que deverão elevar nossos trabalhos a um novo patamar, a partir do qual poderemos ampliar nossas ações em prol da catequese e da evangelização, atingindo mais pessoas, de novas e diversas maneiras.

Ainda é cedo para divulgar as novidades que estão por vir. Estamos sendo assistidos por fidelíssimos e santos sacerdotes, que têm a salvação das almas como fim primeiro e último do seu sacerdócio, e que passarão a colaborar mais direta e ativamente com o nosso trabalho. Entendemos e vemos claramente que em nossos tempos é sumamente necessário o tipo de ação que procuramos tomar neste sítio virtual e por meio de nossa revista impressa. Os verdadeiros fiéis católicos precisam estar unidos em torno deste objetivo primeiro e comum, que é "levar o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15-16).

Neste momento, estamos procurando amealhar recursos para a ampliação de nossas atuações. Por isso, vimos a público pedir o apoio concreto dos nossos leitores. Estamos disponibilizando todos os números de nossa revista mediante uma colaboração no valor de R$8,00 cada, ou R$15,00 a cada duas revistas, efetivada por depósito bancário. Os interessados devem enviar e-mail para ofielcatolico@gmail.com, com  o comprovante ou os dados do depósito e o endereço para a entrega da(s) revista(s), além de especificar qual ou quais números desejam receber (estamos atualmente em nossa 10ª edição). Para contato telefônico, disponibilizamos os tel.s (11) 3569-1292 e o 9 8374-0718  (com Silvana).

Cremos ter deixado claro que não estamos meramente comercializando revistas, e sim disponibilizando um meio para aqueles que porventura queiram nos auxiliar a continuar trabalhando pela defesa da fé católica de sempre. – Abaixo, nossos dados bancários:

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Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), sobre o momento atual da Igreja


DE MANEIRA muito simples e direta, o fidelíssimo Dom Keller postou mensagem em sua página no Facebook em que parece fazer um desabafo sobre o momento vivido pela Igreja no Brasil de hoje. Reproduzimos abaixo:


Querem saber qual o grande mal do catolicismo no Brasil? Ele tem nome, endereço, CEP, CPF, etc. Tem identidade! O grande mal se chama "'teologia' da libertação" (com letras minúsculas mesmo), entendida como tem sido entendida por muitos, no Brasil.

Tudo deriva deste câncer. Muitos homens e mulheres da Igreja fizeram e ainda fazem ouvidos de mercador aos Documentos oficiais sobre a correta impostação desta "teologia": "Libertatis Nuntio", de 06 de agosto de 1984 e "Libertatis conscientia" de 22 de março de 1986. Este mal esteve, de certa forma, dissimulado durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Agora, ressurge com sua monstuosidade, produzindo as mais extravagantes situações, causando confusão entre os fiéis católicos. Especialmente a primeira Instrução (Libertatis Nuntio) é de uma clareza meridiana. Vale a pena reproduzir um parágrafo da Introdução:

“A Congregação para a Doutrina da Fé não pretende tratar aqui o vasto tema da liberdade cristã e da libertação em si mesmo. Propõe-se fazê-lo num documento posterior, no qual porá em evidência, de maneira positiva, toda a sua riqueza, tanto para a doutrina como para a prática.

A presente Instrução tem uma finalidade mais precisa e mais limitada: quer chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos de desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista.

Esta advertência não deve, de modo algum, ser interpretada como uma desaprovação de todos aqueles que querem responder generosamente e com autêntico espírito evangélico à «opção preferencial pelos pobres». Nem pode, de maneira alguma, servir de pretexto para aqueles que se refugiam numa atitude de neutralidade e de indiferença diante dos trágicos e urgentes problemas da miséria e da injustiça. Pelo contrário, é ditada pela certeza de que os graves desvios ideológicos que ela aponta levam inevitavelmente a trair a causa dos pobres. Mais do que nunca, convém que grande número de cristãos, com uma fé esclarecida e decididos a viver a vida cristã na sua totalidade, se empenhem, por amor a seus irmãos deserdados, oprimidos ou perseguidos, na luta pela justiça, pela liberdade e pela dignidade humana. Hoje mais do que nunca, a Igreja propõe-se condenar os abusos, as injustiças e os atentados à liberdade, onde quer que eles aconteçam e quaisquer que sejam seus autores, e lutar, com os seus próprios meios, pela defesa e promoção dos direitos do homem, especialmente na pessoa dos pobres."

Demos graças ao Bom Deus, que nos provê bispos assim dignos e fiéis, que ainda são capazes de discernir que a Igreja é infinitamente mais do que uma ONG, uma instituição de assistência social, e que, se por um lado, não pode existir a Igreja sem caridade, por outro também não pode existir a Igreja sem a Verdade.

Num livre exercício de imaginação, imaginemos que, por qualquer motivo de força maior, a Igreja precisasse, de repente, suspender todas as suas obras sociais, interromper todo o serviço caritativo aos pobres e sofredores, por algum tempo. Deixaria de ser Igreja por causa disso? Não; ainda continuaria sendo Igreja. Mas, a parir do momento em que a Igreja deixasse de proclamar a Verdade, que é o próprio Cristo, isto é, se deixasse de anunciar o Evangelho, então, nesse momento, deixaria de ser Igreja. – Até porque não há maior obra de caridade que anunciar o Evangelho, que socorre e salva às almas, que são eternas, e não apenas o corpo mortal. Por isso, ordenou Nosso Senhor: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer, será condenado" (Mc 16,15-16).

Caríssimo leitor que leu esta postagem até aqui, peço, por amor à Verdade, que reze comigo a oração abaixo, para que Deus Nosso Senhor nos envie santos sacerdotes, e a compartilhe tanto quanto lhe for possível. Que o SENHOR lhe abençoe e salve!



Oração por santos sacerdotes

“Senhor Jesus Cristo, que para nos dar testemunho do vosso Amor infinito instituístes o sacerdócio católico, a fim de permanecerdes entre nós pelo ministério dos presbíteros, enviai-nos santos sacerdotes!

Deus Pai, Filho e Espírito Santo, nós vos pedimos pelos nossos párocos e vigários, por aqueles que estão conosco, à frente de nossas comunidades; pedimos, especialmente, pelos que estão no comando da vossa Igreja, vosso Corpo, por vossa Glória! Que se mantenham firmes na santa missão que lhes foi confiada, que se lembrem sempre de viver e agir segundo a vossa santa Vontade; que não se percam, não se deixem seduzir pelo mundo, mas permaneçam fiéis ao Evangelho, sabendo preferir sempre as coisas santas que as do mundo, a caridade divina às políticas mundanas. Que nunca se esqueçam de nos instruir e conduzir, dando-nos exemplos de santidade e fidelidade.

Agradecemos e pedimos pelos sacerdotes que verdadeiramente trabalham a serviço do Vosso Reino, que não é deste mundo; seja ensinando, abençoando ou administrando os Sacramentos da salvação. Amparai e confortai, Senhor, aqueles que estão cansados e desanimados, que sofrem injustiças e perseguições pelo Vosso Nome ou que se sentem angustiados diante dos problemas, dificuldades e provações. Iluminai àqueles que lhes são hierarquicamente superiores, aqueles a quem destes maior responsabilidade no pastoreio do vosso rebanho, para que sejam sempre nosso auxílio e nunca motivo de nossa confusão; que possamos um dia nos apresentar juntos diante de Vós, com nossos corações limpos e nossas consciências puras.

Fazei que todos sintam a presença do vosso Amor, a força da vossa Providência, o sentido do vosso Sacrifício e a natureza espiritual do vosso Reino por meio de santos sacerdotes, pelo bem de toda a vossa Igreja e de todas as almas que anseiam pela vossa Presença, neste mundo e no outro.

Em vosso Nome Santíssimo, Senhor Jesus Cristo, Deus e Senhor Nosso, com o Pai e o Espírito Santo, pela intercessão da Virgem Maria e de todos os vossos santos e santos anjos, imploramos, confiantes em vossa infinita Misericórdia. Amém."

Ateus, mas adoram o demônio

Georges C. Huysmans
NA TRANSIÇÃO do século XIX para XX, um conhecido escritor francês estava curioso para ver uma cerimônia satânica de "missa negra", e conseguiu que um amigo o levasse ocultamente para presenciar o que se passava em um desses antros secretos. Durante a cerimônia sacrílega, chamou-lhe a atenção o empenho, a fúria, a obstinação dos participantes competindo entre si para ofender e espezinhar uma Hóstia consagrada. O raciocínio dele foi simples e perfeito:

“Não é racionalmente possível tanto ódio contra um pedacinho de pão. Se eles fazem isso, é porque sabem e acreditam que ali está muito mais do que pão. Eles o ofendem e desafiam porque sabem que não reagirá. Demonstram assim um poder ilusório, prometido por quem eles julgam detentor de poder maior (o demônio)."

Em viagem pouco depois disso, a Graça divina conduziu o escritor a encontrar Mugnier, sacerdote à moda antiga, zeloso pela salvação das almas. Este lhe esclareceu pacientemente todas as dúvidas e lhe deu diligente atenção durante seu processo de conversão. Em 1907, pôde apresentar a Deus a alma de Georges Charles Huysmans, que falecera com 59 anos como oblato de um mosteiro. Todo o seu processo de conversão está relatado por ele mesmo em suas últimas obras: Là-bas; En route; La cathédrale; L’oblat; Les foules de Lourdes.

Outro fato semelhante se deu com uma dama da corte, que não só assistiu mas também participou ativamente de uma missa negra. Madame Montespan desejava tornar-se a concubina favorita de Luís XIV. Para isso, expôs o próprio corpo no altar de uma missa negra. Conseguiu o que queria, mas depois se arrependeu e passou os últimos anos de vida como penitente em um convento.

Se interessarem os exemplos de quem escolhe essa via para obter fama e dinheiro, leia sobre a vida de certos ídolos do rock, que a missas negras e outros cultos satânicos comparecem, aos montes. Também não faltam exemplos entre as sumidades do Vale do Silício, entre os magnatas endinheirados, entre políticos famosos. A propósito destes, foi anunciado o lançamento de um livro de Rosane Malta, ex-mulher de Fernando Collor, relatando rituais de magia negra na casa da Dinda(!). Um pouco de pesquisa sobre a vida dos engalanados trará surpresas espantosas. Em nível mundial, está em pleno curso a propaganda dos cultos satânicos, e gente “esclarecida” dentro de universidades dedica-se ativamente a isso (um fato do qual este autor pode dar o seu testemunho – chegamos a falar de um caso ocorrido recentemente, por aqui). Estes servidores do diabo contam com a inércia e a incredulidade da sociedade, que se custa a acreditar que fatos assim tão terríveis possam ser mesmo reais.



Acima, de cima para baixo: o rapper Jay-Z e a megastar Beyonce são apenas alguns exemplos de celebridades envolvidas em cultos satânicos, e não fazem questão de esconder, exibindo símbolos e gestos da seita OTO (fundada por Aleister Crowley) em seus shows. Abaixo, a socialite Peaches Geldof, filha do músico Bob Geldof, é talvez o mais claro exemplo de celebridade que abraçou o satanismo. Ela exibe nas costas a cruz invertida, e explicitamente, no antebraço direito, uma tatuagem com as iniciais OTO, dentro de um coração. – Saiba mais

Para quem, como eu, trabalha e vive já há muitos anos em meios católicos, é difícil compreender que pessoas mentalmente sadias não acreditem na existência de Deus. Mais ainda, que muitos dentre esses disponham-se a praticar cultos satânicos onde explicitamente se adora o demônio. Há muitos ateus declarados, que não prestam culto porque não creem em Deus, mas aderem às piores abominações para cultuar outro “deus” falso. É possível imaginar posição mais contraditória?

Qual motivo leva pessoas racionais a cometerem tais atrocidades? Melhor seria perguntar quais motivos. São muitos e de características as mais diversas, movendo as almas perdidadas por meio de inúmeras atrações e/ou repulsas. Uns podem ter como objetivo, simplesmente, tornarem-se ricos ou famosos; outros podem julgar dura demais a sentença de ganhar o pão com o suor do próprio rosto. Outros são revoltados com a justiça divina, com o Cristianismo, não aceitam a moral da Igreja, uqe consideram "moralismo", odeiam a influência que o Cristo ainda exerce sobre a sociedade, e querem a revolução.

Variam os motivos, mas os caminhos confluem para dois objetivos situados nos pontos extremos de uma estrada: de um lado, Deus, do outro o demônio; no ponto mais alto, o Bem, no mais baixo, o mal; o convite suave de Deus na extremidade sadia, na outra, a insistência agressiva do demônio. Nenhum dos dois se manifesta diretamente, e sim por meio de pessoas, coisas, sensações, atrações, punições e prazeres diversos.

O processo de descida ao abismo satânico pode começar pelo consentimento a um desejo veemente proibido por um Mandamento, portanto vedado aos amigos de Deus. A tentação pode ser vencida, devolvendo a tranquilidade à alma, e sucessivas vitórias consolidam a fidelidade a Deus e a felicidade de situação. Uma transgressão ao Mandamento pode ser seguida de arrependimento e retorno ao caminho do bem. Mas, quando se cede ao pecado, mesmo sabendo que é pecado, que com aquela condescendência está se "comprando" a inimizade com Deus, o mais provável é que essa transgressão se torne o primeiro passo para outras, o que vai reforçando a adesão aos outros inimigos de Deus e tornando cada vez mais distante a Casa do Pai, e ais difícil o retorno. O demônio vai exigindo cada vez mais, e oferecendo cada vez menos.

De degrau em degrau, até o extremo deste tenebroso processo, qualquer tipo de culto satânico se torna possível e até provável. Chega-se ao fundo do abismo, e là-bas (lá longe, bem no fundo) completa-se o “caminho fácil” de adoração ao demônio. Este nem se dá a conhecer, mas poucos resistem às suas ofertas. Não retornam mais ao Caminho de Deus na condição de penitentes, ao contrário de Huysmans e Montespan. A grande maioria aceita, parcial ou totalmente, as exigências do demônio, podendo incluir ou não os cultos satânicos. O inimigo conhece o caminho mais adequado a cada vítima.

As primeiras derrapadas geralmente conduzem a pessoa à descrença, ao pensamento destrutivo de que Deus não ajuda, só proíbe e cobra. Em seguida, começam-se a procurar facilidades, com a ajuda de quem parece amigo de outro “todo-poderoso”. Daí a fazer pacto com ele e ceder em tudo o que quer, inclusive na adoração explícita, é questão de tempo. Muitos percorrem o caminho de volta, mas infelizmente a maioria não retorna.

De pecador a inimigo de Deus, depois amigo e adorador do demônio, o caminho do ateu pode ser curto ou longo, rápido ou demorado, mas está aberto a qualquer um que nele entre e aí permaneça voluntariamente.

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Adaptado de artigo da Frente Universitária e Estudantil Lepanto, dispo. em:
lepanto.com.br/catolicismo/ateus-mas-adoram-o-demonio
Acesso 7/5/015
www.ofielcatolico.com.br

Ser ou não ser – Sim, sim; não, não

“Vejo-te cavalheiro cristão (dizes que o és), beijando uma imagem, mascando entre dentes uma oração vocal, clamando contra os que atacam a Igreja de Deus, e até frequentando os santos Sacramentos. Mas não te vejo fazer um sacrifício, nem prescindir de certas conversas mundanas (podia, com razão, aplicar-lhes outro qualificativo), nem ser generoso com os inferiores. – Nem na Igreja de Cristo! – Nem suportar uma fraqueza do teu irmão, nem abater a tua soberba pelo bem comum, nem desfazer-te do teu forte invólucro de egoísmo, nem… tantas coisas mais! Vejo-te… Não te vejo. E dizes que és um cavalheiro cristão? – Que pobre conceito fazes de Cristo!"
São Josemaría Escrivá de Balaguer(‘Caminho’, pt. 683)


CERTO HOMEM estava indeciso sobre tornar-se ou não cristão. Um dia, sonhou e viu-se equilibrado em cima de um muro. Ao seu lado direito havia um anjo, e, ao seu lado esquerdo, um demônio. O homem queria saltar para o lado do anjo, luminoso e belo, de quem emanava uma aura de amor profundo. Sabia, porém, que se o fizesse precisaria abrir mão de uma série de pequenos prazeres, de certos vícios aos quais estava muito apegado. Olhava então, pensativo, para o lado do demônio, sabendo que se optasse pelo seu lado poderia continuar desfrutando de todos os seus “pecados de estimação”. Entendia, porém, que saltar para esse lado significava por em risco sua alma.

O anjo, vendo a hesitação do homem, instava e lhe pedia a todo instante: “Vem para este lado, o lado de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, dos santos e anjos de Deus! Ganharás a felicidade eterna! Vem, as alegrias do mundo são passageiras, não valem a pena! Vem! Vem!”, e não parava de insistir. Já o demônio se mantinha calado, apenas rondava, ostentando uma expressão satisfeita; – intrigado, o homem lhe perguntou: “Por que não me convidas também a decidir pelo teu lado, como o anjo”? Para a sua surpresa, o demônio respondeu: “Porque já estás do meu lado! O muro é meu.”...

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Editorial da revista "O Fiel Católico" nº10
www.ofielcatolico.com.br

2 de Maio, dia de Santo Atanásio


SANTO ATANÁSIO nasceu entre os anos 295 e 296, no seio de uma família humilde de Alexandria. Deus lhe concedeu muitas virtudes, entre elas, uma fé profunda e uma grande capacidade intelectual, demonstrada abundantemente em seus estudos. Aos 25 anos de idade foi ordenado diácono pelo Patriarca Alexandros, de Alexandria. Participou do Primeiro Concilio Ecumênico, em Niceia, que tratou da heresia de Ário.

Em 328, faleceu o Patriarca Alexandro, e Santo Atanásio foi eleito pelo clero e pelo povo como seu sucessor, tornando-se Arcebispo de Alexandria do Egito, contando apenas 33 anos de idade. Iniciou um forte combate contra a heresia de Ário e, por causa disso, foi exilado cinco vezes por ordem do imperador Constantino, sofrendo toda espécie de penas. Sem dúvidas, com fé, valor e paciência inesgotável, saiu vencedor e destroçou os lobos da ortodoxia.

Santo Atanásico viveu sempre conforme e tendo em vista o que diz a Sagrada Escritura: "Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas" (1Tim 6,12). – Estas palavras se fizeram realidade em sua vida, até o dia 2 de maio do ano 373, quando, aos 75 ou 77 anos de idade, entregou sua alma a Deus.

Santo Atanásio foi reconhecido com um dos grandes escritores eclesiásticos e um dos grandes Santos Padres da Igreja.


Quicumque vult

O Símbolo (ou Credo) Atanasiano (Quicumque vult) é um símbolo da fé atribuído pela tradição à Santo Atanásio. A teologia que transparece do texto, contudo, é a de Santo Ambrósio de Milão. O Símbolo Quicumque contém, em breves frases, a doutrina da fé na SS. Trindade e na Encarnação de Jesus Cristo, sobretudo visando combater o arianismo. Foi transmitido em grego e latim. Remonta ao século V ou VI, e é recitado no ofício da festa da SS. Trindade desde o século IX, e no exorcismo contra o demônio.

Na reforma de Pio X, foi conservado o nome, por respeito à antiguidade do nome e em abono do “pai e regra da fé ortodoxa”, como os SS. Padres se referiam a Santo Atanásio. (Piacenza, Regulaa, p. 134.) Tal é o seu valor e a importância do seu ministério que, por antonomásia, "atanasiano" significa o mesmo que "católico". Na liturgia da Igreja Católica, é recitado no ofício dominical de Prima. O Símbolo Atanasiano é uma Profissão de Fé, junto ao Símbolo (ou Credo) dos Apóstolos e ao Símbolo (ou Credo) Niceno-Constantinopolitano.




O Credo de Santo Atanásio


Em latim:
“Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est, ut teneat catholicam fidem: Quam nisi quisque integram inviolatamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit. Fides autem catholica haec est: ut unum Deum in Trinitate, et Trinitatem in unitate veneremur. Neque confundentes personas, neque substantiam seperantes. Alia est enim persona Patris alia Filii, alia Spiritus Sancti: Sed Patris, et Fili, et Spiritus Sancti una est divinitas, aequalis gloria, coeterna maiestas. Qualis Pater, talis Filius, talis [et] Spiritus Sanctus. Increatus Pater, increatus Filius, increatus [et] Spiritus Sanctus. Immensus Pater, immensus Filius, immensus [et] Spiritus Sanctus. Aeternus Pater, aeternus Filius, aeternus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres aeterni, sed unus aeternus. Sicut non tres increati, nec tres immensi, sed unus increatus, et unus immensus. Similiter omnipotens Pater, omnipotens Filius, omnipotens [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres omnipotentes, sed unus omnipotens. Ita Deus Pater, Deus Filius, Deus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres dii, sed unus est Deus. Ita Dominus Pater, Dominus Filius, Dominus [et] Spiritus Sanctus. Et tamen non tres Domini, sed unus [est] Dominus. Quia, sicut singillatim unamquamque personam Deum ac Dominum confiteri christiana veritate compelimur: Ita tres Deos aut [tres] Dominos dicere catholica religione prohibemur. Pater a nullo est factus: nec creatus, nec genitus. Filius a Patre solo est: non factus, nec creatus, sed genitus. Spiritus Sanctus a Patre et Filio: non factus, nec creatus, nec genitus, sed procedens. Unus ergo Pater, non tres Patres: unus Filius, non tres Filii: unus Spiritus Sanctus, non tres Spiritus Sancti. Et in hac Trinitate nihil prius aut posterius, nihil maius aut minus: Sed totae tres personae coaeternae sibi sunt et coaequales. Ita, ut per omnia, sicut iam supra dictum est, et unitas in Trinitate, et Trinitas in unitate veneranda sit. Qui vult ergo salvus esse, ita de Trinitate sentiat.
Sed necessarium est ad aeternam salutem, ut incarnationem quoque Domini nostri Iesu Christi fideliter credat. Est ergo fides recta ut credamus et confiteamur, quia Dominus noster Iesus Christus, Dei Filius, Deus [pariter] et homo est. Deus [est] ex substantia Patris ante saecula genitus: et homo est ex substantia matris in saeculo natus. Perfectus Deus, perfectus homo: ex anima rationali et humana carne subsistens. Aequalis Patri secundum divinitatem: minor Patre secundum humanitatem. Qui licet Deus sit et homo, non duo tamen, sed unus est Christus. Unus autem non conversione divinitatis in carnem, sed assumptione humanitatis in Deum. Unus omnino, non confusione substantiae, sed unitate personae. Nam sicut anima rationalis et caro unus est homo: ita Deus et homo unus est Christus. Qui passus est pro salute nostra: descendit ad inferos: tertia die resurrexit a mortuis. Ascendit ad [in] caelos, sedet ad dexteram [Dei] Patris [omnipotentis]. Inde venturus [est] judicare vivos et mortuos. Ad cujus adventum omnes homines resurgere habent cum corporibus suis; Et reddituri sunt de factis propriis rationem. Et qui bona egerunt, ibunt in vitam aeternam: qui vero mala, in ignem aeternum. Haec est fides catholica, quam nisi quisque fideliter firmiterque crediderit, salvus esse non poterit."


Tradução:

“Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas, e três Pessoas em um só Deus. Sem confundir as Pessoas nem separar a Substância. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas uma só é a Divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo; igual a Glória e co-eterna a Majestade. Tal qual é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E, contudo, não são três eternos, mas um só Eterno. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. E, contudo, não são três onipotentes, mas um só onipotente. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E, contudo, não são três deuses, mas um só Deus. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor. E, contudo, não são três senhores, mas um só Senhor. Porque, assim como a Verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são co-eternas e iguais entre si. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade, e a Trindade na unidade. Quem, pois, quiser salvar-se deve pensar assim a respeito da Trindade.
Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado na Substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância de sua Mãe. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana. Igual ao Pai, segundo a Divindade; menor que o Pai, segundo a humanidade. E, embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo. É um, não porque a Divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a Divindade e a humanidade formam um só Cristo. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. Subiu aos Céus e está assentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. E, quando vier, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, para prestar conta dos seus atos. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna; e os maus, para o fogo eterno. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar."

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Bibliografia:
MOLLOY, Michael E. Champion of Truth: The Life of Saint Athanasius, Indiana: Paulus, 2003.


Com PaleIdeas - Tradição Resistente
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Como resistir às tentações, por São João da Cruz


HÁ DUAS MANEIRAS de resistir aos vícios e adquirir as virtudes:

Existe uma maneira mais comum e não tão perfeita que consiste em procurar resistir a algum vício por meio de atos de virtude que se lhe opõem e que destroem tal vício, pecado ou tentação. Como se ao vício ou tentação de impaciência ou de espírito de vingança, que sinto em minha alma, por algum dano recebido, ou por palavras injuriosas, ou quisesse resistir lançando mão de considerações apropriadas, por exemplo, considerando a Paixão do Senhor: "Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador" (Is 53,7); ou trazendo à lembrança os bens que se adquirem com o sofrimento e com o vencer-se a si mesmo, ou, ainda, pensando que Deus nos ordenou que sofrêssemos por advir daí o nosso aproveitamento, etc.

Por meio dessas considerações, consinto em sofrer, querer e aceitar a citada injúria, afronta ou dano, e isso, visando a glória e a honra de Deus. Esta maneira de resistir e de se opor à tentação, vício ou pecado em apreço, dá ocasião ao exercício da paciência e é um bom modo de resistir, ainda que árduo e menos perfeito.

Há outra maneira mais fácil, proveitosa e perfeita de vencer vícios e tentações e adquirir e conquistar virtudes. Consiste no seguinte:

A alma deve aplicar-se apenas aos atos e movimentos anagógicos1 e amorosos, prescindindo de outros exercícios estranhos; por este meio, consegue opor resistência e vencer todas as tentações do nosso adversário, alcançando assim as virtudes, em grau eminente.

Ao sentirmos o primeiro movimento ou investida de algum vício, como luxúria, ira, impaciência, espírito de vingança por uma ofensa recebida, etc., não procuremos resistir opondo um ato da virtude contrária, segundo ficou dito, mas desde os primeiros assaltos, façamos logo um ato ou movimento de amor anagógico contra o vício em questão, elevando nosso afeto a Deus, porque com essa diligência já a alma foge da ocasião e se apresenta a seu Deus e se une com Ele. Ora, desse modo, consegue vencer a tentação e o inimigo não pode executar o seu plano, pois não encontra a quem ferir, uma vez que a alma, por estar mais onde ama do que onde anima, subtraiu divinamente o corpo à tentação. Portanto, não acha o adversário por onde atacar e dominar a alma; ela já não se encontra ali onde ele a queria ferir e lhe causar dano.



 E então, ó maravilha! a alma como que esquecida do movimento vicioso, e junta e unida ao seu Amado, nenhum movimento sente do tal vício com que o demônio pretendia tentá-la, tendo mesmo, para isso, arremessado seus dardos contra ela; primeiramente, porque subtraiu o corpo, como ficou dito, e, portanto, já não se encontra ali; assim, se me permitem a expressão, seria quase como tentar um corpo morto, pelejar com o que não é, com o que não está, com o que não sente nem é capaz de ser tentado, naquela ocasião.

Desta maneira vai-se formando na alma uma virtude heroica e admirável, que o Doutor Angélico, Santo Tomás, denomina virtude da alma perfeitamente purificada. Esta virtude, diz o santo, é a que vem a ter a alma quando Deus a eleva a tal estado que ela já não sente as solicitações dos vícios, nem seus assaltos, nem arremetidas ou tentações, pelo elevado grau de virtude a que chegou. E daqui lhe nasce e advém uma tão sublime perfeição que já não lhe afeta que a injuriem ou que a louvem e enalteçam; que a humilhem, que digam mal dela ou que digam bem. Porque, como os movimentos anagógicos e amorosos conduzem a alma a tão elevado e sublime estado, o efeito mais próprio deles com relação a ela é fazê-la esquecer todas as coisas que estão fora de seu Amado, que é Jesus, o Cristo. E daqui lhe vem, segundo referimos, que estando a alma unida a seu Deus e entretida com ele, as tentações não encontram a quem ferir, pois não podem elevar-se ao nível ao qual a alma subiu, ou até onde foi elevada por Deus: "Nenhum mal te atingirá" (Sl 90,10).

Deve-se prevenir aos principiantes, cujos atos de amor anagógicos não são ainda tão rápidos e instantâneos, nem tão fervorosos, para que consigam, de um salto, ausentar-se completamente dali (ou de si mesmos) e unir-se ao Esposo; que, se perceberem que apenas essa diligência não basta para esquecer por completo o movimento vicioso da tentação, não deixem de opor resistência, lançando mão de todas as armas e considerações que puderem, até que cheguem a vencê-la completamente.

Devem proceder do seguinte modo: primeiramente, procurem resistir, opondo os mais fervorosos movimentos anagógicos que lhes for possível e os ponham em prática, exercitando-se neles muitas vezes; quando isso não for suficiente, porque a tentação é forte e eles são fracos, aproveitem-se, então, de todas as armas de piedosas meditações e exercícios que julgarem necessários para conseguir a vitória. Devem estar persuadidos de que este modo de resistir é excelente e eficaz, pois encerra em si todas as estratégias de guerra necessárias e de importância.

Esta postagem é um excerto da obra de São João da Cruz, "Ditames de Espírito".
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1. Adjetivo de anagogia, que em Teologia revela estado de êxtase ou místico.
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