'Onde estiverem dois ou três reunidos em meu Nome'... Há salvação fora da Igreja?

O LEITOR BRUNO Queiroz enviou-nos a seguinte pergunta:
Henrique poderia me esclarecer um duvida, a palavra diz que .Jesus disse onde houver dois ou tres reunidos em meu nome ali eu estarei presente, é possível afirmar que jesus esta presente também nos cultos protestantes ou não?


Olá, Bruno Queiroz, Salve Maria!

Em primeiro lugar, eu gostaria de alertá-lo para que tome cuidado com as premissas protestantizadas. Observe bem que você já inicia o seu comentário dizendo "...a palavra diz que...". Vejo aí a insinuação de uma premissa 100% protestante/"evangélica". Não que esteja errado o que você disse; – o problema está no fato de que muitas vezes, querendo encontrar a solução para alguma questão, alguns católicos de hoje dizem: "A palavra diz isso e aquilo", usando a expressão "a palavra" assim, de modo absoluto, no singular, referindo-se à Bíblia Sagrada. – Quando o fazem, estão, inconscientemente, elevando as Escrituras à sua "única regra de fé e prática". E assim, sem perceber, caem na heresia da sola scriptura, possivelmente o mais mortal dos erros trazidos por Lutero, Calvino e companhia.

É fundamental que nós, católicos, compreendamos que a Palavra de Deus, em sentido pleno, é Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado.

Depois disto, num nível diferente (em grau de perfeição), podemos chamar também "Palavra de Deus" às Sagradas Escrituras (Bíblia), e à Tradição Apostólica, como atesta a própria Bíblia (2Ts 2,15; 3,6). Num outro sentido, a Palavra de Deus também se faz "ouvir" (por assim dizer) no Magistério da Igreja divinamente instituída (Mt 16,18). A Igreja, sendo Corpo de Cristo, é a continuação histórica do Cristo na Terra, e é por isso que aqueles que perseguem a Igreja perseguem o próprio Jesus Cristo, como revelou o Senhor mesmo a S. Paulo no caminho para Damasco (At 9,4ss). E como a Igreja se identifica assim tão intimamente com o seu Fundador, – Jesus, que é Deus, – também a palavra da Igreja, por meio do sagrado Magistério, é Palavra de Deus. 

Sendo assim, a Bíblia é Palavra de Deus por escrito. Logo, não está errado dizer que a Bíblia é Palavra de Deus, mas está errado dizer que a Bíblia é "A" Palavra de Deus, insinuando um sentido absoluto, como se o Livro sagrado só e isoladamente pudesse conter tudo o que Deus Todo-Poderoso tem a nos dizer e instruir. A Bíblia, ela mesma, diz que a Escritura é útil para instruir, mas não diz que somente a Escritura, isolada e exclusivamente, é a nossa única regra de fé e prática. Ao contrário, as Escrituras declaram categoricamente que é a Igreja "a coluna e o sustentáculo da Verdade" para o cristão (1Tm 3,15). – A Bíblia foi produzida pela Igreja, e não o contrário. Assim, devemos recorrer à Igreja para entender e interpretar a Bíblia, não o contrário. Dom José Francisco Falcão de Barros, Bispo Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil, falou longamente a esse respeito em suas vídeo-aulas, que você pode assistir aqui.

Dito isto, passo à sua questão, que, creio, já começa a se aclarar. A Palavra de Deus escrita precisa ser interpretada à luz da Igreja. Se não fosse assim, cairíamos no caos completo, como aconteceu com o protestantismo: hoje existem dezenas de milhares de denominações ditas protestantes/"evangélicas", e cada uma delas prega "uma verdade" diferente da outra, porque cada "pastor", "ancião" ou "reverendo" interpreta a Bíblia "do seu jeito" particular, – algo que está proibido na própria Bíblia (2Pd 1,20).

De modo muito semelhante, eu posso lhe dizer que já vi, pessoalmente, grupos de espíritas reunidos em nome de Jesus. Eles se reúnem, rezam o Pai-Nosso (às vezes até a Ave-Maria e/ou alguma outra oração católica) e invocam o Nome de Jesus. Falam em Nome dEle, citam o Nome dEle a todo instante, recitam passagens dos Evangelhos... Isso quer dizer que Jesus está presente nas seitas espíritas?

Também os membros da seita "santo daime" ou ayahuasca (isto não presenciei in loco, mas vi em diversos documentários e reportagens) invocam o Nome de Jesus, falam em seu Nome, citam passagens dos Evangelhos... Já vi (isto sim, pessoalmente) um membro destas seitas comparando a Eucaristia com o chá alucinógeno que eles consomem! E essa pessoa pronunciou esta blasfêmia "em Nome de Jesus". Será, então, que por se reunirem em Nome do Cristo eles estão em Comunhão com Nosso Senhor?

Poderíamos avançar nessa linha de raciocínio, porque existem inúmeras seitas esotéricas/ocultistas que reúnem pessoas em Nome do Senhor Jesus, e algumas até o reconhecem como Filho de Deus. Seria este um atestado de autenticidade das suas práticas?

Deixo as respostas ao seu encargo. Finalizo dizendo o que sempre digo: a Sagrada Bíblia precisa ser lida à luz da fé da Igreja de Cristo, e entendida como um conjunto coeso e coerente de textos, em que uma passagem não pode contradizer outra. Todos os livros do Novo Testamento são unânimes e insistentes em afirmar a importância de se manter a ortodoxia da fé. Poderia uma passagem isolada afirmar que basta um grupo se reunir "em Nome de Jesus" para que Jesus estivesse com eles, no sentido de que sua doutrina fosse autêntica?

Mais uma vez, você é quem responde. Esclarecido este primeiro ponto, insinua-se automaticamente uma outra questão, a qual analisaremos a partir daqui.



Há salvação fora da Igreja?

Um antigo axioma católico diz: "Extra Ecclesiam nulla salus": "fora da Igreja não há salvação". Pregar essa verdade a um mundo dominado pelo indiferentismo religioso e pelo relativismo pode não ser tarefa fácil. Porém, como disse o Papa Paulo VI, "não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma eminente de caridade"1. Não se pode, em nome da caridade, abdicar do anúncio da Verdade. Sem esta, de fato, não pode sequer haver autêntica caridade, como tão bem ensinou Bento XVI: "Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida"2.

Sem dúvida, estabelecer se a Igreja é necessária para a salvação das almas, e como, bem como sua relação com as outras religiões, é empreitada bastante espinhosa. Alguns diriam mesmo tratar-se de um dos assuntos mais angustiantes de toda a eclesiologia. Para buscar uma resposta, é fundamental observar a prática dos santos. Assim, veremos que não é absolutamente possível conciliar o indiferentismo religioso com a fé cristã e católica, pois foi justamente contra essa postura herética que os primeiros mártires da Igreja ofereceram seu testemunho de vida e o derramamento do seu sangue: muitos deles poderiam ter sido salvos da degola, da cruz ou das presas das feras se, simplesmente, jogassem um punhado de incenso diante da imagem de um Imperador. No entanto, eles sabiam que, se o fizessem, estariam praticando um ato de idolatria. Renunciaram, então, à falsa "boa convivência" com as outras religiões; demonstraram, com suas vidas, o óbvio: uma só é a Religião verdadeira, que dá a vida eterna. Vale a pena abrir mão desta vida provisória e atribulada em troca de uma eternidade de plena felicidade.

Do mesmo modo, não é possível conciliar o indiferentismo com a fé dos Apóstolos, que atravessaram continentes e oceanos para anunciar o Evangelho aos pagãos; com a fé de São Francisco Xavier, que viajou ao Oriente para converter aqueles povos que não conheciam a Cristo; com a fé dos missionários jesuítas, que pagaram um alto preço para evangelizar o Novo Mundo, enfrentando desafios tremendos para trazer os povos indígenas à fé cristã.

Todo o sacrifício dos missionários cristãos para evangelizar outros povos está fundado na convicção da necessidade da Igreja para a salvação dos homens. Sugerir que a Igreja Católica está no mesmo nível de outras religiões e seitas, ou que a salvação pode ser empreendida simplesmente por meio dos esforços humanos, significa contrariar todos os santos, e, mais do que isso, pecar contra a caridade com que Cristo amou sua Igreja e se entregou por ela, assim como o esposo fiel se entrega pela esposa3.

Antes de responder objetivamente e conforme a doutrina católica à pergunta: "Há salvação fora da Igreja?", é preciso rever a definição que disponibilizamos na primeira parte deste artigo, compreender bem e profundamente o que é a Igreja, e manter sempre em mente e na alma que a Igreja é a continuação do Mistério da encarnação de Cristo na História. De fato, as graças que Jesus conquistou para os homens na cruz poderiam ter sido distribuídas "diretamente a todo o gênero humano. Deus quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, a fim de que por meio dela todos fossem, em certo modo, seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza. Assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada"4.
O eterno Pastor e Guardião das nossas almas (cf. 1Pd 2,25), querendo perpetuar a salutar obra da redenção, resolveu fundar a santa Igreja, na qual, como na Casa do Deus vivo, todos os fiéis se conservassem unidos, pelo vínculo de uma só fé e amor.5

Até que Jesus veio nos salvar por seu Sacrifício, havia um abismo entre Deus e o homem. Esse abismo já existia pela própria natureza das coisas (Deus infinitamente santo e maior que as criaturas, portanto infinitamente inacessível a estas), foi ainda mais aprofundado pelo pecado original. Sendo impossível que o homem superasse esse abismo, Deus mesmo fez-se homem. Construiu, assim, o caminho inverso do da Torre de Babel. – Os homens tentaram edificar uma torre que atingisse os Céus; Deus, porém, veio Ele próprio em socorro da fraqueza humana. – Em Cristo estão unidas as duas naturezas: a divina e a humana, "sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação"6, como indica o Concílio de Calcedônia. É justamente por ser homem e Deus que só Jesus Cristo pode redimir o homem e levá-lo a Deus.

Logo, para que se salve, o homem deve incorporar-se a Cristo, tornar-se membro de seu Corpo, que é a Igreja7. Entretanto o demônio, desde sempre, quis divulgar a falsa ideia de que a Igreja é instituição meramente humana; alguns de nosso tempo, repetindo o erro de que "foi alheio à mente de Cristo constituir a Igreja como sociedade que devia durar sobre a terra por longo decurso de anos"8, insinuaram que "a Igreja como instituição não estava nas cogitações do Jesus histórico"9. Esse tipo de pensamento é completamente herético.
Antes de mais, deve crer-se firmemente que a 'Igreja, peregrina na Terra, é necessária para a salvação. Só Cristo é Mediador e Caminho de salvação; ora, Ele torna-se-nos presente no seu Corpo que é a Igreja; e, ao inculcar por palavras explícitas a necessidade da fé e do Batismo (cf. Mc 16, 16; Jo 3, 5), corroborou ao mesmo tempo a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo tal como por uma porta'10. Esta doutrina não se contrapõe à Vontade salvífica universal de Deus (cf. 1 Tim 2, 4); daí 'a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação'11.12

Nessa matéria, é possível incorrer em dois extremos: a) no indiferentismo, na heresia que nega a necessidade da Igreja para a salvação; b) no rigorismo, que nega que Deus queira que todos os homens se salvem e que atue fora da Igreja, se e quando o quer. Ambas as posições já foram reiteradamente condenadas pelo Magistério da Igreja:
...Entre as coisas que a Igreja sempre pregou e nunca deixará de pregar está também a afirmação infalível que nos ensina que 'fora da Igreja não há salvação'."13

Atente-se à palavra "infalível" no texto. A expressão "fora da Igreja não há salvação" não é uma mera "opção pastoral" da Igreja num determinado momento da História, que ela pode abandonar a qualquer instante. Trata-se de um ensinamento constante do Magistério, retirado da Tradição. – Encontra-se em autores como Sto. Inácio de Antioquia, Sto. Irineu de Lyon, Orígenes e S. Cipriano de Cartago, –  uma verdade de fé afirmada pelo IV Concílio Lateranense14 e reafirmado pelo Concílio de Florença15; um ensinamento "que a Igreja sempre pregou e nunca deixará de pregar”.
Por isso, ninguém será salvo se, sabendo que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, todavia não aceita submeter-se à Igreja ou recusa obediência ao Romano Pontífice, vigário de Cristo na Terra.”
Ora, o Salvador não apenas ordenou que todas as nações entrassem na Igreja, mas ainda decidiu que a Igreja seria o meio de salvação sem o qual ninguém pode entrar no Reino celeste.”
Para que alguém obtenha a salvação eterna não é sempre necessário que seja efetivamente incorporado à Igreja como membro, mas requerido é que lhe esteja unido por voto e desejo.”
Todavia, não é sempre necessário que este voto seja explícito como o é aquele dos catecúmenos, mas, quando o homem é vítima de ignorância invencível, Deus aceita também o voto implícito, chamado assim porque incluído na boa disposição de alma pela qual essa pessoa quer conformar sua vontade à Vontade de Deus.”16

O que podemos dizer, então, a partir dos documentos da Igreja? Que as pessoas que forem salvas, serão salvas através da Igreja Católica, ou através da explícita e clara incorporação pelo Batismo, da profissão de fé e da submissão ao Magistério, ou por outros meios que só Deus conhece.

Claro é que a Igreja Católica será sempre o meio de salvação do homem. É possível expressá-lo com a fórmula negativa "extra Ecclesiam nulla salus" (que equivale a dizer: 'extra Christum nulla salus'), mas também com a fórmula positiva, preferida pelo Concílio Vaticano II, como "Sacramento universal da salvação"17.

Resumindo, um pagão, homem ou mulher de boa vontade, pode salvar-se unido, de alguma forma, ao mistério da Igreja de Cristo. Esta é a doutrina católica, que não admite a relativização das coisas, como dizer que "todas as religiões são iguais", ou que "religião não importa" ou que "o importante é respeitar todas as religiões".

Com relação a última frase citada acima, é necessário e urgente observar: não é verdade que todas as religiões mereçam respeito, em si mesmas. Os seres humanos, estes sim, merecem respeito, mas não tudo aquilo que praticam ou afirmam. Não se pode, por exemplo, "respeitar" a antiga religião asteca, que sacrificava milhares de vidas humanas em honra ao deus sol; ou a religião de Moloch, que sacrificava crianças; ou o satanismo, que diviniza a pura maldade.

Algumas religiões podem possuir (e por certo possuem) aspectos positivos, mas estes se devem, direta ou indiretamente, à Igreja: tudo o que é bom desejo humano, que é aspiração digna de verdadeiro respeito, dirige-se à Igreja e dirige as pessoas ao redil de Pedro. Essa doutrina está presente em muitos documentos da Igreja, mas pode ser resumida em um parágrafo, contido no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica:
Que significa a afirmação: 'Fora da Igreja não há salvação'? Significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da Graça, se esforçam por cumprir a sua Vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.18

______
Referências
1. Papa Paulo VI, Carta Encíclica Humanae Vitae, 25 de julho de 1968, n. 29
2. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in Veritate, 29 de junho de 2009, n. 3
3. Cf. Ef 5, 25
4. Papa Pio XII, Carta Encíclica Mystici Corporis, 29 de junho de 1943, n. 12
5. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Pastor Aeternus, 18 de julho de 1870, n. 1. cf. Denzinger-Hünnermann, n. 3050.
6. Concílio de Calcedônia, 5ª sessão, 22 de outubro de 451. Cf. Denzinger-Hünermann, n. 302.
7. Cf. At 22, 8; Rm 12, 5; 1 Cor 12, 12-30; Cl 1, 18
8. Decreto do Santo Ofício Lamentabili, 3 de julho de 1907, n. 52. Cf. Denzinger-Hünnermann, n. 3452.
9. BOFF, Leonardo. Igreja: carisma e poder. Ed. Ática: São Paulo, 1994. p. 133
10. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 14
11. Papa João Paulo II, Carta Encíclica Redemptoris Missio, 7 de dezembro de 1990, n. 9
12. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Dominus Iesus, 6 de agosto de 2000, n. 20
13. Carta do S. Ofício ao arcebispo de Boston, 8 de outubro de 1949. Cf. Denzinger-Hünnermann, n. 3866
14. IV Concílio do Latrão, Cap. 1. A fé católica, 11-30 de novembro de 1215: "Una vero est fidelium universalis Ecclesia, extra quam nullus omnimo salvatur." – "Há uma só Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém se salva." Cf. Denzinger-Hünnermann, n. 802.
15. Concílio de Florença, Bula Cantate Domino, 4 de fevereiro de 1442: "Firmiter credit, profitetur et praedicat, 'nullos extra catholicam Ecclesiam existentes, non solum paganos', sed nec Iudaeos aut haereticos atque schismaticos, aeternae vitae fieri posse participes, sed in ignem aeternum ituros, 'qui paratus est diabolô et angelis eius' [Mt 25, 41], nisi ante finem vitae eidem fuerint aggregati, tantumque valere ecclesiastici corporis unitatem, ut solum in ea manentibus ad salutem ecclesiastica sacramenta proficiant, et ieiunia, eleemosynae ac cetera pietatis oficia et exercitia militae christianae praemia aeterna parturiant" – "A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que 'nenhum dos que estão fora da Igreja católica, não só os pagãos', mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno 'preparado para o diabo e para os seus anjos [Mt 25, 41], se antes da morte não tiverem sido a ela reunidos; ela crê tão importante a unidade do corpo da Igreja, que só para aqueles que nela perseveram os sacramentos da Igreja trazem a salvação e os jejuns, as outras obras de piedade e os exercícios da milícia cristã podem obter a recompensa eterna". Cf. Denzinger-Hünnermann, n. 1351.
16. Carta do S. Ofício ao arcebispo de Boston, 8 de outubro de 1949. Cf. Denzinger-Hünnermann, n. 3867-3870
17. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 48
18. Catecismo da Igreja Católica – Compêndio, n. 171

• A segunda parte deste artigo foi adaptada do artigo "Fora da Igreja existe salvação?", da página do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., disp. em:
padrepauloricardo.org/episodios/fora-da-igreja-existe-salvacao 
Acesso 10/6/015
www.ofielcatolico.com.br

9 comentários:

  1. Obrigado pelos esclarecimentos, penso que se Deus quiser agir em um meio protestante ele agira, não sei os meios e os propósitos dele, antes de ler sua resposta achei uma resposta sua em um comentário dizendo que já foi protestante, mais que só é possível encontra a revelação de Deus em plenitude na Igreja Católica, mai graças a Deus você encontrou a verdade, quem sou eu para dizer onde ele pode ou não agir, Talvez eu tenha formulado a pergunta de um modo errado mais em nenhum momento quis dizer que a Escrituras é a minha "única regra de fé e prática", mais como você alertou tomarei mais cuidado ao formular as perguntas

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    1. Em consideração a este seu comentário, Bruno, eu acrescentei um complemento ao final deste post mesmo. – Porque a primeira parte de fato não esgota a questão. É quase inevitável que dela surja a questão que você agora trouxe: "Quem somos nós para dizer onde Deus pode ou não agir?". Por isso acrescentei um longo complemento com o intertítulo: "Há salvação fora da Igreja?"

      Um abraço fraterno

      Apostolado Fiel Católico

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    2. Prezado irmao Henrique, paz e bem.
      Conheci o vosso blog na passada quarta-feira(1 de julho) e confesso tem ajudado-me bastante e se fosse possivel gostaria que falasses alguma coisa relacionado ao jugo desigual, gostava de poder explicar em privado o motivo dessa minha "inquietacao". Aguardando assim a vossa resposta.
      Paz e Bem

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  2. Isaías 56,10-11
    S. Mateus 16,18-19
    S. Mateus 22,14
    ---------------> S. Mateus 7,15-23 <---------------
    S. Mateus 23,16-23
    S. Mateus 18,17
    ---------------> Atos dos Apóstolos 19,13-16 <---------------
    1 Coríntios 10,16
    1 Coríntios 11,27-30
    Gálatas 1,82
    2 Tessalonicenses 3,6
    2 S. Pedro 1,19-21
    2 S. Pedro 2,1-2
    2 S. Pedro 3,15-16
    Apocalipse 13,5-7

    Paz e Bem.

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    1. Não se deve esquecer dos vendilhões do templo que fizeram da casa de oração casa de negócios (Mt 21,12-13/ Lc 19,45-46/ Jo 2,13-16). Nem todos os que dizem ''Senhor, Senhor!'' estão em Cristo, de modo que até o diabo pode citar as Sagradas Escrituras quando lhe convém, tirando as coisas de seu contexto para gerar pretexto, tal como fez o demônio com o Nosso Senhor Jesus Cristo no deserto, tentando-O (mas também está escrito, respondeu Jesus) e pondo o Deus Todo-Poderoso à prova. Os demônios também crêem em Deus, e tremem (Tg 2,19), mas nem os demônios acatam às ordens daqueles que tentam expulsá-los em nome de Jesus (At 19,13-16). E quantos destes vendilhões já não trocaram Cristo por Mamom (1 Tm 6,10/ Cl 3,5), falando, porém, em nome de Jesus (Mt 7,15-23), e cheios de rapina.

      Paz e Bem.

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  3. Muito obrigado pelo complemento como disse no texto Pregar essa verdade a um mundo dominado pelo indiferentismo religioso e pelo relativismo pode não ser tarefa fácil, e não é, e Sem dúvida, estabelecer se a Igreja é necessária para a salvação das almas, e como, bem como sua relação com as outras religiões, é empreitada bastante espinhosa.e é verdade quando se diz que trata-se de um dos assuntos mais angustiantes de toda a eclesiologia, assisti alguns videos do Padre paulo Ricardo falando sobre a ignorância invencível, e percebo que muito dos nossos irmão sofrem com essa ignorância, diante de tanto fatos e explicações claras fecham seus corações e suas mentes para a verdade, mais acredito que todo aquele que buscar e suplicar a Deus para que encontre a verdade com toda a sua vontade e seu coração encontrara, Deus não o privaria de tal graça, mais uma vez muito obrigado pelos esclarecimentos.

    Paz e bem !

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  4. A ICAR tem as sagradas escrturas, a tradicao eo magisterio, assim como os ortodoxos. A Icar tem mais de 2 mil anos. Os ortodoxos tambem. A icar e icreja de CRISTO. Os ortodoxos diz que eles sao a verdadeira igreja de CRISTO. A ICAR diz que a unica que pode interpretar corretamente a biblia,mas ortdoxos alegam que eles sao os unicos que podem. A icar tem sucessao apostolica . Os ortodoxos tambem. A icar diz que os ortodoxos sao cismaticos, por sua vez os ortodoxos diz que a icar que e cismatica . Como saber qual das duas tradicao que estar correta?qual das duas e a verdadeira igreja de cristo?

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    1. A partir do momento que você assume que a igreja "ortodoxa" tem Magistério, como se ela obedecesse ao Papa, e que ela tem 2 mil anos, o que é desmentido pela própria história, Kal, fica difícil saber qual é a verdadeira.
      Tanto as Sagradas Escrituras quanto os Padres da Igreja dão o testemunho de que NSJC instituiu Sua Igreja sobre São Pedro, que foi Bispo e martirizado em Roma e que todos nós cristãos devemos estar em comunhão com o Papa. Isso tudo bem antes de o Patriarca de Constantinopla romper com a Santa Igreja (não "icar") em 1054. A paz de NSJC!

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    2. Bem, eu vou lhe confessar uma coisa, Kal: comentários que contém uma quantidade tão grande de bobagens (as populares 'abobrinhas') como este seu, eu não costumo publicar. Além disso, comentários que transpareçam clara e evidente má vontade, como é o caso do seu, normalmente eu também não publico. Mas no seu caso eu vou abrir uma exceção.

      Não publico comentários como o seu porque este nosso espaço não tem por finalidade fomentar as vãs disputas, nem servir como vitrine para calúnias e tolices de gente mal intencionada.

      Abro exceção no seu caso, porque você vem deixando repetidamente estas mesmas "abobrinhas" em nosso espaço para comentários, – e pelo teor da sua fala, você imagina que tem uma grande carta na mão contra a Igreja de Cristo; você parece convencido de que encontrou uma grande coisa, que tem um argumento que ninguém vai conseguir refutar.

      Talvez você imagine, também, que eu não estou publicando as suas "abobrinhas" porque não sou capaz de respondê-las: esta é uma conclusão típica de muitos "duplo-antes" que aparecem por aqui: os ignorantes arrogantes.

      Eu realmente não deveria entrar nesse seu terreno de fantasia sem exigir antes que você citasse as suas provas, ou pelo menos as suas fontes. Assim como cabe a quem acusa o ônus da prova, cabe a quem afirma alguma coisa apresentar alguma fonte concreta e minimamente respeitável.

      Se eu afirmasse que elefantes podem voar, na vida real, e quisesse ser levado a sério, não me bastaria apresentar o desenho animado "Dumbo". Eu teria que demonstrar o maior dos paquidermes em pleno voo.

      Sem mais delongas, vamos à sua plantação de abobrinhas. Basta esclarecer um ponto para pulverizar a sua horta inteira: de onde você tirou a informação de que os ortodoxos têm dois mil anos de história, enquanto igreja separada? Eles podiam existir, – por assim dizer, – com seus ritos e costumes, antes do grande Cisma, MAS (atenção) até antes do ano 1054 eles integravam a Una e Santa, Católica e Apostólica Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Não preciso desenvolver nem aprofundar mais. Para bom entendedor, meia palavra basta, e todo aquele que tem boa vontade busca e acaba por encontrar a verdade. Transmitida esta básica informação, isto é, conscientizando-o deste simples fato histórico, todo o restante das suas alegações perde qualquer sentido.

      Faço eu agora uma pergunta: pelos seus comentários não publicados, fica claro que você é protestante/"evangélico". Então, se você reconhece que a sua igreja não tem dois mil anos de história, – como seria preciso que tivesse, para que fosse a verdadeira Igreja instituída por Nosso Senhor, – e que também não tem sucessão apostólica, assim como a católica e a ortodoxa, então, quem é você para querer contestar alguma coisa?

      A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo

      Apostolado Fiel Católico

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