A Igreja e o problema das drogas ilícitas

Kelly Costelo, 16 anos, morta por uso de 'ecstasy'

CERTA CANDIDATA à presidência da república do Brasil nestas eleições de 2018, apesar de se dizer "evangélica", é a favor da despenalização do aborto e da liberação do uso das drogas agora ilícitas. De fato ela não se declara textualmente "a favor", mas sim que quer promover plebiscitos sobre essas questões. Mas, ora, se alguém quer trazer para discussão e decisão popular alguma coisa que já é crime, dando chance para que essa coisa seja legalizada, isso, na prática já é favorecer a coisa. Mais do que isso, ela ainda critica os que se posicionam, segundo ela, "radicalmente" contrários a tais propostas. 

Sobre a chacina de inocentes que se denomina aborto (ou com o desonesto eufemismo 'interrupção voluntária de gravidez') muito já foi dito, e de fato nem deveria ser preciso dizer mais nada – ou será que já estamos sendo obrigados a produzir longas teses para provar ao mundo que a grama é verde? Realmente parece que sim. Mas este artigo de Caio Takeda trata especificamente do problema das drogas.


O intenso crescimento do uso de drogas em todo o mundo tem sido a maior preocupação de muitos governos. Qual o verdadeiro alcance do problema? A Igreja Católica trata dessa importante questão no seu Catecismo, no número 2291, ao constatar o fato: "O uso de drogas causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. Salvo indicações estritamente terapêuticas, constitui falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas (...) constituem cooperação direta com o mal, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral".

Além de constatar a gravidade do uso de drogas para o corpo físico, para a sociedade como um todo e para a alma, a Igreja não deixa de se preocupar com a “cooperação com o mal” que desempenhamos quando tomamos parte em qualquer patamar do longo caminho que a droga percorre, da produção ao usuário.

É evidente que a intemperança é aliada no momento da decisão individual que culmina no “experimentar” de qualquer droga. É fato que uma série de fatores têm contribuído para tornar os jovens cada vez mais vulneráveis aos apelos de uma mídia que parece comprometida com uma política favorável à legalização das drogas. Mas a Igreja Católica –, e não apenas ela –, tem alertado com frequência sobre o perigo escondido na imoderação que conduz ao vício.

Não é segredo que a Igreja sente com mais intensidade o efeito da política globalista favorável às drogas, já que ela é diretamente responsável por milhares de instituições de caridade que cuidam de pessoas que foram vítimas de políticas irresponsáveis.


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Um argumento muito comum, que ouvimos há muito tempo (especialmente da parte dos usuários de drogas), é: "Não há diferença entre fumar um cigarro ou tomar uma cerveja, por exemplo, e fumar maconha, já que todos são drogas.

Segundo essa fraquíssima linha de pensamento, as ações dos que se posicionam contra o uso das drogas ilícitas seriam hipócritas: que moral teria alguém que aprecia tomar o seu drinque, vez em quando, para criticar aqueles que apreciam um inocente "baseado"? Hoje, não faltam supostos estudos que parecem sugerir que o consumo da maconha seria até menos prejudicial que o do álcool ou o do cigarro comum.

Esquecem-se estes de um fato importantíssimo; há uma palavrinha envolvida nessa discussão que faz toda a diferença, e é esta: "ilícita".

Ainda que um dia viesse a se comprovar, acima de qualquer dúvida, que a maconha enquanto substância é inócua, que o seu consumo não traz qualquer prejuízo ao organismo humano, nada muda a terrível realidade: por ser ilícita, a cada vez que um usuário a adquire –, seja comprando numa "boca de fumo" ou indiretamente, de distribuidores contratados pelo tráfico –, ele está, literalmente, sustentando o sistema criminoso que mantém e possibilita que alguns dos piores e mais cruéis bandidos que conhecemos continuem as suas atividades.

Verdadeira hipocrisia é a daqueles que consomem as drogas ilícitas e se escandalizam com as notícias de assassinatos e torturas perpetrados por bandidos que eles mesmos financiam e sustentam. Cada morte, cada gota de sangue inocente derramado, cada vida ceifada pelo sistema criminoso que proporciona aquela droga, é diretamente financiada por cada consumidor da mesma droga; por cada pessoa inconsequente que imagina que o seu simples cigarrinho de maconha não passa de uma diversão inocente.

É esta cooperação para o mal que a Igreja condena como pecado grave; um pecado ainda pior que o de consumir a droga por si e o risco para a saúde que este consumo implica, assim como se dá no uso irresponsável de todo e qualquer tipo de droga.

Sim, a bebida alcoólica e o cigarro comum também são drogas. Mas a grande, a enorme diferença entre tomar uma cerveja e fumar um baseado é que, no primeiro caso, quem consome está ajudando a sustentar uma empresa legal, que contribui com a sociedade pagando impostos, gerando empregos e favorecendo gente honesta. No segundo caso, quem consome está diretamente sustentando bandidos e assassinos, torturadores de crianças e destruidores da ordem social. Mais do que isso, destruidores dos futuros de uma multidão de jovens imaturos que não veem mal no ato de fumar um "cigarrinho do capeta".

Sendo verdade todo o exposto até aqui, alguns poderão imaginar que se confirma, então, a teoria de que legalizar as drogas ilícitas seria, ao menos, uma parte da solução? O advogado Paulo Moleta responde com propriedade, em dez objetivos tópicos, a seguir:


10 razões para não legalizar as drogas
Por Paulo Moleta

1- A desculpa mais comum dos defensores da legalização é de que fracassou a política mundial de combate às drogas. Ora, isso significaria acreditar que, se a polícia não consegue cumprir sua missão, vamos então des criminalizar o máximo que pudermos para aliviar o sistema policial e penal. Na realidade, o Estado tem que rever suas estratégias de combate ao crime, inclusive o de tráfico internacional de drogas.

2 - A tese de que algo proibido atrai mais a atenção do ser humano é outro engodo. Isso nos levaria ao raciocínio trágico de que todas as leis devem ser banidas para que as pessoas se comportem melhor, respeitando umas às outras.

3 - O argumento de que a legalização forçaria o crime organizado a sair do comércio de drogas é outra falácia. Qualquer um sabe que existe mercado paralelo para tudo. E, no caso das drogas, os traficantes não abandonariam o segmento em hipótese alguma. Não apenas porque muitos deles são usuários e não se inscreveriam em nenhum programa oficial para adquirir sua cota, como assim também fariam muitos dependentes que não se sentem seguros em confessar o próprio vício.

4 - Outra cascata é dizer que a legalização da droga permitiria a regularização do mercado e um preço muito mais baixo acabaria com a necessidade de se roubar para conseguir dinheiro para as drogas. Muitos usuários de drogas praticam crimes não por necessidade, mas apenas porque se sentem mais estimulados a emoções fortes, sobretudo com o uso de drogas pesadas como a cocaína. Crime também está associado à rebeldia.

5 - Legalizar as drogas porque estaria aumentando o número de usuários também não cola. Se realmente está aumentando o número de usuários de drogas ilícitas - na contramão do combate à cultura do tabaco e do álcool - o Estado deveria investir tudo na prevenção contra o uso de drogas lícitas ou ilícitas até porque essa medida resultaria em menos gastos com o tratamento médico dessas pessoas.

6 - A legalização não ajudaria a disseminar informação real sobre as drogas, em hipótese alguma. O que permitiria saber dos perigos das drogas é aumentar os investimentos e esforços em prol de uma cultura de prevenção.

7 - As políticas de redução de dano (o uso controlado de drogas injetáveis, por exemplo) são de fato importantes para se salvar vidas, mas não significam em hipótese alguma que legitimam a legalização das drogas. São coisas diferentes. Quem já "dançou", tem direito a ser inserido nessa política para não morrer e matar outros.

8 - Ao contrário do que defendem alguns, a legalização não restauraria o direito de se usar drogas "responsavelmente", porque drogas quase sempre não combinam com responsabilidade social e nem individual. Como não há dúvida de que drogas fazem mal à saúde, como alguém que as usa pode ser considerado responsável consigo mesmo? Há uma contradição nisso.

9 - Se as prisões por uso de droga são discriminatórias do ponto de vista social ('um pobre com um quilo de maconha é preso por tráfico e um integrante de classe média, com a mesma quantidade, é preso por uso'), o que é preciso é nivelar a punição ao crime, ao menos com um processo judicial, como acontece hoje, e não liberar todos.

10 - Não existe absolutamente nenhuma evidência de que a legalização esteja resolvendo o problema no mundo. E é óbvio que, para surtir algum efeito, uma política de legalização tem que ser globalizada. Não terá êxito algum se for aprovada apenas por um país, porque o tráfico internacional de drogas, assim como outros tipos de crimes, hoje é totalmente globalizado e conectado.
Caio Takeda atua há mais de dez anos ajudando a resgatar a dignidade de dependentes químicos. Além de palestrante e ativista sobre a temática do combate às drogas, é o fundador da comunidade terapêutica “Acolhida”, que possui cinco unidades no Estado de São Paulo. Assim como muitos santos sacerdotes, apela a todos para que divulguem e ajudem iniciativas que buscam devolver a dignidade dessas pessoas desamparadas. É um apelo que ele faz a todos os cristãos, unidos pelo bem da verdade e da justiça, que começa com um possante NÃO a todos os movimentos, de todos os cunhos políticos, que pretendam legalizar drogas. Como nos alerta a Santa Igreja, nós não podemos compactuar com o Mal.

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Jusbrasil, em:
https://paulocwb.jusbrasil.com.br/artigos/209752299/10-razoes-para-nao-legalizar-as-drogas
Acesso 21/8/2018
www.ofielcatolico.com.br

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