Indulgência plenária concedida pelo Coronavirus

A grande quantidade de idosos na região da Lombardia, na Itália, fez com que a letalidade naquele país fosse maior do que no resto do mundo. Há porém, fortes indícios de que os números tenham sido mascarados por uma subnotificação dos casos positivos aos órgãos oficiais (segundo Angelo Borrelli, chefe da Proteção Civil italiana, a real taxa de mortalidade por lá seria de aproximadamente 1%, isto é, cerca de dez vezes menor do que os números que vêm sendo divulgados na mídia). Na China, a porcentagem dos casos fatais é de 4% e, na Alemanha, de apenas 0,5%[1]

UM DECRETO DA PENITENCIARIA APOSTÓLICA (tribunal da Cúria Romana cujo título advém das 'penitências' prescritas pela Igreja, e cuja competência relaciona-se à matérias de foro interno e das indulgências) concede a indulgência plenária aos doentes de Coronavírus, aos que lhes cuidam e a todos os fiéis do mundo que rezam por eles. Cita-se também a possibilidade de absolvição coletiva neste momento de grave necessidade.

Diante da emergência do Coronavírus, a Igreja oferece a possibilidade de obter a Indulgência plenária para os fiéis enfermos pelo Coronavírus, bem como para os profissionais de saúde, familiares e todos aqueles que, a qualquer título, cuidam deles, até mesmo com a oração. É o que estabelece um Decreto da Penitenciaria Apostólica publicado na última sexta-feira (20/03), assinado pelo penitencieiro-mor, cardeal Mauro Piacenza, e pelo regente do dicastério, mons. Krzysztof Nykiel.

“Além disso, a Penitenciaria”, afirma uma nota que acompanha o Decreto, por causa da “gravidade das circunstâncias atuais”, “sobretudo nos lugares mais afetados pelo contágio pandêmico e até que o fenômeno termine”, recorda a possibilidade de dar “a absolvição coletiva”, ou seja, para vários fiéis juntos, “sem prévia confissão individual”.

Para obter a Indulgência plenária, os doentes de Coronavírus, os que estão em quarentena, os profissionais de saúde e familiares que se expõem ao risco de contágio para ajudar quem foi afetado pelo Covid-19, também poderão simplesmente recitar o Credo, o Pai-Nosso e uma oração a Maria.

Os outros poderão escolher entre várias opções: visitar o Santíssimo Sacramento ou a adoração eucarística ou ler as Sagradas Escrituras por pelo menos meia hora, ou rezar o Terço, a Via-Sacra ou o Terço da Divina Misericórdia, pedindo Deus a cessação da epidemia, o alívio para os doentes e a salvação eterna daqueles a quem o Senhor chamou a Si.

A indulgência plenária também pode ser obtida pelos fiéis que, no momento de morte, não tiveram a possibilidade de receber o Sacramento da Unção dos Enfermos e do Viático: neste caso, recomenda-se o uso do Crucifixo ou da Cruz.

“Quanto à absolvição coletiva”, explica a Penitenciaria, “o sacerdote deve avisar, dentro dos limites possíveis, o bispo diocesano ou, se não puder, informá-lo o mais rápido possível”. “De fato, cabe sempre ao bispo diocesano”, sublinha a nota, “determinar, no território de sua circunscrição eclesiástica e em relação ao nível de contágio pandêmico, os casos de grave necessidade em que é permitido dar absolvição coletiva: por exemplo, na entrada das repartições hospitalares, onde se encontram internados os fiéis contagiados em perigo de morte, utilizando na medida do possível e com as devidas precauções, os meios de amplificação da voz a fim de que a absolvição possa ser ouvida”.

A Penitenciaria também pede para avaliar “a necessidade e a oportunidade de criar, onde for necessário, e de acordo com as autoridades de saúde, grupos de ‘capelães hospitalares extraordinários’, também de forma voluntária e conforme as regras de proteção contra o contágio, para garantir a necessária assistência espiritual aos doentes e agonizantes”.

Além disso, onde “os fiéis se viram na dolorosa impossibilidade de receber a absolvição sacramental, recorda-se que a contrição perfeita, proveniente do amor de Deus amado sobre todas as coisas, manifestada por um sincero pedido de perdão (aquilo que no momento o penitente é capaz de expressar) e acompanhada pelo votum confessionis, ou seja, pela firme resolução de recorrer, o quanto antes, à confissão sacramental, obtém o perdão dos pecados, até mesmo mortais”, conforme indicado pelo Catecismo da Igreja Católica (n° 1452).

“O momento atual vivido por toda a humanidade, ameaçada por uma doença invisível e insidiosa, que há algum tempo entrou com prepotência na vida de todos”, afirma a Penitenciaria, “é marcado dia após dia pelo medo angustiado, novas incertezas e sobretudo pelo sofrimento físico e moral generalizado”. E conclui: “Nunca, como neste tempo a Igreja experimenta a força da comunhão dos santos, eleva votos e orações ao seu Senhor Crucificado e Ressuscitado, em particular o Sacrifício da Santa Missa, celebrado diariamente, mesmo sem o povo, pelos sacerdotes” e como “boa mãe, a Igreja implora ao Senhor para que a humanidade se liberte desse flagelo, invocando a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Misericórdia e Saúde dos Enfermos, e de seu Esposo São José, sob cuja proteção a Igreja sempre caminha no mundo”.



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1. Portal UOL, 'Por que a Itália tem mais mortes pelo novo coronavírus?', em:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/por-que-a-italia-tem-mais-mortes-pelo-novo-coronavirus.shtml

Acesso 25/3/2020.

Fonte:
Vatican News, em:
https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-03/indulgencia-plenaria-absolvicao-coletiva-emergencia-coronavirus.html
Acesso 21/3/2020

Um comentário:

  1. A paz de Jesus Cristo.

    Boa noite, caro Henrique Sebastião e demais irmãos em Jesus Cristo,

    Antes de mais nada, já evitando possíveis entendimentos errôneos aqui ( algo que não deveria acontecer, mas acontece, pois perfeitos, imaculados, Só Jesus, que é Deus feito carne e sangue para nos salvar; e Maria Santíssima, nossa amada Mãe...), já deixo claro que DEVEMOS TODOS NÓS seguirmos as orientações vindas das autoridades sanitárias do País, sobre procedimentos para a nossa segurança e das outras pessoas também.

    Isto posto, prossigo: essa crise sanitária está muito mal contada, as estatísticas sobre contaminados, doentes e mortos, assim como o surgimento do Covid-19, um vírus já existente, mas que sofreu mutações que ampliaram a sua infecção entre os seres humanos ( se realmente é vindo de animais silvestres ou desenvolvido em laboratório de guerra bacteriológica existente em Wuhan, onde tudo começou, e de onde o tal vírus pode ter escapado. Infelizmente, nunca saberemos a verdade, ainda que atualmente, concluiu-se que veio de animais silvestres, mas quem pode provar isso?..), são paradoxais. As informações, opiniões de especialistas em pandemias de várias regiões do planeta, se chocam muitas vezes.

    Japão tem, segundo atualização, 1499 infectados e 49 mortes, 0.4 mortos, em 1 milhão de pessoas. Por outro lado, Luxemburgo, país minúsculo, tem 1.605 infectados e 15 mortes, 24 mortos em 1 milhão de pessoas, claro, Luxemburgo tem 602 mil habitantes e o Japão tem 126,4 milhões de habitantes, números muito diferentes, mas é significativo que Japão tenha 0.4 mortos em 1 milhão de pessoas e Luxemburgo, 24 mortos em um milhão, sendo que o país tem 602 mil habitantes.

    Japão é um país muito organizado. Independentemente de pandemia, é normal pessoas resfriadas usarem máscaras lá, além de ser costume se cumprimentar à distância, o que evita o contato físico que pode transmitir doenças. Luxemburgo também não é um país onde as pessoas se tocam muito, como Itália e Brasil, por exemplo. Então, por que essa diferença significativa em mortes pelo Covid-19? Luxemburgo tem mais idosos que o Japão? Bem, não fui fundo nessa pesquisa, apenas peguem os dados que achei relevantes.

    Mas, como o assunto do site é a nossa amada ICAR, esse Decreto do Tribunal da Cúria Romana é uma grande bênção aos Católicos nesse grave momento que assola a Humanidade. Devemos seguir tudo que nos é oferecido através desse Decreto.

    Link do site de onde tirei os dados acima mencionado e que é atualizado constantemente:

    https://www.worldometers.info/coronavirus/

    Sigamos em oração. a Santíssima Trindade não abandona aquele que permanece firme na Fé.

    Maria, Amada Mãe, rogai por nós!

    Salve Maria!

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