O Papa diz estar 'chateado' por Santa Sofia ser convertida em mesquita

A magnífica basílica de Hagia-Sophia

ONTEM (12/7/2020), O PAPA FRANCISCO, ao final do seu discurso dominical, da janela de seu escritório particular no Palácio Apostólico do Vaticano, com vista para os fiéis na Praça de São Pedro, falou sobre a celebração do "Dia Internacional do Mar", realizado todos os anos no segundo domingo de julho.

Dirijo uma calorosa saudação a todos que trabalham no mar, especialmente àqueles que estão longe de seus entes queridos e de seu país. Saúdo todos os que se reuniram esta manhã no porto de Civitavecchia-Tarquinia para a Celebração Eucarística.

E prosseguiu, dizendo que "o mar me leva um pouco mais longe em meus pensamentos: para Istambul". O Pontífice referia-se ao primeiro-ministro da Turquia, Erdogan, que assinou um decreto pelo qual declara Hagia Sophia uma "mesquita". O Papa disse apenas que a decisão o "magoou", acrescentando: "Quando penso em Hagia Sophia, fico chateado".

Dedicada ainda no século VI (no ano 537) à Santa Sabedoria, isto é, a Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o governo do imperador cristão Justiniano, a imponente e belíssima Igreja bizantina foi desgraçadamente transformada em Mesquita no ano 1453, quando os otomanos impuseram à força a religião maometana em Constantinopla (mudando-lhe o nome para Istambul) e profanaram aquele lugar de culto. Desde 1934, num sinal de respeito e boa vontade para com os cristãos, a Igreja fora transformada em museu, deixando de ser usada como lugar de culto islâmico.

Na última sexta-feira, porém, o presidente Erdogan anunciou a re-islamização de Santa Sofia, na qual planejam fazer a primeira invocação maometana já no dia 24 deste mês.

As reações no mundo ortodoxo foram fortes e firmes.



O presidente do departamento de relações exteriores do patriarcado de Moscou, Metropolita Hilarion (foto), disse sobre a transformação da Igreja de Santa Sofia em mesquita:

É um duro golpe para a ortodoxia mundial, porque para os cristãos ortodoxos de todo o mundo ela assume o mesmo valor que, para os católicos, tem a basílica de São Pedro, em Roma. Este templo foi construído no VI século e é dedicado a Cristo Salvador e permanece para nós um templo dedicado ao Salvador.

Já o Patriarca Kiril, de Moscou, declarou o que segue:

Com amargura e indignação, o povo russo respondeu no passado e agora responde a qualquer tentativa de degradar ou pisar sobre a herança espiritual milenária da Igreja de Constantinopla.

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, escreveu que “a transformação de Santa Sofia em Mesquita desilude milhões de cristãos no mundo” e esconjurou a decisão do presidente.

O arcebispo Chysostomos, de Chipre, disse que não contataria o Patriarca de Constantinopla porque “os turcos estão monitorando os nossos telefones”(!). Manifestou preocupação dizendo que “o Patriarca ecumênico vive na Turquia e sabemos muito bem que cada pequena respiração que ele faz aborrece os turcos”.

O Patriarca da Geórgia também publicou nota em que manifesta sua preocupação, pois mediante os "muitos desafios globais” enfrentados pela humanidade, neste momento, seria “muito importante manter e reforçar os bons relacionamentos entre cristãos e muçulmanos”.

O Patriarca da Romênia enviou a Bartolomeu uma carta em que exprime seu apoio e reafirma sua “solidariedade a todos aqueles que defendem este símbolo [Santa Sofia] da Igreja universal”.

Até o porta-voz do governo grego declarou que buscará sanções internacionais contra a Turquia.

Esperava-se que também o Papa dos católicos emitisse uma vigorosa defesa desta que é a primeira maior igreja da cristandade, em sintonia com todos os Patriarcas. Seu fraco e quase inaudível lamento e sua mera declaração “fico chateado” frustrou não poucos. O que agrava mais a situação é o fato de ser Santa Sofia como que a porta em que Oriente e Ocidente "se abraçam" e o ato dos islâmicos é terrivelmente simbólico. Diz algo sobre o mundo em que vivemos nestes anos conturbados: o Ocidente está de tal modo prostrado diante do Islã que já não lhe oferece mais resistência.

A Igreja Católica um dia foi a Mãe e a Mestra do Ocidente e soube sê-lo de modo eminente, mas, desde a Revolução Francesa, as forças secretas que queriam a hegemonia sobre o mundo ocidental entenderam que não adiantava mais matar cristãos ou agredir o papado. Entenderam, com uma inteligência satânica, que a melhor estratégia não era lutar, mas infiltrar-se na Igreja, ocupando espaços dentro dela, para miná-la e enfraquecê-la a partir de dentro. Assim fizeram.

O Beato Pio IX denunciou, com a publicação do documento da Alta Vendita, exatamente como seria tal infiltração. São Pio X, depois, mostrou como os modernistas se organizavam em uma seita que tinha por finalidade corroer a Igreja e sua Doutrina desde dentro. Pio XII, malgrado com menor energia, denunciou, em sua Encíclica Humani Generis, como esses erros tinham se transformado naquilo que se conheceu como a Nouvelle Théologie, algo ainda mais elaborado e mais venenoso que o próprio modernismo.

Contudo, no Concílio Vaticano II, essas forças trevosas  –, que então já estavam robustas, já haviam conquistado muito poder e influência, alcançado altos cargos e postos importantes dentro da Igreja, mas que até aquele momento se mantinham discretas  –, manifestaram-se à luz do dia: num golpe de mestre, colocaram sua linguagem ambígua nos textos conciliares, cuja interpretação, dada anteriormente de modo secreto por eles, seria posteriormente explicitada em termos tais que lançaram a Igreja numa tremenda confusão doutrinal, algo nunca antes visto; saíram das penumbras em que se ocultavam, emergindo como força única, um frente unida, incrivelmente ativa e taticamente organizada.

Sobre os desastrosos resultados, não é preciso dizer muito. Hoje assistimos, aterrorizados, que aquilo que Paulo VI chamou de “fumaça de Satanás" a penetrar na Igreja "por alguma fresta”, tornou-se um horrendo e descomunal incêndio, que já não parece possível de ser contido por forças meramente humanas.

Não, o Papa já não pode se pronunciar firmemente e com clareza contra a conversão de Santa Sofia em mesquita, quando o Vaticano II proclama que:

A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca.
(Nostra Aetate, 3)

Ou, como poderia ele reagir, quando a declaração de Abu Dhabi, que ele mesmo assinou, afirma que “o pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos”?

Como o líder máximo dos católicos poderia, sem ser incoerente para com a tal "Igreja em saída" que ele tanto proclama, condenar qualquer profanação maometana – a de Santa Sofia ou qualquer outra – se ele mesmo é um dos maiores incentivadores públicos das migrações em massa de muçulmanos para a Europa? Como ele poderia criticar os maometanos sem tirar a mordaça da "islamofobia" concebida e imposta pela esquerda para silenciar (lacrar) qualquer política de resistência do Ocidente? Como ele defenderia a preservação de Santa Sofia, sem ofender a noção completamente deturpada de ecumenismo do mundo moderno, defendida tantas vezes por ele próprio?

O problema não é a descristianização do Ocidente, mas a descatolicização da Igreja Católica, que jogou o Ocidente por inteiro nas mãos do secularismo mais atroz, totalmente embebido nas ideologias esquerdistas mais radicais, as quais foram meticulosamente pensadas para neutralizar a Igreja e deixar o caminho aberto para seus piores e mais declarados inimigos.

Hoje, Santa Sofia é profanada e transformada em Mesquita: símbolo de vitória, de conquista e da hegemonia cultural anticristã que dominou o mundo. No futuro, quem sabe não se irá cumprir aquele desejo tão profundo dos maometanos mais antigos: transformar a basílica de São Pedro em um estábulo? Só nos resta saber se, então, o Papa reinante fará mais do que dizer, resignado, que se sentiu "chateado".

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Fontes:

Fratres in Unum,

https://fratresinunum.com/2020/07/13/chateado/

UCatholic.Com, em:

https://ucatholic.com/blog/pope-francis-says-when-he-thinks-of-hagia-sophia-i-am-very-saddened/
Acesso 13/7/2020.

Um comentário:

  1. A paz de Jesus Cristo.

    Acompanhei na sexta-feira quando o sr. Erdogan, da Turquia, fez esse terrível anúncio. Isso não apenas me chocou como também me revoltou muito, pois todos nós sabemos da importância da Basílica de Hagia Sofia para todos nós cristãos.

    É mais um sinal do temível avanço muçulmano para tomar a Europa, como eles faziam até 1571, quando o querido Papa Pio V convocou os reis cristãos para acabar com a invasão muçulmana que assolava a Europa naquela época ( e os nossos "irmãos" protestantes nada fizeram para ajudar...). Os muçulmanos já havia atacado Viena duas vezes, se não me engano, fazendo vários escravos cristãos, fora o que eles mataram ( sim, brancos europeus já foram escravos dos romanos, muçulmanos, etc...), felizmente, os islamitas foram derrotados na Batalha de Lepanto, na Grécia, e voltaram para onde nunca deveriam ter saído.

    Para variar, a postura do Papa Francisco foi dúbia, política, globalista. Nem vou escrever mais sobre isso, pois o texto está perfeito, assim como outros que já li em outros sites, incluindo o LifeSiteNews, Fratres in Unum, por exemplo.

    Até quando o atual Papa olhará para o outro lado? São Paulo e outros cristãos seguidores do Santo Evangelho, defensores da Igreja fundada por Jesus Cristo fariam o mesmo? Creio que todos aqui sabem que não.

    Que o Pai tenha piedade de nós!

    Abraços,

    Salve Maria!

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