Aparição de Nossa Senhora em La Salette: a verdadeira história – parte 2


Ler a primeira parte

NOSSA SENHORA ENTÃO se dirigiu às crianças, dizendo: "Se meu povo não quer se submeter, sou forçada a deixar cair o braço de meu filho. É tão forte e pesado que não posso mais suster". Eis o atributo da Justiça infalível de Deus. Desnecessário dizer que não se trata de uma menção à natureza física do braço de seu divino Filho, que está glorificado no Céu e que detém todo o poder no Céu e na Terra, é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, Alfa e o Ômega de toda a existência. Refere-se ao seu poder soberano que incontestavelmente fará cumprir o seu desígnio, haja o que houver, mas que se deixa ainda conter por sua própria misericórdia, à qual recorre Nossa Senhora em suas súplicas "onipotentes".


    Ele deu a sua vida na Cruz pelo nosso bem, para nos dar a vida; mas, se escolhermos o pecado e a morte, o Senhor respeitará a nossa decisão e haverá de colocar as coisas de volta em seus eixos. 

    A Santíssima Virgem, em seguida, desvendou o que tornava pesado "o braço do Senhor". Falou da profanação dos domingos e dias de guarda, devido à idolatria ao dinheiro e aos prazeres fúteis. As duas razões pelas quais o braço de Deus pesa estão, assim, na profanação do segundo e do terceiro Mandamentos, pois é porque não se ama a Deus sobre todas as coisas, não se adora a Deus e não se serve a Deus que se profana o seu santíssimo Nome intocável que Ele nos deu a sublime graça de pronunciar para a nossa salvação. Vem daí a profanação dos dias santos e de guarda.


    A partir daí, Nossa Senhora profetiza um tempo de sofrimentos e de escassez, que são reflexos dos pecados do povo que endureceu seu coração. O castigo de Deus começaria, mas ainda não com total intensidade. Se não houvesse arrependimento e penitência, então tudo pioraria. Essas profecias se cumpriram, especialmente na produção dos vinhedos da França, que sempre foi considerada a maior produtora de vinhos nobres do mundo: das vinhas que, biblicamente, são símbolo do povo eleito. No ano seguinte, 1847, duas pragas consecutivas atacaram todos os vinhedos da França e não sobrou sequer um pé de uva intacto no país. A enciclopédia Larousse assim documenta o que se passou:

Em 1847, manifestou-se o "mal branco", um fungo parasita que literalmente destrói a videira. (...) Em 1868, na França, manifestou-se um microscópico inseto que tomou conta de todo o território francês com proporções de desastre nacional. Mais da metade dos vinhedos foi destruída, além da perda da produção de vinho, que foi reduzida a dois terços sem que se conseguisse, durante muito tempo, livrar-se do flagelo. Não foi só: em 1878, surgiu a peronospora, também esta desconhecida até então. A doença (...) atingiu o continente europeu e, precisamente, a França, daí se difundindopor todos os países onde se cultiva a videira, gerando enormes prejuízos. [Apud MAIA, 2023, p.32]


    A esse respeito, comenta o Pe. Wander em seu livro:

Na França, hoje, não existe uma única parreira que seja anterior a 1868, porque não sobrou nada. É impressionante como se cumpriu a imagem da profecia bíblica: o extermínio das uvas na França era uma imagem profética, dada por Nossa Senhora, da esterilidade, da falta de frutos em Deus pela qual os filhos da Igreja seriam responsáveis a partir daquele momento. Em La Salette, Nossa Senhora deu-nos uma imagem bíblica do que a França se tornaria: o extermínio dos vinhedos era uma imagem de que a Santa Igreja, a nova raça eleita, passaria por um momento único na história da França, sem frutos, praticamente desaparecendo. [MAIA, 2023, p.32]

Depois, a Virgem continua subindo o monte. Caminha sobre a grama sem que seus pés a toquem com força. As crianças o percebem, e a acompanham. Nossa Senhora fala então, em segredo, a Maximin, e depois a Mélanie. Cada um dos videntes viu que Nossa Senhora movia os lábios falando ao outro, mas nada entendia. Após confiar um segredo a cada um, os dois então voltaram  a ouvir juntos o que ela dizia, e pergunta sobre a vida de oração das crianças: "Fazeis bem vossa oração, meus filhos?". As crianças têm a pureza de responder: "Não, Senhora". Então, ela insiste: "Meus queridos, é preciso fazê-la bem".

    Nossa Senhora prossegue subindo a colina e, num certo momento, eleva-se a uma altura de três a cinco metros do solo. Olha para a direita, na direção de Roma; olha para a esquerda, na direção da França; olha para as crianças, e é elevada ao céu. 

    Ao olhar à direita, em direção à Roma, foi como se indicasse que sua atenção, o seu desvelo materno, fossem direcionados à Sé de Pedro. Ao olhar na direção da França, era como se indicasse que aquele país seria acometido da lepra da indiferença, do anticatolicismo, disseminada pela maçonaria, perseguidora da Igreja. Na sequência, o demônio, ardiloso, pôs gente ímpia perto das crianças para tentar manipulá-las, pois elas tinham suas fragilidades. É preciso, porém, voltar os olhos para a própria Virgem Santíssima e sua mensagem. 

    Depois do acontecido, os dois videntes narraram sua extraordinária experiência ao Pe Jacques Perrin, pároco de La Salette. Ele bateu no peito e exclamou: "Meus filhos, estamos perdidos, Deus vai nos punir! Foi a Santa Virgem que apareceu para vocês". Depois que os videntes foram para suas famílias, separaram-se e não voltaram a se ver durante três meses. – O que foi providencial, pois comprovaria que tudo o que diziam concordava com perfeição, sem nenhuma possibilidade de se resumir tudo a uma traquinagem de crianças.


    Logo, Mélanie e Maximin foram afastados de seus pais, e os levaram a frequentar a Escola das Irmãs da Providência em Corps. Os padres franceses que examinaram os dois ficaram muito mal impressionados com os jovens, descrevendo-os como “mal-educados”. Mesmo assim, até os clérigos mais céticos admitiram que quando os dois falavam de suas experiências com a misteriosa “Senhora”, eles pareciam se transformar: falavam desses fatos com uma eloquência e sobriedade que nenhum deles demonstrava em nenhum outro momento, e era exatamente isto o que mais impressionava neste caso. Alguém que se dispõe a inventar uma visão ou encenar uma mentira com certeza tentaria passar a impressão de seriedade e virtuosidade, e é isso que fazem todos os charlatões de todo lugar e época, desde que o mundo é mundo. Ninguém parece mais educado, bondoso e sóbrio do que um falso místico.

    A história de a Virgem ter revelado um segredo a cada um dos videntes de Salette começou a se espalhar pela França no decorrer do ano de 1847. Pois, além de falar dos segredos, os dois jovens negaram-se a revelá-los e explicaram que a “Senhora” lhes pedira que não os divulgassem. Ofertas de recompensas, ameaças de prisão e de morte, trapaças e armadilhas de todo tipo não conseguiram convencê-los a revelar esses segredos. Os investigadores do caso admitiram considerar impressionante a determinação dos jovens. Maximin, que era considerado um tanto aparvalhado, ao se recusar a revelar os segredos mostrou “uma correção, uma discrição e uma firmeza inteiramente estranhas à sua idade e situação”, observou um padre na época. – Quando informado de que tinha a obrigação de contar o que sabia ao confessor, Max pensou um instante e depois respondeu que o segredo não era nenhum pecado, por isso ele não precisava revelá-lo.

    Em 1848, os segredos de Salette tornaram-se objeto de enorme interesse para os que esperavam restaurar a monarquia francesa. Profecias falsificadas circulavam por toda parte. Ao mesmo tempo, os dignitários da Igreja redobravam seus esforços para convencer Mélanie e Maximin a revelar o que lhes tinha sido dito. Uma grande pressão foi feita sobre o menino: insistiram com o pobre jovem durante dois anos inteiros, em 1849 e em 1850, chegando a tentar extrair o segredo pelo medo, confrontando-o com um homem de quem se dizia estar possuído pelo demônio. Foi o Arcebispo de Lyon que afinal o persuadiu, em 1851, a confiar o segredo ao Papa Pio IX.

    Ler a continuação

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Fontes e bibliografia:
MAIA, Pe. Wander de Jesus. Aparições marianas: Apelos maternos e avisos proféticos da Mãe de Deus, Campinas: Ecclesiae, 2023, pp. 29-34.
DUFAUR, Luís Eduardo, A aparição de La Salette e suas profecias. São Paulo: Petrus, 2011.
BLOY, Leon, Aquela que chora. Campinas: Ecclesiae, 2016
SULLIVAN, Randall. Detetive de Milagres. São Paulo: Objetiva, 2005.

Um comentário:

  1. Eu quero agradecer em nome de todos os católicos fiéis que acessem este site porque eu sempre procurava muito sobre Nossa Senhora de Salete e nunca conseguia encontaar nada complelto e confiável. Agora finalmente sei que o trabalho de vocês será exelente como sempre. e também tem muita polêmcia sobre esse assunto, tem gente que por que não sei quer desacreditar essa aparição. Finalmente vou poder entender sobre isso. Muito obrigado!

    Luis Antonio

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