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Existe o Purgatório? Qual a fundamentação dessa doutrina católica?


A DOUTRINA HERÉTICA chamada Sola Scriptura ('somente a Bíblia': as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática) é a principal dificuldade para a compreensão da realidade do Purgatório, apenas porque essa palavra específica não se encontra, literalmente, escrita nas páginas da Bíblia.

    O problema maior, evidentemente, não está em ter-se a Escritura como regra (nós também a temos), mas sim em tê-la como única e exclusiva regra, principalmente devido às múltiplas interpretações possíveis do Livro sagrado. É perfeitamente possível interpretar qualquer texto – mesmo o Texto inspirado – de maneiras inúmeras, muitas vezes contraditórias entre si, e a prova disso está na diversidade de "igrejas" que se multiplicam incessantemente e disputam pela correta compreensão das Escrituras. Nesse triste cenário, a verdade mais óbvia é sempre deixada de lado: a correta interpretação de um texto só pode partir daquele que o produziu e autenticou – no caso da Bíblia Sagrada, a Igreja Católica.

Tenhamos compaixão das pobres almas do Purgatório – e elas terão por nós!

NO MÊS DE SETEMBRO do ano 1870, uma religiosa do Mosteiro das Irmãs Redentoristas de Malines, na Bélgica, sentiu repentinamente uma profunda tristeza que, a partir de então, não a deixava, dia e noite. A pobre Soror Maria Serafina do Sagrado Coração (a mesma mítica que viu Lutero no Inferno – leia sua biografia) tornou-se então um enigma, para si própria e para a sua comunidade. Pouco depois tempo depois, chegava a notícia da morte de seu pai, ocorrida nos campos de batalha da Guerra Franco-Prussiana. Desde esse dia, a religiosa começou a ouvir gemidos angustiosos de uma voz que lhe dizia sempre: "— Minha filha querida, tem piedade de mim! Tem piedade de mim".

O Inferno, a região ou mansão dos mortos, o Hades, o Sheol, o Purgatório... O que significam todos esses termos na Bíblia?


O PROFESSOR SCOTT HAHN, ex-ministro protestante convertido ao catolicismo e grande autoridade internacional em Sagradas Escrituras, respondeu ao vivo, durante sua participação no programa do Marcus Grodi, outro ex-pastor que se tornou católico (sim, são muitos os casos deste tipo nos E.U.A. – saiba mais aqui), à pergunta de uma telespectadora sobre o Inferno. Mediante a resposta dada por Hahn, recebi eu uma pergunta sobre as relações feitas pelo Professor (assista o vídeo ao final) entre o Sheol (ou Xeol) citado na Bíblia, o Inferno e o Purgatório. Compartilho aqui publicamente a resposta dada, na esperança de que seja útil para outros. Segue...

Frei Daniele Natale e os tormentos do Purgatório

Depois deste episódio, Frei Daniele retomou sua vida de apostolado, como fiel discípulo de São Pio

Por Pe. Ramón Ángel Pereira Veiga, EP


No alto, Fr. Daniele Natale com o santo Padre Pio e, logo acima, ele mesmo anos depois do episódio aqui narrado

TAREFA NADA FÁCIL é descrever o estado de alvoroço em que se encontrava a clínica Regina em Roma, naquele dia de 1952. Lá se internara Frei Daniele Natale, religioso capuchinho de trinta e três anos de idade, para a extirpação de um tumor canceroso no baço. O Dr. Riccardo Moretti recusava-se em realizar a delicada operação por estar a doença muito avançada, mas a insistência do paciente levou-o a fazer uma tentativa in extremis.

A Santa Missa é de grande auxílio para as almas do Purgatório (Excelências da Santa Missa XI)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
PARA CONCLUIR esta instrução, refleti que não foi premeditadamente que eu disse anteriormente que uma única Santa Missa, tomada em si e em relação ao seu valor intrínseco, basta para esvaziar inteiramente o Purgatório e abrir a todas as almas, que lá se acham, as portas do Paraíso. Com efeito, este Divino Sacrifício vai em auxílio das almas dos falecidos, não só satisfazendo por suas dívidas como propiciatório, mas ainda obtendo-lhes a libertação, como impetratório. Isto decorrente claramente da conduta da Igreja, que não somente oferece a Santa Missa pelas almas sofredoras, como também insere orações para libertá-las.

Quais as diferenças entre católicos e ortodoxos orientais?

Pelo zelo na Liturgia e na Arte sacra, igrejas ortodoxas orientais são belas e ricamente ornamentadas em qualquer lugar do mundo; acima, a vista interna da igreja da paróquia ortodoxa russa do Cazaquistão 

DE TEMPOS EM TEMPOS, surge algum leitor que nos propõe esta pergunta. Entendemos, então, que chega o momento de respondê-la: em síntese, são treze as diferenças doutrinárias e disciplinares que distanciam os ortodoxos orientais da Igreja Católica.

É interessante notar que a maioria daqueles que de modo superficial simpatizam com a rica tradição ortodoxa oriental acabam por entender que ela perde, por assim dizer, o "encanto" quando conhecida a fundo e vista bem de perto. Apesar do grande respeito que temos por estes nossos queridos irmãos cismáticos, não temos como negar que boa parte dos argumentos que eles utilizam para justificar os desacordos entre eles e nós, como veremos, são flagrantemente desprovidos de qualquer fundamento.

Os ortodoxos não aceitam: 1) o primado e 2) a infalibilidade do Papa; 3) a Processão do Espírito Santo a partir do Filho; 4) o Purgatório póstumo; 5) os dogmas da Imaculada Conceição e 6) da Assunção de Maria Santíssima (apenas enquanto dogmas); 7) o Batismo por infusão e não por imersão; 8) a falta da Epiclese na Liturgia Eucarística; 9) o pão ázimo (sem fermento) na Celebração Eucarística; 10) a Comunhão Eucarística sob a espécie do pão apenas; 11) o Sacramento da Unção dos Enfermos como é ministrado no Ocidente; 12) a indissolubilidade do Matrimônio; 13) o celibato do clero.

Seja observado, logo de início, que em geral os orientais têm por ideal a volta da Igreja ao que ela era até o sétimo Concílio Geral (Nicéia II em 787), pois aceitam plenamente os Concílios de Nicéia I (325), Constantinopla I (381), Éfeso (431), Calcedônia (451), Constantinopla II (553), Constantinopla III (681), Nicéia II (787). O Concílio de Constantinopla IV, que excomungou o Patriarca Fócio em 869/870, evidentemente é rejeitado pelos orientais.

Como se pode ver, nem todos esses pontos diferenciais são da mesma importância. O que mais concorre para a manutenção do Cisma é o da fidelidade ao Papa como Pastor Supremo, assistido pelo Espírito Santo em matéria de fé e de Moral. A seguir, comentamos e procuramos esclarecer cada um destes pontos:


1. Primado do Papa

Alega a Teologia ortodoxa que a jurisdição universal e suprema do Papa implicaria que os outros bispos são subordinados a ele como nada além de seus representantes, o que eles consideram um desvio ou um erro. A esta concepção equivocada, porém, respondeu o Concílio do Vaticano II:

“Aos Bispos é confiado plenamente o ofício pastoral ou o cuidado habitual e cotidiano das almas. E, porque gozam de um poder que lhes é próprio e com toda razão são antístites dos povos que eles governam, não devem ser considerados (meros) vigários (representantes) do Romano Pontífice.”
(Constituição Lumen Gentium 27)

Como demonstra muito facilmente a mais elementar noção do senso comum (entenda), não há nenhum sentido em se questionar o primado do Bispo de Roma, o Papa, que garante a unidade e a coesão da Igreja, preservando-a de iniciativas meramente pessoais e subjetivas. Exatamente por isso o discípulo Simão, e apenas ele, recebeu o nome-título de Pedra-Cefas (entenda).


2. Infalibilidade do Papa

Em 1870, fazendo eco à fé antiquíssima dos cristãos, o Concílio do Vaticano I declarou o Papa infalível quando fala em termos definitivos para a Igreja inteira e em matéria de fé de moral (entenda). – Já segundo a Teologia ortodoxa oriental, esta definição extinguiria a autoridade dos Concílios.

Evidente que tal contestação não em nenhuma razão de ser, pelo simples fato de que o Papa não pode "decidir" nada contrário àquilo que foi definido dogmaticamente em qualquer Concílio da Igreja. Já no tempo dos Apóstolos ocorreu o primeiro Concílio, em Jerusalém1. Segundo a Igreja Católica, então, os Concílios gerais ou universais têm plena razão de ser, já que também o Papa participa deles (por si ou por seus delegados) e aprova as suas conclusões. Nos nossos dias, mais e mais se têm insistido sobre a colegialidade dos Bispos.


3. A procedência do Espírito Santo a partir do Filho (Filioque)

Esta é possivelmente a mais conhecida discordância entre católicos e ortodoxos e que, mais uma vez, não tem nenhuma razão de ser a não ser a pura incompreensão e a inflexibilidade para o diálogo aberto e fraterno, como era a característica de um determinado período histórico. A concepção da Igreja Católica decorre do fato de que em Deus não há distinções, a não ser onde haja oposição relativa, como no caso do Filho que possui Natureza humana, sedo que o mesmo não se pode afirmar do Pai e do Espírito Santo. Entretanto, não podemos jamais nos esquecer de que não somos politeístas: cremos e adoramos apenas um Deus, que se manifesta a nós em Três Pessoas diferentes, mas não separadas2.

Se, portanto, entre o Filho e o Espírito Santo não há a separação de Espirante e Espirado, um não se distingue do outro ou, em outras palavras, o Filho e o Espírito Santo são um só em Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho segundo S. João (15, 26) afirma textualmente que o Espírito procede do Pai; claramente, porém, não tenciona propor aí uma Teologia sistemática e exclusiva, mas põe em relevo um aspecto da verdade, – assim como em tantas e tantas outras ocasiões, – sujeito a ser completado pela reflexão.

De fato, no caso desta questão, a dificuldade é mais de linguagem do que de doutrina. Tanto assim que os orientais preferem dizer que o Espírito Santo procede do Pai "através do Filho", – o que claramente é apenas uma maneira diferente de dizer praticamente a mesma coisa ou, no mínimo, algo muito parecido. Torna-se evidente que, com um pouco de boa vontade, poderia-se facilmente conciliar as posições.


4. Purgatório

Este é um caso curioso e que (infelizmente precisamos dizer) evidentemente depõe contra a boa vontade dos teólogos orientais. Ocorre que os ortodoxos do Oriente aceitaram a existência do Purgatório sem nenhuma dificuldade até o século XIII. Foi somente no ano 1231 ou 1232 que o metropolita Georges Bardanes, de Corfu, pôs-se a impugnar a doutrina bíblica e apostólica do fogo do Purgatório (entenda), apenas porque não haveria, literalmente, fogo no Purgatório(!).

Os teólogos orientais subsequentes lamentavelmente vieram a apoiar a contestação de G. Bardanes, mas nem por isso ousaram negaram a realidade (como dissemos antes, plenamente bíblica e plenamente fundamentada na Tradição apostólica) da necessidade de um estado de purificação intermediário entre a vida terrestre e a bem-aventurança celeste para as almas daqueles que morrem com resquícios de pecado: estes seriam perdoados por Deus em vista da oração da Igreja; estariam assim fundamentados os sufrágios pelos defuntos.

A recusa do Purgatório, então, só ocorreu entre os orientais, absurdamente, no século XVII(!) e sob a influência de autores protestantes(!!). Ora, admitir uma doutrina que teria, então, estado errada por dezessete séculos, não é o mesmo que admitir a sua fragilidade também depois da mudança?

Por fim, o fato histórico é que daí por diante a Teologia oriental tornou-se em parte dividida; muitos teólogos ortodoxos continuam admitindo a necessidade de um estado intermediário entre a morte e a bem-aventurança celeste, assim como também reconhecem o valor dos sufrágios pelos defuntos. Eis aí mais um fato histórico e teológico que só vem a confirmar para todo o povo cristão a exclusividade da Igreja Católica no papel de única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo e mantida pelo Espírito Santo.


5. A Imaculada Conceição de Maria

Esta, incrivelmente, é por vezes confundida com um pretenso nascimento virginal de Maria (segundo tal confusão absurda, Santa Ana teria concebido sem a colaboração de São Joaquim!). Assim, simplesmente porque tal concepção virginal carece de qualquer fundamento (evidente, e nunca foi parte da Teologia católica!), também a verdadeira doutrina da Imaculada Conceição é em algum nível contestada pelos orientais, embora não seja negada por eles.

Contraditoriamente, porém, toda a literatura, a Liturgia e as mais tradicionais devoções dos ortodoxos enaltecem grandemente e com insistência (provavelmente até maior do que o fazem as obras clássicas católicas) a pureza plena e absoluta da Virgem Maria, professando a mesma coisa que nós, católicos, de modo implícito. Concretamente, a única diferença real é que eles não formularam nem definiram um dogma de fé específico a respeito desta realidade, que na prática creem de modo idêntico ao nosso, – e isto é algo bastante fácil de se confirmar, bastando que se observe a arte sacra oriental, eivada do princípio ao fim de belos e múltiplos ícones em honra à santidade incomparável de Maria Santíssima.


6. A Assunção de Maria Santíssima

Este ponto, juntamente com o anterior, é de surpreender o leigo, pois como já dissemos a devoção dos ortodoxos por Nossa Senhora é evidente e profundíssima, tanto que á primeira vista dá a impressão de ser tão grande quanto a católica ou até mesmo maior, em certas cerimônias, usos e costumes.

Crida pelos cristãos desde a Antiguidade, foi proclamado este dogma de fé pela Igreja Católica em 1950, pelo Papa Pio XII, de acordo com as tradições teológicas ocidental e oriental. Merece especial atenção, novamente, a iconografia oriental, que representa de maneira muito expressiva a Virgem sendo assunta aos Céus por seu Divino Filho (daí a diferença entre os termos 'Ascensão do Senhor' e 'Assunção de Maria': ela, elevada por Ele, que é Deus e se eleva por seu próprio Poder Divino).

Qual é, então, o problema? De fato, o que fere os orientais neste caso, – assim como no caso da Imaculada Conceição, – não é a proclamação da Assunção em si, simplesmente porque eles também creem nisto; o problema está, apenas e tão somente, na promulgação do dogma, a qual eles consideram que não deveria ter ocorrido (até por não terem tomado parte em sua elaboração).


7. Batismo por infusão ou aspersão da água

Aqui está um problema difícil de compreender, não só pelos católicos como também pela maior parte dos próprios cristãos orientais, que discordam da estranha posição ortodoxa oriental. Dizem esses teólogos que é importante no Batismo o contato da água com o corpo inteiro da pessoa, simbolizando purificação.

Para nós, católicos, tanto os de rito romano quando de rito oriental, o Sacramento é um sinal que realiza o que significa; logo, a Água batismal significa e realiza a purificação da alma. Basta lembrar que os Apóstolos, nos primeiríssimos anos, quando saíram aos quatro cantos do mundo para levar o Evangelho, nas mais diversas situações nem sempre dispunham de rios ou de grandes volumes de água para imergir os batizandos que surgiam a todo instante. Foi este, aliás, o caso do próprio S. Paulo Apóstolo, sem dúvida o mais emblemático3.


8. Epiclese

Os orientais julgam essencial na Liturgia Eucarística a Invocação do Espírito Santo (Epiclese) antes das palavras da Consagração; ora, estas faltam no Cânon Romano (Oração Eucarística nº 1), pois os latinos julgam que a Consagração do pão e do vinho se faz pela repetição das palavras do Cristo, assim como Ele ordenou: “Isto é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue…”.

Assim, as Orações Eucarísticas compostas depois do Concílio VII (1962-65) têm a Epiclese não para corrigir uma pretensa "falha" anterior, mas para salvaguardar uma antiga Tradição.


9. Pão ázimo

Jesus, em sua última ceia, observou o ritual da Páscoa judaica, que prescrevia (como ainda prescreve) o uso do pão ázimo ou não fermentado. A Igreja Católica também guardou o costume, – que foi, assim, guardado pelo próprio Cristo, – na Celebração da Eucaristia. Está mais do que bem respaldada, como se vê.

Uma observação importante: o uso do pão fermentado não é excluído por nós, católicos, pois, em última análise, se trata sempre de pão.


10. A Comunhão Eucarística sob as espécies do pão apenas

Até o século XII, a Comunhão era ministrada sob as duas espécies, pão e vinho; o uso foi abolido em razão dos graves inconvenientes que gerava (profanação, sacrilégios…). Todavia, após o Concílio VII é permitido que se dê a Comunhão sob as duas espécies a grupos devidamente preparados.


11. Unção dos Enfermos

Baseados na Epístola de S. Tiago (5,14ss), os orientais ortodoxos têm a Unção dos Enfermos como Sacramento. Divergem, porém, dos ocidentais em dois pontos:

a) A Unção não é reservada aos gravemente enfermos nem tem a marca de preparação para a morte, mas, ao contrário, vem a ser um rito de cura para qualquer enfermo;

b) A Unção, no Oriente, tem forte caráter penitencial, a tal ponto que ela é conferida também aos pecadores, mesmo os sadios, a título de satisfação pelos pecados.

Pode-se dizer, portanto, que a Unção “dos Enfermos” nas comunidades orientais ortodoxas é dada a todos os fiéis que tenham algum problema de saúde corporal ou espiritual. Isto ocorre especialmente na Semana Santa e entre os russos.

Essas diferenças, bastante suaves e simples de contornar, infelizmente foram muito exploradas nos debates entre latinos e gregos. Os ocidentais reservam a Unção para os casos de moléstias graves ou sério perigo de vida (entenda a Unção dos Enfermos).


12. Divórcio

Baseados no Evangelho segundo S. Mateus (5,32 e 19, 9) mas indo contra ao que dizem os Evangelhos segundo S. Marcos (10, 11s) e S. Lucas (16,18), e a 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7,10ss), os ortodoxos reconhecem o divórcio.

A Igreja Católica, por coerência, não interpreta S. Mateus em sentido contrário a S. Marcos, S. Lucas e S. Paulo, o que seria absurdo; assim, não reconhece o divórcio de um Matrimônio sacramental validamente contraído e consumado, mas entende que em Mt 5 e 19 se trata da dissolução dos casamentos ilícitos, o que ela pratica até hoje (entenda).


13. Celibato do Clero

Segundo a compreensão desses nossos irmãos, seria esta uma restrição imposta nos séculos posteriores, contrária à decisão do primeiro Sínodo Ecumênico no ano 325. Há alguma verdade nisso?

O celibato do clero tem seu fundamento na 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7, 25-35), onde S. Paulo recomenda expressamente a vida una ou indivisa. Esta foi sendo praticada espontaneamente pelo clero até que, em aproximadamente 306, o Concílio regional de Elvira (Espanha) a sancionou para os eclesiásticos de grau superior. A legislação de Elvira foi-se propagando no Ocidente por obra de outros Concílios regionais.

Diferentemente, os orientais estipularam que, após a Ordenação, os clérigos de grau superior (do diaconato para cima) não poderiam contrair Matrimônio, mas eram autorizados a manter o uso do Matrimônio os que tivessem casado antes da ordenação. O Concílio de Niceia I (325) rejeitou a proposta segundo a qual o celibato no Oriente seria observado sem exceções, como no Ocidente; isto por protesto do Bispo egípcio Pafnúncio, o qual guardava pessoalmente o celibato. Os Bispos orientais são todos celibatários e, por isto, recrutados entre os monges.

† † †

Como se vê, no último item como em outros, muitas das diferenças são disciplinares e não impedem a volta à unidade entre cristãos orientais e ocidentais. Podem-se admitir o pão fermentado na Eucaristia, a Epiclese como regra, que parte do clero seja casada. Outros pontos podem ser discutidos com muita tranquilidade, e com alguma revisão de termos, chegar-se a um termo, como é o caso da procedência do Espírito Santo. O maior obstáculo permanece o do primado do Papa.

Paulo VI e João Paulo II demonstraram compreender bem o problema, que acreditavam (como a Igreja ainda crê) que pode ser resolvido satisfatoriamente sem que se abra mão dos pontos inegociáveis de nossa fé e doutrina. Escreveu S. João Paulo II em sua encíclica Ut Unum Sit ('Para que seja um'), a qual é muito recomendável que seja lida e compreendida por todos os católicos:

“Entre todas as Igrejas e Comunidades Eclesiais, a Igreja Católica está consciente de ter conservado o Ministério do sucessor do Apóstolo Pedro, o Bispo de Roma, que Deus constituiu como perpétuo e visível fundamento da unidade e que o Espírito ampara para que torne participantes deste bem essencial todos os outros.

Segundo a feliz expressão do Papa Gregório Magno, o meu Ministério é de Servus servorum Dei. Por outra parte, como pude afirmar por ocasião do Encontro do Conselho Mundial das Igrejas em genebra aos 12 de junho de 1984, a convicção da Igreja Católica de, na fidelidade à Tradição apostólica e à fé dos Padres, ter conservado, no Ministério do Bispo de Roma, o sinal visível e a garantia da unidade, constitui uma dificuldade para a maior parte dos outros cristãos, cuja memória está marcada por certas recordações dolorosas. Por quanto sejamos disso responsáveis, como o meu Predecessor Paulo VI, imploro perdão.

Com o poder e a autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido em vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-las em função dos interesses próprios. Tem o dever de advertir, admoestar e, por vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquele opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio do Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve à unidade

Dirigindo-me ao Patriarca Ecumênico Sua Santidade Dimitrios I, disse estar consciente de que, 'por razões muito diferentes, e contra a vontade de uns e outros, o que era um serviço pôde manifestar-se sob uma luz bastante diversa'. Mas é com o desejo de obedecer verdadeiramente à Vontade de Cristo que eu me reconheço chamado, como Bispo de Roma, a exercer este Ministério. (…) O Espírito Santo nos dê sua Luz e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este Ministério possa realizar um serviço de amor reconhecido por uns e por outros.”

(Ut Unum Sit nºs 88/94-95, 25/5/1995)

Vemos que o Papa não abdica (nem poderia abdicar) do seu Ministério, que garante a unidade da Igreja, antes o afirma com todas as letras; mas pede que os teólogos proponham modalidades de exercício desse Ministério que satisfaçam a todos os cristãos (leia a Ut Unum Sit na íntegra).

Suplicamos, humildes, ao Espírito Santo que inspire os responsáveis para que realmente colaborem para a solução das dificuldades que os cristãos não católicos enfrentam no tocante ao primado do Papa!

_____
Notas:
1. Por volta do ano 48, apresenta-se em Antioquia o problema relativo à oportunidade da circuncisão para os não-judeus, quando cristãos provenientes da Judeia reclamam a 'liberdade adquirida em Cristo Jesus', que Paulo e Barnabé também invocam para não impor esse rito aos cristãos vindos do paganismo. A comunidade então interpelar os Apóstolos e os Anciãos de Jerusalém e lhes enviam Paulo e Barnabé, com seu companheiro grego Tito, acompanhados de uma delegação.
(N. do A., conf. Portal do Vaticano: Basilica San Paolo Fuori le Mura, disp. em:
vatican.va/various/basiliche/san_paolo/po/san_paolo/concilio.htm
Acesso 26/4/016)


2. 'As Pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não dividir a Unidade divina, a distinção real das Pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras: nos nomes relativos das Pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo aos dois; quando se fala destas três Pessoas, considerando as relações, crê-se todavia em uma só Natureza ou Substância. Pois tudo é uno n'Eles, onde não se encontra a oposição de relação. Por causa desta Unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho'.
(CIC §255)

3. O Batismo por aspersão (com a água aplicada geralmente sobre a cabeça) é explicitamente descrito  nas Sagradas Escrituras como prática comum da Igreja (ainda que não exclusiva) desde os primeiríssimos tempos. No caso do Apóstolo Paulo, ainda chamado Saulo quando partiu para Damasco em perseguição à Igreja (At 9,1-2), após a sua maravilhosa conversão mediante a visão do Senhor, foi recebido em casa de um Judas (onde permaneceu, cego e em jejum absoluto, por três dias) e ali mesmo foi batizado por Ananias, dentro de um quarto e em pé: 'Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que escamas, e tornou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizado. Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido.' (At 9,18-19). Na expressão no original em grego koiné,ANASTAS EBAPTISQH (anastas ebaptisthê), o particípio 'anastas' indica uma ação imediata entre o levantar e ser batizado. Havia certamente água no quarto porque já era prática judaica aspergirem-se frequentemente em diversas situações.
• Além deste caso, o mesmo Livro dos Atos menciona carcereiro de Filipo, que foi igualmente batizado 'imediatamente' em sua casa, juntamente com 'toda a sua família' (At 16, 33), em sua residência, logo após lavar as chagas de Paulo e Silas, sem nenhuma menção a rio, piscina ou grande tanque.
• O segundo capítulo do Livro dos Atos ainda menciona que 'mais ou menos três mil' foram batizados em Jerusalém. Note-se que não havia rio ou água corrente dentro da cidade que permitiria a imersão
de milhares de pessoas naquela ocasião. 

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Ref.:
BETTENCOURT, Estevão, osb, revista 'Pergunte e responderemos' nº 480, 2002, pp. 200ss
www.ofielcatolico.com.br

Por que é importante falar sobre o Purgatório e o Inferno aos enfermos e moribundos


ENTRE MUITOS OUTROS, podemos certamente dizer que um dos fatores que mais contribuem para os problemas no mundo de hoje é a falta de ensinamentos consistentes e contundentes sobre a existência do Inferno e também do Purgatório, e sobre o consequente sofrimento intenso que aguarda a grande maioria de nós após a morte. Muitos crimes, ofensas, agressões e destruições deixavam de ser praticados, em outros tempos, porque as pessoas tinham mais medo dessas coisas.

    Em defesa da doutrina católica sobre o Purgatório, São Roberto Belarmino explica as consequências da descrença no Purgatório:

Orações sugeridas aos leigos para as horas do dia


Orações da Manhã

Consagração do Dia

"Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo,

Eu vos ofereço todos os meus pensamentos, palavras, obras e ações, alegrias e sofrimentos deste dia; tudo quanto eu fizer e padecer, descontados os meus pecados, seja tudo, ó meu Deus, para vossa Glória, pelo bem das almas do purgatório, em reparação das minhas faltas e em desagravo ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Amém."

ou

Oferecimento do Dia

"Eu vos adoro, meu Deus, e vos amo de todo meu coração. Dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite. Ofereço-Vos as ações deste dia; fazei que sejam todas segundo a vossa santa Vontade, para maior glória vossa. Preservai-me do pecado e de todo o mal. A Vossa Graça seja sempre comigo e com todos os que me são caros. Amém."

ou

Brevíssimo Oferecimento do Dia

"Todos os meus pensamentos, todas as minhas palavras e obras deste dia, eu vos ofereço, Senhor, e a minha vida inteira por amor. Amém."

e

Ao Anjo da Guarda

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege e guarda, governa e ilumina. Amém."

com

Oração para ganhar as indulgências do dia

"Tenho intenção e desejo de ganhar hoje todas as indulgências de que possa ser capaz, e as ofereço em satisfação dos meus pecados e em sufrágio pelas almas do Purgatório, especialmente as mais abandonadas. Amém."



Orações do Meio-Dia

Angelus

"O Anjo do Senhor anunciou a Maria
E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria…

Eis a escrava do Senhor.
Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.
Ave Maria…

E o Verbo divino se fez carne.
E habitou no meio de nós.
Ave Maria…

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos
Infundi, Senhor, nós Vos pedimos, em nossas almas a Vossa Graça, para que nós, que conhecemos pela Anunciação do Anjo a Encarnação do Cristo, Vosso Filho, cheguemos por sua Paixão e sua Cruz à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém."

ou (no Tempo Pascal, do Domingo de Páscoa até o do Pentecostes)

Regina Coeli (Rainha do Céu)

Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia.
Porque Quem merecestes trazer em vosso seio, aleluia.

Ressuscitou, como disse, aleluia.
Rogai a Deus por nós, aleluia.

Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, aleluia.
Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.

Oremos
Ó Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição de vosso Filho Jesus Cristo, Senhor nosso, concedei-nos, vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém."


Orações da Noite

Ação de Graças

Eu vos adoro, meu Deus, e Vos amo com todo o coração.
Dou-Vos graças por me terdes criado,
feito cristão e conservado neste dia.
Perdoai-me as faltas que hoje cometi e,
se algum bem fiz, aceitai-o.
Guardai-me durante o repouso
e livrai-me dos perigos.
A vossa graça esteja sempre comigo
e com todos os que me são caros. Amém.

Meu Deus, dai-me luz
para conhecer os pecados que hoje cometi,
as causas deles e os meios de os evitar.

ou

À Sagrada Família

Jesus, Maria e José, modelos perfeitíssimos de recolhimento, caridade e humildade, alcançai-nos a graça de imitarmos as sublimes virtudes que praticastes na terra e dignai-vos proteger a todos nós, que agora prostrados na vossa presença imploramos o vosso patrocínio.
Lembrai-vos, ó Jesus, Maria e José, de que somos inteiramente vossos; defendei-nos, pois, de todo e qualquer perigo, socorrei-nos em nossas necessidades e dai-nos graças para nos mantermos constantemente na imitação da vossa santa Família, a fim de que, servindo-vos fielmente na terra, possamos depois bendizer-vos por toda a eternidade no Céu. Amém.

e

Ao Anjo da Guarda

Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia.

com

Pelas Almas do Purgatório

Dai, Senhor, às almas que padecem no Purgatório, o eterno descanso, entre os esplendores da Luz perpétua. Descansem em paz. Amém.


Exame de Consciência para o Fim do Dia:

Deveres para com Deus: Lembrei-me de Deus durante o dia oferecendo-Lhe o meu trabalho, dando-Lhe graças, recorrendo a Ele com confiança de filho? Deixei-me vencer pelos respeitos humanos em algum momento? Fiz as minhas orações pausadamente com atenção e devoção?

Deveres para com o próximo: Tratei com dureza ou desprezo os demais? Tive a preocupação de ajudar os que me rodeiam, fazendo-lhes, além disso, a vida mais agradável? Preocupa-me também a sua vida religiosa? Fiz algum apostolado? Caí na murmuração? Sei perdoar? Rezei pelas pessoas que de algum modo me preocupam?

Deveres para comigo mesmo: Lutei pela minha própria santificação? Deixei-me levar por sentimentos de orgulho, vaidade, sensualidade? Esforcei-me por arrancar o meu defeito dominante? Recorri a Deus para que aumente em mim todas as virtudes e, especialmente, a fé, a esperança e a caridade?

Ato de contrição: Meu Deus, porque sois tão bom, tenho muita pena de vos ter ofendido. Ajudai-me a não tornar a pecar.
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Existe o Purgatório?


O PURGATÓRIO EXISTE? O que é? Trata-se realmente de uma doutrina bíblica? Desde quando a Igreja crê em sua existência? Apesar das controvérsias, a realidade do Purgatório é facilmente demonstrável, tanto pelo estudo da Sagrada Escritura quanto pela exposição teológica mais elementar...

** Ler o estudo na íntegra
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Dia de Todos os Santos e Dia de Finados

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NESTE SEMANA A IGREJA celebra duas festas litúrgicas intimamente relacionadas ao Mistério da comunhão dos santos: a Solenidade de Todos os Santos, no dia 1º de novembro, e a Comemoração dos Fiéis Defuntos, no dia 2. Estas festas nos recordam que “todos os que somos filhos de Deus (...) constituímos uma única Família em Cristo”[1], na qual nos amamos e nos auxiliamos mutuamente.

O Catecismo da Igreja Católica, citando a constituição Lumen Gentium, ensina que, atualmente, a Igreja existe em “três estados”:

“Até que o Senhor venha em sua Majestade e, com Ele, todos os anjos, quando terá sido destruída a morte e todas as coisas lhe forem sujeitas, alguns dentre os seus discípulos peregrinam na Terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros ainda são glorificados, vendo ‘claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é.”

    Essa passagem trata 1) de nós mesmos  –  que caminhamos ainda sobre esta Terra, que somos Igreja militante e peregrina –; 2) das almas que são purificadas no Purgatório, aguardando o dia glorioso de adentrarem o Paraíso celeste e eterno; 3) de todos os santos e santas de Deus que já estão no Céu, a Igreja triunfante, pura e imaculada[2].

    Apesar destas diferenças, somos todos membros do Corpo Místico de Cristo que é a sua Igreja. Assim como a alma está para o corpo, o Espírito Santo está para a Igreja, Corpo santo, unindo os fiéis do Céu e da Terra e santificando-os com os mesmos tesouros espirituais.

    No dia primeiro de novembro, festeja-se, assim, o dia que deveria ser também nosso, na Solenidade de Todos os Santos. Lamentavelmente, têm-se perdido a correta noção do que seja um “santo”, inclusive porque confunde-se o significado de pessoa santa e pessoa salva. Quem está no Purgatório, por exemplo, está salvo, mas ainda não totalmente santificado, no sentido pleno da palavra (saiba mais). Os santos canonizados, ao contrário, já completaram toda a sua purificação nesta vida e, portanto, foram diretamente para o Céu.

    Aqui encontra-se mais uma medida que compõe o grande abismo que separa católicos e protestantes. Os primeiros creem que a santidade é possível neste mundo e acreditam firmemente que, por auxílio da Graça – e também por mérito próprio – a pessoa humana pode chegar a dizer com São Paulo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim”[3]. Os santos, na Igreja Católica, são cristãos que alcançaram tal grau de perfeição ao se configurarem a Cristo de maneira que Ele mesmo se faz Presença viva neles. Como ensina Santo Irineu de Lion, Padre da Igreja, “Gloria Dei vivens homo – a Glória de Deus é o homem vivo”[4], isto é, o homem que vive em Cristo. Por isso, depois que morrem, os santos, vendo Deus face a Face, podem interceder por nós junto a Ele.

    Mas, para os protestantes, Deus operaria as coisas “diretamente”, sem precisar de ninguém. Sem dúvida –, e os católicos creem nisto –, Deus não precisa de Suas criaturas, mas toda a história da salvação testemunha que, mesmo não precisando, Ele quer precisar delas. Deus não precisava, por exemplo, servir-se de um homem e de uma mulher para gerar novas vidas no mundo. Num estalar de dedos, os seres humanos podiam simplesmente brotar da grama, como os cogumelos. Todavia, Ele quis depender da ação de um pai e de uma mãe para tanto. A beleza da fé católica está justamente na ação de Deus que ama as suas criaturas por meio destas mesmas criaturas, fazendo-as participar de sua Bondade e de seu Amor: é o caso dos anjos do Céu, por exemplo, especialmente os anjos da guarda.

    Entretanto, está escrito: “Há um só Mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus”[5]. Verdade divina, na qual cremos desde sempre. Todavia, nos Atos dos Apóstolos é narrado o episódio de Pedro Apóstolo que, estando no cárcere, foi libertado pela ação de um anjo de Deus e da Igreja (atenção) que “orava continuamente a Deus por ele”[6]. Isso mostra como a Mediação de Cristo diz respeito à Mediação de Seu Corpo todo, seja por meio dos santos e anjos, que estão no Céu, seja pelos fiéis militantes, que estão na Terra[*]. Se admitimos a intercessão dos anjos e dos vivos, temos que admitir a dos que estão mortos para este mundo porém mais vivos do que nós no Céu, em Cristo, pois as Sagradas Escrituras também nos garantem que nada pode nos separar do Amor de Cristo, nem mesmo a morte[7].

    Crer no contrário seria crer que os membros do Corpo Místico de Cristo, uma vez mortos, estão “excomungados”. Absurdo! A comunhão com a Igreja é mais forte que a morte. Portanto, os santos, que já estão com o Senhor, rezam conosco e por nós. Glória a Deus!


* * *

    Além de todo o exposto até aqui, é agradável a Deus a intercessão de seus amigos, os santos. Lutero e seus seguidores não aceitam que alguém mereça, por seu amor a Deus, ser atendido por Ele. O protestantismo nega a doutrina do mérito. Para eles, “tudo é Graça”. Os católicos entendem que, realmente, tudo – inclusive o próprio mérito que possuímos – é Graça. Os santos receberam muitíssimas graças de Deus, entre as quais está a própria graça de merecer. Por isso, aqueles que amaram muito ao Senhor merecem ter as suas preces ouvidas por Ele.

    Por fim, lembremo-nos sempre que não existem apenas os fiéis que estão no Céu. A Celebração dos Fiéis Defuntos recorda que nem todos os que se salvam vão diretamente para a Vida eterna em Cristo. O Purgatório é parte do Depósito de Fé e da Doutrina da Igreja de dois mil anos. Os primeiros cristãos nas catacumbas já rezavam pelos mortos. Ora, sabendo que depois da morte não existe uma “segunda chance” de salvar-se, essa prática só pode indicar a existência de uma purificação após a morte, para aqueles que já se salvaram, mas, em vida, não amaram a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento[8]. Infelizmente, esse é o estado em que se encontram muitos de nós, por conta de nossos pecados e de nossa falta de generosidade com Deus. Se não nos purificarmos nesta vida, seremos purificados na futura. Cremos que só se entra no Céu totalmente santo. Por isso, é importante que, em um ato de caridade, sufraguemos as almas dos fiéis defuntos  –, isto é, peçamos e intercedamos por elas, com orações, jejuns, penitências, atos concretos de caridade –, a fim de que se purifiquem o mais breve e entrem na posse eterna da perfeita Alegria em Deus.

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Notas
1. Catecismo da Igreja Católica, 959
2. Ibidem, 954
3. Gl 2, 20
4. Adversus haereses, IV, 20, 7
5. 1Tm 2, 5
6. At 12, 5
7. Cf. Rm 8, 35-39
8.  Cf. Dt 6, 5; Mt 22, 37

* Já a Mediação direta de Cristo refere-se à única Mediação capaz de salvar as almas e garantir aos seres humanos convertidos a vida eterna no Céu. Nenhum, absolutamente nenhum santo e nenhum anjo de Deus, por mais agraciado que seja, tem o poder ou teria a capacidade de nos remir dos nossos pecados, que nos condenam à morte e ao Inferno. Somente Jesus Cristo, sendo Deus, poderia nos resgatar desta dívida incomensurável e impossível de ser quitada (por ser ofensa a Deus que é infinitamente Bom e infinitamente digno de ser amado e respeitado) por meio do seu Sacrifício redentor.

Exemplos para excitar os padres a celebrar todo dia, salvo caso de legítimo impedimento (Excelências da Santa Missa – XVII)


Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
Ó SACERDOTE DE CRISTO, procedei de tal modo que, antes de tudo, seja simples e pura a vossa intenção, e que só tenhais a DEUS em vista. 

    Com tal finalidade, renovai ao menos mentalmente, antes de começar a Santa Missa, as quatro intenções ensinadas anteriormente, e em vosso memento, depois de feita a aplicação devida, oferecei brevemente o Sacrifício ao Altíssimo, para os fins a que foi instituído, Isto é, para honrar a DEUS, agradecer-Lhe, dar-Lhe reparação e obter de sua bondade todos os bens.

O mínimo para ter uma vida de oração aceitável a Deus, em três passos simples


É UM FATO COMPROVADO e atestado que muitos problemas e um oceano de desentendimentos e conflitos seriam evitados se as pessoas se prestassem mais, pacientemente, a dizer o óbvio. E quantas vezes não deixamos de dizer coisas muito importantes – coisas que mudariam tudo se fossem ditas claramente – por considerar e pressupor que aquilo é tão óbvio que não precisa ser pronunciado?

    Então, vou aqui dizer coisas que deveriam ser óbvias para todo fiel católico de fé verdadeira:

A Santa Missa é de grande auxílio para as almas do Purgatório (Excelências da Santa Missa XI)


PARA CONCLUIR esta instrução, refleti que não foi premeditadamente que eu disse anteriormente que uma única Santa Missa, tomada em si e em relação ao seu valor intrínseco, basta para esvaziar inteiramente o Purgatório e abrir a todas as almas, que lá se acham, as portas do Paraíso...

Dia dos Finados ou dos Fiéis Defuntos: o que é, como vivê-lo e como ganhar suas indulgências

A ORIGEM DA CELEBRAÇÃO do Dia dos Fiéis Defuntos ou de Finados (2 de novembro) remonta aos tempos do Antigo Testamento, quando já os judeus rezavam pelos seus falecidos (conf. Tb 12,12; 2Mc 12,43-46). Encontramos também registros históricos que testemunham como os cristãos da Igreja primitiva rezavam pelos seus mortos, visitando os túmulos dos mártires, desde o final do primeiro século da era cristã.

Motivos para assistir a Santa Missa

Por São Leonardo de Porto Maurício – Resumo de 'Excelências da Santa Missa'



1- Na hora da morte, as Santas Missas que tiverdes ouvido devotamente serão vossa maior consolação.

2- Deus vos perdoa todos os pecados veniais que estais determinados a evitar.

3- Ele vos perdoa os vossos pedados desconhecidos (esquecidos) que jamais confessareis.

4- O poder de Satanás sobre vós é diminuído.

5- Cada Missa irá convosco ao Julgamento e implorará por perdão para vós.

6- A cada Missa tendes diminuída a punição temporal devida a vossos pecados, mais ou menos, de acordo com vosso fervor.

7- Assistindo devotamente à Santa Missa, rendeis a maior homenagem possível à Sagrada Humanidade de Nosso Senhor.

8- Através do Santo Sacrifício, Nosso Senhor Jesus Cristo repara por muitas de vossas negligências e omissões.

9- Ouvindo piedosamente a Santa Missa, ofereceis às Almas do Purgatório o maior alívio possível.

10- Uma Santa Missa ouvida durante vossa vida será de maior benefício a vós do que muitas ouvidas por vós após vossa morte.

11- Através da Santa Missa, sois preservados de muitos perigos e infortúnios, que de outra forma cairiam sobre vós.

12- Vós encurtais vosso Purgatório a cada Missa.

13- Durante a Santa Missa, vós ajoelhais entre uma multidão de santos Anjos, que estão presentes ao Adorável Sacrifício com reverente temor.

14- Pela Santa Missa sois abençoados em vossos bens e empreendimentos temporais.

15- Quando ouvis a Santa Missa devotamente, oferecendo-a ao Deus Todo-Poderoso em honra de qualquer Santo ou Anjo em particular, agradecendo a Deus pelos favores dispensados nele, vós conseguis para aquele Santo ou Anjo um novo grau de honra, alegria e felicidade, e dirigis seu amor e proteção especiais dele para vós.

16- Toda vez que assistis a Santa Missa, entre outras intenções, deveis oferecê-la em honra do Santo do dia.

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Fonte:
MAURÍCIO. São Leonardo de Porto. O tremendo valor da Santa Missa. Imprimatur †Michael Augustine, Arcebispo de Nova York, janeiro 2,1890.
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O perigoso sentimentalismo e a persistência na vida espiritual



“O sentimentalismo é, para a sensibilidade, uma afetação de amor de Deus e do próximo que não existe suficientemente na vontade espiritual. Então, a alma procura a si mesma mais do que a Deus; daí, para tirar a alma desta imperfeição, Deus purifica a alma pela aridez da sensibilidade.
Se verdadeiramente nesta aridez a alma não é suficientemente generosa, então cai na preguiça espiritual, na tepidez, e não mais tende suficientemente à perfeição.
Igualmente, pelo amor desordenado de si mesmo, vicia-se o labor intelectual ou apostólico, pois nele buscamos satisfação pessoal, buscamos o louvor em si mais do que a Deus ou à salvação das almas. Assim, o pregador pode tornar-se estéril 'como um bronze que soa ou um címbalo que tine' (1Cor 13,1). A alma se retarda, não é mais iniciante porém não avança ao estado dos aproveitados; permanece uma alma retardada, como um menino que, por não crescer, não permanece criança e nem se faz adolescente ou adulto normal, mas um homúnculo deforme. Ocorre algo similar na ordem espiritual, e isto provém do amor próprio desordenado, do sentimentalismo, do qual nasce a esterilidade da vida.”
(Pe. Garrigou Lagrange, 'As Três Vias e as Três Conversões', ed. Permanência)

HOJE CONTAMOS a estranha história de muitos católicos que vivem uma fé baseada no sentimentalismo. Trata-se de um problema mais latente entre aqueles que não nasceram em berço católico, ou que se dispersaram durante algum tempo, na juventude, e só depois reencontraram o Caminho (Cristo) e retornaram à Casa do Pai. Naquele dia em que se (re)converteram, sentiram como que uma "fisgada", Jesus a lhes "pescar"; foi o seu momento de conversão e de feliz intimidade com o Senhor, em Comunhão com a Santíssima Virgem e os santos e anjos do Céu.

Naquele dia, muitos desses novos católicos queriam mudar o mundo – e se sentiam capazes disso. Sentiam um desejo ardente, um ímpeto de falar de Jesus e da sua Igreja para o mundo, de proclamar que haviam se encontrado, reencontrado o Caminho, que eram agora membros do Corpo de Cristo... Viviam uma fase de choradeiras com qualquer música sacra ou religiosa que ouvissem. Na Missa e nos grupos de oração, dos quais procuravam participar, queriam externar os seus sentimentos...

Mas... algum dia –, demore um pouco mais ou um pouco menos –, chega um certo momento em que "a fé esfria" para esse novo convertido. As canções do padre Marcelo Rossi e Fábio de Melo e dos cantores católicos populares já não os encantam, já não são mais capazes de fazer brotar as lágrimas. Ele já não "sente" mais nada durante a Missa, e desiludido se pergunta por quê. Nas orações, clama a Deus: “Por que me abandonas? Porque não sinto mais a tua Presença?”... Depois de mais algum tempo, começa a perder a vontade de ir à Igreja, de rezar... "Se não 'sinto' a Presença e nem as consolações de Deus, para quê insistir?", é o que pensa; lá no fundo, começa a se questionar se tudo não teria sido, afinal de contas e, como dizia aquela antiga canção interpretada por Orlando Silva e Nelson Gonçalves, "nada além de uma linda ilusão"...

Todavia a questão mais profunda e importante, que precisa ser trazida à tona nestes casos, é esta: será que aquele sentimentalismo todo era realmente fé cristã? Será que se emocionar, chorar, cantar entusiasmado, dizer orações a Deus com grande empolgação e outras demonstrações externas como estas são realmente o sinal de uma autêntica e saudável vida em Cristo?

Diz a carta aos Hebreus: “A fé é o fundamento da esperança; é uma certeza a respeito do que não se vê” (Hb 11,1). “Não se vê”, neste caso, é alusão a essa relação que se pode ter com a fé – e que de fato costumamos ter, nos primeiros tempos logo após a nossa conversão – por meio dos sentidos físicos. Algumas pessoas chegam, sim, a ter visões supranaturais, embora estes sejam casos raros. Mas se dizemos que a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se experimenta por meio dos sentidos físicos, podemos afirmar que é a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se sente emocionalmente; ao menos não necessariamente. A fé cristã está, sem dúvida, mais relacionada à vontade do que às meras e fugazes emoções humanas.


Santa Gemma Galgani

Na biografia de santa Gemma Galgani consta que ela havia recebido os estigmas de Cristo muito cedo. Ela sempre oferecia seus sofrimentos à Deus em expiação pelas almas. Um fato interessante da sua vida é que ela vivia de modo tão santo que era sempre vista uma luz intensa ao seu redor enquanto rezava, mas também recebia flagelações de demônios em suas provações. Nossa Senhora lhe aparecia muitas vezes em sonhos. Certa vez, o próprio Senhor Jesus Cristo lhe apareceu e lhe propôs algo que para muitas pessoas seria algo extremamente difícil de compreender: ela não sentiria nada quando rezasse; teria mesmo indisposição para a oração e sofreria por não sentir mais nem sequer o mínimo de emoção ao orar, ao ir à Missa e mesmo quando fosse receber os santos Sacramentos(!).

Compreendemos, hoje, que o Cristo propôs isto a Gemma Galgani porque queria que ela sentisse o que Ele sentiu na sua Paixão: a extrema angústia e terror, a ponto de Ele mesmo – Deus e Salvador da humanidade, Senhor das Tempestades, Princípio e Fim de todas as coisas – exclamar: “Pai, porque me abandonastes?”... Nosso Senhor sofreu assim porque, mesmo sendo plenamente Deus, era também plenamente homem.

E consta que Gemma aceitou sua pesada cruz com paciência; mesmo não sentindo nada, mesmo com a provação das enfermidades que assolaram a sua vida, perseverou na oração, aguentou os açoites do demônio e não cessou de oferecer tudo a Deus, em reparação dos pecados do mundo, pelas almas que padecem no Purgatório, em desagravo às ofensas sofridas por Nosso Senhor e pelo bem de toda a Igreja, seguindo a exortação do Apóstolo:

“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.”
(Col 1,24)

Aí está um exemplo maravilhoso do que significa a verdadeira e autêntica fé cristã. Esta serva e guerreira de Cristo – esta brava filha da Igreja e irmã dos Santos do Céu – já não "sentia" mais nada, já não desfrutava de doces emoções, porém mesmo assim mantinha a fé de que Deus não iria desampará-la e que, na vida futura, iria desfrutar da Presença de Deus, Bem dos bens e Fonte de toda a vida, felicidade e alegria.

Do mesmo modo, Jesus Cristo disse a Tomé, que então não cria na sua Ressurreição: “Creste porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!” (Jo 20,29). Crer sem ver; crer e permanecer na fé mesmo sem sentir, sem se emocionar, sem precisar das muletas do sentimentalismo.


Advertências dos Santos sobre o perigo da dependência dos sentimentos e sensações agradáveis na vida espiritual

“Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. (...) Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção têm com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas mais interiores e espirituais.”

“A alma presa às graças sensíveis permanece ignorante e grosseira na vida de fé, e fica sujeita muitas vezes a tentações graves e pensamentos importunos.”

“Cautela nessas comunicações exteriores e sensíveis sem jamais as admitir – a não ser em certas circunstâncias muito raras e sob o parecer de alguém com muita autoridade, e excluindo sempre o desejo delas.”

(Subida do Monte Carmelo, p. 217ss, Capítulo XI)


Sugestões para a frutuosa oração frequente

Não desista da oração, mesmo se estiver indisposto. Esta luta interior agrada a Deus e o fará crescer e amadurecer muito espiritualmente. Uma indicação sempre válida e utilíssima é rezar o santo Terço; deixe que Nossa Senhora reze com você e por você. Ainda assim, é importante saber e lembrar que o católico não dispõe apenas do Terço para rezar. Todos podemos e devemos falar espontaneamente a nosso Deus e Salvador, adorá-lo, louvá-lo, suplicar a sua Misericórdia e Graça; além disso temos muitíssimas santas jaculatórias – orações ou invocações muito curtas que podemos dirigir isoladamente a Deus e/ou aos santos do Céu – e que ditas fervorosamente são poderosos instrumentos à nossa disposição. Você pode dizer várias vezes:

• Eu vos adoro e agradeço, Senhor Deus Pai, Filho e Espírito Santo, porque sois o Criador de Todas as coisas, o Sumo Bem e meu Salvador, doador da vida e de todos os bens!

• As Santas Chagas são o Tesouro dos tesouros pelas almas do purgatório!

• Bom Jesus, nós Vos louvamos no Sacramento do Amor; sede sempre para nós um compassivo Senhor!

• Bom Jesus, sejais Bendito, pois sois nossa Redenção; sois toda a nossa ventura, nosso amparo e nossa consolação!

• Coração de Jesus Crucificado, Fonte de amor e de perdão!

• Coração de Jesus, em Vós confiamos!

• Coração Misericordioso de Jesus, tende misericórdia de nós!

• Coração Sacratíssimo e misericordioso de Jesus, dai-nos a paz!

• Cristo Jesus, Vós sois a minha Ajuda e meu Redentor. Amém!

• Dai-me a graça, Senhor, de que eu nunca Vos ofenda!

• Dai-me a graça, Senhor, de vencer as paixões e ter horror ao pecado!

• Deus meu e meu tudo!

• Doce Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que eu Vos ame cada vez mais!

• Doce Coração de Jesus, sede o meu amar!

• Doce Coração de Maria, sede minha salvação!

• Imaculada Rainha da paz, alcançai-nos a paz!

• Jesus, Maria e José, eu vos amo; sede comigo e não permitais que eu vos ofenda!

• Jesus Misericordioso, eu confio e espero em Vós!

• Jesus, meu Deus e meu Senhor, eu vos amo acima de tudo!

• A justíssima e amabilíssima Vontade de Deus seja sobre todas as coisas!

• Maria, minha Mãe!

• Meu Jesus, eu quero ser todo vosso!

• Nossa Senhora da Providência, providenciai!

• Ó Jesus, com todo meu coração eu me uno a Vós. Amém!

• Ó meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas!

• Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas!

• Oh! Jesus Divino, nossa vida, nosso amor, enchei o nosso espírito de um verdadeiro fervor!

• Oh! Jesus, Autor da vida, enchei nossos corações de divino Amor!

• Pai Eterno, ofereço-vos o Preciosíssimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas almas que estão no Purgatório!

• Por Vossa mansidão divina reinai em nossos corações!

• Junto dos doentes repetir muitas vezes: Ó meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos das vossas santas Chagas!

• São José, assisti-me em minha agonia!

• SENHOR, abandono-me em Ti, confio em Ti, descanso em Ti...

• SENHOR, se quiseres, podes curar-me!

• SENHOR, seja feita a vossa santa Vontade!

• SENHOR, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo!

• Senhora do Céu, santíssima Virgem milagrosa, sede nossa guia neste vale de lágrimas!

• SENHOR, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo (ou tal pessoa será salva)!

• Sou teu, para Ti nasci; que queres, Jesus, de mim?

Sugerimos ainda a Invocação do Nome de Jesus (aprenda), a récita de uma Dezena do Rosário (que bem rezada pode ser tão proveitosa ou até mais do que mil Aves-Maria ditas displicentemente) e a o Terço da Divina Misericórdia.


* * *


Resumo e conclusão
O exemplo de Santa Gemma Galgani é um caso muito especial, radical, e não deve ser tomado como regra geral, é claro. É bem provável que poucos de nós suportassem carregar tamanha cruz com tanta dignidade. É muito importante entender que não se está aqui afirmando que as emoções sejam ruins em si mesmas. Não defendemos que os católicos devam ser ou se comportar como máquinas insensíveis. Seres humanos somos dotados, sim, de emoção. O emocionar-se pode ser saudável e é parte da experiência humana, graças a Deus! Ora, se consolações divinas vierem durante a nossa oração, ótimo.

O que precisamos é nos prevenir contra o perigo de achar que a emoção é uma condição necessária para a Comunhão com Deus; o perigo de associar vida espiritual e emoção: este é um grave erro.

Como diz o grande Pe. Garrigou-Lagrange, pessoas que procedem assim no fundo são egoístas, porque não estão procurando Deus por Ele mesmo, mas pelas consolações e delícias espirituais. São como viciadas nesses doces sentimentos e sensações.

É por isso que vemos tanta gente que num primeiro momento se empolga com os grupos de oração ditos carismáticos, mas depois de algum tempo desacorçoam, deixam de ir à Igreja, e muitas delas terminam em seitas protestantes pentecostais.

As lágrimas não são necessariamente negativas. Negativo é buscar as lágrimas, é acreditar que elas sejam necessárias, é imaginar que quem vai às lágrimas é mais santo ou está mais próximo de Deus do que aqueles que são mais controlados.

Parece-me importante repetir mais uma vez, o que diz São João da Cruz e que resume muito bem a questão: "Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais (sensações e emoções), é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus."

Em outras palavras, se na vida cristã a emoção e as sensações vierem, bem. Se não vierem, graças a Deus também.

Que a Cruz, pela qual somos salvos e nestes tempos difíceis é evidenciada (esta é a graça contida nas dores, dificuldades e angústias), nunca suma dos nossos horizontes; que ela seja a nossa grande Filosofia, que desafia todo conhecimento e diante da qual todas as ilusões humanas revelam a sua efemeridade. Nova humanidade, renascida do lado aberto do Cordeiro de Deus, homens e mulheres espirituais fortes e maduros, mostrem as suas faces, ou melhor, mostrem vosso Coração conforme ao de Cristo! "O mundo gira, mas a Cruz permanece firme"! Permaneçamos com Jesus Cristo.

Eis o tempo da oração silenciosa, da contemplação. Que a seriedade do amor nos guarde contra o débil sentimentalismo, e que a sobriedade da verdadeira santidade nos acompanhe e nos ensine. Que o mundo durma bêbado dos seus prazeres, entorpecido nas suas sensações vãs. Nós, cristãos católicos, experimentados no combate, despertos, contemplaremos o Amado, junto com a Virgem. Vigiemos, munidos da Arma e Antídoto contra todo o mal, que é a Santa Cruz. Eis a Espada da alma amante, a Cruz; eis a inimiga de toda mentira e ilusão, e eis também a via do amor e da felicidade maior, cujo fim será o doce encontro com o Esposo das nossas almas.

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Ref.:
'Os perigos do sentimentalismo', Front Católico, disp. em:
https://frontcatolico.blogspot.com.br/2014/07/os-perigos-do-sentimentalismo.html?showComment=1470151921780#c8009207437240022091
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O Concílio ecumênico de Trento: um marco na história da Igreja

A PARTIR DESTA, passamos a publicar uma série de postagens que visam o esclarecimento daquele que foi, possivelmente, o mais importante dos Concílios Ecumênicos promovidos pela Igreja Católica: o de Trento, o Concílio da Contrarreforma. Dado que muitas aberrações são ditas a respeito deste assunto, e um grande número de pessoas que jamais o estudaram emitem opinião sobre ele, consideramos de grande importância trazê-lo ao conhecimento de nossos leitores. Nesta primeira parte, trataremos do Concílio, suas causas e consequências, e a partir daí publicaremos todos os seus documentos, na íntegra, acrescidos de comentários. Nosso Senhor nos conceda, uma vez mais, que este nosso trabalho, para a Sua Glória, seja útil.




O que foi o Concílio Ecumênico de Trento?

Martinho Lutero publicara, em 31 de outubro de 1517, suas 95 teses sobre a indulgência. Em 15 de junho de 1520, o papa Leão X assinou a Bula de advertência de excomunhão contra Lutero. Excomunhão esta que veio a ser efetivada no dia 3 de janeiro do ano 1521. Com isto, selava-se definitivamente a divisão religiosa, – com evidentes consequências políticas, – da Alemanha.

No Parlamento de Nuremberg, os representantes do Reino alemão exigiam a convocação de um concílio ecumênico. O imperador Carlos V queria que Trento, situada no Reino alemão, fosse o local do Concílio. O papa Clemente VII, lembrado dos Concílios de Constança e Basileia, evitava a convocação. Em 1527, o imperador voltou à tentativa de dispor o Papa em favor da ideia do Concílio. Pretendia este a convocação de um concílio ecumênico, a reforma da Igreja e a superação da divisão. – Aqui abrimos um espaço para esclarecer que a designação 'concílio ecumênico' significa uma reunião de representantes do conjunto dos bispos católicos do mundo todo (somente no final do século passado a palavra 'ecumenismo' passou a ser utilizada para definir um movimento surgido nos meios protestantes, buscando a reunião de todas as comunidades protestantes e, mais adiante, de todos os cristãos). O lmperador Carlos V queria, entretanto, que o Concilio se realizasse em território alemão para facilitar a participação dos luteranos, que queria trazer de novo à unidade da Igreja; o Papa, porém, preferia uma cidade da Itália; em suma, Imperador, Papado, protestantes, Espanha e França tinham algo a dizer sobre a convocação do Concilio, mas em termos divergentes.

Todavia, o encontro entre o Papa e o Imperador, aos 5 de novembro de 1529, não demoveu o primeiro de sua recusa. Carlos V acreditava que a não convocação poderia acarretar danos maiores do que as consequências temidas pelo Pontífice, mas na Assembléia Geral do Reino, em Augsburgo, em 1530, os esforços do Imperador pela unidade foram frustrados ('Confissão de Augsburgo'). 


Carlos IV

Bem outra foi a reação do sucessor de Clemente VII, Paulo III (1534-1549): tão logo tomou posse de suas funções, posicionou-se favoravelmente à ideia do concílio e procurou, desde o início de 1535, concretizar seus planos nesse sentido. Inicialmente foi convocado o Concílio, primeiro para Mântua, em 1536, e, posteriormente, em 1537, para Vicenza, não chegando, porém, a acontecer, devido a uma série de dificuldades políticas e de cunho prático. Além disso, numa e noutra oportunidade, foi impedida a sua abertura pela ausência de participantes. Em 1539, foi adiado o concílio por tempo indeterminado.

No ano 1541, num encontro pessoal com o Papa, voltou o Imperador a propor a cidade de Trento para sediar o Concílio. Afinal, efetivamente, convocou Paulo III o Concílio para ser ali realizado, a partir de 1º de novembro de 1542. Como, no entanto, no verão de 1542, irrompera uma guerra entre a Alemanha e a França, também essa convocação ficaria sem efeito. Assim, em 29 de setembro de 1543, mais uma vez suspendeu o Papa o Concílio. Aos 30 de novembro de 1544, porém, levantou a suspensão e estabeleceu o dia 15 de março de 1545 como termo inicial do evento. Contudo, no dia fixado, além dos dois delegados do Papa, não haviam chegado outros participantes.

Desta sorte, depois de tantas dificuldades e adiamentos, só pôde o Concílio ter início em 13 de dezembro de 1545. Haviam, desta vez, comparecido 4 arcebispos, 21 bispos e 5 superiores gerais de ordens religiosas. No princípio do verão, subiu esse número para 66 participantes, dos quais um terço era constituída de italianos.

O primeiro período de sessões durou de 13 de dezembro de 1545 a 2 de junho de 1547. Contra a vontade do Imperador, pretendia-se tratar de questões de fé e da reforma simultaneamente, assim como quanto ao dever de residência dos bispos. Além disso, foram discutidos a doutrina geral sobre os Sacramentos e os Sacramentos do Batismo e da Confirmação.

Na quarta sessão foi deliberado a respeito do decreto sobre as fontes da Fé. Na quinta sessão, expediu-se o decreto sobre o Pecado Original e, na sexta sessão, o decreto sobre a Justificação, que fora objeto de cuidado especial, tornando-se assim o decreto dogmático mais significativo do Concílio.

Em princípios de 1547, transferiu-se o Concílio para Bolonha, porquanto em Trento irrompera um surto de tifo. Por certo, tinha o Papa, além deste, um outro motivo para a transferência: queria distanciar o Concílio da área de dominação do Imperador. Paulo III confirmou, aos 11 de março de 1547, a decisão de transferência do Concílio, tomada pela maioria de dois terços. O imperador exigiu a volta para Trento, sobretudo porque, a seu ver, os protestantes certamente se recusariam a vir para uma cidade como Bolonha, situada no Estado Pontifício. O Papa negou o atendimento à exigência imperial, baseado no fato de que a decisão final sobre a transferência competia ao próprio Concílio.

Em Bolonha levara o Concílio adiante as deliberações acerca da Eucaristia, Penitência, Extrema-unção, Ordem e Matrimônio. Além disso, foi debatida a doutrina sobre o Sacrifício da Missa, o Purgatório e as Indulgências. Em 13 de setembro de 1549, o Papa voltou a suspender o Concílio. Morreu em 10 de novembro de 1549.

Seu sucessor, Júlio III (1550-1555), transferiu o Concílio de volta para Trento, onde foi reaberto solenemente em 1º de maio de 1551. Em fins de 1551 e princípios de 1552, apareceram no Concílio enviados de Estados imperiais protestantes, com a exigência de que todos os pronunciamentos até então feitos pelo Concílio sobre a fé deveriam ser anulados, o que dificilmente seria exequível. Foram publicados os decretos sobre os Sacramentos, que haviam sido objeto de estudo em Bolonha, além dos decretos da reforma da gestão dos bispos e da conduta de vida dos clérigos. Motivos políticos levaram, em 28 de abril de 1552, a nova suspensão do concílio, que somente em 1562 foi reaberto. Entrementes faleceram, além de Júlio III, também os seus sucessores Marcelo II e Paulo IV.

Pio IV (1559-1565) finalmente, deu prosseguimento ao Concílio. A abertura, efetuada em 18 de janeiro de 1562, contou com a presença de 109 cardeais e bispos. Em 11 de março, foi discutido o dever de residência dos bispos, o que levou à manifestação de opiniões divergentes e a uma nova e maior interrupção do Concílio, até que o Papa, em 11 de maio, proibiu o debate sobre o referido tema. Concomitantemente àquelas medidas, foram expedidos decretos sobre os demais Sacramentos e emitidos também decretos de reforma, entre outros, os concernentes à rejeição de exigências de abolição do celibato.

A vigésima segunda sessão, de 17 de setembro de 1562, ocupou-se com males existentes nas dioceses. Com o renovado pronunciamento sobre o dever de residência dos bispos, a exaltação dos ânimos reveladas nas contestações chegou ao ponto de se temer a dispersão do Concílio. A controvérsia trouxe à baila mais uma vez as relações entre o Papa e o Concílio. Contudo, o novo presidente da assembleia conciliar, Monrone, conseguiu salvar a situação, obtendo a aceitação de um compromisso relativamente aos pontos controvertidos: foi apenas rejeitada a doutrina protestante acerca das funções do bispo. Nessa mesma sessão, foi também declarada vinculativa a obrigação dos bispos de estabelecerem em suas dioceses seminários para a formação de sacerdotes.

Na vigésima quarta sessão, promulgou o concílio diversos pontos do decreto de reforma e concluiu, na sessão final de 3 e 4 de dezembro de 1563, os decretos sobre o Purgatório, as Indulgências e a Veneração dos santos.


Papa Pio IV

Várias reformas haviam ficado inconcluídas, entre as quais, sobretudo, as do Missal e do Breviário e, ainda, a da edição de um Catecismo geral. Essas tarefas foram encomendadas, pelos padres conciliares, ao Papa. Em 26 de janeiro de 1564, homologou o Papa os decretos conciliares. Uma coletânea das decisões dogmáticas e a profissão da fé tridentina foram tornadas de uso obrigatório para todos os bispos, superiores de ordens religiosas e doutores.

Ao fim, o Concílio não conseguiu cumprir a tarefa que lhe fora inculcada pelo Imperador, no sentido de restabelecer a unidade na Fé. No entanto, delineou claramente a concepção de fé católica frente à Reforma. Pio IV morreu em 9 de dezembro de 1965. Seu sucessor, Pio V, divulgou o Catecismo estatuído pelo Concílio (1566), bem como o Breviário reformado (1568) e o novo Missal (1570).



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Fonte:
• WALLPERT, Rudolf Fisher Léxico dos Papas, São Paulo: Vozes, 2006
• COMBY, Jean. Para ler a história da Igreja, Do século XV ao século XX, Vol. II. São Paulo: Loyola, 2ª ed. 2001
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