16/9/2020 | Acordo entre Vaticano e China comunista será renovado: perseguição e 'sumiços' de cristãos no país continuam


AO LONGO DA ÚLTIMA SEMANA, membros do governo chinês e do Vaticano deram indicações de que o acordo assinado entre as partes há dois anos será renovado. O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, confirmou em conversa com jornalistas que o acordo provisório entre a Santa Sé e a China, que espirará em outubro, será provavelmente renovado.



Como resultado de tal acordo, o resultado deve ser o da garantia de liberdade religiosa naquele país, segundo enfatizou a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) para a agência National Catholic Register na terça-feira (14/9), observando que os católicos clandestinos no país continuam sendo perseguidos.


No dia anterior, segunda-feira, o Cardeal Parolin, dissera que uma renovação do acordo da Santa Sé com a China sobre a nomeação de bispos ajudaria a “normalizar a vida da Igreja” por lá. Em resposta, Gary Bauer – um comissário da USCIRF, órgão consultivo federal bipartidário – ponderou via Twitter: "A China comunista continua a perseguir os católicos chineses. Esperamos que qualquer acordo futuro entre o Vaticano e a China esteja enraizado na proteção da liberdade religiosa”.

"Presidente Xi Jinping: Onde está o Bispo Su, e o que você fez com ele?", é um jargão lançado pelo deputado Chris Smith (Comissão de Direitos Humanos do Congresso bipartidário Tom Lantos) que ecoa em redes sociais internacionais.

O acordo entre a Santa Sé e a China foi assinado em 22 de setembro de 2018 e foi buscado pelo Vaticano como um meio de unificar a Igreja na China e apoiar a nomeação de bispos. Embora o texto do acordo não tenha sido divulgado ao público, foi amplamente divulgado que o Partido Comunista Chinês (PCCh) recebeu a capacidade de avaliar as nomeações episcopais para a Igreja na China. 


Autoridades do Vaticano recentemente expressaram otimismo e apoio à renovação do acordo. Segundo Parolin, o Vaticano pretende "continuemos a adotá-lo (o acordo) ad experimentum”, conforme relatado pela agência italiana AgenSIR.


Os católicos na China há muito estão divididos entre grupos clandestinos que permaneceram em plena comunhão com Roma e cujos bispos frequentemente não eram reconhecidos pelo PCCh, e membros da "Associação Católica Patriótica Chinesa" (PCCA), uma espécie de "igreja alternativa" sancionada pelo Estado. Depois que o acordo foi alcançado em 2018, oito bispos ordenados ilicitamente da CPCA foram reconhecidos pela Santa Sé. Dois bispos autenticamente católicos, antes considerados clandestinos, também foram reconhecidos pelo PCCh e instalados em junho.


No entanto, tem havido relatos de assédio contínuo a muitos católicos, leigos e clérigos, que seguem clandestinos na China mesmo depois do acordo, apesar da orientação do Vaticano a respeito da escolha dos católicos considerados clandestinos, que se recusam ao registro no governo e a assinar documentos aceitando que o PCCh lhes imponha a sinicização (submissão à influência do Estado, adaptando aos seus ditames os seus costumes e modo de vida). De fato, muitos católicos e bispos clandestinos relutaram em se registrar no CPCA e sentem-se confusos com a atitude de Roma.


A USCIRF, conforme seu relatório anual mais recente, constatou que a perseguição às religiões na China piorou em 2019.


“As autoridades locais continuaram a perseguir e a prender bispos, incluindo Guo Xijin e Cui Tai, que se recusaram a ingressar na associação católica afiliada ao Estado”, relatou a comissão, acrescentando que “a maioria dos estimados 70 milhões de cristãos do país se recusam a aderir às igrejas estatais ”, incluindo o CPCA. Também houve relatos de igrejas sendo demolidas e de cruzes derrubadas.


Outra tensão relatada foi a falta de nomeações episcopais no continente; existem atualmente mais de 50 dioceses católicas na China que não têm bispos titulares, e os candidatos que foram nomeados já passaram da idade de aposentadoria da Igreja (75 anos). 


Fontes do Vaticano relataram silêncio de Pequim em resposta a listas de candidatos episcopais e em resposta a relatórios de padres desaparecidos, dados como encarcerados ou mortos. Em julho, os líderes congressistas dos Estados Unidos realizaram uma audiência que destacou a perseguição aos católicos chineses e o desaparecimento de um bispo.


O bispo James Su Zhimin, da diocese de Baoding, na província chinesa de Hebei, foi preso pelas autoridades chinesas em 1997. Ele foi visto pela última vez por familiares em um hospital em 2003, enquanto estava sob custódia do governo.


De acordo com o sobrinho do Bispo Su, as autoridades chinesas supostamente pediram ao Vaticano para nomear um novo bispo de Baoding, conforme informou o UCA News em 22 de julho último. Seu candidato preferido é o bispo coadjutor Francis An Shuxi, membro da Associação Patriótica Católica Chinesa, a "igreja sancionada".


De acordo com relatório do "Cyber Threat Analysis" divulgado em 28 de julho, um grupo patrocinado pelo Estado chinês tem como alvo o Vaticano e outras organizações católicas para ataques cibernéticos com o objetivo de ganhar vantagem nas negociações sobre nomeações de bispos e monitorar as comunicações da Santa Sé com a Diocese de Hong Kong.



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National Cahtolic Register, disp. em
https://ncregister.com/news/us-commission-vatican-china-deal-should-focus-on-religious-freedom
Acesso 15/9/2020


https://ncregister.com/news/us-commission-vatican-china-deal-should-focus-on-religious-freedom

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