Do mau exemplo dos cristãos


Uma reflexão breve de Felipe Marques
– Fraternidade Laical S. Próspero



NOS PARÁGRAFOS 28 e 29 do Catecismo de João Paulo II, temos o seguinte (negritos nossos):

De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades (...) estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso: Deus «criou de um só homem todo o gênero humano, para habitar sobre a superfície da Terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar.

Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n'Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28). 29. Mas esta «relação íntima e vital que une o homem a Deus» pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem. Tais atitudes podem ter origens diversas: a revolta contra o mal existente no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosas, as preocupações do mundo e das riquezas, o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de Deus e foge quando Ele o chama.
(CIC §28-29)

Muitos abandonam a Deus e sua Santa Igreja Católica por uma causa que venho destacar nesta breve reflexão: "o mau exemplo dos crentes".

Os meus pecados e os pecados dos demais católicos, principalmente dos clérigos (que têm obtido grande destaque na mídia nos últimos dias) podem ser escandalosos – às vezes gravemente escandalosos – e, assim, atrair hostilidade a Deus e à vida católica para muitas pessoas de "fé fraca", isto é, aqueles que ainda não progrediram o suficiente em sua jornada espiritual para entender a verdadeira e mais elevada natureza da Igreja. 

Porém, creio que nada nesse mundo deve nos afastar de Deus e de sua Igreja, afinal já nos advertiu o profeta: "Eis o que diz o Senhor: 'Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!'" (Jeremias 17, 5).

É claro que a confiança é necessária para o convívio humano e, com certeza, Deus não nos proíbe de dar credibilidade às pessoas. O que é aqui condenada é a postura de um homem que, no lugar de viver tendo a Deus como centro de sua vida e de sua fé, coloca toda sua esperança em outros homens ou em outras criaturas, quaisquer que sejam. 

Como ensina o grande autor católico J.R.R. Tolkien:

Creio que sou tão sensível quanto você (ou qualquer outro cristão) aos escândalos, tanto do clero quanto da laicidade. Sofri dolorosamente em minha vida com padres estúpidos, cansados, apagados e até mesmo maus; mas agora sei o suficiente sobre mim para estar ciente de que não devo deixar a Igreja (o que para mim significaria abandonar a lealdade ao Nosso Senhor).
Para Michael Tolkien (1 de novembro de 1963, Carta 250)

Não devemos abandonar a Igreja Católica, ainda que seus membros sejam tão podres quanto demônios e manchem desgraçadamente a face desta "Mater et Magistra" que o bom Deus nos deixou. De fato, nossa fé não está nos cristãos, está em Cristo! Fiquemos firmes e lutemos por santidade, assim estaremos servindo bem ao Corpo Místico de Nosso Senhor, que tem sido tão desfigurado nos últimos séculos.

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8 comentários:

  1. Belo depoimento! Realmente confundir a Igreja com os padres maus é o pior erro! Obrigada por nos lembrar!

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  2. Boa reflexão, realmente criamos má interpretação em nos disviar a palavra do Senhor pelos erros de critasc que nan estão comprometidos com Deus.

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  3. Esforcemo-nos para não sermos nós a pedra de tropeço, a causa do escândalo que afugenta tantos irmãos.

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  4. ÓTIMA REFLEXÃO DO MEU AFILHADO FELIPE. ESTOU ENFERMO E OFEREÇO MINHA DOENÇA PELA CONVERSÃO E SANTIFICAÇÃO DOS CRISTÃO. E EU SOU O PRIMEIRO...
    URBANO MEDEIROS - artista católico

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  5. Do venerável Bispo Fulton Sheen:

    “Você diz que não vai à igreja porque está cheio de hipócritas lá? Eu digo que você está certo, mas venha assim mesmo, temos espaço para mais um.”

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